Notas iniciais
Olá, meus queridos sherlockians. Como estão todos? Beeem, agora a fic vai começar a acelerar o ritmo. Esse é o último capítulo do Sherlock no hospital, então logo estaremos de volta ao 221 B, Baker Street. Não vou me alongar muito aqui, se não vou acabar dando spoilers. haha Vejo vocês nas notas finais.

John gargalhou aceitando as palavras do amigo, era ótimo que Sherlock estivesse bem e saber que em breve ele estaria em casa para que tocassem suas vidas normalmente era reconfortante. Sentia que seria excitante resolver todo o quebra-cabeça que envolvia seu sequestro e sabia que a mente do detetive já estava a mil.

— Isso soou tão gay – John brincou – é por isso que as pessoas insistem que nós somos um casal... ainda bem que não tem ninguém por perto ou o falatório recomeçaria. Você devia parar de falar essas coisas desse jeito, por isso entendem tudo errado...

Sherlock deu um sorriso amarelo que John não entendeu, mas logo em seguida retomou a compostura e voltar a falar com seu jeito pomposo.

— É importante que saibamos nosso ponto de pressão – ele disse, desviando o assunto de si mesmo – lembra-se como Magnussen era capaz de manipular as pessoas? Com certeza o seu é a Rosie.

John afagou a filha e a aproximou de Sherlock, ela estendeu as mãozinhas em direção ao padrinho.

— Ela sente sua falta – John disse com os olhos brilhando por conta da interação, principalmente, porque Sherlock brincava com ela como se não fosse aquele sociopata funcional que afirmava ser tão orgulhosamente – tenho certeza que ela é seu ponto de pressão também.

— Obviamente, mas só porque ela é uma criança extraordinária – Sherlock concordou – estou entediado, John, quero sair daqui logo.

— Você vai sair em breve – John suspirou – só não se force.

— Desde quando eu faço isso? – Sherlock brincou.

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John havia ido embora com Rosie e Sherlock permaneceu na cama do hospital sozinho, tentando desesperadamente se lembrar do que havia acontecido. Sabia que era efeito do Rohypnol e que provavelmente não conseguiria se lembrar de tudo plenamente, afinal, esse era um dos motivos de tal substância ser conhecida como droga do estupro.

Tentou analisar os fatos que tinha, rabiscando-os rapidamente em um caderninho que havia solicitado ao amigo. Normalmente ele apenas acessaria seu palácio mental, mas precisava fazer algo físico ou então surtaria. Suspirou irritado e, com uma letra garranchosa, tomou nota de tudo.

* Exatamente às dez horas da manhã, recebi uma mensagem do número de Lestrade solicitando que fosse até a catedral. Segundo Mycroft, o número do inspetor havia sido hackeado, mas quem quer que tenha me sequestrado sabia o meu número pessoal e não o número que usava para atender aos clientes. -> conclusão 1: uma pessoa conhecida estava por trás de tudo aquilo.

* Os sequestradores sabiam que boa parte de minhas previsões funcionam ao analisar o corpo e os trejeitos das pessoas, suas manias e etc. Portanto, cobriram-se da cabeça aos pés de modo a esconder toda e qualquer característica que pudesse levar a deduções. -> a droga também ajudou a me confundir -> conclusão 2: uma pessoa conhecida estava por trás de tudo aquilo, alguém próximo o suficiente para conhecer meu modo de agir, ou talvez alguém que tenha perdido bastante tempo no meu site e não no blog estúpido do John.

* Queriam a localização de algum lugar específico e cuidaram para que eu não me lembrasse de quase nada – por conta do Rohypnol – com certeza era alguém que entendia o funcionamento de meu palácio mental e resolveu colapsá-lo. Se quisessem realmente apagar o que fizeram, exitiam outras possibilidades. A última pessoa que fizera algo do tipo tão efetivamente fora ninguém menos do que Jim Moriarty, mas ele está morto. -> Conclusão 3: poderia ser alguém relacionado a Moriarty? (não, seu ato final já fora completado) foi alguém tão esperto quanto Moriarty e, aparentemente inofensivo, alguém invisível.

* A pessoa por trás de tudo se esforçou ao máximo para que sua identidade fosse preservada, o que só podia significar que estava evitando se expor tanto quanto fosse possível. -> conclusão 4: é uma pessoa conhecida da mídia, famosa, ou até mesmo algum tipo de fugitivo.

* Sabiam da relação entre mim e John e a usaram para me chantagear (não é segredo que moramos juntos, a mídia vive nos perseguindo e fazendo insinuações ridículas e sem fundamento sobre um relacionamento amoroso entre nós) -> Conclusão 5: poderia ser alguém relacionado a Magnussen.

* Não havia prestado atenção nesse fato, mas ao chegar à Catedral não me lembro de ter visto nenhum funcionário. Sabia que para as câmeras do local terem sido hackeadas, a pessoa responsável por tudo devia ter tido ajuda interna (não via isso desde Moriarty). Conclusão 6: poderia ser algum fã tentando reconstituir os passos de Moriarty.

Sherlock se irritou e jogou o caderno contra a parede, nada daquilo fazia sentido! Sabia que para alguém que foi drogado com uma substância tão perigosa até que se lembrava de bastante coisa, mas isso se devia somente ao fato de que sua mente era muito mais aguçada do que a mente de qualquer outro humano normal, além de seu corpo ter uma certa resistência a narcóticos. Chamou uma das enfermeiras e pediu uma nova dose de morfina, alegando que suas costelas ainda doíam.

Doutor Lewis negou terminantemente que qualquer droga fosse usada em Sherlock além do necessário, principalmente porque sabia que se tratava de um ex-drogadicto, mas com todo o seu charme e sua lábia, o detetive consultor conseguiu convencer a enfermeira e, livre de dor, sentiu as portas de seu palácio mental se abrirem.

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Algo nas palavras de Sherlock causaram um desconforto em John, qual seria seu ponto de pressão? Rosie, com certeza, Mary, no passado, ele sabia, e até arriscava que mesmo depois de morta sua menção teria um grande impacto em sua vida. Ele faria qualquer coisa para que a memória da esposa continuasse intacta. Faria qualquer coisa para que, no futuro, a filha soubesse a grande mãe que tivera.

Pensou em como o amigo dizia com naturalidade que ele era o seu ponto de pressão como se não fosse nada demais, mas claro que era! Saber que mesmo depois de todos os acontecidos ainda tinha toda aquela importância para o detetive fazia com que John se sentisse uma das piores pessoas do universo por ter tratado Sherlock do modo que tratou no passado. Sentia-se extremamente arrependido por tê-lo culpado pela morte de Mary sendo que a esposa havia se sacrificado para salvá-lo.

Em momento algum de seu luto John pensou em tudo o que Holmes havia feito por ele, não somente no fato de ter salvado sua pele um punhado de vezes, mas tantas outras coisas. Mesmo sabendo que com o casamento eles não teriam mais chances de morarem juntos e dificultaria a presença do melhor amigo na resolução dos casos, Sherlock o planejou cuidadosamente e até mesmo intimidou alguns de seus convidados para que o dia fosse perfeito. Watson sorriu com o canto da boca ao se lembrar deste fato.

Sherlock havia aceitado Mary de coração aberto apenas porque desejava ver John feliz. Ele nunca havia verbalizado aquele fato, mas o médico sabia. Principalmente porque a esposa havia lhe dito aquilo algumas vezes, ele apenas não havia dado atenção, mas é claro que Mary Morstan estava sempre certa. Porém, como John poderia dar algum crédito? Afinal, sempre acreditou na sociopatia de Sherlock, mas agora – depois de tudo o que passaram – duvidava que essa definição o descrevesse cem por cento.

Imerso em tais pensamentos, John se direcionou até a cozinha a fim de preparar a comida de Rosie. Não sabia exatamente como lidar com tudo o que estava acontecendo: a recente e dolorosa perda de Mary, o devastador sequestro de Sherlock, Rosie já estava prestes a completar um ano e John não havia se envolvido com mais ninguém desde então.

Ele sentia falta de estar com alguém, é claro, nunca ficou solteiro por muito tempo, emendando um relacionamento vazio em outro até encontrar Mary. Suas antigas namoradas costumavam dizer que ele era um ótimo namorado para Sherlock uma vez que costumava as abandonar para resolver casos com o amigo. Afastou todos esses pensamentos de sua cabeça, mas o tom de voz de Holmes dizendo que ele era seu ponto de pressão ainda ecoava em sua mente. Sentiu a pele queimar ao se lembrar do olhar penetrante do detetive e de como aquelas palavras saíam naturalmente de sua boca, aquela boca de lábios tão perfeitamente desenhados que costumava cuspir ironias para cima de si o tempo todo...

Sentiu-se envergonhado pelo despertar daquele pensamento, ele não podia devanear sobre o amigo daquela forma como já havia feito no passado. Pelo menos não se quisesse que a amizade dos dois continuasse saudável. Concentrou-se na tarefa de alimentar a filha e afastou aquela fantasia absurda. Sabia que se insistisse naquilo, Sherlock iria deduzir prontamente e John morreria de constrangimento se o detetive descobrisse os pensamentos proibidos e obscuros que um dia nutrira em relação a ele.

Notas finais
OBS: Nas notas do Sherlock, considerem as frases sublinhadas como se estivessem riscadas. Gostaria imensamente de agradecer a todos que estão acompanhando a fic, vocês são uns lindos! Eu disse que poderia ter revelações nesse capítulo, mas acho que me equivoquei (hohohoho), mas prometo que em breve vocês irão entender o que está rolando. Aliás, estou morrendo de curiosidade sobre qual será a reação de vocês quando entenderem o plot todo. O que me faz sentir vontade de postar tudo de uma vez, mas não tem jeito... ainda estou revisando os capítulos e planejando um epílogo, mas assim que revisar o próximo, já irei postar. rsrsrs Aliás, viram que a quarta temporada de Sherlock finalmente entrou na Netflix? Não sei se vou conseguir resistir, já estou querendo ver de novo (mesmo que a quarta temporada não seja a minha preferida, até porque a segunda é imbatível, né?) Booooom, gente, não vou mais enrolarm muito aqui, espero que tenham gostado e nos vemos no próximo capítulo.