Notas iniciais
Ele se parece com você.

Por enquanto, era um bom dia. Pelo menos era o que parecia. A tranquilidade na Quadra Nove nesses três últimos dias tornou-se um acontecimento inédito. Leões e Tigres estavam em suas respectivas repúblicas, nenhuma faísca, nenhum incêndio. A paz vai voltar a reinar naquele lugar? Bom, não tinha paz. Era impossível. Jovens nasceram para isso: confusão.

Quando Octávio chegou, Sean ainda estava dormindo. Ele decidiu não acordar o amigo naquela manhã de sábado. Não era um dia completamente ensolarado, mas o clima estava agradável.

Octávio não parava de sorrir. Claro! Após a última noite, era impossível ficar triste. Relembrou de cada toque e cada beijo. Queria poder cantarolar, mas se fizesse isso acordaria o amigo. E bem, Sean é alguém que vive de mau humor nas vinte e quatro horas do dia.

—Octavio, tem uma garota te chamando! — Connor entrou no quarto sem antes pedir permissão. Falou alto o suficiente para acordar o moreno. Ele rapidamente percebeu que aquele não era um momento legal para entrar no quarto assim.

Sean se moveu, pusera sua cabeça para fora do cobertor e encontrou o amigo próximo à porta do banheiro e Connor com um rosto arrependido.

— D-desculpa... Não foi minha intenção te acordar. —Se desculpou o garoto.

— Você quer que eu seja grosso com você agora, ou vai esperar mais alguns segundos? — Sean disse, sentando sobre uma perna.

— O velho e bom humor... — Octavio falou entre dentes.

Connor não se atreveu a falar mais nada e simplesmente deu as costas saindo do cômodo. Octavio ia acompanhá-lo. Ia.

— Aonde pensa que vai? — A voz pesada e tomada pelo sono.

— Falar com Erica. Ela acabou de chegar.

— E vai assim sem antes me falar onde dormiu? Acho que ao menos devo saber, já que demorei a dormir esperando você voltar.

— Ok. Desculpe. Acabou acontecendo umas coisas e não deu para voltar pra cá.

— As “coisas” que aconteceram inclui dormir com o meu irmão? — Perguntou, sério.

— Preciso mesmo responder o que você já sabe? E não adianta ficar chateado com isso. Você melhor do que ninguém sabe o quanto eu gosto dele.

— Então da próxima vez que você me procurar chorando por ele, eu te mando se foder. Tudo bem? — Era uma mentira, ele sabia. Mas sua raiva fazia-o dizer coisas do tipo. — Foi por isso que eu não queria que você fosse a esse encontro.

O moreno se levantou da cama. Seu membro não estava totalmente adormecido, mas ele pouco se importava com isso. Precisava usar o banheiro.

— Que foi? — Sean perguntou quando o outro ficou parado, sorrindo feito um bobo. — Transou e vai ficar sorrindo assim feito um idiota?

— Eu estou feliz, tudo bem? E também estou fazendo Erica me esperar, desculpe, mas terei que descer.

— Espero que caia da escada.

Octavio sorriu e deu de costas. Sean e seu mau humor era algo tão natural que ele já estava acostumado.

Erica era tão cara de pau que estava sentada confortavelmente no sofá da sala dos Tigres. Se Sean descesse naquele momento, com certeza a expulsaria dali. Mas este estava lá em cima fazendo sua higiene matinal.

— Não vai visitar seus companheiros águias? — Ele perguntou logo quando pisou no último degrau.

— Irei. Só estava esperando-o. Não quero aparecer lá sozinha.

— E William, onde está?

— Disse que iria passar em sua república antes. Mas então, chega de perder tempo, vamos.

A loira enroscou seu braço no do moreno e juntos saíram da república. William já os esperava do outro lado. Ele jamais pisaria na calçada dos Tigres. Tinha um pouco de dignidade ainda, e não era só pelo fato de Erica estar ali que ele agiria como um idiota.

Antes mesmo de entrarem na república dos Águias, Lydia já saia da república, ela iria molhar o gramado.

Erica e Lydia nunca foram amigas, apesar de no passado gostarem do mesmo cara, não eram declaradas inimigas.

— Sebastian, vem cá, olha quem tá aqui. — A morena gritou para o namorado que estava em algum cômodo da casa.

Erica aguardava sorridente encontrar o ruivo líder da república. William e Octavio não trocavam olhares, mas sorriam sem parar. Eles ainda estavam confusos quanto à noite de ontem.

— Me diz que você veio pra ficar. — O ruivo disse, roubando-a para um abraço.

— Meu tempo aqui já passou, Seb. Você sabe.

— Nós precisamos de você aqui... As brigas entre “você sabe quem” — o ruivo fuzilou Will — se tornaram piores do que antigamente. Vou acabar ficando louco tentando resolver os problemas deles.

— Isso jamais mudará...

— Dá pra parar? — O loiro interrompeu. — Vamos falar de outra coisa e deixar essa parte de lado.

— Tá vendo? Ele não gosta nem quando citamos Sean na conversa. Enfim, há quanto tempo você tá aqui? — Sebastian perguntou.

— Eu cheguei ontem, até marquei com os meninos de irmos jantar juntos, infelizmente — ela enfatizou a palavra — aconteceu um imprevisto. Então só hoje pude encontrá-los. Mas não se preocupem, tem Erica para todo mundo durante um dia inteiro.

— Erica? — A voz de Caine surgiu no diálogo.

Caine, Leo e Colin apareceram juntos. Os três estavam no quarto do mais novo conversando sobre assuntos aleatórios.

— Gente, esse é o Caine? Sério? — A loira indagou admirada com o crescimento do garoto.

— Eu quem cuidei. — Disse o líder, vitorioso.

— Na verdade, eu quem cuido. — Lydia proferiu.

—Caine era parecido com uma criança de tão pequeno que era, ninguém diria que ele estava entrando na maior idade.

Colin estava confuso quanto a tudo. Primeiro que Erica para ele era uma garota má. Vê-la com William era estranho, principalmente depois do que ele contou. Mas sua imagem estava sendo desfeita depois de vê o quanto querida ela é por todos.

— Você vai voltar? — Caine indagou, esperançoso.

— Por que vocês vivem perguntando isso? Gente, eu me formei. Quando isso acontecer com vocês, irão perceber que o melhor a se fazer é viver longe disso.

— É sempre assim, as pessoas se formam e desvalorizam a Quadra que os acolheu. — Octavio disse, revirando os olhos. —Que ingratos.

— Você fala isso porque ainda não se formou. — Erica se virou para ele. — Mas depois irá concordar comigo. Logo mais você, Will e Sebastian estarão fora daqui.

— Não se esqueça de mim. — Lydia interrompeu.

— E claro, a Lydia.

— Erica, — William então impôs sua voz — aquele ali são Colin e Leo. O Colin é o calouro, que assim como eu e a grande maioria aqui, detesta o Sean, você deve amá-lo por isso. E o Leo você já o conhece.

— Oi, Colin. William me falou de você hoje no café da manhã.

— Falou de mim? — Ele indagou, confuso e encarando o loiro.

“O que ele falou de mim?” Pensou.

— Da sua coragem em querer bater no Sean. — A loira sorriu. — E ele está certo, já te amo por isso.

Colin sentiu um pequeno incomodo. Era claro que quase todos ali detestavam Sean, exceto Octavio. Ele estava tendo um caso escondido com o moreno e isso acabava deixando-o meio disperso quanto aos comentários. Às vezes queria concordar com as piadas, porém, queria xingá-los por estarem ofendendo o moreno em sua ausência.

— Não esqueçam que estou aqui. — Octavio disse, mostrando presença e quanto estava incomodado por estarem falando de Sean.

Todos gargalharam com aquilo. Por três minutos os veteranos e novatos conversaram e fizeram mais piadas em relação a Sean. Octavio em alguns momentos fora contra as palavras. Colin era o único em silêncio, apenas sorria fingindo estar achando graça.

— Ninguém me convida para esse encontro? — A voz potente do moreno surge no lugar.

— Falando no diabo... — Erica solta.

— Estavam falando de mim? — Ele sorri. — Que honra. Isso significa que sou importante, certo? Você vai embora, volta e ainda assim continua com meu nome em sua boca. Incrível, não? Será que é amor?

—Amor? Cara, você curte...

— Erica! — William e Octavio falaram ao mesmo tempo. Temendo que esta falasse em alto e bom tom a sexualidade do outro.

— O que foi? Esse garoto sempre aparece com esse ar de superior e esse sorriso. Minha vontade é meter a mão na cara dele.

Colin queria aplaudir Erica. Ela era quente! Não no sentido sexy da coisa. Mas o fato de ela ser ardente e grossa com o outro, a deixava totalmente atraente. Tinha uma personalidade forte como a sua.

— Eu adoraria vê-la metendo a mão na cara dele. — Colin não resistiu e falou.

Sean mandou-lhe um olhar de reprovação. Não iria admitir o pequeno apoiando-a. Não podia! Já estava chateado com Octavio e agora com Colin provocando-o daquela forma e mostrando apoio para com a loira, as coisas tendem a piorar.

— Seu projeto de anão, que moral você tem para falar aqui? Não acha que deveria estar em outro lugar? Tipo, no jardim da sua casa?

— Se você me chamar assim mais uma vez, eu juro que... — Ele já ia avançar, mas William o segurou.

Era Colin. Bater em Sean já estava virando rotina.

— Que nervosinho. — Sean provocou, sorrindo de lado. Lindo.

— Cala a boca, Sean. Ou quem irá meter a mão na sua cara sou eu. — William disse, já irritado com a presença do outro ali.

— Às vezes você esquece que eu sou um Tigre, William.

Ninguém notou que Santiago estava ali, encostando a árvore da casa e com os braços cruzados. Ele também havia chegado há alguns minutos, mas só fora notado agora que falou.

— Espera aí... Santiago não era um leonino? — Erica perguntou, confusa, encarando todos.

— Até decidir se juntar a minha república. — O ar de vitória do moreno era maior que suas palavras.

— Sério isso, gente? — Sua mão foi à boca. — Não acredito!

— Foi até melhor, sabe. Pelo menos não temos que suportá-lo bagunçando a república. Ele é um porco e todos sabem disso. — Leo resolvera ajudar os leoninos.

— Leo, até onde eu sei, você não deveria estar aqui. É um milagre não vê-lo colado a Danion. O que aconteceu, brigaram? Romperam o namoro? Vocês vivem juntos e isso chega a ser estranho. — Santiago foi além da provocação.

Isso causou não só impacto em Leo, mas em Caine que sentiu o coração acelerar quando o nome do outro foi pronunciado. Ele sabia o conceito de ciúmes. Não tinha raiva de Leonard, mas tinha que concordar com Santiago, Leo e Danion vivem juntos e com certeza são capazes de fazer algo.

Incrível foi o fato de Danion se juntar ao grupo em silêncio. Ele estava fumando, como de costume. Todos olharam para ele que nem havia notado a presença de Erica ali. O branquelo passou por Santiago, empurrando-o com o ombro, mas o rival apenas sorriu, era cedo demais para soca-lo.

— Por que estão todos me olhando? — Perguntou Danion.

— Não é nostálgico? —Erica falou entre os homens. — Era sempre eu e Lydia para tantos garotos. E cá estamos nós novamente. Claro, tirando o fato de que detesto os Tigres. — Ela então abraçou Octavio — Você é a exceção. — beijou a bochecha do moreno.

— Todos dizem odiar nossa república, mas se possível dão a alma para pertencer a ela. Status ainda é algo importante. — Sean não resistiu a provocação.

Danion, por ser o mais louco de todos ali presente, apenas dera um passo e parou em frente a Sean. Este o olhou sorrindo. Encararam-se por poucos segundos até que o branquelo, retirou o cigarro da boca e soprou toda a fumaça na cara do outro. O moreno apenas levou sua mão ao nariz e virou o rosto. Estava paciente.

O branquelo foi além, e com a ponta do cigarro tocou braço do outro. Este foi o ponto alto.

Sean foi tão rápido que ninguém foi capaz de segurar o soco que ele dera no branquelo, que cambaleou para trás caindo nas pernas de William.

— Você é louco? — Sean indagou irritado, passando a mão em seu braço tentando aliviar a dor causada pelo cigarro.

Danion apenas sorria enquanto estava se levantando.

— Talvez sim. Talvez não. Mas era só de um soco que eu precisava para ficar irritado.

O branquelo então saltou para cima do moreno. Usou do cotovelo para acertar Sean, mas este conseguiu desviar. Santiago aproveitou o momento e segurou o outro pelo pescoço, imobilizando-o.

Sean iria soca-lo. Mas William pulou, envolveu seus braços no corpo do outro e o lançou no chão.

Danion teve tempo para então se livrar de Santiago abusando do cotovelo em seu estômago. O ex-leonino vacilou mais uma vez e o joelho do branquelo foi de encontro a sua face, imediatamente o sangue desceu.

William levantou-se encarando o irmão. Ele esperava o ataque do outro, mas Sean também estava preparado esperando-o.

Ninguém esperava que mais alguém se metesse na confusão.

Até Colin atravessar a multidão e também saltar no moreno. Mas este não tinha forças suficientes para tal. Sean apenas o segurou pelo braço e o encarou, sorrindo.

— Não acha que é pequeno demais para se envolver nisso? —Mais uma vez o moreno provocou sua altura.

— Larga ele ou vai ser pior. — William disse.

— Largá-lo?

— Certo, pessoal. Chega! — Octavio saiu de seu lugar e puxou Colin do moreno.

Sebastian segurava Danion que proferia insultos para Santiago, que estava sorrindo.

— Há um ano eu fui embora daqui. Volto e percebo que nada mudou.

A voz para Colin era estranha. O sotaque também. Não era tão natural e soava um tanto falso.

Com duas malas na mão, um garoto nunca visto pelos calouros estava parado e chamando atenção de todos. Era do tamanho de Colin, porém tinha cabelos lisos e claros. Seus lábios eram finos e seu nariz era afilado. Algo nele chamava a atenção. Talvez a voz, mais venenosa que a de Danion ou ar de superioridade maior que o de Sean.

Todos pararam de fazer o que estava fazendo e apenas olhara para o garoto que até então Colin não sabia o nome.

— Ninguém vai me dar um abraço? — Ele perguntou.

Ninguém se atreveu.

— Era hoje que você voltava? — Lydia quebrou o silêncio.

— Seria amanhã, mas adiantei um dia. Não está feliz em me ver?

— É que... Ninguém esperava. M-mas estou feliz, apesar de que você chegou em um momento inesperado e com essas brigas acontecendo.

— Eu até que estava com saudades disso. A elite da Quadra não é nada sem essas brigas.

“A Elite?” Colin pensou.

— Qual é gente. Vocês deveriam estar felizes com minha volta, parem de me olhar assim. E ah, — o recém-chegado se virou para o moreno — oi, Sean.

Colin foi o primeiro a encarar o moreno depois do que ouviu. Ao que parecia, os dois se conheciam. Mas ele não sabia se eram rivais ou amigos. Era muito provável serem amigos pelo simples fato de se parecerem tanto no quesito superioridade e provocação.

— Oi, Colton. — O moreno disse, indiferente.

[...]

O irmão de Sebastian vagava por sua república enquanto os demais foram almoçar em algum restaurante por aí. Colin, Leo, Sean, Santiago, e Danion negaram o convite. Caine também achou que este almoço seria um encontro de veteranos e achou melhor não ir.

Sebastian, a princípio, quis carregar o irmão. Não gostava de deixá-lo sozinho. E depois do ocorrido, onde Caine ficou bêbado, sua preocupação para com o menor tornou-se mais pesada. Mas Lydia o convenceu, como sempre.

Alguém bateu a porta e ele imediatamente resolveu olhar quem era. Esperou ser Colin, mas não era. O branquelo sorridente o esperava, com uma mochila nas costas e cadernos em mãos.

— Feliz em me ver? — Danion perguntou.

O pequeno ficou sem reação.

— Ótimo. Antes que pense, não estou aqui para te pedir ajuda em algumas matérias. Só saí com isso para que Leo não me enchesse o saco me perguntando para onde eu iria. Meus cigarros acabaram... Sendo assim, você já sabe o motivo.

— E-eu não sei se ainda tem. — Nervoso, Caine se atreveu a falar.

— Como não? Você sabe que odeio ficar sem fumar.

— Espera aí.

O pequeno logo deu de costas e em passos rápidos fora até seu quarto, olhou em todas as gavetas tentando encontrar um maço de cigarros, por sorte, ou talvez presente dos céus, existia um. Ele não se lembrava de ter guardado aquilo ali, mas seu nervosismo perante o branquelo o fizera de qualquer modo, na esperança, procurar.

— Eu encontrei esses. — Caine se surpreendeu ao encontrar Danion já dentro de sua república, a porta fechada e sua mochila jogada no sofá. — Sebastian vai odiar se te encontrar aqui dentro.

— Eu não tenho medo do seu irmão, você sabe disso. — O branquelo tomou o maço de cigarros de sua mão e retirou o isqueiro do bolso. — Por um acaso você já fumou, Caine?

— Não.

— Não tem vontade?

Ele já teve. Logo quando via Danion fumando constantemente, desejou por um momento experimentar o cigarro. Embora sua vontade fosse grande, Caine sabia dos perigos que isso lhe causaria e de como Seb o repreenderia.

— Já tive. — Falou, sem olhá-lo nos olhos.

— Por que sinto que está nervoso? —O branquelo perguntou, franzindo o cenho.

— Estou? — Ele levou seus olhos ao outro.

— Sim, está. Eu falo mil palavras e você uma.

— Talvez seja porque...

— Não use disso como resposta, garoto. Não precisava ficar nervoso. As pessoas transam, se possível, todos os dias de sua vida, no outro dia olham para o parceiro como se nada tivesse acontecido. É natural. É sexo e é bom.

Caine estava incomodado pelo fato de Danion agir tão naturalmente. Ele havia confessado seu amor pelo branquelo, e mesmo assim o outro tratava-o da mesma forma que antigamente. Como se este fosse alguém para ser insultado e usado. No fundo, sabia que isso aconteceria.

— Vem cá. — O branquelo aproximou-se do outro e o puxou para um abraço.

Ele o surpreendeu, de fato. Caine não esperava isso.

— Não se prenda a mim. Você não pode me amar. Eu sou alguém completamente errado.

E então se afastou, pegou sua mochila e livros. Olhou para Caine que parado estava em seu lugar, sem conseguir dizer nada.

Sentiu seu coração apertar. Agora, por algum motivo, odiou o fato de machucar tanto o garoto.

— Vamos esquecer o que aconteceu, tá bom? Eu estava bêbado, você também estava. E não é o sexo que vai me fazer se apaixonar por alguém assim tão facilmente.

— Mas você sabe que eu gosto de você...

— E o que você quer que eu faça, Caine? Que minta para você? A noite foi incrível, eu tenho que admitir. Mas paixão não é meu forte. Eu queria poder ser igual a você.

— Danion. — O pequeno interrompeu.

— O que foi?

— Seu nariz, ele está sangrando.

O branquelo levou o indicador ao nariz e então sentiu o sangue em seu dedo. Era verdade. Não teve tempo suficiente para cuidar daquilo após tomar um soco de Sean.

— Vem comigo. — Caine deu de costas torcendo para que o outro estivesse seguindo-o, e felizmente este o fez.

Caine pegou algodão e álcool suficiente para cuidar do outro. Danion não pode negar ajuda. Leo não seria capaz de fazer isso. Não mesmo. Na verdade, ninguém em sua república. William só fizera uma vez, no dia em que ele fora espancado. Depois disso, o branquelo era obrigado a cuidar de todos os seus machucados, sozinho.

Mas ali, perante a ele, estava um pequeno garoto que admitia amá-lo. Completamente oposto a sua personalidade. O branquelo declarou não amá-lo, e mesmo assim o menor estava ali, cuidando dele. Como também fizera na noite que este caiu bêbado em seu quarto. Leo com certeza o deixaria dormir no banheiro, mas Caine fez diferente: Deu-lhe banho.

— Você não se sente mal? — Danion perguntou, enquanto o outro jogava os algodões no lixo.

— Me sinto um lixo, contudo, não devo te obrigar a nada. — Ele mesmo se surpreendeu com as palavras.

— Qualquer um no seu lugar estaria me odiado ou me xingando e até me virado as costas.

— Queria poder ser como eles, mas não consigo.

Caine acabara de lavar suas mãos e as secava enquanto caminhava pelo quarto. Sentou ao lado de Danion e abaixou sua cabeça. Seu rendimento perto do outro era fácil demais.

— Seria tão mais fácil se você me odiasse. — O branquelo murmurou.

Estava odiando o fato de o outro agir tão gentil com ele. Danion não era digno de ser tratado assim, ele melhor do que ninguém sabia disso. Por logo agora, depois de tanto tempo usando o garoto como escravo, estava sentindo tanta pena?

— Apesar de tudo, na noite em que aconteceu aquilo, eu me senti feliz e completo. Era tudo que eu mais queria.

Ele não deveria se chamar Caine, mas sim Sinceridade.

“Por que será que eu me senti assim?” O branquelo pensou.

— É melhor eu ir.

— Pela janela. — Sugeriu o outro.

— Por quê?

— Sebastian acabou de voltar, você não está ouvindo a voz de Colton?

— Este garoto voltou pra causar problemas. Não gosto dele, apesar de já ter pertencido a nós um dia.

— Ele só é sincero, mas não confiável. De qualquer forma, ele voltou pra casa, tenho que trata-lo como um águia. E pelo que parece, terei que dividir meu quarto com ele.

— Sebastian não deixaria.

Na verdade, era Danion quem não queria isso. Conhecia bem o outro. Muito bem por sinal. Quando o Colton pertencia aos leoninos, Danion e ele já transaram por diversos cômodos da casa. Colton conseguia quase tudo que queria apenas com a voz.

— Vou indo.

Foi por impulso que Danion beijou a testa do menor. Arrependeu-se disso, mas não havia tempo de voltar atrás. Ficou sem graça e rapidamente pulou a janela.

[...]

— Quem é Colton? — Colin perguntou para Leo. Somente os dois estavam na república.

— É melhor você nem querer saber. Muito menos confiar nele.

— Eu não gostei do que vi. — Colin disse com seriedade.

— Ele é legal, sabe, tenho que admitir. É engraçado. Mas não é muito confiável. Ele diz o que quer, faz o que quer.

— É uma mistura de Danion e Sean juntos?

— Pior que os dois. Na verdade, ele me lembra você. Sabia que no dia em que te conheci, você me lembrava de alguém. Só agora fui perceber quem. — Leo jogou os pés no sofá.

— Devo levar isso como uma ofensa?

— Você ainda nem o conhece.

— De qualquer maneira não gostei do que vi, então isso foi uma ofensa. Quero saber quem ele é, e só há você aqui, ninguém mais poderá me dar essa informação.

— Ele é aquilo que você viu. Era um ex-leonino, ex-tigre e agora um águia. Ele e William disputaram pela vaga de líder. — Leo relaxou os ombros no corpo do outro — Não foi exatamente uma disputa. Alguns membros queriam o Colton como líder, mas William foi escolhido pelo ex-líder.

— E foi por isso que ele se tornou um tigre?

— Não. Ele até parabenizou William e agiu normalmente. Colton era legal e engraçado, como disse. E também vivia arrumando confusões por dizer o que pensa, por isso ele não é tão diferente de você.

— Para de me comparar a ele! — O pequeno empurrou Leo, mas este rapidamente voltou para perto dele. — Por um acaso ele e Sean são amigos?

Leo então se afastou, olhou Colin por cerca de um minuto e franziu o cenho.

— Devo ficar preocupado com essa pergunta?

— O que é que tem?

— Você perguntando sobre Sean...

— O modo que eles dois se olharam hoje cedo, e a maneira que se cumprimentaram me fez questionar isso. E todo mundo sabe que Sean é sinônimo de confusão. Isso significa que os problemas entre as repúblicas tendem a piorar.

— Ótimo argumento. Mas se você quer saber, eles são amigos e inimigos. São como Santiago e William, entende? Passaram pela mesma história. Colton sempre vencia nas discussões contra Sean, e acredite em mim, ele também é bom de briga.

— Mais motivos para detestá-lo.

— Seja amigo dele.

— Eu? Tá maluco? — Colin se afastou de Leo e se levantou. — O garoto tem um ar medíocre. Se for uma cópia de Sean, eu quero distância.

— Você nunca sequer teve um diálogo com Colton, Colin.

— Nem pretendo ter.

[...]

Aquele olhar profundo observava tudo de sua janela. Sean estava de pé, com os braços cruzados e sem camisa. O fato de Octavio estar com seus velhos amigos o incomodava. Colin ter apoiado Erica na breve discussão lá embaixo, também o incomodou. Já não basta o garoto largá-lo no beco. E para finalizar, Colton voltou.

— O que mais vai acontecer para piorar o dia? — Falou para si mesmo.

Caminhou de um lado para o outro pensando em Colin. Queria aquele pequeno ali. Antes costumava amar os finais de semana, mas agora queria que tais dias passassem rapidamente só para se encontrar com o outro no banheiro. Mesmo que fosse apenas para brigarem.

Foi Colin quem o deixou sozinho ontem, sendo assim, ele não tinha direito de procurar o outro. Nem sequer mandar alguma mensagem ou ligar. Se possível, iria passar o resto dos dias assim.

Octavio entrou no quarto e o encontrou jogado de bruços na cama.

— Dormindo? — O amigo indagou, aproximando-se.

— Preferia.

— Ainda de mau humor?

— Já me viu de bom humor algum dia?

Octavio retirou seus sapatos e meias, jogou sua camisa para o lado e se deitou ao lado do amigo. Sean nem se atreveu a encará-lo. Estava chateado demais para isso. Mas Octavio sempre foi insistente e permaneceria ali por um bom tempo.

— Você deveria estar feliz por mim. Acho que as coisas finalmente vão começar a se consertar entre William e eu.

— Deveria? Ah, Octavio, só o fato de ser meu irmão já me deixa irritado. E agora, irei ficar sozinho caso vocês comecem a se encontrar. Tipo ontem à noite e hoje pela manhã.

— Pode olhar para mim? Sinto que você quer rir e está começando a ficar vermelho. Amo o fato de você ser ciumento. — Octavio o cutucou.

— Minha vontade é te bater. — Contorceu-se na cama.

— Você já fez isso tantas vezes, meu corpo já se adaptou a suas pancadas.

Sean se virou e socou o braço do amigo, este se encolheu na cama e pusera o travesseiro sobre seu corpo. Os socos do amigo costumavam machucar bastante, e sendo amigo de Octavio, não poupava força.

— Não doeu. — Mentiu.

— Posso te dar outro se quiser.

— Não quero. Tudo que quero é dormir. Estou cansado.

— Fodeu a madrugada toda, não foi?

— Sean! — Repreendeu o amigo.

— Não falei nenhuma mentira.

Octavio se aproximou do Sean e se encolheu no amigo, ainda sorrindo e pensando em William. Sorrisos de um garoto apaixonado.

— O que William pensaria se encontrasse você aqui na cama comigo? — A velha provocação.

— Não ouse fazer essa piada. Ainda bem que não me lembro do dia em que deitei com você. Seria constrangedor lembrar.

— Vou tirar uma foto e enviar para ele. Imagina que máximo seria ele abrir o celular empolgado e encontrar a fotografia.

Sean só se calou quando Octavio deu-lhe uma tapa.

[...]

Quatro dias se passaram desde que William e Octavio transaram, Sean e Colin brigaram e que Colton voltou.

Caine e Colin caminhavam juntos pelos corredores da universidade. Era final de aula para alguns e início para outros. Ambos conversavam sobre assuntos alheios e até comentavam sobre pessoas que eles jamais viram na universidade.

Se um não pertencesse aos leoninos e o outro não fosse irmão de Sebastian, provavelmente estariam sendo zoados por causa da baixa estatura e por parecerem vulneráveis.

Logo quando entraram no refeitório, Caine foi direto a área das bandejas enquanto Colin estava de pé, tentando encontrar alguém por ali: Sean. Nada.

Acompanhou o amigo pegando os alimentos que preferia, embora nada lhe agradasse no cardápio de hoje. As frutas foram à salvação. Tipo a maçã verde que implorava para ser mordida. Deixou as ervilhas e o purê de batatas para depois.

— Vamos sentar ali. — Caine sugeriu, apontando para assentos vazios.

Colin assentiu e juntos foram para o lugar. Logo quando sentaram, imploraram para não serem interrompidos. Pois isso sempre acontecia.

Alguém tocou o ombro do mais novo dos águias: Danion.

— Preferem comer isso à comida da lanchonete? — O branquelo indagou, ainda com seu braço enroscado no pescoço de Caine.

— Tenho que economizar. — Colin disse.

— Você não deveria tá em aula? — Caine perguntou, sem olhá-lo nos olhos.

— Deveria.

— E por que não está?

— Por que eu preciso mesmo disso? Só estou aqui por causa dos meus pais.

— A velha história de que você é herdeiro de uma das empresas que fabricam lanchas e produtos para pesca. — Colin revirou os olhos tentando pegar algumas ervilhas.

— Uma das maiores empresas. — Acrescentou.

— Eu deveria nascer com essa sorte.

Danion não achava que aquilo era sorte. Apesar de gostar de toda a riqueza que tinha, sentia-se pequeno perto dos familiares. Ele sempre cresceu a base de regras, e não de amor.

— Certo, silêncio! — Danion disse, sentando-se ao lado de Caine.

O branquelo logo levou seus olhos ao corpo pequeno que se aproximava da mesa: Colton. Todos fizeram o mesmo.

— Por que ficaram em silêncio? — Colton indagou, colocando sua bandeja sobre a mesa. —É algum assunto interessante?

— Poderia ser. —O branquelo respondeu, pondo os pés sobre a mesa.

— Então conte-me.

— Não é nada de interessante, Colton. —Caine falou, tentando sair do braço de Danion que o segurava pelo pescoço.

Ele precisava comer.

— Você deveria voltar as aulas só depois de uma semana, não? — Danion indagou.

— Não tenho Salladric no sobrenome. Não tenho a vida cheia de bens e muita grana. Me esforço, Danion.

— Amo meu sobrenome e sei o peso que ele tem. — O branquelo sorriu vitorioso.

Colin ficava calado. Caine, igualmente. Colton apenas revirava os olhos toda vez que Danion fazia alguma piada sem graça.

— Você e Colin parecem irmãos. Mesmo tamanho, mesma chatice e vivem irritados ou dando patadas a qualquer um que aparecer pela frente.

— Danion, menos. —Colin dissera, ofendido com a comparação.

— Ah, o Colin é ele? — Colton o avaliou, olhando fixamente para o dono dos olhos caramelos. — Interessante. — A voz decrescia a cada letra pronunciada.

— O que tem de interessante? — Colin, com suspeitas, indagou.

— Nada. — Colton respondeu sorrindo de lado. — Prazer.

— Desprazer. — Disse baixo.

— Sabia que vocês jamais iriam se dar bem. — Danion quebrou a tensão, gargalhando o mais alto que podia. Conseguindo chamar a atenção de algumas pessoas sentadas ao lado.

Colin já odiava Colton. De fato. Declarou ódio apenas com os olhos. Não conhecia muito o garoto que chegou, mas do pouco percebeu que ele era idiota como Sean. Tinha um ar de superioridade que já imaginava.

— Eu vou ao banheiro. — Colin dissera, levantando-se.

O pequeno levantou-se com raiva dali. Era natural dele. Não conseguia esconder tal coisa. Se Colton queria um inimigo, sem antes conhecê-lo. Bem, o membro dos águias teria. Afinal, tal antipatia sempre crescia com quem era dos Tigres, por que Colton o irritava tanto?

Colin talvez tenha esquecido que Colton carrega no sangue um pouco de cada república.

O pequeno caminhou pelos corredores até o banheiro que costumava ir. O costume cresceu porque na maioria das vezes encontrava o moreno. Dessa vez estava torcendo para que isso não acontecesse, diferente das outras vezes em que ele desejava encontrar o outro. Olhou seu relógio de pulso e percebeu que naquele horário Sean estava em aula. Um alívio.

Assim que entrou no banheiro, fora diretamente à pia. Não sentia vontade de entrar nas cabines. Só estava no banheiro para que sua vontade de avançar em cima de Colton passasse.

Tudo que ele não queria, aconteceu. Do espelho ele viu o moreno saindo de uma das cabines, fechando o zíper e arrumando o cinto. Naquele momento, Sean não havia notado a presença do outro, estava tão entretido com a fivela.

Colin pensou em sair dali dando um passo a frente, mas isso fizera chamar a atenção de Sean. Que rapidamente levantou a cabeça e o encontrou. Ambos trocaram olhares, mas palavras no momento não existiam. Pareceram dois idiotas por um curto tempo, já que não se moviam.

— Eu já estava de saída. — Colin quebrou o silêncio, dando as costas.

O pequeno dera apenas dois passos até o outro levantar a voz.

— Não me faça querer te bater, Colin.

O pequeno parou, mas não se virou. Agora torcia para que ninguém entrasse no banheiro. O movimento no banheiro que estavam, era menor do que os demais. Por isso esse era o preferido deles.

— A minha paciência com você tá indo ao limite. Depois eu realmente vou declarar ódio e te tratar como um leonino deve ser tratado.

— Isso é uma ameaça? — Virou. — Uma ameaça porque não sou como qualquer outro? Não faço o tipo coitado, sofredor e que vai correndo com o rabinho entre as pernas.

— Viu aí? Qualquer coisa você quer brigar. —O moreno caminhou para a pia.

— Eu não estou brigando. — E realmente não estava. —É o meu jeito. Você quem parece alterado por algum motivo.

Sean respirou forte e se sentou na pia. Olhou Colin por um minuto e o pequeno já estava ficando incomodado — constrangido — com o olhar.

— Não seja amigo do Colton.

— É isso que o estressa? — O pequeno resolveu se aproximar, posicionando-se ao lado dele.

— Não estou estressado. Só não seja amigo dele.

— Algum motivo em especial? — Levantou a sobrancelha direita.

— Caralho! Não seja amigo dele e pronto.

A velha grosseria do moreno. Colin até se assustou com o grito. Logo quando tudo ficou em silêncio e Colin já estava se aproximando da saída, realmente irritado, foi pego de surpresa por Sean, que o lançou contra a porta, impedindo a saída e entrada de pessoas. Olhou fundo nos olhos do outro e o beijou.

Colin até tentou negar o beijo, virando seu rosto, mas o moreno não o deixava fazer isso.

— Me larga. Não é assim que se consertam as coisas. — Dizia com os lábios presos no outro.

— Tá com o coração quebrado? Quer conserto? —O outro sorriu entre dentes, voltando a beijá-lo.

— Babaca.

Teve que se render e aceitar.

Novamente sua mão fora até as nádegas de Colin. O pequeno estava tão atordoado com o beijo que ignorou o toque. Porém, outro toque acabara incomodando: era o membro de Sean que parecia querer pular para fora da calça. O pequeno se perguntou como ele poderia ser assim, até dentro de um banheiro escolar e apenas com beijos.

Ele rapidamente se afastou de Sean, tendo que usar toda sua força.

— Já disse para você se controlar. Não vai ser tão fácil assim.

— Eu só estou apenas te beijando.

— Mas não é apenas isso que você quer. —Colin levou seus olhos à calça do moreno.

Sean sorriu com aquela cena, sem acreditar que Colin se sentisse tão constrangido com aquilo.

— O que tem demais? É normal isso acontecer.

— Começamos a nos agarrar por aí não tem sequer um mês. Acha mesmo que eu vou acabar transando com você tão fácil assim? E em um banheiro?

— Não sou o tipo de garoto que espera casamento. Ou melhor, nem casar eu quero.

— Você não entende mesmo, não é? Mas eu vou explicar: Eu não quero transar com você. Quer que eu soletre?

— O que diabos têm de errado com você? — Franziu o cenho.

— Absolutamente nada.

— Você tá me matando com isso. Mas eu não desisto tão fácil assim, por mais que você me diga que não quer.

— Vai morrer tentando transar comigo e não vai conseguir.

— Você só tá querendo dar uma de difícil. Não fazemos o tipo casais de novela, Colin. Esses que pagam de santinhos, moços virgens, lacradas, cheia de “não me toque agora que estou reservada”.

— Não somos um casal.

O modo que Sean falou soou engraçado, principalmente ao gesticular. Colin sorriu e não conseguiu esconder que achou graça naquilo. O moreno sorriu junto.

— Você é idiota, sabia?

— Não somos tão diferentes nesse quesito.

— Tenho que voltar, deixei Caine, Danion e — ele pausou, mas não havia porque esconder — Colton na mesa do refeitório esperando.

Sean tivera seu sorriso desfeito. Voltou a dar lugar a velha expressão de malvado.

— Eu já não o suporto por milhares de motivos, e se por algum dia, você me disser que pareço com ele, juro que te matarei. — E conseguiu escapar daquele lugar.

[...]

William estava sentado em sua cadeira em frente a mesa de estudos. Na manhã seguinte teria provas e só tivera tempo para estudar agora. Mesmo que fosse inteligente o suficiente, negar estudo era um erro.

Colin acabara de chegar da república de Caine.

— Quem aquele garoto pensa que é? —O pequeno entrou reclamando.

William se virou assustado, encontrando-o completamente irritado.

— Eu estava lá com Caine, em seu quarto. Quando o idiota entrou dizendo que queria conversar com Caine, roubando-o de mim.

— De quem você está falando?

— Do Colton. Ele é um idiota, William. Não o suporto. Não mesmo.

— Ele é assim mesmo, você vai se acostumar.

— Não vou me acostumar com porra nenhuma. Eu não quero ser amigo de gente assim. O pior é que deixei Caine sozinho e saí do quarto com raiva.

— Ele com certeza vai entender, amanhã vocês conversam. Respira fundo.

— Por que você também não está irritado junto comigo? Se eu estivesse falando de Sean, você com certeza estaria xingando-o junto à mim. E pelo que descobri, Colton também foi um leonino que deixou a república para se tornar um tigre.

— Vai me bater agora? — Levantou as duas mãos.

— Não. — Colin pulou na cama, olhando o teto. — Só preciso saber mais dele. Odeio o fato de não obter respostas para aquele ar de superioridade que ele carrega.

— Colton sabe segredos de todo mundo. Você em hipótese alguma deve confiar nele.

— É o que todos me dizem.

— O problema é que ele não sabe que sei sobre ele e Sean. Segundo Octavio me contou, eles eram namorados no passado. Inclusive, Sean amava muito o Colton. Chego a acreditar que foi esse um dos motivos do Colton largar a república e viver com os Tigres.

Colin sentiu falta de ar naquele momento.

Notas finais
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