Notas iniciais
Voe como águia. Cace como um tigre. Ruja como um leão. — final parte III

Edgar ainda não tinha parar circular pelo Ninho a hora que quisesse, mas sempre conseguia com maestria realizar esse ato. Tudo isso se deve ao fato do segurança vê-lo entrar com Joshua e, como se tornou algo frequente, estava sendo visto como morador do local. Por isso conseguia dormir lá algumas vezes, o que é proibido, mas que consegue ser burlado com facilidade pelos inteligentes e viciados em sexo.

Sempre que passava pelo segurança da portaria, Edgar ficava temeroso, mas ao dar mais alguns passos e perceber que não foi interrogado, sentia-se aliviado.

Nas costas ele carregava uma mochila contendo roupas. Batendo a porta do bloco em que Joshua ficava, Edgar esperou. Dessa vez foi atendido por uma garota de cabelos presos e óculos grandes. Já sabendo quem o loirinho era, deu passagem. Era incrível como ninguém sequer falava ou tentava ser amigo de Edgar, só respondia os vários bons dias, boas tardes e boas noites que ele pronunciava por educação.

Edgar caminhou até o quarto do namorado e entrou ao encontrar a porta entreaberta, porém Joshua não estava ali. O loiro resolveu esperar sentado na beirada da cama, olhando para o seu anel que ganhou de presente.

— Algum problema?

Foi então que ele despertou ao ouvir a voz de Joshua.

O ruivo estava com os cabelos úmidos e uma toalha marrom enrolada em sua cintura, denunciando o banho tomado há alguns minutos.

— Nenhum... — levantou-se.

Edgar foi até ele e o beijou, em seguida voltou para a cama e ficou novamente olhando para o anel.

— Você parece preocupado. Aconteceu alguma coisa, loirinho? — ainda de pé o perguntou, tendo que fechar as portas impedindo os curiosos de ouvirem a conversa.

— Hoje é aniversário do William... — Edgar então levantou a cabeça e o fitou. — Eu sei que você sabe disso... Mas também sei que você não irá. Daí eu fiquei pensando... Não vai ser legal estar lá sem sua presença.

Joshua que o ouviu atentamente optou por não respondê-lo. Simplesmente caminhou até o seu armário e abriu a gaveta, procurando por uma cueca para usar.

Retirando a toalha de sua cintura e estando de frente para o namorado, ele não se importou de usá-la em sua frente.

— Por favor... — implorou o loirinho.

— Não é como se eu fosse bem vindo. — repetiu o que horas antes havia dito. — Ainda mais no aniversário de quem entrou aqui pra me bater. Mas eles são seus amigos, não ficará legal se você não for. Eu ficarei aqui te esperando caso ache a festa chata.

— Eu sei que hoje mais cedo conversamos sobre isso, sei das suas razões para não ir e para não se sentir bem em um lugar repleto de pessoas que o odeia, mas eles já sabem que você não é mais o...

— Eu não mudei. — interrompeu. — Não me arrependo de nada do que fiz.

— Josh! — falou transtornado.

Joshua percebeu os olhos entristecidos do namorado, contudo de nada pôde fazer por ele naquela situação.

Assim tomou a toalha em mãos, vestiu uma bermuda de tecido fino e abriu a porta do quarto para colocar sua toalha pra secar. Quando voltou, Edgar já estava deitado na cama com a mochila sobre sua barriga.

— Odeio aniversários, Edgar. Seja ele de quem for. O último do qual participei acabou resultando no acidente do meu irmão. Além disso... — teve flashbacks do passado. — Esquece.

O loirinho ficou observando por um longo tempo. Sentia que havia algo nele que nunca foi revelado, algo preso em seu interior incapaz de ser liberto.

— Estarei pronto pra ouvir quando quiser falar sobre. — Edgar disse, olhando-o.

Joshua não era burro. Aliás, Edgar era muito inteligente pra perceber que havia algo de errado, uma das características que Joshua mais gostava nele, ainda mais quando ele respeitava o silêncio alheio.

— Teve notícias do seu irmão?

— Que ele apodreça no manicômio. — foi seco ao falar. — Teve a sorte de não ser infectado.

Edgar não compreendia a frieza do namorado ao tratar o irmão daquela forma. Mas os problemas mentais de Noah tinham se tornado piores do que antes, a ponto de querer tirar a vida de alguém. Por isso agora pagará preso em um hospital psiquiátrico e sabe-se lá quando sairá

Percebendo que aquele não era um bom assunto, Edgar desviou:

— Eu não queria voltar pra lá sem você. Antes de decidir voltar pra cá e tentar te convencer a ir, resolvi falar para todos o quão bom você é pra mim. Só Sebastian realmente nunca vai perdoar o que você fez.

— Sebastian está aí? — perguntou surpreso.

— Ele e todos os outros que voltaram para comemorar o aniversário do William.

— Não gosto dele. — falou

— Sei disso.

Joshua sentou-se na cama e pôs as pernas sobre ela. Ficou observando Edgar em silêncio desejando ler seus pensamentos, embora não fosse tão difícil decifrar o que se passava na mente do loirinho.

— Me desculpa se eu estiver errado, mas eu sempre fiz tudo o que você pediu durante esse pouco tempo em que estamos nos conhecendo. Só que quando te peço para ir para uma festa comigo, ainda que seja na Quadra, lugar onde você já morou e conhece, você simplesmente me diz não e quer que fique por isso.

E Edgar se levantou. Sem olhar para Joshua ele pôs sua mochila sobre a cama e a abriu, retirando de lá as roupas que usaria. Não ficaria naquele quarto, olhando para as paredes, mesmo com alguém que goste bastante.

— Posso usar seu banheiro? — Perguntou, Joshua assentiu.

Edgar foi ao banheiro e demorou em seu banho. Talvez porque estivesse pensando demais em Joshua, e em como seria ir a uma festa sem o namorado, aliás, a primeira festa. Não, não estava completamente chateado por não o ter ao seu lado, pois compreendia bem o fato de ele não querer ir. No entanto, o loirinho tinha uma visão diferente sobre todas as coisas. Quer fazer das desavenças algo que ficou no passado.

De banho tomado, Edgar saiu do banheiro apenas vestindo uma calça cor de mostarda. Quando voltou para o quarto, encontrou Joshua ainda sentado na cama. Em silêncio o loirinho calçou os sapatos marrons e vestiu sua camisa branca de manga curta com botões.

Preocupado apenas em arrumar seu cabelo, resolveu se sentar na cama e usar seu espelho de mão. Joshua era obrigado a assistir tudo aquilo em seu mais profundo orgulho.

Edgar finalizou ao arrumar o anel que ganhou do namorado e também ao ajustar o relógio em seu braço, feito isso ficou de pé e se olhou dos pés ao tórax.

— Estou bem? — perguntou.

Joshua o avaliou.

— Está fingindo. — respondeu.

— Não posso negar. — disse comprimindo os lábios logo em seguida. — Eu realmente queria que você fosse.

— Acha mesmo que serei bem-vindo, ainda mais com Sebastian lá?

— A Quadra é enorme. Não precisa se juntar a eles, eu estaria com você. Mas eu não quero insistir. Não serei o tipo de namorado que vá insistir em todas as coisas, Josh. — não que estivesse fazendo um alerta, mas deixou claro que seu jeito delicado não significa que era submisso.

Joshua o olhou, Edgar retribuiu o olhar.

— O sexo foi insistência minha, eu sei. — relembrou.

— Eu queria aquilo, na verdade, nós dois queríamos. O problema estava em te assustar. — Explicou olhando-o nos olhos.

— Tudo em você me assusta. — falou ao se ajoelhar na cama e aproximar-se dele, engatinhando. — Mas é isso que me torna apaixonado por você. Superar meus medos. —O beijou devagar, de modo com que seus lábios ficassem vermelhos imediatamente ao final do beijo.

Edgar voltou a ficar de pé e arrumou sua camisa mais uma vez.

— Te vejo amanhã? — perguntou. O ruivo assentiu.

Edgar deu as costas e tocou a maçaneta da porta, girando-a. O loirinho desejou ouvir seu namorado chamando-o, entretanto isso não aconteceu.

Ele seguiu sozinho para a festa.

[...]

William terminava de ajustar os braços em seu suéter vermelho enquanto se olhava no espelho. Trajando uma calça preta e sapatos da mesma cor, o loiro se contentou com o básico. Apesar de toda a gritaria gerada para saber quem usaria os dois banheiros da casa (por sorte havia mais nos águias), o aniversariante do dia estava feliz com todos em sua república.

— Tenho tanta sorte. — Octavio, atrás dele falou enquanto sorria de maneira apaixonada.

O moreno usava uma camisa azul clara de botão, bermuda lisa na cor salmão e sapatos brancos. Seus cabelos penteados o deixava tão elegante, principalmente com o detalhe do relógio prateado.

— Sorte de...? — William virou-se para ele perguntando.

— De tê-lo. Um namorado extremamente bonito.

Não se deixando vencer pelo elogio, apesar de pouco constrangido, William sorriu. Aproximou-se do namorado e tocou-lhe a cintura, olhando no mais fundo dos seus olhos.

— E se eu te falar que tenho a mesma sorte? — indagou já sorrindo.

— Então somos sortudos e idiotas por estarmos conversando sobre isso. — brincou com o momento.

William beijou-lhe a testa e se afastou, voltando a se olhar no espelho.

— Tá uma gritaria lá fora. — falou o loiro.

— Isso porque você não vai querer ver o que tem lá fora.

— O que? — Novamente se virou, dessa vez assustado.

— Está mais cheio que a última festa do Sebastian.... Mandei com que trancassem a porta. Você sabe... os engraçadinhos. Vai ter bêbado jogado em tudo que é lugar da Quadra.

O loiro voltou novamente a se olhar no espelho, terminando de arrumar os fios loiros pela milésima vez.

— Vou me divertir ao máximo. — foi só o que disse.

Octavio ficou olhando-o por um momento até tocar em seu próprio bolso. Não estava em uma caixa como deveria estar, pois achou que seu namorado desconfiaria do volume. O que tinha em mente era de fazer o pedido quando todos estivessem presentes na festa, mas a ansiedade e, inacreditavelmente, a insegurança o impulsionou a fazê-lo agora.

— Ok, vamos lá. — Virou-se o moreno já pronto. Ele caminhou sozinho até a porta do quarto quando notou o silêncio de Willian.

O Loiro ainda estava de pé no centro do quarto. Uma de suas mãos estava fechada e ele olhava o tapete no qual pisava.

— Octavio? — William o chamou. — Aconteceu alguma coisa?

Octavio levantou os olhos para encontrá-lo, aproximando-se do mesmo. William estava curioso e preocupado, mas não acreditava que ele estivesse triste, pelo contrário, parecia querer sorrir.

Foi quando Octavio aproximou sua mão ao rosto de William, então abrindo e revelando o que havia escondido nela. O loiro se deparou com dois metais negros, continha uma linha dourada que traçava toda a estrutura circular da aliança. A combinação de preto e dourado era realmente magnífica. Octavio fugiu dos padrões do dourado.

William demorou cinco segundos para raciocinar a ponto de voltar a olhar para o namorado sem entender o que se passava ali. Porém, quando a ficha caiu ele não soube o que falar.

— Lembra quando no começo da nossa juventude fazíamos planos? Aqueles planos idiotas de que iríamos fugir para outro país? Ou quando encontramos um gato na rua e falamos que ele era nosso filho, mas ele desapareceu... Enfim, você lembra? — o loiro confirmou. — Foram tantos planos, até as coisas se firmarem. Literalmente vivemos juntos numa casa, cuidamos de marmanjos e, bem, agimos como casados. Você mesmo me falou que somos espelho para essa geração.

— Octavio... — murmurou sem acreditar no que ouvia.

— Acho que já está na hora de colocarmos esse plano em prática, Will. — o apelido que ele raramente chamava. — Em breve não mais estaremos aqui e eu sei. Tenho toda a convicção do mundo, toda a certeza, de que meu lugar é ao seu lado.

Foi quando William o tomou para um abraço, tocando-lhe a nunca e sussurrando vários “Eu te amo” de modo com que perdesse o fôlego pela falta de pausas. Octavio não parava de sorrir um minuto, retribuindo o abraço e respondendo as palavras do namorado.

Tocando-lhe agora o rosto, o loiro beijou os lábios que tanto amava, abriu seus olhos e fundiu seus rostos, encostando os narizes.

— Eu te amo, Octavio. Eu te amo, meu amor. — Sentiu os olhos marejados.

Octavio não precisou dizer o mesmo, a resposta vinha de seu olhar. Embora fosse Octavio a estar fazendo o pedido, foi William que tomou as duas alianças para si, encaixando-a devagar no dedo do namorado. Em seguida, dando-lhe a outra para que ele fizesse o mesmo.

O beijo foi o selamento.

A ação parecia ter durado uma eternidade por tão demorado e carregado de amor que foi aquele beijo. O loiro ainda olhava suas mãos e a aliança em seu dedo. Era difícil de acreditar que aquilo estava acontecendo. Certo que aquilo já estava em seus planos, entretanto achou que seria ele a fazer o pedido. Todavia, não importando quem fizesse primeiro, estava decretado de que eles viveriam a vida como dois homens casados, felizes e com uma família.

Pode ser que futuramente isso possa não dar certo, mas os que acompanharam toda a trajetória desses dois consideram tal fato inviável. William e Octavio foram feitos um para o outro. A fase de descobertas já passou, cada um conhece as qualidades, defeitos e manias. Eles se suportam, e até o final de suas vidas fariam juntos as descobertas de um relacionamento. Foram anos de separação, anos de mágoas, mas anos onde o amor permaneceu em seus corações.

Juntos teriam uma família.

— Caraca! É sério? — Perguntou o loiro com os olhos marejados olhando para a mão.

Octavio o beijou mais uma vez, sorrindo ainda com os lábios encostados. Faltavam-lhes palavras para a reação de seu namorado, que estava extremamente feliz.

— Vem, vamos lá fora. — Octavio segurou em sua mão, só que William a soltou.

Olhando para ele sem compreender, Octavio se perguntou o que havia acontecido.

— Se eu pudesse eu ficaria com você aqui dentro pelo resto do dia. Eu quero te falar tanta coisa, mas não consigo por pra fora. Eu estou sem palavras, Octavio. Estou emocionado, quase tendo um ataque de euforia.

Sorrindo, Octavio falou:

— Temos todo o tempo do mundo para comemorarmos a sós, mas agora é o seu dia. Todo mundo já está por aí dançando, bebendo e conversando, enquanto nós dois ainda estamos aqui.

— Eu te amo tanto! — exclamou, tomando o namorado para mais um beijo.

Foi quando de repente ouviu-se um som alto que fez as paredes vibrarem. O DJ havia começado a dar seu show com uma música eletrônica. Aqueles que estavam na festa gritaram. O que gerou um barulho ensurdecedor.

William rapidamente abriu a porta e se deparou com um quadro fixado na parede logo a sua frente, colocado especificamente para esse momento.

O quadro era belo e os traços conhecidos. Leonard fez uma pintura de William. O líder dos leões teve o seu rosto e parte do ombro pintado naquela tela. Ele estava de perfil, os olhos frios e os lábios unidos. Não eram traços realísticos, mas abstratos, coloridos, tornando aquele quadro ainda mais belo. Estava registrado que William era definitivamente o rei dos leões.

— Por essa eu não esperava. — Octavio falou surpreso enquanto repousava seu queixo no ombro do namorado.

— Leo! — gritou.

— Acha mesmo que alguém vai te escutar com esse som alto?

Foi quando William olhou através das janelas da sala a quantidade de pessoas ali fora. Ele julgava ser apenas membros da Quadra, mas não contou com a ajuda dos seus amigos que saíram divulgando e convidando amigos de sala de aula. Tinha tanta gente conhecida e desconhecida, até mesmo pessoas que não estudavam em Seattle.

Danion conseguiu fazer uma festa mais histórica que a do Sebastian.

[...]

Joshua vagava em seu bloco. Ninguém falava com ele, talvez porque percebessem que ele não estava em seu melhor momento. A falta que seu namorado fazia era imensa, embora soubesse que ele não estava tão distante, apenas se divertindo com os amigos.

Não era ciúmes, era apenas o peso da culpa que sentia por deixá-lo ir sozinho, mesmo quando este pediu para que fossem juntos. Principalmente quando esse deixou claro que não seria o tipo de pessoa a ficar insistindo sobre tudo. Edgar apenas mostrou um lado mais seguro de si quando se tratava de relacionamento, isso o surpreendeu, de fato.

Falaria a qualquer um que o preferia ali no bloco com ele. Deveria ficar irritado, com raiva e descontar em algo ou alguém, afinal, estava sozinho enquanto seu namorado se divertia. No entanto, nenhuma reação conseguia ter sobre isso. Odiava aniversários, principalmente os seus, e quando aceitou fazer um a pedido de Noah, o acidente provocado por Danion aconteceu. Isso traz lembranças tristes do passado

Joshua olhou o seu celular algumas vezes pensando em discar o número de Edgar e falar com ele. Mas o orgulho humano também habitava em si.

Se era obsessão, não sabia, porém não aguentou mais ficar ali. O ruivo caçou por sua jaqueta de couro preta e a vestiu. Saiu às pressas do Ninho, não falando ou olhando para ninguém. No caminho fitou mais uma vez seu celular, mas optou por guardá-lo no bolso e assim seguir.

Joshua ouviu o som distante na Quadra. Sabia que era referente a festa, mais especificamente o aniversário de William. Logo quando chegou na entrada não imaginou que iria encontrar aquela quantidade de gente, em sua maioria conversando e bebendo.

A medida que atravessou a avenida, passou pela lanchonete, ia encontrando companheiros de sala de aula, alguns moradores do Ninho e até quem um dia já bateu. Era realmente muita gente. Pensava na dificuldade que teria para encontrar Edgar em meio a multidão.

A música era agradável, pelo menos para a maioria. O ruivo não gostava de toda aquela agitação, era o típico cara caseiro que preferia beber em um barzinho ou sair pra um lugar menos movimentado, um restaurante, talvez.

Imaginou que seu namorado estivesse próximo de sua república, algo previsível. Só que o número de pessoas naquela área era ainda maior, havia dificuldade de caminhar por ali, pois muitos agora dançavam ao som da batida. Outros tomavam banho de bebida e já era possível encontrar os alterados pelo álcool.

O ruivo procurou por mais de dez minutos e foi até o final da Quadra na esperança de encontrar seu namorado. Estava começando a se irritar, detestava isso. Começou logo a se arrepender de ter ido até ali, contudo isso se misturava a preocupação que sentia: e se Edgar não estivesse por ali?

Foi nessa hora que puxou novamente o celular do bolso e discou sem demora o número do loirinho. Tinha dificuldade até de ouvir o som da chamada, mas sabia que Edgar havia atendido pois ouviu sua voz quase desaparecendo.

Distraído, Joshua acabou tropeçando na perna de alguém que consequentemente foi de encontro a outro corpo que derrubou todo o copo de bebida no chão.

Quando levou seus olhos para ver quem era, tomou um susto e um ódio súbito tomou-lhe conta. Sentimento recíproco da parte de Sebastian.

Sebastian sentiu o coração bater acelerado, querendo avançar e socar Joshua sem fazer indagações. Assim como fez William ao entrar no Ninho e bater no ruivo. Porém, tinha que se controlar, não podia perder a razão, pois Joshua ainda não havia feito nenhum movimento, apenas se encaravam.

Era nostálgico.

— Sebastian, vamos. — Lydia, próxima do namorado, o chamou.

Ela reconhecia que aquele não era o momento para confusão, no entanto compreendia e respeitava a aversão que Sebastian tinha para com Joshua.

O ruivo demorou a dar atenção a sua namorada e não parava de encarar Joshua, de modo que até fechou os punhos, forçando-se para controlar a raiva. Saber que ele estava com Edgar já incomodava, porque a este havia confiado a amizade do seu irmão, mesmo não tendo o direito de escolher. Mas nada apagaria da sua memória o dia em que viu Caine destruído após o espancamento de Danion.

— Não é mais tempo de descontar a raiva nele. Já passou. — Lydia mais uma vez havia dito.

Joshua também não baixou a guarda. Evitava olhar para os lados ou dar as costas, temendo receber um ataque surpresa.

Sebastian e William haviam feito um acordo. O loiro pediu por todo que Joshua não tomasse uma atitude drástica, com medo de piorar ainda mais toda a situação, pois Joshua poderia fazer qualquer outro de vítima dos seus ataques. Eles deveriam manter a calma.

— Meu irmão pode ter esquecido, mas eu não. Espero não ter que voltar aqui pra ter que quebrar sua cara. — Sebastian falou, encarando-o de forma com que seus olhos demonstrassem todo o ódio.

Joshua nada disse, apenas assistiu ele se afastar junto da namorada. Mas sentiu um alívio por não brigar naquele momento, mesmo não mostrando sentir medo. Quando seus rivais se tratavam de William ou Sebastian, era sempre bom ter cuidado, ainda mais do loiro.

Sebastian era maior e mais musculoso que Joshua. O líder do Ninho só não havia percebido que o tempo o estava moldando de forma que ele não rebateu a provocação de Sebastian, apenas ficou em silêncio.

Quando no passado Noah usou de uma mentira sobre Sebastian e ainda fez de Sean o pivô para a confusão que quase rendeu a expulsão de todos eles, Joshua confiava na presença dos seus companheiros. Entretanto agora estava sozinho, sem ninguém ao seu favor. Ainda que enfrentando Sebastian, ele perderia caso os amigos do ex-líder dos águias resolvesse interferir. E isso não era difícil de prever, ninguém estaria ao seu lado.

Joshua esqueceu do seu celular e da ligação, quando olhou para o aparelho, ela havia sido finalizada. Tentando discar novamente, o ruivo virou-se para caminhar em direção a saída da Quadra, mas nesse momento encontrou Edgar há poucos metros dele, parado, segurando um copo de bebida, encarando-o.

Foi quando não só encontrou Edgar, mas sim Caleb, Luke, Samuel e Gale. Todos eles dançando e bebendo, exceto seu namorado que permanecia estático.

— Achei que você não apareceria por aqui, Edgar disse que você não estava com vontade. — Caleb, com um copo de bebida na mão, falou ao se aproximar dele.

Joshua fez careta ao sentir o cheiro do álcool ir de encontro ao seu nariz. Caleb estava começando a ficar bêbado, talvez já estivesse.

— Primo! Vamos dançar! — Luke disse, tomando-lhe pelo braço. O moreno também estava alterado.

Joshua balançou a cabeça negativamente e voltou a olhar para Edgar. Caleb seguiu aqueles olhos e percebeu do que se tratava, sendo assim puxou Luke para longe e se juntou aos seus amigos.

Edgar então caminhou para longe de todos, indo para um lugar mais reservado, no gramado de uma república menor, atrás de alguns arbustos. Joshua logicamente o seguiu, evitando perde-lo de vista.

— Estou feliz em tê-lo aqui. — Edgar disse ao se virar pra ele.

Parado a menos de meio metro de sua frente, Joshua o prosseguiu com o diálogo:

— Não sabia se você estava bem, acho que errei em te deixar ficar aqui sozinho. — uma sinceridade que não existia quando estava com Megan.

— Confesso que não é tão divertido ficar em um lugar sem o namorado. Apesar de todos eles serem meus amigos. Eu até estava rindo das danças loucas do Luke, mas é bem melhor com você por perto.

Edgar o olhou enquanto tomou da bebida em um gesto lento. Joshua o assistiu fazer aquilo, não sabendo se aprovava ou reprovava o fato dele beber, principalmente por já saber como ele ficava quando bêbado.

— Tome, eu pego outra pra mim depois. — Edgar estendeu o copo para ele. Joshua aceitou e também provou da bebida. Era vodca misturada a algo que ele não reconhecia.

— Não está com raiva de mim?

— Só por que me deixou ir a uma festa sozinho? É claro que não. Não sou o tipo paranoico. Devo ter ficado um pouquinho chateado, mas só um pouquinho mesmo. — sorriu.

— Antes de te conhecer, eu achava que você era tipo...

— O Colin? — alegremente ele disse, relembrando dos momentos do amigo. — Ele fica com raiva de tudo. Não, eu não estou falando mal dele, só usando-o como exemplo. — explicou, apesar de não haver necessidade.

— Eu ia dizer Megan. — disse o ruivo bebendo um pouco mais da bebida.

— Credo, Josh! — falou transtornado. — Você me falou que ela já te traiu, não sou assim.

— Não é disso que falo, loirinho. Mas quando eu dizia que não estava com vontade de ir pra algum lugar, ela ficava com raiva. Ou quando eu queria sair e ela não, acontecia sempre uma confusão.

— Ah, sim, se é assim tudo bem. — tentou puxar um assunto, visto que iria encerrar o atual. — A Megan dançava bem, quer dizer, muito bem... — ele falou ao olhar as pessoas dançando. — Eu não danço nada.

— Não tem problema. Eu posso ficar aqui com você sem que precise dançar. Só não quero que fique tão bêbado como da última vez. Lembro-me de que você odeia o gosto do álcool, e vejamos...

— Ainda considero ruim, mas essa mistura é saborosa. Tenho quase certeza de que tem limão aí. É azedinho, não é? — perguntou ao desejar o copo, mas se conteve.

— Prefiro vodca pura. — revelou.

— Eca! — fez careta.

Edgar olhou para Luke dançando ao som da nova música, dessa vez Caleb o acompanhava em passos iguais, como se soubessem a coreografia. Samuel só mexia os pés enquanto Gale tentava imitá-los.

— Tá todo mundo espalhado na festa, eu não consegui encontrar o Colin e nem o Caine. — mordeu o lábio e mais uma vez olhou ao redor.

— É melhor que estejamos com meu primo. Não sou bem-vindo no meio dos outros.

— Eu sei. Já conversamos sobre isso. — seus olhos denunciavam que ele queria beijá-lo, mas não estava tendo a certeza de que poderia fazer isso ali.

Joshua correspondeu ao olhar e naquele clima de sede por beijos permaneceram por um minuto ou mais.

Edgar não sabia se Joshua aceitava carícias em público, por isso temia tocá-lo de forma carinhosa. Eles nunca conversaram sobre isso. Edgar não tinha problema em revelar sua sexualidade, não mais como no início, já Joshua só tinha os rumores de que era homossexual e de que estava com Edgar, uns, é lógico, sabiam que isso era verdade, mas o seu passado com Megan deixava muitos confusos, especialmente pela notícia feita por Harry no jornal da Quadra.

Derrubando o copo de bebida no chão, Joshua olhou ao redor e puxou Edgar para o beco escuro entre as duas repúblicas menores. Ele certamente ficou louco por estar tendo um diálogo como dois estranhos e precisa provar daqueles lábios mais uma vez.

Ali mesmo ele lançou o corpo de Edgar contra a cerca que dividia as casas e tocou a nuca do loirinho, não dando tempo para Edgar perceber o que estava acontecendo. Foi quando sentiu a língua do ruivo invadir sua boca e só então sentir a pressão das mãos do outro sobre si. Edgar correspondeu ao beijo e somente aceitou a sua submissão naquele momento, pois o controle e força do ruivo era bem superior ao seu.

O ruivo parou o beijo e apoiou seus dois braços na cerca, fazendo Edgar ficar entre eles. Não tinha luz o suficiente para iluminar ambos os rostos, mas eles conseguiam se guiar pela pouca iluminação e a proximidade.

De onde estavam eles podiam ver todos os que passavam e dançavam por ali. Mas ninguém conseguia vê-los, melhor, ninguém que se esforçasse para enxergá-los.

— Se eu demorasse mais um pouco te olhando, certamente ficaria louco. — revelou o ruivo ao passar a língua em seus próprios lábios.

Já Edgar passava o polegar em seu lábio inferior, sentindo-o queimar pelo beijo quente que deram segundos antes.

— Josh... — o loirinho falou ao perceber que seu namorado estava distraído olhando fora do beco. Joshua imediatamente o encarou, curioso. — Você é feliz?

Nem mesmo ele conseguiu compreender o por que da indagação, a ponto de deixar o ruivo com um olhar desconfiado. Mas tal dúvida já vinha lhe incomodando há alguns dias e na oportunidade que agora tinha, não a deixaria de fazer.

— Estou com você. — respondeu com insegurança.

— Nem sempre isso basta.

— Por que me faz essa pergunta?

— Eu sinto uma carga emocional enorme em você. Não sei te explicar, apenas sinto. Algo que você vem carregando e não deixa que ninguém carregue contigo. Coisa essa que somente você é capaz de suportar. — explicou olhando-o nos olhos. — Só saiba que eu estou aqui pra quando precisar.

Joshua parou, pensou, mas não demonstrou recaída quanto ao seu passado. Ainda que em sua memória estivesse assistindo a um filme de suas tristezas, nada disso o fez ter coragem de revelar.

— Vamos voltar? — Edgar disse tentando se desfazer do corpo do maior, usando a indagação como forma de deixá-lo tranquilo após o que tinha dito.

— Você é minha felicidade em forma física. — disse dando-lhe passagem.

— Eu acredito em você. — Edgar o olhou, tocando o abdômen carinhosamente. — Mas também quero ser a chave que desencadeia suas mágoas. Mas não vamos falar disso, até porque não é a hora.

Joshua balançou a cabeça positivamente. Edgar segurou em seu braço enquanto caminhava em sua frente e sem perceber, as palavras fluíram.

— Eu te amo. — disse o loirinho.

Percebendo, Edgar imediatamente parou e olhou para trás. Joshua ficou estático, confuso.

— É cedo demais para dizer isso, eu sei. Vem, vamos! — Edgar logo acelerou os passos, constrangido.

Joshua simplesmente se deixou guiar. Desacreditado e até desacordado, extasiado e apaixonado, talvez era isso... Apaixonado. Este que tem um irmão internado, taxado de louco e um passado de dor, sentia-se amado. Mas um amor sincero, diferente de todos os outros que já teve, um amor puro, real. O amor de Edgar certamente era luz. Tão forte que dissipava a escuridão em Joshua.

Diferentes dos pés a cabeça, mas um era a alma do outro. A esperança sobre quem não mais tinha fé no mundo. O amor onde só tinha ódio. A paz na guerra. Edgar ensinando ao ruivo a beleza que a vida tem.

[...]

Colin não tinha as chaves da república, mas a encontrou aberta. Em passos pesados ele subiu a escadas até parar em frente a porta do quarto do namorado. Para a sua surpresa, a encontrou fechada. Como era de se esperar, ele bateu e aguardou.

Não obtendo resposta, foi mais agressivo nas batidas e nesse momento a porta foi destravada. Quando a abriu, presenciou o exato momento em que Sean voltava a deitar de bruços na cama, trajando apenas uma cueca branca que delineava suas nádegas.

— Por que trancou a porta? — Colin perguntou.

— Porque você é previsível. — respondeu com preguiça.

— Com esse som alto e gritaria, você realmente vai ficar aí nessa cama? Achei que já estivesse pronto.

— Que se exploda você, seus amigos e essa festa.

— Caralho, hein. Já pensou em procurar ajuda? Acho que você é bipolar. Mais cedo estava ali na frente tirando uma foto com todos e agora tá aqui xingando-os e não querendo ir a uma festa comigo. Já viu isso aqui? — Colin foi até a janela. — Tá cheio de gente!

— E daí? Me diz o que vou fazer nessa festa? Olhar pra cara de vários babacas?

— Está bem, então fique aí nesse quarto enquanto eu danço com o Luke. — Colin falou afastando-se da janela.

Nesse momento Sean interpretou a garota do exorcista ao virar seu pescoço e olhar pra Colin.

Depois ele se sentou na cama e levou a mão no saco, apertando para Colin.

— Aqui pra você, seu anão filho da puta! — realmente ficou irritado com o que tinha ouvido. — Não começa com isso, sério. Se não quer me ver puto, não brinca com isso. Já é a segunda vez só hoje.

— Qual o problema? Em me ver dançar ou em me ver dançar com o Luke? Ele é um bom dançarino. — provocou ainda mais.

Invertendo os papeis do que houve pela manhã. Sean arremessou o travesseiro em Colin, o pequeno desviou sorridente.

— Então para de palhaçada e se levanta daí. É sério, eu quero você comigo lá embaixo. Não precisa ficar durante a festa toda, só me fazer companhia.

O moreno se levantou da cama com os punhos fechados e olhando para Colin, que usava uma bermuda de sarja em tom verde musgo e uma camisa polo azul marinho, além dos tênis cavalera cinza.

— O que foi? Vai me matar? — Colin cruzou os braços, sorrindo ainda mais provocativo.

— Um dia. Não vai demorar.

Por fim Sean buscou por uma toalha e entrou no banheiro. Colin, vitorioso, sentou-se na cama sorridente, batendo os pés de acordo com o ritmo alto do DJ lá fora. Depois começou a xeretar nas coisas próximas a cama, a medida que encontrou uma papelada e perdeu minutos lendo tudo, sorrindo ainda mais.

Sean não demorou a tomar banho, quando notou que ele havia terminado o banho, pôs os papeis no lugar. Sean saiu pelado com a toalha enxugando os cabelos. Colin, desconcertado, apesar de acostumado, engoliu em seco e fingiu não olhá-lo.

— Não adianta, Colin, já flagrei você me olhando. — Disse sem preocupação, buscando uma cueca nova.

— Prefiro que não depile. — Admitiu.

— Eu não depilei, só aparei.

— Eu sei, prefiro assim. Porra! Estamos mesmo falando disso? Que assunto ridículo.

— Acha mesmo que namorados não conversam sobre esse tipo de coisa? — Vestiu a cueca, novamente voltando a enxugar os cabelos.

Colin foi mais uma vez até a janela, dessa vez fechando as cortinas. Sean já procurava algo pra vestir enquanto o pequeno assistia tudo, sempre o paquerando quando ele não percebia. Às vezes era difícil acreditar que todo aquele corpo a ele pertencia.

— Te espero lá embaixo. — falou o pequeno.

— Não. Você agora vai me esperar aqui em cima. — ordenou. — E pronto!

— Então vai logo. — bufou.

Sean já usava uma bermuda marrom e os mesmo sapatos que Colin usava, só que pretos. Decidindo ainda o que usar como camisa, acabou escolhendo uma camisa preta de botões. Optou por não arrumar os cabelos úmidos. Caçou seu relógio e se considerou pronto. Ele pouco estava se importando pra aparência, de verdade.

Colin quem abriu a porta do quarto e assim os dois, juntos, desceram as escadas e saíram da república.

— Esqueci de algo. — disse o moreno, voltando para o quarto.

Colin ficou onde estava, revirando os olhos. Por sorte seu namorado não demorou.

Tudo o que restava era procurar em meio à multidão os companheiros.

[...]

Era, definitivamente, a maior festa já ocorrida na Quadra. O número de pessoas ali era surpreendente. Quem rejeitaria uma comemoração com música e bebida grátis? Onde universitários aproveitariam do final de semana para se divertir. Aliás, os finais de período sempre são cansativos, em especial pelo número de provas. O aniversário de William aconteceu em um bom momento.

Estavam todos dissipados pela festa. Connor conversava com seus ex-colegas de curso próximo da entrada da Quadra. Ian preferiu por deixá-lo sozinho, sabendo que se sentiria deslocado e achou melhor ficar com Leonard, Danion, Caine e Santiago. Todos eles no meio da Quadra. William não tinha tempo para os amigos, sempre que tentava alguém o roubava para conversar e parabenizar, incluindo colegas de estágio e membros da Quadra. Sebastian, Rick e Lydia também resolveram aproveitar do momento para conversarem com colegas.

Edgar e Joshua saíram cedo da festa, como era previsto. Luke já estava alterado pela bebida e dançava sem parar, cada música uma coreografia diferente, sempre com passos sexys que deixavam a mulherada louca. Samuel interagia com Gale e Caleb, na verdade ele sempre buscava motivos para criticar o moreno dançarino. Clara caçava na festa.

William ainda não tinha contado a ninguém que Octavio o pediu em casamento, queria que todos notassem a aliança em seu dedo e deixaria assim até que isso acontecesse.

Sean e Colin estavam sozinhos. O pequeno já estava com um copo de bebida na mão, mas Sean já havia advertido de que aquele seria o primeiro e último copo. Não queria vê-lo bêbado, pois Colin era uma péssima pessoa quando não sóbria.

— Tá vendo alguém daí? — Colin perguntou para Sean.

— Vejo o William sozinho. Mas não sei se devo dizer onde ele está.

— Sean!

— O que? Não tenho culpa se você é um anão. Certamente ninguém vai te achar aqui. — olhou para o namorado. Dessa vez provocando-o.

Sean não perdeu tempo ouvindo os xingamentos do pequeno. Passou a caminhar sozinho esperando que Colin o seguisse. Não falou com William, parou não tão próximo dele, mas deu a oportunidade de Colin enxergá-lo.

— Will! — Colin chamou o amigo.

O loiro agradeceu pela presença de Colin, não sabendo como fugir dali. Já estava cansado de conversar e querendo dedicar tempo aos colegas. Tão descarado, William até cortou o assunto e foi até o pequeno, abraçá-lo forte.

— Pelo amor de Deus, me tira daqui. — William disse em seu ouvido.

— Eu não sei onde todos estão. — Colin falou.

— Então vamos sair juntando todos e voltar para a república. Tem muita gente aqui, está impossível de caminhar. — sugeriu.

Balançando a cabeça, Colin desfez o abraço.

— Eu procuro pra lá. — Colin apontou pro lado direito.

— Certo, eu procuro pra cá. — disse o loiro.

— Te encontro na república. — Colin falou, tomando Sean pelo braço.

O loiro e o moreno só trocaram olhares rápidos, nada mais que isso. Nenhum cumprimento ou sorriso.

Separados, William logo avistou Clara sozinha. Ele conduziu a garota a procurar os colegas. Esperta, Clara já tinha visto Danion dançando com Caine e conseguiu chegar até lá, consequentemente dando o recado de William para Santiago, Leonard e Ian. O líder dos leões acabou encontrando Sebastian, Rickson e Lydia no caminho. Ian foi procurar pelo seu namorado.

Colin encontrou Gale e Samuel que haviam acabado de perder Luke de vista. Próximo de um dos núcleos que oferecia bebida, Caleb foi visto por Samuel. Todos eles só encontraram Luke porque ouviram gritos de alguns universitários e lá estava o moreno se exibindo para todos, dançando sem camisa. Samuel foi obrigado a retirá-lo de lá.

Finalmente todos se encontraram na república de leões, mas quem achou que a animação pararia com aquilo, se enganou.

Leonard e Danion dançaram imediatamente ao som da nova música. Caine se viu obrigado a afastar o sofá e precisou da ajuda de seus colegas. Os melhores amigos que dançavam juntos tinham passos decorados e apenas matavam a saudades das baladas que iam juntos ainda quando tinham uma amizade colorida.

Luke que já estava alcoolizado, caminhou até os dois que dançavam e acabou derrubando sua carteira no chão e essa imediatamente se abriu, revelando a cartela de camisinhas que tinha.

— Nossa, pra que tanta camisinha? — Caleb perguntou.

Octavio viu aquilo e começou a rir, estava sentado no sofá apenas assistindo a diversão dos colegas. William também ficou rindo de pé próximo da porta, terminando de trancá-la, pois tinha muita gente pedindo pra usar o banheiro e logicamente ele não deixaria que isso acontecesse.

— Você acha mesmo que em uma festa como essa eu não deveria andar prevenido? Tá aí o Samuel pra usarmos juntos. — respondeu na maior cara de pau. — Festa sem sexo no final não tem graça.

Foi então que mais gargalhadas surgiram na república, principalmente ao verem como Samuel havia ficado quando ouviu aquilo. Ele sempre era o alvo das tiradas de Luke e quase nunca sabia como reagir, geralmente querendo agredir o moreno.

— Foi pra isso que nos chamaram pra cá? — Samuel indagou revirando os olhos.

— Deixa de besteira, Sam. — Colin falou, sentado no outro sofá enquanto Sean estava de pé ao seu lado, em silêncio.

— Luke só está bêbado demais, daqui a pouco ele cai e dorme em algum lugar. — Caleb avisou.

Luke apenas continuava a dançar.

Sebastian não retirava os olhos de Caine que tentava acompanhar os passos de Danion. O branquelo não era o melhor dançarino, mas sabia se desenvolver bem, especialmente quando alterado pela bebida.

Porém, o destaque do momento foi para Rickson, que resolveu se desfazer da camisa e se lançar no centro da sala. No momento em que ele começou a rebolar, os gritos dos colegas foram o suficiente para demonstrar que ele estava dando um show de desenvoltura.

Em meio aos gritos e elogios para Rickson, Luke não quis perder para ele e também resolveu dançar. Acabou também recebendo brados, principalmente pelo que parecia ser um duelo entre os dois. E acreditem, eles eram realmente bons no que faziam.

Santiago já começava finalmente a mostrar os primeiros sorrisos desde que voltou para a república. Ele bebia educadamente, não querendo ficar bêbado. Sabia que Leo provavelmente ficaria e assim seria melhor se um dos dois ainda ficasse sóbrio.

Connor tinha voltado do banheiro e se jogou na dança. Era o mais engraçado, pois seus passos eram involuntários e nada sensuais, porém ele era feliz no que fazia. Ian, que não dançava, mas apenas mexia os pés enquanto estava encostado a parede, piscava para o namorado várias vezes e sorria apaixonadamente.

Já Sean achava tudo um saco, o que era de se esperar. Ele olhava através da janela daquela república a movimentação lá fora, talvez porque se sentisse deslocado. Não era amigo de ninguém ali dentro, mas desde que a bandeira branca foi levantada, ele tentava dar uma chance por Colin.

— William, isso no seu dedo é uma aliança? — Leo gritou enquanto dançava.

O leonino que estava conversando com Octavio o olhou sorridente e então levantou a mão do namorado, afirmando o que era.

— Porra, finalmente! Vou comer bolo de casamento! — Danion gritou e isso entrou em conjunto com os gritos dos colegas.

Abraços, assovios e piadinhas foram feitas para os dois noivos. Octavio acabou ficando constrangido, mas William fazia questão de expor sua aliança.

— Eu preciso avisar a Erica sobre isso! — Lydia já foi diretamente pra a cozinha buscar por um lugar com menos barulho.

William então sorriu para a morena, não vendo problema no que ela fazia.

— Se não me chamarem pra ajudar na comida eu juro que ficarei bastante chateado. E eu queria dizer pra vocês também que estou de namorado novo! — Rickson, suado e cansado, jogou-se no sofá.

— Que?! — Leo, Danion e William falaram ao mesmo tempo.

— O que foi? Acham mesmo que eu iria ficar solteiro?

— Não... Mas é que você saiu daqui com um namorado que ninguém conhecia. — William disse.

— Meu professor. — Rickson falou ao tomar o copo de bebida da mão de Colin.

— Você tá brincando. — Leo, surpreso perguntou. Ele até havia parado de dançar.

— O que? Eu não podia falar nada na época. Mas o cara era todo cheio de frescura e eu estou cansado de me relacionar com gente que vive no armário. Respeito e entendo, mas definitivamente não é pra mim. Então tudo acabou quando fui embora da Quadra. Inclusive, ele ainda me liga.

— Qual a sensação de foder com alguém que dar aula pra você? — Danion perguntou.

Ignorando Danion, todos esqueceram o que haviam ouvido de Rickson e continuaram a dançar.

— Ian, você viu o Edgar? — Colin perguntou para o colega.

— Eu o vi indo embora. E entendo o motivo disso. — respondeu.

Colin então olhou para Sean e depois para Ian.

— Talvez Joshua seja mais odiado que o próprio Sean. E Sebastian está aqui...

— Por isso entendo o que ele fez. Apenas respeitou o espaço do namorado e eu em seu lugar faria o mesmo. Foi exatamente assim que reagi quando Connor não era aceito no início.

Atrás dele, Gale caiu enquanto tentava dançar com a irmã, o que gerou gargalhada da parte dela. Samuel não parava de conversar com Caleb enquanto bebiam, os dois tinham tantas histórias para compartilhar que de alguma forma seria a parte mais divertida daquela festa para ambos.

— É melhor você ficar com ele, Colin. Sean não se sente bem com todos aqui. — Ian falou ao olhar para Sean sentado e de cabeça baixa.

— Você tem razão... — disse já se afastando.

Porém, quando pensou em voltar para ficar ao lado do namorado, surpreendeu-se com o que viu. Octavio estava de pé diante o Sean. Do lugar que estava, resolveu dar meia volta e se sentar ao lado de William.

— Eu sei como deve estar se sentindo. — Octavio disse para Sean.

O moreno e líder dos tigres levantou sua cabeça, surpreso. Demorou a captar a expressão gentil de Octavio e por isso não soube o que falar. Até olhou para os lados para saber se todos estavam vendo aquilo.

— Pode me seguir? — Octavio indagou. Sean deu sinal positivo com a cabeça.

Quando Octavio deu as costas, Sean ficou de pé e foi seguindo-o até que os dois se encontrassem na cozinha. Foi quando viram Lydia já finalizando a ligação. Ela olhou para ambos, e entendendo do que se tratava aquele momento, imediatamente saiu de lá sorridente.

Octavio ia abrir a boca pra falar no momento em que Lydia saiu, mas então foi pego pela maior surpresa do dia: Sean o abraçou e respirou tão fundo que Octavio sentiu o sopro em sua orelha.

— Eu estou feliz por você. — Octavio disse ainda no abraço. — E mais feliz por se permitir ser feliz. — e desfez o abraço olhando-o nos olhos.

Sean permaneceu encarando-o, embora nada dissesse. Do corredor ele assistia os amigos de Colin se divertindo.

— Não vai falar nada, Sean? — Octavio disse.

— Você me conhece. — respondeu imediatamente.

— Você é o típico garoto que fala por atitudes. Isso não deixa de ser bom. Não sei se deveríamos conversar sobre tudo o que nos aconteceu, na verdade, não vejo disso uma necessidade. Só quero fazer de hoje uma nova etapa em nossa relação.

— Parece que finalmente as coisas se acertaram para você. Vai casar... — olhou para a mão dele.

— É. — olhou pra aliança. — Talvez o que tenha acontecido a nós dois tenha servido para isso. Veja quanta coisa mudou. Eu sei, nós não somos melhores amigos. Não quero tratar desse momento como algo que se deve ser esquecido tão facilmente. Eu ainda me preocupo com você, só que agora eu decidi me calar e apenas assistir.

— Não reclamo disso. — Sean falou. — Sei que eu vivia pisando na bola contigo, sempre impondo o que eu achava correto. Mas eu não queria que você deixasse de ser meu amigo, ainda que não o melhor, porque eu sei que agora seu melhor amigo é o William.

— Assim como aconteceu com Colin e William, precisamos deixar as coisas fluírem. Enquanto nós dois... Só o tempo resolve, mas eu confesso que estou feliz de estarmos tendo essa conversa. Quando eu olho para você e lembro das coisas no passado, é difícil de acreditar em quem você é agora.

— Não suporto os leoninos. — admitiu, não perdendo a essência.

Octavio sorriu.

— Em breve eu vou embora, Sean. E em breve você ingressa em uma nova turma. Não estarei mais aqui, mas vejo que o tempo que você passou sem mim serviu pra te amadurecer um pouco. É como um bebê que começa a caminhar sem mais precisar da ajuda do pai.

— Não precisa exagerar, Octavio. — falou o moreno, bufando. — Eu sei cuidar de mim. Mas eu sei que por muito tempo eu dependi de você pra muita coisa. A diferença é que perdemos tanto tempo separados após a briga que é estranho agir como se nada tivesse acontecido.

— Mas ainda há tempo para resgatarmos esse momento. Ainda que pareça incrível, eu tenho tanta coisa pra compartilhar contigo. Eu quero tê-lo novamente como um melhor amigo, Sean, mas dessa vez com calma e respeitando o tempo.

— Amanhã eu vou sair com o Colin, quer dizer, isso se ele não beber muito hoje, por isso tenho que ficar de olho nele. Você deveria ir conosco.

Octavio pareceu se impressionar com a sugestão e convite de Sean.

— Talvez seja um ótimo começo. Nós quatro estamos ligados. — disse ao acrescentar William no convite.

— Mais ou menos isso... — falou baixinho. — Veremos se irei suportar vocês.

— De verdade, Sean, estou feliz que estejamos aqui, sem guerra. Era tudo o que eu queria ainda quando pertencia aos Tigres. Poder viver entre William e Sean em paz e tenho certeza que Colin se encontra na mesma situação que eu.

— Como vocês vivem aqui é bem diferente do que eu vivi nos tigres. É estranho pra mim e mais estranho por dividir espaço com todos vocês. Porém, sei o que fizeram pela minha república.

— No final, como Edgar uma vez falou, os membros de cada república entraram na guerra por conta dos líderes. Eles foram obrigados a participarem disso, sem ter a opção de dizer não.

— Tem razão.

— William também se esforça.... Acredite, você não é o único a se sentir estranho. Principalmente ele que mais foi atacado. Ele apenas quer que o Colin seja feliz. Deixou seu egoísmo de lado e pensa na felicidade dele.

— Mas o William tentou iniciar uma nova guerra... — lembrou-se do que Colin iria fazer pela manhã. — Não ache que me esqueci disso.

— Ah, Sean... Não vamos começar...

— Um Tigre nunca esquece das coisas. — foi o que disse. — Ainda planejo minha vingança. Aquele anão desgraçado me paga.

— Ok, ok! — Octavio levantou as duas mãos para o alto. — Que eu esteja bem longe daqui quando isso acontecer. Pelo menos, nos livramos de um problema.

— Qual problema? — Sean perguntou, curioso.

— O lance de ter um significa não ter o outro acabou. Agora podemos ter os dois. — e sorriu sem mostrar os dentes, realmente feliz por isso.

Foi quando eles ouviram gritos entoados da sala:

— Dança! Dança! Dança! Dança!

Colin foi posto de frente para William e os dois, constrangidos, eram ordenados a dançarem como todos ali presentes.

— Vai William, mostra que você sabe mexer essa bunda branca. — Danion falou.

Octavio e Sean então voltaram para a sala, separando-se, mas satisfeitos com a conversa.

— Eu não sei dançar, parem com isso. — o loiro falava ainda tentando fugir.

— Eu me nego a passar por isso.

— Qual é, Colin, você já dançou comigo. Sei que sabe dançar sim.

— Socorro, é a minha música! — Clara gritou com a nova melodia.

— Eu preciso dançar isso! — Lydia, grávida, pôs a mão na barriga e pouco se importou.

— Caine, vem cá! — Danion puxou o namorado. — É agora que eu te mostro como é ser sexy dançando.

— Caine, não! — Sebastian então puxou o irmão.

— Larga de ser babaca. Nos deixa em paz e vai aproveitar a festa com a tua namorada. Acha mesmo que Caine não transa comigo quando você não está olhando? Se não, ótimo, agora está sabendo. — preferiu irritar o ruivo.

— Seb, deixa! — a garota segurou na mão do namorado. — Deixa Caine se divertir.

Ao som de Ghost, da Halsey, lá estavam os interessados na música, dançando sem se importar com os olhares.

Colin e William ainda permaneciam parados no centro da sala, com a maioria dançando ao redor.

— Eles não vão parar até que dancemos juntos... — o loiro falou para o amigo.

— Que seja... vamos ter nossa primeira dança juntos então.

Foi quando Colin tocou nas mãos de William e girou em seu próprio eixo. O loiro sorriu e finalmente se moveu.

William sabia dançar, não em passos tão precisos como Rickson e Luke, mas tinha um jogo de cintura. Coisa que ele só gostava de expor para Octavio. Assim como Sean já expôs para Colin que era sexy ao remexer a cintura.

Colin e William dançaram de maneira quente e ardente, com o pequeno apenas encarando-o e recebendo o mesmo olhar.

Octavio olhou para Sean. Sean ardia de ciúmes, enquanto Octavio não viu problemas, não daquela vez. Queria que eles fossem felizes, no fim das contas, eram melhores amigos e sabia que William apenas se divertia, afinal, o forçaram a dançar e ele apenas expôs sua dança.

Entretanto ninguém mais dava atenção aos dois.

Leo dançava sobre as pernas de Santiago, este por sua vez estava adorando a agitação do namorado sobre si, evitando se excitar na frente de todos. Connor tentou imitá-lo ao dançar sobre Ian, mas o resultado foi hilariante.

Lydia rapidamente cansou e então sentou-se. Sebastian ficou mexendo em seu cabelo enquanto tocava a barriga dela.

Foi quando Luke provocou Samuel ao roçar na bunda dele enquanto dançava. Samuel ficou louco, gostou e por isso respirou fundo ao se virar e encontrar o sorriso dele.

Luke se afastou e voltou para os colegas.

— Ainda espero o dia em que os verei como namorados. — Caleb falou, sorridente ao beber.

— Não é o que queremos, na verdade, não é o que eu quero, Caleb. Luke jamais conseguiria ser fiel. Luke é um garoto de aventuras e eu não estou disposto a viver um relacionamento aberto. Eu o quero feliz e quero ser feliz. Tudo não passa de uma amizade colorida.

— É o que vocês dizem... — continuou sorrindo.

Samuel olhou para Luke. Depois disso acabou afastando-se de Caleb e foi até o moreno, tomando-lhe pela nunca e roubando-lhe um beijo.

Talvez os dois fossem realmente isso... Apenas colegas que se pegam em momentos de necessidade carnal. Luke era um caçador nato enquanto Samuel provavelmente não aguentaria viver disso futuramente. Mas enquanto puderem aproveitar, o fariam.

O beijo de Luke e Samuel acabou refletindo em Danion e Caine.

O branquelo segurou Caine pela cintura e depositou um beijo quente, tão semelhante aos que ocorriam na hora do sexo. Com isso toda a sala entrou em agitação, gritando novamente em conjunto.

Sebastian, como era de se esperar, estragou o momento ao se colocar entre os dois. O ruivo, enciumado, acabou advertindo o irmão considerando o beijo inapropriado para o momento, conseguindo perceber o que Danion queria com aquilo.

William e Colin finalizaram a dança gargalhando até que o pequeno tomou a bebida das mãos de Clara, mas William fez questão de refazer a ação e proibi-lo de continuar bebendo.

— Acredite, você é um saco bêbado. — confessou o loiro. — Fique de olho nele, Sean. — olhou para o moreno que estava sentado observando-os.

— Eu tenho dois pais agora? Eu só quero beber! — resmungou.

Colin voltou para o sofá onde sentou-se ao lado de Sean. Ele havia encontrado o seu copo vazio e então encarou o namorado.

— Eu não posso mesmo beber outro?

— Não.

— Porra... — bufou, cruzando os braços.

— Já tá virando alcoólatra? — perguntou em tom de provocação.

Colin somente mostrou-lhe o dedo do meio e o ignorou, passando a observar Danion se afastar de todos e abrir a porta. Sebastian parecia estar pegando no pé do Caine mais uma vez, como era de costume ainda quando ele morava na Quadra.

Leo e Santiago conversavam reservadamente e Ian e Connor faziam a mesma coisa. Rickson dançava sozinho, mas Clara logo se juntou a ele. Gale parecia rir de alguma piada que Caleb havia contado. Luke e Samuel saíram da república e qualquer um sabia o que os dois fariam depois dali.

Todos tiveram a mesma reação quando a música da festa foi interrompida. Gritos negativos entoaram pela Quadra inteira, mas a surpresa maior veio quando a voz irritante de Danion se expandiu por conta do microfone.

— Eu só queria dizer uma coisa... — iniciou o branquelo. — O Sebastian tem o pênis pequeno. É isso. Tchau.

Nos primeiros dez segundos isso foi um choque, ninguém conseguiu dizer nada, apenas olhar para Sebastian dentro daquela sala. Os que estavam lá foram também ficaram em silêncio. Porém, depois dos dez segundos, uma chuva de gargalhadas tomou conta do lugar.

— Alguém pediu pra morrer. — Santiago finalmente falou algo.

— Filho da puta! — gritou o ruivo preparado para matar.

É isso que acontece quando se irrita um branquelo. Danion era o mestre nas traquinagens.

[...]

— Dan... — Caine chamava pelo namorado, desacordado no sofá.

— Ele apagou. — Colin falou. — Danion e bebida não combinam.

— Fala isso porque nunca se viu bêbado. — Sean murmurou para o namorado que pensou em batê-lo no meio de todos.

— Já são quase quatro da manhã. — William falou. — E ainda tem gente lá fora. As bebidas já acabaram.

— Mas ainda tem som. — Rickson falou, cansado e caído no sofá.

Naquela altura do campeonato, metade dos que estavam dentro da república resolveram ir para outro local. Alguns, como Samuel e Luke já se pegavam no quarto dos águias. Outros, como Clara, Gale e Caleb estavam no final da Quadra ainda dançando. Ian e Connor também não estavam mais na sala e sim no quarto.

E a música teve fim naquele exato momento.

— Bem, agora não tem mais. — Rickson falou. — Acho que eu vou dormir por aqui mesmo. — falou acomodando-se no sofá.

— Não, Rickson, tem quarto pra você nos águias. — Sebastian disse para o amigo.

— Alguém me ajuda a levantar o Danion? — Caine pediu olhando para Sebastian, deixando claro que precisava de sua ajuda.

— O que? Acha mesmo que vou ajudar depois do que ele fez? A sorte é que ele apagou, senão eu dava uma boa surra nele. Mas amanhã ele não me escapa.

— Por favor, Seb... — suplicou.

— Amanhã você resolve isso, Sebastian. — Lydia pediu, finalmente se levantando do sofá, exausta. — Eu não aguento mais. Estou morrendo de sono. — ela já abria a porta da república.

Caine tentou puxar o branquelo pelo braço, mas seu irmão finalmente resolveu ajudá-lo. Pegando Danion como se fosse um boneco frágil a ponto de querer jogá-lo no chão pra machucá-lo.

Propositalmente saiu da república e fez com que a cabeça de Danion batesse na parede, mas ninguém havia notado.

Enquanto Lydia seguia para o quarto que Clara ofereceu para ela, Rickson ficou no quarto de Danion.

Caine pediu para que o irmão o levasse para seu antigo quarto e depois abriu a porta do banheiro. O ruivo o lançou no chão do cômodo e lavou as mãos.

— Vem, você vai dormir comigo e com a Lydia. — falou.

— Sebastian...

— Qual foi? Danion tá podre de bêbado e fede a bebida. Deixe-o aí e vá dormir então. Não precisa mais se preocupar.

— Daqui pra frente eu posso resolver. — falou, puxando as mangas de sua camisa. — Pode ir pro quarto.

— Eu nunca vou entender como você se apaixonou por isso. Esse cara é podre. Juro que amanhã ele vai ter o que merece. Enfim, boa noite. — e beijou a testa do irmão. — Eu amo você. — finalizou dizendo.

— Boa noite. — Caine disse sem olhá-lo, mas apenas fixando os olhos no corpo caído dentro do box.

Caine primeiro verificou os bolsos de Danion, não querendo repetir o drástico momento do dia em que perdeu a virgindade para ele. Aliás, a situação era nostálgica. Acabou encontrando o celular do branquelo e algumas notas de dinheiro. Depois colocou o que havia achado em cima da pia. Regulou o chuveiro para água gelada e ligou, fechando os olhos e tampando os ouvidos.

— Chuva! Chuva! Olha a chuva! — Danion gritava, desesperado.

Caine finalmente abriu os olhos e viu o namorado tentando se segurar nas paredes enquanto era molhado pela água gélida. Quando Danion percebeu o lugar que estava, mandou os mais podres insultos para o seu namorado, que não ria, mas aceitava numa boa, pois era um momento previsível demais.

— Eu nunca mais vou deixar você beber como hoje. — falou. — Você fede a bebida, Dan. — pegou shampoo, lançou sobre a cabeça do branquelo. Danion não mais se movia e somente o encarava.

Caine, inocente, se ajoelhou para tentar retirar a roupa do namorado, mas acabou sendo pego para dentro do chuveiro. Era incrível como sempre caia nisso.

Mas Danion não mais o insultava, apenas o prendia e milagrosamente sorria. Estava bêbado, é claro. Caine, encontrando aquele sorriso, começou a também sorrir quando tentava fugir os braços dele.

Não percebia, mas molhavam todo o banheiro. Era divertido. Com a porta do quarto aberta e sem mais música na Quadra, qualquer um poderia ouvir as gargalhadas de Caine.

— Será que quando o seu sobrinho nascer ele vai ser tão chato quanto o pai? — Danion perguntou. As loucuras de um bêbado. — Porra! Sebastian é um saco!

— Shhh! — Caine pediu. — Fala baixo que ele pode te ouvir.

— Sebastian é um saco! — gritou.

— Dan! — repreendeu.

— Sebastian é um saco! Pênis pequeno! — repetiu.

— Dan! — Caine tocou-lhe a boca. — Não estraga as coisas.

— Vai tomar no cu! — Sebastian gritou do outro cômodo.

Danion entreabriu os lábios e sorriu com os olhos.

— Oh, ele ouviu... — depois tocou os próprios lábios.

Caine, caído sobre as pernas do branquelo, não evitou o sorriso que surgiu. Como era possível Danion ser daquele jeito? Tão louco a ponto de sair provocando propositalmente quem é considerado o pai de Caine na Quadra.

— Eu te amo. — Danion olhou para Caine ao perceber o sorriso do namorado.

Caine continuou a sorrir. Depois acabou se levantando e desligando o chuveiro. Com a pouca força que tinha, conseguiu levantar Danion e arrastá-lo para fora do banheiro. Com as roupas encharcadas, uma por uma era jogada no chão por Danion enquanto eles caminhavam até a cama.

Caine buscou por uma toalha e entregou ao namorado. Depois colheu as roupas do mesmo e voltou para o banheiro onde jogou em um cesto de roupas sujas, fazendo o mesmo com as suas.

O pequeno voltou para o quarto completamente nu. Ficou constrangido ao perceber Danion de pé, se enxugando e olhando para ele. Imediatamente levou suas duas mãos as intimidades e as escondeu.

— Não sei por que você esconde isso. Já vi, toquei, usei e ainda usarei. — Danion disse ao jogar a toalha.

O branquelo tentou dar um passo pra frente, mas seu estado não o deixou fazer isso. Ele cambaleou e Caine correu para ampará-lo. O pequeno então o deitou na cama, esquecendo-se de que estava nu.

Danion, deitado, ficou assistindo Caine buscar por uma roupa. O pequeno apenas vestiu uma cueca, do contrário do branquelo, que se encontrava pelado. Aquele que ainda não se considerava líder, mas que a partir de hoje reinaria como o rei dos águias, voltou para a cama e deitou-se ao lado do namorado. Danion, bêbado, tomou-lhe pelo pescoço e afundou seu rosto ali. Caine simplesmente deixou e acolheu o corpo do namorado em um abraço.

— Quero beber... — disse baixinho o branquelo.

— A festa acabou.

— Vamos dançar. — insistiu, tentando mexer as pernas do namorado.

— Vá dormir, Dan. — resmungou.

Danion não falou mais nada. Foi tomado em sono nos próximos minutos a ponto de roncar e fazer Caine ter que ouvir tudo.

Nos minutos seguintes Caine também dormiu, estava tão cansado que o ronco do branquelo era irrelevante para o momento. O pequeno acabou se esparramando na cama e, consequentemente, derrubando o branquelo.

Danion caiu da cama, acordou. Quando pensou em insultar o namorado, notou que ele dormia espalhado na cama. Conteve-se e voltou para lá. Dessa vez juntando os braços e pernas do namorado e o envolvendo.

Pra quem um dia não soube o que era amar e ser amado, Danion estava vivendo o que um dia não teve. Encontrou isso naquele considerado o mais introvertido, mas completamente cheio de amor e lições para dar. Uma relação que começou cheia de erros, mas terminou em acertos. Os dois já foram motivo de debate entre grupos na Quadra, pois a história que se remete ao amor não correspondido se espalhou principalmente após o espancamento de Danion, onde todos vivenciaram essa história que teve um final feliz.

[...]

Ian quem abriu a porta do quarto e foi o primeiro a entrar. Antes disso ele tinha ido ao banheiro e lavado seu rosto, por isso já estava tirando seus óculos e roupas, indisposto a tomar um banho de tão exausto que estava. Apenas de cueca, ele pôs o cobertor nas costas e se cobriu enquanto caminhava pelo quarto em busca de seu tampão de pelúcia para ter uma noite de sono tranquila e não acordar com gritos de sabe-se lá quem. Tudo o que queria mesmo era apenas dormir bem.

Ele se assustou quando Connor entrou no quarto, minutos depois, dançando e cantarolando uma música que horas antes havia tocado na festa.

— Você não cansa? — Ian perguntou ao finalmente ter achado seu tampão de ouvido.

Era branco e macio, semelhante a pele de coelho.

— Eu não tenho culpa se vocês são fracos.

— Eu acordei cedo. Ainda não sei como consegui ficar acordado até agora. — Explicou indo em direção a cama e sentando-se nela para poder observar Connor retirar também sua roupa.

O músico da república ainda retirava os tênis enquanto falava.

— Cara, eu amei essa festa! Sério! Quero outra! Dessa vez vou dançar melhor, eu sei que vou, procurarei umas danças maneiras na internet e vou por em prática. O mundo vai saber quem é o maior dançarino do mundo!

— O mundo vai saber quem é o maior dançarino do mundo. — repetiu.

— O que? — Connor perguntou.

— O mundo vai saber quem é o maior dançarino dele... É mais ou menos isso que você falou.

— O que? Ainda não entendi. — realmente ficou tentando entender o que seu namorado falava.

— Mundo, mundo. Ai, não sei como explicar. Esquece. — começou a sorrir.

— Eu, hein... — falou ao retirar a camisa. — Acho que vou tomar um banho. Tô suado.

— Só deita nessa cama se realmente fizer isso. Você dançou a noite toda. — advertiu.

Connor tinha retirado sua calça e olhado para Ian. Ele sorriu maliciosamente e ficou de pé, dando alguns passos até o namorado.

— Não se atreva! — elevou o tom de voz e estendeu a mão, fazendo Connor parar imediatamente. — Não me toque assim. Vai logo para o banheiro!

Connor abaixou a cabeça tristonho, mas era tudo encenação. Ele buscou por uma toalha, escova de dente e foi até o cômodo da casa. Ainda encontrou Colin, Sean, William e Octavio na sala. Pôde ouvir baixinhos os gemidos vindos do quarto de Leonard, porém evitou quaisquer tipos de pensamentos maliciosos.

Ao final do banho ele voltou enrolado em uma toalha para o seu quarto. Encontrou Ian já deitado de bruços e completamente coberto. Ele buscou por uma cueca e ficou em duvida sobre a verde ou a azul, acabou optando pela segunda opção.

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Ele pegou seu teclado jogado no canto do quarto e depois olhou para o namorado.

— Ian? — perguntou em tom de voz normal.

O estudante de direito apenas levantou a mão e fiz sinal positivo, como se estivesse dizendo: estou ouvindo.

— Deixa eu cantar para você?

Ian se virou na cama para olhá-lo de pé. Não acreditava no que ouvia.

— Você já viu que horas são? Leo e Santiago já devem tá dormindo, vai fazer barulho.

— Acho que eles não estão dormindo... — falou com uma expressão que denunciava o que tinha ouvido. — Você me entende...

Ian fechou seus olhos de forma demorada e depois os abriu.

— Por favor, só uma música... eu aprendi recentemente e queria cantar para você. — Insistiu, manhoso.

— Você deveria dormir, Connor. Amanhã você me mostra, eu prometo ouvir.

— Ian, por favor... — implorou novamente usando seu mais forte golpe: o olhar triste.

Ian relutou, lutou e insistiu em continuar deitado. Mas acabou sentando-se.

— Ok, mas bem baixinho pra não incomodar ninguém. E nunca mais use desse olhar para me convencer a algo. — alertou.

Connor rapidamente puxou a mesa do seu teclado e a armou em frente ao Ian. Depois pôs o teclado sobre ela e o ligou na caixa, diminuindo bastante o volume. Com isso, sentou-se ao lado do namorado e olhou pra ele.

— Tá bom a altura do som? — tocou uma tecla. Ian achou aceitável. — Eu sei que você vai gostar da música. Ela me faz lembrar de você.

Ian, encostado a ele, o olhou suspeitando do que viria, mas sabia que adoraria de qualquer forma. Confiava nos dons musicais do namorado.

Connor preparou os dedos sobre as teclas e antes de entoar o primeiro acorde, olhou para Ian e sorriu, ao finalmente iniciar a música, voltou a olhar para o teclado:

You're the light, you're the night

Você é a luz, você é a noite

You're the color of my blood

Você é a cor do meu sangue

You're the cure, you're the pain

Você é a cura, você é a dor

You're the only thing I wanna touch

Você é a única coisa que eu quero tocar

Never knew that it could mean so much, so much

Não sabia que podia ser tão importante

You're the fear, I don't care

Você é o medo, eu não ligo

Cause I've never been so high

Pois eu nunca estive tão extasiado

Follow me to the dark

Me siga até a escuridão

Let me take you past our satellites

Deixe eu te levar além do céu

You can see the world you brought to life, to life

Você vai ver o mundo ganhar vida, vida

E quando o refrão chegou, Connor levou seus olhos para Ian de maneira encantada, recebendo o mesmo olhar de amor, carinho e cumplicidade que naquela relação existia.

So love me like you do, lo-lo-love me like you do

Então me ame como só você faz, me ame como você faz

Love me like you do, lo-lo-love me like you do

Me ame como você faz, me ame como você faz

Touch me like you do, to-to-touch me like you do

Toque-me como você faz, como só você faz

What are you waiting for?

Pelo que está esperando?


Ian jamais encontraria no mundo alguém como o Connor, ou melhor, jamais amaria alguém como um dia amou Connor, pois este tinha tudo o que ele queria, apesar de nunca se imaginar em um relacionamento com alguém desligado.

E a música seguiu com Connor cantarolando e tocando baixinho. Ian repousou sua cabeça no ombro do namorado, coisa que há tempos não fazia. Connor por um momento não conseguiu cantar ao começar a sorrir sem parar, relembrando de como tudo começou. Porém, conseguiu finalizar repetindo o refrão.

So love me like you do, lo-lo-love me like you do

Então me ame como só você faz, me ame como você faz

Love me like you do, lo-lo-love me like you do

Me ame como você faz, me ame como você faz

Touch me like you do, to-to-touch me like you do

Toque-me como você faz, como só você faz

What are you waiting for?

Pelo que está esperando?

E o último acorde foi entoado, seguido da voz que se prosseguiu numa última nota. Connor não se moveu, apenas relaxou seus braços em suas coxas e encostou sua cabeça a de Ian que estava em seu ombro.

— Dormiu... — disse o músico.

Ian balançou a cabeça negativamente. Connor ficou surpreso.

— Já disse que esse é o meu melhor travesseiro... o seu ombro.

— Sei lá, o acho duro. — disse tocando o que estava livre.

— Por que você tem mania de me encantar sempre? — perguntou.

— Gostou da música, não é? Eu sabia!

Ian fez questão de beijá-lo após aquilo. Um beijo tão leve quanto o momento deles dois, mas ainda assim cheio de sentimento. Depois do beijo, Connor caiu sobre a cama e puxou Ian com ele, fazendo o namorado repousar a cabeça em seu peito e encaixar o corpo entre suas pernas, conseguido então afundar seus cabelos nos fios negros dele.

Ian então cobriu seu corpo junto ao de Connor, deixando ambas as cabeças expostas, adorando o cafuné que recebia do namorado.

— Eu quero te apresentar aos meus pais. — Ian falou baixinho, com os olhos fechados prestes a se entregar ao sono. — Na minha formatura.

— Tenho medo do seu pai. — admitiu. — Ele é coronel da aeronáutica. Imagino-o com aquele olhar macabro de quem vai me comer vivo.

— Ele tem esse olhar. — revelou. — Todo mundo tem medo do meu pai. Mas espere até ele começar a conversar com você.

Connor fez careta, temeroso.

— Como vai ser quando você se formar? Eu não quero ficar aqui sem você. — disse, apertando-o.

— Você pode ir comigo, Connor. Depois do que vi hoje sobre William e Octavio, eu sei que pode dar certo para nós dois.

— E eu vou abandonar o meu curso?

— Não. Mas iria transferir. Só não sou eu quem decide isso. Se você vai comigo ou fique aqui, estaremos juntos de qualquer forma.

— E poderíamos ter o porquinho? — perguntou com um sorriso no rosto.

— É... Acho que já podemos ter um porquinho de estimação. — levantou sua cabeça para olhar nos olhos do namorado. — Acho que já podemos montar a nossa família.

— Um porquinho! — ele se exaltou na cama ao largar Ian e levantar as duas mãos para o alto. — Eu finalmente vou ter meu porquinho! Que nome daremos a ele? Eu quero algo relacionado a jogos. Talvez Mario se for garoto e se for porquinha vou chamar de Zelda.

— Mas Zelda não é aquele boneco do jogo?! — Ian perguntou, confuso.

— Ian! Você não pode cometer um pecado desse. Zelda é o nome da princesa! O boneco que você acha que é ela se chama Link.

— Que seja, é tudo a mesma coisa. Pra mim vai ser sempre Zelda. — disse sem ver tanta importância.

— Repita comigo: Zelda é o nome da princesa. O garoto se chama Link! — olhou firme para o namorado com o queixo repousado em seu tórax.

— Zelda é o nome da princesa. O garoto se chama Link! — repetiu como o namorado havia pedido.

— Ótimo! — tocou-lhe a ponta do nariz. — Mas pensando bem, o porquinho ou a porquinha pode se chamar Zelda... Eu amo esse nome. O que acha?

— Pode ser... — bocejou, voltando a se deitar com a bochecha encostada ao peito dele. — Amanhã vai ser um péssimo dia. Ter que arrumar toda essa bagunça...

Connor parou de responde namorado. Na sua mente ele apenas pensava em Zelda e como seria feliz com a porquinha quando ganhasse. Ian teria facilmente pegado no sono com o silêncio do namorado, mas Connor voltou a chamá-lo:

— Ian?

— Oi? — dessa vez sua voz estava tão fraca. Ian teria dormido se o silêncio durasse mais alguns segundos.

— Eu te amo tanto.

Ian não respondeu, apenas dormiu. Mas usar da voz para dizer que também o amava não era necessário. Ian o amava mais do que qualquer outro dentro daquela casa.

Connor não insistiu, apenas sorriu e respirou fundo antes de fechar seus olhos e também se entregar ao sono. Ele tocou a bochecha do namorado com o dedo indicador e ficou acariciando enquanto murmurava a música cantada para ele.

Um intelectual. Um gamer. Um inteligente. Um julgado burro. Um focado no futuro, um desligado no presente. Fios negros, fios castanhos, olhos ligados, corações unidos. Eram opostos em quase tudo, iguais em amor. Ian e Connor era o casal que não precisou de tristes situações para firmarem a relação, do contrário disso, eles eram tão receptivos ao modo de vida do outro, que apenas se respeitavam acima de qualquer coisa. Eram, sem sombra de duvidas, os reflexos de William e Octavio, espelhos para a futura geração se esse não fosse o último ano deles.

Outro relacionamento que surgiu de um tigre e leão. Algo que merece ser estudado sobre a relação dessas duas repúblicas rivais, mas progenitoras de grandes amores.

[...]

Na sala apenas restaram William, Octavio, Sean e Colin. Nos primeiros minutos apenas silêncio. Colin olhava para Sean e alternava entre William e Octavio. O líder dos tigres mantinha a cabeça baixa enquanto disfarçava mexer no celular.

— Foi um bom dia. — Octavio optou por quebrar o silêncio.

— Diferente dos outros aniversários, devo considerar esse o melhor. — William falou.

— Estamos em paz, finalmente. — disse o Octavio.

— Alguém sabe a data do julgamento do Colton? — perguntou o loiro.

Ninguém o respondeu.

— Sem Colton, sem Noah, sem Harry e até mesmo o Adrian... Nossa, quanta gente. — William disse.

— Todo mundo se fodeu. — Colin falou.

— Harry realmente sumiu? — William perguntou.

— Me disseram que ele trancou a faculdade e ninguém sabe pra onde foi. — Octavio respondeu. — Mas ninguém sabe se ele apronta.

— Não acho que ele seria burro o suficiente para aprontar. No dia em que estive cara a cara com o Colton, ele me disse que Harry o deixou. Talvez sabendo que poderia se prejudicar. Mas no meu depoimento eu o citei, a polícia certamente vai procurar por ele antes do julgamento do Colton. Ian estava me explicando sobre isso. — Colin falou.

— Gente, que loucura! — deitando-se sobre no sofá, Octavio fitou o teto enquanto falava. — Olha só pela quantidade de coisa que passamos. Foram os dois anos mais agitados que vivi aqui. E ainda temos mais um ano de residência, William. O que será que o futuro nos apronta dessa vez?

— Mal comecei e já passei por tudo isso. — Colin falou revirando os olhos.

— Confesso que vou sentir falta de tudo. — William falou ao suspirar. — Mas admito que antes eu não me via longe daqui, mas agora consigo me enxergar, principalmente depois do que você fez hoje, Octavio.

— É nesse momento que eu me retiro e deixo vocês dois sozinhos. — Colin ficou de pé.

Sean agradeceu mentalmente. Estava achando um saco ter que ouvir todos conversarem enquanto fingiam que ele não existia.

— Deixa disso, Colin. — William o olhou.

— Já passou da meia noite, seu aniversário acabou. Agora é a hora que você e Octavio vão pro quarto e se pegam.

— Você bebeu? — William perguntou ao ouvir aquilo, ficando constrangido.

— Vocês dois deixaram? — Colin olhou para William e Sean. — Ah, Will, para de me olhar assim.

Octavio começou a achar tudo aquilo engraçado. Colin era realmente alguém muito direto. Sempre que ele surgia com suas tiradas, William acabava ficando desarmado.

— Até parece que vocês dois não vão se pegar. — Sean agora tomou a voz, realmente impaciente com o teatro de William.

— Quem te deu permissão de falar, Sean? — o loiro perguntou.

— Vamos parar! — Octavio voltou a ficar sentado no sofá. — Estamos nós quatro tentando nos resolver, não é mesmo? E não vai ser com briga e provocação que isso terá um bom resultado.

— Mas eu não falei nada demais! Seu namorado aí que fica bancando o virgem. Vocês vão transar mesmo e pronto. — Recém tinha voltado a falar com Octavio e já atacava a pessoa que ele amava. Talvez fosse o ciúme que não morreu.

— Sean, cala a boca! — Colin agora tomou a voz. — Deixa que eu e o William nos entendemos.

— Está vendo aí, cala a boca e para de falar merda. — William afirmou o que Colin estava dizendo.

— William, calado! — Octavio olhou para o namorado.

— Não briga com ele! — Colin falou para Octavio.

— Porra, vão se foder. — Sean finalizou.

De repente, uma explosão de gargalhadas tomou conta da sala, apesar de Sean somente sorrir disfarçadamente. O momento em que se encontraram foi considerado idiota. Eles atacavam, defendiam e ninguém mais sabia a quem apoiar. Era uma confusão sem fim.

— Eu realmente vou para o meu quarto. — disse Colin ao fim das risadas.

— Vai dormir aqui? — William perguntou, estranhando. Depois olhou para Sean que não compreendeu o seu olhar.

— Lógico. — respondeu imediatamente.

— Então eu vou indo. — Sean disse, pondo o celular no bolso.

— Claro que não. Se eu já dormi na sua república, você pode dormir na minha. — falou o pequeno, aliás, ele ordenava.

Colin tomou o moreno pelo braço e o puxou. Não tinha forças, teve dificuldade ao tentar fazê-lo dar alguns passos até a escada.

— Espera aí. — Sean falou, mantendo-se duro como rocha. — Antes preciso falar com o William. — disse ao olhar para loiro.

Colin desistiu de puxá-lo imediatamente. O pequeno olhou para William e depois para Octavio.

— Eu espero você no quarto, William. — Octavio disse ao se levantar. — Boa noite, Colin. Boa noite, Sean. — finalizou dizendo.

Octavio saiu da sala e antes tocou no ombro de Colin, incentivando-o a fazer o mesmo. Ao perceber que aquele não era o momento pra ficar ali, tomou da ação de Octavio para si.

— Vou tomar banho. — e subiu sem esperar resposta.

Sean olhou para o pequeno subindo as escadas até que desaparecesse ao passar pela porta. Depois voltou seus olhos ao William. O loiro então olhou para os lados, puxou um banco e se sentou.

Sean permaneceu de pé, observando-o. O silêncio voltou a permanecer na sala por breves segundos.

— Acho que fui o único a não te parabenizar. — iniciou o moreno.

— Seria uma surpresa se isso acontecesse. — falou sem tom de provocação.

— Tenho algo pra te dar. — falou ao tocar o bolso da bermuda.

William levou seus olhos a mão do moreno que havia saído fechada quando a retirou do bolso. Quando a abriu, acabou revelando uma pequena corrente de pulso dourada, com quatro pingentes separados que eram miniaturas de barco de papel.

— Quando eu era menor, o seu pai — já estava acostumando-se a ideia. — disse que eu nunca gostei de usar isso. Acho que eu tinha bons motivos, não é mesmo? — fez piada com a própria desgraça. — No meu aniversário de treze anos ele tentou novamente me dar ela de presente, mas eu não acho que seja certo ficar comigo. — e pôs o objeto na mão do loiro.

— Sean, isso é seu. Foi ele quem te deu. — estendeu a mão para entregar ao moreno novamente.

— Talvez tenha mais significado se ficar com você. Não quero isso comigo. Por isso te peço para que fique com ela, quem sabe agora que você noivou com Octavio e certamente pretende ter filhos, ela sirva para algo?

— Isso não é correto. — insistia o loiro. — Foi meu pai quem te deu de presente.

— Então façamos assim: agora eu te dou de presente de aniversário. — tocou a mão do loiro, fazendo-a recuar ainda com a corrente. — É sua. Fim.

— Não é justo com meu pai. Ele não vai gostar de saber que você me deu essa corrente. — ainda olhava para peça, mexendo nela.

— Exatamente. Seu pai. Ele só me deu porque achava que era meu pai, mas agora sabemos que não é. Eu não quero trazer pra essa conversa a relação que eu e seu pai tínhamos, então não vamos fazer disso um momento desagradável. — insistia em fazê-lo aceitar, mantendo-se um pouco afastado dele.

William foi obrigado a concordar com Sean quando disse que não era um momento para trazer falarem do passado.

— O que Colin achou disso? — perguntou o loiro.

— Ele não sabe e prefiro que não conte, sei que ele vai me encher o saco caso saiba. Mas você e sua boca grande vão contar, sei disso. — acusou com olhar revirado. — Agora vou subir, já que decidi abrir mão do conforto da minha cama.

O moreno não se despediu de William, ele tocou no corrimão e pôs o primeiro pé no degrau quando ouviu ser chamado.

— Sean. — o loiro falou. — Obrigado pelo que fez lá no hospital.

— Não somos irmãos, mas temos o mesmo tipo de sangue. — ele disse e finalmente continuou a subir.

William o deixou que fizesse isso. Ainda permaneceu na sala olhando para a corrente em sua mão, sem saber ainda o que faria com ela. Diante toda a história entre os dois, aquela não era uma simples corrente.

Deveria recorrer ao Octavio. Por isso saiu da sala e foi direto para o quarto.

[...]

Sean aguardou parado em frente à janela daquele quarto estranho para ele. Já havia entrado naquela república para pregar peças ao leonino, inclusive foi assim que acabou tendo um de seus primeiros contatos com Colin, quando foi flagrado.

— Tem algum fetiche por janelas? — Colin perguntou ao se encontrar atrás dele.

O pequeno tinha acabado de sair do banheiro. Os cabelos castanhos estavam úmidos em vista do tempo em que ele passou enxugando enquanto se olhava no espelho e também escovava os dentes.

Colin usava um samba canção branco com bolinhas vermelhas, de acessório apenas o cordão que havia ganhado do Sean com os dois pingentes militares.

— Por que não me disse que dormiria numa cama de casal com Danion? — cruzou os braços e olhou para o que estava atrás do pequeno.

— Não tenho culpa se foi ele quem comprou a república e decidiu que fosse desse jeito. Eu tenho sorte de não dormir na sala, isso sim. E até parece que Danion iria me agarrar no meio da noite. — parecia ter a resposta na ponta da língua.

— Vai dormir bem depois de pensar que Danion e Caine podem transar nela? — indagou.

— Pode parar de ser idiota? — deu as costas e foi até a porta para trancá-la. — Credo, Sean! Não me faz imaginar essas coisas.

— Não sei, vai saber tem porra por tudo que é lugar da cama. — piorou os pensamentos de Colin.

— Não vai me convencer a sair desse quarto e ir para o seu. — falou com a mão repousada na maçaneta.

— Que pena. Certamente meu quarto é mais confortável que esse. — disse ao se afastar da janela e se sentar na cama.

Sean começou retirando seus tênis e meias.

— Eu deveria ganhar um troféu de ouro por ficar com você nessa festa chata e ainda decidir dormir aqui com você.

— Não foi uma festa chata! — defendeu ainda do lugar que estava. — Você quem não soube se divertir. Preferiu ficar sentado o tempo todo mexendo nesse celular. — disse ao ver o namorado retirá-lo do bolso e por sobre a mesa de cabeceira.

— É. Foi bem divertido assistir você e William dançando. — disse ao estalar os dedos dos pés ao apenas friccioná-lo no chão.

— Então por que não dançou comigo?

— E humilhar todos eles? — olhou para Colin com ar superior. — Você já me viu dançando uma vez no dia em que pintamos a minha casa. — pausou esperando resposta, mas Colin não tinha. — E então?

— Convencido. — falou revirando os olhos e indo até as janelas para fechar as cortinas.

Quando Colin olhou para trás, acabou encontrando Sean de pé e já sem camisa, próximo a caixa de som, onde ele conseguiu a conexão via bluetooth.

Estando descalço, sem camisa, apenas trajando a bermuda marrom, Colin sentiu um arrepio em seu corpo. A alma também gritava em sede.

— Sei o que você quer. E sei por que me quis aqui. — disse o moreno ainda do lugar que estava, tocando o celular sobre a mesa de cabeceira.

— Talvez já esteja na hora. — falou do lugar que estava.

— Finalmente? Sem mais jogos de provocação?

— É melhor que não me irrite. — alertou.

— Pelo menos vou realizar um dos meus fetiches. — o moreno então deu play em seu aparelho celular. — Transar com você sobre o teto dos meus rivais.

E deu início a música Together, da banda britânica The xxx.

— Qual o seu problema em por música sempre que nos encontramos sozinhos?

— Impede de que te ouçam gemendo. — sorriu ao perceber o olhar abismado do seu namorado. Ele apenas provocava Colin.

Sean saiu do seu lugar, desligou as luzes do quarto e foi até Colin, posicionando-se a frente do pequeno que levantou a cabeça levemente para olhá-lo.

Tudo ali dentro estaria escuro se a luz da lua na madrugada não escapasse pelas brechas da cortina e iluminasse o rosto de Sean, fazendo parecer com que seus fios negros estivessem brilhando, como um dia Colin imaginou quando o viu pela primeira vez.

O encontro daqueles olhares despejava cargas elétricas em ambos os corpos. Talvez por isso tudo ao redor pareceu aquecer. Os desejos estavam expostos e uma faísca era o suficiente para causar uma explosão ali dentro.

Colin causou a faísca.

O pequeno saltou tão rápido que se não fosse o reflexo de Sean, talvez não tivesse o segurado no ar. O moreno o envolveu pelo quadril enquanto as pernas de Colin se envolveram a cintura do namorado.

Eles ainda não se beijavam, mas permaneciam nos olhares. Colin queria poder falar algo, mas optou por ficar no silêncio e conversando por olhares. Ainda que palavras não fossem necessárias para aquela situação, os olhos negros de Sean e os castanhos de Colin conversavam entre si sobre a vontade de rolar entre lençóis e preencher o quarto com gemidos.

Bela conexão, perfeita atração. Como não sentir o magnetismo existente naquele olhar? O silêncio, a espera.

Ao tocar no maxilar de Sean, Colin fechou seus olhos e aproximou sua face à do moreno, encostando sua testa a dele e misturando as respirações consideradas profundas. Os dois roçavam os narizes até que finalmente um lábio uniu-se ao outro.

O beijo começou suave, como uma pena que repousa na pele humana. À medida que Sean se aproximava da cama, o beijo ganhava força, como se há dias estivesse com sede por água e ali a matassem. Tão semelhante aos ventos que derrubam uma árvore.

O moreno sentou-se na cama delicadamente e foi repousando o corpo de Colin sobre ela sem desfazer o beijo. Depois sorriu enquanto tocava o pescoço do pequeno, controlando-se para não mordê-lo ainda no início.

A ereção de Colin já havia sido denunciada ainda antes do beijo, porém só agora Sean o fazia sentir a sua, nada discreta, quando se posicionou sobre o corpo do pequeno para ter mais dominação no beijo.

Sean ligou os dois abajures em ambas as mesas de cabeceira e fez Colin abrir os dois braços, assim os prendeu na cama ao deixar suas mãos rudes sobre eles. Desfeito o beijo, ele passou a olhar nos olhos de Colin enquanto respirava fundo para recuperar o ar perdido.

Colin olhou para os lados e viu seus dois braços presos, porém não reclamou ou insultou, somente deixou. Nada o incomodava.

A iluminação oferecida pelos abajures e a música deixava todo o momento ainda mais exótico e perfeito para a situação. Tudo o que Sean gostava. A penumbra o excita quando se está prestes a transar.

Sean voltou a tomar os lábios de Colin, já úmidos pelo beijo recente. Depois, sorrateiramente, foi largando seus braços e descendo suas mãos pela cintura do pequeno até conseguir infiltrá-las sobre o samba cação do garoto, passando pela cueca e tomando, em mãos cheias, as duas nádegas.

O primeiro gemido de Colin foi baixinho e suficiente para Sean silenciá-lo com um novo beijo.

Com as mãos livres, Colin passou a repousá-las sobre as costas do namorado enquanto erguia um pouco as costas para Sean ter espaço ao apertar suas nádegas.

Colin olhou para a porta, deixando todo o seu pescoço a mostra, fazendo Sean atacar a região com volúpia. Com os belos dentes que tinha, ele depositou a primeira mordida no pescoço de quem estava completamente entregue. Foi leve, mas delirante para Colin.

O pequeno tratou de voltar a olhar para Sean, que parou os movimentos e correspondeu ao olhar. De repente o moreno começou a sorrir, a sua maior arma contra Colin.

Nada era tão perfeito quanto aquele sorriso que quebrava completamente o olhar frio e personalidade de Sean. Era extremamente encantador, ainda quando tinha a pinta e as covinhas. Um sorriso que não era malicioso, mas meigo. Como não se render a isso?

Sean não era um garoto de sorrisos, mas se soubesse o poder que esse sorriso tinha sobre seu namorado, certamente o usaria de maneira errada. Colin mais uma vez se sentiu sortudo por ter aquele corpo em cima dele, aquela pegada e o sorriso.

— O que foi? Por que está sorrindo? — perguntou.

— Não sei. Olhei pra você e me deu vontade. — sem desfazer o sorriso, ele respondeu, apoiando-se nos próprios cotovelos.

— É engraçado me olhar com expressão de prazer? Ah, Sean... — começou a ficar constrangido.

— Não, idiota! Eu não sei o que me levou a sorrir. Talvez seja porque... — o bloqueio.

Colin aguardou. Sean não prosseguiu. Colin completou:

— É como se minha alma estivesse sorrindo para a sua e acaba me contagiando.

— Quando aprendeu a falar essas coisas? — perguntou ao levantar uma sobrancelha.

Colin quis insultá-lo, mas achou melhor não prosseguir com o diálogo. Sean desfez o sorriso e voltou a atacar os lábios dele. Suas mãos voltaram para a bunda do menor, dessa vez por fora do samba canção, ele pressionou ainda mais forte as nádegas do pequeno que deixou escapar um novo gemido. O líder dos tigres pôs as duas mãos no cós do samba canção e foi retirando-o aos poucos. Colin facilitou a saída da peça.

Nada constrangido, ele estava finalmente pelado.

Sean tocou-lhe a coxa enquanto infiltrou-se entre as pernas de Colin, tomando-o pelo pescoço. Agora sem espaço para beijos delicados. Colin recebeu novos beijos em seu pescoço e delirou em gemidos baixos enquanto tocava o próprio pênis.

Sean foi descendo os seus lábios até morder a clavícula de Colin e tocar a cintura do mesmo. Enquanto ainda descia, passou a despejar beijos em seu caminho, depositando mordidas até encontrar o primeiro mamilo do namorado.

Não demorou muito ao brincar com a língua ali, por isso continuou a descer e com a língua lambeu o abdômen de Colin, causando cócegas suportáveis no pequeno, que se contorceu a medida que o arrepio lhe tomava conta.

Sean retirou as mãos da cintura de Colin, desceu até o quadril e as posicionou em ambas as coxas, pressionando-as com bastante vontade.

A sua língua ainda estava sobre o abdômen do pequeno, mais especificamente no umbigo dele. Dali, ela teve um curto trajeto... Devagar, Sean com a ponta da língua foi descendo até que encontrasse o membro ereto de Colin e, devagar, pôs dentro da boca.

O que Colin sempre quis.

Recebia agora o seu primeiro oral. Algo que ele já havia cobrado de Sean um dia.

Enquanto tocava-lhe a coxa, Sean o chupava sem pressa, talvez até devagar demais. Aliás, aquela era sua primeira experiência com um pênis na boca. Mas ele era alguém que amava compartilhar prazer. E se Colin era capaz de suportar o que balançava em suas pernas, ele era merecedor do que o moreno fazia agora.

O pequeno se contorceu levemente a medida que a língua de Sean brincava com sua glande.

Sean pôs os dois braços abaixo das duas coxas de Colin e o ergueu um pouco da cama. Colin não precisou fazer muito esforço para isso. Apenas aceitava toda a dominação de Sean, visto que preferia assim. Era prazeroso ser dominado.

Depois os lábios de Sean brincaram com o falo de Colin, tocando-lhe a virilha e massageando a região com seus lábios. Voltou novamente para a glande e abocanhou o pênis. Colin apenas delirava.

Quando tentou tocar a cabeça de Sean para controlar os movimentos dele, o moreno rapidamente fez com que ele tirasse suas mãos dali. Colin aceitou em silêncio e somente segurou na cabeceira da cama.

Foi quando o moreno levantou mais as pernas de Colin, de modo que suas nádegas, abertas, ficassem expostas. Sean desceu sua língua até o falo, passou pela virilha e foi ao objetivo.

Colin gemeu alto com aquele contato. Talvez por isso preferisse ser realmente passivo e jamais se imaginar ativo. O prazer imensurável era devastador a ponto de causar arrepios diversos em seu corpo.

Sean não só brincava com a língua, como também usava dos dentes pra morder as laterais de suas nádegas, voltando novamente a massagear o ponto mais prazeroso de Colin.

O leonino parou pra pensar e percebeu que apesar de receber seu primeiro oral, nada se comparava ao que recebia agora de Sean. Era dez vezes mais prazeroso.

Os minutos se passavam e Sean usava e abusava da região, pouco se importando se Colin ejacularia ali ou não. Ele se mantinha fixado nos gemidos do namorado enquanto sugava entre as nádegas do pequeno.

Com grosseria, Sean largou Colin e o girou na cama, fazendo-o ficar de bruços. O colocou de joelhos, fazendo Colin carregar um sentimento de invulnerabilidade. Esperando ansioso, Colin passava a língua em seus próprios lábios.

Sean começou mordendo as nádegas de Colin até levar suas duas mãos as nádegas do namorado com força tornando a ação semelhante a de um tapa. Abrindo-as, Sean enfiou novamente sua língua entre elas. Colin arqueou as costas e gemeu alto. Como podia aquilo ser tão bom?

Sua língua ia e descia sem parar, alterando entre movimentos leves e fortes, além da velocidade. Foi enquanto Colin cedeu os braços e gemeu com o rosto afogado na cama.

Sean era bom no que fazia. Prova disso? Colin gemendo sem parar.

Sean então começou a morder as nádegas de Colin, percebendo a vermelhidão se formando ali. Admirou a tatuagem do pequeno, a pata de tigre que ele havia feito. E foi lá onde mais mordeu, se vangloriando mentalmente pelo desenho.

Na última ação, Sean voltou a enfiar seu rosto entre as nádegas de Colin e massagear a região com a língua, indo e voltando, lubrificando e preparando Colin para recebê-lo em breve. Finalizou dando um só tapa em sua bunda e se afastou.

Colin caiu na cama ainda de costas. Sean montou sobre ele passou a beijar o pescoço do pequeno, ouvindo-o respirar. Mordiscou o lóbulo do namorado e sussurrou:

— Preciso tirar minha bermuda. — avisou já se afastando dele.

Sean sentou-se na cama e Colin veio por trás dele, tocando-lhe o ombro. Não dava pra ver claramente a tatuagem imensa do tigre nas costas do moreno. Mas ainda que sobre a penumbra oferecida pelo abajur, ela tornava a tatuagem misteriosa como o dono da mesma.

Sean ficou de pé e de frente para Colin. O pequeno, sentado na cama o olhou enquanto Sean optou por não se mover. Seus olhos negros mostravam estar no controle de tudo. Bastou um simples olhar abaixo do seu próprio umbigo para Colin entender o recado.

Acomodando-se melhor na beirada da cama, Colin levou suas duas mãos ao botão da bermuda de Sean. Mas antes de pensar em abrir, por fora da veste, ele começou a massagear o membro ereto de Sean, já marcado e formando volume considerado assustador.

Olhando nos olhos do namorado, ele desfez o botão e, delicadamente, foi descendo o zíper. Sem antes por o membro do namorado pra fora, voltou a massageá-lo ainda sobre a bermuda marrom.

Mas sem que imaginassem, a bermuda sozinha caiu, repousando entre os pés de Sean, que conseguiu chutá-la para debaixo da cama.

Apenas de cueca, Colin tocou o membro do moreno sobre ela. O volume que se formava dentro dela era grande, que parecia que a cueca iria se rasgar a qualquer momento.

Foi quando o pequeno tocou o cós da cueca e foi descendo-a, revelando o membro ereto do namorado, que como já havia dito, era do tamanho do seu ego.

Colin com a mão, primeiramente, tocou o falo de Sean, fechou seus olhos e entreabriu os lábios, aproximando seu rosto do membro até abrir os lábios por completo e envolver a glande.

Sentiu de imediato o gosto do pré-gozo oferecido por ele, lubrificante natural masculino, nada fora do normal.

Nos primeiros segundos da ação, Colin abriu os olhos para olhar o namorado. Percebeu a mão dele indo até a sua cabeça e, diferente do que ele havia feito, se permitiu se controlado.

Não era fácil comportar tudo aquilo na boca, sequer a metade, mas com delicadeza Colin prosseguia com o oral, arrancando suspiros de seu namorado. Na falta de ar, Colin levou seus lábios pelo falo e foi explorando de ponta a ponta, sempre usando da língua para massagear o membro.

Como Sean havia feito, ele também brincou com a virilha do moreno, que segurava o pênis e o encostava na bochecha de Colin, produzindo som semelhante ao de um tapa. Alias, era exatamente isso que ele fazia, no lugar das mãos, ele apenas batia com o membro, devagar, no rosto de Colin enquanto o namorado brincava com sua virilha.

Colin desceu a língua e os lábios até as bolas do namorado, conseguindo abocanhá-las também. Mas Sean não perdeu tanto tempo ali. Ele tocou o queixo de Colin e o fez levantar a cabeça e abrir a boca para receber novamente o seu pênis.

Colin não mais se movia, mas Sean tomou o movimento naquele momento. Como se estivesse penetrando na boca de Colin, até arriscou em fazer Colin aguentar mais que a metade, porém teve fracasso quando o namorado o segurou pela cintura.

— Não perca o controle. — falou o pequeno enquanto passava a mão nos lábios.

Sean concordou e não mais se moveu. Colin segurou o seu falo enquanto sugava a glande. Sean estava amando receber aquele oral do seu namorado. Coisa que ele já havia feito quando se acidentou. Colin era bom no que fazia, certamente. E com a prática desse relacionamento, se tornaria melhor ainda.

O pequeno aos poucos foi se deitando na cama e Sean foi montando sobre ele, porém, sempre deixando o pênis próximo ao rosto do namorado. Mas depois disso, tomou posição contrária e se deitou na cama, fez Colin montar sobre ele e novamente o chupar, porém tendo bem acima de si, o pênis do pequeno, correspondendo ação.

Um praticava oral no outro, posição famosa e conhecida. Sexo era isso, experiência. Na medida em que fossem transando, sempre iriam se descobrindo.

Cansado, Sean deixou com que Colin prosseguisse chupando-o, pois sabia que estava chegando a hora. Era prazer demais recebido e, com isso, teve sua primeira ejaculação, despejando tudo, mais uma vez, dentro da boca de Colin.

Como já não era mais surpresa, o pequeno tomou do líquido.

Limpando os lábios, Colin se lançou na cama e respirou. Sean veio sobre ele e afundou suas mãos nos cabelos castanhos. Já estava cansado, exausto, mas logo teria forças, afinal, o ato não teve o seu fim.

Eles não pronunciaram uma palavra, apenas trocaram olhares e carícias, Sean sempre mantendo o olhar dominante sobre o dele. Às vezes beijava-lhe a testa e voltava a fixar seu olhar aos lábios de Colin.

— Sean. — Colin quebrou o silêncio.

— Sim?

— O que você esperava de mim quando passou a se apaixonar?

— Nada mais do que vejo e vivencie com você.

— Ah, sei lá. Do jeito que a sociedade vive a julgar o que fazemos entre quatro paredes, o fato de ser passivo já é motivo de piada. Eu estou me descobrindo com você aqui. Foi com você que perdi a virgindade e não tinha nada de experiência nisso.

— Seja direto e me pergunte se estou te comparando com Colton.

— Talvez seja realmente isso. Na verdade é isso. Acho que todo mundo tem essas inseguranças.

— Você transa comigo pensando em me surpreender? — perguntou ao se deitar de lado.

— Bem...

— Eu transo com você pensando em nosso prazer. Nada além disso. Você sabe que é a terceira pessoa com quem transo, Colin. E se te deixa bem falar isso: Você é o melhor. Mas é o melhor não só pelo que me proporciona na cama, é porque não é apenas sexo. Vai além...

— Então o que você esperava quando passou a se apaixonar por mim? — insistiu em perguntar, olhando-o nos olhos.

— Alguém capaz de me suportar. Mas me enganei. Pois eu também tenho que te suportar. Nossas personalidades, Colin... Elas não são compatíveis, na menor oportunidade que temos, estamos brigando. Se quando me encontrei inseguro sobre te amar ou não, foi justamente por isso, por não saber se daríamos certo.

— Eu concordo com você. — falou revirando-se na cama, encostando os lábios do moreno. Era motivo de festa quando ambos concordavam em algo.

Sean tocou-lhe a nuca e os beijos voltaram. Leves como antes. Colin acabou fazendo o namorado deitar com a barriga pra cima e acabou montando sobre ele. Como Sean antes fazia, o pequeno agora tomou-lhe o pescoço e tentou alcançar suas coxas, mas pela diferença de tamanho, acabou tendo dificuldade.

Mas Colin precisava deixar sua marca já que era marcado constantemente pelo moreno. Chegou o seu momento de fazer isso.

Escutando os suspiros de Sean, Colin sugou forte a pele do seu pescoço. Sean apertou a bunda do namorado no momento em que ele o marcou. Eles gemeram juntos.

— Sei que quis me marcar intencionalmente. — o moreno falou. — Agora é minha vez.

Sean assustou Colin ao segurar em sua cintura e envolver seus braços ali, fazendo Colin cair pesadamente sobre seu corpo. Depois o fez inclinar a cabeça para deixar o pescoço livre e, assim, sugar a região. Sua marca seria maior que a de Colin quando se olhassem no espelho.

O moreno tomou-lhe os lábios mais uma vez e depois rolou na cama, ele tentou encontrar sua bermuda para poder pegar a carteira. No momento em que a achou, encostou sua cabeça no travesseiro e procurou pelo preservativo.

Colin segurou sua mão e o impediu de fazer aquilo.

— Não precisa. — falou baixinho.

Sean o olhou. Estava confuso. Ainda segurando a carteira e o preservativo.

— Eu mexi nos seus papeis hoje antes de sairmos pra festa. Eu vi seus últimos exames, Sean.

Colin rolou na cama e abriu a gaveta da mesa de cabeceira, retirando de lá um envelope. Ao provar para Sean o que se tratava, o devolveu.

— Estamos limpos. — disse o pequeno.

— Você é louco. Tem realmente certeza disso?

— Só depende de você.

— Mas só se me prometer começar a fazer os exames comigo.

Colin balançou a cabeça positivamente. Sean devolveu a camisinha a sua carteira e depois a colocou sobre a mesa.

Ele aproximou-se de Colin e voltou a beijá-lo, mas antes disse:

— Um só corpo.

Tudo ali era apenas questão de confiança. Muita confiança. Realizar o ato sem preservativo era uma questão de risco para qualquer um. Mas Colin já tinha planos antes mesmo de perder a virgindade de transar sem preservativo apenas com parceiro fixo, e com exames regularizados. E tudo se encaminhou para que isso acontecesse.

Ele jamais faria apologia ao sexo sem preservativo. Era apenas um desejo seu, íntimo, particular. Nada além disso. E Sean parecia pensar da mesma forma que ele.

Sean já estava ereto, duro como pedra. Os minutos que passou conversando com Colin só serviram para ter uma nova ereção.

Colin acabou recebendo-o sobre o seu corpo e, consequentemente, teve que afastar suas pernas. Sean não o deixou de olhar nos olhos um segundo sequer, até mesmo quando o preparava com um dedo, em seguida dois.

O pequeno fechou os olhos enquanto sentia pequeno incomodo comparado ao que teria na introdução do pênis. Mas seria melhor antes se adaptar com os dedos do seu namorado do que arriscar a ir de uma só vez. Já fazia dias que eles não transavam.

— Quer mesmo fazer isso? — Sean voltou a perguntar.

— Você quer? — respondeu em pergunta.

Foi quando Sean cuspiu na própria mão, na ausência de lubrificante, e deixou Colin ainda mais preparado, apesar de tenso. Tendo suas pernas um pouco mais afastadas, Sean foi obrigado a desviar seus olhos para lubrificar seu membro com a própria saliva. Depois disso, ele posicionou-se e olhou para Colin, que aguardava com os lábios e olhos fechados.

Sean forçou a entrada e, para a alegria de ambos, não foi tão difícil como esperavam. Conseguiu introduzir a glande na primeira tentativa. Colin tocou-lhe a cintura, olhou para o lado e fez careta. Doía, logicamente.

Sean esperou com que seu namorado desse a permissão de continuar. Não moveria um dedo do pé sem a autorização do outro. Jamais. Sexo era isso: ter paciência e respeitar o parceiro.

Colin balançou a cabeça em sinal positivo. Sean antes desceu seu corpo para encostar seu rosto ao do namorado e delicadamente foi se introduzindo nele. Centímetro por centímetro era encaixado, com interrupções a pedido do pequeno, que preferia se adaptar por partes. Quando finalmente encaixado, Colin sentiu um alívio momentâneo.

— É Colin... Finalmente.

— Não fala nada, filho da puta. — falou baixinho sobre gemidos de dor. — E não se move, desgraçado.

Sean voltou a sorrir enquanto assistia Colin permanecer de olhos fechados enquanto sua expressão apenas denunciava que ele não tinha se adaptado por completo com o pênis do namorado.

Com um minuto de intervalo, Sean retirou parte do seu membro, Colin agradeceu mentalmente, mas depois sentiu o pênis voltar. O incômodo foi o mesmo, mas ele sabia que seria assim.

Sean tomou novamente a ação ao entrar e sair devagar, o incomodo já não foi tanto, sinal de que aos poucos se adaptava. Devagar e com calma, Sean retirava parte do seu membro e a introduzia logo em seguida em Colin, para que assim ele fosse se acostumando.

Arriscou retirá-lo todo e tentou o colocar mais uma vez.

Colin gemeu, voltou a doer. Sean estava paciente, para a sorte do pequeno.

— Devagar. — pediu.

Ele acabou admitindo que já estava preparado.

Sean fechou seus olhos, tomou os lábios de Colin e fez o que o namorado pediu. Os movimentos eram devagar e aos poucos iam proporcionando prazer aos dois, principalmente ao Colin que tinha uma das regiões mais erógenas sendo tomada e penetrada.

Na medida em que o prazer aumentava, Colin passou a marcar as costas do namorado com suas unhas. E Sean, percebendo isso, passou a aumentar, gradativamente, a velocidade de sua penetração.

Colin naquele momento já se encontrava louco numa mistura de prazer e dor, porém sendo o prazer mais notável. Seus gemidos já eram mais elevados e Sean correspondia da mesma forma.

Para silenciá-lo, passavam a se beijar. Mas Sean tinha mania de sempre ir ao pescoço do moreno e ficar repousando ali enquanto penetrava-o. Colin conseguiu alcançar as nádegas do namorado e ficou segurando-as por um tempo no momento que ia sendo invadido.

Penetração. Gemido. Um ciclo sem fim.

Colin foi pego de surpresa por Sean que se deitou na cama e o fez ficar sobre ele, ainda não desfazendo a penetração. Dali Colin, de joelhos e sendo penetrado, arqueou suas costas e fitou o teto.

Gemia baixinho, seu corpo tremia como consequência dos movimentos de Sean. O namorado passou a não ter mais piedade em seus movimentos, tornando-os firmes, fortes e profundos.

Logicamente chegou a doer em Colin, mas o prazer o fazia se esquecer disso, e aos poucos ia se adaptando até os movimentos mais firmes.

Sean teve a oportunidade de segurar no cordão que havia dado ao pequeno e depois tocou o pescoço de Colin, fazendo-o voltar para seus lábios. Com beijos e amassos, eles rolaram sobre lençóis aquela noite.

Beijar Colin enquanto o mesmo gemia era mais prazeroso ainda. Ele não conseguia controlar o prazer sentindo, optando por expor em seus suspiros e gemidos. Já Sean mantinha o controle enquanto penetrava-o sem parar.

— Rápido, mais rápido! — Colin pediu sobre gemidos.

Dada a ordem, Sean apenas a acatou.

Se alguém colocasse o ouvido próximo da porta escutariam os gemidos de Colin. Não eram altos, eram apenas controlados. Pra alguém que começou apenas suspirando, agora estava conhecendo mais do seu corpo.

Colin caiu do lado da cama e ficou de bruços. Sean veio por trás dele e imediatamente conseguiu penetrá-lo. Colin mordeu o travesseiro e apertou forte com as mãos o cobertor da cama. Sean penetrava-o enquanto brincava com seu pescoço.

A cama tremia. Sim, tremia.

Principalmente agora que Sean tinha uma melhor posição para penetrar ainda com mais velocidade e força. Colin se encontrava louco de prazer, nada se igualava aquilo. Era bom e estava com quem amava.

Sean então se ajoelhou enquanto Colin ainda estava de bruços. Afastou as duas nádegas do namorado apenas para assistir penetrá-lo, vendo seu membro entrar e sair. Cuspiu novamente ali para permanecer com a lubrificação e voltou a se deitar em Colin.

Colin não pensava em mais senão no prazer.

Acabou sendo posto de lado e foi abraçado por Sean, logo levantou uma perna para ser penetrado com facilidade. Sean quem segurava em sua perna enquanto penetrava-o sem piedade alguma, porém, quando se encontrava cansado, fazia dos movimentos leves.

O pequeno tentou olhar para trás e conseguiu ter seus lábios tomados pelo namorado que o puxava pelo cabelo. Colin passou a gemer com mais frequência naquela posição. Não aguentando mais beijar Sean, ele voltou seu rosto para frente e mordeu o travesseiro para abafar os gemidos.

Ficaram naquela posição por vários minutos. Colin sempre tocava a coxa de Sean e conseguia sentir seu movimento, sempre descendo as mãos para a bunda dele.

Foi quando Sean saiu de dentro de Colin e sentou-se na cabeceira da cama. Sem que precisasse fazer muita coisa, o pequeno apenas ficou de pé, abriu as duas pernas para o corpo de Sean ficar entre elas, logo depois foi abaixando para se sentar.

No momento em que sentiu o pênis de Sean entrando, passou a gemer baixinho e aceitou cada centímetro em si. Depois afogou seu rosto no pescoço do namorado e fez com que ele tomasse os movimentos, pois já se encontrava exausto.

Sean olhou para Colin e pressionou seu rosto, fazendo o contato visual ser mais intenso. Rostos e corpos suados, quarto preenchidos pelos gemidos.

Colin passou a se masturbar enquanto era penetrado. Sua expressão e gemidos mais elevados só denunciavam de que ele estava chegando no ápice.

— S-sean... — respirou muito forte seguido de um gemido. — E-eu, vou... eu vou...

E não demorou muito para que seu líquido fosse despejado sobre o tórax do namorado que não parou de penetrá-lo, mas que tal ejaculação do namorado só serviu para que ele o empurrasse e fizesse o pequeno cair de costas na cama.

Depois passou a penetrá-lo estando em cima dele e uma velocidade assustadora a ponto de fazer Colin quase ejacular duas vezes seguidas em intervalos pequenos. O pequeno tentou se segurar na cabeceira da cama, pois Sean já estava começando a ser violento.

Sean continuava a penetrá-lo e ergueu mais a perna do Colin, mais uma vez assistindo a penetração. Colin suportava todo o membro indo e voltando.

Foi quando de supetão, Sean saiu de dentro do namorado e passou a se masturbar. Arqueou as costas, fechou os olhos e inclinou a cabeça de modo com que seu rosto ficasse virado para o teto.

Colin foi molhado pelo que o moreno despejou.

Gemidos. Gemidos altos. Muito alto. Se alguém lá embaixo escutou, imediatamente deduziriam do que se tratava. Sean não poupou em economizar voz, ele simplesmente gemeu. Como se esse fosse um dos melhores sexos que já havia feito. Isso dava-se ao fato de Colin sempre negar sexo e agora que havia conseguido, usou e abusou de tal forma para que nunca pudesse esquecer.

O moreno caiu ao lado de Colin e sequer teve forças para levantar braços ou pernas. Colin, também exausto, foi quem resolveu se mover. Acabou deitando de lado para olhar seu namorado respirar profundamente enquanto estava de olhos fechados.

O que falar sobre Colin e Sean?

Onde a personalidade abalada e deturpada do segundo acaba por influenciar na vida tranquila do outro, deixando o choque de personalidades fortes chocarem-se diante de um sentimento tão puro e ao mesmo tempo nada casto. De um lado um ser egocêntrico, moldado pela inveja e ganância semeada em sua existência a fim de perturbar quem se opor à suas regalias um tanto deturpadas. E do outro, um garoto explosivo mais que em sua essência anseia em descobrir as dores do mundo ao seu redor, não ligando se a dor é de amigo ou inimigo, um ser cativante que vai abrindo caminho por qualquer fresta de confiança e depositando ali sua marca.

Não existe ponte ou atalho, ou até mesmo interligações entre suas opiniões e modos de convivência, mas o amor que ambos carregam um pelo outro afetam de forma imensurável sua capacidade de compreensão, o fazendo refletir sobre o seu próprio modo de ver os acontecimentos da vida. Um amor com um toque de romantismo promíscuo onde a sensatez se esvai quando o desejo escapa por entre a epiderme. Um amor impossível entre pessoas imperfeitas, mas que o levam a acreditar em um amor extraordinário.

Este é o casal de Republica de Leões. Este é o casal da República de Tigres.

Sean abriu os olhos e passou a observar Colin. Ele levou sua mão ao cordão que havia dado ao namorado, depois levou sua mão aos lábios entreabertos do namorado. Sean voltou a fechar os olhos e somente sussurrou:

— Eu te amo. Eu realmente te amo.

Colin só conseguiu entender porque leu os seus lábios. Com isso ele aproximou mais seu corpo ao do namorado e retirou os fios negros da testa dele, depois beijou, devagar, os seus lábios.

O pequeno então segurou sua mão sobre o tórax, entrelaçando os dedos logo em seguida.

O sol nascia e iluminava o quarto aos poucos, mas aqueles corpos sobre a cama não resistiram mais algum movimento. Dormiram suados, mas dormiram bem.

Naquele mesmo instante a música no celular de Sean havia mudado para Uncover, Zara Larsson.

[...]

Parecia que a Quadra estava de luto. Silêncio total. Nenhum grito, nenhum choro. Nenhuma bomba, ou melhor, confusão prestes a estourar. Era paz, bandeira branca, sinal de que ninguém estava disposto a se levantar, conversar ou sorrir. Se do alto enxergassem a situação do lugar, apenas encontrariam lixo por toda a parte. Mas já estava nas regras cada república se responsabilizar pela sujeira em sua porta. No momento ninguém havia tido coragem para realizar a limpeza.

E na república de leões, considerada a mais agitada, o silêncio também reinava. Todas as portas dos quartos se encontravam fechada, exceto a do banheiro no corredor, que estava aberta.

Na sala os sofás, mesas e cadeiras estavam espalhados. Na cozinha tinha comida ainda em cima da mesa, apodrecendo. Copos eram encontrados até no banheiro. A sorte de todos eles era de que Danion não dormiu lá. Se o branquelo fosse o primeiro a acordar, paz ninguém teria com ele infernizando a vida de cada um.

Sean abriu os olhos.

Quarto estranho, como era de se imaginar. Só conseguia analisar o cômodo naquele momento, completamente iluminado ainda que suas cortinas estivessem fechadas. Nada se comparava ao conforto de sua república, até Colin sabia disso.

Falando em Colin, foi só pensar no namorado que ele o notou: Colin estava dormindo afastado, deitado de bruços e braço caído. Enquanto o moreno havia dormido com o corpo na direção do teto, pernas abertas e braços sobre a cabeça. Eles estavam nus.

Sean olhou para o chão na esperança de encontrar sua bermuda, mas não se lembrava de onde a havia colocado. Até começar a ter suas memórias devolvidas. O moreno rolou na cama para buscar seu aparelho celular, porém notou que já não havia mais bateria. Não sabia que horas eram aquelas e detestou não encontrar um relógio no quarto.

Ele se esforçou para se sentar na cama, coçar seus olhos e olhar para trás, novamente vendo seu namorado dormir.

Sean caçou por sua cueca no chão e a vestiu, depois procurou embaixo da cama a sua bermuda, também a vestindo. Ele buscou sua camisa e a pôs sobre seu ombro e segurou o par de tênis em sua mão direita.

Sean tocou nas costas de Colin devagar, acordando-o. O pequeno resmungou baixinho antes de abrir os olhos e encontrá-lo de pé.

— Já vai? —perguntou coçando os olhos e rolando na cama para ficar no centro dela, pouco se importando se estava nu. — Que horas são?

— Eu não sei que horas são, mas acho que já está hora de você levantar. A estrada é longa, Colin.

O pequeno se esticou na cama.

— Eu vou na minha república tomar um banho e separar umas roupas, depois vou passar na universidade pra pegar o meu carro e volto pra te buscar. Esteja pronto, certo? — indagou.

Colin pareceu não ter escutado, mas ele já havia compreendido. Só estava com preguiça de responder. Por isso fechou os olhos mais uma vez.

Sean saiu do quarto e desceu a escada em silêncio total, conseguindo abrir a porta provocando o menor barulho possível.

Colin só não sabia que iria voltar a dormir mais uma vez. Isso aconteceu porque ele não teve disposição pra levantar e resolveu tirar um cochilo nos malditos mais cinco minutos que achava ter direito.

Quando ele novamente abriu os olhos, encontrou Sean novamente em sua frente. Porém diferente da imagem anterior, seu namorado estava de cabelo arrumado, camisa regata cinza, bermuda branca e sandálias azuis.

— Porra, você ainda tá dormindo?

— Que horas são? — Colin tornou a perguntar, ainda sonolento.

— Duas da tarde, filho da puta. Desce já daí e vai tomar um banho. Eu te espero lá embaixo.

Colin não respondeu, novamente. Ele fechou seus olhos.

Para seu azar, Sean o empurrou da cama, fazendo com que ele caísse. Colin sentiu o desespero do momento e a preguiça ser expulsa do seu corpo dando espaço a raiva.

— Agora vê se toma banho. — ordenou o moreno, limpando as mãos e saindo do quarto.

Sean esfregou seus olhos enquanto descia. Sozinho ficou na sala sem ter a opção de mexer em seu celular por se encontrar sem bateria. Foi quando ouviu a porta de um quarto no corredor ser aberta.

Era Octavio. O moreno e namorado de William foi diretamente para o banheiro, onde lavou seu rosto e depois foi para a sala, já tendo visto o Sean.

— Você realmente dormiu aqui... — Octavio falou, sentando-se ao seu lado.

— Primeira e última vez. — respondeu o moreno.

— Então vamos comer aqui pela primeira e última vez. — fez piada, faminto e querendo preparar algum café da manhã.

— Não estou com fome, estou esperando Colin. Você não vai?

— Para onde? — perguntou fazendo careta.

Sean o olhou como se não estivesse acreditando na pergunta.

— É agora? — Octavio perguntou.

Sua cara de sono e de surpresa era hilariante. Ele até levou suas duas mãos as bochechas.

— Já viu que horas que são?

— Preciso acordar o William.

— Então vai logo e separa umas roupas, não voltaremos hoje e nem amanhã.

— Iremos viajar? — perguntou.

— Digamos que sim. — respondeu dando de ombros.

Octavio ficou de pé e saiu imediatamente da sala. O líder dos tigres aguardou mais um pouco até que seu namorado abrisse a porta do primeiro andar e surgisse de lá com uma mochila nas costas, boné e um rosto de puro ódio, sono e preguiça.

Ele foi descendo degrau por degrau até sentar no meio da escada e por as duas mãos no queixo.

— O que foi que tá me olhando com essa cara de cu? — Sean perguntou. — Se não quiser ir é só falar que ficamos por aqui mesmo.

— Ai, não me enche o saco pela manhã.

— Já te disse que horas que são. — retrucou.

— É manhã sempre que eu acabar de acordar, por isso: bom dia. — ironizou.

Sean revirou os olhos e ficou de pé para ir até as escadas e ficar no início dela.

— Convidei Octavio e William.

— Eu iria fazer esse convite ontem, mas acabei esquecendo. Sempre quis levar William pra Aroma. Foi bom que tenha feito isso. — respondeu com voz sonolenta.

— Então quer dizer que vamos pra sua cidade, Colin? — William apareceu.

Diferente do amigo, ele estava revigorado, apesar de também acabar de acordar. O loiro estava com uma toalha no ombro.

— É melhor irmos antes que a limpeza sobre para nós. Vai todo mundo ficar puto conosco por estarmos fugindo sem avisar para onde vamos. — Octavio disse também surgindo no corredor.

— Então falem baixo. — Colin disse. — E se arrumem logo.

William não perdeu tempo e entrou no banheiro. Octavio voltou para o quarto e separou algumas roupas, tanto suas como as de seu namorado. Feito isso, as colocou em uma pequena mala e esperou o loiro sair do banho, depois se preparou parar fazer o mesmo.

O líder dos leões surgiu na sala já arrumado, assim como todos eles trajando bermuda e regata.

— Será que vai dar certo? Nós quarto? Vocês tem certeza disso? — William perguntou, sentando-se numa cadeira que encontrou ao seu lado.

— Pode me passar as chaves do carro, Sean? — Colin pediu, desviando o assunto de William.

— Deus me livre. — falou de imediato.

— Eu só quero entrar e me deitar no banco traseiro, seu babaca. Estou morrendo de sono ainda. — falou se levantando e descendo os degraus.

Ele não se preocupou em tomar as chaves do carro do namorado. Depois disso abriu a porta da república e foi até o automóvel estacionado ali na frente. Colin realmente se jogou no banco traseiro e por lá ficou.

Octavio finalmente terminou o seu banho e se vestiu. Diferente dos demais, estava sem camisa. Acabou surgindo na sala com a mala que preparou.

Os três saíram da república e foram até o carro e William quem guardou a mala no carro de Sean.

O líder dos leões optou por ir no banco traseiro, fazendo Colin repousar a cabeça em suas pernas. Octavio foi no banco de passageiro, ao lado de Sean, que pôs um óculos de sol assim que se sentou.

— Ei, filhos da puta, pra onde vocês estão indo?!

Danion gritou ao sair correndo da república dos águias.

— Pisa no acelerador! — Colin falou. — Corre daqui!

Sean teria feito isso se o branquelo não se lançasse em frente ao carro, impedindo qualquer ação do líder dos tigres. Na verdade, ele não impediu, Sean só não queria passar o resto de sua vida atrás das grades por matar alguém.

— Estão saindo sem mim? Porra, sacanagem hein. Ei, Caine, vem ver o que seu amigo Colin está fazendo. Vai sair e não te convidou. — gritou no gramado da república.

Caine saiu de lá sem entender a situação, mas acabou também indo até o carro e encontrando Colin deitado sobre as pernas de William.

Danion era um completo filho de uma puta.

— Pra onde está indo, Colin? — Caine perguntou, sem grosseria, apenas por curiosidade.

— Pra minha casa.

— Caine, prepara uma bolsa de roupas, nós também iremos. — o branquelo falou, se oferecendo.

— Quem te convidou? O Caine pode ir conosco, mas você não. — Colin usou das palavras, sua maior arma. — Ainda tem uma vaga aqui, Caine, vem, entra.

— Não fala assim, Colin. Deixa o Danion também ir. — William tomou a voz.

— Eu não moro em uma mansão. — Colin falou. — Mas tudo bem, se é o jeito, vamos... Nós não voltaremos hoje, Dan. — revirou os olhos.

— Espero que tenha sinal pra internet na sua cidade. — o branquelo disse, afastando-se do carro. — Espera só que eu vou arrumar umas coisas e pegar minha moto. Fui esperto e a deixei no beco durante toda a festa.

Sean saiu do carro e encostou-se nele. O pequeno Colin permaneceu deitado nas pernas de William enquanto aguardavam Danion se preparar. Octavio estava se olhando no espelho retrovisor em busca de arrumar seu cabelo ainda molhado.

Não demorou muito para que Caine surgisse com dois capacetes na mão e uma mochila nas costas.

— Vocês já comeram? — Caine perguntou, porém olhou para Sean, fazendo então o moreno retirar os óculos de sol.

— No caminho podemos fazer isso. — Octavio respondeu pra ele.

— São quantas horas daqui até a cidade do Colin? — Caine fez uma nova pergunta.

— Três horas. — Colin respondeu.

— Então senta que vem estrada pela frente. — brincou o loiro enquanto tocava os fios castanhos de Colin.

Todos eles ouviram o som produzido pela moto de Danion. O branquelo fez questão de estacioná-la ao lado do carro do Sean só para depois fazer comparação.

Foi quando Caine saiu do seu lugar e montou na garupa da moto, entregando um dos capacetes ao Danion. O branquelo usou a proteção e Caine fez o mesmo.

Sean voltou para dentro do carro e pôs o cinto, fazendo Octavio repetir a ação.

— Vão na frente que eu sigo vocês. — Danion falou.

— Esse cara é um babaca. — Sean falou baixinho para todos no carro. — Tudo bem! — gritou para Danion.

— Vocês sabem que estamos sendo bem desgraçados com todos os outros, não sabem? — Octavio perguntou acomodando-se no banco.

— Pior vai ser quando Sebastian acordar e não encontrar Caine no quarto. — William falou.

— Esse é o problema dos leoninos, vivem se preocupando com tudo. — Sean falou antes de ligar o carro e o som.

— Desliga isso, filho da puta! Não percebe que eu quero dormir? — Colin bradou.

— O carro é meu e prefiro não ouvir sua voz até chegar lá. — retrucou enquanto dava a ré.

— Me irrita e eu faço você perder o controle do volante! — Colin ameaçou.

— Credo, Colin, eu também estou aqui. — William falou.

— Ei, seus desgraçados, vão logo, pois ainda preciso abastecer a moto. — Danion gritou.

— Calma, Dan! — Caine disse ao envolver suas mãos em sua cintura.

— Enfim, vamos logo, estou com fome. Aproveita que Danion vai abastecer e compramos algo. — Octavio tomou a palavra.

— Nós quatro juntos... — Sean disse arrumando o óculos.

— Nós seis. — William corrigiu.

— Vai dar merda. — Sean finalizou.

Sean então pisou no acelerador na tentativa de fazer Danion comer poeira, porém fracassou. Danion era até mais louco que ele e conseguiu acalcá-lo e até ultrapassá-lo antes de chegarem à saída da Quadra que era de encontro à avenida.

— Até breve, república de leões. — Colin falou, despedindo-se de sua república.

[...]

Voe como a águia. Cace como um tigre. Ruja como um leão.

[FIM]

Notas finais
O agradecimento foi grande demais e o Nyah não deixa que eu poste, então postei no ask e vai aqui o link: http://ask.fm/thomasnyah/answer/132478110492 Agora, vejam essa imagem: http://i.imgbox.com/lrdF6Y4q.png Thomas, vai ter uma segunda temporada? Sim! Mas uma nova aventura tem início. Thomas, os personagens vão continuar? Poucos. Ainda há história para alguns casais. Há novos personagens. Onde posso ler? Aqui: https://fanfiction.com.br/historia/671062/Republica_de_Tigres/ É isso, pessoal... Como o Colin disse: Até breve, república de leões! Foram 2 anos e 6 meses com vocês
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!