Renascença

9 Capítulo IX


O número de pessoas daquele salão diminuía gradativamente enquanto um casal apaixonado insistia em ficar ali, dançando seus corpos e enlaçando suas línguas em um mesmo ritmo. Os comentários que os demais moradores da mansão faziam ao vê-los eram ignorados. Nada importava além da presença um do outro.

— Parece que você é o único que não mordeu alguém ainda... O que lhe impede?

— Isso se deve a... Eu preferir fazer isso de forma mais reservada. – O coração da garota falhou uma batida. Claramente Raphael estava propondo que os dois ficassem sozinhos...

Antes que pudesse responder, o som parou e a luz se acendeu. Eloise percebeu que, além dos dois, restavam apenas a mobília e vários pratos e copos vazios no salão. A festa havia acabado.

— A boate vai fechar. O casal já pode ir para o motel. – Beliath havia deixado os dois corados e sem jeito quando entrou no cômodo e começou a recolher os copos.

— Já é tarde. Acho melhor ajudarmos os outros a recolher o lixo para que possamos ficar livres logo. – Disse Raphael, ainda com os olhos descobertos. O lenço que lhe cobrira os olhos, antes tão importante, jazia em um canto do salão.

— Claro. – Prontamente os dois começaram a trabalhar. Eloise empilhou alguns pratos e se encarregou de levar até a cozinha, deixando os dois vampiros no salão, recolhendo o lixo descartável.

— Você é ligeiro, hein, Raph? Quem diria... – Diante do silêncio de um rapaz envergonhado como resposta, continuou. – Rapha, depois de tantos anos... Ele ainda funciona?

— Beliath! Ficarei contente se puder ser mais discreto.

Eloise atravessava o hall da mansão quando uma conversa chamou sua atenção. Olhou em direção às vozes e percebeu as silhuetas de Ethan e Ivan no pequeno corredor que dava acesso à biblioteca.

— Pare, Ethan! Eu não consigo respirar!

— Afruuuuu...

Ivan estava estirado no chão, com a camisa levantada até o peito enquanto o outro vampiro lhe torturava, assoprando sua barriga e lhe fazendo ter uma crise intensa de riso.

— Par- Hahahahaha, eu sou sensível, Ethan! Haha, por favor...

— Cadê o neném? Afruuuuuu... Achei!

— Ele está orgulhoso porque o Ivan “tomou a mamadeira sem quebrar”. Não ligue pra ele, está bêbado. – Aaron havia surgido na frente da garota enquanto ela observava a cena com atenção. O ruivo tirou os pratos das mãos dela e os levou até a cozinha enquanto a garota continuava estática, achando graça da situação.

— Estamos liberados. Vamos? Te acompanho até o quarto. – Raphael havia surgido às suas costas, causando um arrepio em Eloise. Subiram juntos a escadaria. – Chegamos, senhorita.

— Obrigada, monsieur. Gostaria de entrar e tomar uma xícara de chá?

— Oh, que gentileza a sua. No entanto eu não tomo chá... – Raphael entrou no cômodo e fechou a porta atrás de si. – Eu só bebo sangue. – Sussurrou em um tom tão sedutor que Eloise sentiu seu ventre esquentar. Uma mordida tornaria essa noite ainda mais perfeita. – Você pode me oferecer? – Aproximou-se, puxando a garota pela cintura.

— Sim... – Foi tudo o que conseguiu responder. O homem lhe beijou suavemente no pescoço, mas logo a garota o afastou. – Calma, esfomeado. Aonde estão os seus modos? – O vampiro sorriu e entrou no joguinho da menina.

— Ah, sim, me perdoe, senhorita. Faz tanto tempo que não visito alguém... Nem sei como agir.

— Poderia começar me cumprimentando... Com um abraço, talvez um beijo... – Raphael cumpriu tais ações simultaneamente, intrigado com o que Eloise pretendia. Curiosamente, nem ela sabia o que estava fazendo. – Agora, que tal perguntar como estou?

— Como você está?

— Bem, obrigada. E você? – Ele sorriu, deixando escapar uma breve risada. O que ela queria que ele respondesse?

— Estou bem. Com um pouco de sede, apenas.

— Ah, entendo. Posso te ajudar nisso. Se me ajudar também.

— O que posso fazer por você, senhorita?

— O vestido que estou usando tem um longo zíper. Eu não consigo abrir sozinha e preciso tirá-lo. – Raphael mordeu de leve o lábio.

“Então é aí que ela quer chegar...”.

— Certo... Se vire, eu o abro pra você. – Aproximando-se e virando as costas para o vampiro, Eloise fechou os olhos esperando que ele agisse. Sentiu as mãos do outro deslizarem por seus ombros em um toque que a arrepiou. O zíper foi aberto lentamente até o final.

Raphael tocou a pele da garota, empurrando a peça de roupa por seus braços. Ela simplesmente deixou que o vestido caísse no chão. O homem se aproximou, beijando-lhe na nuca e passando os braços em volta de sua cintura. Eloise colocou uma das mãos sobre a do rapaz e a outra em seu rosto, puxando-o para um beijo lento e apaixonado.

Os lábios do vampiro começaram a trilhar um caminho de beijos pelas bochechas quentes da garota e desceram até o seu pescoço. Extasiada, Eloise suspirou quando sentiu as presas se afundarem na sua pele.

Raphael apertava seu corpo no de seu cálice enquanto sorvia o sangue. Ela gemia baixinho, tremendo a cada lambida que ele dava. A luz do sol começou a aparecer no horizonte, invadindo o quarto aos poucos, mas o vampiro não conseguia parar. Não queria.

Nunca uma mordida havia sido tão deliciosa para ambos. O sangue cheio de adrenalina que Raphael bebia lhe excitava. Suas mãos descobriram o corpo da garota, tocando de leve seu peito sob a lingerie.

Quando os raios do sol tocaram o rosto do vampiro, ele apertou seu seio e sugou o sangue com mais força. Eloise gemeu com aquele toque e a mão nos cabelos do homem, que logo tirou suas presas de seu pescoço. Puxando-o pelos cabelos, se beijaram mais uma vez. A dor das queimaduras fez com que Raphael interrompesse o beijo.

— Eloise, o sol... – Raphael podia até ver o brilho avermelhado invadir seus olhos desvendados. Eloise percebeu nesse instante que o sol já estava por ali há alguns minutos certamente o vampiro estava sofrendo os efeitos dessa luz.

— Ah, meu Deus! Vá embora! – Ele se virou e foi para fora do cômodo, deixando apenas uma fresta da porta aberta para poder se despedir.

— Desculpe-me por fugir assim. Espero poder visitar a senhorita novamente. – E então fechou a porta e saiu, deixando Eloise fervendo de desejo por ele.

“Sol maldito... Nunca te detestei tanto.” – Ela pensou, fechando as cortinas de voal um jeito raivoso, percebendo que aquele tecido não bloqueava tanto assim a luz.

—---xxx----

Aquele início de noite estava estranho... Já havia se passado algumas horas desde o anoitecer e Raphael, que costuma ser um dos primeiros a se levantar, ainda não havia aparecido. Eloise estava preocupada. Pensou se ele estava a evitando pelo acontecido na noite passada e por um instante chegou a se culpar por ter o instigado a ir tão longe. Ela caminhava pensativa pelos cômodos do térreo, esperando o tempo passar, até que ouviu Ethan chamar seu nome.

— O que foi? – Ela praticamente havia corrido em sua direção. O garoto estava no alto da escada.

— Venha aqui, o Raphael precisa de ti.

— Como assim, o que houve? – Perguntou, subindo os degraus com pressa.

— Ele disse que pegou um pouco de sol ontem e acabou ficando doente. Seu sangue vai ajudar a melhorar. — Eloise se culpou ainda mais, afinal, por sua culpa ele estava assim.

Ao entrar no quarto de seu vampiro pela primeira vez, Eloise olhou o ambiente com curiosidade, percebendo o estilo antigo dos móveis escuros e cheios de detalhes cravados. Mas parou de revistar o cômodo com o olhar quando encontrou Raphael deitado, vestindo uma camisa bege com babados na gola. Uma manta cobria-lhe as pernas e um lenço roxo a impedia de ver a beleza de seus olhos novamente.

“Quantos desse ele tem?”

— A minha parte está feita, agora é com você, menina. – Ethan fez menção de sair do quarto, mas voltou para dar um último recado. – E... Tentem não exagerar. Você ainda está fraco, Rapha.

O vampiro saiu fechando a porta, deixando os dois a sós. Eloise aproximou-se da cama.

— Como está se sentindo?

— Olá, senhorita. Acredito que, quando visitamos alguém, devemos cumprimentar a pessoa antes de perguntar como ela está.

Eloise sorriu. Raphael estava até fazendo graça, então estava bem. Ela estava provando da própria artimanha.

— Boa noite, sir.

— Assim está melhor... E o meu beijo, não ganho? – A garota se aproximou e selou os lábios aos do vampiro. – Certo... Respondendo a sua pergunta, me sinto bem melhor agora.

— Haha, vejo que está de bom humor. – Ela sentou na beira da cama, de frente para o homem, que logo pegou em sua mão.

— Depois que te conheci, tudo se tornou melhor. – Ela corou enquanto seu coração acelerava. Não sabia como responder. – Sobre o mal estar, é por causa do sol, mas passa logo. Até chegar aqui ainda tomei um pouco de luz nos corredores. Com repouso e sangue eu melhorarei rapidinho.

—Bom, então beba o meu sangue logo! – Ordenou a garota, oferecendo o pulso para o vampiro. A mordida veio e Eloise sentiu aquele prazer tão diferente. Observou com atenção a língua do rapaz, que não desperdiçava uma gota. Mordeu o lábio, lamentando o fato de não poder continuar a noite anterior naquele exato momento.

— Obrigado por ter vindo. Além de minha professora também virou minha enfermeira.

— Hahaha! Não esqueça que também sou sua parceira de dança, seu cálice... Sua amante... – Ele deu um beijo em sua mão.

— Sobre isso, você sabe que... Todos os outros nos viram durante a festa. Mas eu quero saber de você. Podemos voltar a ter apenas uma relação de vampiro e cálice.

“Não... Isso não!”

— É isso o que você quer?

— Eu gosto de você, Eloise. Você me atrai de um jeito que nunca aconteceu antes. – O coração da garota palpitou diante dessa declaração. – Mas você é tão jovem... Eu quero que você viva intensamente, aproveite sua juventude. Eu entendo se não quiser se prender a alguém agora.

O que era aquilo? Eloise estava confusa. Raphael estava a dispensando, ou... A pedindo em namoro?

— Raphael... Eu quero continuar o que estamos vivendo agora. Não me importam as circunstâncias, eu só quero... Continuar.

— Eu também. – Diante de sua declaração, os dois se beijaram de forma romântica. Estavam felizes, assim permaneceriam.

Notas finais
Eu sei, eu sou malvada, cortei o barato de vocês de novo. muahaha Não me xinguem plz XD