Notas iniciais
Yay, a falta do que fazer é tremendamente tensa. E se emocionar com músicas também!
Recomendo ouvir a música: wBY1aHB424k no youtube junto, pois foi com ela que me inspirou a escrever o primeiro capítulo.

[Indo para a cidade em um dia frio.

Com uma nova jaqueta você saiu e não voltou para mim

E eu não sei onde você foi

Eu não sei por onde começar, não tenho esperanças de te encontrar

“Você deveria saber que eu realmente te amo”

É isso que você disse. ]

Olhou para a janela mais uma vez, onde ele estaria? Ele saiu fazia dias e não havia voltado até agora. Afundou os dedos em suas madeixas azuis, voltando seu olhar pela milionésima vez para o relógio... 3 minutos e 2 segundos se passaram desde a última vez que o havia olhado. Aquela espera o estava enlouquecendo.

Por que aquela demora? Aquele “cubo de gelo” estava fazendo o grande Miro, grande pegador e conquistador ficar louco! Por um homem! Aquilo havia deixado de ser brincadeira a muito tempo.

Sim, o que apenas era uma amizade havia se tornado algo muito mais sério. Se amaldiçoava mentalmente por ter deixado aquilo acontecer.

Depois de muitas viagens a negócios juntos, muitas pegadinhas, brincadeira, muitas encrencas, muitas coisas que viveram juntos, aquele charmoso, alto e gostoso administrador havia ganhado o coração de seu assistente. Um mero homem baixo e magrelo que nada tinha de gostoso. Odiava aquele corpo, estava trabalhando para mudar aquilo, mas seria um trabalho longo e demorado.

Olhou para a foto dele no celular, havia tirado-a em um momento de distração do outro e desde então a guardava como um amuleto. Sorriu docemente ao se lembrar do dia que havia se declarado para seu amado e ele não acreditara.

Se encontrarem casualmente para curtirem a presença um do outro havia se tornado rotina. Eram solteiros, adultos e o trabalho não deixava tempo para namoro... Toda vez que tinham um tempo para fazer isso aproveitavam e com o tempo uma pequena chama de paixão havia nascido no coração do escorpiano. Tinha tanto medo de se declarar, o outro era tão frio e calculista. Nunca que ele iria aceitar seus sentimentos. Então em uma noite de neve se declarou por impulso e encarou aqueles olhos que nunca demonstravam nada mostrarem surpresa ao mesmo tempo em que ouvia um “você só pode estar brincando, né?” Fora uma época difícil. Por um momento Miro se arrependera do que tinha feito, mas para sua felicidade e engano o outro o correspondia e desde então estavam juntos.

“Eu te amo” era uma palavra rara vindo do amante, podia contar nos dedos quantas vezes já havia ouvido isso e isso não o agradava nada. Queria ouvir mais vezes, queria que o outro demonstrasse mais seus sentimentos, não se sentia amado. Quantas vezes haviam brigado para o outro o notar? Muitas, provavelmente.

[“Eu quero acreditar em você, mas é tão difícil.

Se eu não acreditar, eu me sentirei melhor?

Eu quero ter ver, você não quer me ver?

Estou esperando sua ligação por todo esse tempo.

Tenho medo de você perguntar “quem é?”

Eu apenas não consigo te ligar...]

Queria ver seu amor, será que ele havia o abandonado? Pegou o celular e encarou a foto dele mais uma vez, rezando para que o celular tocasse e que fosse ele que estivesse ligando. Esperou e esperou e esperou.

“Oh, por favor Kamus, ligue!” pensava consigo mesmo. Ele não ia ligar, não queria ligar e perceber que havia sido abandonado. Não queria. Tinha medo de ter sido esquecido.

Sentou-se no chão (leia-se, se deixou cair), encarando mais a tela, imaginando o que havia acontecido.

[A última coisa que eu sei, é que você estava na minha frente

“Desculpe, estou atrasado” você se desculpa.

Mas não irei te perdoar tão facilmente

“por que eu sei como essas coisas são, eu sei que você vai se atrasar novamente”]

Apesar de ser tão metódico, tão calculista, chegar no horário de seus encontros não era o forte dele. Alguma coisa no trabalho sempre o atrasava, e isso o irritava. O que poderia ser mais importante que as horas que passavam juntos? Depois de um tempo havia cansado de ouvir desculpas e passou a falar que não desculpava. Mas mesmo atrasado, sempre voltava para si. Todo dia, toda hora, sempre. Sempre podia contar com ele para voltar para seus braços, mas dessa vez ele estava demorando demais.

[Ei... Eu quero te ver, você não quer me ver?

Estou esperando todo esse tempo por sua ligação.

Se você não me ama mais, eu gostaria de saber o por que.

Por exemplo,

Por que eu não falo o que eu penso?

Ou por que sou incansável?

Ou por que eu falo palavrão às vezes?

Ou por que sinto ciúmes?

Por que eu ajo como criança?

Ou por que eu sou baixinho?

Ou por que eu não tenho um corpo sexy?

Ou a cor do meu cabelo que é estranho?

Oh, eu vejo,

É por que eu perco o controle facilmente?

Por favor... O que quer que seja... Eu irei mudar, eu prometo...]

Voltou a olhar triste pro celular, “por favor Kamus, o que eu fiz?” se perguntou. Milhões e milhões de coisas passam por sua cabeça. Será que ele não o amava mais? Será? Será que tinha ficado sozinho? Será que tinha sido trocado? Traído? Será que agora era “viúvo” ?. Oh, céus, que agonia, por que não liga? Por que sumiu? Por que não ligava? Não ia ligar, ia esperar ele ligar, mas essa espera o matava. Nem que fosse para dizer no que errou.

Sabia que era infantil ao ter seus ataques de ciúmes, ao acordar o outro com um gritante bom dia ou por pular em cima do namorado quando tava feliz, ou por brigar por bobagem ou ficar emburrado por bobagem. Céus era por isso? Isso o havia irritado a ponto de nunca mais querer voltar?

Ou era por ter o cabelo azul? Por ser magrinho? Baixinho? Feio? Com cicatrizes de brincadeiras da infância?

Aceitaria qualquer defeito e iria mudar aquilo, era só falar e ele sabia disso. Faria qualquer coisa pelo amado, por que o amava mais que qualquer coisa no mundo.

Lágrimas molhavam o rosto pálido dele. Tantos pensamentos, tanto desespero, tanto medo... Não estava agüentando, pedia aos céus, que nada tivesse acontecido. Era por isso que tinha sido abandonado? Por que era explosivo, chorava por tudo ou perdia o controle facilmente?

“Por favor... Kamus...”

[Eu quero te ver, você não quer me ver?

Estou esperando sua ligação até agora.

Tenho medo de você perguntar “quem é?”

Eu apenas não consigo te ligar...]

Ring ring ring!

Ring ring ring!

Ring ring ring!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.