Renascer

12 Toda ação tem uma reação


Notas iniciais
Olá, meus sherlockians maravilhosos! Como estão? Bem... esse capítulo tinha uma configuração totalmente diferente quando foi escrito pela primeira vez, mas precisei reescrever algumas coisas depois que bateu aquela inspiração marota. Vou explicar melhor nas notas finais para não spoilar vocês ♥3 Espero que gostem e preparam os corações!

Por um momento, os olhos de Norton se arregalaram devido a surpresa e ele se permitiu gargalhar.

— Quem diria que o grande Sherlock Holmes não passa de uma bicha enrustida?

— Cala a boca – ele ouviu John dizer.

— Eu estou quase desistindo de o matar apenas para ver como a sociedade britânica irá reagir quando descobrir que a dupla imbatível Sherlock Holmes e John Watson não passa de um casalzinho complicado.... certamente seria um escândalo! Ainda mais o Doutor Watson sendo pai de uma criança tão pequena... – Norton gargalhou mais uma vez como se a situação fosse muito engraçada.

— Eu mandei você calar a boca! – John esbravejou tão alto quanto um trovão.

— Hum, alguém está irritadinho – Godfrey amenizou o tom de voz – mas fique tranquilo, Doutor Watson, eu não posso perder a oportunidade de meter uma bala no meio da testa de Holmes, eu já lhe disse, é uma questão de sobrevivência.

Sherlock estava sem reação, não acreditava que havia dito aquelas palavras em voz alta e nem sequer percebia o diálogo que acontecia entre Norton e Watson. Pensava que se iria morrer, pelo menos aquilo iria sair de seus ombros, ao menos morreria leve. Por mais que tentasse calcular uma escapatória para aquela situação não via nenhuma saída, não com Norton com uma pistola apontada para sua cabeça e com a arma de John em posse, não conseguia calcular nenhuma escapatória em que a vida de John não fosse colocada em risco.

Ainda havia outro fator a considerar, Rosie estava no quarto de cima, aquele maníaco podia usá-la para chantageá-los a qualquer momento, então, quanto antes aquilo acabasse, melhor. Sherlock era um sobrevivente, já havia enganado a morte tantas vezes, mas agora, aceitava-a de braços abertos.

O detetive, no entanto, não previu que John Watson ainda não tinha dado o braço a torcer. Sherlock era o homem que se preocupava em resolver o caso, John era o homem que se preocupava em salvar as vidas. Como se estivesse entrado em um estado de fúria o médico voou na direção de Norton, que se assustou com a atitude de John e se virou em sua direção, desviando a arma da mira de Sherlock.

Tudo virou uma bagunça. Ao ver Godfrey de costas para si, Sherlock voou em sua direção e sua pistola foi ao chão, John e Sherlock trocaram um breve olhar e ambos partiram para cima de Godfrey. Uma confusão de chutes e socos continuou por mais um tempo.

John acertou a boca do estômago de Norton que perdeu o fôlego instantaneamente, enquanto Sherlock o chutava e tentava imobilizar seus braços, porém, o homem era muito mais forte e mais hábil que qualquer um dos dois e conseguiu afastá-los. Correu em direção à pistola, mas assim que fez menção de pegá-la, John – que agiu num reflexo instintivo – pisou em sua mão.

Assim que se sentiu ser pisoteado, sentiu também o punho de Sherlock fechado contra a pele de seu rosto, desviou sua atenção ao detetive e reuniu todas as suas forças para derrubá-lo no chão consigo, conhecia os ferimentos que havia desferido em Sherlock Holmes quando o torturou e não pensou duas vezes em acertar uma cabeçada em suas costelas. A reação de Sherlock foi cair no chão devido a dor.

John voou em sua direção mais uma vez ao ver o amigo caído e, com punho fechado, tentou acertar um dos rins do vilão, mas ele previu o movimento e segurou seu braço antes e o torceu, arrancando um grito abafado vindo de John. Os segundos que o médico levou para se recuperar foram o suficiente para Godfrey Norton.

Eram dois contra um e, ainda assim, Norton os subjugou.

Recuperou a pistola e apontou para Sherlock mais uma vez, John sentiu o amargo em sua boca. Então era isso, agora entendia. Sherlock sempre havia demonstrado indiretamente que o amava. Via sua vida desde que mudou para a Rua Baker passar diante de seus olhos como um filme.

“Você é um médico, certo? Um médico do exército ainda por cima... É um dos bons?”

“Sim, sou”

“Aposto que já viu muitas lesões, mortes, violência..”

“Sim, vi. O suficiente para uma vida toda.”

“Quer ver mais?”

“Oh, Deus! Quero”

Sherlock sempre cuidou de John, ele o protegeu quando precisou, cuidou de sua família e até mesmo o discurso que fez em seu casamento foi como uma declaração de amor. No fundo de seu coração, John sabia que ele também amava Sherlock, desde muito antes do próprio detetive perceber. Pensou nas palavras de Mary no último vídeo que havia lhes deixado “eu sei o que vocês podem se tornar”, finalmente ele havia entendido o que a esposa queria lhe dizer.

“John Watson. Meu amigo, John Watson."
“Receio que não posso felicitá-lo. Emoções, em especial o amor, se opõem à razão pura e fria em que acredito acima de tudo”.

“O que estou tentando dizer é que eu sou a pessoa mais desagradável, grosseira, ignorante e detestável que alguém poderia ter o azar de conhecer... Se eu não entendi o convite do John é porque eu nunca esperei ser o padrinho de alguém. Nem o melhor amigo do ser humano mais corajoso, gentil e sensato que já tive a sorte de conhecer. John, eu sou um homem ridículo, salvo apenas pela sua amizade afetuosa”.

Olhou para Sherlock que estava sem fôlego no chão, provavelmente Norton havia acertado suas costelas que ainda não estavam completamente curadas, o que devia ter ocasionado uma dor intensa e o deixado incapacitado de reagir. Ver Sherlock entregue daquele jeito causava um desespero imenso em Watson.

Ao vê-lo ali, tão impotente, John Watson teve uma certeza, era a sua vez de salvar Sherlock Holmes. Sentiu uma injeção de adrenalina em seu corpo, ele só teria uma chance, uma chance e salvaria a vida do seu melhor amigo, uma chance e ele salvaria a própria vida. Não deixaria que aquele bastardo se rendesse.

"Heróis não existem, John. E se existissem, eu não seria um deles”.

John era um homem movido à adrenalina, ele funcionava somente quando estava sob pressão, ele nunca havia abandonado a guerra e não estava disposto a perdê-la naquele momento. Levantou-se rapidamente e Norton se atentou ao movimento, John temia que ele atirasse em Sherlock, mas Godfrey apontou a arma diretamente para Watson.

Sherlock continuava paralisado, eles eram dois opostos afinal. Sherlock Holmes era intelecto e estratégia enquanto John Watson era intuição e improviso, agora era a hora de vencer mais uma batalha ou de perder a guerra, não havia mais meio termo. John, no entanto, não pensava em nada disso, na verdade, ele não pensava em nada, apenas agia. Como um bom soldado deveria fazer.

Eu não tenho amigos, John. Eu só tenho um”

— Não tenho intenções de matá-lo, Watson, você não me apresenta nenhuma ameaça – Godfrey disse – mas farei se for necessário.

Sherlock não conseguia se mover direito tamanha a sua dor, mas seus olhos estavam completamente cheios de medo. Ele não podia trazer mais aquela desgraça à vida do médico, tentou se arrastar pelo chão, sua mente fazia mil cálculos, e não importava quantas variantes considerasse: não daria tempo.

Pensou em Rosamund no quarto lá em cima e em como ela não merecia perder o pai assim tão nova, já não bastava ter perdido a mãe... a garotinha ficaria sem ninguém na vida e seu parente mais próximo era Harry, a irmã alcoólatra de John. Impulsionado por esse pensamento, Sherlock continuou a se arrastar inutilmente.

O que Sherlock Holmes não considerou foi o fato de que John Watson era de fato um combatente, ele podia ser um médico, mas a experiência passada no Afeganistão havia o endurecido, ele era um homem treinado. Sherlock apreciava, sim, a sensação que resolver um caso lhe causava, mas John era pura adrenalina.

Uma fúria irrompeu nos olhos cinzentos de Watson que franziu as sobrancelhas com raiva, ele e Godfrey se encaravam como se fossem dois felinos prestes a iniciar uma briga, porém quem tinha a vantagem era Norton. E, ainda assim, havia uma ferocidade no olhar de John capaz de intimidar qualquer pessoa.

Perder Sherlock uma vez já havia sido o suficiente.

“Você foi o melhor homem que já conheci, e nenhum ser humano nunca será capaz de me convencer de você não mentiu... Eu estava sozinho, e eu te devo tanto... Por favor, Sherlock, eu lhe peço apenas mais uma coisa, apenas mais um milagre, por favor... não esteja morto”

Sherlock continuou se arrastando em vão, se atraísse a atenção de Norton para si e ele o acertasse, tudo estaria acabado e John estaria a salvo, era apenas nisso que conseguia pensar. Queria gritar e dizer para John se afastar e ficar fora daquilo, mas a dor de suas costelas recém partidas novamente quase que o cegava e, por algum motivo que não sabia explicar, não conseguia verbalizar nada. Tentava gritar, mas havia algo em sua garganta que o impedia.

Medo.

“A única pessoa por quem eu me arrisquei de verdade nessa vida foi por você, John”

Norton percebeu que Sherlock estava se aproximando por meio de sua visão periférica e se virou para sua direção, pronto para acertá-lo quantas vezes fossem necessárias. E esse foi seu erro. Antes que disparasse John o alcançou, segurou em seu braço e o torceu, um disparo que acertou a parede foi ouvido. E o médico baixinho conseguiu se apoderar da pistola.

“Você é meu ponto de pressão, John Watson.”

Ele não pensou duas vezes no que tinha de fazer, nem mesmo deu tempo de Norton alcançar a outra arma que estava presa no cós de sua calça.

— Você não pode chegar aqui e ameaçar minha família – John disse.

E, sem hesitação alguma, atirou no meio da testa de Godfrey Norton.

Eu o amo, John”

Notas finais
Então, gente! Esse capítulo era completamente diferente no início, mas depois de ler o último capítulo da fic "Desejo e Sangue" da minha amiga AidaEvolution eu acabei tendo uma conversa com ela e me inspirei (leia roubei descaradamente) na ideia de usar flashbacks, principalmente em uma situação tão tensa. Ela já tinha lido a fic toda e concordou que se encaixaria na proposta, além de ter me permitido usar sua ideia! rs Mas então, quero saber o que vocês acharam disso tudo! Eu adoro quando a situação se inverte e o John protege o Sherly e estou louca para saber se vocês curtiram. Bom, gente, por hoje eu fico por aqui e nos vemos em breve ♥ Beijoos