Remember the urge.
11 Homesick.
Notas iniciais
Aomine POV's.
Semanas se passaram desde a partida de Kise. Ele ligou, informando que o contrato – em caso de cancelamento – exigia que ele terminasse a campanha na qual estava trabalhando antes de qualquer coisa, então ele acabaria demorando alguns meses para voltar. Até tentei questionar, mas não pude contestar. Era o trabalho dele, então tudo o que me restava era acatar e esperar. E foi exatamente o que fiz.
Durante todo o tempo, estive me dedicando e me esforçando para melhorar as coisas pra mim. Eu tinha muitos planos para o retorno de Kise e não queria estragar tudo quando chegasse a hora, estava planejando tudo com bastante antecedência. Ainda treinava para os jogos de basquete, mas como a temporada havia terminado, eu tinha tempo suficiente disponível para conseguir mais um emprego de meio período. O dinheiro que saia disso tudo era o suficiente para dar um jeito na casa, comprar alimentos e ainda sobrava para outras coisas menos relevantes.
Alguns meses mais tarde.
Kise POV's.
Eu havia acabado de encerrar a campanha na qual estive trabalhando nos últimos meses, então todos presentes no estúdio se curvaram, agradecendo pelo trabalho duro! Foram momentos difíceis e eu estava realmente aliviado por ter conseguido ir até o fim. Já estava me preparando para voltar, então guardei meus pertences numa bolsa para após olhar o meu reflexo no grande espelho do camarim. Não pensei que iria precisar ficar tanto tempo longe... Toquei os fios de meu cabelo enquanto notava que este estava um pouco mais longo, tapava boa parte da minha nuca e a franja caia nos olhos. Logo passei a fixar o olhar em meu próprio rosto. Os meses tinham se passado como anos e eu me sentia mais velho, cansado. Não via a hora de retornar!
Eu já havia assinado o cancelamento do contrato e agora, só me faltava partir. Já estava saindo do camarim quando encontrei Joe. Assim como eu, ele já tinha pego suas coisas e estava pronto para ir embora. Havíamos tido uma longa conversa já que eu não queria que as minhas decisões interferissem de forma negativa na vida dele, mas como pensei, ele era popular e um ótimo profissional, então não teria problemas.
— Ei, já esta indo? – Perguntou ele, assim que percebeu a minha presença.
— Sim! Ainda não comprei a minha passagem, então não quero perder tempo.
Joe respondeu-me com um sorriso compreensivo. Andamos juntos rumo a saída, onde ele acendeu um cigarro, tragando-o para após deixar a fumaça sair pelas narinas. Ele estava preocupado. Eu o conhecia desde garoto, foi ele quem me colocou na mídia e me ajudou quando precisei. Eu era realmente grato à este homem.
— Você tem certeza, não é? – Indagou.
— Tenho. – Assenti, enquanto olhava para o céu limpo à cima de nós. – Não há com o que se preocupar! Eu finalmente me achei... Não preciso mais fugir.
— Você sabe que, se precisar, eu continuo aqui... Não sabe?
Ele havia proferido tal frase num tom tão baixo que mal consegui escutar até o fim. Não pude resistir àquele momento e comecei a gargalhar, ganhando um soco no ombro como prova de seu desgosto à minha reação.
— Estou falando sério, seu moleque mal-agradecido! – Respondeu de forma carrancuda.
— Eu sei, eu sei! Desculpe! Já disse que não precisa se preocupar!
— Posso, ao menos, te dar uma carona até o aeroporto? – Indagou enquanto apagava o cigarro, jogando-o no lixo.
Eu apenas assenti enquanto o seguia até seu carro. Ele abriu a porta do passageiro para mim e a fechou assim que me sentei, dando a volta no carro para após adentrá-lo também. Suas mãos apertaram o volante enquanto me observava pôr o cinto de segurança, então acabou por fazer o mesmo antes de finalmente girar a chave e partir rumo ao aeroporto. O trânsito estava lento e o sol, muito quente. Encostei o rosto contra o vidro da janela e o carro parou num sinal fechado. Olhei para fora e avistei uma pequena quadra de street basket, não podendo conter o sentimento nostálgico crescente em meu peito. Já fazia muito tempo desde a última vez que joguei basquete e naquele momento, tudo o que eu queria era jogar um-contra-um com Aomine outra vez!
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Descemos do carro assim que este foi estacionado em frente ao aeroporto. Adentramos o local e eu acabei conseguindo comprar a passagem de retorno com facilidade, mas ainda demoraria um pouco para o horário deste. Joe insistiu em ficar comigo até que fosse hora d'eu embarcar, mas com muito esforço, consegui convencê-lo a ir para casa descansar um pouco. O levei até seu carro e aproveitei pra mandar uma mensagem de texto para Aomine, já que não o sinal era péssimo dentro da sala de embarque. O avisei que chegaria em breve e que gostaria que ele esperasse por mim na quadra central ao invés do aeroporto. Assim que a mensagem foi enviada, voltei para dentro do aeroporto e esperei o horário do meu voo.
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Eu estava no táxi agora. Quando desci do avião, já haviam se passado duas horas do horário em que eu havia marcado com Aomine. O tempo acabou ficando ruim de repente e o avião teve que pousar em uma cidade e esperar até que o tempo melhorasse, isso havia me atrasado bastante. "Droga, já é tão tarde... Aominecchi deve estar muito chateado, preciso me apressar!", Assim que desci do táxi, comecei a correr enquanto discava o número do celular dele, não obtendo resposta alguma, o que me deixou ainda mais nervoso.
Assim que dobrei a esquina, avistei a quadra central e pensei em dar uma olhada. Era loucura, ele deveria estar em casa devido ao horário e o tempo em que já estava me esperando, mas mesmo assim, precisei espiar! Estava tudo escuro, mas conforme eu me aproximava, conseguia ouvir o som da bola em contato com o chão. "Não pode ser!" Aproximei-me mais, agachando junto à um arbusto enquanto espiava a quadra. Sorri ao confirmar a presença dele. Seus braços longos arremessavam a bola com total perfeição, era realmente incrível. Vê-lo jogar sempre me deixava sem ar... Para ele, jogar basquete era tão natural quanto respirar, e todos os seus movimentos em quadra deixavam claro essa naturalidade.
— Hey, o que esta fazendo aí, escondido?
Assustei-me ao ouvir a voz dele, já que estava perdido em meus pensamentos. Pus-me em pé e fui até ele, juntando às mãos em arrependimento.
— Aominecchi, me desculpe por chegar tão tarde!
— Huh? O que pensa que esta fazendo, chegando tarde, sendo que foi você quem impôs o horário e local?
— Desculpe, de verdade, não pensei que o fim de uma campanha seria tão trabalhoso!
Ele largou a bola, aproximando-se minimamente.
— Por que você cheira como uma garota?
— Kyaaaa, tão grosseiro! É só o meu perfume.
Ele gargalhou enquanto sentava-se num velho banco de madeira junto a quadra.
— O grande modelo poderia comprar uma água pra mim? Não deve ser um problema, certo?
— Entendido. – Assenti e então fui até a máquina de venda automática para comprar água.
Assim que voltei, entreguei a garrafa à ele que abriu-a rapidamente e tomou um longo gole. Aproveitei para tirar o casaco e guardá-lo na bolsa. O tempo era realmente diferente ali, bem mais quente! Foi então que avistei a bola no canto da quadra e corri até ela.
— Hey, Aominecchi, vamos jogar um pouco!
— Huh?
— Eu acho que seria divertido, depois de tudo...
Houve um enorme silêncio, então eu acabei por me sentar ao lado dele. Eu era algum tipo de idiota? Ele estava ali há horas, era óbvio que não queria jogar! "Será que ele esta chateado?", me questionei enquanto o espiava pelo canto dos olhos. Foi então que quase dei um pulo do banco ao que ele se aproximou. Seu nariz tocou a pele de meu pescoço, deslizando por ali enquanto uma de suas mãos tocou minha coxa cuidadosamente.
— Seu cheiro... É bem mais forte do que antes. É doce.
Meu corpo inteiro estremeceu ao sentir sua língua deslizar pela linha de meu pescoço.
— A-Aominecchi, espere–
Nesse momento o banco fez um barulho muito estranho e quando dei por mim, estávamos no chão. O banco havia virado e agora Aomine estava sobre mim, encarando-me de frente. Pisquei algumas vezes e então percebi que ele estava segurando a minha cabeça, de forma com que esta não tocasse o chão. Sua expressão preocupada me fazia sentir como algo precioso pra ele. "Oh, droga, meu coração esta batendo tão rápido! Espero que ele não perceba!"
— Está tudo bem? Bateu a cabeça? – Indagou.
— E-Estou bem.
Não consegui encará-lo, na minha única tentativa dê, pude ver seus olhos se estreitarem. Sentia minhas bochechas queimarem e simplesmente não soube o que fazer. Foi então que senti sua mão livre tocar-me o queixo, obrigando-me a olhar para ele.
— Kise...
Sua voz estava levemente rouca quando chamou meu nome, o que causou uma reação estranha em meu corpo. Seus lábios tocaram gentilmente a minha testa, acalmando grande parte dos meus pensamentos confusos. Agora, nossos olhos estavam fixos uns nos outros e só perderam esta conexão quando ambos foram fechados enquanto seus lábios selavam os meus carinhosamente. "Eu senti sua falta", ele sussurrou entre meus lábios antes de voltar a atacá-los, agora, com mais necessidade. Deixei que a sua língua adentrasse a minha cavidade bucal e logo nossas línguas dançavam num ritmo provocante, quase brigando entre si por espaço.
Ah, os beijos do Aominecchi... Sempre me deixavam desnorteado, faziam as minhas pernas tremerem e me faziam implorar por mais! Mas, dessa vez, ele não deu continuidade. Assim que nossos rostos se separaram, eu me senti um pouco tonto. Quando olhei para ele, não consegui ler sua expressão, mas parecia surpreso.
— H-hey, não chore! É minha culpa, eu só...
— Huh?
Toquei o rosto com ambas as mãos enquanto me sentava devidamente no chão. As bochechas estavam quentes e úmidas. Não podia acreditar que estava chorando sem sequer perceber! Todos os meus sentimentos tinham vindo à tona; estar ali com ele, naquele tipo de situação, após tanto tempo... Me fazia lembrar da primeira vez em que estivemos assim. A sensação era a mesma, o nervosismo era ainda maior! Eu estava agindo como um adolescente. Sequei as lágrimas com as costas das mãos enquanto podia sentir novamente o olhar preocupado de Aomine, sobre mim.
— Não... Não é como se... Não é como se eu não quisesse fazer isso!
— Então... – Aomine coçou a nuca enquanto desviava o olhar. – Vamos voltar para casa?
— Eh? Ah, c-certo.
Aomine me ajudou a levantar e também, à limpar a minha roupa. Ele deu alguns passos em direção à saída, porém parou para esperar até que eu pegasse as minhas coisas. Corri os olhos naquele lugar e sorri para mim mesmo antes de chamá-lo:
— Aominecchi! Quando tivermos um tempo, podemos jogar uma partida de um-contra-um?
Ele, que estava virado de costas, coçou a nuca, evitando contato visual de forma como se não quisesse que eu visse sua reação, o que me fez rir baixinho.
— Claro. Eu não tenho nada pra fazer no meu tempo livre mesmo... E nós teremos muito tempo, juntos.
Com a sua resposta, senti o meu coração bater mais forte e pensei que eu definitivamente poderia morrer de tanta felicidade! Corri para alcançá-lo, pegando em sua mão enquanto deixava-o me guiar em direção à saída. Finalmente os dias voltarão à ser como antes... Ou, até mesmo, melhores!
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