Remembrance

1 Desejos, saudade e lembranças.


Notas iniciais
Vou pensar em um título melhor para o capítulo. Ficou péssimo, eu sei.
Sem enrolação, vamos a mais uma oneshot...
Boa leitura (:

[TAKERU]

Me descobri na varanda do meu apartamento quando Kari apareceu e me abraçou por trás.

- Oi. – disse ela me dando um beijo na bochecha.

- Oi.

Algumas coisas tinham mudado em minha vida. Já tinha terminado o colegial, e estava cursando na faculdade de letras. Kari e eu começamos a namorar, o que me deixava um pouco preocupado, ainda mais quando se tem um cunhado chamado Tai.

Minha mãe se casou de novo com um cara que também era jornalista. Seu nome era Yuzo. Sua esposa havia falecido há três anos em um acidente e conheceu minha mãe em um dos seus trabalhos.

Meu pai continuava solteiro, porém com algumas pretendentes em vista.

Matt e Sora começaram a namorar há quatro anos e hoje era a data que eles tinham escolhido para o matrimônio. Eles tinham nos chamado – eu e o restante dos digiescolhidos – para sermos os padrinhos.

Estava feliz com essas mudanças. E um pouco triste também.

- Você está tão pensativo. Aconteceu alguma coisa? Não está feliz pelo seu irmão? – perguntou enquanto o vento bagunçava as mechas do seu cabelo.

- Não, não é isso... É que sei lá, é um pouco estranho ver meu irmão casar. Nós dois, mesmo morando em casas diferentes, sempre fomos tão unidos... – falei convicto.

- Tem medo de perder seu irmão, de ele se esquecer de você, não é?

- Acho que sim. – respondi indiferente.

-Tenho certeza de que ele não vai fazer isso. – disse ela se achegando e ajeitando minha gravata.

Ficamos nos encarando por um bom tempo. Mas o silêncio foi quebrado quando soltei uma risada involuntária.

- O que foi?

-Estava apenas lembrando umas coisas. Já passei tanta coisa com o Matt que vai ser difícil não tê-lo mais por perto. Me lembro de quando ele ainda não namorava a Sora...

[Flashback]

Era um sábado como qualquer outro. Estava sentado assistindo televisão, enquanto minha mãe preparava o almoço. A campainha tocou e prontamente fui abrir a porta.

- Deixa que eu atendo, mãe... Deve ser o Matt.

Abri a porta e me deparei com duas figuras humanas. Bom, a primeira eu tinha certeza que era. Mas fiquei na dúvida em dizer isso da segunda.

- Oi Matt, — falei sorrindo e direcionei o olhar a moça que estava ao seu lado – e oi...

- Meu nome é Masumi. – Ela era bonita. Tirando a maquiagem macabra e as roupas que estava usando. Parecia ter saído de um velório recentemente. Isso fora a sua expressão, que era similar a de uma bruxa e as tatuagens de caveiras, demônios e símbolos desconhecidos.

Talvez eu estivesse exagerando um pouco. Qual é? O Matt não namoraria uma pessoa assim... Namoraria?

Apenas sorri e dei passagem para eles entrarem.

***

- O que achou do almoço, Masumi? – perguntou minha mãe retirando os pratos.

- Não sou muito de comer esse tipo de comida, mas estava ótima.

- Nossa que tatuagem legal essa no seu braço... O que significa? – Perguntei apontando para uma figura estranha parecida com uma cobra.

- Obrigada, é Anacot, o demônio que come almas humanas. – falou indiferente.

- Nossa, que... Interessante! – falei tentando entrar na normalidade da garota. – E quem são esses? – perguntei apontando para outra tatuagem que continha dois anjos sentados em uma carruagem de fogo e que se encontrava no outro braço.

-Esse é o símbolo de Beliel, o mais importante demônio na Terra, que comandava as forças da escuridão contra os "filhos da luz" que serviam a Satã...

- Ok, tudo bem, chega de saber sobre as tatuagens – interrompeu minha mãe. – mas me diga Masumi... Você trabalha?

- Oh sim. Sou macumbeira. Bruxa. Feiticeira. Ou como vocês preferirem chamar.

- Olha que legal. Você sabia disso, Matt? – perguntou minha mãe se direcionando ao meu irmão.

- Sim, legal não é?

Fiquei com receio de perguntar a moça qual tinha sido o feitiço ou ameaça que ela havia usado pra conquistar o Matt. Do jeito que as coisas estavam indo, era capaz de ela ter apontado uma metralhadora na cabeça dele. Mas enfim.

Resolvi ficar na minha. Afinal, nunca se sabe o que uma macumbeira pode fazer...

E também estamos falando do Matt. Ele nunca teve sorte com mulheres. Com exceção da Sora, é claro.

[FIM DO FLASHBACK]

- O que o Matt viu numa macumbeira? — perguntou Kari rindo.

- Eu sei lá... Ele me disse que essas mulheres são ótimas na cama, o que era um pouco estranho, porque toda vez que ela chamava o Matt para transar, ela falava algo do tipo “Não demora Matt, Anacot está com fome!”. Mas enfim... A relação deles não durou muito tempo. Eles terminaram logo assim que Matt ficou sabendo que o que Masumi queria mesmo era dar ele em oferenda a algum demônio.

- Nossa! – falou Kari de olhos arregalados.

- Um mês depois ele assumiu o amor pela Sora e se declarou pra ela. Se passaram quatro anos de namoro, e hoje estão aí. Vão juntar as escovas de dente e formar uma família.

- O tempo passa tão rápido não é?

- Pois é... Me lembro de quando nossos pais brigavam. Eu sempre ia dormir no quarto do Matt.

[FLASHBACK]

- POR QUE NÃO NOS DÁ ATENÇÃO? VOCÊ SÓ PENSA NO SEU TRABALHO... VOCÊ É A MULHER DESSA CASA. DEVIA ESTAR AQUI DO MEU LADO. – falou o homem com uma expressão nervosa.

- JÁ TE EXPLIQUEI VÁRIAS VEZES. NÃO QUERO DEPENDER DE VOCÊ EM TUDO. EU TAMBÉM QUERO AJUDAR NAS CONTAS, QUERO COMPRAR MINHAS COISAS... – explicou a mulher. Já estava cansada de todo dia ter de repetir a mesma briga. Discussões inesperadas que eram causadas por motivos bobos.

E apenas uma coisa a prendia de não pedir o divórcio: seus filhos.

***

— Matt, posso dormir com você hoje? – Perguntou o caçula segurando a maçaneta da porta. Sua voz era de choro.

- Pode. – respondeu o garoto maior com os cabelos bagunçados.

A briga lá fora ainda continuava.

- Matt, pode me contar uma história antes de dormir? – perguntou o menor.

- E que história você quer que eu conte, baixinho?

- Não sei, escolhe você.

- Tudo bem então... Vou contar a da Chapeuzinho vermelho. “Era uma vez uma menina muito simpática e muito teimosa. Numa tarde de segunda feira, sua mãe lhe pediu pra levar uma cesta de comida até a casa da Rapunzel.”

-Rapunzel?

- É. É o nome da avó da garota. Continuando... “No meio do caminho, a garota ficou totalmente perdida. Correu, correu, até encontrar a casa dos sete anões.”

- Sete anões? Tem certeza?

- Takeru, vai ser difícil de contar uma história se você ficar me interrompendo.

- É que eu não me lembro de ter sete anões na história da Chapeuzinho Vermelho.

- Qual é... Devo ter embaralhado algumas coisas. Tudo bem, então ela deve ter encontrado os três porquinhos, talvez. Ou foi o patinho feio? – Disse coçando a nuca.

- Você não serve pra contar histórias de dormir. – respondi não contendo o riso.

Talvez Matt não fosse o melhor contador de histórias, mas em meio a tantos problemas, ele era o único que conseguia me fazer sorrir.

Lidar com a separação dos meus pais não foi uma tarefa fácil. Tive que me afastar do Matt, do meu pai... E aí? Assim é a vida. Cheia de contratempos.

[FIM DO FLASHBACK]

- Entendi o seu medo de perder o Matt. – sussurrou entre meus braços.

Ainda olhávamos o horizonte.

- Quer saber? Isso deve ser “neura” de irmão. – admiti — E o Matt nunca vai se esquecer de mim... Vou todo dia almoçar na casa dele só pra ter certeza de que isso nunca vai acontecer.

- Isso é sério? – perguntou ela se virando para me olhar.

- Não.

- E também... Daqui uns meses a gente vai se casar. Formar uma família com apenas oito ou nove filhos...

- Amor, não somos coelhos. – murmurei.

- Tem razão. Dois é um número bom pra você?

- Acho que sim. Tem que ser um casal.

-Só espero que o Tai não apareça no meio da nossa lua-de-mel.

- Fala para o seu pai amarrar bem ele. Não quero olhar para a janela e ver o Tai confiscando tudo o que vamos fazer. – desviei o olhar, tentando tirar a imagem da minha mente.

- Ele não seria escroto a esse ponto. Pelo menos eu acho que não.

E nada mais importava. Problemas? Talvez. Mas quem liga?

Vento no rosto. Kari do meu lado. O sol se pondo no horizonte. Tudo estava em perfeita sintonia. E assim eu vou vivendo. Pequenos desejos. Saudades. E lembranças silenciosas.

Notas finais
E aí? O que acharam? Reviews??
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!