Remédio Natural
1 O remédio natural de Zoro
– Sanji! – Zoro gritou do quarto. – Sanji! Onde está meu cinto?
Zoro abriu as gravetas do guarda roupa, bagunçando-as completamente a procura do seu cinto. Ele sempre costumava deixar pendurado no gancho atrás da porta do banheiro, mas após o banho, o cinto não estava mais lá. E como não havia tirado o acessório dali, somente uma pessoa poderia saber onde estava.
Sanji, da cozinha, ouvia o resmungar de Zoro a procura de seu cinto. Ele preparava torradas e mingau para o café da manhã, mas estava com uma imensa vontade de atirar a panela fervendo na cabeça de Zoro. Já não bastava ele ter que dar conta do restaurante em que era cozinheiro chefe, ainda tinha que tomar conta do bebezão dentro de casa? Era demais para um homem só.
Zoro parou na porta da cozinha. – Você me ouviu?
– Claro que eu te ouvi. Até o porteiro te ouviu! Você podia falar mais alto dai assim sua mãe também poderia ouvir e vir aqui me encher o saco também.
– Nossa! Alguém acordou na TPM hoje?
O loiro mexeu o mingau com a colher de pau, contando até dez para não fazer nenhuma besteira. Sanji não estava mesmo num bom dia. Ele iria receber a visita de um crítico gastronômico muito famoso da cidade, e estava ansioso. Para piorar, aquela manhã acordou sentindo dores no corpo e um pouco de febre. Ele tomou um remédio com chá, mas não parecia ter surtido algum efeito.
Zoro encontrou seu cinto atrás do sofá. Não havia explicações para isso. Ele calçou os sapatos e pegou um casaco. Teria um dia cheio pela frente na editora de uma revista de esporte que trabalhava, e não podia chegar tarde. Tomou o café em silêncio, lendo o jornal enquanto Sanji se arrumava.
Ele reclamou pela demora do loiro, batendo na porta do banheiro, perguntando se ele estava bem, porque ouviu uns barulhos estranhos.
– Tá passando mal? – Zoro perguntou quando a porta foi aberta, e viu Sanji inclinado sobre a pia.
Ele sentiu uma ânsia novamente, seu estômago revirou. Virou para o vaso sanitário e Zoro saiu do banheiro fazendo cara de nojo fechando a porta.
– Vá até a farmácia e compre alguma coisa para mim. – O loiro ordenou.
– Você precisa ir em um médico antes de tomar qualquer porcaria. – Zoro deu uma espiadinha pela fresta da porta, para saber se podia entrar. – Vamos no médico.
– Não! Eu preciso ir para o trabalho. Hoje é um dia importante. – Ele choramingou, olhando seu rosto pálido no espelho.
– Que se foda aquele restaurante de merda. Vou te levar no médico. – Zoro pegou as chaves do carro e mesmo que não fosse assim um bom motorista, iria levar Sanji ao médico.
– De merda? É com o dinheiro dessa merda que pago metade das contas desse apartamento.
– E a outra metade eu pago trabalhando na revista. Estamos empatados. – Zoro pegou a carteira de Sanji sobre a mesa de cabeceira, o maço de cigarros, isqueiro e entregou para o loiro que guardou tudo nos bolsos da calça. Já estavam de saída quando Zoro retornou para buscar um cachecol para Sanji, a temperatura caía.
Estava trânsito, e Zoro tentou um caminho alternativo, mas acabou piorando a situação. Demorou mais tempo para chegar ao hospital. Sanji sentia o corpo queimar, mas estava com frio. Quando saiu do carro, Zoro tirou o casaco e jogou nos ombros do loiro. Eles aguardaram serem chamados para preencher a ficha e passar pelo médico.
Onze horas da manhã, Zoro estava no celular em uma chamada de conferência com duas mulheres do trabalho. Nami estava estressada porque ele não pode chegar cedo, e Robin cobriu o trabalho dele como pode. Sanji saiu da sala do médico quando Zoro desligou o celular.
– E ai? O que você tem?
– Vou fazer alguns exames de sangue, e esperar o resultado.
– Mas isso vai demorar quanto tempo?
Sanji ansiava por um cigarro naquele momento, e não estava muito bom para ouvir Zoro reclamar de tudo, até mesmo de seu exame de sangue.
– Faz um favor para mim? Vai embora!
– O quê? – Zoro estreitou os olhos.
– Você esta atrasado para seu trabalho e eu não quero ser um estorvo. – Ele procurou por alguma porta de saída, precisava fumar imediatamente. – Não se preocupe. Eu sei me cuidar.
– Não vou te deixar aqui sozinho, para depois jogar na minha cara que eu te troquei pelo trabalho. – Disse zangado e a enfermeira ordenou que ele falasse mais baixo.
– Então você só está aqui por isso? Achei que fosse porque se preocupava comigo.
A enfermeira retornou, pedindo para os dois falarem mais baixo, ou saírem para conversar. Eles deixaram a sala de espera e foram para o jardim de frente ao hospital. Sanji acendeu seu cigarro prazerosamente, devolvendo a Zoro o casaco dele.
– Vamos fazer o seguinte. Vou para a editora, e volto aqui para te buscar depois do exame. Mandamos enviar o resultado pelo correio.
Sanji achou aquela ideia muito boa. Mas depois se recordou do restaurante e ficou desanimado. Zoro não desdenhava do trabalho de chefe, o que ele não gostava é que Sanji às vezes deixava tudo de lado por causa daquele restaurante. E isso acabava prejudicando os dois.
– Vou ligar para ver se consigo cancelar a visita do crítico. Talvez tenha sorte.
Zoro abraçou-o pela cintura e o puxou mais para perto dele, roçando o nariz no do loiro. Beijou-o no rosto rapidamente e despediu-se. Sanji apagou o cigarro e retornou para dentro do hospital.
Ele sentiu que a sorte estava mudando, o crítico ligou para cancelar o almoço por motivos pessoais. Sanji desligou o telefone mais tranquilo. Ele fez o exame de sangue e foi esperar Zoro no jardim. O médico lhe deu um ótimo remédio que passou a febre, mas ele ainda sentia enjoo.
Uma hora se passou e Sanji tentava ligar no celular de Zoro que estava caindo na caixa postal. O loiro ligou em para o apartamento deles e nada, ligou então na editora e descobriu que Zoro teve que levar alguém para o aeroporto.
Aquilo foi a gota d'água. Ele estava doente e Zoro passeando por aí com alguém? Sanji pediu para o segurança chamar um táxi, e assim foi para casa.
Recebeu diversas ligações de Zoro no celular, mas não atendeu nenhuma. Sanji foi tomar um banho e preparou uma sopa. Mas não comeu porque não sentia fome. Foi para o quarto e ficou embaixo das cobertas com a televisão ligada. Acabou adormecendo. Acordou com o barulho da porta sendo fechada com força e logo depois Zoro entrou no quarto.
– Por que não atende a porcaria do celular? Eu estava preocupado. – Ele viu o telefone fora do gancho, por isso estava sempre dando ocupado. – Você é um idiota!
Sanji cobriu a cabeça com o cobertor, e ignorou Zoro que ficou irritado com a atitude dele, saindo do quarto. Só retornou a noitinha, depois de algumas horas no bar ali perto que costumava ir, ele acabou encontrando alguns amigos e bebeu algumas, várias, canecas de cerveja.
Zoro tentou enfiar a chave na porta, com muita dificuldade ate conseguir abri-la. Sanji estava na cozinha, bebendo água. Viu Zoro passar cambaleando pelo corredor em direção ao quarto. O loiro voltou para debaixo das coberta, estava com um pouquinho de febre mas já sentia-se melhor. O barulho dentro do banheiro chamou-lhe a atenção. Parecia que alguém estava lutando lá dentro.
– Sanji! – Zoro gritou. – Hey! Sanji. Você viu minha roupa? Estava aqui de manhã.
– Procure você mesmo. – Sanji respondeu pegando o controle remoto da televisão, mudando os canais para ver se achava algo interessante.
– Achei. – Zoro saiu do banheiro vestindo apenas a calça de moletom. Ele passou na frente da televisão para colocar o celular no carregador e voltou jogando-se na cama. Sanji podia sentir de longe o cheiro da cerveja, antes mesmo dele sair do banheiro, já ia o mandar tomar um banho porque não dormiria na mesma cama com ele fedendo a bar. Zoro veio rastejando-se na cama, por cima de Sanji. O loiro resmungou, o mandando ficar quieto. Zoro não se importou, e puxou a coberta que cobria Sanji.
– Que coisa chata, para com isso. Você está fedendo e ainda por cima não estou disposto a fazer qualquer coisa. – Ele podia ver as maçãs coradas de Zoro, e os olhos injetados.
– Tem certeza? Eu sei do que você precisa. – Zoro começou a beijar o pescoço de Sanji, abrindo os botões do pijama que ele vestia. – Vou fazer você ficar bom rapidinho.
– Sai de cima de mim. – Sanji o empurrou com as duas mãos, para que saísse de cima dele, depois se cobriu novamente com o coberto. Mas aquilo não seria o suficiente para pará-lo. Zoro voltou a arrastar-se por cima dele, e roçando seu corpo no de Sanji. O loiro podia muito bem sentir o tamanho da vontade de Zoro conforme ele se esfregava.
Era uma tortura? Sim ou óbvio?
– Sanji... hein Sanji. – A voz de Zoro embargada pela embriaguez, deixava Sanji irritado, mas ao mesmo tempo era excitante. E isso o deixava confuso e irritado com ele mesmo por cair nas armadilhas daquele homem. – Olha pra mim.
Zoro puxou o cobertor um pouquinho para que a cabeça de Sanji aparecesse, ele estava deitado de lado, olhando para o celular de Zoro sobre a mesinha de computador ao lado da janela.
– Você me largou lá no hospital. – Ele fez bico.
– Desculpe. – Zoro beijou-lhe os cabelos loiros, iniciando assim uma trilha de beijos pelo corpo de Sanji. – Eu prometo que não vou mais te abandonar nos hospitais...
– Falando assim até parece que sou um inúti- – ele gemeu quando Zoro mordeu sua orelha.
– Ainda está muito fraquinho? – Zoro passou a língua nos lábios.
– Um pouco.
– Que pena. – Ele mexeu o corpo, roçando a virilha nas costelas de Sanji, afagando os cabelos loiros e beijando seu rosto. – Eu queria tanto você.
Sanji virou a cabeça para poder olhá-lo de frente. Zoro ergueu um pouco para que ele mexesse todo o corpo e assim deitou novamente.
Ele sentia-se um fraco, não pela enfermidade, mas porque Zoro o deixava fraco. Incapaz de negar um pedido daquele. Era de sua natureza que no final ficasse totalmente rendido nos braços daquele brutamontes. Zoro retirou enfim o cobertor, o quarto já estava quente por conta do aquecedor ligado. Ele foi beijando o pescoço de Sanji, conforme ia abrindo o restante dos botões, Sanji ajudou-o puxando a calça que estava vestindo e as meias.
O corpo de Sanji estava mais quente do que o normal, mas Zoro não parecia muito preocupado com isso. Ele o abraçou com força, fazendo Sanji soltar um gemido de dor.
– O que foi? – Ele se afastou um pouco para olhar onde machucou.
– Não é nada, já passou. – Sanji alisou as costelas, estava um pouco dolorido mesmo.
– Coitadinho, vou cuidar de você.
– Não fala com essa voz de retardado, isso é broxante.
Zoro gargalhou, caindo na cama ao lado de Sanji. Ele segurou a mão do loiro, deitando a cabeça no ombro dele. – Me desculpe.
– O quê? – Sanji ouviu, mas queria ouvir novamente.
– Eu não vou repetir de novo. – Ele virou a cabeça para o outro lado.
Sanji riu, sentindo os dedos de Zoro apertar ainda mais sua mão. O loiro girou o corpo na cama e abraçou Zoro. Ele fechou os olhos, sentindo-se um pouquinho cansado.
– Tudo bem. Amanhã eu vou estar melhor, e aí você não vai me escapar. – disse apertando a mão no queixo de Zoro, que o beijou rapidamente, deitando novamente e o abraçando, com certo cuidado para não machucar mais. Iria mesmo cuidar dele com carinho.
– Sanji... pega o cobertor do chão?
– Tsc. Você...
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