Notas iniciais
Eu ia fazer o capítulo maior, mas a internet saiu ontem, e fiquei sem acesso às fichas '-' Ah, e são muitos personagens, sendo que muitos dos donos deles simplesmente abandonaram a história. Então estou pensando em não colocar aqueles que ainda não apresentei... E para isso preciso pensar em um monte de coisas.

O próximo capítulo será maior, prometo.

Ellian Gesperatto observava o excêntrico mago que se punha em sua frente. Parecia muito grande, já que por lastimável destino, Ellian fora parar no corpo de um fofo coelhinho branco. Vivera nessa forma por muito tempo, com donos diferentes, e algumas vezes precisando se virar sozinho. Por algum motivo, se apegara aos últimos donos, talvez pela determinação da garota em proteger o irmão, e sentia-se mal por tê-la trazido consigo, mesmo que não fosse inteiramente sua culpa. Virou levemente a pequena cabeça de coelho, vendo a humana desconfortável com a situação, enquanto os outros discutiam o que fazer com ela. Seria um pouco complicado mandá-la de volta. Se sentia melhor naquele lugar, sua magia já começava a voltar. Mas voltar a sua antiga forma iria requerer polegares opositores.

- Vamos levá-la de uma vez, quando chegarmos ao acampamento damos um jeito de mandá-la de volta. – O jovem ruivo disse, decidido, embora um pouco hesitante em se aproximar da humana. Humanos eram quase como ETs para os habitantes de Vardfall.

A garotinha bufou, impaciente.

- Vamos, humana. – E puxou Susan pelo braço. A mulher não resistiu, estava muito pasma com toda a situação.

Ellian viu o mago que o encarava levantar-se, e seguir os outros, e fez o mesmo. Apesar de as pernas de coelho serem curtas, conseguia uma boa velocidade com elas, embora tivesse que saltar um bocado. As pernas traseiras eram maiores que as dianteiras. Além da vontade quase incontrolável de roer as coisas. Com o tempo, acostumara-se com isso, e pensava se ainda sabia como era ter seu antigo corpo. Estava um pouco confuso com tudo aquilo, pois pensava que os magos estavam extintos ou algo parecido, e a cada vez mais pensava que chegara a hora de Vardfall voltar a ser como um dia fora.

Depois de algum tempo pela floresta, Ellian logo pôde ouvir com suas afiadas orelhas de coelho sons típicos de pessoas. Não uma ou duas, mas várias. Pulou na frente, notando logo um grande acampamento montado. Estava bem disfarçado em meio a floresta, mas haviam muitos magos ali. Várias crianças corriam, fogueiras começavam a ser acesas, algumas pessoas conversavam ou simplesmente cuidavam de seus afazeres. Mas o que era mais perceptível era a magia no ar, e o círculo em volta do acampamento que impedia-a de ser rastreada. Ellian nunca imaginara que veria com os próprios olhos o reerguer dos magos e da magia, que fora banida há tanto tempo. Tentava imaginar se aquele acampamento fora montado quando a “caça” começara.

- Legal, não é? – A voz infantil assustou Ellian, que distraíra-se com a visão de tantos magos. Era a garotinha loura. Ellian não respondeu, até porque, não podia pronunciar palavras. – Me chamo Zatanna. Você fazia parte da rebelião, certo? – A garota olhava o acampamento, embora não parecesse vê-lo. Estava imersa em pensamentos. – Meus pais também faziam, mas eu nunca os conheci.

- Zat! – O ruivo chamou. – Vamos, traga o mago. Gammalt pode querer vê-lo.

Ela não precisava, tecnicamente, levá-lo, já que Ellian pensava por si só mesmo naquele corpo inofensivo. De qualquer forma, acompanhou-o, vendo que Susan estava muito quieta e um pouco assustada com a quantidade de pessoas de aparência “bizarra”.

Ellian ainda tentava entender o nome bizarro que lhe fora dado. Quem diabos chama um coelho de “Alegre”? Mas, no momento, isso não era a coisa mais importante. Desviar de sapatos e crianças que o olhavam com olhos brilhantes era o que mais importava, já que um acampamento mágico não era o melhor lugar para um coelho branco fofinho. Provavelmente eles também comiam lebres.

- Aqui está – O ruivo pronunciou, apontando uma das tendas no meio de tantas outras. – Eu lhe daria algo para comer, ou um lugar para descansar antes, mas... – Parou no meio da frase, parecendo pensar melhor. – Sou Leo. E agora vou dar um jeito na humana, pois não quero traumatizá-la ou algo assim... Fique a vontade.

Leo sumiu, levando Susan consigo. Ellian ficou um pouco preocupado, já que ela cuidara dele por muito tempo – como um coelho, mas cuidara -, mas decidiu que não podia fazer nada enquanto estivesse naquela forma. Entrou na tenda, quase sufocando com o ar pesado de fumaça e incenso. Debruçado em um grosso livro, com um grande copo de cerveja ao lado e algo parecido com um cachimbo, estava um mago. Ele aparentava cerca de quarenta anos, embora devesse ser bem mais velho que isso. Seus cabelos eram grisalhos em algumas partes, caindo-lhe sobre a face por serem meio compridos. Mergulhado em sua leitura, nem percebeu Ellian, mas isso era compreensível pelo seu tamanho atual. E pelo fato de coelhos não produzirem muitos ruídos.

O que fez Ellian ser notado foi o mago que entrou na tenda, quase tropeçando nele. Se fosse um pouco maior, provavelmente nem o notaria. Sua aparência apontava no máximo oito anos, embora devesse ser mais velho que isso. Possuía espessos cabelos negros rebeldes que caiam em seu rosto, e olhos púrpuros. Quando viu Ellian, abaixou-se para pegá-lo, mas o coelho se esquivou, já acostumado com isso.

- Quando conseguiu um coelho, tio? – O menino perguntou, sem tirar os olhos de Ellian, ou “Alegre”.

O homem finalmente percebeu no coelho, e assim que botou os olhos viu logo o que era. Levantou-se da escrivaninha onde estivera, quase derrubando o copo por um descuido. O lugar também estava muito bagunçado, com livros por todas as partes, o que o fez quase tropeçar várias vezes, xingando baixo.

- Leo disse que alguém viria me ver, só não pensei que fosse um mago transformado em coelho. – Comentou. Com um gesto de mão, despachou o garoto – Volte depois Kier, tenho algumas coisas para resolver agora.

- Mas... – O garoto protestou.

O velho virou-se para ele, um pouco cambaleante provavelmente pelo álcool ingerido, mas algo pouco perceptível.

- Vai logo, depois te ensino o combinado, tudo bem? E não vou repetir. – Interrompeu, em um tom mais cansado que realmente duro. O garoto obedeceu, resmungando, e saiu fechando a tenda atrás de si.

O homem se abaixou, fitando Ellian com curiosidade.

- Quem diria... Eu perguntaria seu nome, mas não estou em minha melhor forma para falar mentalmente. Se você fez parte da resistência, pode ter muito a dizer... Mas sou apenas um velho inútil, não acho que conseguiria trazê-lo de volta... Estive procurando o modo de fazer isso há algum tempo, para quando a hora chegasse, mas acho que estou um pouco atrasado. – Ele riu roucamente, sentando-se pesadamente no chão, pensativo. – A princesa precisa de livros novos para nos dar...

_____

Caroline pairava sobre o céu noturno. Era algo que gostava, e considerava-se com sorte por ter sido presa no corpo de uma ave. Mas o que a incomodava era o mago que a ajudara, que se autodenominava Magnus. Alguma coisa a dizia que já ouvira esse nome, embora não se lembrasse ao certo. Era madrugada, e Eveline já estava sã e salva em seu quarto. Não graças a ela, e se sentia mal por isso. Tentara atrair a atenção daqueles soldados, que deviam ter sido mandados para pegá-las, mas falhara totalmente em seu plano. Estava um pouco enferrujada, já que não enfrentava perigos assim há um tempo. Mas no momento preocupava-se com outra coisa. O mago que a ajudara pouco tempo antes estava por perto, embora conseguisse mascarar bem sua presença.

Como estava próximo de amanhecer, Caroline voltou para a casa de Eveline, entrando pela janela entreaberta de seu quarto. Apegara-se muito àquela humana desde que esta a havia salvo. Tentava protegê-la o máximo que podia, mesmo que na maioria das vezes ocorresse o contrário.

Algum tempo depois, Caroline acordou – já que tinha cochilado – com batidas na porta. O que não aconteceu com Eveline, que continuou dormindo pesadamente. Realmente, fora uma noite longa. Por sorte, ou talvez nem tanto, Magnus curara a menina também, que tinha cotovelos e joelhos completamente esfolados. Uma mulher abriu a porta, a mãe de Line. Depois de algum trabalho, conseguiu acordá-la, dizendo-lhe que estava atrasada para a faculdade. A garota ia pedir mais cinco minutos, mas lembrou que era segunda feira.

Avisou que já desceria. Caroline viu a garota esfregar os olhos e passar um tempo olhando para o nada, como se tentasse discernir o que era real e o que não era. Mas não demorou muito para levantar-se, e com bastante rapidez, em pouco tempo já descera para o café da manhã.

Na TV estava passando a mesma coisa em todos os canais, ou na maioria deles. Realmente, não tinham algo melhor para mostrar nos jornais. O homicídio de dois homens no bosque realmente intrigava Eveline, pois ela estivera ali, e vira os dois homens muito estranhos. Mas decidiu não dizer nada a ninguém, pois tudo ainda parecia conectado ao homem estranho que usara vários truques, como curá-la em um passe de mágica. Não pareceu um truque, mas era algo difícil de acreditar. E ela sabia que se ela, com quem ele usara o “truque”, e que viu ferimentos muito reais sumirem, não acreditava muito, imagina outras pessoas. Por isso, resolveu guardar toda a história consigo.

Caroline observava de longe, e notou que todos estranhavam o quanto Eveline estava quieta. Normalmente, ela era uma garota que não parava quieta, e sempre tornava o curto espaço de tempo do café da manhã mais alegre. Por isso, era estranho vê-la quieta e pensativa. Mas, como estava atrasada, Eveline saiu antes que pudessem perguntar algo.

Caroline saiu pela janela do quarto dela, e seguia-a de longe, para não ser vista. Estava, ainda, preocupada, já que não sentia boa energia vinda daquele mago estranho. Além disso, um mago na Terra em sua forma original era algo inusitado. Mesmo como ave, continuava um pouco desastrada, e acabou distraindo-se em desviar de coisas que apareciam em sua frente – por estar voando baixo – como postes ou fios elétricos, entre outras coisas que tomavam o espaço aéreo. Era algo estranho, uma coruja suindara voando em plena luz do dia, e algumas pessoas paravam para olhar. Caroline também não gostava muito de se expor ao sol, mas no momento não havia outro jeito.

Depois de reencontrar Eveline, pois os olhos de uma coruja são realmente afiados, mesmos não sendo feitos para o dia, percebeu que ela não estava indo diretamente para a faculdade. E se lembrou do que ocorrera na noite anterior...

Magnus.

Ele dissera a ela que, se quisesse saber mais, ele estaria esperando no mesmo lugar.

O bosque.

Caroline cortou caminho pelo ar, e em muito pouco tempo já sobrevoava o bosque. Estava fechado, com policiais protegendo a cena de crime e repórteres que tentavam conseguir informações ou furos. Em meio a tanta gente, era difícil perceber alguém em particular. Mas foi relativamente fácil vê-lo, já que seus cabelos dourados adquiriam um tom de quase ouro líquido sob o sol. Ela desceu, passando bem perto da cabeça dele e pousando um pouco afastado, onde não havia muitas pessoas. Era uma rua quase deserta, sendo que o asfalto estava esburacado, e estava na parte de trás do bosque. Magnus a viu, e caminhou despreocupadamente em sua direção. Por algum motivo, quando próxima a Magnus, sentia como se parte da sua magia retornasse. Talvez a pedra do colar fosse um ampliador de magia.

Estava um pouco enferrujada no uso de magia, mas era como andar de bicicleta, nunca se esquece depois de aprendido.

“O que você quer?” Perguntou, na mente dele. Um pouco hostil, talvez, pois aquele mago não lhe parecia confiável. Tentou vasculhar sua mente, mas ela estava muito bem protegida, e a magia “no ar” era pouca.

Magnus sorriu, sentando-se em um banco de pedras em frente – ou atrás – do bosque. Apoiou um dos braços no encosto do banco, e olhou-a, pensativo.

- Há muitas coisas que quero... – Disse em voz alta, de modo enigmático, sorrindo de canto – Mas o mais importante é que buscamos algo em comum.

Caroline contemplou-o sem se manifestar.

Ele apoiou o rosto em uma das mãos, parecendo entediado. Seus olhos azul gelo pararam nela, na coruja.

- Temos o mesmo propósito, ou não quer voltar a Vardfall, e ajudar a recuperar o que é nosso? Preciso de apoio para voltar, e assim ajudamos um ao outro. – Seus olhos se desviaram para algumas pessoas que passavam, e ele mudou subitamente o assunto – Você tem uma bela humana, ela parece gostar de você. Precisei matar o meu... Ele pensou que podia me tratar como aos outros cães. Mas será que ela acharia o mesmo se soubesse o que você realmente é? – Magnus respirou fundo, encostando-se no banco confortavelmente – Podemos ajudar um ao outro, certo?

“Ou...?” Pronunciou Caroline, mas ele pareceu ignorar. Levantou-se do banco, o olhar preso em uma direção. Quando ela girou o pescoço para olhar, assustou-se. Era Eveline, e ela se aproximava, já havia visto Magnus. Ele lançou um olhar sugestivo a Caroline antes de caminhar na direção da garota com um amplo sorriso.

Caroline alçou voo em sua direção, bem a tempo de vê-lo cumprimentá-la de forma cavalheiresca com um beijo na mão, o que não era muito comum nesse “mundo”.

- Decidiu saber mais? – Perguntou Magnus a Eveline, que sorria.

Ela ia responder, mas seus olhos voltaram-se para a coruja que se aproximava. Franziu o rosto, confusa.

- Nirvana? – Chamou – O que está fazendo aqui?

- Deve tê-la seguido – Sugeriu Magnus, oferecendo um dos braços – Vamos? Temos muito sobre o que conversar. – Ao ver o olhar posto sobre a coruja, completou – Ela vai nos seguir.

Eveline olhou mais uma vez para Nirvana, e aceitou o braço de Magnus. Estava realmente curiosa para saber mais. Caroline não estava satisfeita, preferia deixar Eveline fora disso, mas por enquanto apenas podia segui-los de longe.

Notas finais
Digam o que acharam, mesmo eu achando que não ficou muito bom. O próximo será melhor, okay? Mesmo que demore um pouco mais a sair por causa das aulas... E eu estou deprimida por amanhã ser segunda feira.

E eu ia postar o capítulo depois, mas acho que é agora ou nunca, já que aproveitei enquanto minha mãe está distraída. Ela anda mal humorada esses dias. Então me perdoem se eu demorar a responder os reviews ou qualquer coisa assim >.

Ah e eu parei a parte do Magnus ali porque sou má- ops, não. É porque vou mostrar o resto na visão da Eveline.

É tanta coisa para tão pouco tempo! Mas eu dou conta u.u Vou tentar fazer um cronograma de personagens ou algo assim, daí todos aparecem igualmente.

Até o próximo =3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.