Remember Me
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Tudo bem?
Estou tão feliz em voltar para uma Drastoria, o que eu nunca esperava escrever mas, vou dizer, adorei!
Espero que gostem! ♥
Capítulo 1
Já se passava das nove da manhã, uma segunda-feira chuvosa típica da estação caía pela janela do quarto do hospital que, diferente dos demais em horário de visita, estava tomado apenas pelo som dos aparelhos.
Acostumada com aquela calmaria, Astoria entrou carregando a bandeja com os costumeiros remédios e algumas flores colhidas no seu jardim.
— Bom dia, Draco! — Falou ela. Silêncio. — Mais um dia chuvoso em Oxford, grande novidade.
Ela sorria levemente enquanto conversava com o rapaz deitado na cama. Com a bandeja apoiada na mesinha de cabeceira, injetou os remédios no soro e apertou o controle ao lado da cama, levantando-a levemente.
— Essa semana você terá que tomar um novo remédio… Mas pelo menos a dosagem será menor! — Comentou ela. — Acredito que o doutor também esteja positivo em relação à você… Não acredito que está perdendo mais um dia aqui sem reagir. Vamos, eu acredito em você!
Enquanto falava, cuidadosamente passava um lenço úmido no rosto do rapaz que, de olhos fechados, parecia dormir um sono profundo.
— A propósito, precisamos dar um jeito nessa barba aqui, não é mesmo? — Brincou ela. — Já faz um mês que não a aparo.
Silêncio.
— Fui ao cinema ontem… Por essa sua cara de zangado, imagino que não ia gostar da nova comédia hollywoodiana que eu assisti, mas vou te dizer, ri à beça.
E, falando sobre banalidades da vida, terminou de limpar superficialmente a face, o dorso e as mãos do loiro. Apesar da falta de resposta, em momento algum deixou recair o silêncio. Na cabeça da morena, o rapaz já passava grande parte do seu dia assim e, enquanto ela estivesse ali, não permitiria que o silêncio recaísse.
Como acontecia todos os dias, terminou colocando as flores no pequeno vasinho próximo à janela e despediu-se do rapaz com um “até mais tarde”. Apesar de já terem se passados quase dois anos, ainda sentia um aperto no peito ao olhar para o loiro desacordado na cama do hospital.
Quase dois anos atrás…
As madrugadas de sábado para domingo eram sempre movimentadas no hospital. Por se tratar de uma cidade universitária, os finais de semana eram os preferidos dos universitários para ir a bares e baladas, beber e aprontar alguma coisa. Se não era por excesso de álcool, muitos deles iam parar no pronto socorro por brigas, pequenos acidentes ou algo do tipo.
Em seu primeiro semestre de estágio, Astoria aproveitava esses finais de semana movimentados para acumular horas extra e para aprender ao máximo com toda aquela movimentação.
Estava finalizando o acompanhamento de uma sutura quando ouviu o barulho das ambulâncias e vários médicos correndo em direção à entrada do hospital. Em poucos segundos, toda a emergência se virou para uma única direção, de onde vinha, acompanhada por dois paramédicos e dois médicos plantonistas, uma maca à toda velocidade.
— Sai da frente! Sai da frente! — Pedia um dos médicos, desesperado.
Quando passou por ela, pôde ver um rapaz com o torso ensanguentado, debatendo-se no que ela julgou ser uma convulsão. Por alguns segundos, pôde ver os olhos claros, cor de tempestade, olharem diretamente nos seus, assustados, como se pedindo por ajuda.
Os médicos não saíram da sala de cirurgia naquela madrugada, nem na manhã seguinte. Foi só no final da tarde de domingo, quando entrava para um novo plantão, que Astoria teve notícias do rapaz. Draco Malfoy havia sofrido um acidente tão grave que do seu carro não restava nada e, do rapaz, apenas o corpo. De acordo com os médicos, mesmo após todos os esforços, ele estava em coma, sem qualquer previsão de acordar novamente.
A mãe, uma jovem senhora por volta de seus cinquenta anos, chorava copiosamente no colo do marido, ambos de pé do lado de fora do quarto de Draco, olhando-o apenas pelo vidro. O pai, um senhor carrancudo de poucos amigos, mantinha uma pose impassível, as mãos nos bolsos e sequer olhava para a esposa em seu ombro.
Durante o primeiro ano, a mãe visitava o filho todos os dias, religiosamente. Porém, raras foram as vezes em que Astoria viu novamente o pai de Draco. Com o passar do tempo, a Sra. Malfoy começou a visitá-lo semanalmente, sempre perguntando aos médicos o estado do seu filho e as chances de que ele fosse acordar.
Naquela tarde não foi diferente.
Quando Astoria retornou ao quarto do rapaz, dessa vez carregando a prancheta para acompanhar os sinais vitais, deparou-se com a Sra. Malfoy sentada ao lado do rapaz. A mão da mãe segurava carinhosamente a do filho, acariciando levemente, como se pudesse quebrar a qualquer momento.
— Com licença. — Pediu Astoria, aproximando-se da cama.
A mulher apenas lhe esboçou um fraco sorriso, voltando a olhar novamente para o filho. Parecia estar perdida em lembranças.
— Você é a enfermeira dele, não é? — Perguntou a mulher, de repente.
— Sim senhora. — Astoria respondeu. — Sou responsável pelos pacientes desta ala.
— Você sabe o que os médicos dizem sobre Draco? — Sua voz era agoniada, como se temesse saber a resposta. — Digo, parece que eles não nos falam toda a verdade.
Num gesto impensado, Astoria colocou a mão sob a mão da Sra. Malfoy e respondeu:
— Como dizia minha mãe, enquanto há vida, há esperança. O organismo dele está reagindo bem aos medicamentos. Não seja a senhora a desacreditar no seu filho, Sra. Malfoy.
Por um segundo, pensou em toda a ética que aprendera ao longo de sua carreira, que a obrigava a ser imparcial em qualquer situação. Porém, inexplicavelmente, sentia uma proximidade com o loiro, que se tornou seu paciente favorito e aquele que ela esperava ansiosamente para ver, acompanhar seus progressos e desejar, internamente, que abrisse aqueles olhos tão expressivos novamente.
— Lucius quer desligar os aparelhos. Já fazem quase dois anos e meu menino não acorda. Estou tentando fazer de tudo que posso, estou lutando por ele, porém não tenho mais forças… — Desabafou a Sra. Malfoy, que tinha os olhos no rosto do rapaz adormecido. Parecia dizer aquilo mais para si do que propriamente para a garota à sua frente.- Meu menino, eu te amo tanto… Por que você não volta para nós?
— Ele não pode desligar os aparelhos. — Astoria se assustou. A mulher a sua frente, porém, parecia tão absorta em seus sentimentos que não a ouvira. — Veja os resultados médicos, Sra. Malfoy. Draco está apresentando pequenos progressos. É importante que converse com a equipe médica que está cuidando de seu filho antes de tomar uma decisão tão séria como essa. — Defendeu ela, buscando os olhos da mulher à sua frente para se certificar de que entendera suas palavras.
Desde quando escolhera cursar enfermagem, sempre se considerou uma pessoa racional a ponto de saber lidar com os pacientes e com quaisquer desventuras que pudessem surgir. Afinal, quando se escolhe um caminho tão nobre quanto a saúde, é fato que nem todos os pacientes serão bem sucedidos em seus atendimentos e, vez ou outra, se deparará com o fim indesejado, a morte.
Porém, sempre que olhava para o rapaz adormecido, lembrava-se de seu olhar amedrontado, como se pedisse por socorro. E, talvez pelo contato diário que tinham ao longo de tanto tempo, afinal, Draco era seu paciente mais antigo, o desejo de vê-lo desperto novamente era algo quase pessoal.
Sabendo que o Sr. e a Sra. Malfoy iriam conversar a respeito do rapaz com a equipe médica em breve, antes de sair do hospital naquele dia, certificou-se de conversar com o Sr. Dumbledore, médico responsável pelo caso do rapaz, a fim de pontuar-lhe seu desenvolvimento nos últimos dias e garantir um pouco de esperança não apenas à família, mas a si própria.
No dia seguinte, seguindo religiosamente seu horário de todos os dias, Astoria entrou no quarto do rapaz carregando a bandeja de medicamentos, as flores do jardim e uma lâmina e espuma de barbear que comprara no caminho do trabalho.
— Bom dia Draco! — Disse ela, sorrindo. — Só para constar, mais um dia de chuva nada surpreendente!
Silêncio.
— Ontem sua mãe esteve aqui… Ela está preocupada com você, rapaz. — Astoria aplicava os medicamentos no soro do rapaz enquanto falava. — Já chega de dormir, não é mesmo? … Você está perdendo toda a diversão da vida! Inclusive nessa semana o café do Joe’s fechou, acredita? E eu nem sei se você já chegou a experimentar os donuts açucarados de lá! Eram os melhores da vida, acredite!
Com cuidado, Astoria ajustou o pequeno cano de oxigênio no rosto do rapaz, enquanto passava um pouco de espuma de barbear por ele e começou a passar a lâmina.
— Você tinha que abrir os olhos para ver essa cena, sério! — Comentou ela, divertida. — Deve estar torto e, provavelmente, vão sobrar alguns pelos no meio do caminho! Mas eu estou tentando, juro! … Acho que eu deveria deixar para o Crab, o enfermeiro que te dá banho, sabe? … Ele deve ser mais habilidoso do que eu!
Não demorou muito para finalizar seu trabalho e limpar o rosto do rapaz com um lenço úmido. Como de costume, trocou as flores do pequeno vaso e se despediu dele com um “até mais tarde”.
Foi no final daquele dia, quanto Astoria descia do ônibus e caminhava os últimos metros em direção ao apartamento alugado que dividia com Dafne, sua irmã mais velha, que aquela ligação que tanto esperava finalmente aconteceu.
— Olá, boa tarde! Por gentileza, a Srta. Astoria Greengrass?
— Sou eu. Quem fala? — Respondeu ela, sem conhecer o número ou a voz do outro lado da linha.
— Aqui é Minerva McGonagall, chefe da enfermagem do St. Mungus, em Londres.— Astoria ficou estática, parando no meio da calçada e causando algumas reclamações dos pedestres que vinham atrás. — Recebemos sua aplicação para o internato de pediatria e temos muito interesse em tê-la como nossa interna.
Astoria ainda não acreditava nas palavras do outro lado da linha e não conseguia sequer formular uma frase para resposta.
— Alô? Srta. Greengrass?— A mulher chamou novamente.
— Oi! Não … Digo, sim, sim! — Respondeu a morena, conforme as palavras surgiam em sua mente.
— Podemos contar com a Srta. aqui dentro de uma semana?— Perguntou a Sra. McGonagall. — Como parte do programa, nos comprometemos com os custos do seu transporte e oferecemos o auxílio de moradia. Amanhã o responsável pelo acompanhamento dos internos irá entrar em contato para colher seus dados e fornecer maiores informações burocráticas a respeito do programa, ok?
— Claro, com certeza! — Respondeu, rápido demais.
— Seja muito bem-vinda ao St. Mungus, Srta. Greengrass!— Foram as últimas palavras da mulher antes de desligar o telefone.
Ainda parada no meio da calçada, Astoria ficou olhando para a tela do celular que, àquela altura, já havia até apagado. Não acreditava no que havia conseguido — o internato no hospital mais renomado de todo o Reino Unido na área que ela sempre sonhou realizar. Só poderia estar sonhando!
Notas finais
Comentem, comentem, comentem! A opinião de vocês é muito importante para mim! ♥
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