Notas iniciais
Saudades de casa.

Sol? Ele estava tímido, escondido entre as nuvens. Chovia. Uma chuva fraca, nada que pudesse impedir as pessoas de permanecerem ali.

Toda a Quadra estava reunida em frente à república dos leões. Há os que choravam, os que conversavam e os que ficavam em silêncio. Não, ninguém estava de preto. Todos usavam branco. Danion sempre gostou dessa cor.

Cada membro da Quadra segurava uma rosa na mão. De um em um, depositavam-nas sobre o gramado da república. Até mesmo aqueles que se viraram contra Sebastian estavam ali. Há quem lamentava e os que sentiam a dor em silêncio.

Imagina você ouvir toda a Quadra cantando? Era isso que eles faziam.

Todos os leoninos seguravam um objeto que Danion adorava. Leo, diferente deles, segurava o maço de cigarro. Cigarros! Até o mau cheiro daquilo faria falta na república para seus companheiros.

William estava sem falar nada há um dia. Ao seu lado, Octavio dava-lhe apoio. Lágrimas eles já não tinham. Danion era tão alegre, tão espontâneo e tão irritado. E claro, irritava. Ele certamente iria quebrar aquele clima fazendo uma de suas piadas. Implicaria com Colin e eles brigariam, até o loiro interferir. Diria que amava o Rick só pra ganhar um pedaço de bolo escondido dos demais.

Caine, o pequeno, estava ajoelhado, em frente a várias rosas. Chorava como uma criança que acabara de deixar a mamadeira cair. As mãos repousadas em suas coxas e a cabeça baixa. Deveriam respeitar seu momento. Ele precisava disso.

Quem não conhece a história de amor? Um amor que não foi recíproco, mas ainda assim uma história. Diziam que a loucura iria matar Danion. Mas não foi isso que aconteceu. A loucura o deixava vivo. A irresponsabilidade e a personalidade.

Caine ergueu a cabeça e olhou para a multidão à sua frente. Até mesmo Sebastian estava abalado com aquilo. Colin estava ao lado de Leonard, ambos abraçados.

Chorou novamente ao ver a imagem daquele corpo sobre o chão, sem qualquer reação, movimento ou expressão. Nem sequer o viu suspirar pela última vez.

“Respira, Danion, por favor. Não me deixa.”

Um beijo na testa foi seu adeus.

William caiu de joelhos ao seu lado, envolvendo o pequeno em um abraço. Agora todos teriam de ser fortes. Fortes demais para superar a perda daquele que, apesar dos erros, deixaria boas lembranças.

Os olhos de Caine foram ao encontro do dono de cabelos vermelhos que aparecia na multidão usando preto. Não era Sebastian, mas o seu único rival: Joshua. O ruivo estava sorridente. Aquele velho sorriso sádico. Sorriso esse que vinha assombrando-o todas as noites. Joshua apontou para Caine.

Caine novamente ouviu os gritos de dor do branquelo. O ouviu suplicando para que parassem.

O pequeno novamente levou suas mãos aos ouvidos.

— Parem! — Caine gritou!

Sebastian correu até o irmão.

— Parem! Parem! — Caine gritou mais, voltando a chorar.

— Ele morreu, Caine! Ele se foi! — Sebastian dizia.

— Não! Não! — Não aceitava a morte.

— Caine!

— Parem, por favor! — Ele novamente insistia para que parassem!

— Caine! Caine! Sou eu...

Caine acordou.

Quando abriu os olhos estava em seu quarto. O corpo quente, a testa suada. Sebastian o abraçava firme, enquanto tentava controlá-lo. Lydia estava logo ao lado, preocupada. O ruivo continuou a abraçá-lo, o mantendo seguro em seus braços.

Estar em seu quarto era estranho. Não, aquilo não podia ter sido um pesadelo. Ele tinha certeza. E as pessoas vestindo branco? As rosas? A canção? Era tudo um pesadelo, pequeno. Apenas um pesadelo.

Percebeu então que estava sem camisa e Lydia segurava uma ensanguentada. Sangue do Danion.

“Sangue. Espancamento. Danion no chão.” Lembrou!

Caine novamente começou a tentar fugir dos braços do irmão.

— Eles vão matá-lo, Seb! O Danion! Me solta, eu preciso ajudá-lo! — Gritava.

— Calma, Caine.

— Me larga! — Caine realmente o socou. Vários socos, mas nada adiantou. Sebastian suportava tudo. — Você não entende? Eles vão matá-lo! — Voltou a soluçar, o pequeno novamente chorou.

Caine perdia as forças gradativamente. Não mais conseguia falar, apenas chorar nos braços daquele que é considerado seu maior protetor. Lydia se aproximou dos dois, também o abraçando. O pequeno era tão importante na vida deles que não aguentavam vê-lo naquele estado.

— Vai ficar tudo bem, Caine. Eu sei que vai...

[...]

Octavio empurrou a porta de entrada, assustando Rick que assistia.

— Ao quarto dele, com cuidado! — Octavio pediu, abrindo espaço.

Com a ajuda de Connor, ambos trouxeram, com cuidado, o corpo desacordado de Danion até a república.

— Pelo amor de Deus, o que aconteceu? —Rick levantou, assustado, largando de lado a televisão que tanto o empolgava.

— Depois eu explico. Abre a porta do quarto dele, e preciso que você ligue pra todos os membros dessa república pedindo para que voltem pra casa, não importa o que estejam fazendo.

— Liga pro Ian, por favor! — Connor complementou. — Não esquece dele!

— E cadê o William?

— Foi no hospital. Abre a porta, Rickson! — Chamou o outro pelo nome que o incomodava. Octavio, sério, tinha essas manias.

O mulato foi correndo abrir a porta do quarto também ajudando a repousar, calmamente, o corpo do branquelo em sua cama. Danion estava desacordado, desmaiado.

— Só quero que o Connor fique aqui e me ajude. Rick, faça o que eu mandei, agora!

O mulato voltou correndo pra sala em busca do seu celular, pronto para ligar. Ele não sabia o que havia acontecido, nem fazia ideia, mas seu corpo todo tremia de nervosismo e susto pelo que vira. Danion parecia estar morto.

— Segura aqui, firme! — O moreno pediu para Connor.

Octavio estava sem camisa, já que a sua foi usada para estancar o sangramento no supercílio de Danion.

Connor, mesmo estando nervoso e com medo de fazer algo errado, atendeu ao pedido. Octavio confiava em Connor, até mesmo quando pertenciam aos Tigres. O moreno correu até o seu quarto e de lá apanhou seu kit de primeiros socorros.

Com a ajuda de Connor, eles rasgaram a camisa do branquelo e a calça. Octavio preocupou-se com todo o corpo do outro, temendo machucados sérios em qualquer parte.

William chegou como um foguete. Ele tinha ido ao hospital onde já estagiou, conseguindo roubar — um caso necessário — alguns medicamentos para dor e kits de sutura. Há males que vem para o bem, e esse foi o caso do loiro. Mesmo que pudesse ser prejudicado caso descobrisse.

— O supercílio precisa ser suturado e o ombro dele está deslocado.

— Mais alguma coisa? – O loiro perguntou.

— Não sei, estou nervoso, William. Estou com medo. E se tiver alguma hemorragia interna?

— Temos que confiar. — Porém apalpou os pulsos de Danion, checando intensidade e regularidade, buscou sinais de hipovolemia e cianose, palpou extremidades a fim de verificar hipoperfusão periférica e avaliou se ele estava sudorético. Como aparentemente Danion, apesar de desacordado, parecia estável, o medo de hemorragias internas aliviou. William olhou para Connor. — Preciso que saia e me deixe sozinho com Octavio. Se mais alguém chegar, proíba de entrar aqui. Mesmo que tenha de usar sua força.

Connor assentiu saindo do quarto imediatamente. William antes lavou as mãos e usou as luvas do kit que Octavio tinha. Com a ajuda do namorado, começaram a lavar os machucados de Danion com soro fisiológico, limpando os ferimentos e removendo o sangue de algumas regiões. O moreno ainda pressionava o supercílio do outro, pois a região sangrava sem parar.

William estava tão atento, embora nervoso. Octavio também. O loiro não queria explodir de raiva, deveria se manter firme e mostrar profissionalismo no que fazia. Embora não estivesse formado, ele cuidava da vida de alguém.

— Temos que fechar logo esse ferimento.

— Você é essencial para isso. Você pretende seguir na carreira cirúrgica.

— Mas eu nunca fiz isso em alguém... Quase morrendo! — Estava com medo.

— Eu sei do que você é capaz, William.

William olhou para o namorado, roubando-lhe um beijo rápido e trocando de lugar com o mesmo. Eles sabiam do risco que estavam correndo. O melhor lugar para Danion estar seria o hospital, mas não poderia fazer isso. Perguntas surgiriam e a Quadra teria fim.

O loiro respirou fundo diversas vezes, trocou as luvas por estéreis do kit que roubara e, após ajeitar os materiais, retirou a camisa do supercílio do branquelo. Observou o ferimento. Qualquer outro desmaiaria, mas esses dois tinham sangue frio para isso. Afinal, pra fazer curso de medicina é preciso ter muito sangue frio.

Eles se sentiam em uma sala de hospital.

William lavou o ferimento com soro fisiológico, que era despejado pelo namorado, retirando todo o excesso de sangue ao redor. Aplicou a clorexidina, para evitar infecções.

William tremia. Octavio tocou seu antebraço, acalmando-o.

— Você aplica a anestesia. — William pediu. — Eu consegui roubar isso também. Sinto que irei me foder, mas é por uma boa causa.

— Ninguém irá perceber, William.

— Eu sei que consegui entrar e sair de lá sem que ninguém percebesse, mas ainda assim é arriscado.

Octavio não deu continuidade ao assunto e fez o que o namorado pediu. Preparou a seringa e anestesiou o local onde realizariam a sutura. Feito isso, William iniciou.

Cuidadoso. Atencioso. Esse era o resultado do aluno que mais se esforçava. Aquele que provava a todos que seria capaz de ser um grande médico.

Após suturar o supercílio do branquelo, ele novamente lavou o ferimento. Rapidamente, colocou um curativo simples sobre o local.

— Agora vem a pior parte. — Octavio comentou, pondo-se de pé, enquanto William livrava-se das luvas sujas de sangue.

— Você já fez isso uma vez.

— Mas ainda assim a dor é insuportável.

— Você pode fazer isso sozinho? Prefiro ter que segurá-lo caso acorde.

— Só o segure firme.

William voltou a se sentar, seus dois braços foram até o tórax de Danion. Octavio analisou o ombro deslocado e, por ter força e habilidade, conseguiu pôr no lugar.

Um grito ecoou por todo o quarto. Danion acordou pela dor, urrando. William por pouco não chorou ao vê-lo gritar daquela forma. Era um leonino, um dos seus, que sofria. Pela dor que sentiu, Danion novamente desmaiou, porém, repousando sua cabeça nos braços de Octavio.

William fechou os olhos, suspirou. O leão chorou.

[...]

— O que foi isso?! — Colin que estava na sala junto com os demais perguntou. O grito de Danion foi ouvido por todos.

O pequeno estava desesperado, tinha acabado de chegar mas já fazia ideia do que acontecera.

— Onde você estava? — Rick perguntou. — Por que não estava com o Danion?

Colin não podia falar que estava com Sean.

— Eu precisei sair. Mas não ando com ele no intervalo. Alguém me diz o que aconteceu?

— Ele foi pego pelo pessoal do Ninho. — Ian estava deitado no sofá.

Leonard estava sentado no canto do sofá. Chorava muito, passava mal. Rick estava ao seu lado, tentando de alguma maneira confortá-lo. De todos ali, aquele que sofria era o mais conectado ao branquelo. Dividiam o quarto e tinham uma ligação.

— O que aconteceu com o Danion?

— Ele foi pego, Colin... — Ian não queria descrever.

— Pego? Mas ele está bem? — Colin não acreditava muito nos seus companheiros, todos pareciam abalados demais. — Onde ele está?

Colin atravessou a sala, caminhando até o quarto onde o branquelo recebia os devidos cuidados. Connor foi obrigado a impedi-lo, largando Ian. Colin estava louco só de imaginar o que tinha acontecido. Não se sabe de onde buscou forças para isso, mas conseguiu retirar aquele que o impedia de prosseguir.

Abriu a porta do quarto e se assustou com o que viu. Levou a mão à boca, imediatamente lágrimas desceram de sua face. Incrédulo.

— Oh... — Foi só o que conseguiu dizer.

Ver todos aqueles curativos, hematomas e o branquelo desmaiado era algo que ficaria marcado para sempre em sua mente. Danion não era o tipo de cara que um dia ficaria daquele jeito, apesar de suas loucuras. O branquelo era tão vivo...

William, que estava chorando, foi obrigado a se levantar, enxugar as lágrimas e amparar Colin.

Abraçou o pequeno, repousando a cabeça dele em seu tórax. Afogou seus dedos nos cabelos do menor e o confortou.

— Shhhh! — Pedia para que se acalmasse.

— Eles não fizeram isso...

— Já está tudo bem. — William saiu do quarto, trancando-o novamente. Levou Colin até a cozinha.

Sabia que o pequeno não podia continuar vendo aquela cena. Ninguém deveria ver. Danion estava realmente marcado pelos socos, chutes, tapas. Ferimentos e mais ferimentos.

Colin sentou-se em uma cadeira, ainda chorando. O loiro tentou lhe acalmar com um copo d’água, mas o pequeno rejeitou.

— Isso é caso de polícia! Por que vocês não fazem nada? — Indagou, desesperado.

— Não podemos, Colin. Não podemos...

— Claro que podem! Eles espancaram o Danion. Um leonino. Um dos nossos! E você vai simplesmente deixar isso passar em branco? Se você não fizer, eu mesmo me encarrego de ir até a polícia.

— Você não irá fazer isso, Colin. Estaria colocando fim na Quadra.

— Eu não me importo! —Ele gritou. Estapeou o copo d’água, que se quebrou em contato com o chão. — Eles precisam pagar pelo que fizeram.

— Caine foi obrigado a assistir tudo. — Rick apareceu na cozinha. Tinha ido em busca de mais água para Leo. — Me desculpe, Will, mas tenho que concordar com o Colin. Temos que falar com a polícia. Eles quase mataram o Danion.

— Rick, me deixe a sós com ele. — O loiro pediu, com gentileza.

O mulato entendeu, logo após pegar a água, voltou para sala.

— Caine viu tudo isso? Meu deus! —Ele se levantou. — Caine ama o Danion. Imagina como ele está agora?

— Eu sei que foi algo sério demais e que muitas pessoas foram atingidas com isso. Mas temos de pensar antes de tomar alguma atitude. Temos que observar Danion constantemente. Não há tempo pra pensar em alguma vingança.

— William! Para de ser bonzinho, para! Eu não aguento mais te ver sendo pisoteado. Eu vou até a polícia, agora! — Disse, já saindo da cozinha.

O loiro foi rápido e o segurou pelo braço, puxando para mais perto. Ele certamente era mais forte que o menor, e conseguiu segurá-lo. William abraçou Colin. Assim como o pequeno, também sofria e queria poder chorar mais. Mas agora teria de dar exemplo para seus companheiros. Todos estavam tristes demais com o que aconteceu. E Colin era aquele de temperamento mais explosivo ali.

— Por favor, Will... — Colin chorou mais, sua voz abafada, enquanto os lábios estavam pressionados no tórax do outro. — Eles vão acabar fazendo isso com outros.

— Eu não deixarei que mais nada aconteça. — Disse, afogando os lábios nos cabelos de Colin. Não resistiu e também chorou.

William era o conforto que Colin precisava naquele momento. Colin também serviu de conforto para o loiro.

Octavio, que saiu do quarto, parou e observou a cena. O loiro o viu e fez sinal para que se aproximasse. Ele também abraçou o namorado e Colin. Dois protegendo um. Mesmo que ainda tivesse um pé atrás com o pequeno, esse momento não era pra se pensar nisso.

William só pensava em uma coisa: atenção dobrada no garoto que tanto protege.

[...]

Horas se passaram desde o acontecido. A tarde foi toda resumida em lágrimas. Aquele início de noite estava sendo também difícil para eles. Ninguém comia. Rick, que tentou animar a todos preparando algo, não conseguiu e acabou desistindo. Ele também não tinha cabeça para isso. Caine dormia profundamente, sendo obrigado a tomar um calmante. Demorou horas para que dormisse, mas Sebastian não largava o irmão por nada.

A verdade é que ninguém está a salvo na Quadra. Quando menos você espera, pessoas são pegas desprevenidas. E uma verdade já dita, mas não aceita: não há justiça na Quadra. E se houver justiça depois do que aconteceu, do que valeria permanecer ali? Colin poderia facilmente fazer justiça com as próprias mãos, mesmo tendo um tamanho que nada intimida.

Naquele início de noite, quando todos estavam em seus quartos, com exceção de Leonard e Rick, que repousavam no sofá da sala, Colin saiu. Não iria responder perguntas.

Na calada da noite, a pé e furioso, atravessou toda a universidade. Não se preocupou com o perigo. Não, ele não se importava com isso. Poderia ser assaltado, agredido por estranhos. Mas a raiva o deixou cego.

Hoje cedo conheceu o Ninho e iria entrar nele, mesmo que demorasse horas procurando onde Joshua estava. Tinha um segurança, guardando o portão principal. O pequeno aproveitou que um grupo de universitários entrava no local e se camuflou, fingindo ser um deles. No tempo em que caminhava, perguntou:

— Qual o bloco que Josh fica? — Chamou de Josh, tentando parecer mais íntimo.

Uma garota, descontraída, respondeu na ingenuidade, apontando para o bloco em que Joshua ficava.

Apressou seus passos e foi até o local indicado. Era tudo muito organizado ali, após passar pela porta de entrada do bloco, se viu diante de um enorme corredor, com diversas outras portas. Teve facilidade de encontrar o lugar em que Joshua ficava, pelas placas que identificavam os banheiros dos quartos. A cozinha era livre e bem espaçosa. Colin se sentia nos corredores da universidade, não era nada diferente. Só que agora aparentava ser uma casa, com plantas espalhadas em diversos cantos.

Parou em frente à primeira porta, na placa estava escrito “Quarto I”.

Colin bateu três vezes e esperou. Não demorou trinta segundos e a porta foi aberta. Joshua olhou a criatura à sua frente. Pequena, mas furiosa.

Uma tapa na cara. O som parecia ter ecoado pelos corredores.

A mão do pequeno doeu, ele estava ciente disso. Usou toda sua força pela raiva que sentia.

O ruivo fechou os olhos, respirou fundo e quando abriu, Colin permaneceu lá.

Por mais que soubesse que suas chances seriam mínimas de sair ileso dali, não se arrependeria de ter feito isso. O pequeno novamente ergueu o braço para estapeá-lo mais uma vez, porém, Joshua segurou sua mão a tempo.

— Algum problema? — Joshua indagou, apertando forte o pulso do pequeno.

Colin tentou se soltar, não conseguiu. Joshua só iria, agora, fazê-lo sentir dor.

— Algum problema, garoto? — Joshua apertou mais uma vez. Colin começou a ceder os joelhos, caindo no chão, não suportando a dor que sentia em seu braço. — Não vai responder?

— Você é um desgraçado! — Colin disse, entredentes.

— Mais alguma coisa? —Joshua continuava a pressionar.

— Ai! — Colin não aguentava mais.

— Dói, não? — Joshua se ajoelhou também, querendo olhá-lo nos olhos.

— Você vai pagar pelo que fez! — Colin tentou usar a outra mão livre, mas Joshua novamente conseguiu segurá-la, pressionando-a também.

— Não foi uma boa ideia sua aparecer aqui. Quero ouvir o som de ossos se quebrando.

— Aconselho você a largá-lo, Josh. — Luke, que apareceu no corredor, comendo um pedaço de torta, parou atrás de Colin. Largando o prato de lado e puxando o menor para si.

Luke, que sempre parecia alegre e com piadas a todo instante, estava sério diante de Joshua.

— Olá, Luke.

— Sem cinismo, Josh. Você nunca mais irá tocá-lo, certo? Você pode ter suas desavenças com quem quer que seja, mas nesse garoto você não toca. Entendidos?

— Saudades desse seu olhar sério. Sabemos que você é tão violento quanto eu, Luke. Não me olhe assim, não quero iniciar uma briga com você.

— Está avisado. — Luke puxou Colin pelo pescoço, apanhou seu pedaço de torta.

Joshua ficou parado na soleira de sua porta, com um sorriso ameaçador. Ele não temia Luke, na verdade, não temia ninguém. Mas já vira o lado sádico de Luke uma vez e iria adorar ver aquilo novamente.

Colin foi arrastado até a cozinha, onde Luke preparou uma bolsa de gelo. Ele se sentou ao lado do pequeno, pondo a bolsa nos pulsos do garoto. Colin ainda resmungava, ora pela dor, ora por Joshua. Luke permaneceu com a mesma expressão de minutos atrás, sério e calado, apenas tratando do pequeno.

Era exatamente o que Joshua falou. Luke também conseguia intimidar em uma briga. Ele era realmente idêntico ao primo. Sangue era seu objetivo quando se metia numa confusão. Uma vez, furioso, chegou a quebrar um braço de um garoto só com um chute certeiro.

— Por que veio até aqui? — Luke perguntou.

Ele largou a seriedade de lado, voltando a ser o velho bobalhão e atrevido de sempre.

— Sentiu minha falta?

Colin, mesmo sentindo dores, lançou uma bolsa de gelo em Luke.

— Você também tem ligação com o que aconteceu? —Perguntou, largando a outra bolsa de gelo no moreno. — Me diga!

— Com o quê? — Luke perguntou, olhando sua camisa molhada. — Ei, cuidado! Ela foi cara!

— Vocês bateram no Danion. De uma maneira tão covarde!

Luke pareceu morder o lábio com a notícia que recebeu.

— Então finalmente descobriram o culpado. Mas foi aquele branquelo raquítico? Gente...

Colin ficou mais furioso ainda. Ele parecia não estar preocupado. Ninguém parecia. Espancaram Danion e por isso ficou. Ninguém viu o estado do seu amigo para agirem assim.

— Eu não tenho ligação alguma com o que aconteceu. Não me culpe por isso. Eu não me meto nos problemas do meu primo.

— Se meu amigo morrer, vocês irão se arrepender amargamente.

— Ainda me culpando, mesmo depois de te explicar que não tenho nada a ver com o que aconteceu? Poxa, assim você me excita. — Louco, como sempre.

— Vou embora. — Colin disse, levantando-se. Queria chorar pela dor que estava sentindo, mas agora, na frente de Luke, teria que fingir.

— Poderia dormir aqui. — Sugeriu.

— Não seja iludido. Não tente isso. E nunca mais ouse falar algo assim.

O pequeno sabia onde era a saída. Luke correu para acompanhá-lo, mas antes enfiou metade da torta na boca. Luke no caminho começou a conversar com Colin, recebendo as velhas patadas de sempre. Cada vez mais admirado por ele. Isso é normal? Quanto mais desprezo, maior a vontade.

— Por que sempre que ofereço ajuda você se recusa? Eu não estava pensando em nada daquilo, tá bom? — Luke se defendeu. — E além do mais, tá escuro e considerando a segurança do local, é perigoso.

— Perigoso é ficar aqui. Onde há pessoas que agem covardemente.

— Irei te acompanhar, pelo menos.

— Não acho que você seja bem vindo na Quadra. Irei sozinho.

— Você parece abatido. — Luke colocou a mão em seu ombro, Colin aceitou. — Não quer conversar?

— Luke, você é primo daqueles que agrediram um grande amigo meu. Por favor, preciso de espaço. Apesar de legal e extremamente irritante, não acho que seja certo continuar tentando insistir numa amizade comigo.

Luke queria mais que isso.

— Já disse que não devo ser comparado aos meus primos.

— Mas infelizmente você mora ali. Me deixe ir sozinho, tá bom? — Ele parou, encarando Luke. Já não era mais o mesmo Colin irritado de sempre. Ele precisava novamente chorar, o pequeno irritadiço não era o mesmo.

— Se é isso que você precisa, irei te respeitar. Posso te levar até o portão principal, pelo menos?

Colin aceitou em silêncio. Luke permaneceu com os braços em seu ombro e juntos foram até a saída. O moreno até deu-lhe um beijo na testa e se despediu, observando-o cada vez mais distante.

O pequeno decidiu voltar pela estrada, vendo o vai e vem de carros e as luzes dos faróis indo de encontro a sua face. Até um Tucson Flex parar à sua frente. Ele conhecia aquele carro preto: Sean Ferazza. O moreno buzinou.

Colin, não vendo alternativa para rejeitar e admitindo querer ele ali, acabou entrando.

Colocou o cinto e ficou sem silêncio, repousando sua cabeça no banco e olhando para o lado oposto ao do moreno. Sean dirigiu apenas poucos metros da universidade e estacionou em uma rua menos movimentada, abaixo de uma enorme árvore.

— Você é maluco? Perdeu a cabeça? Que merda fazia naquele lugar? — O moreno perguntou. Ele estava preocupado. Seus olhos foram até os pulsos do pequeno, o roxo na região era notável — Quem fez isso com você? — Tocou os braços do menor, mas esse não teve reação alguma.

— Esquece, Sean. Não estou querendo brigar.

— E por acaso estou brigando? Te vi saindo da sua república, te vi entrar no Ninho e sair com aquele garoto, Colin.

— Não aconteceu nada demais.

— Olhe pra mim! — O moreno se exaltou.

Colin então se virou. O pequeno leonino chorava perante o grande tigre.

Sean foi obrigado a retirar os olhos negros e irritados e adotar a postura de alguém acolhedor. Não que ele fosse bom nisso, mas teve que se esforçar.

O moreno ficou estático, não sabia o que fazer. O que deveria fazer? Não era bom nisso, não com Colin ali. Sempre foi acostumado a adotar a postura de prepotente, abusado e arrogante. Como consolaria o pequeno daquela forma?

Ver Colin chorando não era fácil.

Uma raiva súbita lhe subiu a cabeça só de imaginar o que fizeram com ele ali dentro.

— Você vai dormir lá em casa hoje. — Disse, já ligando o carro.

— Eu não posso. — Colin respondeu, voltando a olhar para a janela, retirando os olhos de Sean. — Eles bateram no Danion. Dez vezes pior do que a vez em que bateram em mim. Você deve se lembrar.

— Estou ciente do que aconteceu. — Não quis recordar do dia em que Colin também foi espancado.

— E deve tá feliz.

Sean não respondeu.

— Por favor, me deixe perto da Quadra.

— Colin...

— Estou pedindo por favor, Sean. Por favor...

Sean o olhou, conseguiu observar a lágrima descer por sua bochecha. Era difícil, mas ele foi capaz de largar a postura arrogante. O moreno retirou o cinto e puxou Colin para si, fazendo-o se sentir acolhido. Mesmo que não falasse nada, o pequeno estava entendendo o recado. Não eram necessárias palavras para descrever o que sentiu.

Sabe o sol? Ele é quem impera durante o dia. E a lua? A rainha da noite. Colin poderia ser o sol ou a lua. Sean a mesma coisa. Há quem prefira o dia. Há quem prefira a noite. Mas e quando existe o eclipse solar? A beleza é esplêndida. Podem até ser considerados rivais, mas quando unidos são implacáveis.

— Não estou mais aguentando a pressão de viver na Quadra. — Desabafou o pequeno.

[...]

William tinha dormido na cama de Leonard, Octavio no chão. Rick e Leo também dormiam no sofá da sala. O silêncio na república predominava. Uma república conhecida como uma das mais barulhentas, que a cada momento se metia em uma confusão, dessa vez estava o oposto daquilo que sempre foi.

Connor tinha acabado de passar pela sala com um urso que tinha dez vezes o seu tamanho, quase impossível de se passar pela porta. Tropeçou e acabou acordando Rickson, que até se assustou com o que viu.

— Desculpe... — Connor disse. — Eu não queria ter acordado ninguém.

Rick coçou os olhos e continuou observando. O mulato pensou bastante sobre a forma que o tratava. Connor não era realmente tudo aquilo que aparentava ser enquanto estava nos tigres.

— Você acha que o Ian vai gostar? — Perguntou, indeciso.

— O urso tem o dobro do tamanho dele.

— Mas ele vai gostar?

Connor, apesar de saber que o mulato não gostava nada de sua presença, era tão fantástico que não se importava com isso. Ele nunca tratou Rick com indiferença, apesar de ser tratado como um lixo pelo outro. Há pessoas que com seu carisma conseguem converter até o mais duro dos corações.

— Ian gosta de tudo que você faz. Não percebeu?

— Mas ele está abatido e eu não gosto de vê-lo assim. Tinha ido comprar comida, mas acabei passando por uma loja e tinha esse urso enorme. Acabei esquecendo a comida. — Coçou a cabeça.

Rick sorriu. Connor era realmente um idiota.

— Ele vai gostar, pode confiar. Eu tenho alguns chocolates, acho que seria perfeito. Eu tenho vários ursos, e ursos tem de vir acompanhados de chocolate. Isso é extremamente romântico, apesar de clichê.

— Mas os chocolates são seus.

— Ninguém precisa saber, certo?

O mulato se levantou, foi até o seu quarto e apanhou a caixinha inteira que tinha guardado e que ganhou do seu namorado. Não que estivesse fazendo pouco caso do presente, mas ele ao menos precisava se desculpar com Ian. Não sabia como, mas começaria dessa forma.

Entregou a Connor, que agradeceu com um sorriso largo.

Connor continuou a se atrapalhar enquanto levava o enorme urso pelo corredor, passando pela cozinha e quase derrubando uma cadeira até finalmente parar em frente ao seu quarto. Depois de milhares de tentativas conseguiu abrir a porta. Ian estava sentado em frente ao vídeo game, mas não jogava.

Ele olhou para trás e viu o namorado tentando passar pela porta com o enorme urso na cor marrom.

— Não vai me ajudar? — Connor indagou, realmente precisava de ajuda.

Ian se levantou e foi ajudá-lo. Como era de se esperar, Connor novamente tropeçou, dessa vez caiu em cima do urso e do namorado. A caixinha de chocolate voou, espalhando ao redor deles.

— Ai, Ian, poxa, você estragou toda a surpresa!

— Eu? —Ian contestou, indignado com a acusação.

Connor conseguiu se recompor, levantando o urso e o namorado, apanhou os chocolates e tentou colocá-los na caixinha, mesmo que não estivesse tão bonito como antes. Estendeu os braços para Ian e sorriu. O velho sorriso largo e bonito que carregava.

— É meu? — A velha pergunta clichê.

— Claro.

Ian abraçou o urso, mas isso durou apenas dez segundos. Avançou sobre o namorado e saltou, prendendo as pernas em sua cintura. Connor conseguiu, mesmo que por pouco tempo, fazer o namorado sorrir.

Depois dos milhares de beijos, ele voltou ao chão, voltando a abraçar o urso. Deliciou-se com alguns chocolates e os compartilhou com o namorado. A cumplicidade que esses dois tinham era única. Somente sorrisos declaravam todo o amor que um sentia pelo outro.

— Qual o nome que você vai dar a ele?

— William.

— O nosso líder?

— Já te contei que quando eu tiver um filho quero chamá-lo de William?

— Filhos? — Connor coçou a cabeça. — Mas já?

— Não por agora, seu bobo. Só quero chamá-lo pelo nome da pessoa mais íntegra, justa e extremamente respeitada que conheci na Quadra.

Connor, embora achasse estranho, sorriu. Beijou novamente o namorado, e abraçaram William, o urso.

[...]

Santiago estava impaciente. Naquela altura do campeonato, toda a Quadra sabia do ocorrido. Um garoto espancado. Mas, pior que isso, era o fato de todos apenas comentarem de Caine, o irmão de Sebastian. Muitos não deram bola para Danion, afinal, sentiam-se extremamente aliviados pelo que aconteceu.

Eles se lembram do que aconteceu.

O amor de Caine era tão popular, que os admiradores de romance chegaram a se inspirar em criar algo relacionado ao que aconteceu. O pequeno foi realmente afetado. Pobre Caine.

Santiago sentava, ficava de pé, subia e descia escadas, mas não ficava parado. Queria sair de sua república e ir visitar o pequeno, mas Sebastian não gostava dele. E ainda estava constrangido por ser flagrado aos beijos com seu irmão.

Tomou coragem, abriu a porta de sua república e saiu. Direto e sem pensar, parou em frente à república de Sebastian e bateu. Quem iria atendê-lo?

Colton, aquele que se considera rei.

— Não temos pão hoje. Já pensou em passar na sexta?

— Não me faça quebrar tua cara mais uma vez. Onde está Caine?

— Dormindo, Santiago. — Sebastian apareceu. O ruivo não tinha a melhor das expressões, mas não era algo relacionado à raiva, mas sim tristeza.

— Ele tá bem?

— Não. Não depois do que fizeram a ele.

— Será que posso vê-lo? — Perguntou, contido.

— Já se apaixonou? — Colton provocou.

Santiago respirou, fingiu não ter ouvido isso.

— Ele precisa descansar. Acho que não tem cabeça pra conversar. Octavio disse que teríamos que dopá-lo. Fiz isso.

— Posso vê-lo outra hora?

Sebastian assentiu. Colton apenas sorria, aquele sorriso de quem queria falar algo provocador. Santiago, já tendo a permissão do líder, deu as costas. Embora sua república ficasse logo à frente, pareceu uma eternidade ter que chegar até lá. Colocou as mãos no bolso e passou em frente à república de William.

Leonard estava sentado no sofá. Ele rabiscava numa folha de papel, ainda abatido.

Amava aquele jeito delicado que o seu ex-colega tinha. A postura, o modo como mordia os lábios e mexia nos cabelos.

Há meses tinha saído daquela república, mas o sentimento por Leo continuava o mesmo. Embora um tanto amenizado, já que se forçou a isso.

Leonard olhou na mesma direção, conseguindo captar os olhos de Santiago sobre os seus. O tigre abaixou a cabeça, desconfortável com a situação. O pequeno Leo saiu de sua república e foi até o gramado. Santiago permanecia lá, parado.

Leonard cada vez mais se aproximava. Santiago teria se arrependido de ficar ali. Mas já não podia dar as costas. Seria uma falta de educação.

Foi quando, surpreendentemente, Leonard o abraçou. Um gesto involuntário, jamais pensado pelo tigre. Um abraço quente, carregado. Era como se o pequeno estivesse querendo despejar toda a dor sentida. Na sua república, com exceção de Danion, outro não conseguia deixá-lo tão bem em momentos assim. Mas Santiago... Santiago já foi um dos garotos que arrancava risos do leonino.

Santiago, mesmo sentindo olhos observadores — apenas uma sensação — aceitou o abraço. Preenchendo o corpo do menor com seus braços.

Conhecia tão bem Leo, que sabia que tudo aquilo era relacionado ao ocorrido. Leo era muito ligado a Danion. Deveria estar sentindo ciúmes, raiva, ódio, e não se importar. Mas apenas compreendeu.

— Estou com saudades, Santiago.

Santiago poderia ter dito algo, mas o silêncio era sua melhor resposta.

— Não posso ver o Danion. Ninguém pode entrar no quarto. Por que com ele? Ele é meu melhor amigo!

Santiago mais uma vez poderia ter respondido. Mas estava novamente perdido, apenas ouvindo. Ver Leonard naquela situação não era agradável.

— E se eles me pegarem? E se pegarem mais um dos nossos? E você?

“Eu?” Pensou, sem acreditar. Leonard também estava preocupando-se com sua segurança.

Santiago abaixou a cabeça, afogando seu rosto no pescoço do outro. Dessa vez, o abraçou de verdade. Leonard acabou achando aquilo estranho demais, mas tudo poderia ser coisa da sua cabeça. Estava desabafando e precisava de um abraço assim. Era apenas um abraço, Leo. Um abraço. Infelizmente você não sabe o que se passa, ainda.

[...]

Antes mesmo do sol expor toda sua beleza, Colin estava de pé, com uma mochila nas costas. Fez de tudo para não acordar os companheiros de república que já dormiam. Naquele início de manhã fazia frio, suportável, mas frio.

Desceu as escadas e foi até a cozinha, na tentativa de encontrar algo para comer no caminho até a rodoviária.

— Para onde está indo? — Rick estava acabando de chegar à cozinha.

Maldita hora em que esqueceu que o mulato era sempre o primeiro a acordar.

Não querendo esconder a resposta, disse:

— Para casa.

— Você vai embora?

— Preciso dos meus pais.

— Você vai embora, Colin? — Repetiu a pergunta.

— Eu estou indo apenas passar um dia com eles, Rick. Não aguento ficar aqui. Estou começando a ficar louco. É muita pressão. Preciso de um dia longe, descansando. Um dia ouvindo as histórias do meu pai. Um dia recebendo carinho da minha mãe.

— Acha certo sair sem avisar?

— Não quero acordar ninguém. Também não quero ninguém me pedindo pra ficar. Eu volto amanhã, sem falta.

— Infelizmente terei que te apoiar. Eu te entendo. Pode ir, eu explicarei ao William.

Rickson foi até o armário e retirou de lá alguns biscoitos que havia preparado e escondeu para comer mais tarde. Retirou da geladeira a garrafa de leite e colocou um pouco no copo para o pequeno beber. A refeição de Colin foi rápida e ele se despediu.

— Se algo acontecer, me ligue. E eu volto correndo. — Pediu, antes de sair da república.

Caminhou com os braços e cabeça protegidos no moletom, saiu da Quadra e seguiu caminho pela estrada.

A mesma cena da noite anterior se repetiu. Sean parecia estar observando todos os seus movimentos. Mas diferente da última vez, Colin não entrou no carro. Continuou seguindo sem dar bola pro carro que buzinava.

Sean foi obrigado a sair do carro, correr um pouco e o segurar pelo braço.

— Colin!

— O quê? — O pequeno parou, ainda com a cabeça baixa.

— Pra onde vai?

— Pra casa, Sean! Não consegui dormir hoje à noite, não sei se vou conseguir dormir se permanecer aqui.

— E você acha que é assim? Ir embora sem falar nada? — Estava levemente irritado.

— Eu irei voltar. Só preciso de um tempo.

Sean soltou seu braço, retirou a mochila que Colin carregava e a lançou dentro do seu carro. O pequeno finalmente o olhou. Colin realmente não tinha dormido, Sean pôde ver bem isso.

— Eu irei com você. Irei conhecer seus pais e eles terão que me engolir.

Colin tentou dizer algo, mas Sean o ergueu do chão com facilidade, o jogou no banco de passageiro e prendeu os cintos. Voltou a entrar no carro, olhou para Colin, que mantinha os olhos fixos na estrada e deu partida.

Notas finais
Olá! Eu apareci e sei que demorei (propositalmente) o capítulo, mas tá aí. Espero que gostem e o próximo capítulo será recheado de Selin e os pais de Colin. Obrigado, amo todos vocês :3