Notas iniciais
hoje é o último capítulo dessa fic e ele teve uma importância enorme pra mim! arigato gozaimashita e um feliz aniversário pra banda que hoje completa 11 anos: the GazettE!

Onze anos de banda... E eu ainda me sentia como se tivesse acabado de decidir que eu queria ser músico... Onze anos de banda... E eu não sabia dizer qual parte me parecia mais irreal naquele sonho que sempre me disseram que era impossível...

Desde criança, eu acreditava em tudo o que poderia ser impossível... Acreditava que toda a beleza poderia ser encontrada no impossível... E era essa a razão de ninguém encontrar a beleza quando crescia... Os adultos acreditam tão pouco no que é impossível que passam apenas o tempo que lhes resta dividindo o mundo entre o que acham ser possível e o que não devem acreditar que é possível... Eu passei minha infância acreditando que o impossível era uma coisa que só as pessoas grandiosas podiam transcender!

Não demorou muito para que eu concluísse que era o meu destino transcender o impossível! Eu seria grande! E acreditava nisso porque todos os adultos a minha volta concordavam quando diziam que eu era sem dúvidas uma criança impossível! Quando minha professora me disse o que eu tinha crescido ouvindo em casa, passei a me considerar Akira, o Impossível! Eu não entendia (e nem ligava) que o que todos queriam dizer era que eu era uma criança encrenqueira e difícil de controlar (o que eu realmente fui, com certo orgulho que acho que não deveria ter e um pouco de vergonha por ter dado à minha pobre mãe mais fios de cabelos brancos do que ela devia ter hoje)... Eu entendia apenas o que queria entender naquela época: eu tinha de seguir meu caminho e ser grande!

Eu me apaixonei por muitas coisas impossíveis ao longo dos anos... Mas por nenhuma delas foi como quando me apaixonei pela música... Naquela época, eu ainda não imaginava que seria ela que me tornaria grande, mas eu passei a ouvi-la em todos os cantos e ela me mostrou em duas diferentes situações que era o meu destino... Meu guia...

A primeira delas foi quando eu comecei a trabalhar para comprar minha primeira guitarra... Não consigo hoje me lembrar com muita certeza quando decidi que era o que eu devia fazer... Conseguir uma guitarra... Porque muitas vezes são lembranças confusas que não me parecem mais do que sonhos com uma realidade transformada... E eu lembro tão pouco de meus sonhos... Mas eu me esforcei durante meses, poupando tudo o que eu podia para que conseguisse a quantia esperada...

Naquela época, todo mundo queria ser um guitarrista como o hide-sama, ou o Pata-san, ou o Inoran-senpai, ou o Sugizo-senpai... Mas o dono da mercearia em que eu trabalhava para ganhar meus trocados e comprar minha guitarra pensava que tudo aquilo era um desperdício de energia que terminaria numa guitarra velha e encostada num canto do quarto do velho Akira, com um monte de lembranças que começariam a se apagar aos poucos em minha mente... E então ele disse o que faltava para que eu concluísse que estava trilhando o caminho certo para o futuro: ser músico eraimpossível!

A segunda aconteceu quando eu tive minha guitarra nos braços... Ela era tão bonita quanto todo o dinheiro que eu tinha juntado para conseguir comprá-la... E eu queria mais do que tudo me apresentar com ela no Festival de Talentos da cidade, mas, por mais que tentasse, não conseguia fazer com que o instrumento ribombasse em meu peito como eu tinha sonhado tanto... Eu já conhecia Kouyou quando isso aconteceu... E ele tinha me dito que aquele instrumento nas minhas mãos era impossível... Lembro de ter ficado muito bravo com ele por me dizer uma coisa dessas e joguei várias coisas contra ele enquanto o via saindo do meu quarto, mas minha raiva tinha passado quando ele estava no palco do Festival, tocando sua guitarra... O pensamento que eu tive foi que eu nunca conseguiria tocar guitarra como ele fazia... Mas uma banda não era feita apenas por guitarristas...

— Akira? – a voz de Ana chegou aos meus ouvidos, me despertando de meus devaneios e me fazendo olhar para ela, já com o sorriso que ela fazia nascer em meus lábios desde o primeiro dia. – Está tudo bem? – ela me perguntou, parecendo preocupada e eu dei risada, assentindo e convidando-a com um gesto para entrar no camarim e se aproximar.

— Só estou perdido entre minhas lembranças, koi! Eu costumo ficar muito nostálgico nessa data! – ela sorriu ainda parecendo um pouco desconfiada se o que eu lhe contava era verdade ou não, mas se sentou ao meu lado e eu segurei sua mão bem firme entre as minhas com carinho.

— Você tem todo o direito de estar nostálgico hoje – ela deu uma risadinha adorável.

— Sabe? Eu sonhei com essa banda desde que decidi ser músico... Ainda quando era muito criança, eu já tinha sonhos com o the GazettE... Às vezes é estranho que eu não esteja mais só sonhando...

— Os melhores sonhos que temos são aqueles que sonhamos acordados – ela sorriu ainda mais lindamente e eu senti meu coração palpitando por ela como se eu ainda fosse um garoto. – Você me ensinou isso!

— Só não saberia te responder quem foi que me ensinou isso – eu dei risada. Mas aquela era a verdade que guiara meus passos até aqueles onze anos de banda...

— Foi a música que te ensinou, Akira! – ela respondeu, apertando minha mão com doçura e sua voz soou como uma profecia que se cumpria... Uma profecia da infância... – É hora de entrar no palco e dividir mais um pouco do seu sonho maravilhoso com seus fãs! Eles o aguardam, Reita-san! – ela me sorriu e eu me senti meio bobo.

Enquanto eu caminhava pelos corredores até o palco, ao lado daqueles bons amigos que encontrei, cada um de nós com uma história diferente, com uma parte diferente que compôs aquele sonho e a alma daquela banda, eu tornei a pensar no impossível... Naqueles passos impossíveis que costumavam separar meus pés do palco... Era impossível realizar seu maior sonho, não era? Impossível estar numa banda por tanto tempo sem se cansar da rotina, não era? Sem se cansar daquelas pessoas que estavam à minha volta? Era impossível conviver por tanto tempo e ainda existir uma amizade como aquela...

Lembrei do que o velho também tinha me dito... Em parte ele estava certo... Eu realmente tinha deixado minha velha guitarra encostada no canto do quarto... Mas não para me trazer lembranças de quando a tinha comprado... Não para me lembrar do jovem Akira que sonhava em ser grande, que sonhava em ser músico, que sonhava em ser Impossível... Eu a deixava bem ali para que eu nunca me esquecesse... Para nunca esquecer quem eu era, nem quem eu sonhara em ser... Para nunca me esquecer de onde eu tinha vindo e nunca me esquecer até onde a música já tinha me levado... Porque a música tinha tornado tudo possível e nosso sonho tinha se realizado porque nenhum de nós nunca se esqueceu de como tinha sido sonhá-lo pela primeira vez!

Notas finais
mereço reviews?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!