Renascer - Romione
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Hermione estava tendo muitos pesadelos ultimamente. Já tinha completado 8 meses de gestação, e dali há poucos dias completaria nove. Faltava pouco tempo para que Rupert nascesse.
Rupert. Este seria o nome do bebê. Ela e Rony tinham várias ideias para o nome do bebê, então colocaram vários nomes num saquinho e sortearam. E aquele que saiu primeiro foi Rupert. A sugestão era de Hermione.
Com o nascimento próximo do bebê, ela acreditava que a ansiedade estava fazendo com que ela dormisse mal. Mas naquela noite as coisas estavam diferentes. Ela suava, estava inquieta, os pesadelos a cercando até que finalmente ela sentiu um líquido quente correndo por suas pernas seguido de uma dor que lhe tirou o fôlego. No mesmo instante ela se levantou da cama, Rony ainda não havia acordado. Encaminhou-se até o interruptor para acender a luz com certa dificuldade. Assim que acendeu a luz o desespero tomou conta de si, sua roupa estava manchada de sangue. Muito sangue.
Ela ficara sem fala por um momento, mas outra onda de dor surgira e dessa vez ela não segurou o grito que acabou por acordar o marido.
— Hermione! O que foi? O que houve... — mas ele emudecera ao observar a esposa segurando a barriga com a roupa completamente suja de sangue.
— Ron... estou... eu acho que... muita dor... eu não quero perdê-lo... me ajuda... eu não posso deixá-lo morrer... — ela estava tão nervosa que não conseguia nem chorar, muito menos unir as palavras.
No mesmo instante Rony se levantou e a ajudou a colocar uma roupa limpa. Trocou-se o mais rápido que pôde e carregou a esposa nos braços até o carro. Tentou se manter o mais tranquilo possível para conseguir dirigir até o hospital e lá carregou Hermione para dentro às pressas.
Logo ela foi atendida. A equipe de obstetrícia levou-a e não permitiu que Rony fosse junto, o que o deixou ainda mais nervoso. Lembrou-se de ligar para alguém e contar o que está acontecendo, a primeira pessoa que pensou não poderia ser outra: Harry. E logo o amigo chegara junto de Gina ao hospital. Não demorou muito para que os pais dele e de Hermione fossem avisados e chegassem também.
Passadas duas horas Rony, Gina e até o pai de Hermione já tinham comprado uma boa briga na recepção do hospital querendo receber notícias da filha. Mas foi só quando se completaram três horas que o obstetra de Hermione viera das notícias sobre ela a família.
— Como ela está? E o meu filho? Como eles estão? Eu quero vê-los! — Rony dissera atordoado.
— Senhor Weasley, tudo o que posso te pedir agora é que tenha calma. Sua esposa vai precisar de você.
— O que aconteceu com minha filha e meu neto? — a mãe de Hermione perguntara já se desesperando.
— Hermione está bem. Precisamos fazer uma cesariana de urgência nela, mas ela perdeu muito sangue durante o parto e precisou de transfusão sanguínea. Peço que aqueles que puderem, se prontifiquem a fazer doações de sangue no hemocentro do hospital.
— E o meu filho?
— Senhor Weasley, infelizmente sua esposa sofreu um aborto. Quando retiramos a criança da barriga infelizmente ela já se encontrava sem vida. Então concentramos nossos esforços para salvar a vida da sua esposa que também teve complicações durante o parto. Fizemos o possível. Eu sinto muito.
Rony sentiu seu mundo se despedaçar diante dele. Apesar de todo o barulho, o choro de seus familiares, ele só conseguia ouvir o som do silêncio. Tudo havia se desligado ao seu redor, nada mais parecia como antes. Horas atrás ele estava pronto pra ser pai, e agora, ele só tinha um filho morto. Sem que percebesse, lágrimas começaram a escorrer por seus olhos.
— E a minha esposa? Ela já sabe? Eu posso vê-la?
— Não. Ela está desacordada ainda. Mas você pode ficar ao lado dela, suponho que queira dar a notícia a ela quando ela acordar. Mas antes disso, precisa preencher uns papéis pelo falecimento da criança.
Rony o acompanhou. Seu pai, junto de Harry, foram com ele e resolveram todas as dependências com o hospital. Depois ele foi liberado para ir até o quarto de Hermione.
Quando entrou no quarto, se sentou na poltrona disposta ao lado de sua cama e segurou uma de suas mãos. Lentamente ela despertou e tinha consigo um olhar pesaroso, triste e desesperado. Não foi necessário que Rony dissesse uma palavra sequer. Ela sabia. Uma mãe sempre saberia tudo sobre o filho.
Os dois desataram a chorar. Rony com cuidado se deitou ao lado da esposa e permitiu que ela chorasse em seu peito, e ela chorou copiosamente pelo que pareceram horas.
Na manhã seguinte Hermione pudera receber poucas visitas, então só os pais dela seguidamente dos sogros a viram. Eles estavam tão despedaçados com ela, mas depois da madrugada difícil ela não ousou derrubar mais nenhuma lágrima sequer.
Passados uns dias ela foi liberada do hospital. Assim que chegou em casa, encontrou Harry e Gina a esperando. A cunhada tratou de preparar uma sopa pra ela, que tinha se recusado a comer nos dias que ficou no hospital. Hermione não abria a boca para mais nada. Não comia, falava pouco. Dificilmente suportava a presença de alguém, mas conversava com Rony sempre que ele queria. Ele parecia tão ou mais abalado do que ela.
As dores da cirurgia pareciam doer muito mais do que deveriam, e ela tinha em mente que as dores eram consequência do seu mau comportamento no hospital. Então tomou a sopa que Gina fizera, sem vontade, mas tomou. E agradeceu aos céus pela presença dos amigos ali naquele dia. Tanto ela quanto Rony precisavam de apoio e os dois pareciam compreender exatamente aquilo que precisavam, na medida certa.
O tempo passou e ela e Rony pareciam cada vez mais distantes um do outro, e principalmente, de si mesmos. Nem eles se reconheciam mais. Hermione era uma tagarela, não parava de falar um minuto sequer. Queria poder segurar o mundo com as próprias mãos, e agora parecia que tinha o arremessado para longe de si. Já Rony sempre fora um homem alegre, animado, sempre disposto a se divertir e rir até de si mesmo, mas ultimamente ele não levantava nem o olhar mais. Encarava o chão como se estivesse pronto para cavar um buraco e se esconder. Se esconder do mundo.
Todos estavam preocupados com a saúde dos dois. Com o passar do tempo a rotina dos dois voltou ao normal, mas eles já não eram mais os mesmos. Perderam peso, amizades e a alegria de viver.
A luz que emanavam se apagara, fazendo com que os dois fossem engolidos pela escuridão.
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