Notas iniciais
O homem das duras palavras: Octavio.

— Eu menti se um dia te disse que não transei com alguém quando cheguei à Quadra. — Disse o loiro de cabeça baixa enquanto a água caia em sua cabeça. — Fui pra cama com o Mark.

Octavio estava logo atrás dele, massageando suas costas ao ensaboá-las. O moreno dava-lhe um banho e só agora o silêncio foi quebrado pelo loiro ao ter lembranças do passado.

O moreno nada disse, apenas permaneceu em seu lugar. Embora estivesse sentindo a dor que a revelação proporcionou, nenhuma palavra conseguiu pronunciar. Ele apenas continuou ensaboando as costas de William.

— Estou afundando no próprio mar de sentimentos que criei. — Continuou o loiro. — Às vezes, quando penso que estou certo, mais tarde descubro que estou completamente errado. São as pessoas que se afastam de mim ou eu que as afasto?

— O que está querendo dizer? — Perguntou o moreno.

— Você me ama, Octavio? — William se virou.

Octavio estava de camisa, embora completamente molhada devido as gotas que caiam sobre ela. Ele apenas balançou a cabeça, insinuando um sim.

— Você me perdoa? — William fez outra indagação.

— Quantas vezes forem necessárias. — Abaixou sua cabeça e passou a esfregar o tórax do loiro.

William depois disso não fez mais perguntas. As mãos molhadas tocaram o queixo de Octavio e sem pressa ele foi aproximando seus lábios do lugar que estava tocando. Ao sentir o beijo molhado em seu queixo, Octavio fechou seus olhos e suspirou.

— Quero que olhe para mim. — Pediu o loiro, novamente tocando-lhe o ombro.

Octavio o obedeceu e ao abrir viu os olhos claros do seu namorado, encarando-o. Enquanto isso, Octavio não desviou os seus olhos, permaneceu no ponto fixo.

— Eu te amo. — Disse o loiro. Não houve voz, somente o mover de lábios.

Octavio balançou sua cabeça, novamente insinuando um sim.

— Você me ama, Octavio? — William insistiu mais uma vez na pergunta.

Octavio ficou receoso quanto a responder a pergunta mais uma vez. Com os olhos fixos aos do namorado, ele apenas balançou a cabeça.

— Eu te amo. — Dessa vez William pronunciou com um sussurro.

William tocou o seu maxilar com as mesmas mãos molhadas que antes tocaram-lhe o queixo. Os lábios, também molhados, beijaram a região. William passou o polegar sobre a têmpora esquerda de Octavio e não parou de olhá-lo um minuto.

— Você me ama, Octavio? — Pela última vez, William indagou.

— Sim, William, eu te amo. — Finalmente Octavio disse em palavras a resposta que William precisava.

— Então por que mente?

Octavio esperou essa pergunta desde o momento em que William começou a insistir na mesma pergunta. Os anos de convivência fez de William e Octavio traduzissem, até mesmo, as digitais que cada um tem. Um piscar de olhos poderia dizer milhões de coisas e, ainda assim, eles acertariam em cheio o que significava.

— Sufoca, não é? — Perguntou o loiro.

Octavio desligou o chuveiro e olhou para o namorado, ainda sem palavras. Ele entreabriu os lábios e soltou um suspiro.

— Eu já sabia de tudo. Começou a agir da mesma maneira como agia no passado, do mesmo jeito que Colin agia quando ia se encontrar com Sean. Mentiu quando viajou por um dia. — Octavio abaixou sua cabeça — Me olhe nos olhos enquanto eu falo. — Pediu e Octavio o obedeceu. — Você me ama, Octavio?

As lágrimas que Octavio guardava desceram, finalmente, molhando a sua face.

— Como trovões que gritam pelos céus, assim sou eu quando anuncio que te amo. Rasgo os céus em forma de relâmpago para te acertar. Mas... No final sou como a chuva que, às vezes, lava tua alma suja ou apenas inunda o teu coração, afogando-o.

William levou suas mãos aos fios negros de Octavio, fazendo carinho por ali.

— Saiba que eu não me importo mais. Essa fase já passou. Contato que no final você não me machuque, faça o que quiser. Você sabe perfeitamente onde põe os seus pés. Os meus estão firmados naquilo que acredito.

— Eu juro que é tudo por uma boa causa. — Murmurou o moreno.

O loiro também não disse mais nada. Ele movimentou seus ombros e Octavio ergueu a cabeça, olhando-o.

William realmente não estava importando-se com o fato do namorado estar escondendo algo. Claro que ele adoraria saber do que se tratava. Mas sentia que não era tempo e nem sequer momento de procurar conflitos com o namorado.

O seu polegar, delicadamente, passou pelo lábio inferior de Octavio e logo em seguida sobre o inferior. Octavio seguiu os seus olhos e então teve o polegar de William introduzido em sua boca. Octavio ainda não tinha se movido. Seus dentes deram pouca passagem para o dedo de William, por isso permaneceu com os lábios entreabertos.

William apenas movimentou a cabeça uma única vez. Octavio fechou os seus olhos e cedeu o seu corpo, ajoelhando-se no chão encontrando, logo a sua frente, o membro já ereto do loiro.

Com a mão, segurou o falo e levantou seus olhos e encontrou os do namorado. William enfiou o dedo em seus cabelos e, aos poucos, foi forçando o encontro daqueles lábios com o seu pênis.

O ato, prazeroso, não durou dois minutos. Enquanto sugava o membro de William, Octavio logo se desfazia de suas roupas. William o puxou para cima, deu-lhe um beijo quente e carregado de prazer e em seguida lançou Octavio sobre a porta.

Octavio virou-se já abrindo o zíper da calça e rapidamente, junto da cueca, colocou-as abaixo do joelho.

William foi sem piedade ao introduzir seu membro no namorado, finalmente conectando-se a ele. Octavio mordeu a própria mão ao sentir a dor. Os lábios de William encontraram o lóbulo da orelha do moreno e respirou por ali, proporcionando um longo e maravilhoso arrepio em Octavio.

— Você me ama, Octavio? — William perguntou.

—Sim... — Respondeu baixinho.

William então fez um único movimento. Porém, forte e com vontade, fazendo a porta estremecer.

— Você me ama, Octavio? — A mesma pergunta.

— Sim...

Outro movimento, dessa vez mais forte ainda. Novamente a porta estremeceu.

— Você me ama, Octavio?

— Mais que a mim. — As palavras soaram tão fracas, mas William conseguiu ouvi-las.

Assim como perguntou três vezes no início do diálogo, ele castigou o namorado com as mesmas perguntas. Porém, de forma prazerosa. William não fez mais perguntas a partir dali. No entanto, a penetração era cada vez mais intensa e Octavio era obrigado a aguentar centímetro por centímetro dentro de si, ora proporcionando prazer, ora apenas dor.

A porta apenas parava de estremecer em pequeníssimos intervalos de um segundo. E os gemidos de Octavio nada eram discretos, embora não estivesse gritando, eles estavam sendo abafados por sua mão, mas amplificados pelas dimensões do banheiro.

William fechou seus olhos, deliciando-se com o prazer sentido e com a entrega do namorado.

Todos que estavam na sala ouviram e viram a porta estremecer. Eles estavam cientes do que acontecia naquele banheiro, mas ninguém, absolutamente ninguém, sequer abriu a boca para fazer qualquer piada. Afinal, era um momento dos dois. Algo que William precisava a bastante tempo.

[...]

Sean tentou se levantar, mas Colin imediatamente correu para ajudá-lo. Embora a ajuda não fosse necessário, visto que Sean foi capaz de arrastar-se do quarto até a sala. Mas ele reconhece que precisou de bastante esforço para isso.

Colin, mesmo pequeno e fraco, conseguiu fazer com que Sean ficasse de pé. Ele olhou para o pequeno e por isso deixou Colin constrangido, mas nada que aqueles olhos caramelos não pudessem contornar e mostrar estar irritadiço.

— Vamos para o quarto. — Colin não pediu, ele ordenou.

— E o que faríamos lá? — Firmou seus olhos na cintura de Colin.

A pergunta pegou o pequeno de surpresa, que achando ter uma resposta na ponta da língua, silenciou-se. Mas sendo Colin, ele não iria desistir de dar uma boa resposta:

— Transaríamos, mas é uma pena encontrar você nessas condições. Nem sequer tem força pra levantar o...

— Pau? — Sean completou — Larga dessa, garoto, olha pra baixo e você vai ver o que já tá armado só pelo seu toque quando me ajudou a levantar.

Foi automático. Colin abaixou sua cabeça e realmente constatou que Sean estava de barraca armada. Ele até engasgou com a surpresa.

Era engraçado que no princípio, quando ainda se conheciam, Colin detestava Sean por essa ousadia ao extremo. Até mesmo mão na bunda era algo absurdo. Colin deixou então as coisas acontecerem e agora estava pagando o preço. Sean era isso: bonito, safado e excitante.

Vendo que o pequeno ficou sem graça, algo justo, ele não deixou de mostrar aquele sorriso de dentes brancos. A maravilhosa arcada dentária, com direito a convinha e o seu charme que era a pinta.

— Quer saber? Só por ser babaca, vai acabar indo pro quarto sozinho. Enquanto isso eu vou tomar banho.

Colin passou por ele e Sean até tentou segurá-lo, mas a dor no corpo o impediu de fazer isso. O pequeno até se arrependeu em deixá-lo sozinho na sala, porém tendo aquela personalidade, não iria dar o braço a torcer. Acreditava, de alguma forma, que Sean o esperaria.

Estando naquela casa desde a manhã, Colin precisava realmente de um banho. Teve que ser rápido, afinal, precisava manter os olhos no moreno que estava impossibilitado de se movimentar pela casa. E Sean era teimoso demais e poderia agravar sua situação por isso.

Vestindo o casaco, agora sem uma camisa por dentro, Colin voltou para a sala e não encontrou o moreno. Revirou os olhos e rumou para o quarto.

Encontrou Sean de costas, tentando retirar a camisa que vestia.

O pequeno caminhou em passos lentos e segurou um de seus braços, facilitando a saída da veste.

Ainda de pé, Sean deu as costas e foi até o seu armário, apoiando-se nele e ligou o interruptor. Mas então sentiu o toque delicado das mãos de Colin em suas costas, então parou de se mover.

— Eu nunca perguntei sobre ela. — O pequeno disse, ainda tocando.

— Zhao.

— É esse o nome dele? — Curioso, Colin perguntou, seus dedos estavam em sua cintura e no segundo seguinte ia subindo até os ombros. — Já ouvi a história sobre os tigres serem adorados na China.

— Parece que já sabe disso. — Disse o moreno, com as duas mãos apoiadas no armário e de cabeça baixa.

— A mais bela de todas as tatuagens que já vi.

— Não lembro quantas sessões foram necessárias para concluí-la. Mas doeu pra caralho.

— Você sente dor?

— Soube o que era dor no dia em que disse me odiar. — Fechou seus olhos.

Sean tinha uma tatuagem de um tigre siberiano branco ocupando 90% da pele em suas costas. Era completo e com alguns detalhes de mata ao redor. Era algo que combinava perfeitamente com a sua personalidade.

Os lábios de Colin beijaram as costas, bem no centro do tigre. Sean arrepiou-se. Colin logo depois o abraçou, tendo que envolver todo o braço sobre a cintura do moreno. Ele repousou sua cabeça nas costas de Sean e fechou os olhos, respirando.

— Força. Poder. Beleza. Orgulho. Ferocidade. Vingança. Perigo. Coragem. Paixão. Independência e Liberdade. Os vários significados que essa tatuagem carrega.

— Eu fiz um leão... Sean.

— Sabia que isso aconteceria. — Não mostrou surpresa.

Colin se desfez do abraço.

— Porém, fui estupido a fazer algo do que possa me arrepender um dia... — Murmurou.

Sean, ouvindo aquilo, retirou suas mãos do armário e olhou para Colin, que estava se desfazendo da calça. O pequeno levantou seu casaco, exibindo a nádega. Ali Colin mostrou a tatuagem de uma pata.

— Uma pata de Tigre. — Sean tinha dito e logo levou seus olhos ao de Colin.

Novamente com dificuldade, sua mão tocou a nádega onde se encontrava a tatuagem de Colin e acariciou-a.

— Ei, Colin... — Ele não retirou sua mão da tatuagem do pequeno, principalmente usando do indicador para acaricia-la. — Até que ponto você cometeria uma loucura por mim?

Colin arrepiava-se com aquele toque e não deixou de olhar para Sean que também o olhava.

— Não me peça para que responda.

— Quero que deite naquela cama... De bruços... — Murmurou no ouvido do pequeno.

Sem sequer pensar em contestar, Colin obedeceu. Desfez-se da calça ao deitar-se com cabeça sobre o travesseiro.

Sean era teimoso demais pra com os seus cuidados. Caminhou até a beirada da cama e gemendo pelo incomodo que a dor proporcionava, ajoelhou-se.

Colin fechou os olhos no momento exato em que os lábios de Sean tocaram a coxa, deslizando delicadamente, com pausas para leves mordidas. Os mesmos lábios subiram até a nádega, proporcionando arrepios como ondas elétricas sendo descarregadas em seu corpo. Colin gemeu baixinho e Sean finalizou depositando um beijo sobre a tatuagem.

Ele se levantou e deitou-se ao lado de Colin, fazendo com que o pequeno pusesse a cabeça sobre o seu tórax.

Sean segurou a mão do pequeno e a guiou ao seu membro ereto, ainda que por dentro da calça. Colin fez isso olhando apenas para Sean, recebendo o mesmo olhar.

Massageando o membro do moreno, Colin com uma única mão se encarregou de colocá-lo pra fora. Estava aquecido.

Sean fechou os seus olhos aos toques delicados de Colin.

Colin tinha aprimorado a habilidade com as mãos devido à experiência com Sean. Ele massageava a glande com o polegar e em seguida toda a extensão. Aquela brincadeira tinha passado de cinco minutos e Sean respirava cada vez mais fundo. Logo, Colin passou a masturbá-lo, alternando entre pausas para uma nova massagem.

Por ousadia e vontade, Colin foi descendo sua cabeça, depositando beijos no abdômen do moreno e, quando finalmente chegou ao ponto, com a face próxima do membro, Colin massageou mais um pouco, expôs a glande do pênis e abriu a boca, introduzindo-a delicadamente.

Sean apenas esperou com que Colin massageasse seu membro, mesmo estando dentro da calça. Mas estava bastante surpreso por Colin estar chupando-o. Recebendo o prazer, acariciou as costas do pequeno.

Colin estava sendo capaz de conseguir introduzir boa parte do pênis de Sean, embora não estivesse sendo voraz no que fazia. Ele tinha calma, estava sendo delicado. Sua língua também participava em conjunto com os lábios, sempre dando preferencia a glande de Sean.

Sua mão voltou a massageá-lo enquanto Colin passava a língua entre os lábios e em seguida voltou a sugá-lo. Ele nunca conseguiu introduzi-lo por completo, chegou a sufocar em uma tentativa.

— Colin, duvido que você engula tudo.

Mas o pequeno ficou calado, ainda chupando-o. Ele não queria dar ouvindo as provocações de Sean, até em um momento como aquele. Estava deliciando-se e sentindo prazer ao realizar o ato. Afinal, gostava e não tinha nada contra. E mesmo assim, fazia isso pensando não só em si, mas no moreno, que com certeza necessitava daquilo.

Sean cada vez mais gemia baixinho e sabendo que chegaria ao ápice, não avisou. Ele gemeu um pouco mais alto quando esse momento chegou e, para a sua surpresa, Colin depositou tudo em sua boca, engolindo.

Ele se levantou da cama logo em seguida, estava ereto. Caminhou até o banheiro e olhou seu rosto no espelho. Lavou a face e escovou os dentes.

Quando voltou pro quarto, Sean ainda estava com o membro úmido para fora da calça, olhando para Colin aproximando-se e deitando sobre o seu corpo mais uma vez. Novamente com a mão em seu membro.

— O que foi? — Colin perguntou ao encará-lo.

— Tem tanta sorte de eu não poder te quebrar na cama. Maldito acidente.

— Não tem problema. Outro dia resolvemos isso.

— Em um dia eu me declarei pra você, desmascarei minha mãe e recebi um oral seu. Se eu me declarar novamente, ganho outro? — Ele sorriu.

— Estou com fome. — Colin quis mudar de assunto.

— E o que bebeu não te alimentou? Olha que é rico em nutrientes! — Brincou.

— Vai se foder, seu desgraçado.

— Como tinha dito. Tem sorte de eu estar todo ferrado, senão você ficaria sem andar por uma semana.

— Dá pra parar de ser menos imbecil e calar essa boca? Deveria pedir algo pra comermos.

— Se quer matar a minha fome, você pode montar sobre mim... Devagar, é claro. E sentar no meu...

Colin apertou suas bolas e Sean calou-se imediatamente. Ele literalmente viu a sua vida passar por seus olhos.

— Juro que se você fizer mais uma piada escrota como essa, com os dentes eu acabo com aquilo que você tanto valoriza.

Sean sentiu a ameaça e por isso não disse nada. Olhou para a mesa de cabeceira e encontrou seu celular.

Em poucos minutos, Sean estava ereto novamente. Mas somente teve seu membro sendo massageado mais uma vez enquanto falava ao telefone. Feliz demais por estar nos braços do garoto que tanto ama e que não para de lhe impressionar.

[...]

William acordou quando Octavio remexeu-se na cama. Ambos dormiam abraçados, em posição de conchinha. O loiro coçou os olhos e mandou a preguiça pra longe ao se sentar. Teve lembranças da noite de ontem. Ele não aproveitou o jantar. Do banho foi diretamente para o quarto e por ali ficou e por isso Octavio teve que se desculpar com todos alegando que ficaria com ele.

Foi ao banheiro e se higienizou. Na cozinha, encontrou Connor, Danion, Leo, Gale, Samuel, Luke e Caine. Todos eles pareciam ter uma conversa divertida, mas na chegada do loiro eles silenciaram-se.

William foi até a geladeira e retirou a garrafa de suco, pondo este em um copo em seguida.

Vendo que ninguém nada falava, o loiro também permaneceu em seu silêncio. Sendo o único a fazer barulho com pegadas e o som do abrir e fechar da geladeira. William não parecia a mesma pessoa. Não seria a troca da lua pelo sol que o faria acordar sorridente e agindo como se nada tivesse acontecido. Seriam necessários alguns dias para novamente reacender a chama dentro daquele loiro.

— Eu sei que todos vocês estão se perguntando o que aconteceu comigo ontem. Também sei que eu não deveria estar agindo dessa maneira. Mas eu somente preciso pensar em algumas coisas e para isso quero um tempo só para mim. — O loiro começou a falar para surpresa de todos.

Nesse mesmo momento, Octavio entrou no cômodo e ficou parado na soleira da porta. Os olhares o acompanharam por poucos segundos e só voltou quando William, após olhar um tempo para o namorado, voltou a falar:

— Tudo o que eu peço são desculpas. — Imediatamente saiu.

Octavio deixou seu namorado respirar um pouco e por isso permaneceu na cozinha. Iria tomar café da manhã com os demais. Roubou uma das panquecas do prato no centro da mesa e ficou em silêncio. Ele sabia que alguém faria alguma pergunta.

— Vocês estão brigados? — Gale perguntou.

— Depois de ontem? Claro que não! — Luke, cara de pau, respondeu.

— Mas o Octavio não estava apanhando? — Connor coçou a cabeça.

— Só sei que o que aconteceu dentro daquele banheiro foi intenso. — Danion tinha dito, roubando um pedaço da panqueca de Caine.

— William não me agrediu. Aconteceram algumas coisinhas e, pelo que percebi, todos vocês estão cientes disso. Mas não se preocupem comigo. Fui capaz de suportar coisas piores.

— Ele te bateu?! — Leo, assustado, perguntou.

— Com aqueles gemidos? Claro que não! — Luke falou de boca cheia.

— Cala a boca, garoto! — Samuel enfiou uma panqueca em sua boca, engasgando-o.

— O que aconteceu é intimidade minha e do William. — Octavio levantava a cabeça enquanto lembrava-se da noite passada.

— Você está bem, Octavio? — Caine perguntou, preocupado.

Ele chorou.

Caine imediatamente saiu do seu lugar e ficou ao seu lado, repousando um de seus braços no ombro do moreno. Mesmo tendo dormido bem com o namorado, ele estava triste por acreditar que William estava se perdendo.

— É por causa dele, não é? — Gale perguntou.

— William parece que está... — Leo iria concluir a sua frase quando foi interrompido.

— Morrendo? — Octavio levantou a cabeça. — Não fisicamente, mas... Uma parte dele foi roubada e eu sinto que cada vez mais ele está afundando nesse mar de decepções. E eu não sei o que fazer. Há quanto tempo eu não o vejo sorrir?

— Calma, Octavio... É só uma fase. — Samuel, em seu lugar, tentou confortar o moreno.

— Pode ser... Mas tem fases que nos transformam e nunca mais conseguimos ser os mesmos. William já está assim há um bom tempo.

— William é capaz de matar o leão que tenta matá-lo. — Caine suspirou.

— O que aconteceu ontem só agravou isso, não foi? — Luke perguntou.

— William e Sean não são irmãos. Descobrimos isso juntos. Estou com tanta pena dele por isso... — Enxugou a lágrima — William por anos cresceu sendo o culpado e, no final, a mãe do Sean cometeu o mesmo erro.

— Como é?! — Todos, em conjunto, perguntaram.

— É uma longa história. Mas eu prefiro que ele conte para vocês.

Após isso uma rajada de perguntas infestou a cozinha.

[...]

A porta da sala foi aberta e o ruivo apareceu. Edgar estava pronto para sair e somente esperou a volta de Joshua. O ruivo tinha ido, com a família, saber do paradeiro de Noah.

A sala continuava revirada após a briga que ocorreu no dia anterior. Joshua sequer teve tempo ou forças para fazer algo após ela, por sorte Edgar estava por ali e, mesmo tomando alguns sermões por novamente quase entrar em contato com o sangue do ruivo, cuidou dele.

— Como ele está? — Edgar perguntou ao passar por cima de alguns vidros quebrados.

— Maluco.

— E-eu sei... Mas você entendeu a minha pergunta.

— Ainda não temos uma resposta completa, mas segundo o que minha mãe ouviu, Noah pode ter transtorno de personalidade borderline.

— Isso não é bom... Não é? — Sua expressão foi de longe a mais fofa, apesar de querer se mostrar preocupado.

Joshua, ainda machucado e certamente pior do que a briga que teve pela manhã, olhou para o loirinho por um tempo até responder:

— É uma doença psicológica. Meu irmão vivia no limite entre a normalidade e os surtos psicóticos. É uma série de coisas que nem mesmo minha mãe sabe explicar. E eu não me importo mais... Meu irmão é louco e espero que fique um bom tempo nessa clínica. Ele precisa pagar pelo que fez.

— Joshua, você não se arrepende?

— Sinceramente? Não. São poucas as coisas que me causam arrependimento. Pouquíssimas, raras.

— É uma pena... — Ele abaixou a cabeça.

— Contei para minha mãe toda a história do que ele fez. Mas menti sobre a seringa. De qualquer forma, isso não tem a menor diferença.

Edgar sabia que se fizesse mais perguntas as respostas seriam todas parecidas. Joshua era de meias palavras e geralmente grosso em suas respostas. Porém, o loirinho não percebia que Joshua até se esforçava, se fosse outro, sequer estava tendo um diálogo. Era um passo de cada vez para ambos.

— Já comeu? — O ruivo perguntou passando sobre os vidros.

— Sim... O resto da comida que você preparou ontem. Eu tive medo de comer algo do armário e não ser seu. Vai que seus amigos não gostem.

— Não se preocupe com nada que fizer aqui. Quem manda nesse lugar sou eu, loirinho. Enquanto estiver sobre caminhando sobre os meus pés, nada encostará em ti. — Ele não olhou nos olhos de Edgar, sequer imaginou que isso fosse soar romântico.

Edgar ficou constrangido.

Ele novamente passou pelos vidros e foi até o ruivo que já estava sentado numa cadeira da cozinha e comendo frutas aleatórias.

— Estou indo conversar com o Danion.

O ruivo parou de mastigar, pôs um braço sobre a mesa e olhou para o loiro.

— Preciso ir junto? — Perguntou, sério.

— Eu não quero mais confusão. A essa altura do campeonato eu sei que todos estão me odiando ou até imagino encontrar minhas coisas arrumadas na porta da república.

— Se for por falta de lugar pra ficar... Tem o meu quarto, a minha cama e o meu calor. Estará livre da fome e frio.

Sorridente, Edgar abaixou a cabeça.

— Obrigado. — Agradeceu.

Levantando-se, Joshua arrumou sua jaqueta preta.

— Não precisa ir comigo. De verdade. Prefiro ir sozinho e explicar para todos o que aconteceu. Ou pelo menos tentar, caso queiram me ouvir. Além disso, tem o William...

Joshua até ficou pensativo quando ouviu o nome do loiro. Desde a época de calouros, William e Joshua jamais foram amigos, sequer chegaram próximos disso. Eram duas forças paralelas que os fãs de confusão adorariam que um dia se encontrasse. Quando no passado, a confusão do refeitório explodiu, envolvendo William, Sebastian, Sean, Octavio, Rickson, Luke, Noah, Caleb e Joshua, as duas maiores foras do embate não tiveram a oportunidade de se enfrentarem.

Mas Joshua sabia e admitia que William era o único a conseguir silenciar o demônio que habitava dentro de si, principalmente ao rugir. Demônio esse que já mostrou do seu poder catastrófico ao espancar Danion. E, se William tivesse feito algo, seria necessário cavar duas covas.

— Independente do que aconteça lá, me procure. — Pediu o ruivo.

Edgar afirmou com um movimento de cabeça e deu as costas, mas foi puxado pelo ruivo que o fez sentar sobre a mesa, afastar suas pernas e beijá-lo. Infelizmente, para Edgar, não foi tão confortável assim, ele sentia as pernas doerem desde a noite passada, porém aguentou em seu silêncio pelo beijo quente e caloroso.

Edgar, após o final do beijo, respirou fundo. Joshua deu as costas e abriu a geladeira:

— Diga-me quando não mais estiver me suportando. — Pediu o ruivo.

Edgar saiu de cima da mesa ainda com a mão na boca. Caminhou até a porta de saída e de lá ficou olhando para o ruivo. Onde estava com a cabeça para começar a se apaixonar por ele? Suportar Joshua significaria suportar a dor... Sentimental e física. No sexo e na vida.

[...]

Ainda na cozinha, Octavio tinha conseguido sair do assunto William. Ele e os garotos conversavam sobre vários assuntos aleatórios, mas ainda focado no jantar de ontem a noite.

— Onde está o seu namorado? — Octavio perguntou para Leo.

— Dormindo no quarto revirado que esse desgraçado deixou. — Olhou para Danion.

— Eu já contratei uma faxineira. Eu não vou arrumar tudo aquilo.

— Duas faxineiras né? Porque você literalmente quebrou tudo. Eu juro pelos céus que se uma obra de arte minha tivesse sido danificada... Teria que dar adeus aos seus futuros filhos. — O fuzilou com o olhar.

Caine, horrorizado, olhou entre as pernas do namorado e depois levou seus olhos para Leonard que realmente o ameaçou.

— Vai deixar ele falar assim comigo, Caine? — Indagou o branquelo, apenas brincando.

— E-e-eu... Ah... Não sei! — Sem respostas, somente sentou-se no colo do branquelo. — Eu não deixo! — Levantou a voz.

Mas Edgar apareceu na cozinha e toda a brincadeira teve fim. Naquela altura do campeonato, todos já estavam cientes da ligação direta que o loirinho tinha com o Joshua.

Os curativos de Edgar chamaram a atenção, entretanto ninguém abriu a boca pra fazer alguma indagação.

— Será que podemos conversar? — O loirinho, timidamente, indagou especialmente para o branquelo.

Octavio, sábio, foi o primeiro a se levantar. Ele acabou levando consigo todos os demais, embora Connor ainda estivesse comendo e de boca cheia, ele só foi porque Luke o puxou. Caine também saia, mas Edgar chamou sua atenção:

— Eu também preciso falar com você.

— Eu sei que sim. Mas por enquanto, prefiro que vocês dois conversem. — Sorriu para o amigo ao sair da cozinha.

Danion e Edgar ficaram sozinhos, finalmente. O branquelo por vários minutos não o encarou, ficou com os olhos fixos no prato de panquecas enquanto Edgar permaneceu em seu lugar, de pé. Não sabiam bem como iniciar o diálogo, mas quem estava ali por um pedido de desculpas era o loirinho e ele finalmente soltou a voz:

— Você tem todos os motivos do mundo para me odiar.

— Tenho mesmo. — O branquelo assim levantou a cabeça.

Em choque pela afirmação, Edgar engoliu em seco e voltou a falar:

— Mas eu não estou aqui pra dizer que vou parar de falar com o Joshua...

— Principalmente por essa mancha vermelha em seu pescoço que só indica que vocês transaram. — Danion até se levantou e encostou-se a mesa.

Constrangido, Edgar levou sua mão a região e não soube o que falar.

— Olha, Edgar, eu poderia muito bem mentir pra você e falar que tudo está bem. Mas... Caralho! — Como era de costume, tinha que soltar algum palavrão — Não está nada bem. Você e Joshua era algo que ninguém jamais iria imaginar.

— E você acha que eu imaginaria? Ele me causa arrepios até hoje!

— Bons ou ruins? — Ironizou.

— Eu tenho medo dele, Dan. M-mas... Mas eu gosto daquilo que eu conheci. Joshua tem um lado... E-eu não sei explicar, porém, te afirmo que é algo estranhamente gentil, amoroso, humano. Sim, humano! Ele tem um resto de humanidade.

— Se na mata te lançarem e nela existir animais selvagens, saiba que está ali apenas pra servir de alimento. Ou seja, esteja preparado para a morte.

— Não sou alimento de animais, Danion. Sou apenas uma pessoa que tem a visão completamente de vocês aqui da Quadra.

— Como assim?

— Você nunca parou pra pensar, não é? Basta olhar pra você mesmo, Dan. Veja também o Colin e o Caine.

— Se for pra repetir as mesmas palavras que o Caine disse, não serão necessárias. Ele já me disse tudo a respeito disso.

— Sobre não escolhermos as pessoas, não é? Mas sabe por quê? Porque nós somos limitados a isso quando entramos numa república.

— Não há limitações em nossa república, Edgar. Todos nós somos livres... E gays. — Completou.

— O que eu quero dizer é que nós, calouros, quando entramos nesse universo de repúblicas e suas rivalidades, já entramos sendo obrigados a detestar quem não conhecemos. E, por isso, muitas das vezes temos que manter segredos procurando não magoar quem nos acolhe.

Nada, até o momento, fez tanto sentido como o que o Edgar tinha dito para Danion. E o branquelo recebeu as palavras como uma bola de aço pesada caindo sobre suas mãos onde ele não estivesse suportando. Ele simplesmente não soube o que responder.

— Entendeu o que eu quis dizer? O mesmo valeria se fosse você em meu lugar. Eu jamais ficaria contra você ou apoiaria o Joshua pelo que te fez. Assim como o Caine, o seu namorado, eu detesto violência. Sei que foi terrível o que Joshua te fez e eu não ficaria com ele se não o conhecesse tão bem. Tudo o que Joshua precisa é de alguém que o faça enxergar o mundo em luz, já que seu olhar remete a escuridão.

Ainda sem consegui falar, Danion bagunçou seus cabelos.

— Eu não estou magoado com você. — Finalmente o branquelo se expôs — Na verdade, um pouquinho. Eu fiquei completamente transtornado pelo que aconteceu. Mas se não fosse o Caine, eu não estaria aqui te dando ouvidos.

— Quer dizer que está tudo bem entre nós dois?

— Juro que quero te expulsar da república, filho da puta. Mas você tem razão no que está dizendo sobre as limitações. Lembro-me de Caine tendo que esconder coisas do irmão por minha causa.

— Eu irei te pedir permissão para ir ao Ninho, você é o meu líder. Sei que não posso ficar desobedecendo e corro risco de ser expulso.

— Não precisa pedir permissão. Você sabe muito bem o que fazer, só espero que não se arrependa ou não sofra da mesma forma que sofri. Não confio em ninguém daquele lugar, nem mesmo no Luke, que mesmo estando próximo de alguns daqui, me deixa seguro.

Edgar abaixou sua cabeça

— Você poderia dizer essas palavras pro William? — Pediu, arisco, o branquelo.

O loirinho levantou a cabeça.

— Colin e ele, não é? — O branquelo afirmou. — E-eu vou tentar... Mas posso te dar um abraço?

— Que viadagem é essa, Edgar?

— Ah... B-bem... Tudo bem então.

— Ai, garoto, é claro que eu tô brincando.

Para Danion, nada ainda estava bem, mas ele precisava dar lugar a novos sentimentos, não quando se tratava de Joshua. Esse jamais receberia o seu perdão ou sequer colocaria os pés naquela república. Mas se tratando de Edgar, deveriam apenas saber separar as coisas.

O branquelo mesmo se encarregou de abraçar o loirinho, que sem graça aceitou.

— Desculpas, de verdade. — Sibilou.

— Vai tomar no cu. — Isso significou que as desculpas foram aceitas.

[...]

Eram exatamente quatro da madrugada quando Sean e Colin finalmente pegaram no sono. Eles comeram, assistiram um filme que Colin detestou o final ao esperar algo magnífico e, segundo o que falou, foi uma porcaria. Depois jogaram conversa a fora e mais um momento íntimo aconteceu entre ambos, mas nada que resultasse em sexo ardente que eles costumavam ter.

Colin acordou com algo duro roçando a sua bunda. Seu sono não era dos mais leves, mas ao perceber que estava sendo prensado abriu os olhos e, ao olhar para trás, notou que Sean estava abraçado a ele, embora ainda dormindo, provavelmente tendo um sonho erótico.

Mas o pequeno não se moveu. Quando olhou para o relógio viu que estava próximo do meio dia e até se assustou por isso, porém, estava despreocupado. Dormiu com quem queria e valeu a pena.

Sean fez outro movimento, roçando ainda mais seu pênis nas nádegas de Colin. O pequeno revirou os olhos e passou a mão na testa.

Foi então que viu a fotografia de Sean e Octavio. Era incrível que após tanto tempo ele não descartou aquilo, simplesmente deixou a lembrança permanecer ali. Era sinal de que mesmo errando e não buscando por conserto, Octavio era o seu grande e único amigo. Infelizmente no passado.

Outro movimento e Colin perdeu a paciência. Com o cotovelo ele atingiu o estômago do moreno, não usou tanta força, mas o suficiente para despertar o moreno.

— Tá bom o sonho, não tá? — O pequeno perguntou.

Para provocação, Sean apertou Colin naquela mesma posição, em um abraço, fazendo o pequeno sentir melhor o seu membro ereto roçando nele.

— Sim. Eu te comia nele. — Num muxoxo, respondeu.

Aquela típica voz de que acabava de acordar, porém, quando se tratava de Sean era algo estupidamente sedutor.

— Então trata de desencostar isso de mim que eu não tô querendo.

— Sabia que eu tenho vontade de ser acordado recebendo um oral? Tá aí uma dica pra você.

O moreno então o soltou e rolou na cama. Colin sentou-se e coçou os olhos. Ele se encarregou de segurar a fotografia em mãos.

Ele deduziu ter sido tirada na república dos Tigres, especialmente no quarto. Sean não estava com a mínima vontade de tirar a foto, principalmente pelo seu movimento de mão tentando proteger o rosto, mas Octavio segurava ela sobre os olhos. Octavio sorria, mas Sean apenas mantinha a seriedade de sempre, embora sempre estivesse bonito, mesmo não sorrindo em fotos.

— Não sente falta? — Colin perguntou.

Sean moveu sua cabeça para descobrir sobre o que Colin estava falando.

— Deixa isso aí e vamos transar. Acordei revigorado.

Colin deixou o objeto no lugar que estava e fingiu deitar-se na cama, mas quando Sean abriu os braços para segurá-lo, o pequeno imediatamente se levantou.

— Babaca. — Colin falou baixinho.

Transtornado, Sean segurou em seu membro e o apertou mostrando para Colin.

— Toma aqui pra você, idiota. — Ele realmente ficou irritado.

Colin foi o primeiro a fazer sua higiene matinal, Sean foi logo em seguida, ainda quebrado. Eles comeram tranquilamente, embora Sean estivesse insistindo para transar com Colin, afinal estava há semanas sem realizar essa vontade, mesmo recebendo um oral no dia anterior. Ele queria algo além.

Já na sala, Colin começou a falar:

— Eu vou na Quadra.

— Eu vou resolver o processo da minha matrícula.

— Então quer dizer que vamos voltar a nos encontrar nos corredores da universidade?

— Sim. Isso significa que dessa vez vou te comer no banheiro.

— Você não para de falar que vai me comer, me comer, me comer e me comer?

— Vou te comer. — Soou simples e sem vida.

Colin revirou os olhos.

— O que você espera de alguém que passou meses sem isso? Tá difícil, porra!

— Pior seria se eu não fizesse o que fiz ontem.

— Até isso eu tô aceitando. Que tal fazer antes de ir pra Quadra?

— E você faria em mim? — Ele se virou.

Sean foi pego de surpresa.

— Viu aí? Nada contra, mas precisamos inovar mais um pouco. — O pequeno falou e quando pensou em abrir a porta Joe apareceu. Ele estava preparado para bater.

Joe foi de grande ajuda para o momento.

[...]

Octavio estava repousando abaixo da árvore em frente a república. Pensativo, ele apenas pensava no namorado. Não estava existindo uma crise amorosa no relacionamento dos dois, eles estavam bem e sabia que o namorado não terminaria com ele, pelo menos preferia acreditar nisso. Todo o problema estava na mudança de William. Reconhecia que era uma fase e Will precisava pensar bastante, mas era triste vê-lo sem sorrir. E sim, William já não sorria há bastante tempo.

Ele ergueu a cabeça ao notar um carro estacionando a frente a república e dali Colin descer. Viu Sean no banco traseiro quando a porta foi aberta, mas de lá ele não saiu. Colin falou mais alguns segundos com o ex-amigo e então o carro foi embora.

Colin estava aproximando-se da árvore quando alguém, com voz venenosa e reconhecida, chamou a atenção dos garotos.

— Desce do carro o rei. Continua sendo a anã britânica zoada de toda a Quadra. — Colton proferiu do outro lado da rua.

Colin se virou de repente.

— Tá com medo de perder essa coroa imaginária? — Colin rebateu.

— Imaginária ou não, algo que você nunca terá.

— Mas tenho o homem que você deseja. — E deu as costas.

Colin ia aproximando-se de Octavio quando o mesmo saiu do seu lugar, passou por Colin e parou logo atrás dele. O pequeno não esperaria que Octavio estivesse logo a frente de Colton, encarando-o.

— Sabe perfeitamente que posso pisar na cabeça dele, não sabe? — Colton soltou ao encarar Octavio.

— Tente pisar na minha. — Falou, sério.

— Está mesmo protegendo quem um dia beijou seu namorado? Quem também mentiu para ele? Ah, esqueci, os dois mentiram pelo Sean. Que homem gostoso não é? Faz amigos virarem inimigos.

— Olha aqui seu...

— Colin. Por favor, poderia entrar? — Octavio interrompeu e pediu gentilmente.

— Mas Octavio... — O pequeno o olhou sem entender a situação.

— Por favor. — Fez sinal positivo com a cabeça e piscou.

Colin não quis ir contra o pedido e por isso deu as costas antes de olhar para Colton. Quando entrou na república, Octavio voltou sua atenção ao pequeno atrevido.

Colton era perceptivo demais e ele sabia que algo Octavio planejava. Principalmente para agir daquela maneira. Mas não se mostrou intimidado, mesmo com Octavio sendo bem mais forte fisicamente.

— Por que me dar à honra de ter um momento privado com você?

— Para pedir que pare.

— Eu? Parar? — Gargalhou. — Não brinque com isso, Octavio. Eu não vivo escondido, eu simplesmente vou e faço.

— Certo. Se eu pedi e você acabou de dizer que não vai, então eu ordeno.

— Corta essa. — Fez gesto com a mão — Não é porque você tem o dobro do meu tamanho que eu vá me intimidar com essa ordem. Vejamos nossas posições na Quadra. Quem mais tem influência? Posso te derrubar sem que você espere.

— Será mesmo que consegue? Eu fecharia os olhos e facilitaria para você. Mas como sei que não consegue, pra facilitar ainda mais, vou ficar de costas. Ah, e isso também vale para os meus segredos. Tente encontrar algum e abra a boca. Sabe de algo? Não.

— Posso descobrir. — Sorriu — Assim como descobri o que aconteceu ontem com seu namorado e sua luta com Joshua. Eu tenho ouvidos dentro e fora da Quadra. Da mesma forma que foi fácil usar Gaspar e descobrir o que vocês tanto protegiam, assim posso fazer para descobrir algo seu.

— Seria uma pena que isso nunca fosse acontecer. Até porque eu não sou iguais a todos vocês que quando escondem algo confiam em alguém e esse alguém vive repassando. O que eu vejo e faço, Colton, fica comigo e no máximo é compartilhado com William e, no passado, com Sean. Mas se até hoje você nunca conseguiu, por que ainda tentaria? Veja bem, você conseguiu me atingir quando me enganou. Mas nesse caso o segredo não era meu, mas sim do Sean. Já parou pra pensar que sobre William e eu você nunca descobriu algo? Todos os meios que você tomou foram tendo que usar as pessoas mais próximas a nós: Sean e Colin.

— Foi prazeroso da mesma forma. Mas não duvide da minha capacidade. — O pequeno não retirava os olhos de Octavio e o outro fazia o mesmo.

— Como disse, até hoje você não conseguiu isso e jamais vai conseguir. Saiba, Colton, que somos parecidos em uma coisa: segredos. — Deu ênfase na palavra e olhou para trás para ver se alguém se aproximava, vendo que não, voltou sua atenção ao Colton — Da mesma forma que você descobre os dos outros, eu também descubro. E olha que bem antes de você descobrir sobre Colin e Sean eu já estava sabendo. Até porque na fila da vida eu nasci primeiro que você. Nós, no caso você e eu, moramos em todas as três repúblicas. Ah, Colton, quando você da um passo eu estou correndo. E quando você corre, eu já cheguei. — Octavio não perdeu a oportunidade de sorrir vitorioso para o pequeno que ficou com os lábios trêmulos por uma resposta.

— É bom saber que assim como eu, você trabalha com segredos. Sabe que ele é melhor do que agressão física para derrubar alguém? — Octavio balançou a cabeça concordando — É bom conhecer esse lado perigoso das pessoas, dá pra usá-los quando quero. Por isso te dou a oportunidade de se juntar a mim. Que magnífico.

Octavio não deu bola e sorriu, insatisfeito, Colton completou:

— Está rindo porque sabe que sou uma ameaça ao seu nível e tem medo. Não banque o esperto com essas palavras de efeito tentando me impactar. E só corrigindo o que você disse: “E quando você corre, eu já cheguei”. Não, Octavio. Enquanto você dá um passo eu estou voando. — Piscou.

— Colton, há pessoas com quem você consiga ter uma discussão bem jovial, algo estudantil e típico de filmes adolescentes. Com tiradas previsíveis e clichês. Mas vamos ser sinceros, coloque na sua cabeça que eu não sou mais um garotinho. Então pare de ser menos artificial e venha com respostas melhores.

— Está bancando um inteligente e foi burro o suficiente pra acreditar que tinha transado com Sean sem nunca se perguntar quem foi que tirou a fotografia. — Tentava a todo custo deixar Octavio sem palavras.

— Ainda nesse assunto? Sério que tá tentando me atingir com o que já passou? No final, o que deu tudo isso? Estou com meu namorado. — Mostrou a marca no pescoço que William havia causado — Você foi útil, sem pensarmos por esse lado. Serviu pra melhorar ainda mais minha relação com William, e como prova disso, perceba que mesmo meu namorado descobrindo sobre Colin e Sean, continuamos juntos. Acho que devo te agradecer.

Colton ficou sem palavras.

— Perceba só: Você conseguiu uma república, conseguiu desmascarar Suzana porque sei que ali tem dedo seu, fez com que o Noah fosse internado, porque o Luke nos contou, e quando usou o Harry para derrubar a máscara que o Colin carregava ou até mesmo quando traiu o Sean no passado... Você percebeu que tudo o que fez, apesar de causar todo um impacto, serviu para movimentar e amadurecer as pessoas? Acho que sua única utilidade é essa.

— Octavio eu...

— Cala a boca que eu ainda não terminei de falar. — Ele estendeu a mão pedindo silêncio, sem reação Colton obedeceu — Continuando: Você conseguiu a república, mas não é respeitado como líder, apenas tem o status e o título de liderança. Após desmascarar Suzana, acabou fazendo Joe e Sean se conhecerem, algo que eu sei que vai ser melhor. O Noah realmente precisava de ajuda, Joshua deve te agradecer. O Colin agora tem o Sean e pelo que vejo, estão felizes. — Octavio balançou a cabeça e franziu o cenho — E quando Colin e William voltarem a se falar? Porque todos nós dessa república, ligados — olhou para trás —, bem diferentes da sua república — olhou para frente — que são separados, sabemos a bela amizade que eles dois tem. Não acha que o ocorrido vai servir pra que ambos aprendam com os erros? No final, você continuará sozinho e com essa personalidade montada, visto que você adora esses bordões retirados de alguma série de TV.

— Se continuar assim eu vou atingir diretamente a pessoa que você ama.

Octavio cruzou os braços e deu um passo para o lado.

— Entre lá e faça isso. Posso contar até cinco se você quiser.

Colton estava sem palavras, sem respostas e sem reação.

— Eu não sou o Colin e minhas respostas costumam ser mais elaboradas e objetivas. Atingindo diretamente a você.

— Não me faça realmente te derrubar com segredos. Eu vou até o inferno para isso. — Colton o ameaçou.

— Quando eu disse que somos iguais por trabalharmos com segredos, Colton, eu não menti. Ou você acha que eu não sei o porquê de você querer derrubar tanto o Sean. Conheço o seu jogo de xadrez e sei que a peça, ou melhor, o rei que você tenta derrubar é ele. Mas há ainda um peão no jogo. Porém, como todo jogador de xadrez, o rei ainda não caiu.

—Duvido que saiba! — Ele gargalhou, sem graça, mas já estava com medo.

Octavio somente sorriu de lado e disse:

— Você quer vingança pela morte do seu irmão: Julian Victorio Green. E sei como Suzana tem ligação direta com isso.

Quando na vida você planeja derrubar alguém, não importa se seja a melhor e mais forte pessoa do universo... Uma hora você cai. É a lei da vida. Colton caiu! E para a pessoa que ele menos esperava: Octavio.

Desnorteado e com lágrimas nos olhos, Colton avançou sobre Octavio, mas não importava se ele era bom de briga pelas habilidades em lutas, o maior segurou em seu braço e o fez ficar de costas, causando dor no pequeno.

— Volte para sua república e finja que nada aconteceu. Se quiser que esse segredo não venha à tona, pegue suas coisas e vá embora da Quadra. — Octavio murmurou em seu ouvido, ameaçando, de fato.

Notas finais
Oieee! Tá aí mais um novo capítulo. E saiu cedo, digamos assim x) Espero que gostem!! Link da nova fic: http://fanfiction.com.br/historia/611220/Outono/ Ask para conversar comigo: http://ask.fm/thomasnyah