Renegados

1 Visões Desbotadas


Notas iniciais
O começo do fim.

Essa é a minha primeira história! Espero que dê certo!

Acordo com a luz forte do sol das 9:00 da manhã vindo da janela no meu rosto. E me pergunto por que eu não fechei a cortina ontem antes de dormir? Encaro a cortina aberta, que se estivesse fechada me proporcionaria mais algumas horas de sono... Assim, meus planos de dormir até as 15:00 horas falharam novamente.

Levanto vagarosamente de minha cama, olho pela janela, e vejo os raios de luz do sol passando perfeitamente pelas folhas que já estavam mudando de cor nas árvores, vejo borboletas voando e ouço passarinhos cantando, nessa linda manhã de Agosto.

Volto, sento na minha cama e olho meu celular, vejo que há mensagens no WhatsApp.

Nada de importante.

Bloqueio meu celular e deito na cama, olho para meu teto, perfeitamente branco com uma lâmpada no meio, e tenho aquele sentimento terrível, de que algo está errado.

Eu sempre tive esse sentimento, mas só quando algo de ruim iria acontecer, e ultimamente tenho tido muito esse sentimento, e tenho muito medo do que possa acontecer dessa vez.

Continuo deitada, quando de repente, minha mãe entra no meu quarto para me acordar, mal sabia ela que o sol já tinha feito isso.

Ela vem andando calmamente em direção a minha cama e senta ao meu lado.

— Oi meu amor, bom dia – Diz minha mãe e logo após da um beijo na minha testa.

— Bom dia mãe – Digo eu com voz de sono.

— Vim te acordar, mas parece que você já está de pé, ou deitada... –Ela da um sorrido para mim.

— O café já está na mesa, eu e seu pai vamos esperar você descer para comermos. – Diz ela animada.

— Não mãe, tudo bem, já podem ir comendo. Vou ficar aqui mais um pouco, depois eu tomo café. – Digo á ela voltando a olhar para o teto.

—Tudo bem meu amor? – Diz minha mãe com uma voz preocupada.

— Espero que sim mãe.

Olho para ela e ela está olhando para mim, com um sorriso alegre, ela levanta da cama e caminha até a porta, e a vejo sair do meu quarto. E quando ela sai, encosta a porta do quarto.

Volto a olhar para o teto e tenho aquela sensação de novo, só que desta fez sinto algo diferente, parece que tudo ao meu redor está diferente, levanto e caminho novamente até minha janela, vejo ás borboletas voando bem de vagar, quase parando, suas asas se movendo tão lentamente que posso ver todas as cores que ás compõe, olho para ás árvores balançando suas folhas verdes amareladas com o vento, mas vejo a mesma coisa, tudo parece em câmera lenta...

Isso não, de novo não.

Fecho meus olhos e balanço a cabeça e respiro fundo, espero alguns segundos para abrir os olhos e quando abro, está tudo normal, como deveria estar. Não acredito que isso está acontecendo comigo de novo. Não quero voltar á ir ao psicólogo para explicar como parece que o “mundo para” e parecer uma louca. De novo não.

Depois da visão estranha que eu tive da janela, resolvo ir tomar café. Tenho que ver algo normal de novo...

Entro no banheiro escovo os dentes, tomo um banho rápido de água gelada, para poder tentar esquecer o que tinha acontecido a alguns minutos antes, volto para a cama, pego meu celular e vou em direção ás escadas.

Chego na cozinha e vejo minha mãe e meu pai conversando e tomando café juntos. Vejo que há um prato para mim com panquecas de morango e um suco de laranja, meus favoritos.

—Bom dia filha! — Diz meu pai animado com um sorriso no rosto.

— Bom dia pai. – Caminho até ele e dou um abraço nele.

— Sente com a gente filha. Vamos tome seu café da manhã. – Diz minha mãe apressada.

Sento-me com eles e começamos a conversar

— Como estão indo os projetos, pai? – Digo puxando assunto.

— Estão indo muito bem, e quase prontos... Trabalhei muito nesses projetos, quero que tudo saia perfeito. – Diz meu pai confiante.

— Tenho certeza que vai ficar tudo perfeito, querido! – Minha mãe olha para ele e sorri.

Conversamos por mais alguns minutos e logo termino meu café e volto para o meu quarto.

Sento a cadeira do computador, checo meu celular de novo e abro o WhatsApp, mensagem do Guto.

De Guto ás 9:52

— Oiiie, bom dia ♥

De Belle ás 9:55

— Oi ...

— Preciso falar com vc, tem algo acontecendo comigo...

De Guto ás 9:56

— Ok, ás 17:00 estou ai

De Belle ás 9:56

— Obg amigo, até

De Guto ás 9:57

— Até.

Coloco meu celular ao lado do meu monitor e levanto para olhar pela janela de novo, tudo normal. Normal até demais... Volto para o computador e pesquiso sobre problemas psiquiátricos. Não acho nada que tivesse um sintoma de ver o “tempo parado”. Olho para o relógio 10:36.

Com o tédio tomando conta de mim, resolvo continuar a ler “Folhas de Relva” de Walt Whitman, pego meu celular perto do monitor, o livro em minha estante ligeiramente bagunçada, meu fone e vou para cama ler. Coloco os fones e começo a ler, os poemas de Whitman são incríveis, sempre com algo mais do que parece. Fico lendo até perder noção do tempo.

Acordo assustada com aquela sensação ruim de novo, tiro meus fones e paro a música, olho no relógio 11:55.

Droga, caí no sono enquanto lia, e ninguém me acordou... Acho que eu estava cansada mesmo.

Desci ás escadas correndo e vejo minha mãe terminado o almoço na cozinha, pergunto sobre o pai, e ela diz que ele foi ao mercado comprar umas coisas. Vou para a sala, sento no sofá e ligo a TV em um canal qualquer.

Exatamente ás 12:25, meu pai entra em casa e minha mãe me chama para almoçar, eles cronometraram isso ou o que?

Levanto e vou andando em direção á cozinha.

— Não estou com fome mãe, mais tarde eu como algo.

— Tem certeza filha?

— Tenho sim mãe.

— Tudo bem então, vou guardar sua comida no microondas.

Volto para a sala e deito no sofá, e olho para a TV não estou prestando atenção mesmo...

Fico pensando no que aconteceu mais cedo, não sei se é uma boa ideia contar isso para meus pais, achei que isso era coisa da minha imaginação de criança de 10 anos, mas parece que isso me perseguiu até aqui, todos esses anos. E eu não quero voltar a ver aqueles psicólogos interesseiros que não estão nem ai para ninguém, apenas para o dinheiro que eles ganham por cada hora que você está lá.

Eu sei que meus pais me amam muito, eu também amo muito eles. Mas eu não quero que eles se preocupem tanto comigo de novo, eles ficaram arrasados com o estado que eu estava. E não quero vê-los assim nunca mais.

-#-

Ás 17:05 a campainha toca, vou até a porta para ver quem é, abro a porta e é Guto, que dá um pulo encima de mim e me abraça com força.

—Oi Bell, estava com saudade! — Diz Guto alegremente.

— A gente se viu ontem... Mas eu também estava com saudade amigo. Vem entra. – Digo dando um sorriso meio torto.

Guto entra e cumprimenta meus pais que estão na sala vendo TV, arrasto ele em direção ao meu quarto, subimos as escadas e entramos no quarto. Fecho a porta e Guto senta na cadeira do meu computador, e eu na cama.

— Então Bell, o que houve? – Diz Guto com um ar meio preocupado.

— Está acontecendo de novo. – Digo olhando para a janela.

— E você está bem? Você já contou para seus pais que isso voltou? – Disse Guto me olhando fixamente.

— Não, ainda não disse nada á eles, e acho que vai continuar assim...

— Não posso fazer isso com eles, de novo... Eles ficaram arrasados na ultima vez que isso aconteceu, não quero eles passando por isso tudo novamente. Ter uma filha maluca, nenhuma família merece isso...

— Bell, não diga isso! – Guto grita olhando para mim, com olhos sérios.

— Você não é maluca! Você é minha amiga, e é perfeita! E não há nada nem ninguém que possa dizer o contrário.

Guto levantou da cadeira, veio até a cama e me deu um abraço forte.

— Você é perfeita. – Guto diz bem baixinho no meu ouvido.

— E nós vamos descobrir o que está acontecendo com você, todos nós. Afinal pra isso que servem os amigos não é mesmo?

— É, tem razão Guto...

— Obrigado mesmo, por tudo.

— Estou aqui pra isso! – Diz Guto animado.

— Desculpa não poder ficar muito, é que eu tenho umas coisas pra fazer com o Luke... Tudo bem se eu ir?

—Tudo sim, sei que vocês tem passado por uns momentos meio ruins. – Digo á Guto dando um sorriso.

— Então está tudo bem! Nos vemos amanhã na escola.

— Certo.

Guto me da outro abraço forte e um beijo na bochecha, levanta da cama e quando está quase saindo do meu quarto, olha pra mim sorrido e se despede de mim fechando a porta.

Volto a olhar para a janela, agora já está escurecendo... Não vejo mais as borboletas ou escuto os pássaros, vejo apenas ás árvores sumirem na fina névoa no horizonte.

Fico pensando no que Guto me disse, ele está certo, não há nada de errado comigo.

-#-

Ás 21:00 horas, escuto meu pai me gritando da escada para ir lanchar. Levanto da cama e caminho até a porta, quando saio do meu quarto, vejo meu pai no fim da escada olhando para mim com um sorriso.

— Vamos lanchar filha, comprei pizza. — Diz ele olhando para mim.

Dou um sorriso e aceno com a cabeça para ele, quando coloco meu pé no primeiro degrau da escada, tenho aquela sensação de novo, olho para meu pai e não vejo o rosto dele, apenas um borrão branco com olhos vermelhos como sangue, olho para os lados desesperadamente e não vejo nada. Apenas o vazio, e sinto o mal e o medo.

Quando acordo, ouço minha mãe chamando meu nome, tento entender o que está acontecendo, mas não consigo ver direito, está tudo embaçado. Quando consigo entender o que aconteceu, minha mãe e meu pai me abraçam forte.

— O que aconteceu meu amor? – Diz minha mãe me olhando fixamente.

— Não sei muito bem, fiquei meio tonta e não vi mais nada que aconteceu depois...

— Você despencou da escada meu anjo! – Diz meu pai aterrorizado.

— Estou bem, eu acho... Acho que só bati a cabeça. Vou ficar bem.

— Tem certeza? – Diz meu pai.

— Não! Vamos para o hospital agora! – Diz minha mãe com um ar desesperado.

— Não mãe, eu estou bem mesmo... Sério.

— Tudo bem meu anjo, eu te ajudo a levantar. – Diz meu pai, me pegando no colo.

— Pai! Já estou muito grande para isso!

— Não está não! Você sempre será minha princesinha. – Diz ele sorrindo.

Meu pai me leva até a sala e me coloca no sofá, alguns minutos depois minha mãe me traz uma fatia de pizza de queijo com um suco de laranja. Eles sentam cada um em uma ponta do sofá, me deixando no meio. Minha mãe liga a TV em um filme qualquer. E lanchamos e conversamos até tarde.

-#-

Já estava ficando tarde, e eu tenho aula no dia seguinte, junto com isso, o sono até ás 15:00 que eu não tive, estavam chegando agora. Precisava ir dormir logo.

Dou boa noite ao meus pais, que insistem em me ajudar a subir a escada para o meu quarto.

— Sério, está tudo bem, eu consigo subir sozinha – Digo para eles com um tom irônico.

— Certo – Dizem os dois juntos olhando para mim.

Os dois se olham e começam a rir do que aconteceu. Um dia quero encontrar um amor verdadeiro assim, para rir das coisas mais idiotas da vida.

Despeço-me deles e subo as escadas com mais cuidado do que nunca, chego no meu quarto, abro a porta e sinto um vento frio. Minha janela está aberta... Mas como? Não abrir ela o dia todo... Deve ter sido o vento.

Caminho em direção á janela e não vejo nada lá fora, a não ser escuridão, que estranho, os postes devem estar ruins, fecho a janela e vou para meu banheiro, me arrumo para dormir. Pego meu celular e coloco para despertar ás 6:30 da manhã, olho meu WhatsApp, 5 mensagens de Guto.

De Guto ás 23:47

— BELL !!!!!!!!!

— Hoje com o Luke foi perfeito ! OMG ♥

— Preciso te contar tudo o que aconteceu !!!!!!

De Guto ás 23:48

— FOI INCRÍVEL ! ♥ ♥

De Belle ás 23:52

— kkkkkk, Ok

— Estou ansiosa para saber como foi...

— Estou indo dormir, até amanhã ♥

De Guto ás 23:55

— Até, boa noite

— ♥

Bloqueio meu celular, coloco ele embaixo do meu travesseiro, viro para o lado da janela e logo caio no sono.

Acordo no meio da noite com um barulho e aquela sensação ruim de novo, olho para a janela e ela está aberta de novo, levanto no escuro somente com a luz da lua para iluminar o quarto, ando até a janela para fecha-la, enquanto chego na janela vejo algo parado lá embaixo perto das árvores, olhando nos meus olhos, algo com olhos vermelhos como sangue, iguais aos que eu havia visto mais cedo no meu pai, parei de andar imediatamente, e fiquei olhando fixamente a coisa com um rosto de em formato de crânio que parecia ter um corpo de fumaça negra. E tudo que eu conseguia sentir era medo, o mal e o vazio.

Sem conseguir me mover, falar ou expressar nenhuma outra reação paralisada pelo medo, fecho meus olhos e vejo uma luz, quando eu os abro novamente a coisa não está mais lá. Me aproximo da janela e não vejo nada. Fecho a janela e volto para cama. Tento dormir, mas depois do dia que eu tive hoje, acho difícil isso acontecer.

Só espero que tudo volte ao normal amanhã.

Notas finais
Então, foi isso! ;)
Até a próxima!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.