Remenissions
33 Esperança morta e sufocada.
Notas iniciais
Até que ponto um ser humano poderia chegar? Até que ponto um ser humano poderia continuar vivendo em sofrimento?
Era essas perguntas que me atormentando a todo momento.
Eu não sabia oque tinha me levado a sair tão fora de controle, como agora. Eu tinha chegado ao pior dos estados deploráveis que uma pessoa pode alcançar: sozinha e drogada e blablabla. E ainda pensar que tudo isso foi escolha minha.
Uma escolha totalmente errada. Eu estava precisando de ajuda desde o momento em que conheci Brian.
Brian.
Brian.
Brian.
Esse nome me atormenta até quando não estou pensando.
Certo ódio toma conta de mim.
Eu o amava tanto e cansei de repetir isso pra mim mesma. Eu precisava esquecê-lo, precisava entender todo aquele sentimento doentio e masoquista que tomava conta de mim sempre que estava ao lado dele.
Quando estava ao seu lado, não me importava as condições, as pessoas, os tipos de lugares em que eu poderia me envolver. Só me importava poder olhar naqueles lindos olhos castanhos e poder admirar a profundida daquele sorriso perfeito que Brian possuía.
Eu precisava entender todo aquele sentimento que envolvia meu coração. Precisava mostrar a Brian, o quanto meu amor por ele foi grande.
Brian precisava se importar com isso. Ele era a única pessoa que eu poderia contar realmente na minha vida inteira.
E falando em vida inteira... Cansei de imaginar nosso casamento e como seria “perfeita” nossa vida juntos.
Oh Brian, por que fez isso comigo? Porque massacrou meu coração?
Uma vontade imensa de chorar brotou em meu corpo. Só que ele não correspondia.
Pra falar a verdade, eu não sentia meu corpo e não conseguia controlar meus movimentos.
Tentei me lembrar do que tinha acontecido mais tudo que restava era um grande vazio na minha mente.
Tentei mover minha mão, mas nenhum dos esforços que eu fazia era concreto.
Eu não me sentia.
Brian’s POV, 2 dia antes.
Eu estava em turnê em Sacramento. A cidade que Lauren alegava morar agora.
- Porra – murmurei deixando a guitarra de lado
Tudo me lembrava aquela porra loca. Fazia 5 meses que não tinha noticias dela, e aquilo realmente me deixava preocupado.
Sentei de novo na cama e deixei as lembranças me guiarem.
Lembrei daqueles lindos olhos azuis que assombra todos os meus sonhos desde que a conheci, lembro daquele cabelo preto se espalhavam sobre meu peito quando ela deitava a cabeça sobre mim, lembro do seu cheiro de cacau que me deixava bobo só de chegar perto. E da sua boca, avermelhada e grossa, me beijando desesperada e insana.
Lauren, fazia falta.
Lembrei de quando ela foi na minha casa e me pegou na cama com Michelle.
Senti meu peito doer, eu estava realmente arrependido.
Eu precisava de Lauren pra me manter firme.
Ela era minha princesa, e eu precisava cuidar dela.
Um turbilhão de sentimentos passou por mim. Como eu fui tão estúpido a ponto de deixá-la ir?
Peguei minha jaqueta e saí pela porta.
Jimmy me parou na entrada.
- Onde você vai? – ele disse impondo respeito e me parando com a mão
- Eu vou ir até Lauren – eu disse sério
- Não, você não vai – Jimmy disse
- Porquê não Jimmy? – eu disse ficando nervoso
- Você já não viu a porra da burrada que você fez com ela? Por que você ainda tem que achar um jeito de magoá-la em Syn? Você já não vê o mal que você fez ela passar? seu covarde – Jimmy disse me empurrando
- Não faça eu me sentir mais mal porra – eu disse batendo a mão na parede – Eu estou indo pedir desculpa, eu estou arrependido – eu disse abaixando a cabeça
- Brian –Jimmy disse se aproximando – Toma vergonha na cara, vira homem porra – ele disse me puxando pela blusa
Empurrei Jimmy contra a parede e arrumei minha blusa.
- Todo mundo erra Jimmy – eu disse – Eu realmente quero fazer ela feliz dessa vez, confia em mim – e saí pela porta
Peguei meu carro e fui em direção à casa de Jev, aquele maldito anarquista.
Estava escuro e era por volta de 9 horas da noite.
30 Min depois, eu havia chegado a casa de Jev.
Estava tudo escuro.
Pensei em ir embora mais algo mais forte me fez ficar.
Desci do carro e bati na porta.
Bati duas vezes. E nada de ninguém responder.
Ouvi um barulho de algo se quebrando lá em cima. E não pensei em duas vezes em arrombar a porta. Subi as escadas em direção ao quarto de Lauren.
Bati.
E ninguém respondeu.
- Lauren – eu disse baixo – Abre pra mim – eu disse encostando a cabeça na porta
Ouvi um movimento do outro lado e Lauren parecia sussurrar.
- Lauritta, abra a porta – Eu gritei – Eu vou te ajudar a sair dessa – eu bati na porta de novo
- Eu não consigo – Ela gritou de lá e sua voz parecia sumir
Ela precisava de ajuda, ou iria morrer ali.
Continue a bater na porta, mas parei para achar algo mais sólido.
Não achei nada.
Voltei até a porta e meti o pé.
Ela abriu em um estrondo.
E eu pude ter a pior visão de toda a minha vida.
Uma figura pequena e desajeitada, estava jogada no chão tão apagada e quase sem vida.
Corri até Lauren e me odiei por não ajuda-la nesses momentos.
- Lauren por favor – eu disse sentindo as lágrimas molharem meu rosto – Não faz isso comigo – eu disse abraçando seu corpo pequeno contra mim
Pequei Lauren no colo, e notei que seus braços tinham feridas feias e profundas, devido a constante aplicação de heroína.
- Não faz isso comigo Lauren – eu disse sussurrando no ouvido dela – Eu preciso de você – eu disse sentindo minha garganta arder ao pensar que ela estaria precisando de mim e eu nunca estive lá pra ajudá-la.
Desci as escadas com Lauren no colo e a coloquei no banco de passageiro.
Cheguei ao hospital mais próximo.
E desci com Lauren no colo, eu precisava correr se quisesse salvar a minha menina.
Entrei correndo no hospital, e fui direto para as macas.
Deitei Lauren lá e vários seguranças vieram atrás de mim.
- O senhor não pode fazer isso – um homem chegou por trás e um médico chegou junto
Fui até o médico.
- Por favor, me ajuda a salvá-la, eu dou o dinheiro que você quiser, só não deixe ela morrer, eu te imploro – eu disse me afastando dele e indo até Lauren
- Tirem ele daqui – o médico disse e os seguranças me pegaram pelo braço
- Eu preciso ficar com ela – eu disse e me soltei do homem
Uma garota me barrou na entrada do quarto.
- Me dê licença – eu disse me esquivando dela
- Você quer ajudá-la, não é mesmo? – a garota disse me olhando esperançosa
- Sim – respondi cabisbaixo
- Então deixe o médico fazer seu trabalho – ela disse e sorriu pra mim – aposto que daqui a algum tempo, ela irá sair de lá linda e sorrindo pra você – a garota sorriu
Não respondi, mas lembrei do sorriso de Lauren.
Meus olhos se encharcaram de novo.
- Eu estou aqui pra te ajudar a sair dessa – a menina disse e me deu um aperto de mão – Meu nome é Effy e eu ajudo as pessoas a se tranquilizarem aqui – ela sorriu – Posso te fazer companhia?
- Pode Effy – eu disse sério – Meu nome é Brian ou Syn
- Vamos tomar um café? – Effy disse me guiando
Apenas a segui quieto e pensativo.
Lauren não saía do meu pensamento, queria saber como ela estava.
Sentamos na praça de alimentação e ela pediu dois cafés.
- Obrigado — murmurei e tomei meu café
- Então Brian – Effy pegou uma caneta e um papel – O que a moça é sua? – Effy perguntou educada
- É uma amiga – eu disse, mas gostaria de dizer: É minha namorada.
- E o que aconteceu Brian? – ela perguntou compreensiva
Eu gostaria de tentar explicar pra ela toda nossa história, tudo que passamos, por que Lauren estava naquele estado, porque eu estava tão desesperado, porque eu precisava tanto ajuda-la. Eram tantos porquês que Lauren tinha marcado na minha vida, eram tantas coisas que ainda precisavam ser preenchidas por ela. Eu precisava de Lauren por perto, do mesmo jeito que eu precisava de ar pra viver.
O meu amor por Lauren, já tinha ultrapassado as fronteiras mais inimagináveis que um sentimento pode chegar, era como se tudo que eu tivesse feito ou que vou fazer.. Dependesse dela, como se meu futuro dependesse dela. Como se nada mais tivesse existido ou sentido sem ela.
Lauren era minha vida. E eu fui burro o bastante pra não perceber isso a tempo, tive que perde-la tantas vezes para entender que sem ela eu não sou nada. Sou só mais um idiota, que vive a vida tocando guitarra, bebendo e se drogando por ai.
Nada mais disso tinha sentido sem Lauren. Agora me encontro em constante vazio. E minha vida só vai continuar, se aquele maldito médico, conseguir salvar minha princesinha.
- Brian – Effy falou comigo – Está tudo bem? – ela disse com o ar de preocupada – Eu gostaria mesmo de entender o que aconteceu – ela sorriu
- Dia 10 de abril de 2000 – eu sorri – Foi o dia em que conheci ela, pra falar a verdade foi algo meio estranho. Eu estava saindo da garagem e quase a atropelei. Foi engraçado, pois quando cheguei à escola, ela veio tirar satisfação comigo, e desde esse dia eu já imaginava que nunca iríamos nos dar bem. Passamos por tantas coisas juntos, tantas coisas imbecis que às vezes gosto de me lembrar só pra sorrir. Como em uma vez em que nós fomos para um acampamento, estávamos só nós dois, estávamos bêbados e tiramos a noite para falar de monstros e ouvir músicas clássicas. – Sorri ao lembrar dela dançando sobre a luz da lua – Sabe Effy, Lauren era o tipo de garota que você provavelmente vai odiar de primeira vez, briguenta, chata, marrenta mais que com o passar dos tempos você vai entender que tudo aquilo não passou de uma suposição e que ela é uma das garotas mais perfeitas que você conheceu. Perfeita, em todos os sentidos. – Eu disse rindo e parei
- Conte-me mais Brian – Effy sorria
- Me lembrei de uma viajem nossa, fomos pra Los Angeles – eu sorri – tiramos várias fotos da câmera de uma ex namorada minha, que na época ainda era atual, ai quando ela foi revelar, ficou puta – eu ri e Effy também – ela tinha visto todas as fotos que tínhamos tirado. Mais são lembranças que vou levar pra sempre – eu sorri – Mas as coisas com Lauren não foram sempre perfeitas – eu fiquei sério – Eu pisei na bola com ela várias vezes – eu disse me envolvendo em um pensamento ruim e pesado
- Me explique Brian – Effy se endireitou e se propôs a entender
- Eu era o tipo de cara mulherengo há um tempo, não me importava com sentimentos. Eu era o tipo de cara que você sempre ia encontrar com uma cerveja na mão, um cigarro na outra e uma mulher no colo. Eu era o tipo de cara que mandava o foda-se em tudo. Ai Lauren apareceu, com todo aquele jeito insuportável e irritante que me conquistou a cada dia. Só que tudo aquilo que Lauren me fornecia, não parecia o suficiente para mim. Eu sempre estava atrás de mais e sempre acabava magoando ela. Sempre fazia promessas que não cumpria, e por ai vai. – Eu disse abaixando a cabeça – Até que um dia ela não aguentou mais e foi embora de HB e veio pra Sacramento, eu fiquei puto com ela de verdade mais eu estava errado de qualquer forma.
- Deixe me entender – Effy disse – Em uma das vezes que você a magoou, ela se cansou e foi embora?
- Isso – eu respondi e Effy anotou no papel – E então desde o dia em que ela veio pra cá, ela tem se drogado cada vez mais – eu respondi me odiando por ter apresentado drogas a ela – drogas cada vez mais pesadas – eu respondi fechando os olhos.
- E como você a encontrou hoje Brian? – Effy perguntou
- Fazia 5 meses que eu não a via, eu precisava revê-la e então eu fui até a casa que ela “mora” e chegando lá ninguém abria a porta, achei suspeito e resolvi arrombar – eu disse me lembrando de quando subia as escadas – Subi as escadas e tive que arrombar a porta do quarto dela pois a ouvi dizer que ela não conseguia abrir pra mim – eu disse me lembrando de quando a vi jogada no chão, sem o brilho que tanto tinha – E quando abri a porta, ela estava lá, jogada desmaiada e sem vida, entrando em overdose. Entrei em desespero e a trouxe correndo pra cá – Eu disse preocupado novamente com ela – Entende o quanto Lauren é importante pra mim Effy? – eu disse olhando pra Effy desesperado – Eu a amo mais que tudo, e preciso dela, preciso me desculpar por tudo que fiz a ela – eu disse deitando a cabeça na mesa.
Effy ficou em silêncio somente anotando em seu caderno.
Fui pra sala de espera e acabei “dormindo”.
Pra falar a verdade, passei a noite sentando e vegetando o quanto sou um monstro e quanto foi idiota.
Eu amo Lauren.
No outro dia, 6, 7, 8 , 9 e nada do médico aparecer.
Eu estava ficando desesperado.
10:30.
O médico apareceu.
- Brian – o médico chamou e eu fui correndo até ele
- Quando posso vê-la? – eu perguntei arrumando o cabelo e a blusa
O médico olhou baixo pra mim e analisou seus papéis.
Ele pousou a mão no meu ombro e tirou os óculos.
- Você não pode vê-la – ele disse.
E todo a esperança dentro de mim morreu.
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