Notas iniciais
O que antes era meu.

Colton tentava soltar-se das fortes mãos de Octavio que o impedia. Mas o inimigo não o soltava mesmo se ele implorasse. Não era do feitio do Octavio agir daquela forma, mas percebeu a necessidade que tinha ao se tratar de Colton. Usar das mesmas armas para atingi-lo.

Sendo amado e odiado ao mesmo tempo, Colton não teve ninguém em sua defesa. Resolveu enfrentar quem menos deveria: o homem das duras palavras, Octavio.

— Octavio, o que se passa? — William indagou ao aparecer.

Ele tinha voltado de uma caminhada que resolveu fazer sozinho para espairecer um pouco.

Tendo que soltar Colton, Octavio limpou suas mãos. Estava assustado, sem sequer conseguir ter palavras para explicar ao namorado.

— É melhor você ir. — Pediu para o rival.

Sem conseguir falar nada, Colton mandou-lhe um olhar jamais visto e completamente carregado de ódio. O mesmo olhar foi em direção ao William que não se sentiu intimidado, apenas estava por fora da situação.

Colton não ousou falar uma só palavra. Furioso, acabou saindo dali e foi direto para sua república.

William não desviou os olhos um minuto até que ele entrasse. Depois olhou para o namorado que parecia estar nervoso e ao mesmo tempo satisfeito.

— Will... — O apelido que ele raramente proferia.

— Isso faz parte do seu segredo? — O loiro perguntou, seco.

— Precisamos conversar. — Falou o moreno ao se sentir pronto e capaz.

William o olhou por certo tempo enquanto Octavio mantinha um olhar temeroso.

— Venha comigo. — Disse o loiro ao dar as costas.

Octavio o seguiu sem pestanejar e, rapidamente, colocou-se ao lado dele.

Em um silêncio árduo, Octavio buscou meios de como seria sua explicação para o namorado. Tinha medo. Um medo que sempre existiu quando se tratava de William. Afinal, era incrível como sempre estava escondendo algo dele. Deveria estar adaptado a isso, mas aquela sensação nunca foi agradável.

Resultou em que os dois estavam em uma doceria e cafeteria não muito longe da Quadra. Lugar amplo e tranquilo para terem uma conversa. Sem contar que como os universitários davam preferencia a lanchonete, que naquele horário de almoço estava um caos, o lugar onde estavam, embora com uma boa quantidade de pessoas, em seu primeiro andar, sentiam-se seguros.

Escolheram um lugar afastado, sem clientes nas mesas vizinhas.

O loiro optou por uma fatia de bolo enquanto Octavio optou por algumas trufas com cereja.

— Nunca mais aparecemos por aqui. — O moreno deu início ao diálogo, apenas percebendo que William estava esperando que ele abrisse a boca.

— Muita coisas deixaram de acontecer há bastante tempo.

O bolo e as trufas chegaram e, por isso, foram interrompidos. William sequer tocou em seu bolo e Octavio já estava saboreando a trufa, nervoso, sendo capaz de abocanhar uma inteira.

— Quanto tempo vai levar até você me contar? Não estou insistindo. Mas se não quiser contar, apenas coma e converse comigo. — Finalmente comeu do bolo.

— Depois do que aconteceu ontem, percebo que no fundo sempre te magoei com meus segredos.

— Estou aprendendo a lidar com isso. Não quero te forçar a nada.

— Mas eu prefiro contar o que está acontecendo. Por três vezes me perguntou se eu te amava. Eu não menti em todas elas. Mas ainda assim te afirmei enquanto te escondia algo. Não há mentiras no amor.

Feliz com o que ouviu, William somente balançou sua cabeça concordando. Por isso William não estava profundamente magoado com Octavio, ele também resolveu esconder, por medo, que havia transado com Mark no passado.

— Antes de tudo, eu vou te contar o que aconteceu para que eu escondesse a verdade de você. — Iniciou o moreno.

[início do flashback]

Sean estava assistindo algum programa aleatório, apesar de não prestar atenção no que passava. Seus pensamentos distantes não o deixavam se concentrar em nada.

De repente alguém bateu a porta. O moreno se levantou preguiçosamente e foi atender, pronto para xingar aquele que estava importunando-o.

Ao abrir a porta, calou-se.

— Esse dia em breve chegaria. — Octavio falou.

Sean ficou estático com aquela surpresa: Octavio. De todos os moradores da Quadra, ele nunca pensou que aquele que um dia já foi seu melhor amigo, estivesse ali. E pela cara dele, coisa boa não iria ouvir.

— O que o traz aqui? — O moreno indagou ainda surpreso.

— Colin.

Assustado, engoliu em seco. O coração bateu muito forte.

— O que aconteceu com ele? Ele tá bem?

— Sério que você está me perguntando isso? Por favor, Sean, menos. Não finja que se preocupa com ele. Se realmente se preocupa, não o teria feito chorar. O que fez agora para se sentir mais odiado do que já é?

Sean deixou a porta aberta e sentou-se no sofá. Compreendendo, Octavio entrou na casa e a fechou.

— Pode não parecer, mas eu me preocupo com ele. — Já estava de cabeça baixa encarando suas mãos.

— Sem essa. É verdade que não parece. Você não se preocupa com ninguém senão o seu próprio bem estar.

Octavio teve razão ao pronunciar as palavras e Sean sabia disso. E o ex-tigre prosseguiu:

— O garoto está chorando como se parte de si fosse arrancada bruscamente. Acha justo ser assim? Até quando você vai magoar as pessoas? — Continuou. — Coloque na sua cabeça que no final, vai ser como sua mãe: velha, fria e amarga. Você tá traçando esse caminho e não percebe. Fará da solidão um abraço eterno e quando fechar os olhos não mais conseguirá abrir.

— Eu me odeio, Octavio. Não consigo fazer nada certo. Eu preciso da sua ajuda.

— O ódio não é o que te alimenta? Então se sustente com o que produz. — Um tapa na cara proferido em palavras.

Sean ao ouvir isso, até quis sair dali. Octavio nunca o atingiu tão profundamente ao falar isso.

— Eu preciso da sua ajuda... — Pediu, baixinho.

— Da minha ajuda? Depois de tudo o que você fez? Não, Sean. Eu só quero que você vá lá e conserte o que fez ao Colin. Recupere o sorriso do dele, porque o garoto só agora sabe o que é ter um coração quebrado em mil pedaços.

— Eu preciso da sua ajuda! — Ele gritou, suplicando. Octavio até se assustou. — Eu amo o Colin, Octavio. — O olhou bem nos fundos dos olhos, pronunciando a última frase em um murmúrio.

— Quem ama não faz o que você fez. Da mesma forma não faz o que estou fazendo, no caso, mentindo. Protegendo o meu namorado e protegendo o garoto que você mente ao dizer que ama. No fundo, todo mundo sai errado. Minha história com você reflete em Colin e William. Nós quatro somos ligados de alguma forma. Somos todos mentirosos, exceto William. Ele vai ser o mais prejudicado.

Um breve silêncio tomou conta da sala.

— Você tem toda razão. — Sean deitou-se no sofá.

— Então não espere Colin te odiar. Porque aí será tarde demais.

Octavio voltou a abrir a porta. Tinha dito o que queria.

— Já vai? — O moreno perguntou triste por isso.

— Não estou aqui pra passar o dia com você. Não somos mais amigos. Estou apenas dizendo na sua cara o quão covarde você é pra fazer o que fez ao Colin. Não sei exatamente o que aconteceu. Mas como é você, sei que foi algo extremamente ruim.

— Colton está me ameaçando.

Não houve motivos para não se interessar. Octavio se virou.

— William e eu não somos irmãos. — Estava olhando para o teto ao revelar.

— Não brinca com isso. — Não estava querendo acreditar.

— Colton descobriu de alguma maneira que também sou filho bastardo. Não estou mentindo. Não quero brincar com isso. — O moreno fez questão de olhar para Octavio, dessa vez.

— Como posso acreditar em você?

— Você acredita em mim, eu sei disso. — Ele sentia — No fundo ainda se preocupa comigo e não veio aqui apenas por Colin. Eu errei com você. Errei muito feio, Octavio. Mas eu preciso da sua ajuda. Não consigo caminhar sozinho, sinto falta do meu único e melhor amigo.

Octavio foi pego pelas palavras de tal maneira que não soube o que responder. Ele até mesmo ficou sem reação e constrangido.

— Pode nunca mais me perdoar, mas eu queria que me ouvisse.

E então Sean explicou toda a história sobre o Colton. De como ele revelou o segredo até o momento em que fez as ameaças em sua república. Revelou que Colton era líder dos Tigres e que não mais voltaria para Quadra por um tempo. De como tinha vontade de querer revelar tudo para o mundo, mas também sentia medo.

— Eu sou um covarde. Colton pediu e eu simplesmente fiz por não conseguir ser forte — De cabeça baixa, Sean assumiu.

— Eu concordo com você. Você é um covarde. — Ainda tentava digerir toda a informação.

— O que eu tenho que fazer?

— Parar de ter medo. Mas isso é algo que eu não posso te forçar. Apenas sinto pena do Colin que acabou adentrando nisso. Mais um há ter o coração quebrado por você. Já parou pra pensar que qualquer um que se aproxima de você, um dia sai machucado?

— Qualquer um que entra em meu conflito com William.

Sean teve razão e Octavio precisou concordar com isso. Ele voltou a se sentar no sofá.

— Eu percebi algo. — O moreno falou, mas Octavio não disse nada, por isso prosseguiu — Colton está planejando algo.

— Por que acha isso? — Octavio indagou.

— Não sei bem explicar. Mas Colton tá atingindo diretamente a mim. Se não fosse isso, qual a razão pra ele desmascarar minha mãe e me fazer ficar longe do Colin? E também...

— Acabar com a nossa amizade. — Completou — Mas isso não foi um plano somente dele. — Jogou as palavras na cara do Sean.

— Eu sei que não... — Sempre atingido pelas verdades de Octavio — Mas desde que Colton voltou, ele parece está mais esperto para tudo. Cada pessoa é atingida de alguma forma. Mas o Colton me tirou você, derrubou a minha mãe e agora o Colin. Não é estranho ele manter o foco em mim? Vale lembrar que tomou minha liderança e me traiu no passado.

— Pode ser coincidência.

Sean percebia a má vontade de Octavio apenas pela voz.

— Pode me ajudar? — Sean indagou.

— Ajudar? Sean. Eu não quero me prejudicar com isso. Ainda não somos amigos. — Octavio o respondeu.

— Mas eu não tenho ninguém pra confiar... Por favor, Octavio. Em nome de tudo o que já passamos. — Sean estava abaixando as armaduras.

— Como disse, Sean, não somos amigos.

Octavio então deu um passo para fora de casa.

— Me perdoa! — Pediu o ex-amigo, ainda sentado no sofá.

Mas Octavio ignorou e apenas ouviu a porta se fechar logo atrás dele.

Deu apenas alguns passos e parou.

Como um filme, vários momentos ao lado do moreno passaram por seus olhos. Até mesmo os que haviam esquecido. De como se conheceram e como era difícil lidar com Sean. De quando caiu e o amigo o socorreu. Do momento em que perdeu uma tia e Sean esteve com ele durante o dia inteiro. Do dia em que foi aprovado no curso em que sonhava e comemorou com Sean. E, também, das vezes em que Sean, mesmo detestando, ouviu suas lamentações a respeito de William. O que era irônico, já que Sean foi o culpado pela separação.

Porém, durante todo esse tempo, não conseguiu recordar de um momento em que Sean insinuou o perdão. Foi raro e até histórico, por isso, Octavio voltou atrás, abriu a porta e encontrou Sean indo para a cozinha.

Sean se virou, aliviado.

Octavio sempre seria a razão, o sustento e o melhor amigo do Sean. Seria o único capaz de torná-lo homem e não um moleque.

— Que bom que você voltou, meu amigo. — Sean falou, embora não sorrisse, o seu olhar demonstrou a felicidade.

[final do flashback]

William ouviu toda a história atentamente, embora não estivesse completamente feliz com isso. Era óbvio e Octavio até compreendeu isso. Mas no contrário do que se imaginava, o loiro recebeu sem alarde a história contada pelo namorado.

— São amigos novamente? ­— William perguntou ao olhar para o prato.

— Não... — Octavio respondeu, sendo sincero.

Ouvindo isso, o loiro levantou seus olhos para o do namorado. Percebendo o olhar de William, Octavio prosseguiu:

— Não sou tão idiota assim, William. Mesmo com um pedido de desculpas eu não vou fingir que nada aconteceu. Desde aquele dia nunca mais conversamos. Eu sabia sobre você e Sean não serem irmãos, mas dei a oportunidade dele revelar. Não é um direito meu fazer isso. Desde aquilo eu então resolvi agir.

— Então por que estava batendo no Colton?

— Eu não estava batendo nele. Somente me defendi quando tentou me agredir. O problema é que o Colton quando é pego pela mesma arma que usa: as palavras, não sabe como reagir e tenta partir pra agressão. E eu descobri algo do seu passado.

— Você o conhece muito bem pra saber que apenas se tornou mais um alvo para ele, não sabe? — William pôs o cotovelo sobre a mesa e levou sua mão ao queixo.

— Sean me disse que eu era o único capaz a jogar o mesmo jogo do Colton. Os segredos são as melhores armas para atacar aqui na Quadra. Isso não significa que sou igual ao Colton.

— Se fosse eu não te amaria. Mas o que descobriu a respeito dele?

— Colton perdeu o irmão em um acidente. Chamava-se Julian e já foi morador da Quadra.
Mas se formou anos antes de chegarmos aqui.

— Sobre Colton ter um irmão eu sabia, mas não sobre a morte.

Octavio parou um pouco e comeu sua última trufa.

— Até onde eu sei Julian morreu no hospital da mãe do Sean. Deduzi que Colton a culpa pela morte dele, mas não sei exatamente de que forma. Talvez ele queira descontar isso em Sean.

— Então Suzana é assassina?

— Eu não sei te dizer, William. Não sei se ela realmente tem culpa nisso, porque não sei de todos os fatos, mas apenas sei dessa ligação sobre o hospital e Julian. Inclusive, Colton também foi acidentado e esteve no hospital. Tudo o que sei é até aí.

— E como descobriu?

— Sean chegou a conhecer a mãe do Colton. E foi essa a fonte principal da informação. Quando disse que viajaria por um dia, foi apenas para isso. Eu fingi fazer uma pesquisa e a perguntei sobre os filhos, foi então que ela me falou sobre Julian e Colton.

— Me pergunto até que ponto você foi...

Octavio também não ousou continuar. Em partes achava que exagerou indo até lá, mas também não se arrependia.

— E porque não contou ao Sean o que já sabe?

— Você é meu melhor amigo e meu namorado. Acho que chegou a hora de nunca mais esconder nada de você. Eu só estava com medo, principalmente após o que aconteceu com Colin.

William não queria recordar disso.

— Bem, pelo menos sei que está querendo mudanças, assim como eu. Não quero fazer disso motivos para uma discussão. Estou bem em saber que você conversou comigo sobre tudo.

— Eu queria pedir permissão para...

— Não me peça permissão. — O interrompeu — Não sou seu dono. E se quer conversar com o Sean, vá lá. Já disse que tudo o que tem que fazer é não me magoar.

Depois disso o diálogo foi encerrado e William comeu em seu silêncio. Octavio pediu por uma água e observou, da janela, a movimentação.

— William... — Octavio deu início a um novo diálogo.

— Diga. — Não o olhou.

— Nunca mais vai conversar com o Colin?

William o ignorou. Octavio entendeu o recado e não falou mais nada. Não queria irritar quem já demonstrava indícios disso.

[...]

Connor e Ian estavam na lanchonete e, por sorte, encontraram um lugar vago. Como na república ninguém havia feito almoço, eles decidiram comer ali. Ian não queria comer pizza com os outros e como o namorado jamais o deixaria sozinho, optou por acompanhá-lo, mesmo após ter comido duas fatias de pizza antes de chegarem no local.

Um dos alimentos mais consumidos, na região, devido à correria do dia a dia, era o hambúrguer.

— Ei, Rennan! — Connor acenou com a mão.

Rennan era um garçom da lanchonete, também amigo de Connor. Ele era alto e magro, com olhos escuros e cabelos curtos na mesma cor.

Sorrindo, o aparentemente amigo de Connor aproximou-se com um bloco de notas.

— Cara! Eu tenho novidades legais sobre um jogo que tô desenvolvendo. — Tinha bastante sotaque.

Ian observou atentamente o garoto.

— Sério?!

— Sim! Mas te conto na segunda lá na aula. Aqui tá uma correria e eu não posso ficar parado. O que vai querer?

— Dois combos especiais e uma porção de batatas fritas a parte. — Respondeu já sabendo do pedido do namorado.

Rennan anotou os pedidos e olhou para Ian, sorrindo. Logo em seguida afastou-se.

— Quem é Rennan? — Ian perguntou, mas não estava sentindo ciúmes. Apenas curiosidade.

— Ele é minha dupla lá no curso. Eu já te falei dele, esqueceu? É ele o aluno que desejam expulsar. Ele não para quieto, mas é super criativo e tem umas ideias legais.

— Ah, o garoto que eu acredito que tem probleminhas? Ele me parece ser uma boa pessoa, apesar de tudo. Também fico feliz de que esteja fazendo novas amizades. Está gostando do curso novo?

— Muito! Eu preciso te levar lá um dia. Tem muita gente que joga videogames, Ian! Muita mesmo! Até me chamaram pra um campeonato. Mas eu já disse que não te troco por nenhum outro parceiro. Vai ser pra sempre o meu segundo controle.

Ian sorriu e segurou a mão do namorado, fazendo breves carícias mesmo estando na lanchonete. Connor retribuiu o sorriso da forma que Ian mais amava: grande e bobo.

— Esses dias eu estive pensando em viajar. — Ian sibilou.

— Mas e eu?! — Indagou de imediato.

— O que tem?

— Você vai me deixar... Ah, não, Ian! Eu não quero ficar sozinho. — Parecia realmente triste

— Você iria comigo, seu bobo. Uma viagem a dois, eu e você. Aproveitando alguns dias conhecendo alguns lugares.

— Vou poder levar meus jogos?

— Pelo visto isso vai ser assunto pra outro momento. — Ian sabia que perderia tempo explicando ao Connor o que realmente queria. — Enquanto a comida não chega, vou ao banheiro.

Levantando-se, Ian afastou-se do namorado e caminhou até o banheiro. Antes mesmo de chegar lá, um garoto afastou a cadeira pondo-a no caminho que Ian prosseguia. Sem querer discutir, ele olhou para os lados em busca de uma nova passagem, mas todas estavam interditadas por universitários.

— Por gentileza, eu poderia passar? — Ian pediu para o garoto que parecia querer arrumar encrenca. Ele o conhecia.

O garoto somente olhou para Ian e o ignorou. Por mais uma vez, Ian, educadamente, pediu por passagem:

— Por favor, eu preciso ir ao banheiro. — Pediu.

— Não está vendo que estou comendo?

— Eu apenas peço para que afaste um pouco a sua cadeira.

Ian notou que algumas pessoas que o acompanhavam na mesa estavam com o riso solto, apenas olhando para o garoto que também queria sorrir. Era algum plano para provocá-lo e Ian reconheceu isso imediatamente.

Eram alunos do mesmo curso que fazia e, infelizmente, cumpria algumas aulas com eles, mesmo nunca declarados amigos. Eram babacas, no geral, que faziam piadas homofóbicas na ausência dos professores.

Ian ainda permaneceu de pé. Ele estava tranquilo, embora aos poucos estivesse beirando a irritação.

— Mike, por favor, eu só peço para ir ao banheiro. — Chamou pelo nome do garoto.

— O veadinho é realmente insistente, hein.

Essa foi a consequência que Ian adquiriu ao admitir, em sala de aula, que era gay e estava namorando. Principalmente quando a homossexualidade entrou em pauta e eles tiveram que, teoricamente e em uma simulação, resolver um caso tratando do assunto.

— Está bem, eu não quero confusão.

Ian deu as costas, mas outro garoto colocou os pés para que tropeçasse e isso aconteceu. Pelo tombo que tomou, Ian machucou o nariz que passou a sangrar em poucos segundos. Ouvindo gargalhadas, ele se levantou, recompondo-se.

— Pretendem mesmo exercer a profissão de vocês assim? Dentro da sala de aula fingem ser uma coisa e fora dela mostram a verdadeira face? — Falou ao enxugar o nariz com a própria mão.

Levantando-se e sendo pego pelo colarinho da camisa, Mike o indagou:

— O que é que você falou?

Mas nesse momento, Connor já estava ali, ao seu lado.

— Por que está segurando o meu namorado? — Connor perguntou, afastando Ian de Mike.

— É você o garoto?

— Claro que sou garoto, tá me vendo com seios aqui?

Todos riram de Connor que nem sequer se sentiu ofendido.

— Qual foi a piada que eu não entendi? — Ele, insatisfeito, indagou. Mas então olhou para Ian, que tinha os olhos marejados. — O que houve? Ian, por que seu nariz tá sangrando?

— Vamos voltar pra o nosso lugar, veja só, o número do nosso pedido acaba de ser anunciado. — Sorriu.

Mesmo Connor sendo o garoto mais bobo do mundo, ele foi inteligente o suficiente para saber que aquele sorriso demonstrava tristeza. Ao notar a lágrima que escapou do olho de Ian, Connor teve seu coração atingido.

— Tá triste, Ian? Eles te fizeram algum mal?

— Vem, vamos. — Ian segurou no braço do namorado.

No mesmo momento em que Ian caiu, os olhares foram direcionados para ele. E apenas Connor e mais alguns, que por estarem de costas, não tendo acompanhado tudo, não sabia exatamente o que tinha acontecido.

— Como pode? Além de ser gay tem um namorado burro. Merece uma surra! — Mike mandou as palavras acompanhada de gargalhadas.

Ian aguentou calado até o momento em que lhe insultaram. Mas insultar Connor não foi a melhor alternativa. Ele se virou para proferir algumas palavras duras à Mike, mas quando olhou, Connor já não estava mais do seu lado.

Foi num piscar de olhos.

Mike até levantou os braços para se defender, porém Connor usou das pernas e deu um único chute, capaz de fazer o garoto levar consigo tudo que estava atrás dele: mesas e cadeiras. Com Mike ainda caído, Connor montou sobre ele, o puxou pelo colarinho e apenas deu três socos. O suficiente para deixá-lo desacordado.

Não tendo visto, no impacto, Mike deslocou o braço.

Connor se levantou e olhou ao redor. Era incrível como mesmo assim ele não parecia irritado. Tinha o mesmo olhar bobo, embora preocupado com o namorado de pé, incrédulo por sua reação.

— Isso me deixou com fome. — Connor falou e sorriu para Ian. — Acho que vou pedir outro combo.

Mas eles nem sequer fizeram isso.

Expulsos da lanchonete, assim como todos os envolvidos na confusão, Ian não dizia nada e apenas ouviu os resmungos do namorado do lado de fora enquanto voltavam para a república.

— Droga! Por que ele não me deixou comer? Eu iria pagar!

Ian estava entristecido. Era terrível o preconceito ainda existente na universidade. Por isso adorava sua república e se sentia tão acolhido nela por ter pessoas tão parecidas. Tinha medo que o preconceito atingisse o lugar que estava morando com os companheiros. Já tinha ouvido histórias de Leonard e nunca na pele passou por algo tão sério como o de agora. Mas era um fato: Se assumir numa sociedade tinha suas consequências, infelizmente, o preconceito era a maior delas. Na verdade, a única consequência.

— E agora, Ian, o que vamos comer?! Estou com fome!

Connor nem mesmo estava se importando de ter deixado um cara desacordado. Ele nem sequer pensou no assunto. Comida era mais importante que isso.

Mas então, em meio aos resmungos, Connor foi abraçado. O corpo daquele que tanto amava implorou por aconchego ao derramar suas lágrimas.

— Ian? Por que está chorando? É por que não vamos comer hambúrguer?

Até mesmo Ian, que aparentemente é uma pessoa emocionalmente estável, desmorona diante de atos como esse.

— Eu já chorei porque não me deram comida. Mas olha, não fica assim, eu vou fazer uns hambúrgueres caseiros para nós dois. Faço quantos você quiser! — Tentava consolá-lo a todo custo.

Mas Ian chorava com leves soluços.

— Poxa, não chora! Não pode chorar, tem pessoas olhando para nós. Vem cá, sobe nas minhas costas!

Mas Ian não o largou, o abraçou muito forte para isso.

— É por causa do que eles fizeram, não é? — Connor então perguntou o que Ian queria ouvir. Por isso balançou a cabeça, afirmando. — Eles não vão te surrar, eu jamais deixarei que isso aconteça.

Enxugando as lágrimas, Ian olhou para o namorado.

— Não use dos punhos para combater a homofobia.

— Eles me chamarem de burro, ok! Mas falarem que vão te surrar... Ah, isso nunca vai acontecer.

— Não tenho medo da surra, meu amor. Tenho medo de que o mundo se perca em seu preconceito.

— Faz de conta que eu sou o mundo! Ele não vai se perder. E você é o meu guia! É impossível que eu me perca!

Deixando escapar um sorriso, Ian voltou a abraçá-lo, mas agora caminhando.

— Eu te amo tanto, Connor. E jamais me arrependerei de dizer isso. Você é, sem sombra de dúvidas, a pessoa mais perfeita e inteligente desse mundo.

Não que Ian estivesse ironizando. Mas mesmo dizendo coisas desconexas, Connor conseguia ser inteligente da sua forma. Até porque considerava os ignorantes e preconceituosos; burros.

— Ah, mas eu ainda tô com fome...

Ian sorriu.

— Canta pra mim?

— O que posso cantar pra você? — O olhou.

— Uma que me faz te amar cada dia mais. A que cantou no baile.

Connor beijou a cabeça do namorado, o abraçou ainda mais e sim, segurou em suas mãos em plena luz do dia, com os dedos entrelaçados. Para Connor, com a mente longe de preconceitos, aquilo não era problema algum. E mesmo Ian temeroso, após a situação anterior, não se importou com os olhares alheios. Ele tinha alguém para sua defesa. Alguém que seria capaz de se sacrificar por ele. E o sentimento e vontades eram recíprocos.

E soltou a voz suavemente:

...‘Cause all of me, loves all of you...

...Porque tudo em mim, ama tudo em você...

[...]

Caleb finalmente tinha colocado suas coisas dentro da república. De volta ao lar, não sabia exatamente se estava feliz. Visto que um dos motivos da sua saída foi a separação de Noah e também Joshua e sua ameaça.

O ruivo também estava por ali. Decidido a voltar para a Quadra, apenas na intenção de ficar mais próximo do loirinho que já tinha pescado o seu duro coração.

— Eu irei visitar o seu irmão. — Caleb falou enquanto sentava-se na cama do quarto.

Quando os leões ainda estavam ali, o quarto pertencia ao Leonard e Danion.

— Não sei se será uma boa ideia. — Joshua falou encostando-se a porta.

— Talvez não. Mas preciso ver como Noah está.

Sem querer dar continuidade a conversa, Joshua retirou sua camisa. Caleb percebeu a nova cicatriz que ele tinha ganho na confusão por causa do irmão. Não estava tão chamativa, pois já se encontrava em um bom estado.

— Onde está o Luke?

— No quarto com um amigo.

— Esse amigo é loiro? — Caleb mostrou a tamanha curiosidade.

— Sim. É um deles. — Fez referencia a república vizinha.

— Samuel! No que parece, eles vão acabar ficando juntos. Se bem que o Luke não para quieto, talvez seja algo passageiro. Mas e você?

— O que tenho eu? — Joshua já suspeitava que a qualquer momento Caleb fosse perguntar isso.

— Ele passou no teste? Foi capaz?

— Do que fala? — Continuou a insistir na mentira.

— Da sua tatuagem... — Não poupou palavras. — Não somos melhores amigos e, tirando Megan, eu te conheço como a palma da minha mãe pelo passado que tivemos juntos.

Joshua se afastou da porta e sentou-se no chão, encostado à parede e com as pernas estiradas.

— Ele me surpreendeu. — Confessou.

— Ele me parece ser frágil demais para prosseguir com aquilo que você curte.

— Eu mantive o equilíbrio. Gostei. Não precisei exagerar, apenas saciei minha vontade com pouca coisa. — Encostou sua cabeça na parede.

— E se quer permanecer assim, terá que manter um equilíbrio. Nem todos são como você. São como matutino e noturno, terão que se unir e formar o vespertino. Você sabe que ele é a luz na escuridão. Alguém bem diferente da Megan...

— Acha que estou apaixonado por ele? — Interrompeu.

— Você não está fugindo e parece se sentir bem. Acho.

— É, você tem razão. — Seus olhos foram até os pés e Caleb se surpreendeu com a sinceridade.

— Tem medo não é? Sei que faz bastante tempo o que aconteceu entre nós dois, mas também recordo dos seus medos.

— Veja a trilha de sangue que eu deixei por aí... Ele não merece pagar pelo que fiz. E depois do que Noah fez, tenho medo de que outros façam. Eu não sou bom, Caleb. Você sabe disso. Sinto prazer machucando, sinto prazer na dor. Ele é apenas...

— Ele é aquele que vai desfazer a trilha de sangue e, se por ventura, você colocar pra fora o monstro que habita em você... A luz brilhará mais forte. Você fechará os olhos e não resistirá. Cairá porque quem vai ter poder sobre você é ele. E sabe o que eu acho, Joshua? — O ruivo então olhou para Caleb. — Edgar não tem sorte de ter você. Muitos pensam o contrário e acham que ele tem sorte por você ser temido e vai protegê-lo. Mas na verdade, é você quem tem sorte de tê-lo. Porque é ele quem vai te proteger dos monstros que você mesmo cria.

Joshua ficou pensativo diante de tudo o que ouviu. Ele balançou sua cabeça e passou a mão pelos fios vermelhos.

— Quem diria... Eu? Logo eu apaixonado por alguém tão diferente de mim.

— Então não precisa ter medo. Apenas faça o que quer fazer. Peça-o em namoro. Tenho certeza de que ele vai gostar.

— A última vez que pedi alguém em namoro foi há alguns anos e resultou na Megan que conhecemos.

— E pensar que sou eu o culpado por tudo o que te aconteceu. Se eu não estivesse com raiva e calasse a minha boca, seu segredo ainda estaria protegido.

— Isso serviu para algo.

Caleb sorriu.

— É, serviu. Mas peça-o em namoro. Quer mudanças? Que mesmo mostrar que você não é tão frio assim? Peça-o em namoro, surpreenda!

— E você? Tá saindo com alguém? — Desviou o assunto.

— Apenas umas pegações com o irmão daquela garota agitada. O Gale, você não conhece.

O celular do ruivo tocou. Se quase ninguém tinha aquele número, Joshua já o puxou na esperança de ser o loirinho. Bingo!

— Vou pro meu quarto. — Joshua ficou de pé.

— Vou conversar com o Luke. — Caleb também se levantou.

— Acho melhor não. Antes de entrar ele já piscou. E quando ele olha pra você e pisca...

— Luke está transando. — Caleb voltou a se sentar.

Joshua saiu do quarto e atendeu o celular. Horas e horas no telefone, nada típico da sua personalidade, mas agora isso parecia mudar. Quem muito não falava, por amor, começou a falar.

[...]

Os sapatos de Luke estavam espalhados no chão do quarto. Os de Samuel estavam embaixo da cama. A calça do moreno estava jogada sobre a cadeira, a do loiro no chão. As camisas e casacos de ambos estavam sobre armários e mesas. A cueca preta que Luke usava estava na cabeceira da cama e a de Samuel sobre o notebook do moreno.

Samuel estava deitado com Luke sobre ele, mais especificamente entre as pernas do loiro, com ambos os membros encostados. Samuel recebia carícias na testa suadas e leves beijos do moreno que também acariciava sua bochecha.

As preliminares já tinham acontecido e por isso apenas descansavam até iniciarem a segunda parte do momento.

— Parece que você não vai desistir até conseguir me comer, hein. — O moreno brincou após beijá-lo.

— Não deveria calar a boca e sentar de uma vez?

— Está bom aqui. Que pressa!

Luke saiu de cima do corpo do loiro e buscou por sua calça. De sua carteira retirou os preservativos e jogou sobre a cama.

Samuel ficou feliz com aquilo e até mesmo sorriu. Jogou para longe o cobertor, com o dente rasgou a embalagem de um preservativo e se protegeu.

— Não posso nem te comer um pouquinho? Você é deliciosamente apertado! E com essa bunda branca, que fica vermelha facilmente, eu fico cada vez mais louco. — Luke ousou em falar ao se aproximar da cama. Ele foi muito ousado e mostrou o belo dote para Samuel, rígido.

Mas Samuel ficou de pé e posicionou-se atrás dele, roçando seu pênis ereto entre as nádegas do moreno, que apenas coçou a cabeça e bocejou.

— É, pelo que estou percebendo, você quer mesmo me machucar e se vingar.

— Você me disse que não tinha problemas com isso.

— Claro que não. Dar é bom. Adoro essas viadagens aí. Versatilidade é tudo. — Gargalhou com as próprias palavras. — Se eu citar a quantidade de garotos da Quadra e do Ninho que bancam de machão, mas que quando recebem vara gritam como se o mundo fosse acabar... Acho que eu morreria. Porque comi todos e poucos tiveram a proeza de realizar o que você está fazendo agora.

Samuel revirou os olhos. Luke era um completo idiota.

O moreno se encarregou de apoiar seus dois braços sobre a cama e afastar as pernas. Samuel estava logo atrás, posicionado.

— Sem essa de bancar o engraçadinho, ok, Luke?

Apenas olhando para trás, Luke sorriu.

— Sério que não posso te comer nem por cinco minutos? Isso aí não é ouro não, é melhor começar a liberar antes que saia de circulação.

Samuel quis insultá-lo, mas preferia castigá-lo na cama. Posicionando seu pênis entre as nádegas do moreno ele se preparou.

Mas como da primeira vez, Luke ficou de pé, segurou pela cintura do loiro, o beijou e o fez desmanchar-se sobre seus braços, principalmente no épico gemido que Samuel deixava escapar em momentos assim.

Prosseguindo, Luke estapeou a nádega de Samuel e caiu com ele sobre a cama, embragando o loiro com o seu perfume.

Samuel só percebeu pouco tempo depois o que havia acontecido. Luke tinha uma pegada que parecia deixar todo o corpo do loiro dormente, sem conseguir ter comando ou reação alguma.

Quando encontrou a face sorridente do moreno, Samuel quis socá-lo.

— Para de fazer isso! — Ele disse baixinho, ainda ofegante e assustado.

— Eu sei que você gosta. Vou dar um nome pra essa pegada qualquer dia.

— É sério, Luke...

Samuel quis ser passivo, isso estava nítido em seus olhos. Luke com uma única pegada conseguia domá-lo facilmente.

— Promessa é dívida, Samuel. Agora faça o trabalho, mas não me machuque.

O moreno repousou sua cabeça em um travesseiro e afastou suas pernas. Sua mão foi até o seu próprio membro, cobrindo-o. Samuel o olhou com curiosidade e ele somente piscou.

— Se demorar muito eu juro que me levanto e te como. — Falou enquanto olhava-o.

Samuel, não perdendo tempo, mas ainda assim com calma, posicionou-se entre as pernas do moreno, segurando em ambos os joelhos de Luke Deitou o seu corpo sobre do outro, mas Luke quem se encarregou de guiar o pênis de Samuel ao lugar desejado.

Luke não fechou os olhos, ele sentiu ser invadido e somente deixava escapar gemidos de dor. Samuel não deixou de encará-lo cada vez que inseria centímetro por centímetro dentro do moreno. Finalizando, ele respirou fundo e acomodou seu corpo ao do outro.

— Está bem? — Samuel perguntou, realmente preocupado. Luke tinha levado seu braço aos olhos. Rapidamente sentiu-se exausto e ofegante. Ser passivo, depois de muito tempo, era mais doloroso ainda.

— Gosto quando você parece se preocupar comigo até em um momento como esse.

— Hm, sendo assim... — Samuel se moveu. Luke gemeu de dor. Ele retirou seu braço do lugar que antes estava e olhou para Samuel.

Seus olhos manifestavam a dor sentida misturada ao prazer.

— Filho da puta!

— Pra tirar da sua cabeça a ideia de que me preocupo com você. — Samuel sorriu.

Mas Luke nada disse, ele somente levou suas duas mãos as nádegas de Samuel e recebeu os movimentos que seguiu com o maior prazer do mundo. E Samuel não tinha piedade, com o passar do tempo ele ia acelerando mais e mais e Luke adorava isso. Ele era sem frescura alguma.

Toda a movimentação teve olhares recíprocos e carregados de desejos. Com beijos a situação ficava ainda mais prazerosa.

Samuel sentou-se na cama e, de frente, ainda sendo penetrado, Luke sentou-se sobre suas pernas. Gemendo em meio aos beijos, Luke não deixava de sorrir. Samuel permanecia sério, com a mesma cara de garoto irritado de sempre. Já Luke quebrava toda a tensão ao sorrir.

Os gemidos de Luke conseguiam ser travessos como o próprio dono. Voltando para a posição inicial, Samuel começou a fazer movimentos precisos, mas pausadamente. Luke gemia moderadamente a cada um dele.

Luke pediu para que ele parasse. Descansando, o moreno levantou-se. Samuel foi atrás dele e o prensou na parede, de costas. Continuando ali o que faziam.

Samuel aproximou-se seus lábios do ouvido do moreno.

— Tá gostando?

— Da pra parar de brincar e acelerar isso aí? Porra, hein!

Como castigo, Samuel o obedeceu. Depois daquilo, por minutos e minutos que se passaram, suas pausas foram rápidas demais. Ele se movia com vontade e bastante força a ponto de fazer os gemidos de Luke serem intercalados.

Luke havia ejaculado sem sequer se masturbar, sinal de que Samuel conseguiu dar sim conta do recado. Mas enquanto não chegasse ao ápice, continuou dentro do moreno que minutos depois já estava novamente com o membro ereto.

Mas Samuel surpreendeu ao sair de dentro do moreno, rasgar outra embalagem de preservativo e coloca-lo no moreno que, surpreso, não deixou de olhá-lo.

Deitando-se na cama e de lado, Samuel ficou em silêncio.

— Desse jeito eu jamais vou me desfazer de você. — Luke ficou de lado e brincou com seus dedos entre as nádegas do loiro.

— A culpa é sua por me fazer gostar disso.

— Eu disse pra você que dar é bom. Foda-se que estereotipam tudo, eu dou e daria quantas vezes quisesse... Pra você, é claro. Há, mas só se você dar também.

— Para de mimimi e vamos logo com isso.

Luke não perdeu tempo e penetrou, dessa vez Samuel já parecia mais preparado e não interrompeu.

— Bom garoto... Agora vamos aprender a chamar pelo meu nome! — Provou, brincalhão.

[...]

O dia passou tão rápido e ninguém havia percebido. E, no geral, não foi um péssimo dia. Isso acontecia quando nenhuma encrenca, pelo menos evolvendo os mais destacados da Quadra, não estourava.

Naquela madrugada, as estrelas do céu finalmente apareceram, embora não fosse durar muito. Colin acordou e ao abrir os olhos fitou o teto iluminado pela luz da lua, já que se esqueceu de fechar as cortinas da janela.

Ele decidiu não dormir com Sean, embora isso não causasse o menor problema para ele. A verdade era que resolveu passar um tempo com Caine e acabou ficando por ali. Não queria sacrificar amizades por namoro, e mesmo com Sean insistindo para tê-lo àquela noite, Colin não obedeceu. Ele julgava que para tudo existiam um tempo, um limite. E levando em consideração que Sean estava querendo transar, Colin usou isso como desculpa.

Ao se sentar na cama, checou o seu celular e leu duas das dez mensagens que Sean havia mandado. Sem contar as ligações perdidas.

Com o mesmo celular, ele iluminou a cama de Edgar e o viu dormindo e ao iluminar a cama de Caine a encontrou vazia. Ele provavelmente foi acordado por Danion e levado para lá.

Eram quatro da manhã e Colin havia perdido o sono completamente. Não poupando o horário, ele resolveu responder ao namorado:

“Espero que tenha se comportado. Eu estou bem e não precisa me xingar por mensagem, babaca.”

Fazia frio e Colin, com o cobertor, arrastou-se do quarto para a sala. Acabou encontrando a TV ligada, porém praticamente sem áudio. Ninguém estava sentado no sofá. Como medroso que era, olhou para todos os lados e se perguntou quem havia deixado o aparelho ligado.

Colin sentou-se no sofá e buscou pelo controle remoto e, no momento em que ia desligar, William apareceu na sala.

O loiro segurava um copo de leite e usava apenas um samba canção.

Tanto Colin e William ficaram assustados. Um olhar foi diretamente ao outro e, brilhando devido à luz produzida pela TV, mergulharam na duvida de incertezas, mágoas e saudade.

Colin, ao despertar dos pensamentos, levantou-se. Ele abaixou sua cabeça e passou por William. Ele havia chegado primeiro ali, e mesmo se não fosse por isso, Colin sairia da mesma forma.

Porém, uma onda súbita de vontade tomou conta do pequeno e corajoso Colin, que acabou parando próximo do loiro e olhou para trás.

— Eles me disseram que sentem a sua falta. — Colin referiu-se aos amigos quando conversaram sobre as mudanças drásticas que vinham acontecendo com William — E eu também sinto a sua falta.

William não respondeu imediatamente. Continuou encarando o piso, embora estivesse se sentindo metralhado pela voz do pequeno. Não exatamente a voz, mas o ar de preocupação. Há bastante tempo não ouvia aquilo e não percebia a sinceridade nas palavras de alguém, até mesmo de Colin.

— Eles dizem sentir falta do seu carinho, da sua preocupação, do seu jeito protetor e do seu sorriso. Não assassine o seu verdadeiro eu, Will. Reconheço que errei com você, mas eles não fizeram o mesmo. Também sei que há muita coisa acontecendo contigo, eu queria poder ajudar, mas como não me dar essa oportunidade, eu peço em nome deles que não os abandone.

Finalizando o que tinha pra falar, Colin abaixou sua cabeça, deu as costas e quando pensou em sair dali, ouviu William falar:

— Não fui eu quem decidiu isso. Os fatos me tornaram assim.

Colin levantou sua cabeça e se virou. William agora estava olhando para ele.

— De tanto apanhar da vida, o corpo pede por descanso, a alma se esconde e nós, homens, não conseguimos mais sorrir. O fardo é grande e eu não mais aguento carregá-lo. — Finalizou o loiro.

— Permita-me carregá-lo com você! — Colin deu um passo e tocou a mão do loiro.

William afastou sua mão de Colin, em seguida manteve distância do pequeno ao ir para o sofá. Ele observou as imagens aleatórias que passavam na tela da TV, mas sequer tinha noção do que se tratava. Sua mente estava longe dali, a milhares e milhares de quilômetros.

— Você nunca vai me perdoar? — Colin perguntou, ainda em seu lugar.

— Não é necessário o perdão. As escolhas foram feitas, apenas vivemos de acordo com isso. Do que vale dizer que te perdoo? Seria apenas como riscar uma folha de papel e passar a borracha sobre, mas se você olhar bem, a “marca” permanecerá ali. — Ele olhou para Colin, os olhos levemente marejados.

— O que eu posso fazer para que entenda que independente da pessoa com quem eu estivesse me relacionado, nada substituirá o amor que eu sinto por você, Will? Eu te amo tanto, como amigo e como irmão. Eu perdi um irmão, William, e desejei ter um, mas quando encontro ele se desfaz de mim.

Willian engoliu em seco.

— O nosso problema, Colin, não é sermos irmãos ou não...

— Você se lembrar da nossa primeira noite aqui?

William, após ser interrompido, teve memórias daquele dia.

[início do flashback]

— Eu vou dar uma olhada nos garotos. Tenho certeza de que acabaram dormindo por cima das coisas.

William se levantou e saiu da cozinha, deixando os outros conversando. Octavio poderia convencer o ruivo a aceitar a proposta. Por incrível que pareça, ele conseguia ver uma ligação entre Caine, Colin e Edgar. O último porque aparentava ser parecido com eles e precisava de amigos como eles.

Ao entrar no quarto de Caine, sorriu com o que viu.

Caine dormia por cima de Colin, ambos na mesma cama. Edgar dormia sobre a mesa de estudos do pequeno, e Leo estava abraçado a um travesseiro no chão. Octavio apareceu um minuto depois, beijando a bochecha do namorado e também rindo do que via.

— Consegui convencê-lo.

William não disse nada e beijou Octavio, agradecendo-lhe.

O loiro se desfez do abraço do namorado e foi até Edgar. Forte, conseguiu pegá-lo no braço. Octavio deitou um colchão no chão e pôs o loirinho deitado, retirando os óculos que ele usava e pondo-o sobre a mesa. Edgar acordou, mas não disse nada. Se virou e voltou a dormir.

Aproximou-se de Leo, e tocou o braço do garoto.

— Ei, Leo. — Apontou para outro colchão ao lado de Edgar.

Leonard não disse nada, recebeu a ajuda do loiro e foi até a cama. Novamente abraçando-se ao travesseiro.

William foi até a cama de Caine. Retirou o pequeno de cima do Colin e o colocou no canto da cama, ajeitando seus braços e pernas. Colin dormia como pedra de tão cansado que estava. Mas o toque do loiro o fizera despertar. Ao abrir os olhos viu o sorriso do William.

— Shh... Pode voltar a dormir.

Colin viu Octavio logo atrás, parado na soleira da porta. Mas não disse nada. O moreno apenas mantinha os braços cruzados e o olhava.

O pequeno fechou novamente os olhos e foi agraciado com um beijo na bochecha. William era realmente aquele que vivia protegendo-o de todo o mal. O loiro não percebeu, mas Colin deixou escapar uma lágrima.

— Se eu te decepcionar, William. Você promete nunca me odiar? — Disse, ainda de olhos fechados.

— Mas que coisa, Colin. Por que me diz isso?

— Não sei. Tudo acontece, tudo muda. As pessoas costumam decepcionar as outras.

— Esse não é o caso de nós dois.

— Mas se um dia isso chegar a acontecer, prometa nunca me odiar.

William sorriu, achando que Colin estava delirando por causa do sono.

— Tudo bem, eu prometo.

Deu-lhe mais outro beijo na bochecha e saiu do quarto, apagando as luzes e fechando a porta. Olhou para Octavio que sorria e o abraçou.

[final do flashback]

— Você me prometeu. — Colin caminhou pouco até posicionar-se à frente do loiro que levantou a cabeça para olhá-lo. O cobertor caiu. — Você prometeu não me odiar, Will.

— Não odeio você. — Soou simples.

— Não?

— Odeio o que você fez, odeio o que você se tornou, odeio as mentiras e odeio o fato de você parecer estar bem enquanto eu estou afundando.

— Eu não estou bem sem você. Nunca vou estar! Não há de existir alguém que ocupe o lugar que você tem em minha vida. William, na ausência dos meus pais, você foi minha proteção nesse lugar.

— E olha como fui recompensado? Traído pelo meu protegido. — Continuou a manter a calma na voz, embora carregada de dor.

Colin não teve uma resposta imediata. Enquanto William o encarava, certamente querendo o ouvir, Colin retribuiu os olhares.

— Já fui traído várias vezes, Colin. Mas por que dói tanto quando se trata de você? — Ele franziu o cenho.

Um novo silêncio e os olhares permaneciam.

— Eu não aguento mais esse tratamento. — Colin desabou em lágrimas e a alma de William foi pisoteada. — Eu não sei mais o que fazer, Will.

Nesse momento, uma lágrima insistindo desceu pela face do loiro.

— Eu só queria que nada disso tivesse acontecido. Eu não escolhi que as coisas fossem assim. — A voz parecia estar sendo afogada pelas lágrimas.

— Você escolheu, Colin...

— Não, William, eu não escolhi! — Não gritou, mas sua exclamação soou alta. — Eu não iria escolher te magoar, jamais. O problema foi começar a gostar do Sean. Mas que escolha eu teria? Que escolha nós temos quando amamos? Cérebro discorda do coração e eles viverão nessa discordância eternamente. Quando dei por mim, já estava apaixonado. E acredite, eu não quis me apaixonar! Eu demorei pra acreditar nele.

— E você vem me dizer isso? Sério mesmo, Colin? — O loiro ficou de pé. — Deveria ter me contado a verdade desde o início. O que me deixa com muita raiva são os momentos em que você fingia quando estava na frente de todos nós ao julgarmos Sean. E me deixa mais irritado saber que ele estava ciente de tudo. Apenas rindo de todos nós daqui.

Chorando sem parar, mas ainda sem causar alarde, Colin enxugava as lágrimas enquanto ouvia William falar:

— Eu queria um dia estar no seu lugar. Mas nós somos diferentes e eu tenho certeza de que não faria o mesmo que você. Era apenas abrir a boca e falar: “William, estou gostando do Sean”. Mas todos os dias e todas as noites, enquanto conversávamos, você dizia odiá-lo.

— Eu me arrependo amargamente de ter feito isso, mas eu não tive essa escolha! Eu entrei na guerra criada por vocês.

— Quem te defendeu do Sean na sua primeira semana aqui?! Eu não te incluí nessa guerra. Você escolheu odiá-lo desde esse dia.

— Por que me julga tanto se sua história com Octavio é parecida? Não seria necessário sacrifícios se essa guerra não existisse.

— Você sabe que ter um significa não ter outro. Octavio me falou da conversa que teve com você.

— Mas eu discordo disso. Eu posso ter os dois! Eu o amo, William! Por mais que não aceite ouvir isso, eu amo o Sean. Eu conheço os benefícios que ele me proporciona. Mas não importa o que aconteça, você vai sempre colocar o seu ódio por ele motivo para não falar comigo. Me limitando a me relacionar só pelo seu bem. E o meu bem?!

Colin suplicava enquanto olhava-o. O loiro já estava chorando. Colin também conseguia ter bons argumentos.

— Não consegue colocar-se em meu lugar, coloque-se no lugar de Octavio. — Disse o pequeno.

— São pontos paralelos da história.

— Nós quatro somos ligados, de alguma forma.

— Não há ligação alguma entre Sean e eu.

— O que eu quero dizer é que tudo implica quando sua rivalidade com Sean está em jogo. Antes de conhecer Octavio, ele já era amigo do Sean. Mas como Octavio se sentiu? Você consegue perceber? Octavio apaixonou-se por você, mas Sean estava ali sempre.

— Eu não usei meios para magoar alguém.

— Mesmo Sean sendo um filho da puta, o problema aqui é que, tanto Octavio e eu, não temos sequer a oportunidade de conviver com os dois. Vocês nos impõe uma escolha e, agora com Sean amadurecendo e tomando vergonha na cara, até ele reconhece que você precisa largar isso de lado. Ele já largou essa rivalidade, Will.

— Colin, eu... Você podia ter evitado isso. — Perdia-se.

— Por que me obriga tanto a largar o Sean? — Indagou como resposta.

— Como posso olhar pra você e não se lembrar das mentiras? — Usou da mesma artimanha.

Colin, chorando e sem ter o que falar, sentou-se numa poltrona da sala e William sentou-se no sofá. Eles permaneceram em silêncio por um bom tempo. Ouvir os curtos e leves soluços de Colin não era legal, doía à alma, mas nada conseguia ser tão orgulhoso como o loiro.

Era impossível Colin parar de chorar naquele momento. Ele enxugava lágrima atrás de lágrima, sempre se lembrando do seu passado com William. Realmente sentia saudades da preocupação do outro consigo.

— Afastar-me do Sean e ter você como amigo não seria tão diferente do que está acontecendo aqui. No fundo estaria mentindo para mim e mentiria para vocês mais uma vez fingindo estar bem. Nesse caso, mentir é apenas um motivo para não perder o outro. Mas como posso viver dividido entre duas pessoas? — Proferiu, baixinho, ainda em meio as lágrimas.

Colin não havia percebido, mas William também chorava em seu silêncio. Mesmo não querendo que o pequeno assistisse aquele momento, nada conseguia pará-lo.

— Quando me lembro do início, de como te conheci e achava que você era nojento e uma péssima pessoa, penso em como fui um babaca. É extremamente a pessoa por quem eu cometeria sacrifício, doaria, se necessário, todo o meu sangue. E eu sei que você faria o mesmo por mim. É triste saber que você não se lembra do que já fiz por você e apenas age como se somente tivesse feito tudo por mim. Você sequer me dar a chance de te provar que nada em mim mudou. Se eu menti foi apenas por medo de te perder. Mas eu já perdi, não é mesmo? — Colin então olhou para o sofá onde William estava — Quer dizer que nunca mais seremos amigos?

Colin levantou-se da poltrona quando não ouviu uma resposta do loiro, enxugou as lágrimas insistentes e, caminhando, disse:

— Mesmo sem nunca mais me perdoar, saiba que nunca fiz algo na intenção de te magoar. Eu jamais faria isso. Saber que magoaria não significa que eu queria que isso acontecesse. Eu somente fui um jovem, imaturo e apaixonado que perdeu-se na estrada. Infelizmente, a pessoa que segurava minha mão a largou. E se Sean me fizer sofrer, já que o futuro é incerto para todos, não teria o seu ombro amigo. Eu imploro para que acredite nas minhas palavras: nunca quis te magoar. — Ele soluçou — Será que posso te dar um último abraço?

William abaixou sua cabeça e não ousou encarar Colin diante das indagações feitas.

— Um único abraço e eu prometo não mais insistir nisso. Se eu te magoei, irei carregar a dor sem receber o perdão. Mas eu queria sentir pela última vez o seu abraço. — Ele parou na frente do loiro, poucos centímetros de distância — Por favor, Will... — Murmurou — Um último abraço.

Buscando todas as forças que tinha, William ficou de pé. Ele levantou-se um pouco devagar, até ficar de pé totalmente e olhar para Colin. Ambos os olhares tristes e molhados. Colin chorou mais e as lágrimas foram totalmente visíveis, embora o ambiente estivesse um pouco escurecido.

William deu um curto passo a frente, mas nesse momento foi preenchido pelo abraço de Colin, que o tratou como o bem precioso. O pequeno encostou sua cabeça no abdômen do loiro e despejou lágrimas por ali, mantendo firme o abraço.

Há muito tempo um momento como aquele não acontecia. Tanto Colin e William sentiram falta e foram preenchidos pela saudade.

Porém, William perdeu as forças rapidamente. Os joelhos cederam e ele ajoelhou-se no chão, os seus braços envolveram a cintura de Colin e sua cabeça foi no peito do menor, ainda que estivesse abaixada.

As milhares de lágrimas acumuladas dentro daquele homem foram descarregadas ali, com direito a soluços e abraços extremamente apertados. Toda a sua alma gritava e sentia-se aliviada pelo momento, ela mandava embora toda dor contida ali dentro. Há quem não reconheça o poder que o abraço tem.

— M-me perdoa... — As palavras foram atropeladas pelo choro de William, que não conseguia falar algo. — M-me perdoa, Colin.

Quem antes necessitava de perdão, agora implorava por.

William agora sabia a falta que faria se perdesse Colin de verdade. Ele tinha ideia de que mesmo que se negasse a perdoar o pequeno, jamais deixaria de se importar com ele. Foi assim em seu desmaio, foi assim no hospital e até mesmo por ajudar Sean. O loiro fez apenas pelo bem do seu protegido.

Ele tinha na mente, agora, que mais nada importava. Abraços que curam existem.

Por conhecer tão bem aquele que protegeu, sabia que nessa conversa Colin não estava mentindo. Não poderia permanecer cego pela mágoa, pois havia sinceridade nas palavras de Colin. A súplica pelo último abraço foi a corrente quebrada que prendia o sincero perdão dentro de William.

Mais do que tudo, deveria agir como seu primeiro líder, que ensinou a liderar: saber ouvir, falar e perdoar. Só tem perdão quem libera o perdão. Uma retrospectiva de todos os seus erros cometidos tomou-lhe conta e cada vez mais sentia-se idiota.

O seu rancor, dor, mágoa, estava transformando-o em um homem amargo e cada pessoa estava sendo atingida por isso.

O pilar de Colin era também o sustento de toda a república: William Grandinni era o laço que ligava todos.

Colin chorou junto ao William, abaixando sua cabeça e acariciando os fios loiros do amigo. Como era bom aquele momento. Poucas coisas marcaram ambas as vidas desses garotos, mas o agora, o que estavam passando, nunca mais seria esquecido.

William não largou Colin por um minuto, de joelhos, ainda implorando por perdão por ter agido tão cegamente. No final, reconhecia que Colin tinha razão quando falou da ligação existente entre Octavio, Colin, Sean e ele. A rivalidade acabava afetando aos seus amores. E se Octavio já tinha William, porque privar Colin de ter Sean?

Colin era seu melhor amigo e, mesmo conhecendo todos tão bem, aquele pequeno, irritadiço e que a maioria da Quadra Nove detesta, era o mais especial para William. Colin não chegou a ter um irmão mais velho e William não chegou a ter um irmão, de fato. Era como se ambos preenchessem as lacunas que faltavam. E se William decidisse abrir mão daquela amizade, mais tarde se arrependeria. Porque só tem perdão quem libera o perdão.

Os homens tendem a amadurecer em certo momento da vida. Respeitando o namorado e seus segredos, não o poupando da amizade de Sean, deveria refletir a atitude em sua amizade com Colin. William já rugiu várias vezes, mas agora, o seu rugido tinha mais poder. O leão cresceu, de fato.

— Shh... — Colin ainda confortava William, tentando levantá-lo.

O loiro levantou-se e sentou-se no sofá, Colin também fez o mesmo e William deitou sobre a sua perna.

Eles não quiseram iniciar um novo diálogo naquele momento. Não precisavam disso. O poder que o abraço teve foi o suficiente para silenciar as palavras. Duvidas para quê? A ligação entre os dois era nítida, visível aos olhos alheios. William era tão bom para Colin, assim como o pequeno era para o loiro. O maior laço de amizade existente naquele lugar foi reatado.

Aquele que mais tarde herdaria a coroa do rei, finalmente, voltou a ter seu lugar: protegido.

Colin fechou seus olhos e continuou a fazer cafuné no cabelo do loiro e carinho em seu braço.

O céu negro perdia suas forças. O dia iria começar.

No silêncio daquele cômodo, com faces molhadas pelo choro, eles adormeceram. Conversar agora pra quê? Se mais tarde eles poderiam fazer isso e, agora, com o velho título de protetor e protegido.

Os que acordaram — Edgar, Caine, Ian, Clara e Octavio — presenciaram os dois dormindo na sala. William sobre Colin, como bons e velhos amigos.

— William voltou. — Octavio murmurou para os quatro. Seu coração aliviou.

[...]

Sean tinha as chaves daquela república e, por isso, não foi difícil de entrar. Mas antes de fazer isso, ele olhou para trás. Logo após seu quarto, a república que Colin estava, parecia calma.

Ele resolveu aparecer por ali nas primeiras horas do dia, sem sequer dar a oportunidade de algumas pessoas acordarem. Sequer comeu alguma coisa e não respondeu a mensagem do namorado.

O moreno foi até a cozinha e encontrou três garotos que jamais tinha visto naquele lugar. Percebeu que a república passou por uma reforma de membros, mas todos ali reconheciam quem era ele. Afinal, Sean era influente na Quadra Nove.

Sean notou que nada havia mudado em sua república e tudo permanecia no quesito arrumação. Tudo no lugar sem qualquer estrago.

— O que faz aqui? — Adrian perguntou ao também aparecer na cozinha.

Retirando uma maçã verde da fruteira de inox, ele apenas a mordeu e olhou para Adrian com desprezo e sentou-se a mesa. Parece que o garoto tinha ganhado alguma autoridade naquele lugar e tentou usá-la contra Sean.

— Você não é bem vindo aqui. Saia. — Adrian não saiu do seu lugar.

Sean deu mais uma passeio pela cozinha. Tinha até esquecido de como ela era ampla e organizada, além de ter grande maioria dos móveis de última geração e uma bela arquitetura.

— Comeu o Colton? — Sean indagou, mastigando da fruta.

— O que disse? — Adrian caminhou até a mesa e apoiou-se nela. Os outros três garotos assistiam a tudo. — Você não manda mais aqui!

— É... Comeu o Colton.

Adrian tentou segurar Sean pelo braço, mas o moreno levantou uma mão. Parando imediatamente, Adrian não percebeu a burrada que estava fazendo.

O moreno chutou o banco que foi em direção ao joelho de Adrian, logo depois segurou o pescoço dele e usou da rasteira para derrubá-lo. Sentindo todo o corpo doer devido ao impacto, os joelhos de Sean repousaram sobre o tórax de Adrian e sua mão permanecia em seu pescoço.

Sean, com a mão esquerda, buscou pela maçã mordida sobre a mesa e voltou a mordê-la.

— Eu nunca deixei de ser líder desse lugar. Coloque na sua cabeça que apenas dei autoridade provisória ao Colton e isso acaba hoje. Não tente bancar o engraçadinho, numa luta sabemos perfeitamente quem tem vantagem sobre o outro. Se quer me machucar, precisa de mais força.

O moreno se levantou e olhou para os três garotos caídos que em seguida socorreram Adrian.

Colton, com cara de sono, apareceu na cozinha. Tanto ele como os demais membros daquela república apareceram ali. Todo o barulho da cozinha acabou despertando-os, principalmente naquele horário, onde muitos teriam resmungados se não notassem a presença de Sean ali.

Colton já não estava em um dos seus melhores dias devido ao conflito que teve com Octavio.

Ele olhou para Adrian e não expressou nada além de desprezo, também.

— Resolveu enfrentar a pessoa errada. — Disse para o Adrian. — O que faz aqui, Sean? — Agora olhou para o moreno.

— Quero que você e toda essa gente que trouxe para cá, saiam imediatamente.

— Você não pode fazer isso!

— Tanto posso como estou fazendo. Não tem tempo provisório ou caralho algum, eu os quero longe daqui.

— Você ousa mesmo fazer isso comigo?

— E o que vai fazer? Aproveita e chama seu amigo — estava olhando para Harry — e divulga no jornal que estou namorando o Colin. Diz que sou gay e que adoro uma bunda masculina. Também revela a todos que sou filho bastardo. Não são esses os segredos que te seguravam aqui? Pois bem, não quero mais saber.

O moreno, ainda segurando a maçã, passou por todos e parou na porta de saída da casa.

— Estou indo comer algo, espero que quando eu voltar, ninguém mais esteja aqui. Voltarei a estudar, voltarei a morar na Quadra. O mais belo e poderoso Tigre retorna ao seu lugar de origem. O líder sou eu.

E deu as costas . Logo, saiu da república.

Era Colton perdendo mais uma luta. Mas aquilo apenas fermentava o seu ódio. O rei seria destruído em breve.

Notas finais
República de Leões está na reta final. Espero que tenha gostado do capítulo, haha. Respondi todos os comentários x) Seguem os links: http://ask.fm/thomasnyah http://fanfiction.com.br/historia/611220/Outono/