Renúncia

4 Segredo nunca é um bom sinal.


– Emma! Emma! Socorro, Emma!!!

Levantei-me de supetão e agarrei a machadinha, eu não fui a única a fazer tal coisa, varias mulheres que estavam lavando roupas trocaram olhares de desespero e foram à procura de algo para se defender, uma delas, que eu não sabia se era mãe ou tia de Edmond correu atrás do grito do garoto com uma tabua de cozinha. Meu corpo estava demasiado excitado só de pensar nas tripas do zumbi em minhas mãos, mas quando me aproximei de Edmond não foi um zumbi que eu pude ver, mas sim a caixa d’água caída sobre todo o nosso estoque de alimento que fora recolhido das casas da cidade. Edmond caído no chão ensopado com o arco entre as pernas, com toda certeza ele estava pendurado na coluna de madeira que sustentava a caixa d’água, como já havia sido dito para ele não fazer.

A mulher com a tabua de cozinha olhou para os alimentos boiando e fez cara de quem iria chorar, as pessoas iam chegando perto e dividiam a mesma expressão, semanas de trabalho encharcadas, remédios para os feridos agora se espalhavam com a água. Então Edmond me olhou e fez a tal cara de coitadinho, meu sangue queimou e largando o machado no chão e parti para cima dele, Edmond começou a se arrastar para longe de mim, mas minhas mãos gruparam no colarinho de sua camisa o levantando a minha altura, levantei o punho ao auto e dei lhe um soco no nariz.

– Garoto idiota! Por acaso você sabe quantas pessoas morreram para trazer essa comida que você ensopou? – e então dei lhe outro soco – você sabe? Sabe seu idiota? Seu pai morreu.

E antes que eu pudesse dar outro soco, Harry me afastou do garoto meio que se protegendo de apanhar também. Os olhos das pessoas estavam arregalados em mim, como resposta fiz uma carranca para elas, limpando o sangue de Edmond na roupa.

Harry fitou-me com um olhar de preocupação como se certificando de que eu não iria socar mais ninguém.

– Ema, pode fazer o favor de me seguir?- disse ele juntando o menino do chão.

– É tanto faz. – respondi.

Segui Harry ate o segundo único avião do acampamento, mas de relance pude ver a mulher da tabua de cozinha limpar o sangue do rosto de Edmond sem antes dar- lhe no cocuruto com a tabua.

Harry me estendeu a mão, que eu rejeitei, para me ajudar a subir os degraus, então abriu a porta da cabine para que eu entrasse. O interior parecia um lixão de coisas inúteis, vasos de flores, material de jardinagem, espátulas de restaurantes e outras coisas inúteis para nós. Harry soltou um palavrão ao tropeçar em uma coleção de sapos de borracha.

–Meu pai é meio... Acumulador.

E com um sorrisinho envergonhado abriu a segunda parte do avião, que parecia um pouco mais habitável.

– Sente- se. – pediu ele.

– olha Harry, eu aposto que você também teve vontade de socar a cara daquele garoto, e eu também não me importo com o que você acha, sei que não pode mandar-nos embora, afinal somos praticamente os únicos caçadores e vocês estão sem comida e...

– Emma, se acalme, eu não lhe chamei aqui para brigar com você nem nada do tipo, eu só quero saber o que você achou da nova informação.

– Que informação?

– Bem, você sabe, eu sei que não deve ter sido fácil para você saber disso... – Harry falou juntando suas mãos nas minhas como se me consolando.

– Do que você está falando? – eu disse seriamente, retirando suas mãos de mim.

– Harry? – Israel pareceu tateando e tropeçando nas coisas, de relance pude ver que ele arremessava alguns sapos pelo avião.

– olá. – Harry sorriu e se levantou como convidando Israel para entrar.

Harry mirou alguns sapos nas mãos de Israel e sorriu mostrando todos os seus dentes extremamente brancos. Israel não retribuiu o sorriso. Olhou para mim com uma expressão de total surpresa, fazendo uma carranca para minhas mãos manchadas de sangue, Israel e Harry ficaram se encarando, Israel parecia meio irritado, Harry só sorriu debochadamente.

– oh Israel, algum motivo especial para você estar aqui? – perguntou Harry olhando diretamente para mim como se Israel fosse apenas uma voz qual ele respondia.

– eu queria falar com você. – respondeu Israel sem olhar para mim, devia saber que meus olhos estavam loucos para o verem sendo torturado se não me respondesse o que fazia no avião de Harry.

Harry deu um grande sorriso e respondeu.

– sim, lamento informar, mas estou ocupado agora. Talvez...

– Emma não se importaria que eu assistisse a conversa de vocês. – interrompeu Israel sentando- se no espaço vago no banco ao meu lado.

– mas nosso assunto é par...

–na verdade eu estou ocupada agora, desculpe-me Harry, preciso de Israel por algumas horas.

E puxando Israel pelo braço saímos do avião sendo perseguidos por um Harry que tropeçava nos sapos.

– espere. Emma.

Israel me seguiu pelo porto, sem falar nada.

Então decidi falar.

– onde você estava?

– quem você socou?– questionou israel.

–como sabe que esse sangue não é meu? – rebati.

– você nunca é acertada, e quando é você mata o autor do soco, e eu não soube de ninguém morto por aqui. – debochou ele.

– talvez seja sangue de zumbi, oh não, não fui caçar porque você me deixou no avião. – eu disse parando em sua frente para poder ver sua expressão.

Como sempre Israel fez uma carranca.

– quem você socou Emma?

– Edmond.

–por quê? – Edmond arregalou os olhos.

–porque me deu vontade. E você porque me deixou aqui?

– porque me deu vontade.

Disse ele saindo andando e me deixando sozinha.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.