Notas iniciais
Fim de jogo!

Don't lose who you are in the blur of the stars
Não perca quem você é no borrão das estrelas;

Seeing is deceiving, dreaming is believing
Ver é enganar, sonhar é acreditar;

It's okay not to be okay
Tudo bem não estar bem

Sometimes, it's hard to follow your heart
Às vezes, é difícil seguir seu coração;

Tears don't mean you're losing
Lágrimas não significam que você está perdendo

Everybody's bruising
Qualquer um se machuca

Just be true to who you are

Só seja verdadeiro com quem você é.

Connor estava com seu teclado na sala, enquanto Ian estava deitado em um sofá e Danion em outro. O branquelo parecia pensativo na letra da música. Canção aleatória que ele nem sequer sabia que iria atingir alguém.

— Porque tudo dentro de mim grita não, não, não, não... — O branquelo murmurou para si mesmo um trecho da música enquanto mordia seu próprio pingente.

— O que você disse? — Ian perguntou.

— Nada, só estava repetindo uma parte da música. — Foi sincero na resposta, porém, tal frase acabou impactando-o.

Connor terminou de tocar com um sorriso enorme na cara, fazendo o namorado repetir o gesto.

Danion estava triste. Talvez se culpando por ter enfiado pessoas na desgraça que fez. Sempre foi tão egoísta, esquecendo-se dos outros e agora estavam lá, fazendo de tudo para protegê-lo. Já até pensou na hipótese de comprar as pessoas e acabar de vez com isso. Mas se fosse descoberto, ele com certeza iria ser pego pelos brutamontes do Ninho. E Joshua é conhecido como o homem das cicatrizes, ele não deixa barato. É malvado por natureza.

Sua vontade, nesse momento, era de abandonar a Quadra. Mas como fazer isso se já se adaptou ao lugar? Será que isso teria fim ou mais pessoas iriam ser prejudicadas pelo erro cometido por ele? No fundo, ele realmente não tinha noção de como as coisas chegaram a esse ponto.

— Eu acabei de fazer panquecas doces pra lancharmos, algum de vocês querem? —Rick apareceu na sala.

— Estou sem fome. —Danion respondeu, revirando-se no sofá.

Rickson olhou para Ian.

— Você não quer?

Ian apenas se levantou do sofá, passou por ele e não disse nada. Até Rick pedir desculpas ao Connor, ele não comeria mais da comida do mulato. Não quando esse estivesse presente.

Connor optou por seguir o namorado, sorrindo amarelo para Rick, também rejeitando a comida do outro.

— Você viu, né? — Ele perguntou ao Danion. — Eu faço as coisas com tanto carinho e olha como sou tratado! Eu mereço viu... Mereço. — O mulato cruzou os braços e encostou-se a parede.

— É só fase. Ian sempre foi assim: orgulhoso ao extremo. E você é outro orgulhoso. Só vão parar com essa viadagem quando Connor surtar e resolver comer os dois de uma vez.

— O que?! — Rick se ofendeu.

— Ué, vocês dois são passivos. E eu sei disso porque Ian me contou semana passada quando conversávamos sobre.

Rick por pouco não lançou o objeto de decoração no branquelo. Deu as costas e voltou para a cozinha. Iria comer tudo sozinho.

Danion permaneceu na sala sozinho, fechou seus olhos e permaneceu pensativo.

— Você deveria ir pro quarto. — Colin disse, segurando uma mochila nas costas.

O pequeno tinha acabado de descer as escadas.

— Não estou dormindo. — Falou, ainda de olhos fechados.

— Desde ontem estou te achando diferente. Tá acontecendo alguma coisa?

— Problemas.

— Bem, você é a pessoa que mais causa problemas aqui. O que foi dessa vez?

— Você não tá indo pra universidade? — Desviou o assunto.

— Estou indo, tenho que devolver todos esses livros que peguei pra estudar. Mas já que não quer falar, não irei te forçar. Ouvi de lá de cima comentarem sobre panquecas doces, espero que deixem para que eu coma depois.

— Caine vai com você?

— Vai, ele também tem alguns livros pra entregar. Essa semana tá sendo insuportável. Coitado daquele que pensa que arquitetura é apenas desenhar. Eu não aguento mais exatas.

— Estou pensando em abandonar a universidade. — Danion finalmente abriu os olhos, sentando-se no sofá.

— Como?

— Não estou mais tão empolgado com o curso. E acho melhor, até porque há dias você dorme na sala por causa do William e Octavio. Já te ofereci uma cama, mas você se recusa a aceitar. Ou seja, você dormiria com o Leo.

— Estou bem dormindo na sala. Ainda tem o quarto do Rick, mas ele se apoderou do lugar e eu não me sentiria a vontade. Até porque ele não iria abrir mão das suas coisas pelas minhas.

— Tem o quarto do Ian. Lembre-se que Gaspar saiu de lá.

— Não mude de assunto, Danion. Eu sei que tem algo acontecendo. Tudo bem não querer me contar, mas não deixe a universidade e nem a Quadra.

— Colin! — A voz de Caine chamou a atenção dos garotos.

— Eu ainda não vou deixar você escapar. — Colin disse, tendo que sair da república.

O pequeno abriu a porta e o amigo já o esperava, também segurando uma mochila. Caine usava bermudas e sapatos, deixando-o ainda mais novo do que já era. Há quem diga que Caine tem seus quinze anos.

Danion voltou a fechar seus olhos, ignorando a presença do outro ali. Caine também não esboçou nenhuma emoção, apenas olhou para Colin suplicando para que eles saíssem dali. E isso aconteceu.

[...]

Colin caminhava sorridente, contando as novidades para Caine. Ambos saiam da biblioteca.

— Achei! — Luke quase gritou, assustando os garotos.

A cara de desprezo de Colin foi imediata, embora ele estivesse assustado. Caine olhou para Luke, também tentando entender o porquê daquela atitude.

— Não está feliz por me ver?

— Oi, Luke.

— Que seco. Poxa, eu cacei você pela universidade inteira e é assim que você me recebe?

Era como um cão farejador, não iria perder a oportunidade até conquistar o pequeno. Que de maneira repentina acabou chamando a sua atenção. Luke era um perfeito galanteador e incontestável cara de pau. E é por ser assim que geralmente consegue facilmente aquilo que quer. Pena que esse não conhece Colin tão bem o suficiente.

— É que eu já sei de toda a rivalidade da Quadra e do Ninho.

— E relacionamentos proibidos são sempre os melhores. — Luke tentou parecer engraçado. Colin sentiu um arrepio ao se lembrar de Sean.

— Aquele seu amigo ruivo, ele me dá medo. Não quero ser problema, e meus amigos não são teus amigos. Não acho que seja uma boa opção estarmos aqui conversando.

— Quem realmente se importa? Eu não me importo e você? — Luke se colocou entre os garotos, porém, envolveu a cintura de Colin com seu braço. O pequeno acabou ficando sem jeito.

— Luke, tem gente olhando.

— Olha só, o irmão do Sebastian. Sempre ouvi falar de você lá no Ninho, até já te vi algumas vezes, mas agora estou cara a cara contigo. Até que você tem traços do seu irmão, mas porque você não é ruivo?

Colin aproveitou pra se desfazer do braço do outro em seu corpo.

— Falavam de mim?

— Bem, não tanto quanto seu irmão. Mas já ouvi falarem de você e do quanto você era o oposto do seu irmão.

— Tá, não é pra sermos rivais? — Colin interrompeu a conversa. — Luke, você pertence ao Ninho. Eu e Caine somos da Quadra.

— E daí?! — O moreno falava com naturalidade. — Olha, essa guerra existe há tanto tempo e é passada de geração em geração, sempre há algum motivo pra ela ser reativada. Mas eu não me importo com isso.

— Você já deixou uma cicatriz no Octavio, já brigou com o Sean.

— Ah, o Octavio? Aquilo foi porque na briga eles derrubaram minha comida. Cara... Comida é sagrada! Aí eu acabei entrando na briga. E o Sean veio defender ele. E eu juro que estava sentado apenas observando a briga que se iniciava entre os outros. Vocês não concordam comigo que comida é sagrada? — O olho gordo de uma criança travessa.

— Joshua e Noah são seus primos, não são?

— Sim, crescemos juntos. Mas eles não mandam em mim, só que é divertido andar com eles, tem gente que tem medo. Eu sou tão legal, não sei por que algumas pessoas sentem esse medo.

Colin olhou para Caine e ambos se comunicavam através de olhares. Luke era tão relaxado com a rivalidade. Apesar de um completo idiota, cara de pau e persistente.

— Já disse que você é bem bonitinho? — Dessa vez ele colocou a mão sobre os ombros de Colin.

Colin por sua vez se sentiu constrangido. Não que fosse de ficar assim tão facilmente, Luke conseguia fazer isso. Até mesmo Caine que não tinha nada a ver com a situação, se sentiu constrangido pelo amigo.

Talvez, por ironia do destino, praga, azar, ou alguma obra de bruxaria planejada por alguém, o inesperado acontece. Sean passava pelo mesmo corredor. Não que aquilo fosse planejado, ele não esperava encontrar Colin, nem mesmo ir por ali. Ele estava apenas indo em direção ao estacionamento, que ficava logo após a biblioteca.

— Sean! — Luke disse, empolgado.

Sean era o mesmo em todas as situações. Seu silêncio e desprezo era algo marcante. O moreno passou por eles sem sequer dizer uma palavra. Mas aqueles olhos fizeram o peito de Colin arder.

— Ele é sempre assim. Mas ninguém é tão bom de briga quanto esse garoto. Cara, ele conseguiu me dar um soco. Sabe como isso é difícil pra alguém?

— Tenho que ir embora, Luke. — Colin retirou o braço do outro sobre si.

— Poxa, mas eu ia te convidar pra comer.

— Outro dia, quem sabe, convida o Caine.

Colin saiu sem sequer dar explicações para eles. Caine sabia o que ele iria fazer, Luke ficou confuso, porém, se tornou ainda mais o alvo que ele tanto almejava. Colin era presa difícil de conquistar, a melhor coisa.

O pequeno caminhou rapidamente até o estacionamento, mas quando chegou lá o carro de Sean já estava saindo, embora o moreno tivesse visto-o, resolveu não parar. Colin ficou irritado, mas ainda assim queria explicar para o moreno o que foi que ele viu.

“Vocês não namoram.” — Pensou. — “Então não deve explicar nada”.

[...]

— Por um acaso você já se perguntou se o Caine é virgem? — Colton indagou, sentado no sofá. Ainda tinha marcas no rosto dos socos que tomou de Santiago.

Sebastian até riu da pergunta. O ruivo bebia café e estava tranquilo sentado em um dos puffs espalhados na sala. Colton iniciou a conversa de maneira repentina, o que acabou deixando-o incomodado.

— Claro que é. — Disse, sendo claro o suficiente para que o outro parasse com perguntas.

— Tem certeza disso ou prefere acreditar que não?

— Tenho certeza. — Sebastian se virou para encarar o garoto. — Por que tá me perguntando isso?

— Por nada.

Colton optou pelo silêncio.

“Virgem, virgem, virgem...” A palavra se repetia por diversas vezes em sua mente. Se forçava a não cair na provocação de Colton. Acreditava e tinha plena convicção de que seu irmão era virgem. E se caso não fosse, iria ficar magoado. Afinal, desde que se conhece por gente, nunca teve segredos com Caine. Isso era quase uma regra entre eles dois. Eram, além de irmãos, melhores amigos. Ninguém conhecia tão bem Sebastian como Caine. E vice e versa.

Irritadiço, se levantou.

— O que você tá escondendo? — Encarou aquele que iniciou o assunto.

— Nada. — Colton estava tentando não se mostrar intimidado. Afinal, acabou deixando o ruivo irritado. E por mais que aquilo o excitasse, ele não queria tomar uma surra do grandão.

— É lógico que está. Você não iria iniciar esse assunto assim, tão de repente.

— Você conhece o seu irmão? — Colton agora estava mais seguro. Firme. O sorriso de provocação se formava.

— Claro que conheço. Melhor que meus próprios pais.

— Então sabe que ele e Danion transaram aqui, certo? Na sua república. No quarto exclusivo que você deixou para ele.

Sebastian por pouco não ficou boquiaberto, mas franziu levemente as sobrancelhas.

— Você não é confiável. Não posso acreditar no que está dizendo.

— Porque está cego. Qual é, Sebastian. Até mesmo você sabe que a fama do Caine é relacionada ao Danion. Quem não conhece o Caine por sua causa? Ele foi alvo fácil dos olhos famintos daqueles que curtem saber da vida alheia. Viram quando ele entrou no quarto do seu irmão e saiu horas depois.

— Como devo acreditar? Ele foi apenas usar o banheiro.

— Você é tão pateta, às vezes. Isso até que me deixa cada vez mais louco por você.

— Corta essa, Colton. Não vai conseguir me ver irritado pra alimentar suas fantasias. — O ruivo deu as costas.

— Mas você já está irritado. Certo, voltando ao assunto. Caine não consegue mais abrir o jogo contigo. E sabe por quê? Porque você o sufoca.

— Apenas protejo-o. É diferente.

— Se é assim que você pensa, certo. Mas quanto mais você tenta mantê-lo preso, mais ele irá aprontar escondido. E cá pra nós... Escondido é mais gostoso! — Sorriu.

— Você é doente. —Disse, rumando a cozinha. Se ficasse um pouco mais, iria jogar o café quente no outro.

Colton sorria vitorioso. Era sempre um prazer conseguir provocar Sebastian. Mesmo que o outro fosse hétero, vê-lo daquela maneira o deixava louco. Cada vez mais sedento por aquele corpo. Mesmo que para isso tenha que usar o seu irmão.

Talvez não fosse um momento bom para Caine chegar na república. De fato, não era. Depois de passar por Colton, ir para seu quarto, trocar de roupa, vestir algo mais leve e confortável, resolveu ir até a cozinha. Estava com sede.

Logo quando chegou, encontrou Sebastian sentado, com a cabeça apoiada nos dois braços, fitando o copo vazio a frente.

— Vai usar o copo? — Caine perguntou, já tocando o objeto.

— Bebi café nele.

— Não tem problema, eu lavo. — Disse, pegando o copo e caminhando em direção a pia. — Onde Lydia está? — Perguntou, tentando iniciar algum diálogo com o irmão.

— Foi tirar algumas fotos, parece que ela vai ser a garota alguma coisa. É pra uma loja de roupas aí. Pelo menos vai ganhar alguma grana.

— E é por isso que está irritado? Ciúmes?

— Estou? — Não queria ter essa conversa agora.

Caine se virou, encostou-se a pia, enquanto enxugava o copo.

— Ninguém te conhece tão bem quanto eu. — Usou a frase mais dita entre eles.

— Mas eu já não te conheço tão bem. — Ele finalmente se sentou na postura correta, estalou o pescoço e encarou o irmão.

Caine engoliu o seco. “O que ele descobriu?” Foi somente o que pensou.

— Quando iria me contar que não é mais virgem? — Sebastian se levantou, foi até a geladeira, pegou uma garrafa com água e a colocou na mesa. Certamente era para o irmão.

— C-como? C-como você sabe?

— Então é verdade? Bem, estou indo para o meu quarto.

— Espere! — Caine disse em voz alta. — Eu iria te contar. Só não sabia como e porque deveria.

— Somos irmãos. Segredos não existem entre nós. Eu te contei tudo e como fiquei nervoso na minha primeira vez.

— Sei muito bem disso. Só que... Só que... É diferente, sabe? Eu sou gay, você é hétero. Não saberia chegar pra você e falar que tive minha primeira vez com um garoto.

— Não minta, Caine. Não há mentiras entre nós. Nunca tive problemas na vida com a sexualidade alheia, principalmente com a sua. Na verdade, você não queria me falar com quem foi e onde foi.

— Eu me arrependo, tá ok? Hoje sei o quanto fui babaca por me deixar se entregar tão fácil. Mas é que... Você sabe como eu me sinto perto dele. Vulnerável.

— Porra! Dez mil vezes porra! Eu sinceramente não sei o que fazer. Já fiz de tudo, absolutamente tudo pra fazer enxergar quem Danion é.

— E eu enxerguei! Estou tentando esquecê-lo. Já o excluí do meu círculo de amizade. Estou me esforçando, Seb. Me esforçando! — Caine colocou o copo na mesa, finalmente.

— Estou magoado com você. — Sebastian disse, entristecido, mas ainda irritado. — Melhor ir para o meu quarto. Não quero novamente discutir, nem voltar ao assunto de que te sufoco. Você sabe exatamente o que faz. Sabe das consequências. A partir de hoje eu não irei mais interferir em suas escolhas.

Sebastian deu as costas para o irmão.

— Espera, Sebastian, eu... — Não continuou, o irmão já não estava mais na cozinha.

Caine sentou-se na cadeira que antes o irmão estava e se lamentou por vários minutos. Novamente estava em um clima chato com Sebastian. Odiava quando isso acontecia. No final, estava realmente arrependido do que fez. Entregou a sua virgindade a alguém que nem sequer se importa com ele.

Conseguiu então beber um pouco da água para matar a sede, mas ainda permaneceu sentado, pensativo. Sentia chateação e tristeza ao mesmo tempo. Seu irmão tinha dito que ele o havia magoado.

— Dá pra ouvir os gritos de vocês lá da sala. — Colton aparece na porta.

— Foi você, não foi? — Caine o encarou. O pequeno adotou uma nova postura, valente.

— O que?

— Eu sei que foi você, Colton. E sinceramente não entendo o porquê de ter feito isso. Se eu fosse maior que você, eu juro que te batia. E ainda assim sou contra a qualquer tipo de violência. Mas eu juro, que se novamente te agredirem, eu não irei me preocupar em te ajudar. Você acaba de perder um dos poucos que gostam de você aqui na Quadra.

— Mas Caine, eu só... eu só... Achava que ele sabia. Iria conversar com ele sobre o Danion e você.

— Cobra! — E o pequeno saiu, empurrando o outro que impedia a passagem.

Colton apenas sorriu.

[...]

Pensativo o loiro estava. Parado, de frente para sua janela observando o vai e vem de pessoas. Mais uma traição, mais uma decepção. Ele estava agora se tornando a pessoa mais azarada do mundo. Talvez não devesse confiar mais em ninguém. Porém, William tem um coração gigante. Abraça e acolhe todo o mundo, depositando todo o carinho que tem. No final, volta a estaca zero. Não bastasse a traição de Gaspar, tem que cuidar de Danion.

As mãos grossas e ásperas do seu namorado envolveram a sua cintura. Octavio repousou seu queixo no ombro do loiro. Por alguns segundos ficou calado. Deveria permanecer calado, vendo ele estava quieto.

— Queria poder ler sua mente nesse exato momento. — Octavio falou.

— Só iria encontrar problemas e mais problemas.

— Todos temos problemas. Isso só te afeta porque você quer.

— Gaspar e agora Danion. Não tem como ficar preocupado, Octavio. Não vejo a hora de me formar e ir embora daqui.

— Bem, se eu for um problema, serei teu problema pra sempre. Porque eu vou te acompanhar onde quer que vá. — Beijou o pescoço do namorado.

William sentiu um arrepio. Ele se virou sorrindo para o namorado, olhando no mais fundo dos seus olhos.

— Há dias não temos tempos pra nós. Me desculpe. Quer sair hoje a noite? — Will perguntou, tentando relaxar.

— Quitinetes douradas?

William não era obrigado a responder. Ele não iria responder. Não precisava responder. Apenas se desfez das mãos de Octavio e caminhou pelo quarto. Teria saído dali se o outro novamente não voltasse a prendê-lo em um abraço.

William se virou, deu de cara com os lábios de Octavio que estava esperando-o. Um beijo intenso deu início a uma sessão de carícias intimas. Um beijo atrás de outro. O loiro não demorou a agarrar a bunda do namorado e a apertou, conseguindo fazer Octavio ficar na ponta do pé pela força bruta depositada ali.

Octavio segurou a mão de William e ambos deitaram na cama, juntos. O loiro estava sobre o moreno, depositando beijos em seu pescoço e lábios. Octavio por sua vez, respondia aos desejos do namorado mordendo o ombro e levantando sua camisa.

— Espera, espera, espera... — William interrompeu as carícias, a respiração falhando.

— O que?

— Não quero ser flagrado. Não saberia onde enfiar a cara. Não é melhor fazermos isso aqui.

— No seu quarto? Seu quarto?

— Lembre-se de que Colin ainda tem suas coisas aqui.

Octavio se levantou, jogando o loiro para o lado. Caminhou até a porta, trancou e jogou as chaves para o canto da parede.

— Problema resolvido. — Disse ele, retirando a camisa e sorrindo.

William estava sem acreditar no Octavio que via. Certo que ele sabia que Octavio era um tanto mais solto quando iriam transar. Mas depois de dias sem fazer isso, o moreno estava realmente querendo ter o namorado por algumas horas em momentos íntimos. Em pensar que ele já ficou bem mais tempo que isso afastado do loiro.

Octavio caminhou até a cama, ficando de joelhos ao lado de William, que ainda estava sentado. O loiro o encarou, o moreno apenas sorriu.

— O que foi?

— De onde vem tanto fogo?

Octavio gargalhou, mas sua gargalhada foi interrompida quando William o puxou para si, mas Octavio voltou novamente a ficar de joelhos. Negando a atitude do namorado. Foi fácil para ele retirar a bermuda que William vestia, junto a cueca. Adorava ver o loiro nu. Nu e excitado.

O moreno olhou para o namorado, tocando-lhe o membro e sorrindo. William, também nervoso e aproveitando a vontade do namorado, tocou-lhe a nunca. Octavio foi rápido ao abrir a boca e abocanhar tudo àquilo que coube perfeitamente em sua boca.

William retirou mão da nunca do namorado e a usou para se apoiar enquanto arqueava o corpo, deixando com que Octavio continuasse o que estava fazendo. Percebeu que não tinha fechado a cortina da janela, porém, pouco se importou com aquilo. Sentia a mesma adrenalina do hospital quando cometeu aquela loucura com o namorado.

A língua de Octavio mordeu a coxa branca do loiro, deixando-a vermelha imediatamente, voltando para o membro logo em seguida.

— Octavio, eu vou...

Ele não se importou. Octavio simplesmente deu continuidade ao oral, caprichando seus movimentos. William se segurava ao máximo para não ter sua primeira ejaculação. Mas a tentativa foi tão falha, que Octavio sorriu ao ver ele se contorcer na cama, enquanto todo o seu líquido foi despejado no tórax do moreno.

William caiu sobre a cama, ainda usado a camisa. Embora estivesse literalmente nu, já que uma pessoa “vestida” é aquela que cobre as partes íntimas. E bem, seu pênis estava ali, pra quem quisesse ver. Tá, só para Octavio.

O moreno montou sobre o loiro e William o insultou, vendo que estava sujando a sua camisa.

— Eu lavo. — Ele ainda estava sorrindo. — Mas não paramos por aqui.

— Octavio... Octavio, socorro!

Octavio interrompeu a frase do namorado beijando-o. William tinha que ir até o fim, caso contrário, teria problemas com o namorado que estava realmente querendo aquele momento.

Foram poucos os minutos para William iniciar uma nova ereção. Forças? Ele ainda tinha, não se sabe de onde, mas ainda tinha.

Octavio estava descalço, mas ainda usava cinto e calça. William, em meio aos beijos ousou em retirar a roupa do namorado. O moreno aprovou a atitude. Ambos os membros roçavam-se em meio às carícias. Um desejo louco. Corações pegando fogo.

Era uma cama de solteiro, mas tal cama coube de alguma forma os dois ali. Nas gavetas da mesa de cabeceira ao lado, enquanto se beijavam, William conseguiu encontrar uma camisinha perdida.

Sempre constrangido quando chegava nessa parte, o loiro escondeu seu rosto no ombro do namorado e murmurou.

— Você. — Disse, entregando-lhe a camisinha.

Sem nenhuma objeção, o moreno continuou seus beijos, rasgou o saco da camisinha com os dentes e ia colocar no loiro, porém, quem o surpreendeu foi William, sendo mais claro.

— Você. Eu disse você... — Ele disse, afastando a mão do namorado de seu membro. Octavio entendeu o recado.

Com um sorriso de ponta a ponta, Octavio ficou de joelhos para por a camisinha, enquanto William se deitou de bruços, afogando sua cara no travesseiro. Pra quê tanta vergonha, William?

Octavio caiu sobre as costas do loiro, umedeceu dois dedos e acariciou a entrada que tanto almejava nesse momento. Beijou a nuca do namorado, ainda massageando-o.

— Logo! — Pediu, com a voz abafada.

O pedido foi aceito. Octavio afastou um pouco mais suas pernas, deixando mais espaço para se meter entre o namorado. Delicado e carinhoso, sentiu que seu alguns centímetros seus já estavam dentro do loiro. Observou os dedos de William cravarem no lençol da cama. Dor? Exatamente. Mas ele já havia sentido aquela dor várias vezes.

Inteiramente dentro do namorado. Octavio pausou o movimento, esperou William falar algo. Mas o namorado continuava em silêncio. E por vontade própria ousou em se movimentar. William deixou escapar um grito de dor, mas aquilo não o incomodou. Outro movimento. Grito. Movimento. William suspirou, gemeu baixinho.

Era o momento certo.

Octavio tinha desenvoltura, mexia sua cintura em movimentos calmos, mas ainda assim dando prazer ao namorado. Embora soubesse que William não fosse virgem, tendo sua primeira vez há muito tempo, ele mantinha a calma. Tinha cuidado com o loiro.

Octavio amava aquela bunda. Bunda branca pela ausência do sol, tomando destaque naquele corpo nu. William teve força suficiente para erguer um pouco o corpo. Octavio ficou de joelhos, ainda dentro do namorado.

William não tem coragem de olhar para Octavio. Mas o moreno já se adaptou com isso e respeita o outro. Mas quando o loiro olhou para trás, com a face suada e vermelha, o prazer foi maior ainda.

Octavio saiu de dentro do namorado, o colocou de frente para ele, afastou suas pernas e voltou a penetrá-lo. Encontrou os lábios do namorado e iniciaram beijos quentes com movimentos intensos a ponto de fazer William gemer. Por sorte seus gritos eram abafados pelos lábios do namorado.

Naquela mesma posição eles permaneceram por longos minutos. William teve uma segunda ejaculação, começando novamente a ficar fraco. Mas Octavio conseguia lhe dar forças, fazendo-o ainda sentir prazer com os movimentos e logo, ele voltou a ficar excitado. Haja fogo, William!

William beijou Octavio e ambos rolaram na cama, até cair no chão. Eles riram, mas logo voltaram aos beijos. O loiro ficou de joelhos, com o tórax apoiado na cama. Octavio se posicionou atrás dele, novamente penetrando-o.

As loucuras da vida. Sexo era essencial na vida de qualquer casal que se importasse com isso. Esses dois tinham uma química incrível. William se sentia tão seguro em estar naquela posição com o namorado. Gostava da sua versatilidade, embora se limitasse a falar dela. Octavio era o único homem a ter o privilégio de pegá-lo dessa maneira.

— Will...

Octavio não conseguiu chamar o loiro pelo nome. Pela primeira vez o chamou de Will. Mas não foi porque ele quis, a ejaculação do moreno veio exatamente nesse momento. Ele, mesmo ejaculando, fez movimentos tão intensos que era audível o som de seu corpo chocando-se ao do outro.

William tinha seus gemidos abafados pelo travesseiro. Muitos gemidos de acordo com a potência de Octavio.

O moreno parou, exausto.

Ainda recuperando o fôlego, Will apoiou sua cabeça em seus braços e disse:

— Agora é minha vez... — Disse, saindo do namorado e ainda de joelhos foi até a mesa de cabeceira em busca de outra camisinha. — Vou me vingar... — Brincou.

Eles sorriram.

[...]

Já era um novo dia na Quadra. A mesma rotina se iniciando.

Colin e Caine conversavam sobre diversos assuntos. Pareciam velhas fofoqueiras que tinham assunto pra nunca mais acabar. Caine comentava do que Colton fez. E como Colin já não o suportava, insultou a cobra que tanto odeia.

— Não quer bater nele? Eu te ajudo. Dois contra um, ele não tem chances. — Colin disse, não se importava se isso fosse uma atitude baixa.

— Tá louco? Não sou a favor da violência, você sabe disso. Não pretendo machucar ninguém, deixa com que ele quebre a cara. — Disse, após beber um pouco do seu refrigerante.

— Eu juro que qualquer dia vou perder o controle e avançar naquele garoto. Já não basta ter...

Colin parou quando viu a cena a frente. Cadê arma nesse momento?

Era Sean. E junto a ele uma garota, nunca vista antes, estava ao seu lado. O moreno a segurava pela cintura enquanto eles gargalhavam de algo, pareciam empolgados. Colin até parou de se movimentar, vendo o moreno distante, cada vez mais próximo. A súbita raiva tomou conta do pequeno, que o fuzilou. Sean não se importou, mesmo tendo notado. Provocação por provocação?

— Me passa esse refrigerante! — Colin pediu, já tomando a bebida de Caine.

— O que você vai fazer? — Caine indagou, preocupado.

— Apenas continue andando comigo.

Caine estava receoso. Ele também viu Sean todo empolgado conversando com uma garota. Se Colin já tinha ciúmes da sua amizade, imagina ele estando com ciúmes de Sean? Sim, Caine sabia que o amigo morria de ciúmes de todos aqueles que tinha aproximação. Colin acelerou seus passos.

Sean estava cada vez mais próximo.

O pequeno então fingiu um tropeço, derrubando toda a bebida no corpo da garota, que gritou e deu um salto para trás. Tocava sua veste molhada e encarava Colin, provavelmente enfurecida. Ela queria matá-lo, provavelmente. Quem disse que ele se importou?

— Oh, perdão! Perdão! Meu Deus! — Colin atuou. Fingiu querer ajudá-la.

Era impressão ou Sean deixou escapar um sorrisinho?

— Mil desculpas, eu ando tão desastrado ultimamente.

— Me solta! — Ela gritou, não querendo que Colin a tocasse.

— Deixa que eu a ajudo. Podemos passar em alguma loja de roupas e depois na minha casa para que você possa tomar um banho. Tem certos babacas nessa universidade aqui. Mas é seu terceiro dia, logo você dará conta deles. — O moreno se vingou da provocação.

— O banheiro é por aqui, querida. — Outra garota, que observou a cena, se ofereceu pra ajudar.

— Falo com você depois, Sean. — Ela disse, recebendo a ajuda da outra.

Sean encarou Colin. Colin não se intimidou. Caine se sentiu pequeno diante de toda aquela raiva que eles estavam exalando. E pra completar a desgraça que se formava ali. A pior pessoa, pro momento, apareceu.

— Olha só, encontrei novamente o que é meu! — Luke e sua inconveniência.

O mais novo conhecido de Colin estava ao seu lado, com os braços envoltos em seu ombro.

— Oi, Sean! Quanto tempo, cara!

Colin, que já era pequeno, se sentiu um grão de areia.

— O que você faz aqui, Luke? — Colin indagou.

— Ver você. O que é bonito tem que ser apreciado. E eu acho que tô começando a ficar louco, quero ver você todos os dias. — Cara de pau!

Sean deus as costas.

— Não vai fugir novamente, Sean! —Luke logo tocou o braço do moreno. — Cara, pra que todo esse mau humor?

Sean se virou, queria explodir de raiva. Mas estava tentando o máximo para não partir pra cima de Luke.

— Não te suporto, Luke.

— Você conhece ele, Colin?

— Não força simpatia, Luke. Aproveite o anão que tá nos seus braços. Parece que você realmente se interessou.

— Não dá ouvidos a esse babaca, Luke. — Colin não aceitou a provocação e rebateu.

— Já ouvi falar da rivalidade dos leões e tigres. — O residente do Ninho se assustou com o que via.

— Irei falar com Colton, me deem licença.

Colin, que tinha o copo vazio em mão, amassou o objeto. Queria matar o outro. Sean não seria louco de ir conversar com aquele garoto. Estava decretando sua morte caso isso acontecesse.

— Ei, Sean, você é hétero? — Luke perguntou.

— Sim. — Firme na resposta.

— O que você acha disso?

Um puxão, um beijo. O encontro de lábios.

Colin ergueu os dois braços e arregalou os olhos, assustado com a atitude de Luke. Principalmente pelo garoto estar fazendo aquilo ali, a frente de todos. Não demorou cinco segundos. Colin imediatamente se afastou daquele que fizera isso. Deu-lhe um soco no tórax, forte o suficiente para machucar Luke.

— Isso dói! — Luke reclamou.

— Você é louco?

— Poxa, foi só um beijinho. Sean não sabe o que tá perdendo.

— S-s-sean, não. Ai, não. — Ele queria explicar algo. — Ele não tá perdendo nada, Luke. Isso não se faz. Nunca mais faça isso, assim, na frente de todos.

O queixo de Caine estava no chão. Quem não ficaria?

Sean não se despediu. Quando Colin despertou do constrangimento, procurou o moreno, mas esse já estava um pouco longe. O leonino olhou para Caine, que não sabia o que falar. Luke continuava a acariciar a região que o pequeno o socou.

— Acabei esquecendo algo. — Colin falou, imediatamente.

— Espera, aonde você vai?

— Depois conversamos, Luke. Depois. E nunca mais tente me beijar outra vez se você tem amor ao que carrega entre as pernas.

— Ele sempre foge de mim! Sempre!

Colin correu em direção contrária a de Sean, porém, era apenas uma jogada para que Luke não percebesse o lugar que ele iria. Procurou passagens mais curtas até o estacionamento, e finalmente conseguiu chegar a tempo. Passou novamente por corredores formados pelos carros. Sean estava acabando de entrar no seu quando ele parou em frente ao automóvel. Já cansado, ele caminhou e conseguiu entrar. O moreno não o impediu.

— Então? — Sean indagou, pondo o cinto.

— O que? — Adotou o cinismo.

Sean ligou o carro e pisou no acelerador. Seu carro saiu da universidade assustando muitos que estavam a frente. O sinal vermelho? Ele simplesmente ignorou. Deu a volta na universidade e atrás dela estava o Ninho.

O Ninho era uma parte vinculada a universidade. No lugar das salas de aulas fizeram quartos. Com vários blocos, exclusivos para os alunos. Um dos blocos era propriedade de Joshua, onde havia quartos, três salas de estar — uma para o ruivo e sua namorada. Havia um refeitório para todos, porém, em cada bloco uma cozinha estava disponibilizada para que eles pudesse fazer sua própria refeição, caso quisessem. Os corredores ligavam um bloco ao outro, facilitando a movimentação das pessoas residentes ali. Era tudo na mesma cor, blocos azuis e branco.

— Desce. — Pediu, calmamente.

— Não quero. — Estava com medo. Já tinha visto aquele lugar antes.

— Você está no Ninho. Agora desce.

— E o que eu faria aqui? Não conheço ninguém.

— Conhece o Luke. Ele está interessado em você. Vamos, Colin, desce.

— Ciúmes?! — Um sorriso travesso.

— Desce, caralho! — Agora foi grosso.

Sean retirou seu cinto, desligou o carro e saiu. Foi até a outra porta, a abriu, retirou o cinto de Colin e o puxou pelo braço, forçando o pequeno a sair. Colin se debatia, tentando ficar ali dentro. Por sorte, estavam afastados suficientes do Ninho, caso contrário, pessoas notariam aquela cena.

Ele era realmente insistente. Não iria descer do carro. Lutava com Sean pra permanecer no automóvel.

— Eu não vou descer, seu idiota! Você tá me machucando, Sean.

O moreno então agarrou em sua cintura. Com força, retirou a mão de Colin que segurava no banco e conseguiu o que tanto queria.

— Você me cortou! — Colin disse, olhando o machucado em sua mão, já fora do carro.

Queria se desculpar, mas não iria.

— Luke mora em algum bloco desses aí. Boa sorte.

Ele bateu a porta, voltando a entrar no carro.

Sean teria mesmo coragem de deixa-lo ali. Isso se Colin não pulasse em cima do carro, começando a socar o vidro, insultando-o. O diabo em forma de gente.

Sean até ligou o carro. Colin não se intimidou. Continuou a socar o capô do carro, insultando Sean de todos os palavrões possíveis. Parecia um animal feroz, querendo devorar a presa ali dentro. Estava tão furioso, que chutava e socava o vidro, tentando quebrá-lo. Pena que era fraco demais para isso.

O moreno desligou o carro, abriu e começou a olhá-lo. Colin era doente. Tão doente quanto ele.

— Olha só, eu tenho uma caneta no bolso! — Ele retirou o objeto, com olhar meio sádico. — O que aconteceria se eu resolvesse desenhar nesse lindo capô?

— Desce já daí!

Sean ergueu o pequeno com facilidade. Colin socava-o, se debatia. Também estava com raiva.

— Vai encontrar o Colton, me solta!

Sean o colocou no chão e o segurou pelos ombros, afastando seu corpo ao máximo para não receber mais socos do pequeno. Colin usou dos dentes para morder o braço do moreno, por sorte, não alcançava. Anão.

— Que porra de surto é esse? — O moreno indagou, preocupado.

— Você é um idiota. Primeiro aquela garota, depois o Colton e agora iria me deixar aqui sozinho?

— E o Luke? E o beijo?

— Quem se importa? O que é que tem? Não namoramos, não temos uma relação. Você vive a mudar repentinamente. Nunca sei quando você está e quando não está.

— Então porque está agressivo? Se não importasse você me deixaria quieto. Eu estaria na minha república.

— Olha... — Colin olhou para baixo, acalmou, pois a pergunta o pegou de jeito. — Eu não gosto de você, tá? Mas também não quero você com o Colton. Eu não confio nele.

— Tá certo, Colin. Vai tomar no cu.

O moreno voltou para o carro, não suportando o calor que fazia. Colin, com medo de ficar ali, correu e conseguiu entrar a tempo. Sean não ligou o carro. Ficou em silêncio, fitando a estrada a sua frente.

Sean ligou na rádio, como de costume. E a música? “We found love.” Aquela em que Sean dançou para o pequeno, música antes da sua primeira vez com o pequeno.

Um olhou para o outro. Desejavam-se mais que tudo. Há quantos dias aqueles lábios não se encontravam?

Colin saltou, atacou o pescoço do moreno e conseguiu se enfiar entre suas pernas. Os lábios de Sean já estavam esperando aquela boca há muito tempo. O tesão foi grande, que a excitação de Sean foi imediata. Colin nem sequer se importou com isso. Adorava sentir aquilo tocando suas nádegas, embora estivessem de calça.

Sean enfiou as mãos dentro da camisa de Colin, tocando a cintura pequena do garoto. O beijo intenso foi grande que o ar condicionado do carro não foi suficiente. Eles já suavam.

O pequeno teve o pescoço tomado pela boca do outro. Ele sabia que Sean amava aquela região e por pouco não foi descoberto quando William perguntou sobre a marca já deixada ali. Mas agora, ele não se preocupou com isso. Sean dessa vez foi carinhoso, embora sua vontade fosse marcar o lugar.

Beijos, muitos beijos. Quentes, intensos. Iriam transar no carro, com certeza.

— E-eu... Ah... — Colin tentava dizer, mas estava sentindo prazer demais.

Buzinaram! Foi quando eles notaram que estavam parados em frente a uma garagem. Colin, assustado, voltou para o seu lugar e Sean imediatamente saiu dali. O pequeno novamente voltou a insultá-lo pela garota e Colton. O moreno, por sua vez, ficou em silêncio.

[...]

Caine estava sozinho. Ele caminhava pelos corredores tentando buscar algum colega para que pudessem conversar enquanto a aula não iniciava. Logo após Colin ir atrás de Sean, Luke o deixou. Ainda boquiaberto com a atitude do pequeno, primeiro pelo modo em que ele atuou na frente da garota e de como ele se mostrou preocupado com Sean.

Por um minuto, sentiu inveja do amigo. Afinal, ele parecia ao menos ter algum vínculo amoroso, segundo seu pensamento.

Ver Danion todos os dias era uma tarefa muito árdua. Talvez, a mais árdua de sua vida. Nunca passou por problemas grandes, mesmo sendo gay. Danion era seu maior problema. O garoto problema. Ouviu de Sebastian e de toda a Quadra que o branquelo é errado. Acabou descobrindo sozinho que o leonino da sua vida estava envolvido em mais um problema.

— Caine, sai daqui. — Como fantasma, a voz de Danion o assustou.

Ele olhou para trás de supetão. O branquelo tocou sua mão e o arrastou multidão adentro, passando as pressas pelas pessoas.

— O que? — Caine indagou, assustado. — O que está acontecendo? Do que estamos fugindo? — Perguntava, olhando para trás.

— Eles já sabem. Você precisa correr pra república e avisar que me pegaram.

— Como?

Já estavam no estacionamento. O branquelo parecia realmente fugir de algo. Ele tremia, não olhava pra trás. Sua moto estava longe, nos fundos do estacionamento. Lugar pouco movimentado.

— Estão atrás de mim. Estavam te observando! Só quero que você corra, não quero que te machuquem. Te deixarei perto da Quadra.

— Mas Danion, eu ainda não estou entendendo. Quem está atrás de você? Por que estamos aqui?

Já estavam onde a moto era guardada.

O branquelo ignorou o capacete e o derrubou de sua moto. Caine foi o primeiro a subir, o branquelo tomou a mesma atitude. Suas chances de sair da universidade foram pouquíssimas. Logo, capangas de Joshua, cerca de dez, cercaram o lugar. Gaspar era um deles. Noah também estava presente.

Fim de jogo para o branquelo.

— Tentando fugir, Danion? — Joshua, que usava uma jaqueta preta, indagou. Diferente dos demais, Joshua deixava escapar um sorriso sádico, perverso, sedento.

Danion parou de se movimentar. Se comandasse, o coração também teria parado. Já era branco por natureza, porém, ficou ainda mais.

— Segurem-no! — Joshua ordenou.

— Joshua, cara... Eu...

— Cala a boca! — Gritou o ruivo, silenciando-o.

Danion teve seus braços presos por um garoto, enquanto mais outros dois estavam ao seu lado. Caine continuou em seu lugar, parado, apenas assistindo. Mal sabia ele que uma sessão de tortura iria começar a acontecer.

Quem não conhece Joshua no Ninho? O ruivo tinha sede por sangue. Tinha vontade de machucar e parecia sentir prazer com isso.

— Então é esse o irmão do Sebastian? — Joshua cruzou os braços, aproximando-se do pequeno. — O que faz aqui, garoto?

— E-eu, ah... Bem... — Estava nervoso.

— Ele não tem nada a ver com o que aconteceu. — Danion falou. — Não toquem nele! — Ordenou, temendo que o machucassem. Mais pessoas não poderiam ser machucada por um erro seu.

— Caine ama o Danion. É o amor mais famoso de toda a Quadra. — Gaspar comentou.

— Que lindo! Você o ama? — Noah, logo mostrou seu veneno. — Como seria ver alguém que ama sofrendo?

— O que vocês irão fazer? — Caine perguntou, vendo as pessoas pressionarem ainda mais os braços do branquelo. — Não batam nele!

— O que há muito tempo deveria ser feito.

Dois dos capangas seguraram Caine, impedindo-o de sair. Joshua foi até Danion, o encarou e sorriu. O branquelo sentia medo. Muito medo. Quem na Quadra já viu Danion chorar? Caine, que por muito tempo o conhecia, nunca sequer vira uma lágrima descer de sua face. O branquelo chorava.

Joshua foi o primeiro a dar um chute nas pernas do branquelo, fazendo-o ficar de joelhos.

De olhos fechados e lábios molhados permaneceu de joelhos.

Joshua lhe acertou a face com um tapa, deixando os cinco dedos marcados ali. Segurou o branquelo pelo cabelo e puxou forte, fazendo-o encará-lo. O ruivo cuspiu em sua cara, logo deu-lhe outro tapa. Ajoelhou-se, voltando a encarar Danion, que permanecia com os olhos fechados. Um soco no estômago o fez urrar. Logo outro na cara, imediatamente o sangue desceu de seu nariz.

— Comecem e só parem quando eu mandar. — Joshua se levantou, limpando as mãos.

Logo quando o ruivo deu as costas, voltando a ficar com Caine. A sessão começou.

Um dos garotos que estavam ali chutou as costas de Danion, fazendo o corpo cair no chão, outro depositou socos em seu corpo. O branquelo tentou fugir, mas alguém a sua frente o impediu.

Cerca de seis garotos batiam em Danion.

Danion recebeu um chute tão forte na coxa, que caiu novamente. Logo, pisaram em sua cara, fazendo-o provar gosto da terra das solas do sapato. Chutes e mais chutes eram espalhados em seu corpo.

Caine? Caine assistiu tudo. Horrorizado. Tremendo.

O pequeno gritava, chorava e pedia para que parassem. Seu coração pertencia aquele que estava ali, sofrendo. Era obrigado a escutar os gritos de dor do branquelo, era obrigado a vê-lo sangrando.

— Parem! Parem! Parem! Parem! — As palavras se repetiam, enquanto estava de joelhos chorando como uma criança. — Por favor, parem!

Sem aguentar mais o que via, fechou seus olhos e se ajoelhou, tampando os ouvidos. Era demais para ele. Uma criança vendo um filme de terror. Cadê Sebastian para protegê-lo? Danion poderia ser esse, mas infelizmente, era quem apanhava.

Danion continuou a ser espancando. Sua camisa antes branca, estava completamente suja e com marcas de sangue. Joshua também se juntou aos demais, voltando a pisar em sua cara como sinal de superioridade. Para Danion aquilo era apenas mais um espancamento. Recordou-se da primeira vez em que apanhou de três garotos, por causa de Sean. E agora pelo dobro.

O amor? Ah, o amor. Nem sempre vem pra aquecer os corações. Ele magoa, ele maltrata e ele, talvez, mata. Como era amar alguém, Caine? Como era vê-lo apanhando sem poder se defender? Chorar era a solução? Mas o que o pequeno faria se nem sequer tinha forças para tal?

Seu coração estava ligado ao do outro. Mesmo que isso não fosse recíproco. Quem por muito tentou esquecê-lo, desprezá-lo, estava arrependido do que fez. Danion demonstrou preocupação com o pequeno. Amar. Amar dói. Pequena parte do seu mundo estava ali, no chão.

Tudo que podia fazer era chorar e pedir para que parassem. Não aguentava mais ouvir os gritos de dor, o choro e o clamor do branquelo. Não aguenta vê-lo sendo pisado, socado e chutado, como um lixo. Um animal indefeso.

Ouvir seus gritos era como sentir sua dor. Não importava tampar os ouvidos, os gritos do branquelo eram sempre audíveis. Ninguém aparecia, ninguém ouvia. Estavam tão longe.

— P-por favor! — Ele chorava, as palavras molhadas pelas lágrimas. — Larguem ele!

— Joshua, você vai matá-lo, chega! — Noah alertou.

— Ele acabou com os sonhos de alguém! — O ruivo cuspiu novamente na face do branquelo. Os outros não mais queriam continuar a agressão, pararam. Ele era o único a permanecer batendo, chutando, socando.

— Chega, Josh. — Gaspar também comentou. — Acho que já é o suficiente.

Danion já estava desacordado, com os braços estirados e pernas sobre a outra.

— Josh, o estacionamento tem câmeras! — Noah perguntou.

— Eu me encarreguei de desligá-las. Eu tenho acesso as salas. — O sorriso maligno.

— Chega, Joshua! — Noah gritou, puxando o irmão.

— Ele merece apanhar mais. — Voltou e chutou o estomago de Danion. O corpo do branquelo tremeu.

Caine vendo a oportunidade que tinha, correu e se jogou na frente de Danion, abraçando o corpo do garoto. Não queria que mais alguém o batesse. Não suportaria mais ver isso. O protegia de tudo e todos. Era um escudo, frágil, mas um escudo.

Joshua, por um lado, sabia que machucar Caine seria bem pior. Mas quem disse que ele se importou? Chutou as costas do pequeno. Caine suportou.

Depois de toda a humilhação, o ruivo cuspiu novamente nos dois que estavam no chão. Deus as costas, limpou as mãos de sangue e comandou os demais para que o seguissem. Gaspar? Gaspar estava arrependido. Mas quem vai realmente se importar com ele? Ninguém. Ele quem entregou Danion ao abate.

Caine, ainda chorando, implorou por ajuda, gritando no estacionamento. Tocou a face de Danion, chamando pelo seu nome diversas vezes.

— Danion, por favor, por favorzinho, acorda! — Aos prantos. — Eu te amo, Danion, eu te amo, não me deixa...

Danion não acordou.

Notas finais
Bem, esse foi um capítulo difícil de responder. Sim, eu chorei com a última cena. Amo todos vocês, beijos e até o próximo capítulo. Não consigo falar mais.