Notas iniciais
Mais um cap pra vcs :)) Beijos e nos vemos nas notas finais

Eu posso ser fria. Eu posso ser forte. Mas com você, tudo é diferente do que está agora. Eu queria que você estivesse aqui. Avril Lavigne, Wish you were here.

Acordei na manhã seguinte com uma dor de cabeça me incomodando. Passei os primeiros trinta segundos tentando me lembrar do que eu tinha feito ontem, e como uma onda grande, as memórias vieram de uma vez. Ikuto ainda estava desaparecido. E eu ainda não tinha ideia de como encontra-lo.
Peguei o envelope da carta, e me lembrei do colar que ele tinha mandado. Olhando de perto, ele era um coração dourado, e no meio tinha o que eu achava ser uma sigla: LANE. Era pequeno, mas nem tanto. Coloquei-o em meu pescoço e fui acordar as meninas.
Apesar de ser sábado, nós tínhamos muito trabalho para fazer. Tudo isso por quê minha mãe decidiu que se eu fosse ficar em casa, teria que limpá-la inteira antes que voltassem de viagem, e isso incluía um sótão empoeirado que não era limpo há uns dois anos; eu mereço mesmo.

– Bora lá meninas acordem! Vocês têm que me ajudar a arrumar essa casa! Eu falei abrindo o ovo de cada uma delas.
– Ah Amu é sábado... deixa agente dormir, vai.
– Não mesmo, Miki. Meus pais voltam na segunda, e se agente não arrumar hoje, vamos ter que arrumar amanhã, e é domingo. Se lembram que eu prometi que vamos sair amanhã? É isso, aí eu estou escolhendo um lugar especial pra gente ir... Era fácil convence-las de alguma coisa, só precisava dá-las o que gostavam.
– Eu quero ir no zoológico, desuu! A Suu disse pulando de seu ovo.
– Eu também! Disseram Ran e Dia.
– E você Miki, tem algum lugar que queira ir?
– Eu só lhe ajudo a arrumar a casa se me der um caderno de desenhos novo. Revirei os olhos. Chantagista.
– Tudo bem, agora, AO TRABALHO!
– SIM SENHORA! E correram para a cozinha. Pude escutar de lá elas gritando Ebaaa nós vamos a zoológico. Não pude deixar de rir.

– A divisão do trabalho fica assim: Miki e Suu com a cozinha e as salas; Ran e Dia com os dois quartos e o banheiro e eu com meu quarto, o sótão e os corredores. Temos até a noite para terminar. Podem começar!
Fui para o meu quarto primeiro, depois para os corredores e por último o sótão, por que com certeza eu iria demorar lá. Comecei separando a roupa suja, os pacotes de comida vazios e arrumei a cama, o guarda roupa e a escrivaninha. Desci até a área de serviço e liguei a máquina pra botar as roupas e peguei um saco plástico para botar o lixo. Aprovei para pegar a vassoura e a pá, já que iria para o corredor em seguida.
Chegando ao corredor onde ficavam os quartos, varri tudo e passei pano de chão. Não demorei muito lá, e fui logo para o corredor principal da porta da frente. Retirei os sapatos e guardei-os, depois varri e passei pano. Olhei para o relógio e percebi que estava na hora de botar as roupas na secadora. Depois de fazer isso, olhei para o relógio. Eram 14:50, eu tinha começado ás 11:00, então tinha feito as coisas rápido. Agora só faltava o sótão.
Subi a escada empoeirada que levava até ele, e abri a pequena porta de madeira, sentindo um cheiro de umidade e poeira e inevitavelmente espirrei, derrubando uma prateleira inteira no chão. Ótimo. Mais trabalho pra mim.
Comecei trazendo todo o lixo maior pra dentro do saco plástico, depois varri e passei pano de chão, e devo dizer, estava muito difícil de tirar toda aquela sujeira.
Depois de mais duas horas organizando tudo aquilo, vi que meu foi bem feito. Mamãe vai gostar.
– Amu-chan! Terminamos a nossa parte. — Disse Ran
– Muito obrigada, meninas! Vocês ajudaram muito!
– Claro, eu e a Suu fizemos a maior parte mesmo... Disse Miki logo que chegou.
– Não fizeram, não! Disse Ran com a expressão de irritada.
– Fizemos sim! Disse Miki.
– Meninas sem brigas... Disse Dia. Na hora em que ela falou, uma foi pra cima da outra e ficaram se batendo, até que caiu uma por cima da outra, derrubando uma estante com vários albuns do papai. Ok, agora eu fiquei irritada.
– MENINAS PAREM JÁ COM ISSO! — Eu respirei fundo tentando me acalmar. — As duas foram bem. Agora, nós vamos guardar essas coisas e assistir um filme.
– Hai, hai.
Eu comecei recolhendo os albuns mais antigos. Como papai era fotógrafo, ele gostava dos albuns em ordem cronológica.
– Amu-chan! Eu achei uma coisa... — Ran disse me chamando.
– O que foi?
– É melhor você olhar... — Fiquei meio desconfiada, mas fui.
Quando cheguei atrás da estante, tinha um buraco retangular no assoalho. Olhando de perto, parecia mais um alçapão. Mas o estranho nem era isso, o fato é que dentro do buraco tinha uma caixa marrom, bem pequena e empoeirada. A segurei e percebi que estava bem empoeirada, como se tivesse sido posta naquele lugar há muito tempo.
– O que será que tem dentro? — Falei comigo mesma.
Tinha muitos bilhetes e cartas organizadas por data. E bem no fundo um diário com as bordas e fechaduras douradas. O estranho era que, diferente de outros diários que já vi, esse não tinha um cadeado na fechadura, mas um formato de coração, como se eu tivesse que encaixar alguma coisa para abrir o diário. Boa ideia que essa pessoa teve. Assim ninguém conseguiria arrombar.
Voltei minha atenção para os papeis que estavam dentro da caixa. Como estavam em ordem cronológica, peguei a mais antiga.
Parecia uma certidão de nascimento, mas ao invés disso, era de adoção. Que estranho. Por que guardariam isso aqui? Meus pais pareccem estar encondendo isso de alguém...
'' My best friend, best friend 'til the very end 'Cause best friends, best friend don't have to pretend...''
Oath da Cher Lloyd começou a tocar quebrando meus pensamentos. Olhei o visor do celular e vi o nome da Rima.
–Alô?
–Amu! Eu preciso te falar uma coisa que aconteceu... É urgente!
–Tudo bem, pode falar.
–Teria problema se você viesse aqui em casa? Eu quero falar pessoalmente — Olhei o horário e vi que ainda estava cedo.
– Ok, já tô indo. — E desliguei o celular. Pra ela ter falado daquele jeito tinha que ser importante.
Olhei para as minhas charas e percebi que estavam bem cansadas pelo trabalho de hoje.
– Vocês querem ir comigo ou preferem ficar aqui descansando?
– Eu quero ficar desuu...
– Eu também estou cansada. — Falou Ran se sentando na poltrona.
– Então eu já vou indo, meninas. Não abram a porta pra ninguém. — Eu desci a escada e peguei um casaco de frio. A caixa eu botei na minha escrivaninha, mais tarde eu analisaria melhor.

Andei até o ponto de ônibus mais perto da minha rua e olhei mais uma vez para a minha casa. Por algum motivo, meu coração ficou inquieto. Ah, vamos lá, eu pensei, não vai acontecer nada.
Talvez não naquela noite.

Notas finais
Vou postar outro semana que vem ;)