República de Tigres
17 Capítulo 17
Notas iniciais
A festa não havia começado no horário previsto. Às 22 horas pessoas ainda chegavam à quadra e o DJ só deu início as músicas trinta minutos depois. Contudo, isso não atrapalhou o a andamento dela. Lá pras 23 horas e 30 minutos o lugar já estava tomado por pessoas circulando, conversando e dançando.
O aniversariante ainda não tinha saído de sua república. Ele observava da janela as pessoas que não paravam de chegar ao local. Boa parte deles sequer sabia que aquilo se tratava do aniversário do Colin.
— É engraçado vestir isso. — disse Caine, o único presente com ele no quarto.
Ambos os garotos combinaram a fantasia. Colin estava de Mario e Caine de Luigi.
— Invenção do seu namorado.
— Ah, pelo menos deu certo... Olha a quantidade de gente fantasiada.
Tanto Colin, quanto Caine vestiam a mesma roupa, apenas com cores diferentes. Os macacões de encanador eram da mesma cor: azul. O que estava fantasiado de Mario trajava também uma camisa vermelha por dentro, chapéu vermelho com um M estampado e sapatos pretos. Já Luigi recebia as mesmas vestes, entretanto sua camisa e chapéu eram verdes e com um L estampado.
Caine segurava na mão dois bigodes grandes.
— O seu. — entregou.
Colin aceitou o bigode e assistiu Caine usá-lo. Nos primeiros segundos achou estranho, mas logo caiu na gargalhada quando percebeu o quão fofo e engraçado ele pareceu estar.
— Para! — disse o amigo. — Agora coloca o seu.
Colin fez imediatamente e correu para se olhar no espelho. As gargalharas prosseguiram, principalmente quando Caine caiu no ritmo do amigo.
Puxando o celular do bolso, o líder dos águias pediu por uma foto e assim fizeram.
— Do que o Danion está fantasiado? — Colin perguntou ao voltar pra janela.
— Coringa.
— Bem a cara dele.
— Vai descer agora?
— Preciso ir atrás do Sean. Ele odeia as festas da Quadra, odeia toda essa gente reunida no mesmo lugar. Se eu não for lá é capaz de ele não sair.
— Então vai. Eu vou ver se o Danion já está pronto. Ele contratou um daqueles profissionais que mexem com maquiagens pra essas ocasiões.
— Certo. Vamos sair juntos daqui. — disse o líder da república ao apagar as luzes.
Colin desceu junto ao Caine. Não havia mais ninguém na república além deles. Todos já curtiam a música e se embebedavam por aí.
Quando Colin abriu a porta já conseguiu sentir a pressão da festa. Caine e ele se separaram assim que o pequeno leonino trancou a porta e se infiltrou na multidão adentro, tentando atravessar a rua sem que arrancassem seu chapéu ou bigode.
Quando chegou em frente a república dos tigres, como já esperava, a encontrou trancada. Ele precisou bater na porta várias vezes e por a cabeça pela janela para que alguém o reconhecesse. Bem, isso não foi fácil tendo em vista que ele estava fantasiado. Foi necessário retirar o bigode e o chapéu para confirmar que era ele.
Um morador da república abriu a porta para o pequeno e ele agradeceu. Pôs novamente o chapéu e o bigode e fui direto subindo as escadas.
Teve sorte ao encontrar a porta do quarto do namorado aberta, mas azar quando não o encontrou já fantasiado.
Sean estava com uma toalha enrolada ao corpo enquanto penteava os cabelos em frente ao espelho. No momento em que viu o pequeno através do reflexo do espelho, virou já sorrindo, mas não um sorriso qualquer, mas aquele que significava zombaria.
— Vai se foder. — disse o pequeno de imediato e mostrou-lhe o dedo do meio.
— Não tinha algo melhor não?
— Por que você não está pronto? — questionou fechando a porta do quarto.
— Ainda estou pensando se devo ir...
— Sean! — Colin exclamou. No silêncio do namorado, ele prosseguiu falando. — Eu não vou insistir. Não vou deixar de me divertir com meus amigos numa festa feita pra mim.
— Danion só queria um motivo pra encher a cara. E, pra aproveitar, o estúpido do William não está aqui pra te vigiar. Sem bebidas, Colin.
— Eu não posso beber no meu próprio aniversário?
— Não. — disse curto e grosso na resposta.
Sabendo que não iria se ater a isso, não deu continuidade. O pequeno então passou a caminhar até a cama e, cego pelo início de estresse com o namorado, não tinha visto uma pequena caixa prateada com uma linha grossa marrom segurando um bilhete preto.
Sorrindo para o namorado, Colin segurou a caixa e sentou-se na cama. Sean ficou parado olhando-o abrir o presente.
Primeiro Colin leu o bilhete e a frase, curta e de grande significado, o fez sorrir ainda mais, apesar de que se fosse em outro momento, ele teria lançado o presente no lixo ou contra o moreno.
Estava escrito:
“Para: O anão revoltado.
De: O único que o suporta”.
— Eu disse a atendente que queria colocar a frase “quero que me recompense com sexo”, mas ela achou pornográfico. Então sugeriu essa coisa cafona “Para, De”.
Colin revirou os olhos e abriu a caixa. No que viu já havia se apaixonado. Era um relógio de pulseira de couro na cor marrom escuro. Os detalhes do relógio eram minimalistas, não havia números, exceto o número 12 que dava a base. Os ponteiros finos e dourados assim como o metal que os protegia.
— Eu não iria te dar agora, mas você decidiu estragar com a surpresa. Então está aí. Quem sabe assim o impacto dele quando pensar em jogar em mim seja amortecido pelas pulseiras.
— Para de ser idiota.
— Gostou? — questionou terminando de pentear o cabelo.
— Sim. Obrigado.
— Que milagre é esse? Você não está rejeitando como no dia em que te comprei o primeiro relógio.
— Ah, Sean, vai se foder.
— Que mal agradecido. Ganha presente e me xinga. Anão do caralho. — o moreno falou ao dar as costas pro namorado.
Enquanto caminhava, o moreno retirou sua toalha e a jogou sobre a cadeira. Despido e sem qualquer pudor, abaixou para apanhar uma cueca na última gaveta do armário.
Colin nem mesmo estava prestando atenção. Focava-se nos detalhes do seu relógio que usaria em algum momento mais tarde.
— Não quer esquentar as coisas um pouco não? — Sean chamou sua atenção. A cueca já estava em sua coxa. — Sabe... Aquele jogo com a língua que só você sabe fazer... Eu posso fechar as cortinas.
— Que saco. Se veste logo. — falou irritado.
Sean somente sorriu.
Colin guardou o relógio na caixa em que o havia encontrado e a deixou na mesa de cabeceira.
Sean vestiu uma bermuda curta acima da coxa. Em seguida precisou da ajuda do namorado para vestir uma túnica branca, cuja gola recebia detalhes dourados em círculos. Depois disso, ele sentou-se na cama e calçou as sandálias de tiras grossas e marrons, parecida com a de gladiadores. Voltando a ficar de pé, o moreno apanhou um cinto grosso com os mesmo detalhes dourados da gola que foi colocado ao redor do seu abdômen, entretanto, um tecido vermelho escuro caia por seu ombro e braço direito, passava por dentro do cinto e repousava na altura dos joelhos. A outra ponta do tecido dava a volta nas suas costas e terminava enrolada ao braço direito do moreno.
Sean voltou sua atenção a mesa onde sua fantasia estava e apanhou uma coroa de louros, logo depois ele a posicionou em sua cabeça num encaixe perfeito. Um detalhe que enriqueceu a sua fantasia de imperador romano.
Quando Colin o viu, não soube o que sentiu. Se era fetiche, não sabia, mas a fantasia de imperador tinha combinado com o namorado, o deixando de uma forma estranhamente — para as roupas da época — sexy.
— O que eu tinha na cabeça pra ter concordado com essa ideia?
— Não ficou ruim.
— Custava fazer uma festa sem essa ideia ridícula de fantasia?
— Porra, você nunca gosta de nada. Se não quiser ir, fica aqui então. Não vou mais insistir.
— Me diz, Colin, o que eu vou fazer no meio de toda essa gente?
— Dançar, beber, sei lá... Ficar comigo é tão ruim assim? — começou a apelar.
— Você e seu falso vitimismo. — disse ao caminhar até a janela. — Pode ter certeza de que não vou deixar você encher a cara. — fechou as cortinas.
— É meu aniversário e eu tenho esse direito. Não quero ir pra uma festa pra você ficar me vigiando.
— Veremos. — disse o moreno ao se aproximar do namorado.
Colin, o encarando, quis lhe mostrar o dedo do meio, mas manteve-se em seu lugar ao sentir as mãos do namorado envolver a sua cintura e, na face do moreno, um semblante suspeito tomar conta.
Sean sorria de lado e seus olhos negros tornaram-se maliciosos.
— Vem cá, vem... Tem certeza de que não quer mesmo aproveitar aqui dentro?
Desconcertado, Colin sentiu as palavras pararam em sua garganta.
— S-Sean... Agora não é momento pra isso.
— Tem certeza? — puxou-lhe de supetão a ponto de fazer Colin ficar colado ao seu corpo. — Eu sei que você quer.
Sean então retirou o chapéu da cabeça do namorado.
— Por favor, Sean... Não... Depois, eu prometo. — estava desejando na mesma intensidade que o seu namorado, aliás, tinha alguns dias em que eles não transavam.
Em seguida Sean retirou o bigode do namorado, revelando os lábios que tanto amava beijar.
Talvez fosse por o quão atraente o namorado tinha ficado com aquela coroa de louros nos cabelos arrumados, mas Colin estava realmente deixando-se levar pelas provocações do moreno.
O pequeno sentiu o toque úmido daqueles lábios e a língua dele invadir sua boca. Fechando os olhos, o pequeno correspondeu ao beijo com serenidade. A ereção já formada do namorado foi de encontro a sua e, irresistivelmente, ele se esfregou propositalmente para que pudesse senti-la ainda mais.
Naquele beijo duradouro, Colin por um momento se esqueceu de toda a barulheira do lado de fora. Aos poucos ia sendo levado até a cama a passos lentos até se sentar nela e receber seu namorado caindo sobre seu corpo.
— Sean... — murmurou o pequeno, tornando a realidade.
— Vamos terminar o que começamos. — disse o moreno enquanto o beijava.
Beijos que não tinham fim, mas que na troca de música fez o pequeno despertar. E sabe qual foi a música? Aquela mesma música que acordou toda a Quadra na chegada de Luke. Hey Mama do David Guetta.
Gritos por todos os lados assim que a música iniciou.
Colin, desperto, estapeou os braços do namorado e o empurrou pra o lado. Ficou de pé, recuperou fôlego e arrumou os cabelos. Apanhou seu chapéu e bigode caídos no chão, foi até o espelho e voltou a se arrumar.
Caído na cama e totalmente desmotivado, Sean quis insultá-lo. Estava duro feito pedra, desejando muito conseguir transar com o namorado naquele momento, com os desejos aflorando em seu corpo.
— Eu não vou cair nos seus encantos. — disse firme o pequeno. — Se você não quiser ir, fique sozinho nesse quarto.
Levantando-se e arrumando o tecido vermelho que caiu do seu braço, o moreno passou a caminhar em silêncio.
— Eu já disse que mais tarde podemos fazer isso.
— Você vai ficar três dias sem andar, seu anão desgraçado.
— Cala a boca, vai se foder. — disse ao passar pela porta.
[...]
Luke dançava como sempre dançou: chamando a atenção.
Talvez até nem fosse seu propósito fazer aquilo, mas sua desenvoltura para a música era tamanha que não importava o ritmo, ele sempre mandava bem. O amontoado de gente chegava a fazer um círculo ao seu redor enquanto ele dançava. Geralmente o moreno puxava mais alguém pra dançar com ele e assim arrancar gritos dos que assistiam.
Como havia dito ao Colin, Luke realmente foi vestido Fred Flintstone, famoso personagem de Os Flintstones. A túnica de veludo que descia por seu corpo até a altura das coxas semelhante a uma pele de onça. A gola e gravata maltratada em seu pescoço na cor verde completava a fantasia. O que firmava a imagem de Luke fantasiado era o porrete de madeira real que ele segurava.
No quesito fantasia, Luke até parecia simples, mas até que caiu bem com ele. Um detalhe importante e que ele só havia dito ao pequeno líder dos leões — embora Colin tenha entendido como uma brincadeira — era o fato de estar sem cueca por debaixo da túnica.
Isso fazia com que ele sentisse um vento gélido invadir por entre suas pernas, embora pelo calor da dança ignorasse a sensação.
A parte mais concentrada de pessoas dançando na festa ficou em frente às três maiores repúblicas, ou seja, próximo ao DJ. Não é que ainda que estivessem sobre a luz da lua, Danion se preocupou com a iluminação? Posicionadas sobre os tetos das casas, lá estavam em pontos estratégicos de modo com que o ambiente ficasse mais iluminado. Inclusive, havia luzes coloridas onde os moradores dançavam.
Dois carros fecharam a entrada da Quadra e outros dois ficaram no final, limitando o acesso pra no dia seguinte todo o lugar ficasse tomado por copo descartáveis, embora isso não serviu muito, pois já havia pessoas dialogando e aos amassos fora do limite proposto. Falando em carro, Sean havia deixado o dele na universidade justamente pra evitar que subissem, encostassem ou arranhassem o automóvel.
Quando a música acabou, Luke sorriu e enxugou a testa. Ofegante, ele olhava pra todos que aplaudiam e gritavam. Não deu dez segundos e uma nova faixa agitada foi iniciada. Mas o moreno preferiu guardar energias pra depois e apenas apanhou sua garrafa de bebida da mão de Caleb.
Caleb, a propósito, estava vestido de marinheiro. O chapéu branco com ancora, deixando apenas o topete livre, tinha o deixando tão meigo que Luke, propositalmente, o cantou desde o momento em que o encontrou.
Por trás de um grupo de garotos dançando, Luke avistou Samuel. Na verdade, o moreno já o tinha visto tem um bom tempo, sempre olhando naquela direção pra saber o que ele fazia.
Samuel estava vestido de guerreiro espartano. Ele usava o que podemos chamar de saia. Era marrom e com alguns detalhes em couro com alguns cordões amarrados. O tórax nu amostra, braceletes de couro e um par de sandálias gladiadoras em fios grossos que subiam por suas pernas até abaixo do joelho. A capa vermelha caia por suas costas e completava sua fantasia.
Ele não parava de sorrir enquanto dançava ao lado de Carter, seu falso namorado. O loiro, primo de Edgar, optou por algo um tanto óbvio: fantasia de caipira. Ele vestia um macacão jeans e botas, a pedido de Samuel, ele optou por não usar camisa e isso deixou seus músculos a mostra. Usava um chapéu country e, entre os dentes havia um pedaço de trigo, com mais alguns guardados no bolso caso o que ele mordia estragasse. Era um pequeno detalhe que enriquecia a sua fantasia, ainda que irrelevante para alguns.
— Vocês estão mesmo brigados?
— Ele é um babaca. Não pode me ver que tenta me rebaixar. — relembrou das palavras duras que ouviu do loiro.
Luke, com raiva, bebeu quase metade da garrafa. O liquido molhou seu queixo e ele enxugou com a mão.
— O namorado dele é bonito e bem simpático. Já o encontrei no Ninho quando Joshua o trouxe.
— O garoto é mais burro que uma porta. Porra, Caleb! Assim você acaba com nossa amizade.
— O que tem demais dizer isso? Ele é bonito sim. — falou e voltou a olhar para Carter.
Luke voltou a beber mais da bebida alcoólica. Ele olhava pra Samuel furioso e começou a movimentar seus pés para acompanhar o ritmo da nova música. Contudo, não conseguia retirar os olhos do guerreiro — fantasia do loiro.
Quando o viu se afastando de Carter, naquele instante, não perdeu a chance e saiu do lugar que estava para segui-lo. Luke saiu tão discretamente da presença de Caleb, que o amigo não conseguiu perceber isso.
Ainda seguindo Samuel, Luke sorria para os conhecidos que encontrava e por pouco tinha perdido o loiro de vista na multidão. Foi então que viu Samuel puxar as chaves da república do bolso e entrar.
Depois que ele entrou, Luke foi diretamente pra sua república já também retirando as chaves do bolso e entrando.
Caminhando pelo corredor, Luke foi certeiro ao imaginar onde ele estava: o banheiro.
O moreno abriu a porta e encontrou o loiro amarrando os nós da saia de guerreiro que usava. Assustado com a presença dele, Samuel por pouco não caiu sentado na privada em que minutos antes havia urinado.
— Que merda você faz aqui? — falou com o tom de voz elevado por conta do som estridente que fazia lá fora.
— Vim usar o banheiro.
— É todo seu. — falou o loiro aproximando-se da pia e ligando a torneira.
— Como está a diversão com o babaca do seu namorado?
— Ele nunca te fez mal algum e você vive a insultá-lo sem motivos. Deveria parar.
— Não posso fazer nada. Virou meu passatempo.
— Luke, você tá bebendo demais... — disse ao perceber as alterações na voz do moreno e, inclusive, o cheiro forte de álcool.
— Apenas comecei. — Luke aproximou-se da privada e levantou a túnica até sua cintura. Samuel, através do espelho, viu as nádegas expostas e comprovou que Luke estava sem cueca.
— Você por acaso tem problemas? Qual a probabilidade dessa fantasia rasgar e todos te verem pelado?
— Que problema tem? O que é bonito é pra se mostrar. — falou abaixando a túnica.
— É por isso que você vai morrer sozinho. — a frieza na voz.
Samuel estava enxugando as mãos e já se preparando pra sair do banheiro.
Luke olhou pra porta, olhou para Samuel, olhou para a porta, respirou fundo e avançou.
Iria provar.
Precisaria ter certeza.
Samuel estava ou não estava apenas fazendo um jogo com ele?
O loiro assustou-se quando sentiu as mãos hábeis do moreno envolverem sua cintura e virá-lo de supetão, encostá-lo a pia e toma-lhe os lábios com pressão.
Como era vulnerável a pegada do moreno, Samuel até ofegou e entreabriu os lábios num gesto involuntário... Por que não dizer automático já que por tanto tempo foi acostumado com aquele beijo e Luke sempre era o primeiro a introduzir a língua em sua boca?
De olhos abertos, Samuel demonstrou ceder... Mas não foi isso que aconteceu quando ele se deu conta do que Luke havia feito. Desperto, o loiro o empurrou tão forte que o moreno caiu de bunda no chão.
— Você é maluco?! — questionou o loiro esfregando a boca na própria mão e cuspindo no chão.
O gosto dos lábios e da língua de Luke era puro álcool. Forte.
— Eu não posso acreditar que você está realmente disposto a fingir que não gosta dos meus beijos e das minhas pegadas.
Samuel disparou:
— A partir de hoje eu vou pedir três coisas a você. A primeira é: me respeite! Você não deve, jamais, chegar a mim dessa forma. Nós não temos mais nada, Luke. Absolutamente mais nada. Em segundo lugar eu quero que respeite o meu namorado. Ele é bom demais e se fosse qualquer outro já teria quebrado a sua cara no menor sinal de provocação. E, por último, cresça! Chega, Luke! Chega de agir como um adolescente irresponsável que recém acabou de entrar na puberdade. Isso já começou a se tornar ridículo. Dessa forma as pessoas vão te tratar da mesma maneira que você as trata: objetos de uso para sexo. Bem, na verdade nem sei se isso importa pra você, afinal, quando você se importou com o sentimento do outro, não é mesmo? É de curtição que você quer viver, então é assim que você vai morrer.
Samuel não esperou por respostas. Ele saiu ainda enxugando a boca, sentindo-se aliviado pelas palavras ditas.
Luke, diferente dele, ouviu tantas verdades que por minutos ainda ficou no chão, olhando o espaço vazio que Samuel havia deixado. Foi forte.
O moreno tocou com o indicador o próprio lábio e olhou pra própria mão, ele a fechou tão forte que assistiu os nós dos dedos ficarem brancos. Ódio. Nunca havia sentido aquilo antes... Aquela sensação de abandono. Quer dizer, já sentiu, mas em proporções diferentes. Aquele sentimento horrível tomava-lhe conta.
Dizem que a verdade dói. E doeu. Como um tiro a queima roupa que atravessa o peito da vítima.
Luke queria ter certeza e a obteve: Samuel detestava-o.
[...]
Sean não conseguiu impedir o namorado de beber.
O pequeno leonino disse que por ser seu aniversário, ele deveria beber. Colin costumava beber moderadamente, mas desde o dia em que ele encheu a cara e vomitou em Sean, ainda quando William era morador da Quadra, o loiro e antigo líder dos leões junto ao líder dos tigres não permitiram que aquilo acontecesse novamente.
Naquele ponto da Quadra, mais precisamente em frente a república do águias, estavam Sean, Colin, Caine, Clara e Luke. Um pouco mais distante, abaixo da árvore, Samuel, Carter, Edgar e Joshua.
Num outra extremidade, estavam Franklin, fantasiado de gangster, Calvin, fantasiado de mágico, Hugh, fantasiado de Link, o que sempre é confundido com a princesa Zelda, e tinha também o Kai, fantasiado de Batman.
Pietro não participou da festa, sumiu mais uma vez, o que deixou Hugh preocupado. Charles, como era de se esperar, sequer saiu as sua república e o Brandon, desanimado, também não participou.
Sean sentia os olhares sobre ele. Olhares esses de pessoas que sabiam de sua sexualidade e o dobro de olhares daqueles que não sabiam. Sean sempre foi paquerado, onde quer que estivesse. Talvez fosse pela fantasia que o deixou atraente, apesar dele detestar, mas ainda que estivesse sem ela iria ser paquerado da mesma forma.
Colin, por estar distraído, bêbado e feliz com a festa, sequer percebia um garoto fitando descaradamente o seu namorado. Sean, felizmente, era alguém que odiava contato com muita gente e detestava a maioria das pessoas ali, ainda que convivessem com elas como moradores da Quadra Nove.
Danion, fantasiado de coringa, estava impecável em sua fantasia. Não querendo fazer feio, fantasiou-se na versão de 1989, interpretado por Jack Nicholson. Clara estava fantasiada de pirata de maneira que parecesse mais exótica.
Colin, que antes fofocava com o melhor amigo a respeito de algo entre seus parceiros, virou-se para olhar o namorado que estava sério e de braços cruzados.
— Se solta, Sean. — pediu e tocou os braços do namorado, descruzando-os.
— Você não vai mais beber.
— Amor da minha vida! Para com isso! — já alcoolizado, sorriu e falou.
— Céus! Que você tenha uma ressaca que te deixe na cama o dia inteiro.
— Sean! — Danion gritou sem saber da conversa entre ele e Colin, começou a falar. — Você é mais chato que o William, puta que pariu. Vai encher a cara.
Sorridente, Colin segurou na mão do namorado e fez um gesto de dança, girando em seu próprio eixo enquanto segurava os dedos do moreno.
— Eu vou deixar você fazer o que quer comigo. — aproximou-se mais dele e falou de modo com que ele apenas ouvisse.
— Seria bom se você falasse isso sem estar bêbado. — falou com uma expressão tediosa.
Colin abraçou ao namorado, fechou os olhos e o apertou.
— Eu vou pegar aquele microfone e vou cantar pra você. Que música você quer que eu cante?
— Pode ter certeza que ninguém vai ficar nessa festa pra te ouvir.
— Você tem inveja da minha bela voz. — e começou a sorrir enquanto afastava-se dele, quase caiu, mas o namorado o segurou pela cintura. — Que pegada deliciosa. — sorriu maliciosamente.
Sean, por mais que quisesse meter furiosamente naquele pequeno atrevido, enquanto ele estivesse naquele estado, não sentia a menor vontade de transar com ele.
A faixa da música mudou para uma agitada. Música esta que por mais que os anos passassem, quase nunca era esquecida entre as festas na Quadra. We found love.
Se Colin bem se lembra, essa foi a música em que viu o namorado remexer o quadril enquanto pintavam a parede na casa que Sean tinha. Aliás, nesse mesmo dia Colin havia perdido a virgindade pra o moreno.
— Vem, Sean! Vamos dançar!
— Não, Colin, eu não quero. — falou chateado.
— Eu vou dançar com o Luke!
— Vai se foder. — falou enquanto tinha sua mão puxada pelo namorado que não parava de remexer o corpo de forma desengonçada. Colin realmente não era um bom dançarino, mas pouco se importava com isso.
— Vai! — insistiu o pequeno.
— Colin, puta que pariu, nada mais chato que você quando bêbado.
— Então vai se foder. — falou e o abandonou.
Colin deu as costas para o namorado.
Bêbado e audacioso, o pequeno foi até Luke que já estava entregue a música dançando sozinho, mas, para sua surpresa, recebeu o pequeno ao seu lado.
Se tinha uma coisa que Colin não se classificava era como um submisso ao relacionamento. Se o namorado não queria curtir, ainda que detestasse a ideia de vê-lo com Luke, não iria limitar-se as escolhas do moreno, afinal, Luke é unicamente seu amigo. Mas, no fundo, não podia mentir que estava provocando, de fato, ao seu namorado... Colin não teme nada.
Luke, que por outro lado, estava bêbado após tomar um chega pra lá do Samuel, queimava-se em ódio tentando aproveitar a festa sozinho. Ele até poderia sair por aí beijando bocas e bocas, mas preferiu-se manter no lugar que estava para que Samuel, próximo dali, o visse feliz — embora interiormente isso não estivesse acontecendo.
— Quais as chances do seu namorado me matar? — questionou enquanto dançava próximo ao pequeno.
— Todas as possíveis. — e sorriu.
— Então se é pra correr esse risco, vamos lá! — falou e tocou a cintura do pequeno.
Luke olhou para o lado e conseguiu chamar a atenção de Samuel naquele momento. Foi nostálgico... Lembrou-se da festa em que os três estiveram juntos. No mesmo dia em que Luke beijou Colin e, em seguida, beijou Samuel.
Sean estava puto. Extremamente puto com o que via. Não podia acreditar que seu namorado realmente tinha sido capaz de largá-lo para dançar com Luke.
Colin e Luke dançavam de fato, como amigos, apesar de Luke com provocação encostar seu corpo ao do pequeno e algumas vezes posicionar-se atrás dele, ele não estava fazendo aquilo com segundas intenções no garoto, mas sim em seu direito de fazer Samuel engolir sua animação.
Completamente entregues ao ritmo, Colin não percebeu seu namorado se aproximando. Apenas sentiu a mão forte do namorado segurar-lhe pelo braço.
— Isso não está sendo legal. — falou, seco.
— Você não quer dançar comigo. Fica com essa cara fechada. Então eu danço com quem quer dançar.
— Com o Luke?
— Sim, eu. Agora se nos der licença, podemos continuar dançando, pois a música ainda não acabou. — ele falou empurrando Sean e puxando Colin.
— Você tá maluco? — questionou ao franzir a sobrancelha e encarar Luke. Em seguida o empurrou. — Acha que eu tô com paciência? — deu outro empurrão e Luke deu um passo pra trás. — Você tem algum problema? — questionou ao apontar pra própria cabeça enquanto. — Acha que eu não posso quebrar a sua cara? — finalizou dando um último empurrão.
Naquele momento, Caine, Danion e Clara pararam de dançar. Só pela expressão de Sean, era nítido que ele realmente estava puto.
Luke olhou pra o próprio peito onde Sean havia o tocado para empurrá-lo e sorriu.
— Eu também não tô nada feliz, se você quer resolver as coisas, vamos resolver. Quem sabe eu te deixe na mesma situação em que deixei seu primo.
— Vamos parar! — Colin pediu e interferiu.
Mas Sean já estava no seu limite de paciência e, aquele simples empurrão de Luke, o deixou transtornado. Se já tinha ciúmes, agora tinha isso misturado à raiva.
— Vem, então me mostra do que você é capaz. — ignorando Colin e afastando-o. Sean aproximou-se de Luke.
— Sou capaz de muita coisa. Não sei se Colin já te contou, mas nós nos beijamos uma vez.
Luke já não tinha papas na língua, estando bêbado isso se multiplicava.
— Chega, vamos embora, você vai acabar estragando meu aniversário. — disse o pequeno ao segurar o braço do namorado e tentar puxá-lo.
Desvencilhando-se dos braços do namorado, Sean não deu outra e partiu pra cima de Luke. Gritos vieram dos colegas próximos, que precisaram segurar Sean.
Samuel naquele momento aproximou-se, rasgando a multidão em desespero, pois já imaginava que o pior poderia acontecer.
— Sean! — falou o pequeno ao namorado. — Vamos embora, chega.
Quem dera o moreno ouvisse o pequeno, estava tão furioso que facilmente conseguiu se desfazer dos braços que os seguravam e, de primeira, conseguiu acertar em cheio o rosto de Luke.
Tonto, Luke deu um passo pra trás e sentiu o rosto queimar. Não teve oportunidade de se defender, apenas ouviu gritos dos colegas e, mais uma vez, outro soco, dessa vez no estômago. O ar foi roubado.
Alcoolizado, as coisas complicavam para ele. Sentiu a mão do moreno cravar em seu pescoço e asfixiá-lo. Ouviu vozes dos colegas pedindo para Sean parar e, então, buscou forças de onde não tinha: o ódio que estava sentido de Samuel.
Sua mão cravou no punho do tigre, conseguindo retirar os dedos dele de seu pescoço, com isso, a girou e fez Sean ceder os joelhos e, aproveitando, o chutou.
O moreno caiu de costas no chão, a coroa de louros voou e o namorado ajoelhou-se de imediato.
Quando Luke deu um passo a frente, prestes a dar prosseguimento a briga, Colin o olhou e olhou pra o namorado caído.
Luke somente sentiu um braço segurando ao seu punho e, de repente, não tinha mais controle sobre suas pernas, pois estava sendo puxado multidão a dentro. Colin agradeceu ao Samuel por ter feito aquilo.
Sean sentou-se no chão, furioso, mas não correu atrás de Luke. Ver seu namorado ajoelhado ao seu lado, de alguma forma, o fez de âncora que o segurava, entretanto, sua raiva tinha triplicado em intensidade.
Sean olhou pra Colin não da forma que costumava olhar, quer dizer, olhava-o da mesma maneira quando conheceu Colin, quando o pequeno o desafiava, rebaixando-o com palavras e ele, com aquele olhar, dizia muito sobre a raiva sentida.
— Qual a necessidade disso? — questionou o pequeno, tão furioso quanto.
— Pra mim, a festa acabou aqui. — disse levantando-se.
O moreno começou a atravessar a multidão que o encarava e Colin foi atrás.
— É assim? — gritou o pequeno. — Primeiro você fica com uma péssima vontade de ficar comigo no meu aniversário, numa festa feita pra mim, rejeita meu pedido pra dançar e, simplesmente, quando eu resolvo dançar com o meu amigo, porque Luke não é nada mais do que isso, você resolve partir pra agressão?
Sean o ignorou, permaneceu andando.
— Foda-se, então! — berrou o menor.
Ele parou de segui-lo.
Colin deu as costas, seguindo caminho contrário ao namorado. Também estava no seu direito de raiva, especialmente porque sentia que Sean era o errado em toda a situação.
Furioso, o moreno acabou tomando um copo de bebida de um garoto que estava a sua frente, impedindo passagem, não porque queria, mas porque estava distraído observando o moreno e nem percebia que ele estava querendo passar. Só ao ter o copo roubado, foi que ele então abriu caminho.
Com a música alta tocando, Colin colocou o melhor sorriso no rosto, ainda que artificial e, entregue a bebida, já que estava um tanto alterado por ela, começou a dançar após tomar o copo de bebida de Caine. Não iria estragar sua noite por uma confusão com o namorado.
Danion não pôde deixar de sorrir com a atitude de Colin e, juntando-se ao amigo, começou a dançar ao seu lado. Caine já não estava de acordo com isso, não pela dança, mas pela atitude do pequeno. Ele reconhecia que Sean estava errado, porque conseguiu ver o namorado insistindo para que ele interagisse mais, até mesmo dançasse com ele, no entanto Colin ele achava que o amigo tinha uma parcela de culpa, mas falar isso o encontrando bêbado não serviria de nada.
Dois orgulhosos, duas feras. Sean e Colin em seus momentos de atrito.
[...]
— Abre a porta. — Samuel pediu ao Carter para que fizesse isso quando entregou-lhe a chave.
O loiro e estudante de medicina segurava Luke pelo braço e a outra mão estava segurando-o pela cintura. Por mais que Luke insistisse, durante todo o trajeto, sendo arrastado a forças por Carter e Samuel, ele não usava sua força toda para se desvencilhar daqueles braços. Por fim, deu-se por vencido, alcoolizado demais e, ainda atordoado pelos socos de Sean, deu-se por vencido. Também, não deixava de pensar que era Samuel ali com ele, provavelmente arrastando-o para o quarto e, como sua mente beirava a malícia, em sexo ele pensava, ainda que fosse sexo a três, já que o Carter estava junto.
Após abrir a porta, Carter tornou a arrastar Luke. Samuel pediu para que fossem até o quarto do moreno, a porta já se encontrava aberta e isso facilitou. Samuel então lançou Luke sobre a cama.
O moreno sorriu e quando sua veste subiu até a cintura e, exibiu todo o seu membro flácido, já que ele estava sem cueca.
— É aqui que começa a festa de verdade? Posso ser o primeiro a tirar a roupa.
Samuel não deu a mínima, virou-se para Carter e começou dizendo:
— Poderia voltar pra festa? Eu o encontro assim que sair daqui.
Carter confirmou e rapidamente deu as costas.
Samuel fechou a porta do quarto e olhou para Luke. Em seguida cruzou os braços e caminhou até a cama de Edgar, o atual companheiro de quarto do moreno.
— Você tem noção do que acabou de fazer? — questionou o loiro.
— Teria feito pior se deixasse. — fez e arrumou sua roupa, cobrindo as partes intimas. Aos poucos, Luke foi se acomodando na cama até conseguir sentar-se na mesma posição de Samuel, um de frente para o outro.
— Hoje é aniversário do Colin! — relembrou. — E olha com quem você brigou? Com o namorado dele. Qual o seu problema? É esse o presente que você o deu? Uma confusão no dia do aniversário dele? Quando você vai começar a ter juízo? Você provavelmente criou uma briga entre eles dois. Acha que eu não vi você dançando com o Colin justamente pra atingir ao Sean? — Luke soltou um suspiro rápido, Samuel não fazia ideia do que aquele suspiro significava.
— Chega. — pediu o moreno com a voz fraca. O sorriso foi desfeito e seu olhar já expressava o sentimento de raiva novamente aflorando.
— Porra! Você tá podre de bêbado. — continuou o loiro, ignorando-o. — Amanhã você precisa pedir desculpas ao Colin, você conseguiu estragar com o aniversário dele... Isso é muita irresponsabilidade. Não saber se comportar nas festas dos colegas, não saber que existe...
— Chega, Samuel! — bradou.
Silenciado, Samuel finalmente pôde olhá-lo, de fato, já que seu olhar alternava entre o moreno e o chão.
Luke estava sério, encarando-o. Por vezes, Samuel não lembrava de tê-lo visto daquela forma. O moreno sempre era visto com um olhar travesso, traço característico de sua personalidade. E, algumas vezes, um olhar sereno, de reflexão quando ele costumava desabafar para o loiro.
— Não vou deixar que me humilhe de novo. Não, você sequer tem esse direito. Aliás, eu nunca vou entender o motivo de você começar a me tratar feito um lixo.
— Não te trato feito um lixo, mas o trato da forma que você merece.
— E que forma é essa se sempre fomos amigos? — rebateu.
Olhos nos olhos. Um sentado de frente para o outro, separados por quase dois metros de distância das camas.
Samuel não soube responder.
— Você não me tratava assim! — exclamou o moreno exaltado, sua voz elevou-se novamente. — E, do nada, na chegada desse garotinho, onde é que ficou o Luke? A todo o momento é uma grosseria, uma patada, um menosprezo, até mesmo me inferioriza. Porra, você falou até do meu pau! Isso é golpe baixo, Samuel. — o orgulho ferido.
— E como você quer que eu o trate? Você por acaso já viu como tem agido?
— O mesmo! O mesmo que eu sempre fui desde que te conheci. Só quero que você me prove um momento em que eu fui diferente daquilo que já te mostrei. Um momento e eu te dou razão por me tratar assim.
— Você transou com um garoto aqui! No quarto em que nós dividíamos.
— E desde quando transar com outros garotos foi segredo pra você? Eu errei em ter transado nesse quarto, errei muito feio, mas isso é mínimo perto do tratamento que venho recebendo.
— Não, Luke! — bradou. — Isso não é mínimo. Você nunca vai entender as coisas, você é babaca demais para não perceber coisas que acontecem. Seu cérebro só consegue pensar em sexo, nada mais do que isso.
— Eu gosto de sexo! Eu amo sexo! Isso também nunca foi segredo. Samuel, nós sempre fomos amigos, eu sempre contei minha vida pra você. Aliás, o único em que eu confio nessa república é você. Mas porra, você vem me tratando como um lixo... Um lixo! Eu ainda quero que me diga o dia em que fui diferente daquilo que já o mostrei. Eu sinceramente não consigo me vendo ser estúpido com você. Eu sempre te contei as coisas...
— Contou? — o interrompeu. — Porra, Clara me falou que você transou com o Gale. Quer dizer, você transou com quase todo mundo daqui, exceto o Caine. Eu, estupidamente, estou nessa lista.
— Que porra de história é essa? Eu não cheguei a transar com esse garoto. Ele não quis. — explicou, a sua ficha ainda não tinha caído.
— Eu já te falei tudo o que tinha pra falar, Luke, estou aqui te dando ouvidos esperando sair algo produtivo da sua boca, mas pelo visto continua saindo as mesmas porcarias de sempre.
O loiro se levantou.
— Quem é você, Samuel? Eu não o reconheço mais.
— Quem sou eu? Eu sou um babaca, isso sim. — respondeu com rapidez. — A pergunta deveria ser: Quem é você, Luke? Quem é você pra todo o curso de medicina veterinária que você faz? Quem é você pra seus colegas de república? Quem é você pra Quadra? E sabe o que é mais engraçado? É que a resposta é a mesma pra todos: o cafajeste. E se você se orgulha disso, sinto muito...
— Samuel, você gosta de mim? — e então, tudo começou a fazer sentido.
O tiro.
Samuel, que parecia ter um discurso preparado, imaginando dar continuidade a sua fala anterior, teve as palavras presas em sua garganta. Engasgando-se com todas elas no momento em que o moreno questionou sobre seu sentimento em relação a ele.
O loiro, que já estava em pé, não disse nada. Nervoso, ele caminhou até a porta e, quando a abriu, a mão do moreno rapidamente a fechou. O barulho e a velocidade de Luke acabaram assustando Samuel que, quando se virou, o viu tão próximo que suas respirações foram compartilhadas.
— Eu te fiz uma pergunta, Samuel.
— Se eu gosto de você? — então o olhou. Samuel buscou coragem. — Todo mundo parece saber disso, menos você. — admitiu.
A verdade.
Luke entreabriu os lábios e ficou encarando-o.
— Eu sou apaixonado por você, Luke. — Samuel falou e passou por ele. Luke ficou parado, ainda de frente pra porta. — Extremamente apaixonado por você. E sabe? É a maior estupidez da minha vida, se eu pudesse mudar isso, já teria mudado. Você é o pior tipo de pessoa para se apaixonar.
Samuel, que sempre negou esse sentimento pra qualquer pessoa, admitia para quem menos deveria ouvir aquilo sair da sua boca.
— Samuel, eu...
— Sim, você é incapaz de amar alguém. — a voz, antes firme, agora estava muxoxa, os olhos mergulhados em um mar de lágrimas, tendo em vista que a imagem forte que costumava passar, tinha sido desmoronada em instantes. — Eu sei disso, tenho certeza disso, e, ironicamente, é o que me motiva a te tratar da maneira que estou te tratando.
— Por que você nunca me contou? — virou-se o moreno para encará-lo. A confusão tomava-lhe a mente.
— Por que eu deveria te contar? — questionou Samuel, choroso.
Sua voz partia o coração de Luke. Samuel estava irreconhecível, diferente de todas as vezes em que foi visto pelo moreno. Ele realmente estava frágil.
— E-eu não sei. — gaguejou na resposta o moreno. — Eu nunca iria saber disso. Você sempre foi fechado em relação aos seus sentimentos.
E Samuel sabia que Luke não estava mentido quanto a isso. Em relação a sentimentos, ele era realmente frio no quesito demonstração.
— Do que importaria se eu os mostrasse?
— Porra! — bradou. — Você não deveria ter escondido isso de mim!
— É um direito meu!
— Se eu pelo menos soubesse... — tentou se explicar. Suas mãos passaram pelos fios negros em sua cabeça.
— Iria fugir?
Silêncio.
— Você iria, é obvio. — continuou o loiro.
— Porra, você está com aquele garoto... E-eu, ah, e-eu...
— Era pra ser você, Luke! — bradou e o interrompeu. — Era pra eu estar com você! — elevou novamente o tom de voz. — Se você... Se você, ah... — a voz foi sumindo. — Se você desse o menor sinal, o menor dos menores sinais de retribuição, era em seus braços que eu estaria. Era você quem eu estaria chamando de namorado.
Sem saber o que fazer, Luke não estava suportando ver Samuel naquela situação. Ele até se aproximou, abriu os braços para abraçá-lo.
— Não, Luke. — disse o loiro, afastando-se. — Eu não estou aqui pra que você tenha pena de mim. Você pediu pra ouvir a verdade.
— Eu não estou preparado pra isso. — disse o moreno.
Um balde de água gelada o loiro tomou.
Samuel enxugou o rosto, obrigou-se a engolir o choro.
— Mas eu estou preparado pra te superar. — disse o loiro ainda enxugando o rosto.
A face vermelha especialmente na região dos olhos.
— Você nunca vai entender... Eu não posso.
— Já entendi há muito tempo, Luke.
— Não, Samuel. Você não vai entender. Eu simplesmente não posso retribuir isso. Eu não posso passar por isso nov...
— Se me der licença... — pediu o loiro, passando por ele. — Já falei demais.
Luke apenas ouviu a porta ser aberta. Quando olhou pra trás, o loiro já estava fora do seu plano de visão, no entanto, apesar do som lá fora, uma batida forte e estrondosa que fez as paredes estremecerem, fez com que Luke soubesse que Samuel não havia voltado pra festa, o loiro simplesmente foi para seu quarto.
O moreno levou as duas mãos a face, em seguida os dedos passaram por seus fios negros. Longe de Samuel, Luke desmoronou. Lançou-se contra a cama, afogou o rosto no travesseiro e gritou.
A confusão tomou-lhe conta.
Chorar é bom, menino Luke.
[...]
Carter até pensou em esperar na sala, mas considerou melhor sair da república e deixar os garotos se resolverem. Torcia para que algo desse certo entre Luke e Samuel depois dali, percebia que o loiro ficava cada vez mais abatido conforme os dias passavam.
Quando saiu da república, voltou ao local em que estava com seu primo e Joshua. O ruivo estava sentado, segurando uma garrafa de bebida na mão observando a festa e não estava fantasiado. Edgar fantasiou-se de anjo. Ele não havia investido muito na fantasia, apenas trajavas roupas brancas e acrescentou asas que pendiam em suas costas, além de uma aureola dourada.
— Já se resolveram? — Edgar, que estava conversando com alguns colegas, questionou.
— Não. Me mandaram sair de lá.
— É melhor. Os dois precisam se resolver, cedo ou tarde. Só assim pra acabar com essa história de namoro falso entre vocês dois. Isso pode pegar muito mal.
— Ed! Égua! — falou e olhou de relance para o ruivo.
— Ele nunca que iria abrir a boca. O conheço muito bem. — respondeu sorridente.
Carter confiou.
— Ele parece que não está se divertindo.
— Daqui a pouco vamos embora. Eu vim em respeito ao Colin e acabei convencendo-o. Não é tão fácil trazê-lo pra festas assim. A última em que ele apareceu foi a do William.
— ‘Cês nunca me contaram o que aconteceu. Eu mereço saber, uai.
— Não são assuntos legais.
— Ei! Josh! — Carter chamou pelo ruivo. — Levanta essa bunda daí e dança.
O ruivo somente o olhou. Em seguida olhou para Edgar, mas rapidamente negou com a cabeça e tornou a beber e observar a festa.
— Ele tá com raiva de mim?
— Não. Ele só é assim mesmo...
— Edgar! — a voz de Colin chegou aos dois. — Edgar!
Colin, sorridente, aproximou-se do amigo e o abraçou. Não foi o primeiro abraço do dia, mas na atual situação em que o líder dos leões se encontrava, provavelmente teria mais.
— Cadê seu namorado?! — perguntou.
Edgar olhou pra onde Joshua estava, mas ficou receoso.
Colin largou Edgar e foi até Joshua, sentou-se na cadeira vazia que antes Edgar ocupava. Caine, que estava a procura do amigo, o encontrou ali.
Joshua primeiro observou quem mais estava com Colin e assim prevenir-se de alguma confusão. Sabia bem que Sean era declarado seu inimigo, não importava o tempo ou o que acontecesse.
— Eu vim te agradecer! — Colin falou. — Se não fosse você, eu, eu, eu, eu... — bêbado, Colin chorou. — Ah, Joshua! — Colin simplesmente o abraçou. Afogou o rosto no pescoço dele e começou a lamentar-se feito uma criança.
Com vergonha, Caine somente levou a mão ao rosto e balançou a cabeça negativamente. Edgar, pelo contrário, estava sorrindo de ponta a ponta, obviamente com um pouco de vergonha, pois a atitude de Colin foi engraçada.
Joshua, quieto, sem mover um músculo, apenas olhou para Edgar confuso, sem saber o que fazer.
— Você salvou minha vida! A minha e a do Caine. Eu poderia ter morrido, esse lugar não seria o mesmo sem mim. Eu não iria gostar de ver ninguém chorando pela minha morte. O Sean disse que eu iria pro inferno porque eu sou um demônio, mas eu sou um amor de pessoa, as vezes... Mas enfim... — Colin afastou seu rosto do pescoço do ruivo. — Agradece também, Caine!
Caine não disse nada. Olhou pra Edgar e, com um olhar, estava pedindo por ajuda. Edgar, explodindo de rir em seu interior, aproximou-se de Colin.
— Está tudo bem, Colin. Ficamos felizes por isso.
— Caine, agradece! — insistiu. — Que feio, você vem até aqui e fica calado. Manda o Danion dar a bunda e agradece logo!
— Obrigado, Joshua. — disse Caine, rapidamente, querendo muito sair dali.
— Viu? É fácil! — depois ele voltou a olhar pra o Joshua. — A vida tem dessas coisas, não é? Gente pra nos odiar, nos amar... Porra! E pensar que você já foi assim, olha que lindo! Edgar! Edgar! Você é luz nas trevas. Falando nisso, bem que você poderia vir de diabo pra combinar com o meu amigo.
— Ok, Colin, vamos... — Caine tentou levantar o amigo.
— Agora não, deixa eu conversar com ele.
Joshua não estava gostando daquilo. Ele olhou para o namorado, mas Edgar estava sorrindo e pouco percebia o incômodo do namorado.
— Você acredita que meu namorado simplesmente me abandonou na festa? Aquele filho da puta! Vai ficar sem sexo por um mês! Podem anotar!
— Colin, vamos embora! — Caine tentou novamente.
— Falando em sexo, gente... A bunda do Sean, vocês nunca viram, mas olha... É uma delícia! Eu também já vi a bunda do William! Não sei qual é a melhor... Ai, ai, que difícil...
— Colin, acho que você precisa voltar a dançar. — Edgar tentou ajudar Caine.
Edgar e Caine sabiam como era o Colin bêbado desde a primeira vez em que o leonino encheu a cara.
— A do Sean não é pequena, nem grande, ela é mediana, quando ele começa a andar ela forma uns pequenos músculos, minha nossa! Tem pelos lisos e finos, da vontade de ficar passando a mão o tempo todo.
Joshua levantou-se.
— A do William é lisinha, quer dizer, tem uns pelos douradinhos, quase invisíveis, só da pra ver quando molha. É um pouco maior que a do Sean. É linda também!
Edgar e Caine simplesmente tomaram Colin pelos braços.
— Bem que poderíamos tirar uma foto nós três. Sinto muitas saudades da época em que nós três dividíamos um quarto. Ei, você! — Colin chamou por Carter. — Tira aqui uma foto nossa. — logo entrou seu aparelho celular.
Carter, que até então observava aquilo quieto, tomou o celular em mãos.
Edgar e Caine se entreolharam, mas aceitaram a ideia de Colin. Colin pôs os braços em ambos os ombros dos amigos, colocando-se entre eles. Diferente de Caine, Colin já não estava com o chapéu e o bigode. Os três sorriram para o celular no exato momento em que Carter falou que iria tirar a fotografia.
Na luz do flash, Colin sentiu a cabeça doer, fechou os olhos.
— Obrigado. — agradeceu o pequeno.
Colin só não sabia que foi o único a sair na foto de olhos fechados, embora sorridente. Ficou fofo.
Rapidamente ele largou os colegas ao som da nova música.
— Vou atrás do Danion, ele gosta dessa música! — falou e nem esperou por respostas.
— Desculpa por isso. — Caine pediu ao Edgar. — Espero que o Joshua considere o nível de álcool...
— Não se preocupe. — sorriu. — Agora é melhor ir atrás dele.
— Irei. Virei babá de bêbados. Danion se encontra na mesma situação.
— Devo imaginar o quanto.
Caine somente sorriu e rumou ao encontro do amigo.
— Égua, o garoto tá bebadão. — Carter falou aproximando-se do primo.
— Por isso William e Sean não o deixam beber.
— Bem, vou dar uma volta por aí.
Sentindo-se desnecessário entre o casal de namorados, já que Joshua aparentava não está satisfeito em estar ali, o loiro preferiu vagar pela festa na tentativa de encontrar uma pessoa em especial: Patrick. Teria feito isso antes, mas por respeito a Samuel ficou junto ao amigo.
Carter tinha certeza de que Patrick estava na festa. O viu gritar com os leoninos a respeito da sua fantasia no dia anterior quando havia passado em frente à república.
O loiro vagou, vagou e vagou até encontrá-lo dançando e murmurando algo no ouvido de uma garota que estava próxima. Carter nunca foi tímido, no máximo podia não levar jeito pra se aproximar de alguém. Sentiu o corpo queimar no instante em que viu Patrick sem camisa. O leonino estava fantasiado de nativo americano, no entanto, optou por ficar descalços e sem a veste superior. Apenas usava uma meia calça marrom e uma coroa de penas que caia de sua cabeça até à bunda. Duas listras brancas foram pintadas em ambas as bochechas.
Quando chegou próximo ao Patrick, o leonino estava de costas, mas virou-se justamente quando ele ia tocar-lhe os ombros, disfarçadamente, o loiro desceu as mãos rapidamente e fingiu caminhar.
— Ele! — Patrick disse alto para a garota que estava próxima. — Ele é meu namorado!
Patrick rapidamente puxou Carter pelo braço e pressionou a região. Carter, sem entender nada, olhou para a garota com um olhar de surpresa.
— Agora sai, diz pra suas amigas que eu não quero. Puta que pariu, hein.
Patrick se virou e deu as costas pra garota. Ele olhou para Carter que estava parado, buscando por respostas.
— Não adianta dizer que não curto, elas sempre acham que estou brincando. Vou precisar tatuar na minha testa que sou gay? Porra, todo mundo desse lugar sabe disso, mas ainda surgem pessoas me querendo.
Carter então se lembrou de Samuel. Novamente estava sendo usado para fingir ser namorado de alguém.
— Quem eu quero sequer dar bola pra mim. Até achei que ele seria o homem da minha vida, mas não é bem assim que as coisas funcionam.
Patrick estava bêbado. Isso era nítido pela recepção que estava tendo com Carter.
— Gostou da minha fantasia?
— ‘Cê não vai me insultar? — questionou o loiro.
— Por quê? Tô feio?
— Não! É que no nosso primeiro encontro ‘cê me tratou super mal, uai.
— Que primeiro encontro?
— Na lanchonete! Égua!
E então Patrick começou a sorrir. O sorriso maravilhoso deixou Carter com as bochechas vermelhas.
— Você não existe.
— ‘Tô aqui em carne e osso.
— É, acho que a garota já desistiu. Pode ir. — disse Patrick, dando as costas e dançando. Ele não tinha paciência pra certas coisas.
— Égua! Como você é mal, hein.
— O que você quer? — voltou a se virar pra o loiro.
— Não sei. Ficar perto de ‘cê.
— Certo, então me assiste. — falou e deu dois passos pra trás.
Em seguida Patrick começou a dançar.
Carter coçou a nuca no segundo em que viu o quadril do garoto se mexer. Estando sem camisa, Patrick deixava os hormônios do loiro a flor da pele. E, não controlando, teve ereção involuntária.
Isso não durou pouco mais que trinta segundos.
A sua frente estava Patrick com as mãos no joelho... Vomitando.
Carter fez careta e levou a mão à testa. As pessoas próxima ao leonino afastaram-se dele no instante em que perceberam que ele vomitava.
— Égua! Que nojo! — murmurou.
Patrick fechou os olhos com força e cambaleou no momento em que tentou manter o corpo ereto. Nesse momento Carter aproximou-se dele.
— Acho que você precisa descansar.
— Eu tô tonto.
— ‘Cê tá bêbado. — corrigiu tocando-lhe o ombro. — Ainda tem mais aí dentro? — questionou referindo-se ao vômito. — Se tiver, põe logo pra fora.
— Para de ser idiota. — resmungou.
— Vem, eu te levo pra sua república. — ofereceu ajuda o loiro, ainda segurando-lhe o ombro.
Patrick mais uma vez desceu os ombros e voltou a vomitar. Enquanto vomitava, Carter fechou os olhos e ficou dando leves tapinhas no ombro nu do leonino.
— Isso, isso, põe pra fora essa pinga.
— Vai se foder, caipira! — resmungou o leonino ao enxugar a boca.
— Égua de cabrita brava!
Patrick começou a caminhar sozinho, deixando o loiro para trás. Não desistindo, aliás, Carter era me insistente, o loiro o acompanhou.
— Estou sem as chaves.
— Então vamos pra minha república.
— Garoto, você não desiste? Porra! — Patrick falou olhando pra trás.
— Eu só tô tentando ajudar, uai.
— Eu não quero a sua ajuda. — continuou olhando pra Carter, por isso não enxergou uma lata de lixo revirada no trajeto.
Carter o puxou antes que ele se espatifasse no chão.
— Não precisa? — sorriu o loiro.
Patrick revirou os olhos, se desfez das mãos dele e seguiu andando.
— Vem cara, tem espaço na minha república. Como que ‘cê vai encontrar seus amigos no meio de toda essa gente? ‘Cê tá mal.
Bastou Carter falar e Patrick tornou a vomitar naquele instante. Dessa vez ele sentou-se no chão. Começou a suar, a sentir formigamentos. Tinha bebido além da conta.
— Olha aqui, cabrita, se tu não vai por bem, então vamos a base da força.
Carter abaixou, segurou por debaixo dos braços dele e saiu arrastando-o pela festa até conseguir chegar em sua república. Chegar lá não foi tão fácil, pois o leonino não parava de insultá-lo um minuto sequer.
O morador dos águias pôs Patrick sentado no sofá, arrancou-lhe a coroa de penas e, consequentemente, bagunçou os cabelos castanhos do garoto.
Patrick deitou-se no sofá e fechou os olhos. No entanto, Carter voltou a pegá-lo pelo braço, arrastou-lhe pelo corredor da república até encontrar o banheiro.
— Pronto, agora ‘cê pode tomar um banho. Eu vou esperar lá fora.
Carter fechou a porta do banheiro e pensou em aguardar no corredor, porém, foi até o seu quarto e, quando abriu, assustou-se ao dar de cara com Samuel, que estava de saída. A face inchada e olhos vermelhos
—Ei, o que houve?
— Nada. Eu vou sair, ok? Se perguntarem por mim, diga apenas que eu saí.
— ‘Cê parece não estar bem. Quer conversar?
— Não precisa. Qualquer coisa ligue pra mim.
— Sam...
— Está tudo bem, Carter.
— Mas pra onde ‘cê está indo?
— Pra casa de uma colega.
— Égua! Eu não sou bom pra conversar?
— Você é a melhor pessoa dessa república. Mas, no momento, eu preciso ficar longe daqui.
Foi quando Carter notou Samuel segurando uma mochila na mão.
— ‘Cê tá indo embora da república?
— Não. Enfim, vou indo. — Samuel segurou Carter pela nuca e beijou-lhe a bochecha.
Carter precisou forçar um sorriso entre lábios, não estava feliz com aquilo, sentia a tristeza de Samuel, mas preferiu respeitar a decisão dele.
Quando Samuel afastou-se, Carter ainda ficou alguns segundos na soleira da porta do quarto. Ao finalmente entrar, recolheu algumas roupas novas que havia comprado pra usar na cidade e as deixou na cama.
Pelo tempo que estipulou mentalmente, Patrick já deveria ter terminado.
Carter voltou à porta do banheiro e aguardou alguns minutos.
— Terminou? — falou ao bater na porta.
Silêncio.
— Ei! Eu vou entrar! — falou.
Assim que terminou de falar, ele girou a maçaneta e abriu a porta.
Patrick estava deitado na banheira, com a cabeça pendendo no ombro, adormecido.
Carter não estava acreditando no que via, estava tão bobo que começou a sorrir. Ele rapidamente apanhou a toalha e aproximou-se do leonino.
— Ei, acorda. Aqui não é lugar pra dormir.
Patrick, resmungando, o olhou.
— Aqui tá bom, agora saia do quarto e feche a porta. — e acomodou-se na banheira, ficando de costas para Carter.
— Quarto?
Patrick o ignorou.
E então Carter ligou o chuveiro.
Patrick gritou ao sentir a água gélida cair em seu rosto. Ele tentou sair da banheira, mas Carter o segurou.
— Filho da puta! — gritava o leonino.
— Já montei em boi piores. — disse o loiro, tendo dificuldade em segurá-lo. — ‘Cê fede a pinga. Vai me agradecer depois.
— Vai se foder.
— ‘Tá dizendo que já me ama? Que lindo, cabrito.
Quando Patrick parou de se debater, Carter temeu o olhar assassino que estava recebendo do garoto imóvel. A água caia sem parar sobre o corpo do leonino. Carter não precisou entrar dentro da banheiro ou ficar abaixo do chuveiro, mas tomou banho da mesma forma por causa do outro que se mexia tanto.
— Você vai se arrepender.
— Shampoo! — Carter falou por cima da fala do outro. O loiro pegou shampoo e virou sobre a cabeça do garoto.
— Me solta! — falou. — Eu sei me ensaboar.
Carter obedeceu. Ficou alguns segundos encarando Patrick até que ele realmente começasse a esfregar os cabelos formando espumas.
— Eu acho que você deixou seu celular cair. — disse Patrick, olhando para o chão atrás do loiro.
— Eu não sou idiota. Não tô com o celular aqui. — sorriu vitorioso, não querendo cair na pegadinha do moreno.
— Não? Então de quem é aquele celular ali? — apontou.
Carter, idiota, virou-se.
O que aconteceu no segundo seguinte foi muito rápido: Patrick segurou Carter pelo pescoço e o puxou e o lançou para dentro da banheira. Feito isso, Patrick apanhou o shampoo aberto e começou a lançar sobre o corpo do loiro.
— Ei, ei! Ei! Éguaaaaaaaaaaaa! — berrou prolongando a vogal a.
Patrick ainda fez questão de retirar a espuma de sua cabeça e lançar sobre o loiro. Carter não mais relutou. Fechou seus olhos e aceitou a água gelada em sua cabeça.
— Não acredito que caí na sua pegadinha. Eita diacho de homem vingativo.
— Posso fazer coisas piores, mas não penso em passar minha vida atrás das grades.
— Por que ‘cê é tão bravo assim?
— Pior que eu só o Colin.
Carter não continuou com o assunto. Ele começou a retirar o excesso de shampoo do seu corpo enquanto Patrick estava a sua frente, encarando-o. De repente o loiro aproximou-se mais de Patrick e levou as duas mãos aos cabelos do moreno juntando-os entre as palmas de sua mão. Isso demorou alguns segundos.
— Pronto.
Falou e afastou-se sorridente.
Patrick, revirando os olhos, fez cara de quem achou aquilo idiota. Carter havia feito um moicano em sua cabeça.
— Como você é besta.
— Ficou engraçado. — falou sorridente.
— Para de rir disso! — falou e jogou espuma contra o rosto do loiro.
Carter revidou.
Uma guerra de espuma iniciou e terminou rapidamente em meio a gargalhadas de ambos os lados.
Olhares.
Carter constrangeu-se com aquele sorriso e olhos encarando-o. Patrick sentiu o mesmo.
— Chega disso. — Patrick voltou ao semblante sério que costumava ter.
O leonino ficou de pé.
Patrick estava bebo e isso era óbvio pra qualquer um que estivesse a sua frente.
Carter fez o mesmo ao desligar o chuveiro.
O banho fez com que o leonino despertasse um pouco, mas qualquer um saberia identificar que ele estava bêbado.
Patrick apanhou a toalha caída no chão e começou enxugando os cabelos, a toalha foi descendo por seu corpo e cada vez mais Carter, que observava, começava a ter pensamentos obscenos.
Foi sem temor algum que Patrick desceu a meia calça junto da cueca molhada.
Por estar de costas para o loiro, Carter quase caiu no chão de tão maravilhado e ruborizado que havia ficado.
Engana-se o pobre caipira de imaginar que Patrick havia feito aquilo sem intenções de provoca-lo. Patrick simplesmente estava ciente disso, queria poder olhar pra trás, mas preferiu atuar e fingir que estava fazendo daquele momento algo habitual.
Enrijecido. Era assim que o membro de Carter estava entre suas pernas.
O loiro precisou caminhar e ficar de costas para o moreno, aproximou-se do armário e ficou observando Patrick através do espelho.
O leonino enrolou-se na toalha.
— Você vai pegar um resfriado se ficar com essa roupa molhada.
— Tem razão. Me segue.
Carter saiu do banheiro e Patrick o seguiu sem reclamações. Os dois foram ao quarto do loiro. As luzes já estavam acesas e as roupas sobre a cama do chamado caipira.
— Eu ganhei essas roupas. ‘Cê pode usar.
— Odeio xadrez.
— Égua!
— Mas tudo bem, eu vou usar.
Patrick começou pela cueca nova. Ele tinha convicção disso quando ainda a encontrou guardada em um plástico resistente. Em seguida vestiu a bermuda cinza de algodão. Finalizou vestindo o xadrez vermelho de manga curta que havia ganhado do loiro.
— Não precisa ficar me olhando. Eu já estou melhor. — mal sabia que Carter o encarava por admiração. Carter era fascinado em todos os detalhes físicos do leonino.
— Que coice. — falou o loiro. — Vou me trocar lá no banheiro.
— Tem vergonha?
— Quê?
— Vergonha de ficar pelado na minha frente.
— Claro que não, uai. Só que... Égua! ‘Cê é sempre assim?
— Assim como?
— Não sei.
Patrick revirou os olhos.
— Eu posso fechar os olhos. — e fechou. — Ou então ficar de costas. — virou-se.
Mais uma vez enganado, Carter começou a se despir.
Retirando as peças com rapidez, ele estava completamente pelado. Virou-se para as gavetas para buscar uma cueca.
Patrick, nada bobo, virou o rosto devagar e conseguiu ver as nádegas do loiro. Ah, o álcool...
Carter tinha a bunda pequena, mas ainda assim mordível.
O loiro vestiu uma cueca na mesma velocidade em que havia retirado a anterior. Depois calçou por uma bermuda de tecido fino e, em seguida, vestiu uma camiseta.
— Pronto. Vou levar essas roupas molhadas e apanhar as suas que estão no banheiro. Além disso, vou ter que arrumar a bagunça que deixamos. Já volto. — Carter apanhou suas roupas do chão. — ‘Cê quer algo?
— Leite.
— Eu trago pra você.
Carter saiu do quarto e fez tudo que havia dito: apanhou as vestes molhadas e a pôs no lugar onde se colocavam as roupas sujas. Ele ainda não tinha se acostumado aquela história de máquina de lavar, já havia perdido três cuecas só nessa brincadeira, elas sempre desapareciam. Agora fazia sentido porque algumas pessoas, como Samuel e Caine gostavam de lavar suas roupas separadamente das dos demais. Depois ele precisou limpar a banheira e enxugar o piso do banheiro. Após isso, Carter foi diretamente pra cozinha em busca do copo com leite.
Enquanto isso, Patrick, bêbado, vagou pelo quarto, mas não durou dois minutos em pé. Apesar de toda a música alta lá fora, ele estava cansado. Muito cansado por sinal. Os colegas, vulgo Julius e Marcus, o abandonaram e por isso ele havia ficado a maior parte do tempo sozinho na festa.
Lançando-se contra a primeira cama, por sorte sendo a de Carter, Patrick fechou seus olhos e pensou em Carter. Por mais que estivesse bêbado, não iria se esquecer do bom momento proporcionado pelo loiro.
Patrick só era pavio curto e muito direto, do contrário, era um amor de pessoa.
Pensando nos olhos azuis, sorrisos recebidos enquanto na banheira e, não deixando de esquecer, na bunda pequena que ele tinha, Patrick apagou.
Carter voltou alguns minutos depois que ele havia dormido. Entrou no quarto e o encontrou esparramado na cama, com um braço e pé pra fora dela.
O loiro e dono do quarto pôs o copo de leite sobre a mesa de cabeceira e resolveu acomodar Patrick na cama. Sem acordá-lo, pôs o pé e o braço para cima do colchão de modo com que ele fosse acordar sem dores... Embora Patrick costumasse ter uma ressaca das brabas sempre que bebia.
O loiro sentou-se no chão, bem ao lado da cama e, especialmente, próximo a cabeça do leonino.
Os fios castanhos de Patrick cobriam seu rosto enquanto ele soltava leves assovios naquele sono profundo.
Carter acariciou a testa dele, afastando os fios da região.
— Dormindo parece que nem dá coice. — murmurou. — Diacho de cabrito que ‘cê é, hein.
Carter estava, de fato, apaixonado.
[...]
Segurando-se em ódio, Sean estava sentado em frente a porta da sua república. Ninguém ousava se aproximar, mesmo que boa parte do seu gramado estivesse ocupada com pessoas se divertindo.
Era o quinto copo de bebida que ele estava tomado desde a briga com o Colin.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Sean bebia em festas, mas moderadamente. Entretanto, nesse dia ele estava furioso com seu namorado e só queria beber, entrar e sua república e dormir.
Uma garota, fantasiada de rainha de copas, segurando um copo de bebida, sentou-se ao seu lado.
— Sem paciência?
Sean apenas a encarou, nada disse.
— Você é tão bonito, não deveria ficar com essa cara fechada pra cima de mim.
— Tenho namorado. — imediatamente cortou o barato dela.
— Eu sei, senhor Ferazza. — ela sorriu. — Sei muito sobre você.
— Só do que ouve falar. Agora saia daqui. — pediu.
Se fosse um garoto, Sean já teria tomado outras ações.
— Adoro homem bruto. — ela disse, alisando o braço dele.
Sean afastou o braço.
A porta atrás foi aberta. O líder dos tigres acabou vendo seu primo Charles.
— Quando você vai acabar com essa palhaçada? Eu preciso dormir. — disse.
— Qualquer hotel por aí é aberto nessas horas.
— Você é fraco. — disse seco.
Charles então olhou para a garota, mas assim como Sean, ela foi recebida com um olhar frio. Segundos depois porta foi fechada com força.
Sean deu um único gole em sua bebida e lançou o copo fora.
Ela sorriu.
Sean ficou de pé.
Observando as várias cabeças, tentou avistar o seu namorado. Como tinha se esquecido da altura de Colin? Seria impossível encontrá-lo em meio a tantas pessoas altas.
“Anão desgraçado, filho da puta.” Pensou.
— Está um gato nessa fantasia.
— Qual a parte do “eu tenho namorado” que você não entendeu? Preciso ressaltar que eu gosto de homens? Especialmente um baixinho.
— Talvez você pudesse provar coisa melhor.
— Já provei. Não gostei.
Sean fechou os olhos com força. Em seguida, sentiu a cabeça girar.
— Você está bem? — ela perguntou e se levantou. — Precisa de ajuda? — ela sorriu.
Sean quando a olhou, sentiu como se sua visão estivesse indo embora.
—Não. — disse, seco, mas a voz soou estranha.
O moreno abriu a porta de sua república. Estava agindo lentamente, assim como todos os seus sentidos.
Ela veio logo atrás dele.
Sean subiu os degraus segurando-se nas paredes, cambaleando. Culpou-se por ter bebido demais e julgou-se bêbado.
Ela continuou seguindo-o. Inclusive conseguiu infiltrar-se por debaixo do braço dele.
— Eu... só... vou... dormir. — disse ele. A voz pesada e sonolenta.
Ele conseguiu abrir a porta do quarto.
Charles, que a pouco acabava de subir as escadas, viu quando Sean e a garota entraram no quarto juntos, mas não falou nada. A cena foi curiosa.
Sean caiu na sua cama e, em questão de segundos, Sean estava mergulhando em um sono profundo.
Ela, satisfeita, caminhou até a porta e a fechou.
Larah deu o primeiro passo do seu plano: dopar Sean.
Não é assim que fazem com os grandes animais ferozes? Usam dardos tranquilizantes. Com o tigre mais feroz da Quadra não seria diferente, mesmo que para isso fosse preciso usar substâncias em sua bebida.
Larah voltou pra cama e montou sobre o moreno. Seu rosto aproximou-se ao dele até os lábios se unirem.
Sean virou o rosto devagar.
— Colin... — disse o moreno, fraco.
— Sim, sou eu... — murmurou ao lamber a orelha dele.
Larah voltou a beijá-lo.
[...]
Sean abriu os olhos devagar.
Ele esfregou as mãos no rosto, em seguida estralou os dedos e bocejou. A cabeça doeu.
O moreno voltou a fechar os olhos, considerou tirar mais cinco minutos de descanso. Acomodando-se na cama, o moreno sentiu um corpo ao seu lado. Suspeitou ser o do seu namorado e, por esse motivo, virou-se para abraçá-lo.
A surpresa veio quando encontrou ao seu lado um corpo cheio de curvas, a pele mais clara que a do seu namorado e com seios expostos. Seios? Uma garota. Sean, ao perceber que ela estava pelada, olhou para seu próprio corpo e comprovou que também estava.
O moreno puxou o lençol e cobriu da cintura pra baixo. Sean saltou da cama e observou ao redor; suas roupas estavam no chão, a cama bagunçada com uma estranha em cima. Ele cutucou a garota até que ela acordasse.
— Que porra você faz nessa cama? — o seu maravilhoso humor matinal.
Larah demorou pra responder. Ela mandou pra longe a preguiça do seu corpo e esboçou um sorriso.
— Bom dia.
— Quem é você? Que merda você faz aqui?
— Você não se lembra?
— Lembro? — franziu o cenho.
Ela sorriu maliciosamente. Larah olhou para o corpo do moreno e mordeu o próprio lábio diante aquele abdômen divido em bloquinhos em conjunto com os demais músculos e curvas.
— Foi maravilhoso.
Aos poucos, Sean começou a lembrar-se da garota vagamente.
— Se vista e saia desse quarto.
— Como você é grosso... Em todos os sentidos. — ela sorriu. — Como vai fazer isso comigo? Nós tivemos uma noite maravilhosa.
— Porra, larga de ser amadora. Já fiz isso com meu melhor amigo, eu não vou cair nessa.
— Do que está falando? — ela fingiu não entender.
— Essa babaquice de fingir que transou comigo. Sei muito bem do que eu gosto.
— Você estava bêbado.
— Até bêbado eu consigo conhecer a bunda do meu namorado e, inclusive, sentir o pênis dele roçando no meu abdômen quando estou comendo-o. Agora sai da porra do meu quarto.
Sean foi até a porta e a abriu.
— Você nem mesmo se lembra, não é?
Larah sentou-se na cama.
Sean realmente não lembrava. Ele começou a forçar as lembranças, mas nada vinha, senão quando estava com a garota sentada em frente a porta de sua república. Depois disso as memórias desapareceram.
— Você estava muito bêbado. Estava com raiva. Raiva de alguém. — Larah era esperta, estava mexendo com o psicológico do moreno.
— Garota, vai se foder. — chegou no seu limite de gentileza. — Já disse que essa história não vai rolar comigo. Agora saia do meu quarto.
Larah ficou de pé, despida. Ela encarou o moreno e sorriu.
— Homens são todos iguais.
— Igual a mim? — ego aflorando. — Acredite, não há quem se iguale.
Larah começou a se vestir com suas roupas que se encontravam no chão.
— É grande, hein. — ela olhou a parte coberta do moreno. — Você dormiu assim que chegou lá...
Sean bocejou.
— Aproveita e joga ela no lixo e se enfia junto.
— Colin é o seu namorado?
Sean não respondeu.
Larah começou a prender os cabelos.
— Algumas vezes você me chamou pelo nome dele. — disse a morena ao se sentar na cama e começar a usar seus calçados.
Sean preferiu não ter ouvido isso.
— Cada vez que o nome dele era pronunciado, mas forte você vinha. Mais veloz...
Sean fingiu um novo bocejo.
— Você prefere não acreditar que transamos, não é?
— Nós não transamos. Meu pau não levantaria de jeito nenhum pra você. E, mesmo bêbado, eu tenho certeza absoluta de que isso não aconteceria. Eu sou gay, garota. Gay. Nem bissexual eu sou. Fora que tenho namorado e seria incapaz de traí-lo.
— Então por que não estava com ele? Você dormiu comigo. Comigo. — disse pausadamente a última palavra.
— Isso não te interessa. Você é tão burra que nem sequer filmou algo, nem mesmo uma foto. Quem sabe eu poderia acreditar nisso. Meu melhor amigo acreditou. Nesse golpe eu não irei cair.
—É uma pena que não acredite. — disse ao se levantar da cama. Ela segurava parte de sua fantasia nas mãos. — Eu nunca vou me esquecer dessa noite, mesmo sendo confundida com esse tal de Colin.
Larah atravessou a soleira da porta, mas voltou-se ao moreno, ficou nas pontas dos pés e tentou beijá-lo. Sean se afastou.
— Nem um beijo de despedida? — questionou.
— Vai pra puta que te pariu. — disse e fechou a porta bruscamente.
Sean voltou pra sua cama e se sentou.
Queria lembrar. Precisava se lembrar. Estapeou sua testa três vezes até se jogar na cama. Nada daquilo fazia sentido. O moreno não conseguia ter sequer alguma recordação. Seus pensamentos vão fluem tranquilamente até o momento em que ele se recordar de ter enchido a cara depois de discutir com Colin.
O moreno buscou por seu celular e o encontrou abaixo do travesseiro. Engoliu em seco quando encontrou doze chamadas perdidas do seu namorado, porém, o que mais o assustou, foi o horário: já se passava de uma hora da tarde.
Sean não conseguia imaginar que dormiu tudo aquilo. As pressas, ele foi ao banheiro, tomou um rápido banho, voltou ao quarto e vestiu a primeira cueca e bermuda que encontrou. Perfumou-se rapidamente, calçou seus calçados e saiu sem camisa e com os cabelos ainda úmidos.
Cada passo e sua cabeça martelava de dor.
O moreno abriu a porta da sua república e preferiu nunca ter saído de lá. A Quadra estava uma nojeira de tão suja. Era de se imaginar, obviamente. Copos por todos os lados, nenhum gramado foi poupado.
Sean atravessou a rua e entrou na república dos leoninos. Nada educado, ele não pedia permissão ou sequer abria a porta. Para sua surpresa, Colin estava na metade da escada quando ele chegou.
Colin o encarou, Sean retribuiu o olhar.
Na sala todos os presentes, quer dizer, Patrick, esparramado no sofá morrendo de dor de cabeça, Hugh e Calvin, olhavam aquela cena.
Colin, perdendo a paciência, subiu as escadas. Sean, que parecia ter prendido a respiração, pôs todo o ar pra fora. Já conseguia imaginar as coisas que iria ouvir do seu namorado. O moreno fez o mesmo e subiu as escadas, entrou no quarto e encontrou as luzes todas apagadas e cortinas fechadas, mas pelas brechas que tinham passagem de luz, era possível enxergar as coisas.
Era difícil pra Sean estar ali, afinal, ele estava com muita raiva do namorado, entretanto sequer havia percebido que fez aquilo por impulso, culpando-se por ter acordado ao lado de uma estranha, precisando mais do que tudo ver seu namorado. Medo?
— Meu aniversário. — disse o pequeno de imediato. — Você brigou comigo no meu aniversário.
Sean não respondeu. Faltaram palavras diante a razão do namorado.
— Porra, Sean.
— Ele me provocou e, aliás, você também me provocou.
— É o que Luke mais faz todos os dias: provocar todo mundo. Desde quando isso deixa de ser estranho?
— Está defendendo-o?
— Pronto... Começou... — disse e revirou os olhos.
— Você não deveria nem reclamar disso, você é tão ciumento quanto. Seu problema é que você costuma descontar em mim.
Foi quando Colin se calou.
— E ainda acrescento que esse descontar significa me bater, fazer qualquer objeto de arma.
— Cala a boca.
— Viu? Quando os papeis se invertem, você odeia ouvir a verdade.
Colin cruzou os braços, sentou-se na cama. Sean foi até ele e se sentou ao seu lado.
Era engraçado perceber que certas coisas nunca mudam, como momentos em que eles brigam por ciúmes. E se tinha algo que Sean amava, além da bunda do namorado, era deixá-lo sem palavras numa discussão. Isso, infelizmente, acontecia raramente.
— Seu aniversário ainda não terminou.
— Claro que não. Eu não iria estragar meu dia por sua causa, se engana se pensou assim. — a maior verdade daquele dia.
Sean suspirou, cansado.
— O que fez depois que brigamos? — questionou o pequeno.
Sean sentiu seu corpo congelar.
— O pessoal daqui tá zoando com minha cara contando tudo o que eu fiz. Eles me seguraram porque eu quase tomei o microfone pra te xingar. Eu fui falar com o Joshua. Droga, que vergonha... — o pequeno balançou a cabeça negativamente.
Sean ainda não conseguiu dizer nada. Na atual situação que estava com o namorado, no dia do aniversário deles em que brigaram, contar o que tinha acontecido certamente deixaria o Colin possesso.
— Hein, Sean? Você tá me ouvindo? — Colin o olhou.
— Sim. — respondeu quase que como um sussurro.
— O que você fez?
— Bebi e dormir.
Sean mentiu, quer dizer, Sean apenas descartou a parte em que acordou ao lado de uma garota que alegava ter transado com ele.
Ele não sabia compreender a confusão em seus pensamentos. Não queria estragar o momento de paz que estava acontecendo naquele quarto depois de uma madrugada tão conturbada entre os dois. Primeiro que seria capaz de duvidar do moreno por ser tão ciumento, segundo porque Colin iria caçar a garota até no inferno e terceiro porque o moreno não conseguia se lembrar de muita coisa. Como ele iria explicar? “Ah, eu estava bebendo e de repente fui dormir, não me lembro de mais nada depois disso.” Pensou.
— Estou cansado. Só dormi duas horas.
— Você não tá de ressaca?
— Deveria? — olhou pra o namorado. — No máximo uma dor de cabeça de leve. — Colin retirou os calçados e se deitou na cama. — Deita um pouco comigo.
Sem reclamar, Sean obedeceu. Também retirou os calçados e se deitou ao lado do namorado. O pequeno Colin, com facilidade, repousou a cabeça no peito nu do namorado e começou a mexer nos fios negros e úmidos dele.
— Vamos sair hoje à noite.
— Vamos?
— Sim, vamos.
— Nesse caso, vou dormir pra conseguir ter disposição.
— Lembre-se do que você prometeu.
— Sabia que você ia tocar nesse assunto. Tudo bem, Sean. Nós iremos transar.
— Pode ser agora e repetimos mais tarde.
— Você é insaciável.
— Se você tocar entre as minhas pernas vai perceber que só esse assunto me deixou duro.
Colin sorriu. Propositalmente, querendo testar o namorado, fez o que ele havia pedido. Não duvidava, mas também queria sentir. Sean estava duro. Colin deslizou sua mão por cima do membro ereto, ainda que dentro da bermuda.
— Sentiu?
— Larga de ser otário. — disse ao retirar a mão do membro dele.
Colin somente inclinou a cabeça para dar-lhe um rápido beijo, em seguida lançou ao seu lado, repousou a cabeça no travesseiro e fechou os olhos. Sean veio por trás dele e o abraçou, não era intenção do moreno fazer Colin sentir seu membro roçando em sua bunda, mas pela posição em que estavam, isso foi inevitável de acontecer.
O líder dos leões nada disse, apenas adormeceu abraçado e recebendo cafuné. Sean ficou acordado, pensativo.
[...]
Sean estava de frente pra o espelho terminando de pentear seus cabelos.
Não era muito fã daquele traje, mas como um bom narcisista, agradava-se do que via. O blazer delineava as curvas de sua cintura, a calça social preta ajustava-se as suas coxas. O moreno sorriu, perfumou-se, apanhou as chaves do carro que estava jogada em cima da cama.
Sean desceu as escadas e encontrou Brandon dormindo no sofá e Charles sentado na poltrona assistindo a programação da TV.
— Não tenho hora pra voltar. — disse o moreno. — Não me ligue, não me atrapalhe. Se a república pegar foto a responsabilidade está em suas mãos.
Ele não deu direito de resposta pra o primo, somente saiu da sua república e logo avistou o namorado aguardando-o em frente a república de leões.
Diferente do namorado, Colin não usava blazer e nem calça social, vestia esporte fino. As mangas da camisa social preta estava enrolada até os cotovelos. A calça jeans era semelhante a cor cinza e seus sapatos marrom.
Sean destravou o carro, Colin atravessou a rua.
— Vai me contar pra onde iremos?
— Jantar.
— Prefiro comer da sua comida.
— Não hoje. E, aliás, mais tarde meu alimento vai ser você.
Colin o insultou e entrou no carro. Sean foi logo em seguida.
— Está bonito. — disse o moreno antes de ligar o carro.
— Eu sei.
— Vou adorar arrancar os botões dessa camisa com os dentes.
— Você só sabe falar disso? Desde ontem não para de falar em sexo.
— Estou nos meus dias. Você e sua maldita mania de me maltratar. Porra.
— Já disse que você vai ter o que quer.
— Não iremos voltar pra quadra hoje.
— Sem essa história de motel.
— Credo. — disse o moreno com nojo. — Nunca entrei em um e nem seria capaz de entrar.
— Cala a boca e começa a dirigir.
Sean não resistiu e roubou um beijo do namorado aborrecido, Colin o estapeou e, tentando se defender, o moreno sem querer bateu na buzina. Colin saltou do banco com o susto e insultou o namorado de todos os palavrões do mundo.
Sean saiu dirigindo ainda recebendo insultos e Colin só parou de reclamar quando eles chegaram à avenida.
O restaurante em que eles estavam indo não era tão próximo da Quadra. Como se costume, Sean dirigia cortando os motoristas, buzinando para os mais lentos e proferindo insultos aos carros que o ultrapassava.
Colin não conhecia aquela parte da cidade com grandes prédios luminosos. Sean estacionou seu carro em frente um restaurante de faixada colorida, parte da estrutura era composta por paredes de vidro onde era possível ver os clientes jantando.
Ainda na entrada havia bastantes plantas, inclusive uma escultura indiana com diversas mãos.
Sean foi o primeiro a sair do carro e, educadamente, pelo menos só naquele momento, abriu a porta pro namorado. Colin começou a rir daquela atitude, o que deixou o moreno emputecido.
— Aposto que você tá filmando isso pra fazer um vídeo em minha homenagem e tá querendo bancar o cavalheiro. — disse o pequeno caminhando ao lado dele.
— Vai tomar no seu cu, Colin.
O pequeno sorriu.
Bem atendidos, eles foram encaminhados ao primeiro andar. Colin, que caminhava curioso observando todo ambiente agradável, com detalhes indianos, parou de supetão quando viu distante, sentado em uma mesa, seu pai e sua mãe acenando para ele.
Colin também viu Joe, pai do Sean, acompanhando de uma mulher loira.
— Como que você conseguiu isso? — ele virou sorridente para Sean.
— Meu pai foi buscá-los.
Colin acelerou seus passos até que pudesse abraçar, de imediato, sua mãe e seu pai ao mesmo tempo. A saudade sentida era tamanha. Por isso ele achou estranhou os pais não atendendo horas antes.
— Ele não é lindo? — disse Anita para Joe e sua nova namorada. — Como eu estava com saudades de você.
Joe e a mulher começaram a sorrir.
— Assim você sufoca o garoto. — Joseph falou. — Deixe-me abraçá-lo também.
Diferente de Anita, o pai de Colin ficou de pé, beijou a testa do seu filho e logo o abraçou. Ainda abraçado ao filho, estendeu a mão e cumprimentou o moreno que estava atrás dele.
— Trouxe muitos doces pra você. — disse. — Feliz aniversário, meu filho, eu te amo. — beijou-lhe a testa mais uma vez.
Colin o olhou. O pequeno era sentimental demais quando se tratava de sua família, os olhos marejavam, mas ele não iria chorar na frente de todos.
Anita também ficou de pé e abraçou ao seu filho, enchendo-o de beijos por todo o rosto.
— Você também, vem cá! — disse ela e aproximou-se do moreno.
Sean precisou se abaixar pra receber os milhares de beijos de sua sogra. Ele não resistiu e sorriu, aquele maravilhoso sorriso que somente ele tinha.
Colin foi até Joe, apertou-lhe a mão.
— Parabéns, Colin. Trouxe um presente pra você.
Joe abaixou e retirou debaixo da mesa uma luminária de mesa. Era vermelha, moderna e bonita. Além disso ela era ajustável, podendo aumentar ou diminuir a altura em que a lâmpada ficava.
— Eu dei a sugestão! — Anita ergueu a voz.
Colin não soube como reagir. Não sabia se deveria dizer: “Obrigado, mas não precisava”, “Nossa, amei!”, “Eu realmente estava precisando de uma dessas” ou variações.
— Obrigado. — acabou decidindo por um simples obrigado.
— Essa aqui é Veronica. Você já a conhece.
Colin sorriu simpaticamente para ela.
— E bem, esse é o Colin, aniversariante da noite, namorado do meu filho, você também já o conhece. — disse para a namorada.
— Parabéns, Colin. — sorriu. — Também comprei um presente pra você, é uma pena que você vá ganhar doces melhores, provei os dos seu pai e são deliciosos.
Veronica entregou-lhe uma pequena caixa repleta de bombons de todos os tipos.
— Não posso discordar. — brincou o pequeno. — Mas pode deixar que vou comê-los em questão de horas.
Veronica sorriu.
Colin sentou-se na cadeira ao lado dos pais. Sean sentou-se entre o namorado e o pai.
— Estávamos combinando de um dia irmos todos visitar as cachoeiras de Aroma. — iniciou Anita.
— Vou adorar conhecer! Colin já as mencionou uma vez. — Joe falou.
— É um bom lugar pra relaxar. — disse o pai do Colin.
— Os amigos do Colin já foram lá uma vez. Acredite, o lugar é maravilhoso e pouco visitado. Pelo menos conhecemos uma área que poucas pessoas visitam, as mais populares não me agradam. Gosto do sossego, da paz, de estar em família. — continuou a mãe do Colin.
— Aroma é pequena, mas é um bom lugar pra descansar. Amo a minha cidade. — prosseguiu Joseph.
— Então devemos marcar isso com urgência. É provável que eu tire uns dias de férias no final do ano. Talvez em janeiro poderemos aparecer por lá. — comentou Veronica.
— Você também é médica? — Anita perguntou.
— Não. — sorriu. — Sou arquiteta, a futura profissão de Colin, não é mesmo? — ela olhou pra o garoto.
— Não vejo a hora de me formar. Não aguento mais números. — disse o pequeno ao revirar os olhos.
— Vai piorar. — brincou.
— Meu melhor amigo, o Caine, me ajuda em todas as matérias que envolvem números. Percebi que sou horrível.
— Você está estudando bem? — questionou Anita ao filho.
Joseph nesse momento levou sua mão à testa.
— Todos os dias.
Sean sorriu de lado, escondeu o rosto temendo que Anita percebesse aquilo. Joe foi o único a perceber a cara cínica do filho que, provavelmente, estava rindo da mentira do Colin. O líder dos tigres recebeu o olhar de censura do pai, mas o homem mais velho não resistiu e acabou sorrindo.
— Quero saber como andam as suas notas. Vou aproveitar que estou por aqui e amanhã vou visitar sua universidade, falar com seus professores...
— Mãe!
— Então, já fizemos o pedido? — Joseph cortou a conversa entre Anita e Colin.
— Nunca provei comida indiana. — Veronica comentou ao entender o que Joseph queria fazer.
— Já comi aqui algumas vezes. São comidas muito temperadas e, dependendo do que vier, apimentadas. Fica a critério de vocês.
Eles não precisaram sequer acenar. Uma bela mulher aproximou-se da mesa, sorridente, ela olhou para todos eles e questionou:
— Vocês vão fazer o pedido agora?
Tanto Sean, quanto Colin olharam pra mulher com curiosidade. Algo nela chamava-lhes a atenção, alguns traços em especial, como os olhos e os lábios. Na verdade, aquela mulher era a mãe do Kai. O restaurante em que eles estavam pertencia aos pais do mexicano.
— Qual o melhor prato? — questionou Veronica.
— Um dos pratos mais pedidos é o frango tandoori. Que no caso é frango cortado, marinado em mistura de iogurte, suco de limão, alho e especiarias como pimenta, garam masala, coentro, cravo e gengibre. É acompanhado de salada de cebola e naan, na língua de vocês, pão achatado e quentinho. Para os vegetarianos, temos o thali que consiste em pequenas porções e molhos aromáticos servidos com arroz sobre folhas de bananeira. Para acompanhar é servido sambar, molho tradicional do thali e chutney de coco.
— Eu vou ficar com o Thali. — Veronica falou.
— Ótimo! Eu também. — Anita disse.
— Tem algo suculento? — Joseph perguntou. — Tô cansado de comer tanta salada...
— Temos, a comida indiana em sua grande maioria costuma não consumir carne, ela é rica em temperos e vegetais, no entanto, se me permite dar uma sugestão, no cardápio em que se encontra na mesa, temos algumas opções de comida mexicana.
Joseph não entendia nada do que lia no cardápio, eram muitos nomes estranhos. E ele não era o único, Sean e Colin fizeram o mesmo e sentiram dificuldade na compreensão.
— Meu marido é indiano e eu sou mexicana... Demos um jeitinho de organizar as coisas. — brincou a mulher. — Posso dar sugestões de pratos?
— Fique a vontade. — Joe falou.
— Temos o burrito, ele é reparado com massa de tortilla, é servido enroladinho e os recheios variam bastante com opções de carnes, queijo, tomate, feijão, chilli, entre outros. Algo semelhante são os tacos, só que são servidos em formatos diferentes.
Foi então que Sean começou a se questionar se aquela mulher era mãe do Kai. Primeiro porque ele sabia que os pais do morador dos tigres eram donos de um restaurante, depois a mulher disse que era mexicana e seu pai indiano. Sean preferiu ficar calado e não perguntar.
— São bem consumidos eu, particularmente, adoro. — continuou.
— Vou provar os burritos! Confesso que já ouvi falar, mas nunca comi.
— Eu também! — Colin juntou-se ao pai.
— Ficarei com o frango tandoori. — Sean falou.
— Você não vai se arrepender. — Joe falou pra o filho. — Mas hoje eu vou ficar com os burritos. Sempre que veio aqui como as comidas indianas, vou provar a famosa culinária mexicana.
A mulher sorridente anotou os pedidos e se retirou.
Em seguidas eles voltaram a conversar sobre diversos assuntos, o que mais gerou piadas foi a entrada do Colin na academia, Anita disse que não queria seu filho musculoso e até começou a notar os primeiros músculos ganhando forma nos braços de seu filho. Joseph perguntou por Samuel e Colin contou que eles se afastaram com o tempo, mas que ainda eram amigos. O assunto evitado foi sobre o espancamento que Colin sofreu. O pequeno não queria deixar seus pais preocupados. Nem mesmo Joe sabia disso.
— Isso é muito bom! — Joseph, ainda de boca cheia, falou ao dar uma mordida nos burritos.
Colin, desajeitado, não soube comer sem se sujar todinho. Ele resmungou bastante, pois a cada mordida que dava, parte do seu burrito era desmanchado. Sean, como sendo o que menos falava, comia tranquilamente. Veronica e Anita conversavam bastante. A namorada de Joe contou que não tinha filhos, mas explicou que era por decisão dela, sempre sendo muito organizada com suas coisas. Anita contou sobre como havia perdido o primeiro bebê e também contou da infância do Colin, já que ele era o aniversariante da noite.
Não deu dois minutos após o final da história da vida do filho e ela imediatamente começou a cantar os parabéns.
Joe, que nada tinha contra a atitude, foi o segundo a cantarolar junto a ela. Verônica veio logo em seguida. Logo, todo o primeiro andar do restaurante estava cantando para Colin, que, morto de vergonha, abaixou a cabeça e escondeu o rosto em sua mão direita.
Anita se levantou mais uma vez e começou a beijar a cabeça do filho. Amorosa e escandalosa, ela começou a apontar para o pequeno, querendo que todos soubessem para quem é que estavam cantando.
Sean estava calado e olhando para o seu namorado.
Ao final dos parabéns, Anita se sentou ainda proferindo elogios ao seu filho.
Colin, constrangido, voltou a comer. Mas rapidamente se levantou.
— Eu vou ao banheiro.
Colin não sabia onde ficava o lugar, mas ele somente se dirigiu a lateral esquerda do ambiente e encontrou com facilidade o lugar. O pequeno usou o mictório, voltou para pia, olhou-se no espelho e lavou as mãos.
— Que lugar chique. — disse o pai de Colin ao encontrar o filho.
— Vocês não precisavam aceitar essa ideia maluca.
— É seu aniversário. — Joseph fez o mesmo que o filho e usou o mictório. — Já que você quase não nos visita, decidimos vim. O pai do Sean foi nos buscar.
— O senhor entende...
— Eu sei. Quero que você estude e se forme, quem liga pra pais velhos, não é mesmo?
— Pai, não é isso!
Joseph sorriu.
— Eu estou brincando com você. Quero realmente que se dedique aos estudos. Você costuma aparecer sempre nas férias, isso me deixa feliz.
Depois de fazer sua necessidade, ele aproximou-se do filho que estava próximo a pia e começou a lavar suas mãos. Foi enquanto lavava as mãos que Joseph começou a cantarolar olhando-se no espelho:
Twinkle, twinkle, little star
Cintila, cintila, estrelinha
How I wonder what you are
Como eu desejo saber o que você é
Up above the world so high
Acima do mundo tão alto
Like a diamond in the sky
Como um diamante no céu
Twinkle, twinkle, little star
Cintila, cintila, estrelinha
How I wonder what you are
Como eu desejo saber o que você é!
— Pai... — disse o pequeno, bobo.
— Não é porque você cresceu que eu não posso cantar mais ela pra você.
A música era a preferida do Colin quando menor, Joseph costumava cantar pra ele antes do pequeno dormir. Colin aprendeu a gostar de ouvir a música na voz do seu pai quando começou a ter pesadelos e medo do escuro, seu pai era seu herói nas noites. Colin sempre foi muito mimado e protegido pelos pais.
— Que saudades... — disse o homem, os olhos marejando.
Colin o abraçou. Joseph prosseguiu:
— Queria que você cuidasse de algo. — retirou do bolso um pingente. — Eu deveria te dar quando você completou seus dezoito anos, mas eu ainda te via como uma criança, não sei. Agora você conhece suas responsabilidades, sabe como é, de fato, a vida de gente grande. Sabe quando o ganhei? Ganhei do meu pai no dia em que casei com sua mãe, aquele foi o um dos dias mais felizes da minha vida. Depois veio você, quando nós já tínhamos perdido a esperança de que Anita poderia engravidar outra vez. Você não sabe o quanto eu chorei. Eu cheguei a colocar esse pingente em um cordão no seu tornozelo. Você nunca iria se lembrar disso, era tão pequeno. Remexendo nas minhas coisas eu pude encontrá-lo, esperei seu aniversário e então estou aqui entregando a você.
Colin recebeu o pingente na mão aberta. Era um pezinho dourado, estava velhinho e com pouco brilho. O pequeno admirou o pingente emocionado. Como já mencionado, ao se tratar da família, Colin era muito sentimental.
— Infelizmente o cordão arrebentou, então sobrou apenas isso.
— Eu te amo, pai. — disse e o abraçou tão forte que quase quebrou as costelas de Joseph.
— Pena que você tá me trocando pelo Sean.
— Não! Nunca! — falou e o olhou.
— Eu tô brincando, mais uma vez... — e gargalhou. — Já me acostumei com a ideia de que meu filho é gay e namora um garoto. Até digo pra os vizinhos isso. Sua mãe até discutiu com aquela fofoqueira que mora em frente a nossa casa.
— Como?
— Longa história. Ela não iria te contar, então é melhor ficar calado, senão eu apanho quando chegar em casa. Mas enfim, só quero que você seja feliz, acima de qualquer coisa. Cresci numa família rigorosa, mas conheci um garoto que me salvou de um ataque violento de um cão raivoso, esse mesmo garoto era perseguido por mim, infelizmente ele faleceu, sinto muitas saudades daquela amizade. Aprendi, filho, a respeitar e aceitar que cada pessoa tem a sua vida e que a deve seguir como ela quer e como ela é.
— Tive sorte de cair nessa família. Eu amo muito vocês.
— Agora chega de drama, vamos voltar. Eles estão lá há tempos e nós estamos aqui. Sua mãe vai achar que estamos falando mal dela, você sabe como ela é pirada.
Colin concordou com a cabeça e desfez o abraço, enxugou o rosto e seguiu seu pai. Quando eles voltaram pra mesa, imediatamente ouviram Anita questionando sobre a demora. Sorridentes, pai e filho trocaram olhares.
O jantar teve continuidade tranquilamente, Joseph conversou isoladamente com Sean, Colin não pôde ouvir, mas ficou curioso, no entanto sua mãe e Veronica conversavam com ele e Joe.
Ao final do jantar, a conta foi partilhada por todos os presentes, exceto Colin e Anita. Isso porque Joseph disse que não iria deixar tudo nas mãos de Joe que queria pagar sozinho. Veronica também disse que se sentiria mal se não pagasse uma parte. E Sean, não dizendo nada, nós fez colocar o dinheiro na mesa.
Saindo juntos do restaurante, caminhando em direção ao estacionamento.
— Bem, nos separamos aqui. — Joe falou. — Vocês vão se hospedar lá em casa, certo? — falou para Anita e Joseph.
— Eles podem ir no carro do Sean. — Colin sugeriu.
— Ah, não, deixa eles conosco. Tô adorando conversa com sua mãe, ela tem ótimas histórias. — Veronica pediu. Olhou para Joe como se estivessem planejando algo.
— Nos veremos amanhã. Iremos embora após o almoço. Podemos comer todos juntos mais uma vez.
— Nós podemos dormir lá também? — Colin perguntou ao pai do namorado.
— Podem. — Joe olhou pra Sean, Anita e Joseph.
O moreno apenas fez um aceno com a cabeça, no entanto, eles também pareciam esconder algo.
— Então vamos indo. — disse Joe destravando o carro.
Anita beijou a testa do seu filho e o parabenizou mais uma vez. Joseph também abraçou o filho e disse que daria os chocolates quando eles chegassem na casa do Joe.
O primeiro carro a sair do estacionamento foi o de Joe, que buzinou algumas vezes antes de ganhar velocidade e se perder entre os outros carros que seguiam a avenida.
— Vai ficar aí esperando? — disse o moreno, ao lado da porta aberta do seu carro.
Colin despertou, estava absorto e explodindo de felicidade com a presença de seus pais, ele entrou no carro sorridente, pôs o cinto e acomodou-se no banco. Sean fez o mesmo e ligou o carro.
Em silêncio, o moreno começou a dirigir. Para Colin, o namorado parecia estar seguindo o caminho certo à casa de Joe, no entanto, mais a frente, Sean entrou em estradas diferentes e Colin começou a achar estranho.
— Pra onde estamos indo?
— Chegaremos lá.
— Sean!
— O que é? — disse dirigindo sem retirar os olhos da estrada.
— Nós iríamos até onde estão meus pais e o seu.
— Lembra-se do que você prometeu?
— Eu não estou brincando! Porra! Eu não acredito que você está pensando nisso. Meus pais estão em Seattle, eu preciso aproveitar o tempo que resta com eles.
— Eles sabem que você não vai aparecer lá. — cortou o barato do namorado.
— Mentira!
— Então liga pra eles e pergunta. Joe sabia de tudo, até Veronica sabia. Eles conversaram com seus pais. Eu pedi por um momento nosso, eu e você. E, porra, seus pais também precisam aproveitar, o tipo de conversa deles não vai nos interessar. O que você acha que iria acontecer quando chegássemos lá? Ah, vai se foder, você só sabe reclamar.
— Eu só queria ficar mais tempo com eles.
— Ainda temos o dia seguinte. Tá mesmo duvidando de mim? — Sean puxou o celular do bolso. — Liga pra eles e pergunta se eles já não sabiam que você iria sair comigo depois do jantar.
Colin encarou o namorado, mas não pegou o aparelho celular.
Aborrecido, o pequeno cruzou os braços e olhou a escuridão as luzes passando rapidamente do lado de fora.
— E por que não me contaram? — perguntou o pequeno.
— Justamente por conta dessa reação. Você iria não iria querer sair comigo depois que soubesse que seus pais estão aqui. Até eles acham que você precisa passar um tempo a sós comigo. Você dormiu a tarde inteira, lembra-se? E na festa nós brigamos. Eu contei pra eles.
— Você contou que eu bebi? — o pequeno se virou.
— Não. Mas apenas contei que discutimos por besteira. Menti pra ela dizendo que foi uma festa simples. Aliás, você e ela são parecidos demais.
— Então é melhor tomar cuidado. — ameaçou.
Sean nada disse, apenas revirou os olhos e seguiu dirigindo.
Com mais dez minutos na estrada, eles finalmente chegaram ao lugar. A faixada era encantadora.
Um prédio luminoso, onde era possível ver os elevadores do lado de fora, subindo e descendo, estava bem a frente deles. A pista que levava a entrada do hotel era desenhada por arbustos de todos os tamanhos, além de belas estatuas. Um tapete vermelho se estendia no piso de entrada onde Sean deixou o carro. De frente a faixada do hotel, separado apenas pela pista, havia uma enorme piscina que tomava conta do espaço. No centro dela havia três coqueiros imensos e algumas cadeiras pra tomar sol.
Entregando a chave ao manobrista, Sean confiou a segurança do seu carro ao homem. Colin foi atrás do namorado e pararam de frente pra o balcão recepcionista.
— Sean Ferazza. — disse o moreno.
A mulher apenas verificou o nome dele no sistema e, em seguida, buscou pela chave guardada em gavetas.
— Aqui está, senhor. Elevador à esquerda, oitavo andar. Tenha uma boa noite.
Aceitando a chave, Sean olhou para o namorado e seguiu as instruções da mulher. Colin se sentia pequeno dentro daquela imensa entrada de hotel, era realmente chique. Ficou com medo de tocar em tudo que via pele frente, temendo quebrar e passar a eternidade pagando.
No elevador, Colin pôde apreciar a vista lida que a cidade a noite proporcionava. O pequeno segurou na mão do namorado, ele temia a altura. Quando o elevador parou no oitavo andar, a porta se abriu, mas outra porta, a menos de um metro, estava fechada.
Sean e Colin saíram do elevador que se fechou logo atrás dele, o moreno abriu a porta a frente e Colin foi o primeiro a entrar.
Encantado, boquiaberto e surpreso, ele não conseguia acreditar que estava em um lugar como aquele. Era um andar inteiro para os dois. Se pudesse calcular o tamanho do espaço, diria que cabia três vezes a república dos águias.
A suíte era realmente enorme. No espaço sem divisões, era possível ver a cozinha com balcões, ao lado tinha a sala de jantar e depois seguia com uma sala com sofás, mesa de centro e TV. Os móveis, em sua maioria, eram pretos, assim como o piso e tapetes brilhosos prateados. Além disso, eles tinham uma visão de 360 graus.
Apenas uma única parede separava o quarto. Colin caminhou devagar, observando todos os detalhes da casa até chegar ao quarto que tinha passagem pra varanda. Além da bela visão que oferecia, havia lá uma jacuzzi.
O quarto estava decorado de maneira diferente, mas era algo planejado. Em cima da mesa em frente a cama havia um balde com gelos e dois champanhe, duas taças vermelhas e velas acesas da mesma cor. Pétalas de rosa estavam espalhadas sobre a mesa e, também, sobre a cama.
— Eu não pedi pétalas de rosa. — disse o moreno.
— Pra que gastar tanto com tudo isso?
— Acha que eu gastei?
— Certamente sim. Esse lugar nunca que vai custar barato.
— E se eu falar que isso aqui é do meu pai?
— Joe?
— Sim. — respondeu tranquilamente, sentou-se no sofá e começou a retirar os sapatos que estavam matando-o.
— O quão rico seu pai é?
— Nem eu faço ideia. Mas pra alguém que é cirurgião plástico, pouca coisa ele não recebe.
— Mãe, pai... Não existe pobreza na sua família. — disse o pequeno.
Colin saiu do quarto e foi pra varanda, ele fechou os olhos e sentiu o vento em seu rosto. Sean veio logo atrás dele, abraçando-o por trás e beijando-lhe a cabeça.
— Obrigado. — disse o pequeno. — Obrigado pelo dia.
— Até que fim lembrou de me agradecer. Você não sabe como é chato planejar algo pra você.
Colin se virou, encostou-se a mureta e encarou o namorado.
— O esforço vale a pena para o que você quer. — sorriu.
— Vou começar a rever isso. — retribuiu o sorriso.
Colin o beijou.
Sean necessitou daquele beijo. A vontade em que ele estava de consumir seu namorado era tanta que ele pressionou a cintura do pequeno, ouvindo-o suspirar.
— Preciso tomar banho. — disse o pequeno.
— Não, não precisa.
— É lógico que eu preciso, mas você não entende. Volto em breve.
Colin afastou-se do namorado. Sean, chateado, o deixou ir. Colin sorriu acenando pra ele até voltar pro quarto e desaparecer atrás da parede que dividia o cômodo.
Sean olhou alguns segundos a visão a sua frente e sorriu feito um bobo ao sentir-se nervoso para o que iria acontecer.
Ele retirou o cinto e lançou sobre a cadeira próximo a ele, em seguida retirou sua calça, ficando somente de cueca. O moreno voltou ao quarto, abriu um champanhe e encheu a taça, apanhou um pequeno controle em cima da mesa e apenas pressionou o botão vermelho, imediatamente o som da casa ligou, dando início a uma música calma. Sean voltou pra varanda, retirou a cueca e entrou na jacuzzi. Relaxou.
Sean encostou-se na lateral, observou o céu estrelado e com uma maravilhosa lua, apreciou a bebida e voltou a pensar em seu namorado. O moreno então fechou os olhos, buscando relaxar o máximo possível naquela água morna.
Dez minutos se passaram, Sean poderia até ter dormido ali se pudesse, mas então seu namorado chamou por seu nome.
Ao abrir os olhos, o moreno viu seu namorado com uma toalha enrolada a cintura.
Sean sorriu, pôs a taça ao lado e chamou por ele com o dedo.
Colin obedeceu.
O pequeno aproximou-se da jacuzzi e, em frente ao namorado, se desfez da toalha que caiu aos seus pés.
— Eu amo cada curva em você. — disse o moreno, olhando-o nos olhos.
Colin constrangeu-se com o elogio.
Ele finalmente pôs o primeiro pé dentro da jacuzzi, seguido do outro, até finalmente descer seu corpo, de forma com que a água cobrisse todo o seu abdômen. Devagar, Colin foi se aproximando do namorado até repousar as mãos no ombro dele.
— É o seu presente por hoje. — disse o pequeno.
Lentamente, Colin aproximou seus lábios ao do namorado. O beijo iniciou calmo. As mãos de Colin desceram pelas costas do moreno e ele aproximou mais seu corpo ao dele, sentando-se na perna do namorado que já estava com o membro ereto. A mão do Sean tocou a nuca do pequeno e seus dedos cravaram na região.
Sean fez com que Colin inclinasse sua cabeça, dando espaço para que os lábios do moreno tocasse o pescoço dele. Com pequenas mordidas, Sean ia fazendo namorado se arrepiar e suspirar aqueles sucintos toques.
A última mordida foi mais forte a ponto de marcar o namorado. Sean voltou a tomar os lábios de Colin, o pequeno retribuiu o beijo, invadindo a boca dele com a língua. A mão do moreno, que estava na nuca de Colin, foi descendo pelas costas do moreno, devagarinho, até alcançar por entre as nádegas do pequeno, especialmente o dedo do meio, que deslizava na região erógena.
Colin ficou louco. Seu beijo tornou-se intenso à medida que tinha o dedo do seu namorado brincando com seu corpo. Região que Sean tinha bastante conhecimento no corpo do namorado.
O leonino desceu sua mão também pelo abdômen do moreno até alcançar o membro dele, deslizando a mão pelo falo diversas vezes, massageando.
Sean fechou seus olhos e suspirou, beijou o pescoço de Colin enquanto deslizava seu dedo entre as nádegas do pequeno. Não resistindo, ele segurou Colin pela cintura, o levantou e posicionou-se atrás do namorado.
O tigre fez com que Colin ajoelha-se na jacuzzi, ficando com a bunda exposts enquanto o corpo ficava do lado de fora, deitado na lateral.
Mordendo o lábio, Sean estapeou as nádegas do namorado, apertando-as fortemente e abrindo-as. Colin engoliu em seco e suspirou logo em seguida, mas gemeu quando sentiu o toque úmido da língua do seu namorado naquela zona erógena.
Sean afogou seu rosto por entre as nádegas do pequeno, ouvindo-o gemer baixinho. O vai e vem da língua ia fazendo Colin delirar cada vez mais. A língua travessa tinha bastante controle no que fazia, certamente, Colin não tinha do que reclamar. Especialmente quando sentia os dentes do moreno cravar nas laterais.
A ação durou cinco minutos. Sean afastou seu rosto e voltou a brincar com o dedo, devagar, ele introduziu o indicador e ficou assistindo aquilo. Colin aceitou o dedo com pequenos gemidos de desconforto. Relaxando, Colin esperou. Sean continuou a brincar com um único dedo, introduzindo-o no namorado devagar e retirando até arriscar colocar dois dedos. Nesse caso, Colin resistiu mais, afastou seu corpo, mas voltou quando Sean segurou sua cintura e, mais devagar ainda, foi introduzindo os dois dedos. Ele apenas preparava o namorado para o que aconteceria depois.
Colin fechou seus olhos e começou a gemer baixinho à medida que os movimentos iam ganhando velocidade dentro de si.
Retirando os dedos do namorado, Sean novamente afogou o rosto por entre as nádegas do pequeno, brincando com a língua e fazendo Colin gemer novamente com prazer.
Virando o namorado, de modo com que ele ficasse de barriga pra cima, Sean segurou no falo do namorado e começou a massagear o pênis dele, subindo e descendo, exibindo a glande que babava.
O moreno sorriu ao ver seu namorado com os olhos fechados, delirando em tesão.
Entreabrindo os lábios, Sean aproximou sua boca ao pênis do pequeno e o introduziu. Acostumou-se a ideia de fazer aquilo em seu namorado e não achava ruim. Era troca de prazeres, assim ele justificava. Aliás, não se deve esquecer que Colin era a primeira pessoa em que Sean fazia oral, sempre sendo acostumado a somente receber.
A língua babona desceu pelo falo escorregadio, indo da glande até a outra extremidade e, logo em seguida, introduzindo parte dele em sua boca.
Colin cada vez mais gemia. Em conjunto ao oral que fazia, Sean introduziu novamente seu dedo no pequeno que, explodindo de excitação, gemeu um pouco mais alto. Dois pontos erógenos sendo provocados.
Com a ação que durou pouco mais de cinco minutos, Sean se desfez do membro do namorado e voltou a beijar o corpo dele, subindo aos poucos até encontrar os lábios do pequeno. Colin sentiu seu próprio gosto.
Naqueles beijos, Sean segurou na mão do namorado, apanhou a taça com champanhe, ficou de pé exibindo o membro ereto e saiu da jacuzzi, fazendo Colin acompanhá-lo.
Molhados, eles entraram no quarto.
Colin sentou-se na cama enquanto Sean ficou de pé, olhando-o ao beber do champanhe. Os olhos negros do moreno dirigiram-se ao seu membro. Ele sozinho esfregou o pênis enquanto Colin apenas assistia.
Colin então segurou nas coxas de Sean, abriu os lábios e foi introduzindo a glande do pênis do namorado em sua boca, sentindo o gosto do pré-gozo. Sean fechou os olhos, suspirou. Entregue aos lábios do namorado, ele arqueou as costas e começou a se deixar levar pelo oral recebido.
A mão de Colin segurou o falo enquanto com a boca ele brincava com a glande. Ia e vinha devagar, sempre se deliciando com o membro e com os gemidos que seu namorado deixava escapar.
Colin afastou seus lábios do membro do moreno e começou a masturbá-lo, mas logo aproximou sua língua do falo e foi deslizando por todas as extremidades, de ponta a ponta, inclusive o saco não passou despercebido.
Colin voltou a sugá-lo, no máximo conseguia introduzir a metade do membro do namorado, mas com muito esforço, no entanto, ele sabia brincar com a língua na glande e isso era mais do que o suficiente para deixar Sean pirando. Por sorte, Sean era alguém que tinha muito controle sobre sua ejaculação, por isso seu sexo sempre costumava ser duradouro, mas Colin realmente fazia jus ao oral.
Sean fez questão de assistir aquele oral recebido do ângulo em que estava, inclusive derramou um pouco de champanhe sobre seu membro, assistindo o namorado sugar tudo sem pestanejar.
Colin quase foi sufocado quando seu namorado tomou o controle da ação, largando a taça de lado e penetrando a boca dele. O pequeno afastou seu rosto e passou a recuperar o fôlego perdido.
Sorridente e com os lábios vermelhos, Colin deitou-se na cama e enxugou a boca molhada em saliva.
Sean deitou por cima dele e começou a beijá-lo. Colin foi afastando as pernas justamente para que pudesse sentir o membro do namorado roçar entre suas nádegas.
A música que passou a tocar naquele instante se chamava The Beach, The Neighbourhood.
Colin puxou uma almofada, pôs em suas costas e deu mais conforto para o namorado posicionar-se em cima dele.
Sean afastou mais as pernas do namorado e o fez a erguê-las, devagar, ele cuspiu no próprio membro e forçou entre as nádegas do namorado, procurando pela entrada.
Colin quem guiou, segurando no falo dele e dando permissão para que ele introduzisse pouco a pouco.
Foi sem demorar que Sean forçou novamente até consegui introduzir sua glande. Vendo o namorado fechar os olhos e fazer careta, parou de se movimentar. Ele apenas desceu seu rosto e beijou testa do namorado, em seguida começou a acariciar os fios castanhos do pequeno, de modo com que pudesse deixá-lo mais relaxado e seguro.
Colin ainda fazia careta, gemia baixinho, respirava fundo.
— Vai. — murmurou.
Sean o beijou antes de prosseguir.
O moreno fez o que o namorado pediu. Com calma e algumas pausas, centímetro por centímetro ia sendo introduzido em Colin. Encaixado por completo, Sean ficou olhando-o. O pequeno estava com os olhos fechados, respirando tão fundo que era audível aos ouvidos de Sean.
Quando Colin abriu os olhos, encontrou o abismo negro nos olhos de seu namorado, sério, respeitando o seu momento.
Colin sorriu fraco e em seguida o beijou.
— Eu sou todo seu. — disse o pequeno.
E foi aí que Sean, sem demora, movimentou-se devagar dentro do pequeno. Obviamente, Colin não estava totalmente adaptado, mas aos poucos ia relaxando mais e mais, até a dor prazerosa começar a ganhar intensidade e, logo, transformar-se em apenas prazer.
Sean, até pra penetrar, tinha um jogo de cintura que, através do espelho, parecia que ele rebolava enquanto entrava e saia de dentro de Colin.
Dando espaço para ter seu pescoço tomado, Colin olhou pra o lado e ficou assistindo, pelo espelho, a cena em que ele participava, dando-lhe mais prazer.
No teto também havia espelho e, daquele ângulo ele conseguia ver as nádegas do namorado contraindo-se e relaxando sempre que ele ia e vinha contra seu corpo.
Sean lançou-se ao lado do namorado, o pôs de lado, ergueu uma perna dele, e voltou a introduzi-lo. Forçando-se a olhar pra trás, Colin tinha os lábios tomados, gemendo sem parar.
Funcionava da seguinte forma: se Sean o penetrasse forte, os gemidos elevavam na mesma intensidade, se fosse devagar, os gemidos eram semelhantes a sussurros, suspiros.
Colin mordeu o próprio braço quando seu namorado começou a ir sem parar e aceleradamente, isso o fez com que seus gemidos ganhassem força e, quando Sean cansou, o pequeno pode finalmente respirar regularmente.
Aquela posição acabou se tornando desconfortável com alguns minutos e, foi por isso que Sean fez com que Colin se ajoelhasse na cama, ficando de joelhos atrás dele. Ao se tratar de um nova posição, era também necessário tomar cuidado com a penetração.
Sean voltou introduzir seu membro devagar em seu namorado, mas rapidamente começou a acelerar, penetrando-o com vontade. Colin afogou seu rosto na cama para abafar seus gemidos, em seguida, para recuperar o folego, olhou para o lado, mas Sean o segurou pelo pescoço e o fez arquear as costas.
Era o momento deles, único, íntimo. Mais do que tudo eles precisavam daquilo. Esse toque de promiscuidade que, indiscutivelmente, fazia parte daquela relação. Sean já tinha um desejo sexual muito elevado, Colin não era tão diferente, porém sabia maltratar seu namorado e também sabia controlar suas vontades. Fato que reforça, é quando os dois se provocam, especialmente Colin que começa provocando Sean, proporcionando até mesmo oral, mas não vai até o fim, simplesmente o deixa na vontade.
Foi com Sean que Colin descobriu esse mundo sexual.
Assistir seu membro entrar e sair de Colin era tão prazeroso, principalmente na posição em que estavam. Sean amava a capacidade de Colin de aguentá-lo, sexualmente falando. Nos primeiros dias havia mais resistência e dificuldade da parte do menor, hoje em dia ele estava mais preparado e, maravilhosamente, ousado.
Colin segurou a cintura do Sean, pedindo para ele parar. Respirando com dificuldade, Colin afastou sua nádega do membro do namorado e se virou, enxugando a testa e recuperando o fôlego perdido.
Sean deitou-se o seu lado e começou a alisar o pênis do seu namorado, beijando-o.
Colin, ainda resistente, posicionou-se em cima do namorado, segurou o membro dele e começou a introduzi-lo em si. Ele inclinou o pescoço pra trás, entreabriu os lábios e respirou fundo ao sentir centímetro por centímetro dentro de si.
Sean, que o via de costas, apenas levou suas mãos a cintura do pequeno, mas Colin quem começou a fazer os movimentos. Subia e descia devagar e, mais uma vez, Sean assistia parte do seu membro entrar e sair de dentro do namorado.
Colin era irresistível. O corpo suado.
Ele amava aquilo. Amava ser invadido de Sean. Amava o membro do Sean. Amava fazer sexo com Sean. Ele simplesmente amava e admitia isso par si. Da mesma forma, Sean se sentia. Ninguém foi tão bom na cama quanto o pequeno. Ainda que seu história não tenha sido grande, Colin era o terceiro.
O pequeno caiu sobre o corpo do namorado e, dali em diante, foi Sean que passou a tomar o controle. Ele mais uma vez pôs seu namorado de lado e passou a penetrá-lo. Dessa vez com mais calma, beijando o seu pescoço e, quando podia, tomando os lábios devagar.
Mesmo sendo devagar, Colin chegou ao ápice naqueles movimentos que o faziam explodir de excitação. O pequeno gemeu alto e, com os movimentos de Sean ainda prosseguindo, parece que o prazer triplicou, especialmente porque Sean brincava com seu ponto mais sensível.
Colin já estava cansado, isso era visível. O corpo fraco, após gozar, era controlado por Sean, mas ele se mantinha firme, conhecendo seu namorado, ele teria forças pra durar a noite toda. Eles já estavam naquilo a uma hora e alguns minutos.
Sean simplesmente saiu de dentro do seu namorado e começou a somente beijá-lo.
Colin se virou para olhá-lo, Sean sorria pra ele. Colin retribuiu o sorriso, respirando fundo.
— Não precisa parar.
—Você sabe como terminar isso... — sorriu.
Colin o beijou. Sua mão pequena foi até o falo do namorado e, dali em diante, ele começou masturbá-lo. Sua mão macia deslizava sem parar pelo falo do moreno. Sean fechou os olhos.
Colin simplesmente saiu do seu lugar que estava, afastou as pernas do namorado e infiltrou-se entre elas. Com as mãos, ele tornou a massagear o pênis do Sean, assistindo de onde estava, as expressões de prazer.
Colin também massageou o saco do namorado, mas por ali não durou muito, voltou a usar o polegar na glande do moreno até que as duas mãos passassem masturbar Sean, isso fez com que o moreno começasse a elevar seus gemidos, contrair os dedos dos pés e o corpo, sinal de que ele estava chegando lá.
Quando o seu gemido ganhou ainda mais força e, seu corpo contrair-se diversas vezes seguidas, Colin assistiu o gozo sair. Ele permaneceu masturbando-o, isso só fez Sean gemer ainda mais.
Como um baque, Sean relaxou seu corpo, respirou fundo e relaxou seu corpo. Colin sorriu, olhou para suas mãos sujas com o que o namorado produziu e se pôs de pé.
— Há quanto tempo você não se masturba?
Sean somente começou a sorrir, tentou gargalhar, mas sequer teve forças para isso. O pequeno retribuiu o sorriso e olhou-se no espelho, em seguida verificou seu pescoço, havia uma pequena marca que, felizmente, ele conseguiria esconder.
Colin rumou ao banheiro e Sean veio logo atrás dele.
Lavando-se, o pequeno não tinha percebido quando Sean namorado entrou no box com ele.
— Segunda rodada. — disse.
Colin somente fechou os olhos e não acreditou no que tinha ouvido, apenas aceitou quando o namorado o segurou pela cintura, o ergueu no ar e, molhando-se juntos, beijaram-se.
— Feliz aniversário, anão filho da puta.
— Vai se foder.
Sean sorriu e começou a olhar pra cintura do Colin.
— Quem foi que fodeu quem aqui? — e exibiu a maravilhosa arcada dentária.
— Me larga. — remexeu-se no corpo dele.
Sean não parou de sorrir, Sean namorado até chegou a estapear seus ombros, no entanto, o moreno não o largou, apenas o beijou, acalmando-o com tanta facilidade.
— Eu te amo. — disse o moreno, entre beijos.
— Eu também me amo. — disse o pequeno, brincando. — Quer dizer, eu também te amo.
E encerrou-se o aniversário de Colin da melhor forma possível: ao lado do grande amor da sua vida. Uma pena que há pessoas contra esse relacionamento.
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