Remember Yesterday
6 Capítulo 6 - The Kiss Of A Dawn
Notas iniciais
The Kiss of a Dawn
(Flash Back Mode off)
“É meio decepcionante ver como o destino fez de tudo para o que aconteceu entre a gente acontecesse, e pra agora estarmos aqui, assim. Eu corri bastante atrás de você, o que também foi decepcionante, eu fiz tudo o que pude... Mas eu não estou reclamando, eu entendo pelo que você está passando e também entendo como é complicado decidir as coisas desse jeito, com certa pressão, e isso é culpa minha, eu sei. Não queria te pressionar assim, me perdoe. Mas eu te peço pra se você se arrepender, deixe seu orgulho de lado só uma vez, e me avise, por que eu volto de onde quer que eu esteja pra te ver de novo...
Você lembra do nosso primeiro beijo?”
(Flash Back Mode on)
Katherine Casay.
Acordei novamente, provavelmente com uma lombada na estrada. Agora o silencio dominava, levantei a cortinha da janela e percebi que já era noite, provavelmente quase ao amanhecer. E antes de me levantar preguiçosa, aquele cheiro forte de colônia subiu no meu cérebro, me dando certa tontura.
Fiquei me perguntando aonde o homem da colônia forte estaria dormindo naquele momento. Continuei andando, ninguém na cozinha também, peguei um copo de suco e me dirigi até o lobby, assistir tv seria o único jeito de passar o tempo. Ao abrir a porta, vi a mesma ligada num volume muito baixo, e me aproximando vi o próprio Ville Valo dormindo encolhido no estreito sofá direito. Ele era o dono daquela cama da qual eu dormia? Bobo, eu pensei, podia ter me avisado, passou a noite ao relento pra não acordar a garota preguiçosa, culpada pelo murro que ele levara na cara.
_Ville, acorda. –Mexi devagar em seu ombro.
_Hã? –Ele abriu os olhos preguiçosamente, tirando a madeixa de cabelo que lhe caía sobre o rosto. –Olá. –Sua voz estava mais rouca.
_Seu bobo! Aquela cama era sua afinal! –Eu mesma não podia acreditar que fiquei sentindo aquele cheiro, que era exatamente dele, sem ao menos saber. –Porque não me avisou?
_Pra você dormir no sofá? Claro que não, você estava dormindo que nem um bebê ali. –Ele sorriu, se levantando e tentando desamassar a camisa pólo de cor vermelha escura que lhe caía tão bem, mostrando a incrível tatuagem que lhe cobria o braço esquerdo.
_Eu podia ter ido dormir com a minha prima. –Me sentei ao seu lado. –Well, não te acordei pra te encher o saco, vai lá dormir na sua cama.
_E você, vai dormir aonde?
_Já dormi o suficiente, você não acha? –Eu sorri sem graça.
_É, eu também já dormi o suficiente. Alias, que horas são? Eu não consigo enxergar o relógio daqui. – Ele apertava os olhos em direção a um pequeno relógio de parede do outro lado do cômodo.
_São quatro da manhã.
_Opa! Vamos ver o sol nascer logo então! –Ele sorriu como uma criança e olhou nos meus olhos, não pude deixar de corar ao ver a luz da lua batendo eu seu rosto, o que também lhe caia muito bem, e seus olhos daquele verde encantador... Ficamos olhando um ao outro por alguns segundos, e os dois ficamos sem graça o suficiente para abaixarmos nossas cabeças e simplesmente sorrir.
_Hããn... O que você vai fazer com o Bert agora?
_Eu não sei... Eu não posso mais levar essa relação pra frente, você viu o jeito que ela mal começou, não é? Aliás, o Bert chegou a acordar? E o seu rosto, está doendo muito?
_Não, continua dormindo, mas ele está vivo, fomos checar varias vezes. –Fez uma pausa, sem graça. –E não se preocupe com meu rosto, só aconteceu porque eu o provoquei o suficiente, e tentei segurá-lo quando ele foi até sua cama. –Silencio novamente. –Me desculpe ter perdido a calma, eu não tenho nada a ver com a sua vida pra ficar me metendo em seu relacionamento.
_Ah, eu queria falar sobre isso com você...
_O que? Sobre eu me meter na sua vida? –Ele pareceu assustado. –Eu não vou fazer de novo, eu prometo... É que o Bert me tirou a paciência e...
_Hey, calma! –Eu o interrompi, sorrindo. –Não é disso que eu estou falando, não estou reclamando de você tentar me proteger, pelo contrario, queria também te agradecer por se preocupar comigo sem ao menos me conhecer.
_Bom... De nada. –Ele sorriu tímido, encolhendo os ombros. Tão doce.
_Well, eu queria te perguntar o porquê. Porque você estava tão puto com o Bert, ele falou alguma coisa? O que ele disse, afinal? Ninguém me explicou nada na hora, e o que você disse pra levar um murro dele?
Ville deu uma risada debochada de uma única sílaba, mas seu rosto se mantinha sem nenhuma emoção e com o olhar vago, como sempre. O que me deixava levemente incomodada, o que tinha por trás de todo aquele mistério afinal? O que ele pensava? O que ele sentia?
_Esquece isso Kate, não faz diferença agora e nem vale a pena falar sobre, okay? –me sorriu novamente, encostando sua mão sobre meu ombro como consolo.
E pela primeira vez, Ville me chamou pelo nome de Kate, e não Katherine, me deixando perplexa e feliz.
_É... –Ville corou e encolheu os ombros novamente. E finalmente eu estava conseguindo descobrir um pouco do garoto por trás daquela casca.
_É a primeira vez que você me chama assim e não de Katherine! -Imitei seu sotaque puxando o a europeu.
_Eu demoro pra me acostumar com apelidos... Sei lá. –O garoto então corara violentamente, desviara os olhos para os próprios joelhos e coçara a cabeça.
_Aaah, você está ficando vermelho! Que bonitinho! –Então o abracei, sem ao menos pensar no quanto aquilo não fazia o menor sentido. E quando me toquei do que estava fazendo, já estávamos abraçados, e aquela forte colônia me subia novamente as narinas, arrepiando minha espinha.
Ele então me apertou com mais força e intensamente. Como eu sentia saudades de um abraço como aquele, carinhoso como um abraço de mãe, onde eu me sentia completamente protegida e me esquecia de meus problemas, um abraço como o Bert nunca me dera, cheio de...
Amor.
Ele encostou sua cabeça sobre meu ombro, e ficamos daquele jeito por alguns segundos.
_Ville?
_Não fala nada, me deixa ficar assim mais um pouco. –Disse baixinho em meu ouvido e me apertou ainda mais forte, até eu sentir sua respiração indo e vindo calmamente contra o meu peito, e até sentir seu coração batendo rapidamente contra o meu. Seus braços se entrelaçavam por minhas costas e suas mãos apertavam minha cintura, me dando um frio na espinha.
_Tudo bem. –Respondi tremula. Encostei minha cabeça sobre seu ombro também, e de repente me dei conta de duas lagrimas que rolavam sob meu rosto, e eu não sabia o porquê, eu não entendia aquela sensação, só sabia que queria chorar e deixar tudo de ruim passar naquele momento, sem a mínima vergonha de minhas lágrimas.
Quando nos soltamos, meus olhos ainda estavam molhados.
_Hey, o que foi? –Ville colocou sua mão gelada sob meu rosto, enxugando meus olhos delicadamente.
_Nada. Eu juro, não é nada, só tive vontade de chorar... Desculpe.
_Não peça desculpas. Acho bonito chorar sem ter motivo aparente.
Eu sorri, enxugando meus olhos. E ao abri-los novamente Ville voltou a colocar sua mão em meu rosto, e o aproximou do seu lentamente. Mantendo o rosto sem emoção. Mas dessa vez estava tão próximo a mim que pude enxergar a emoção em seus olhos serenos e intensos olhando de minha boca para meus olhos com um desejo paralisante. Fechei meus olhos, simplesmente me entregando a aquilo como se fosse o que eu mais esperava dês de que o conheci. E no mesmo momento em que o sol nascia, nossos lábios se tocaram delicadamente, foi o beijo de um amanhecer que nós dois não sabíamos o que traria, apenas estávamos entregues àquele momento e nada mais importava. Seu beijo era lento e molhado, envolvendo meu corpo numa espécie de êxtase da mistura da agitação dentro de mim com os movimentos simplesmente calmos aos quais ele me levava. Sua mão deslizou gélida de meu rosto para minha nuca, e ele a puxou para si delicadamente, como se eu fosse um brinquedo de cristal que poderia quebrar a qualquer momento. E a luz do sol desvirginava o lobby de maneira clara e suave, enquanto esquentava nossos corpos.
Se eu pudesse voltar no tempo agora, voltaria para aqueles momentos e paralizaria o tempo para sempre.
Quando o beijo que me parecia eterno terminou, Ville continuou com sua mão sob minha nuca e mantendo nossos rostos ainda muito pertos um do outro, então ele me sorriu abertamente, mostrando os dentes atacantes separados, e disse, com seu tom de voz mais suave.
_O sol nasceu pra ver agente se beijar.
(Flash Back Mode off)
“ULTIMA CHAMADA PARA A SAÍDA DO AVIÃO COM DESTINO A ROMA.
Eu não posso mais enrolar aqui... Tenho que ir. Desculpe-me, você sabe que se eu pudesse ficaria aqui com você, eu juro. Me promete que não vai se esquecer de mim? Que não vai se esquecer de nada do que eu te falei, e nem de nenhuma palavra de nenhuma das varias vezes que me declarei? Promete que vai se lembrar de mim sempre que ver o sol nascer?”
“Eu prometo.”
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The Kiss of A Dawn _ HIM
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