Notas iniciais
Vinho.

A lua mostrava toda a sua beleza naquela noite.

Os leoninos tiveram um dia tranquilo e divertido, a começar por Leo que resolvera pregar peças em todos, já que estava de bom humor. Até Colin caiu na brincadeira contando seus traumas de infância e de quão traumatizando é a foto que sua mãe tirou dele sentado no vaso sanitário. Depois disso todos queriam ver essa foto, mas ele fizera questão de queimá-la logo que entrou na puberdade e soube o conceito de “vergonha”. Rick fizera bife a milanesa, o que rendeu uma pequena discussão por quem ficaria com o maior pedaço, e claro, o líder da república venceu.

William estava em seu quarto, arrumando-se para encontrar Erica e Octavio.

Erica era uma bela garota que no passado, fora a guia de William, logo quando ele entrou no curso de medicina. Enquanto ele era um calouro, a loira era uma veterana que se ofereceu a ajudá-lo nos primeiros passos na universidade. Inteligente, a garota não passava somente as informações referentes à Seattle, mas também sobre os universitários e alguns fatos interessantes: Como o antigo líder dos Tigres, ex-namorado de Erica, que acabou traindo-a com sua maior rival. Sobre ela e Lydia já brigarem por Sebastian. A propósito, Erica pertencia aos Águias.

Foi então que conheceu Octavio, que na época, tinha uma relação íntima com William, mesmo com Sean infernizando-os.

Erica, de cara, já havia detestado Sean quando William resolvera desabafar para ela sobre seu relacionamento. Ela por muitas vezes tentou fazer com que Octavio se aproximasse mais de William e deixasse o moreno um pouco de lado.

A loira acompanhou o fim do relacionamento dos dois, mas de qualquer maneira continuou sendo amiga de ambos, tentando ao máximo, fazê-los ao menos reatar ou tentarem serem amigos.

Foi após sua formatura que William e Octavio se afastaram mais ainda. O que resultou em um loiro frio e um moreno arrependido. Erica era a ligação entre eles dois.

Depois que Erica foi embora, seguir sua vida fora da Quadra, Octavio foi o único a ter uma amizade mais firme com a loira. Já que William se fechara para o mundo e as pessoas, procurando focar em seu futuro e cuidar de sua república. — O fato de William ser o primeiro calouro a ser tornar líder de uma república importante, o tornou popular em questão de uma semana.

— Como estou? — O loiro perguntou para Danion, que estava comendo salgadinhos enquanto tentava mexer nas coisas de Colin.

— Interessante. Porém, prefiro seu cabelo rebelde a arrumadinho.

— Tem certeza? Não quero chegar lá e passar vergonha.

— Will, largue de ser modesto. Se quiser descer e perguntar ao pessoal como está, eles vão falar a mesma coisa que eu. Seu cabelo rebelde é melhor do que esse aí. Parece que foi lambido por um cachorro.

O loiro sorriu pela comparação feita. Acabou aceitando a opinião de Danion e fora até o banheiro, passou a mão por seus fios acabando com o penteado que passara cerca de dez minutos tentando fazer.

William usava uma camisa social branca, calças jeans e sapato. Apesar do simples, ele estava elegante.

Quis colocar na cabeça que aquilo não era para chamar a atenção de Octavio, mas sim de Erica que com certeza iria elogiá-lo. Ele desejava ouvir coisas, como: “Nossa, Will, você tá lindo”.

Olhou sua carteira vendo se o dinheiro reservado para essa noite estava ali, fora o cartão de crédito que ele tinha certeza que também usaria.

— Eu vou indo. E aconselho você a não mexer nas coisas de Colin se não quer vê-lo irritado. — Disse, retirando a mão de Danion do abajur do garoto.

— Me pergunto se um dia ele vai passar esse abajur para os futuros filhos e netos. — Brincou o branquelo, rindo ao vento.

— Vamos, Danion. — Dizia o loiro, enquanto puxava-o para fora do quarto.

O loiro desceu as escadas e arrancou gritos dos companheiros que brincaram com seu visual, até alguns aplausos e assovios.

— Quanto tá o programa? — Brincou Leo, arrancando gargalhada de todos.

— Pago 100. — Rick dissera, fingindo abrir a carteira.

O loiro não resistiu e acabou sorrindo, mas evitou continuar por ali e saiu sem se despedir dos amigos. O táxi já o esperava na porta.

— O feitiço acaba a meia noite. — Danion gritou.

O loiro pode ouvir isso, e apenas mostrou-lhe o dedo do meio para o branquelo que o observava da janela.

No trajeto, William fora pensando todo o tempo em como seria ficar frente a frente com Octavio em um restaurante que por muito tempo fora ponto de encontro dos dois. Relembrar de momentos com certeza não seria uma boa opção. Pusera novamente o foco em Erica e em como queria poder contar as novidades para ela, já que no último diálogo que tiveram, a loira o dera um sermão, chamando-o de monstro.

Quando chegou ao restaurante, o loiro parou pro alguns minutos e respirou fundo. Observou o movimento de pessoas entrando no lugar até decidir que deveria ir ao encontro daqueles que o esperavam. Porém, somente Octavio estava sentado na mesa reservada para eles.

Não gostando daquilo, o loiro apenas ficou parado, à distância, desejando que Erica tivesse ido ao banheiro e que em minutos aparecia ali. Mas isso não aconteceu e ele fora obrigado a aproximar-se do moreno, que segurava uma taça de vinho em sua mão.

— Isso foi armação sua? — Perguntou, seco, enquanto sentava-se na cadeira.

Octavio se assustou com a voz e entonação, mas sentiu um alívio ao perceber que William aparecera. Estava cansado de ficar ali sozinho, esperando-os.

— Arma-armação? — Gaguejou. — Não, não! — Tentou se manter firme. — Eu estou esperando Erica.

— Já tentou ligar para ela? — Perguntou.

— Sim. Na primeira vez que a liguei não atendeu, e na segunda deu desligado. Você quer tentar? — O moreno indagou, entregando o celular para o loiro. Não queria parecer um mentiroso, já que o olhar de William acusava-o dessa forma.

Ele, para confirmar, ligou e realmente aconteceu o que o moreno dissera: estava desligado.

— Ela não costuma se atrasar. — Octavio falou, tentando manter algum diálogo civilizado sem receber patadas por parte do loiro.

— Eu sei disso. — Tentou parecer indiferente. — Há quanto tempo você está aqui?

— Tem quase quarenta minutos. Eu achei que você não apareceria. — Revelou, sem olhá-lo nos olhos e tomando um pouco do vinho.

William não hesitou em pegar uma taça para si e por um pouco do vinho. Bebendo tudo de uma só vez. Gostou daquilo.

Depois disso os dois garotos ficaram minutos em silêncio. Foram quinze minutos de tortura, de olhares despercebidos e de pensamentos que os maltratavam. Octavio pudera ver o quão bonito William estava. Há tempos não o via arrumado daquela forma, já que o loiro acabara esquecendo-se do quão belo era e deixou sua beleza de lado.

Mas não foi somente Octavio que pudera observar a beleza do outro. William viu seu ex-namorado belo como sempre foi. Arrumadinho, com os cabelos lisos e penteados para o lado, como ele adorava fazer. O corte da barba por fazer chamando atenção e dando maturidade ao seu rosto.

— Será que ela vem? — O loiro indagou, inquieto com o silêncio.

— Eu tô torcendo para que sim.

Seria Erica que quebraria toda aquela tensão. Ela quem procuraria assuntos, relembraria fatos, arrancaria sorriso e até, se possível, faria por minutos os dois garotos conversarem. Mas enquanto ela não estivesse ali, nada disso aconteceria.

Vinte minutos se passaram desde que ficaram sentados naquela mesa, compartilhando o mesmo vinho. Foram obrigados a observar as mesas alheias na tentativa de ver o tempo passar. Estava sendo infernal continuar ali.

Mais alguns minutos se passaram até uma mulher esbelta e elegante adentrara no lugar, acompanhada com dois homens. William imaginou serem seu pai e irmão, ou até mesmo marido. Porém, o inacreditável acabara de acontecer.

A mulher parou na mesa ao lado e dera uma tapa na face do homem sentado. O que foi uma surpresa para todos aqueles que observavam aquela cena.

— Então é essa a vagabunda? A desgraçada que definitivamente colocou fim em nosso casamento, Eduardo? — Gritou em público para que todos notassem o que estava acontecendo.

Foi então que a discussão se iniciou. O homem tentou se explicar, mas isso não foi o suficiente. Nem todo mundo que passa a imagem de rico e elegante aparenta ser civilizado. Pratos e taças voaram para o alto quando ela avançou para cima não só do agora então ex-marido, mas também em cima da amante.

Os seguranças interviram na grande movimentação pondo-os para fora dali rapidamente e aquilo não tivera fim. Na entrada do restaurante a briga continuava. Octavio reparou nos seios expostos da amante, já que seu vestido tinha sido rasgado.

Quando o problema parecia ter sido resolvido ambos novamente voltaram a ficar em silêncio, impacientes.

E então o loiro não conseguiu e sorriu, Octavio o acompanhou. Não sabiam ao certo o motivo daqueles sorrisos, mas provavelmente teria sido da confusão de minutos atrás, que não deixou de ser engraçado quando viu pratos sendo lançados ao ar. Hipócritas? Talvez. Já que passaram por situações parecidas.

— Você viu os peitos dela? — Octavio falou.

— Que mulher violenta. — O loiro dissera, ainda sorrindo. — Por um minuto achei que ela iria assassinar o marido com a taça.

Octavio gargalhou com isso, mas não alto o suficiente, tinha medo de incomodar os outros que comiam na mesa ao lado.

— Achei merecido. A amante deveria apanhar mais. — O moreno falou, sorridente.

— Deveríamos ter filmado isso. Renderia muitas curtidas nas redes sociais.

— Podemos pedir as imagens da câmera de segurança.

— Não tenho essa coragem. Mas com certeza adoraria rever ela ameaçando o marido com a taça. Aquilo foi engraçado demais.

William já estava ficando vermelho de tanto rir. A pele clara era vulnerável a qualquer pressão.

Ele segurou a taça de vinho e imitou perfeitamente o que a mulher fizera. E em seguida tomou um pouco da bebida.

Ambos haviam esquecido o motivo de estarem ali. Até mesmo esqueceram Erica que definitivamente não apareceu. Os risos continuaram, principalmente após o moreno tentar de todas as formas entreter William para que ele não voltasse a ficar com o mesmo semblante.

Octavio sentiu seu coração pulsar quando encontrou o sorriso e olhos de William. Era lindo. Vê-lo sorrir era tão raro. Não era um sorriso forçado. Era algo verdadeiro. As velhas raízes voltando a surgir.

Mas foi então que o loiro acordou e notou Octavio encarando-o.

— O que foi? — Ele indagou. Agora sem jeito.

— Viu como tudo fica melhor quando você esquece os problemas?

— Lá vem você de novo com esse assunto. Não quero falar sobre isso e odeio quando você insiste em por meus problemas em nossas conversas. E bem, acho que já está na hora de voltar. Erica não vem e sabemos disso.

O loiro teria levantando-se se Octavio não segurasse sua mão sobre a mesa. Um gesto bonito aos olhos dos observadores, porém ninguém os observava.

— Não vai embora. Eu não quero ficar sozinho. Fica mais um pouco. Podemos pedir algo para comermos. Erica não veio, tudo bem. Mas não estraga a noite por um motivo que já passou. Só hoje, William.

William ouvira todas as palavras atentamente. Buscou respostas para poder dar a Octavio, mas deu-se por vencido ao perceber que acabara chamando atenção dos outros. Não queria parecer como a moça barraqueira que minutos acabou criando uma confusão.

— Certo. — Octavio disse, sorrindo. — Vou pedir algo para comermos.

William novamente bebeu mais do vinho até que a comida que ambos escolheram juntos chegou. Fora uma noite de lembranças e de olhares, mesmo que só conversassem por poucos minutos e logo ficassem em silêncio. Aquilo tinha sido o suficiente para esquecerem aquilo que os mantinham distante.

O loiro até se atreveu a fazer algumas piadas arrancando sorrisos do moreno. Isso com certeza foi por causa da quantidade de vinho que tivera bebido. Aquilo o despertou. O animou. William soltou-se mais.

— Acho que bebi demais. — Ele falou, pondo a mão em sua cabeça. — Tô começando a falar muito.

— Não bebeu. — Octavio, mesmo sabendo que William estava um pouco animado devido à bebida, negou o que o outro disse.

— Ainda bem que voltarei de táxi. Espero que os garotos estejam bem na república.

— Eles são grandes, William. Com certeza estão bem. Peço outro vinho ou vamos parar por aqui?

— Ainda acho que consigo beber mais um pouco. A não ser que você queira parar. Ainda me lembro das vezes em que você evitava beber só pra me levar para casa. — Sorriu ao lembrar-se disso.

— Claro. Se eu não fizesse isso, você acabaria dormindo em qualquer calçada. Lembra também das vezes em que fui obrigado a ter dar banho e te por para dormir?

— Mas você fazia isso quando não dormíamos na quadra. — Também lembrou, retirando o sorriso. — Bons tempos.

— A quitinete que alugávamos ainda existe. Às vezes passo lá quando tenho que ir visitar alguns amigos. — O moreno dissera, acenando para um garçom e pedindo mais uma garrafa de vinho.

— Não ache que vai me levar para lá. Não vai acontecer nada, Octavio. Eu posso estar fora de mim por causa do vinho, mas ainda tenho meu orgulho.

— Eu apenas comentei. Mas tudo bem, se quiser mudar de assunto...

— Eu deveria bater em Erica por causa disso. Aquela vadia marca algo e depois não comparece. Tenho certeza que isso é algum plano dela. Ela costumava fazer isso no passado.

— Quase sempre conseguia. A loira era esperta. Lembra-se do dia em que você quase explodiu de raiva porque ela tentou fazer você e Sean serem amigos? Acho que foi uma das poucas vezes que ela falhou. Nossa, eu achei que você e Sean se matariam aquele dia.

Octavio pusera mais vinho em sua taça, bebendo logo em seguida. William depois que ouviu, não ousou em responder. Lembrar-se de Sean não era algo bom.

— Seja sincero comigo. —O loiro disse, erguendo a taça. — Isso tudo foi planejado por você, não foi? — Indagou, bebendo sem retirar os olhos do moreno.

— Você ainda não acreditaria em mim se eu repetisse que não. Poxa, William. Foi Erica quem marcou tudo isso. Eu não seria um babaca de planejar algo sabendo que você não iria aparecer simplesmente por guardar mágoas do passado. Não sou o velho garoto de antes, procurei crescer.

— Tudo bem, desculpe. Era só o que eu precisava saber. Mas preciso te dizer que foi uma noite legal. Gostei. — Dessa vez não conseguiu olhar nos olhos do moreno.

Octavio quase não acreditou no que ouviu. William admitir gostar do momento foi surpreendente. Sentiu seu coração palpitar fortemente. Seus olhos piscavam sem parar. Um sorriso se formou logo que viu o loiro completamente sem jeito após dizer aquilo.

— Verdade? — Perguntou, surpreso.

— Não vou repetir. — Ele disse. Levantando-se. — Tenho que ir, Octavio. Agora não adianta insistir.

O moreno logo viu sua felicidade ir por água abaixo. Não queria que aquele momento acabasse nunca.

— Também irei. Não terá graça ficar por aqui sozinho.

Octavio foi quem pediu a conta. Ele, se possível, teria pagado tudo sozinho. Mas o loiro jamais o deixaria fazer aquilo. Depois de alguns minutos de discussão, o moreno teve que aceitar o dinheiro do outro e foi decidido que ambos dividiriam.

Ambos esperavam em frente ao restaurante algum táxi passar. Eles teriam que voltar juntos. William não queria aquilo. Preferia evitar perguntas como: “Você e Octavio voltaram?”“ Em qual motel vocês estavam?” “Sabia que isso aconteceria.”

Essas perguntas com certeza seriam feitas.

Quando ambos entraram no carro, tiveram que dar adeus ao momento único que passaram. Isso provavelmente nunca mais aconteceria. E se acontecesse, seria em um futuro muito distante.

— Quadra Nove, senhor. — Octavio falou.

A Quadra Nove de fato era um lugar conhecido. Todos os taxistas eram obrigados a conhecer o lugar, sabendo que muitos universitários viviam ali e precisavam sempre de algum carro a disposição para leva-los a lugares distantes.

Em silêncio os garotos permaneceram. Ambos olhavam pela janela as luzes acesas da cidade. William admitiu não querer voltar para sua república. Octavio tinha razão. William deveria se desligar um pouco dos seus problemas.

Estava farto de presenciar as farpas entre Colin e Danion, que brigavam por qualquer besteira, mesmo que logo voltassem a se falar. Não queria voltar e encontrar Rick dando-lhe sermão a respeito dessa noite caso ele contasse o que aconteceu e que preferiu não se envolver. Não queria se preocupar com Gaspar que provavelmente mais uma vez não dormiria na república. Com Ian dizendo-lhe que falta algo. Com Leo reclamando. Aquilo acabaria com a sua paz.

Ele de fato admitia que gostava de toda essa movimentação em sua república, mas tinha dias que ele preferia não viver isso. Adorava a paz e o sossego. Qualquer que fosse o problema em sua república, ele teria que resolver. Ele teria que impor a voz. Tinha que ouvir reclamações. Acabar com brigas.

— Senhor, sabe onde ficam as quitinetes douradas? — William indagou, afastando-se da janela.

O homem barbudo afirmou com a cabeça.

— Leve-nos para lá. — Falou, voltando a atenção para a movimentação nas ruas por onde passava.

O homem ficou um pouco confuso com aquela atitude, mas Octavio fora obrigado a esconder o sorriso que queria se formar e afirmar, também com a cabeça, para o homem.

Quitinetes douradas tinha esse nome por causa do seu valor. Na verdade, era uma ironia. Elas eram de baixo custo, mas dourada era uma palavra relacionada à riqueza. E por uma brincadeira deram o nome de quitinete dourada. Muitos universitários já dormiram por ali, quando não conseguiam vaga em alguma república. Inclusive, William, antes de ir a Quadra, dormiu por três noites nas quitinetes. Infelizmente o aluguel era diário.

Depois de pagarem ao taxista, fora até o homem que era responsável pelo aluguel. Octavio, sendo bom de lábia, conseguiu um desconto já que o avisou que aquilo seria apenas por uma noite e que eles estavam perdidos.

Porém, mal sabiam que o homem conhecia bem aqueles rostos. Mesmo assim, aceitou a oferta do moreno.

Dando-lhe a chave, os garotos seguiram um curto caminho até entrarem na quitinete escolhida por eles. Não era a mesma que eles usavam antes, mas como todas eram iguais, não havia diferença.

— Acho que vou tomar um banho antes de dormir. — O loiro falou, sentando-se em uma cadeira branca e retirando seus sapatos.

Octavio estava na cozinha improvisada do lugar, bebendo um pouco de água. Até ele tinha noção que havia bebido vinho além do limite.

— Irei logo em seguida.

— Não quer ir primeiro?

— Pode ir. Eu vou ficar bem aqui esperando. — Sorriu.

O loiro não contestou e retirou sua camisa, dobrando-a e colocando sobre a mesa. Por muitas vezes já ficara despido na frente de Octavio, mas agora se sentia constrangido com isso. Então resolveu retirar o resto de suas vestes enquanto estivesse no banheiro minúsculo. Com apenas um vaso sanitário, uma pia e o chuveiro.

Octavio desejava que o espaço tivesse alguma televisão para que assim pudesse passar seu tempo. Tudo que fizera fora retirar sua camisa e coloca-la ao lado a William. Sentou-se na cadeira onde antes o loiro estava e ficou parado apenas escutando o barulho da água do chuveiro.

— Você se importaria se eu dormisse de cueca? — William gritou do banheiro.

Aquela deveria ser considerada uma pergunta idiota. De fato. Octavio já dormir com William enquanto o loiro estava despido, de cueca, apenas com camisa, com roupa, somente com bermuda, apenas com meias... Entre outras vestes.

O moreno apenas revirou os olhos, mas tivera que respondê-lo:

— O melhor para você.

— Droga! — O loiro mais uma vez gritou. — Que água gelada. Parece até que estou andando pelado na neve.

Octavio apenas sorriu fraco, pois o sono já estava dando o seu sinal.

O loiro acabara enxugando-se com a toalha de rosto. Ele pouco se importou com o tamanho daquilo, mas se não tinha outra, teria que abusar daquilo. Vestiu sua cueca e bagunçou seus cabelos em frente ao espelho. Pronto. Estava perfeito para dormir.

Quando saiu encontrou Octavio sentado, de cabeça baixa e de olhos fechados. O moreno demonstrou estar com sono. William até tentou não acordá-lo. Ficaria ali admirando a pessoa que sempre amou, mas que se nega a se entregar novamente.

— Ei... — O loiro falou, tocando-lhe o ombro.

— Já terminou? — Octavio indagou, ainda um pouco sonolento.

O loiro sorriu por conta da pergunta e apenas se afastou do moreno que deu conta da pergunta. Sem graça adentrou ao banheiro e tomou um banho rápido, diferente de William.

Quando saiu do banheiro não encontrou William vestindo apenas a cueca, usava também a camisa branca. Foi então que Octavio recordou o quão oposto eles eram no quesito temperatura. William costumava sentir muito frio durante a noite, já o moreno sentia calor. Nas vezes em que eles dormiam juntos, o loiro sempre pedia por um abraço já que adorava o calor do corpo do seu namorado. Infelizmente isso não mais acontece e ele tem que se contentar com os travesseiros e cobertores.

— Desistiu da ideia de usar apenas cueca? — Indagou sorridente passando a mão em seus fios negros e novamente enxugando-os.

— Eu tô com frio, idiota. Você sabe disso.

Octavio viu seu sorriso ser desfeito quando encontrou, no chão, travesseiros e cobertores. William acabara decidindo dormir ali e não na cama. Maldito era o seu orgulho que sacrificou uma noite de conforto para dormir naquele piso duro.

— Pra que isso? — Octavio indagou. Sua voz não saiu como ele desejava. William sentiu a insatisfação do moreno com aquilo. — É uma cama de casal, William. Eu não vou te agarrar durante a noite.

— É melhor assim. — Ele dissera, dando as costas para o moreno e deitando-se no chão. — Bebemos vinho demais. Tenho medo do que possa acontecer e eu não quero acordar culpando-me por algo que aconteceu.

— William...

— Agora não, Octavio. Sem sermões. Sem conversa. Eu só quero dormir, tudo bem?

E depois de falar, o loiro se cobriu. Evitou encontrar o olhar triste do moreno, que tivera que aceitar calado a sua decisão.

Octavio ficou parado por alguns minutos até resolver deitar-se na cama. O moreno havia perdido o sono por causa da decisão de William. Tudo que ele queria era o loiro ali ao seu lado, mesmo que esse evitasse algum contato.

Levou seus olhos ao corpo encolhido do garoto que dormia no chão. Era notável que William não suportava o frio, pois em alguns momentos ele se mexia e até esquentava sua mão esfregando-a uma na outra.

Se falasse algo com certeza tomaria alguma resposta grossa do loiro, mas também se não falasse acabaria ficando irritado consigo mesmo.

— Tem certeza de que vai dormir aí, William?

— Não enche, Octavio.

— Para com isso, vai. Eu sei que você não tá suportando o frio. A cama tá confortável e quentinha. Qualquer coisa é melhor que dormir no chão.

— Vai parar de insistir? — Indagou, grosso.

O moreno suspirou fundo e engoliu sua resposta. Era difícil domar um leão. Mas logo após alguns minutos o loiro se levantou e no espaço que tinha na cama, deitou-se de costas para Octavio, que ficou surpreso com aquela atitude. William acabou se rendendo e admitindo que dormir no chão era uma péssima ideia.

— Não ouse falar... — O loiro disse rapidamente, já que Octavio tinha algo na ponta da língua para falar.

Octavio não se atreveu desobedecer a ordem. Se já era difícil manter algum contato com o leonino, imagina indo contra as ordens dele. Porém, o moreno não resistia vê-lo tremendo de frio. William já estava tão adaptado a dormir com seus travesseiros — principalmente após a separação — que ficar longe deles era um trabalho difícil.

— Eu sei o que você quer, William. É só pedir. — Octavio falou, tentando conseguir abraçá-lo.

— Olha, Octavio, vamos falar sério? — O loiro se virou, encarando-o. — Não! Chega. Para. Vamos dormir! Não quero voltar a sentir tudo novamente. Sua vida é ao lado de outra pessoa.

— Mas eu não dis...

— Não precisa dizer, eu sei o que você quer. — Finalizou, voltando a dar as costas para o moreno.

William estava ciente de que só queria dormir. Não queria acordar magoado e muito menos arrependido. Era o melhor para ele e até melhor para Octavio. Pois independente de tudo, o loiro pensava nos dois.

— Posso ao menos... Você sabe... — Ele falava, pausadamente e sem jeito. — Te fazer cafuné?

William deixou escapar um suspiro forte. Octavio era insistente quando queria. Este estava disposto a fazer o loiro tê-lo mais uma vez, por mais difícil que isso fosse.

O loiro não disse nada. Nem mesmo ele sabia se sua resposta era sim ou não. Quando menos esperou, Octavio afogou sua mão nos fios loiros. O toque era tão delicado que fizera William fechar os olhos e apenas aceitar. Estava completamente rendido.

— Eu me lembro da primeira vez que fiz isso em você. Nossa, tu só dormia se eu fizesse isso.

O silêncio de William.

— Sabe, eu acabei pegando o costume de fazer cafuné nas pessoas graças a você.

— Me irrita saber que você também faz em Sean. — Seu silêncio foi quebrado.

— Por que em tudo você tem que por o nome dele?

William incomodado com a pergunta mais uma vez se virou para o moreno, olhando firme nos seus olhos.

— Por que será, Octavio? Por que será? Tenho que te citar os milhões de motivos ou só o fato de termos acabado por você ter ido para a cama com ele é o suficiente? Também posso acrescentar que você o escolheu e ainda é um Tigre.

— Caralho, você não cansa de esfregar isso na minha cara. Eu me arrependo, tá bom? Muito. Já te pedi perdão milhões de vezes. Até um soco seu eu aceitei sem revidar simplesmente para te mostrar o quão arrependido eu estava.

— Um soco foi pouco.

— Mesmo assim aquilo doeu. Foi sua raiva sendo descarregada em força física. Eu não me deitei com Sean por amor ou algo do tipo. Pelo contrário, você me disse palavras duras e acabara comigo. Só aconteceu e nada mais. Hoje em dia vejo Sean como um irmão e nada mais que isso.

— Eu te amei muito, Octavio. Até mais do que a mim. Ouvir de sua boca que você já se deitou com Sean foi como receber um tiro no peito. Infelizmente esse tiro me deixou vivo e eu posso relembrar todas as noites o que ouvi. Odeio ter que imaginar você na cama com ele. Odeio mais ainda o fato de mesmo depois de tudo você continuar ao lado dele.

— E do que valeria largar a amizade de Sean se você continuaria me tratando dessa forma? O que você quer, afinal? Que eu fique sozinho? Sofra sozinho? Sean ainda me faz companhia e me ajuda a te superar, coisa que não consigo. — Octavio retirou a mão dos fios dourados.

— N-não é isso.

— E o que é então, me diz? Temos tudo para voltarmos a ficar juntos, mas você se nega a aceitar o meu amor por você. Agora me responde uma pergunta, William: Se tu realmente não sente algo por mim, o que te faz aceitar vir para as quitinetes douradas comigo?

A pergunta pegou William de surpresa. Este umedeceu os lábios e em seguida ficou em silêncio. Procurou palavras para contestar. Octavio não retirara seus olhos do loiro, e isso acabava incomodando-o. O moreno venceu.

O silêncio permaneceu. William desviou por diversas vezes os olhos do moreno, ainda procurando resposta para dar. Não era fácil perder uma discussão.

O inesperado acontece quando Octavio leva as duas mãos à face de William e rouba-lhe um beijo.

William arregalou os olhos com aquela atitude, mas não conseguiu rejeitar tal gesto. Não envolvia língua, apenas os lábios encostados. Um gesto único capaz de desencadear sentimentos profundos guardados pelo loiro.

Delicadamente Octavio afastara sua face da do loiro e abriu os olhos, vendo-o completamente assustado com a atitude. Os lábios entreabertos mostrando partes dos dentes. Os olhos claros trêmulos e as mãos agora unidas.

— Por favor, me diz, olhando para mim, que você gostou disso. — Suplicou o moreno.

— Octavio... —O loiro sussurrou.

Foi tarde demais. William quem avançou dessa vez e tomou os lábios do moreno para si. Sedento ele estava. Precisava de mais. Precisava de toques, de beijos e de abraços. Precisava do amor do outro. Octavio transpirava sinceridade e o loiro sabia que este não estava mais mentido, embora demorasse a acreditar, já que houve infidelidade no relacionamento.

— É só você. — O moreno murmurou entre os beijos.

William largou o cobertor de lado e partiu para cima do moreno, abraçando-o de todas as formas possíveis, ainda conectados pelo beijo. Matava a saudades dos meses longe daquilo. Como se aquela fosse a última.

Porém, William não notou que estava sufocando o moreno. Este teve que separar os lábios para recuperar o ar perdido. Octavio sorriu exibindo os lábios vermelhos pela pressão do beijo. O loiro o olhava fixamente, esperando este tomar fôlego e novamente voltar a beijá-lo.

Juntos rolaram por toda a cama enquanto trocava carícias. William não satisfeito levou sua mão ao membro já rígido de Octavio. Essas eram as preliminares. Ele sabia o que aconteceria depois dali. Estava disposto a seguir em frente.

Sentiu tocar em seus dedos a lubrificação natural masculina e arrancou a cueca do outro. Por pouco não rasgara, pois Octavio evitou que isso acontecesse, já que aquela era a única que ele tinha no momento.

William sabia exatamente o que fazer. Ele começou beijando os pés do moreno e massageando-o. Passando os lábios por suas pernas até encontrar a coxa do parceiro. Foi ali onde as mordidas se iniciaram. O loiro adorava fazer aquilo, amava aquela região. Adorava deixar seus cinco dedos marcados a cada aperto. Octavio retribuía tal prazer afogando seus dedos nos fios dourados.

William então, não mais suportando, passou sua língua por entre as virilhas do moreno, este por sua vez se contorceu na cama. Era somente o loiro que conseguia fazer Octavio se arrepiar, e vice-versa. Nada, além disso. Um completava o outro. Um sabia o ponto fraco do outro. E também o ponto do prazer.

Poucos segundos se passaram até que seus lábios encostou a glande com facilidade e delicadeza. Começou calmo, apenas molhando tal região com sua saliva e massageando-a com a língua. Ouviu Octavio suspirar e também viu seus dedos dos pés se curvarem. Era sinal de prazer.

Queria poder olhar nos olhos do moreno enquanto fazia isso, mas ainda era cedo demais. Talvez, pudesse parar e voltar à realidade. Mas já estava entregue e iria até o fim. Iria se arrepender de não ter continuado.

Octavio não tinha o maior membro do mundo e nem o menor, mas o suficiente para fazer William sufocar às vezes por não conseguir encaixá-lo em sua boca.

Versáteis por natureza foi difícil por um momento decidir quem cederia primeiro. Quem seria tomado. Quem teria o outro dentro de si. Mas o espirito do leão viera primeiro e seria assim.

Ele então afastou as pernas do moreno e este já retirava de sua carteira o preservativo. Octavio quem se encarregou de por no parceiro.

Seria ridículo pensar que eles já estavam preparados para o ato e por isso o preservativo? Não adianta por culpa no vinho.

William estava tão nervoso que parecia a sua primeira vez. Mas nada mudaria, afinal, ambos os garotos perderam a virgindade juntos. Era nostálgico pensar naquele dia, principalmente por demorarem a por preservativo, por não saberem como as coisas funcionavam e por demorarem na penetração, o que por sinal, foi dolorido para os dois.

Quando este já estava preparado para entrar, Octavio pusera o travesseiro em sua face, mas William o jogou longe. Queria olhar nos olhos do moreno. Queria vê-lo sentir dor. Não seria sádico de sua parte? Não. Ele só queria relembrar das expressões. Adorava ver os lábios contorcidos de Octavio, o cenho franzido e a testa soada.

Não foi tão fácil se encaixar no moreno, demorou um pouco. Afinal, Octavio resistiu a tais prazeres e saberia que tal espaço era reservado para um único alguém. Quando William inteiramente estava dentro dele, aí reiniciaram as carícias, os beijos e os olhares, até que o loiro dera o primeiro movimento. Octavio relaxou e suspirou por três vezes na face do parceiro. A dor fazia parte, ele sabia.

Poderia demorar o tempo que for. Ele queria William ali. Sem mais, nem menos.

Não retirou os olhos de William em nenhum momento, exceto nas vezes em que o loiro o machucava sem querer e ele tivera que fechar os olhos e esperar a dor passar. Mas logo, a dor fez parte do momento e rapidamente desapareceu. O prazer tomou conta.

Movimentos e mais movimentos. Olhares, carícias e beijos. Corpos soados.

William sentia o mesmo prazer do outro, até isso eles partilhavam. Estava dentro do seu ex-namorado, ex-amante e ex-parceiro, mas nunca ex-amor.

Octavio levantou uma perna e a repousou no ombro suado do loiro. Precisava mudar de posição, pois aquela já estava incomodando-o, porém, quando viu William cheio de prazer, o melhor que fez foi isso.

No meio do ato, William notou que seu celular vibrava, mas ignorou. Ninguém iria atrapalhar o momento.

Levou suas mãos ao tórax nu do loiro e acariciou a região, logo depois depositou marcas de arranhões. William tinha a pele clara, facilmente ficara marcado.

— Eu quero você em mim. — O loiro abaixou as armas e mostrou rendimento.

Ele já não mais aguentava. Precisava do outro em si. Sentia saudades disso. Saudades dos comandos, dos movimentos e dos apertos. William era versátil e somente o moreno sabia disso. Ele ainda era um tanto preconceituoso quanto as posições de um casal, achava que por ser forte e grande, deveria ser sempre o ativo. Mas perto do moreno, a vulnerabilidade era grande demais, seu corpo implorava pra ser usado e tomado.

— Eu sei disso. —Octavio falou, vitorioso.

O loiro saiu do moreno, retirou seu preservativo e o colocou no chão, ao lado da cama. Mais tarde iria tirar aquilo dali.

William deitou de bruços na cama e afogou seu rosto no travesseiro. Estava envergonhado. Era sempre assim. Se olhasse para Octavio, mesmo antes do ato, seu rosto já estaria vermelho como um tomate.

Octavio retirou mais um preservativo de sua carteira e se preparou.

Logo quando sentiu o membro do moreno em si, William cravou os dentes no lençol da cama. Era uma dor. Mas para William era uma dor que lhe dava prazer. Não que o resto lhe desse, mas o início da penetração parecia deixa-lo desperto e pronto pra mais.

William tinha as nádegas brancas como a neve. Se o moreno fizesse movimentos bruscos contra aquela pele, não demoraria a ficar vermelha.

Octavio era mais delicado que William. Seus movimentos eram calmos, porém prazerosos. Ele também brincava com o pescoço do loiro, alterando entre a orelha e a bochecha. William era alto e forte. Octavio tinha uns dois centímetros a mais.

William foi impedido de arquear as costas, embora quisesse quando Octavio depositou toda força em único movimento profundo. O moreno segurou o loiro pelo pescoço e novamente fez o mesmo movimento. William não resistiu e urrou o mais alto que pode. Prazer.

Permaneceram na posição por cerca de dez minutos até alternarem. Dessa vez William estava sentado no corpo deitado do moreno, enquanto recebia investidas. Era prazer demais.

Tanto fora o prazer, que William ejaculara por duas vezes em cima do moreno.

Essa foi a terceira vez e a última, pois ele não aguentou e caiu como pedra sobre o corpo do outro, que nem sequer pensava em terminar agora. Mas Octavio não parou por aí, iniciou uma curta masturbação e chegara ao ápice.

— E agora? — O loiro indaga ainda tentando recuperar o fôlego.

— Só depende de você. — Octavio responde com segurança.

— Não é fácil.

— Certo. Tenho que concordar. Mas só o amanhã decidirá o que acontecerá.

— Foi bom? — O loiro indaga, caindo de lado e respirando forte. Ele havia mudando o assunto. Foi um erro trazer tudo de volta.

— Se foi? — Octavio sorri. — Você sabe que sim. E para você?

— Foi. — Uma única palavra.

Octavio o olhou profundamente, queria mais que um simples “foi.”

— Eu não vou falar mais que isso, Octavio. Você sabe usar as palavras melhor do que eu, então já sabe como defino. — Dissera, envergonhado.

O moreno sorriu.

William caçou seu celular que antes havia vibrado e notou que tinha uma mensagem não lida.

“Meus amigos, me perdoem. Mas eu tive que fazer isso. Espero que estejam juntos e entre lençóis. Amanhã eu quero encontrá-los na padaria onde costumávamos tomar café da manhã juntos. Mais uma vez, não fiquem chateadas comigo. E ah, espero que você esteja com Octavio enquanto lê essa mensagem, Will. Espero ter conseguido o que planejei. Beijinhos.”

— Que vadia! —Octavio fala, abismado. — Erica é uma vadia. — Repetiu.

— Ela vai ouvir poucas e boas. Mais uma vez aprontou para ficarmos juntos.

O loiro e o moreno riam. Por incrível que pareça, a guerra e mágoas foram esquecidas por segundos.

[...]

— Aonde vai? — Leo perguntou. Ele estava distraído sentado no sofá da sala enquanto mexia em seu celular.

— Caminhar por aí.

— Já viu que horas são?

— Já. Isso não tem problema para mim.

— Está tarde, Colin. — Leo dissera, mesmo sem encará-lo.

— Leo, quando eu saí de casa, significa que não vou ter que me preocupar com as horas. Não há meus pais por perto, portanto, estou livre para fazer o que quiser, certo?

— Nossa... — Dessa vez Leo se atreveu a olhar para ele. — Achei que só garotas entrassem na tpm.

Colin nem sequer deu ouvidos a piadinhas e saiu da república.

Estava nervoso. Não por Leo. Não tinha nada a ver com isso. Mas o fato de saber que encontraria Sean o deixava assim. Suas pernas tremiam, de fato.

Não havia tantos movimentos na Quadra Nove. Era meia noite, o que significa que aqueles que estudam pela manhã deveriam estar dormindo. Mesmo assim, algumas luzes de algumas repúblicas estavam acesas. Colin também tivera medo de ser seguido, afinal, Leo poderia ser esperto o suficiente e querer saber o que ele faria naquele horário.

O pequeno fizera exatamente o que o outro lhe mandou. Seguiu direto e dobrou a esquina, caminhou cerca de quatro metros até parar em frente a um beco escuro.

Sentiu medo de ter que entrar ali. Não havia sequer algum movimento e pelo que ele sabia, o lugar era ponto de encontros para aqueles que insistiam em usar drogas. Já que se fossem pegos usando em espaço público — embora a Quadra seja privada — seriam punidos.

Digamos que a Quadra é como um “mini estado”. Isso significa que tem seu governo e suas regras. Sebastian foi eleito o governo do lugar. Ele é querido, veterano e sabe pensar. E pelo fato de Leões e Tigres serem repúblicas grandes e conhecidas, seus líderes receberam reconhecimento e até alguma autoridade. Claro que tudo deve passar por Sebastian antes, porém, o moreno irritado às vezes age como o único líder, o loiro odeia isso e eles vivem implicando — embora esse seja o menor motivo. — Sendo assim, o enxergam como representantes de Sebastian ou aqueles que fazem parte do “mesmo partido político.” E acreditem: há outros que vão contra esses. As regras não são muitas, pois jovens costumam quebrá-las. Mas tudo aquilo que chama a atenção da polícia é considerado proibido. Isso inclui drogas e confusões.

Mas se nem os dois maiores líderes obedecem às regras, quem mais obedeceria?

Sebastian só estava ali para apaziguar. Ele não gostava de toda essa responsabilidade, mas se não fosse ele, a Quadra de fato, seria uma completa zona.

Colin esperou por alguns segundos até uma mão sair dali de dentro e puxá-lo. Ele primeiro pensou gritar e correr. Estava tão assustado que quase se urinara nas calças. Mas quando aquela mão pressionou a sua cintura e ele sentiu um corpo quente e grande encostar ao seu, reconheceu imediatamente quem era: Sean.

— Desgraçado! Você quer me matar do coração? — Ele murmurou.

— Shhh!

— Não me manda calar a boca. Você sabe que odeio isso.

— Meu Deus, você vai começar com suas frescuras agora? — O moreno murmurou.

— Não estou com frescuras. Só que o lugar é esquisito e você me puxa dessa forma. O que você espera de mim? Que eu vá me abraçar com sabe-se lá quem... Um estuprador? — Disse, sério. Mesmo que tal palavra soasse engraçada. — Ok, ignora. Tem certeza que aqui é seguro?

— Só há os drogados aqui, Colin. Aposto que Santiago está por aí.

— Santiago? — Indagou, curioso.

— Uma longa história.

— Ok. — Disse, sabendo que mais tarde iria perguntar sobre. — Ainda tem certeza que aqui é seguro?

— Sim. E aqui ainda não é exatamente o lugar. — Sean o puxou. Juntos atravessaram uma lona negra que caiu logo quando eles passaram, aquilo impedia completamente de que eles seriam vistos. A não ser que resolvessem olhar por baixo.

O espaço era mais apertado ainda.

— Isso não vai acabar bem.

Mal terminou de falar e teve seus lábios tomados por Sean. O moreno não resistia ouvir as perguntas do menor.

Estava sedento por aquele beijo e tinha que admitir: Colin era pequeno, mas seu beijo era grande. Deixava-o quente, excitado. Seu corpo ardia. Sentia cargas elétricas sendo descarregadas em suas costas de ponta a ponta.

Ele e Colin não costumavam ter beijos delicados. Ia além. Era algo com desejo. Consumo. Vontade. Alguém consideraria aquilo um quase estupro.

A mão de Sean percorreu as costas de Colin até encontrar sua nádega. Um erro.

O pequeno parou e deu-lhe uma leve tapa na face. Acreditem: Sean amou isso. Tanto é que soltou um sorriso de leve. Era o temperamento de Colin que o deixava desse jeito.

— Que mal tem em pegar na sua bunda? — Ele perguntou.

— Não acha que é cedo demais? Conheço e consigo ler seus olhos negros, Sean. Você não é aquele tipo de garoto que se satisfaz com um beijo. Depois da minha bunda o que você faria? Arrancaria minhas roupas aqui mesmo, tenho certeza.

— Uma quase certeza. — Ele sorri.

— Que seja. Só não sou tão fácil assim. Vá com calma, tudo bem?

Colin não entendeu porque Sean estava sorrindo. Ele achou que tinha sido claro e grosso o suficiente.

— Você é igual a mim, Colin. Olhe onde suas mãos estão. — O moreno disse, levando seus olhos para baixo.

Colin segurava a coxa de Sean. Ele rapidamente a largou sem graça.

— Depois daqui, você subiria mais um pouco e...

— Cala boca, Sean! — Colin não deixou que ele continuasse.

— Ué. Por que ficou irritado?

— Porque você me irrita, simples assim. Não me faça querer te socar aqui.

— Será que algum dia irá parar de reclamar tanto?

— Então eu quem reclamo? — Colin perguntou franzindo a sobrancelha e encolhendo os ombros.

— Há outro Colin aqui? — Disse seco e sincero.

— Ai, vai se ferrar. É melhor eu ir embora. Foi um erro ter que sair da república. O que é que eu tive na cabeça para pensar em sair de lá nesse horário? — Reclamou para si mesmo.

O pequeno deu de costas, mas quando ia levantar a lona ouviu passos e vozes. Parou. Não respirava. Colin parecia uma estátua. Quando finalmente os passos e as vozes iam ficando cada vez mais distante ele voltou para Sean.

— Seu idiota, eu perguntei se aqui era seguro! Olha agora, por pouco não fomos pegos no flagra.

— Caralho, para de reclamar, garoto. Se você realmente acha o lugar inseguro teria ido embora no momento que chegou.

— Teria ido se você não me puxasse.

— Então vá. Faça o seu melhor.

E Colin realmente foi.

Dois orgulhos. Dois briguentos. Tão parecidos.

Dizem que os opostos que se atraem. Mas o que eles têm de oposto? São exatamente iguais quando o quesito é implicância.

Talvez haja algo. Sim, há.

Sean saiu minuto depois também irritado pelo fato de Colin o abandonar ali. Mas era isso que o deixava cada vez mais louco pelo menor. O fato dele se mostrar forte diante ao moreno, deixava-o querendo mais do garoto.

O pequeno não olhou para trás. Sean cuidava de sua segurança. Afinal, a Quadra não era completamente segura.

Colin entrou na república de leões e aquela foi a última visão que Sean tivera. Depois disso o moreno retirou as chaves do bolso e entrou na sua república, encontrando os membros sorridentes na sala.

Logo o silêncio predominou quando encontraram Sean com um semblante nada simpático. A autoridade máxima estava no lugar e nada alegre.

— Octavio chegou? — Perguntou pondo o primeiro pé no degrau.

— Ainda não e acho difícil voltar hoje.

— Se caso ele chegue e vocês ainda estejam acordados, mande-o ir para meu quarto.

Ele disse e dessa vez subiu os degraus sem olhar para trás. Mas Connor chamou sua atenção:

— Não quer se juntar a nós? Estamos bebendo e conversando sobre garotas da universidade. Você sabe, coisas de garoto...

Por algum motivo o moreno levou aquilo como uma ofensa. Ninguém além de Octavio sabia de sua verdadeira sexualidade. Mas Connor não tinha culpa, ele dissera aquela expressão por simples costume.

— Olha para mim. Você acha mesmo que eu sou como vocês? Quando quero uma garota não fico idealizando. Vou lá e faço. Talvez seja essa minha diferença. O que vocês farão depois que ficarem bêbados? Irão para quarto e vão começar a se masturbar pensando nas garotas que estão citando? Dispenso o convite.

O moreno pisou forte no último degrau, deixando seus companheiros Tigres.

— O que deu nele? — Connor perguntou. — Que seja, ele sempre foi assim.

E então voltaram a sorrir novamente.

[...]

Notas finais
Amo vocês.