Remember Yesterday
11 Capítulo 11 - The Love Cats (pt.I)
Notas iniciais
The Love Cats -PT.I
Katherine Casay.
Uma semana se passou, muitos shows, muitas festas. Tive de me acostumar com algumas piadas indecentes até que todos finalmente esquecessem dos acontecimentos por causa das pílulas de speed. Pedi desculpas a Bert, digo,tentei: Acabamos discutindo novamente e resolvi simplesmente deixar do jeito que estava, fingindo que aquilo não me machucava. Me acostumei a sentir falta de Ville ma dando bons conselhos, ele não falava comigo, dês do dia em que lhe dei um fora no trailer. As únicas palavras que troquei com o finlandês foram “Me desculpa por tentar te agarrar ontem à noite”
“Tudo bem, eu entendo” (vira as costas)
Alguns casais bizarros começavam a aparecer: Roxane e Dunn; Bam e Ashley, finalmente; Gerard e Frank, o mais bizarro deles, afinal, eu sempre achei que Gerard ainda fosse apaixonado por Bert. Costumávamos, ou pelo menos eu e mais algumas pessoas, a nos beijar sem nenhum compromisso quando estávamos bêbados no meio da madrugada, a partir da primeira garrafa vazia, brincávamos de Rodá-la no chão e simplesmente nos dar selinhos. Ville quase nunca brincava, mas confesso o sangue me subiu a cabeça quando tive de engolir a cena do mesmo dando um beijo francês em Cassie, sim, eles eram o novo casal do momento.
Aquele dia havido sido corrido, acompanhamos o show da The Used, e o primeiro show da HIM. Meu coração bateu rápido e minha pele se arrepiara ao ouvir novamente a voz de Ville cantando, Lily o acompanhava com solos gritados de guitarra, misturados a Power-chords poderosos, flips do baixo de Migé, a bateria agitada de Gás e os acordes melódicos do teclado de Burton, que davam um êxtase sombrio às musicas.
Voltei para o hotel com os ouvidos zunindo e a cabeça latejando, as canções daquela tarde continuavam ecoando em minha cabeça, comemoramos mais um ótimo dia de shows bebendo pelo resto da noite, Bam mandara construir uma mini pista de skate ao lado da piscina, e aquela virou motivo de fanfarra. Em meio as contusões adquiridas pelo skate, muitas bebidas e maconha, nos vimos todos dançando ridiculamente alguma balada romântica dos anos 80 que tocava no rádio, pulando na piscina, fazendo piadas e rindo, todos como irmãos, Ville e Bert chegaram até a conversar sem nenhum ressentimento, Bam tentava me ensinar à andar de skate, mas desisti no segundo tombo.
Por volta das quatro da manhã, Ville aparecera depois de um sumiço de meia hora.
_Meu deus, o que você fez? –Bam estava sentado em uma das mesas, ao meu lado, eu estava de costas para a entrada de Ville, mas me virei abruptamente ao ver a cara pasma de Bam.
Tinha alguma coisa diferente em Ville, não soube dizer no primeiro milésimo de segundo, mas depois me dei conta, os cabelos longos do garoto agora estavam rentes à nuca, os cachos lhe caiam sobre as orelhas, o rosto apagado e encoberto pelo cabelo agora dava lugar a um rosto claro e jovial, seus olhos pareciam brilhar mais, a pele quase branca reluzia com certo coro saudável nas maças do rosto, ele sorria.
_O que?
_Você cortou o cabelo?
_Não, tirei pra lavar, imbecil. –Ville deu uma gargalhada e se sentara ao meu lado na mesa. Cassie não tirava os olhos dele; Ninguém tirava os olhos dele, afinal.
_Gostei do corte, ficou mais sexy. –Raab veio por trás e deu um beijo na bochecha de Ville, seguido de uma gargalhada bêbada.
_Eu gostava do seu cabelo. –Bam resmungara baixinho, cruzando os braços como uma criança que não ganhou seu presente de natal.
_Eu enjoei dele, e resolvi cortar... Ficou tão ruim assim? –Indagou com o rosto preocupado.
_Não mesmo, acho que ficou mais bonito. –Cassie sorria descaradamente ao seu lado na mesa redonda.
_É, agora dá pra ver seu rosto, combina melhor com você o cabelo assim. –Eu sorri sem graça, sem saber o que ele me responderia, e SE ele responderia.
Ville me sorriu de volta, corando um pouco. “Então ta bom assim...” Disse baixinho consigo mesmo, mas eu pude ler seus lábios.
A noite continuou, e logo todos foram dormir, eu estava bêbada o suficiente pra cair na cama e dormir como pedra. Não tive muitas horas de sono até ser acordada por batidas frenéticas na porta. Levantei-me no meio do escuro, tropeçando em meus calçados espalhados pelo chão.
_Kate, precisamos conversar.
Eu não sabia o que fazer, me encontrava sentada em minha cama, tomando um energético, e ao meu lado, Bert filosofava sobre a merda que estava fazendo com sua vida, como se quisesse me dar alguma desculpa pra fazer algo... Eu só não podia esperar pelo que.
_Por favor –Pegou minhas duas mãos e me olhou nos olhos. –Volta pra mim, eu sei que fui um babaca, mas eu não tinha percebido o quanto eu sou completo do seu lado, eu preciso de você Kate! Eu te amo, não sei ficar sem você...
Nos abraçamos e ele chorou em meu ombro como um garotinho arrependido, me pedindo milhões de desculpas e dizendo mais milhões de palavras adocicadas. Senti pena dele, conversamos o resto da manhã, até o sol estar em seu pico mais forte. Eu o perdoei sem pensar no aquilo acarretaria, só sabia que não queria ficar sozinha, eu já tinha fodido tudo o que podia ter com Ville, e agora ele estava tendo um lance com Cassie, não queria parecer a idiota, nem acabar por correr atrás dele do jeito que eu sabia que correria dali alguns dias. Então aceitei Bert de volta.
_Vamos começar tudo de novo, aos poucos, sim? –Aquela foi a saída para que eu não tivesse a obrigação de tranzar com ele novamente. Lhe disse sorrindo com toda minha falsidade, e ele se foi me agradecendo.
Afoguei a cabeça no travesseiro, agora arrependida. Eu não precisava daquilo pra tornar meus dias mais felizes, não precisava enganar Bert daquele jeito, ele pareceu-me tão sincero em suas palavras que no momento pensei “Vou aproveitar” mas agora me sentia impura, egoísta e errada.
Bert McCracken.
Me sentia mal pelo que acabara de fazer. Mas Kate me aceitou tão facilmente de volta de não pude deixar de me perguntar se não estava, na verdade, lhe fazendo um favor. Ela parecia carente.
Foi ainda mais fácil que roubar doce de uma criança, Kate ainda me amava, isso era fato, e fazia meu ego ir até as alturas. Quando Gerard me visse ao lado dela novamente, tenho certeza que largaria o mini-bicha e correria atrás de mim de novo.
Topei com Ville no corredor, lhe dei um sorriso obviamente falso, e ele me devolveu um mais falso ainda. Era tudo culpa dele, pensei. E assim os dias foram passando, uma semana inteira se passou, e o Gerard? Nada.
Katherine Casay.
Era uma festa, não sei. Não me lembro direito. Estávamos comemorando alguma coisa, e eu fui dar uma de babaca e tomar aquela pílula de novo, já que estava bem menos nervosa, talvez a trip fosse mais alegre.
Tudo era muito colorido, fiquei me perguntando se aquela merda não estava misturada com algum tipo de LSD. Eu estava alegre, eufórica, pulei na piscina, dancei, abracei todos os meus amigos com todo o amor do mundo.
Já era bem tarde, eu tinha bebido de mais e comecei a ficar com sono, efeito estranho de novo. Resolvi ir para a cama, e sem avisar ninguém, subi as escadas (fiquei com medo do elevador, de passar mal lá dentro, de esquecer o andar e ficar horas ali, de a porta não abrir, de o elevador cair, de ter um psicopata dentro dele me esperando...) E novamente, me perdi nos corredores. Demorei muito tempo pra achar meu quarto. Eu tinha certeza que era meu quarto... Quando abri a porta me deparei com Cassie e Novak, nus na minha cama. Eles se desculparam rindo, não me lembro o que falei e depois que se foram. Tentei dormir. Coloquei minha camisola, que não parecia a minha camisola na verdade, mas estava na mesma gaveta que a deixei, se não me enganava. Fiquei parada por vinte minutos na frente da cama, ela já não parecia minha cama...
Vou procurar outro lugar pra dormir.
Saí do meu quarto, andando cambaleante e rindo de mim mesma, cheguei até o fim do corredor, voltei, desci um andar de escadas e fui até o fim do corredor, voltei novamente. Meu deus, estou perdida... O que eu estou fazendo aqui mesmo? Voltei novamente até o fim daquele corredor, as luzes ofuscavam meus olhos, a parede parecia se mover. Aquela pílula não era speed na verdade.
O ultimo quarto do corredor, não vi o numero, não vi o papel colado com adesivo onde ficava o nome do dono do quarto. A porta estava encostada. Não custa nada tirar um cochilo. Entrei, me deitei na cama como se fosse a minha, fechei meus olhos.
Uma hora deve ter passado, eu não consegui dormir apesar de me sentir muito cansada. Podia ser um tipo de bad trip, pensei. Continuei com os olhos fechados, respirando calmamente. Vou fingir que estou dormindo, e assim enganar meu cérebro. Ri comigo mesma.
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The Love Cats _The Cure.
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