Remember Me.
1 Onde estou?
Meus olhos se abriram devagar, quase não enxergava nada bem, um gosto seco e ruim chegou a minha boca. Eu me lembro daquela moça de chapéu, com aqueles lindos cabelos brancos me lembrando alguém familiar, mas minha cabeça dói tanto, que nem consigo pensar muito bem nisso.
_ OLHA!!!!! FINALMENTE!!!! — Essa voz macia, hein? Quem é ?
_ Hã? — E assim que minha visão focou, lá vinha a Yurippe, com um sorriso estampado no rosto, até que pulou em mim, e me apertou como se eu fosse um bichinho de pelúcia.
_ Você demorou. O que houve? Naoi e eu nos preocupamos.
_ Eu... Fui dar uma volta... — Minha cabeça ainda doía muito, mas eu não conseguia recordar. — Bom, isso importa mesmo?
_ Não exatamente. E aí, vamos nos encontrar com os outros? — De repente, não tinha todos aqueles uniformes, todas aquelas pessoas parecendo NPCs, sem armas, estava tudo aparentemente normal, e isso de certa forma me assustava.
Fomos até uma sala do colégio que tinha lá, mas ninguém encontrou Iwasawa, e isso me deixou preocupado. Shiina não era mais aquela garota quieta. Não, mentira. Ela ainda era, mas interagia mais. Andei por todos os lados, e fucei a escola, bebi muitos refrigerantes, então obviamente tive vontade de ir ao banheiro. Sem querer, acabei entrando no feminino, e saí correndo, mas eu ouvi uma voz cantando bem baixo, quase em sussurros.
Infelizmente minha curiosidade falou mais alto que minha educação. E lá estava ela, sorrindo ao olhar para o papel, sorrindo por estar vivendo o que ela queria.
_ Iwasawa? — Ela olhou surpreendida, e muito assustada.
_ OTONASHI-KUN!!! — Ela sorriu, e em segundos seu rosto fechou — O que faz aqui ? E os outros ?
_ Todos estamos aqui, novamente, e creio que muito bem.
_ NÃO, NÃÃÃO, PORQUÊ ACEITARAM?! — Como assim?
_ hein ? — Ela começou a me assustar.
_ Aqui não é tão seguro quanto parece.
Eu não acreditava, então subimos para encontrar o pessoal. E então ela explicou o que acontecia. Muitos chegavam ali loucos, pirados, malucos. E eles se transformavam em outras coisas, completamente irreconhecíveis, eles se transformaram em shinigamis, porém... Só haviam dois, TK e Noda. Isso me deixou de cara, pois eu não esperava por isso.
_ Okay, Como nos protegemos disso? — Yurippe, com aquela feição pensativa e preocupada, perguntou .
_ Eu sempre os temi, então fujo. Ninguém sabe o que eles querem, ou o porquê estão aqui, muito menos como detê-los. — Iwasawa pôs a mão no cabelo, e estava extremamente estranha. — Eu os vi, e eles me dão medo. Não é que nem combater o anjo, a coisa está séria. — Minha cabeça virou uma confusão naquele momento, pois eu reconhecia aquela expressão, só não me recordava.
_ Anjo ? — Perguntei .
_ Otonashi e sua mania de perder a memória, sempre. — Eu olhei pra trás e lá estava Hinata, sorrindo, não pude conter a vontade de pular nele e abraçá-lo forte.
_ Onde está Yui, aquela peste? — Perguntei rindo. E logo ele fechou a cara.
_ TK e Noda as pegaram. — Ele respondeu, com os olhos inchando.
_ "as"? — Eu, Yurippe, Naoi, e Iwasawa perguntamos juntos.
_ Tachibana-san. O Anjo.
_ Ah sim, Tachibana! — Yurippe falou, mas aquela perda de memória estava me destruindo. — Temos que Resgatá-las!!!!
_ Tachibana? — Perguntei.
_ Oh, não... — Yuri arregalou seus olhos verdes, que logo encheram d'água — Otonashi, você não se lembra?
_ Hein ? — Aquele papo estava me confundindo, e me estressando. — Deixa pra lá, vamos salvá-las. Mande o plano "Capitã"!!!!
Tachibana:
Meus olhos estavam lacrimejando, a fome já me dominava, Yui estava realmente fraca depois do ataque. Minha perna esquerda sangrava demais, e eu lábio cortado. Eu achava que nesse mundo, a gente se curava também. O choro desesperado de Otonashi não saía de minha cabeça. Eu só queria poder abraçá-lo igual da última vez. Eu tenho que permanecer viva. Eu tenho que viver. Eu tenho que vê-lo novamente, senti-lo novamente, e Yui tem que ver Hinata de novo, e eu vou protegê-la com meu sangue se for preciso, mas não garanto sua vida. Ela foi atacada drasticamente.
_ T-Tachibana-s-san...
_ Yui?
_ E-Eu quero sair daqui... — Ela mal tinha força pra falar, e não queria chorar, mas infelizmente seu rosto já estava encharcado com suas lágrimas. — Onde estamos ?
_ Não sei... Mas aqui tem cheiro de esgoto, de carne podre e sei lá o quê mais. Aqui é bem úmido. Mas iremos sair, okay ? Eu prometo. — Ela sorriu. Tentou dizer "Okay" mas da sua boca não saiu voz nenhuma, então balançou a cabeça afirmando que sim.
Otonashi... Me espere, eu vou voltar, e vamos ficar juntos para sempre, igual deveria ser.
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