Remember me

1 What is this feeling?


Notas iniciais
Olá, resolvi enfim postar essa minha fic desse casal INJUSTIÇADO E CANON QUE NINGUÉM ADIMITE. Ela foi escrita perto do dia dos namorados, então vamos fingir que ainda estamos lá, okay? Serão três caps, e o próximo ainda não tem data prevista por motivos de correria, mas não vai demorar. Comentários, críticas construtivas e desabafos são sempre bem vindos, beleza?
Então vamos lá!

Eu só espero que no fim

Você se lembre...

De mim

Acordei ofegante, tateando a procura do abajur. Por Oz, era a terceira vez só naquela noite que eu era acordada por esse maldito pesadelo.

Por essa maldita lembrança.

Olhei para o canto escuro do meu quarto enquanto esperava minha respiração se acalmar.

Já haviam cinco anos, isso deveria estar melhorando, certo?

Bom, não estava.

Suspirei quanto colocava minhas pantufas de plumas enquanto vestia meu robe, indo para a cozinha da minha casa.

Eu sabia que não conseguiria mais dormir naquela noite, pois era isso que acontecia dês daquele dia.

Dês do dia em que eu escolhi, e maldito seja Oz pela escolha que fiz.

Enchi um copo com água e coloquei algumas colheres de açúcar.

Os primeiros dias foram os piores. Eu acordava aos gritos, chamando por Elphaba e demorava horas para entender que era um sonho.

Bom, tecnicamente não um sonho. Uma lembrança.

Quando eu percebi que conseguia acordar sem fazer todos a minha volta pensarem que alguém estava me capturando, tive por um breve segundo a esperança de que aquilo passaria. Afinal, quem nunca teve um amor adolescente? Era passageiro, certo?

Errado.

Nada mudou. E a cada minuto eu continuo agoniada me perguntando o que Elphaba estaria fazendo agora, como ela está.

Com quem ela está.

— Você sabe, não precisa fazer isso se não quiser – Benjamin, meu único real amigo, estava ao meu lado quanto me ajudava a prender a coroa com grampos.

Eu realmente não queria. Ser coroada a Bruxa Boa do Sul, pelo mesmo homem cujo condenou Elphaba a viver escondida por aí, conhecida como a Bruxa Má, e que ainda era seu pai?

Mas qual opção eu tinha? Embora eu tenha escolhido Oz e não a ela, foi ela quem escolheu primeiro.

Escolheu Fyero.

Quer dizer, não sei se foi realmente uma escolha. Provavelmente ela nunca deve ter duvidado disso.

Agora, cuidar de todos e proteger o máximo que eu poderia daquele ser desprezível era o que estava ao meu alcance.

Mantenha os amigos pertos e os inimigos mais pertos.

E os amores não correspondidos bem longe.

— Eu preciso Ben.

Ele sustentou meu olhar pelo grande espelho ornamentado em ouro que nos auxiliava.

— O que você está me escondendo? – me virei para olhá-lo. Benjamin não era bom com segredos. O jeito como me olhava deixa claro que algo o estava incomodando.

Tirou um papel do bolso, o colocando entre minhas duas mãos e fechando as suas envolta em seguida.

— Você está me assustando, Benjamin – parecia ligeiramente tenso, mas não abalado. Ben também não era de mistérios, não comigo pelo menos.

— Você sabia que hoje é dia 14 de fevereiro no mundo humano?

Uni minhas sobrancelhas. Do que raios ele estava falando?

— E?

— Você sabe o que significa para eles?

14 de fevereiro... 14 de fevereiro...

Neguei com a cabeça, minha curiosidade acerca do papel espremido entre nossas mãos me corroendo.

— Valentine’s Day! Também conhecido como Dia dos Namorados! – agora seus olhos assumiram um brilho infantil.

Continuei encarando-o neutra. O que diabos eu iria querer com o dia dos namorados?

Ele revirou os olhos, impaciente.

— Pelo amor de Oz, Glinda, você é meio lerda, né? — ele levantou o dedo antes que eu manifestasse minha indignação.

— Você confia em mim, Galinda? — ninguém nunca me chamava pelo antigo nome. O assunto deveria ser sério.

— Você sabe que sim.

Ele concordou algumas vezes com a cabeça, depois continuou.

—-- Você vai para sua coroação. Vai ser Glinda de sempre. Assim que o relógio marcar 00:00, quero que você suba até a torre mais alta do seu novo castelo. Completamente sozinha, não conte a ninguém, está ouvindo? Você vai saber qual torre é, é a única que precisa ser subida pela escada do lado de fora. Quando chegar lá, entregue isso ao Pegasus – ele novamente me calou com o dedo, colocando alguns torrões de açúcar que retirou do bolso na penteadeira. Sério, um Pegasus?! — o nome dele é Rubi. Ele vai te levar ao lugar. E o mais importante, Glinda meu amor. Não abra esse papel até que esteja no lugar e que o Pegasus tenha ido embora, certo?

Ele não me deu tempo de responder, já se levantando e estalando um beijo na minha testa. Eu ainda estava assimilando tudo o que ele tinha dito.

— Você não vai me dizer mais nada? Vai mesmo me deixar no escuro? — consegui pronunciar antes que ele saísse. Benjamin se virou para mim, me lançando uma piscadela.

Saiu, batendo a porta atrás de sí.

E me deixando completamente perdida, com o maldito papel queimando nas minhas mãos.

O vestido que eu estava vestindo provavelmente era mais pesado do que eu mesma. Mas, graças a algumas feitiçarias, consegui me sentir um tico mais confortável. Corri pela gigantesca escada que levava até torre mais alta daquele castelo que, por mais que eu tentasse, não conseguia chamar de meu.

O papel estava enrolado na minha varinha, o local mais seguro. As badaladas do relógio soavam abafadas, pois todos já dormiam. A coroação havia acabado cerca de uma hora, mas não conseguir sequer trocar de roupas, já que todos queriam me parabenizar.

E a única pessoa que eu queria que realmente estivesse ali, exceto Benjamin é claro, estava bem longe.

Faltava pouco, já havia passado da metade há algum tempo, e logo já não via mais o chão com tanta facilidade.

Cheguei ofegante ao final da torre. A curiosidade me consumia e me deixava eufórica.

Avistei o lindo pégasus, completamente vermelho que descansava elegantemente sobre o piso gelado de pedra. A imagem era tão linda que deveria ser um pecado acordá-lo.

Ao seu lado havia um pequeno saco de pano. Fui até ele, tomando cuidado para não fazer muito barulho e assustá-lo. No saco havia um dos meus vestidos, rosa para variar. Era um vestido fino, claro e florido de alcinhas. Simples e leve.

Verifiquei se não havia ninguém por ali, mesmo que aquilo fosse impossível, e tirei a fantasia de pessoa bondosa, colocando o vestido em seguida.

Meu corpo agradeceu imediatamente.

Agora a curiosidade vinha junto de um temor. Um... Receio? Quer dizer, o que estava por vir? Claramente Benjamin não faria nada para me prejudicar, mas e se não fosse intencional?

Bom, minha curiosidade ainda era maior que meu receio. Levei minhas mãos suavemente até a cabeça do Pegasus, fazendo carinho na sua testa. Não demorou muito para que ele acordasse. Os olhos negros eram suaves, dóceis. Ele aproveitou meu carinho por uns bons segundos, até que eu retirei os torrões de açúcar do bolso e ele ficou visivelmente mais interessado.

Pouco tempo depois eu já estava voando sobre o reino Sul de Oz. Agora meu reino. As fazendas, a cidade, os lagos... eu cuidaria daquilo co m o se fosse minha vida, como se fosse tudo o que eu tinha. Porque na verdade era.

Ele confiou, passando pelo leste, norte, é chegando a ala Oeste.

Não preciso dizer o quão eu evitava essa parte do mundo, não é? Ninguém é idiota de colocar o dedo na ferida que nunca cicatriz.

O lugar não era abandonado, como eu pensava. Pequenas aldeias de fazendeiros estavam espalhadas pela floresta. Algumas casas convencionais montavam um pequeno condomínio. O lago parecia limpo, pelo menos lá de cima. As árvores estavam saudáveis.

Parecia tudo bem. Pacato.

Não encontrei nada de aterrorizante como todos diziam.

Mas ainda sim não era um lugar que me fazia bem.

Torci mentalmente para que Rubi passasse reto e rápido. Mas como tudo na minha linda vida dá errado, foi ali mesmo que ele resolveu descer.

Bem no meio da floresta, em um grande amontoado de verde. Ele começou a diminuir a velocidade e senti meu coração na garganta.

Rubi pousou em frente a uma casa. Uma casa normal. Tijolos, varanda. Um único andar, porém parecia grande.

Demorei alguns segundos me decidindo se descia ou não. Mas, vamos lá! Não preciso repetir que minha curiosidade não é bem uma amiga, não é?

Rubi levantou vôo sem nem me dar a oportunidade de mudar de idéia. Me deixando lá, sozinha, desamparada.

Olhei o relógio em meu pulso. 1:30 da manhã em ponto. Até que não era tão demorado assim sobrevoar Oz.

Respirei fundo, tomando coragem e tirando o papel da minha varinha.

Eu não o queria abrir, pois a essa altura eu já imaginada sobre o que ele era.

Mas mesmo assim o fiz.

“Vá buscar sua garota, Loira!”

Não segurei minha risada a tempo. Era claro que Bejamin faria isso, eu só gostaria de ter percebido antes.

Ela nunca foi minha garota.

Eu deveria ir embora, não deveria? Mas, POXA, eram cinco anos!

Cinco anos que eu não a via, não ouvia sua voz, não olhava nos seus olhos.

Nada desse tempo teve alguém efeito no que eu sentia por ela.

Seria rápido. Talvez,se eu conseguisse espiar por uma das janelas ela nunca desconfiados que eu estive ali. Além do mais, Rubi me abandonara ali, sem carona para a casa. Alguns minutos a mais ou a menos espiando não fariam mal.

Bom, provavelmente fariam, levando em conta como ainda dói excessivamente cada vez que me lembro da ultima vez em que nos vimos.

Mesmo assim, decidi que eu tinha que passar por isso. Tinha que encarar a verdade de frente, quer dizer, tinha que espiar a verdade silenciosamente e depois fugir.

Mas é claro que tropeçar na varanda e cair sobre o piso de madeira, fazendo um barulho danado estava nos meus planos.

A sensação de apreensão tomou conta de mim. Não me mexi, torcendo para ela não ter ouvido. Mas é claro que ela ouviu, Elphaba era atenta. Esperta.

Dois segundos depois a porta da frente foi aberta.

Elphaba me encarava paralisada.

Ela estava com uma camisola preta simples, os cabelos lisos literalmente bagunçados e os olhos surpresos.

Pensei que fosse sentir como se meu coração quisesse sair pela boca quando a visse, mas não. Eu senti uma calma incomparável. Quanto tempo fazia que eu não sentia isso? Cinco anos?

— Elphie – murmurei enquanto me levantava. Os olhos continuavam os mesmos. Negros e tristes. Cansados.

— O que você está fazendo aqui?! – sua voz foi sussurrada. Ela olhou em volta, e abriu a porta para que eu entrasse.

Aquela frase me machucou. Me machucou ainda mais por não saber a resposta.

— Você quer mesmo que alguém te veja aqui? – exclamou quando eu não fiz menção em me mexer.

Neguei com a cabeça, passando por ela e entrando na casa.

— O que você quer?

O seu tom era acusatório, talvez até magoado.

O que eu queria ali? Bom, Elphaba, eu queria você, sua idiota.

— Eu vim te ver, não é óbvio? – me coloquei na defensiva.

Ela me olhou com uma das sobrancelhas arqueadas.

— Por quê?

Soltei uma risada sem humor. Dei de ombros.

— Por nada, Elphaba.

Encaminhei-me para a porta. Eu sabia! Sabia no momento em que percebi o que Benjamin estava fazendo, que aquilo seria um erro.

— Então é isso? Você aparece na minha porta depois de cinco anos, e depois decide ir embora de novo?! – ela se colocou entre mim e a passagem.

Por Oz, como essa mulher era difícil.

— O que você esperava, depois dessa recepção calorosa? Uh?

Me movo para o lado para alcançar a maçaneta, e ela se move junto.

— O que você esperava, depois de ter me deixado, em Glinda?

Olhei nos seus olhos, e vi de relance algumas gotas se acumularam ali. Nos encarávamos, acusatórias. Como no nosso primeiro dia de aula.

Elphaba, será que você não entende que quem escolheu isso foi você? Como pode me condenar por não querer passar o resto da minha vida ao lado da pessoa que amo, com essa pessoa abanando outro alguém?

Levei uma das minhas mãos até seus olhos. Limpando uma das lágrimas teimosas. Ela não se retraiu.

— Elphaba, se você soubesse... – murmurei mais para eu mesma.

— Então me conta, pelo amor de Oz. Me deixa saber, Glinda.

O que eu tinha a perder, não é mesmo?

— Eu não podia, Elphie. Não podia ficar ao seu lado.

— Claro que não. Você tinha que fazer o seu papel de bruxa boa, não é? – aquele tom despertou uma irritação em mim.

Soltei seu rosto. Encarei-a, desacreditada.

— Cala a boca, sua idiota! – como e queria socá-la! – Você pensa que sabe tudo, Elphaba, mas é burra o suficiente para não perceber o mais óbvio! – Dei as costas para ela, andando a passos pesados pelo cômodo. – Eu, Glinda, te deixei por que eu te amava, sua estúpida! Te amava enquanto você amava Fyero! Você poderia mesmo me condenar por isso?!

Nenhuma descrição poderia fazer jus a cara de surpresa de dela. Ela estava congelada, em frente à porta.

Nunca pensei que despejar isso poderia ser tão fácil. Sempre guardei, mesmo quando éramos inseparáveis, sempre mantive bem escondido.

Desviei o olhar, focando em uma poltrona felpuda no canto da sala. Ninguém disse nada por alguns segundos, e senti que essa era minha deixa para ir.

Ir de vez.

— Por que não me contou? – a pergunta camuflada a acusação. Elphaba não me olhou.

Não respondi nada. Ela estava apaixonada, e eu era sua melhor amiga, porque contaria?

— Eu nunca fui apaixonada por Fyero, Glinda. Nós nunca tivemos nada.

— Ah, tá.

— Eu tô falando sério! – ela se aproximou de mim, e eu não me movi – Eu o amo Glinda, claro que o amo. Mas não como você pensa.

— Elphaba, não tente me fazer de idiota — arrumei minha coluna ereta, pronta para ir embora. Aquilo estava ficando doloroso demais – Não finja que vocês não estão juntos!

— Nós não estamos! Por Oz, Loira, o que eu tenho que fazer pra você entender isso?! Fyero é como um irmão para mim! E ele está muito bem namorando um tal de Benjamin do seu reino.

Engasguei com minha própria saliva. Agora tudo fazia sentido! É claro que os dois amaram tudo isso, tim tim por tim tim.

— Ora, se eu não mato aquele cara de... – voltei a andar de um lado para o outro da sala. Elphaba me olhava, sem entender nada.

Se ela nunca fora apaixonada por Fyero, então eu poderia ter contado tudo, dês de sempre! Eu poderia ter fugido com ela.

Deveria, na verdade.

— Glinda, foi você quem escolheu me deixar. E na hora eu entendi, entendi que você nunca poderia gostar de mim do mesmo modo que eu gosto de você. Vamos lá, eu sou... Verde... não deveria nem ter nutrido aquela estúpida esperança...

No impulso para fazer aquela boca parar de falar baboseiras, a beijei. Segurei seu rosto entre minhas mãos e uni nossos lábios. Fiz o que eu morria para fazer a anos.

Quantas vezes não me peguei pensando qual seria o gosto do beijo dela? A sensação? Mas nada me preparou para como eu me senti inerte.

Entregue.

Suas mãos agarraram possessivamente minha cintura, me cercando no seu abraço enquanto baixei meus braços para seu pescoço. Mal esperei que ela entreabrisse os lábios e já me apossei do que deveria ter sido meu a muito tempo. Não estávamos sendo gentis, aquilo era cheio de urgência. Desespero. Vontade.

Saudades.

Mágoas.

Levei meus dedos até sua nuca, agarrando um tanto de cabelo ali. Senti seu gemido desesperado quando percebi ser levantada, e prensada contra a parede. Passei minhas pernas pela sua cintura, me segurando.

Perdi a noção do tempo, do espaço e de tudo no que poderia perder. A única coisa importante ali era a língua de Elphaba na minha boca, me levando ao mais inimaginável paraíso, e suas mãos faziam um ótimo trabalho em me deixar louca passando demoradamente pelas minhas pernas.

Movi meus dedos até a alça fina da sua camisola, deixando que uma delas tomasse sobre seu ombro. Interrompi o beijo, descendo com meus lábios pelo seu pescoço e parando no seu ombro.

Ela segurou meu rosto delicadamente, ainda me mantendo muito bem segura onde eu estava. Me encarou com seriedade, seus olhos pareciam procurar alguma resposta nos meus.

— Eu quero você, Glinda.

Percebi o que ela procurava. Qualquer gesto de desconforto ou hesitação, e eu sabia que Elphaba pararia. Que ela nunca levaria adiante se não tivesse certeza que eu estava completamente de acordo.

Abri um sorriso, colocando uma mecha dos negros cabelos atrás da sua orelha.

— Eu sempre fui sua, Elphie.

Notas finais
Me deixem saber o que vocês acharam, até o próximo :*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.