Remember Me

16 Capítulo 15 - Birthday surprise? I don't think so


Notas iniciais
Postagem antes da hora para recompensar a demora da última semana. Agradeçam o bloqueio criativo ter sido ameno essa semana :) Boa leitura.

Querido Baby Bear,

aquele era para ter sido um aniversário surpresa. Bom... Era.

Até o dia anterior àquele, ao que parece, a mente mirabolante e criativa de sua mãe estava planejando algo para me surpreender no dia em que completava vinte e dois anos que a minha pessoa chegava à essa bela esfera achatada nos polos que denominamos Planeta Terra. E eu te digo, Baby Bear, da sua mãe pode-se esperar tudo quando se trata de preparar surpresas. A prova disso é a sua existência.

Mas, bom, como eu havia dito, eu não deveria saber de nada até que chegasse em casa do trabalho, visse toda a algazarra armada e curtisse o resto do dia. No entanto, não foi bem isso que aconteceu.

Eu não tinha certeza se aquilo era um sonho. Sabe quando você está naquele intermédio entre consciente e inconsciente? Não está dormindo de fato, mas também não está completamente acordado? Pode escutar o que se passa ao redor, entretanto pode ainda presenciar o sonho? Então, era naquele ponto que eu estava, e eu odiava aquele ponto. Mas eu sabia. Sabia que não iria durar muito. Não sei se ficava feliz por finalmente me decidir onde ficar, ou se entristecia pelo despertar ser iminente e fazer com que eu levante para a vida. Mas eu sabia que o fim daquilo se aproximava.

Era como sentir que algo lhe cutucava, mas não dava para definir se era no sonho ou na realidade, afinal eu estava perdido entre os dois. Devo ter resmungado alguma coisa ininteligível, mas quem quer que fosse, era persistente. E então veio o som. Algo macabro, assustador, como uma voz que te arranca de um lugar bom. Como... Como um fantasma. "Déda", eu ouvi perto da minha orelha. Dei um safanão para espantar e tentei voltar para o meu sonho incerto. "Déda", insistia. Resmunguei outra vez. Qual é, eu tava com sono. Você então deve ter ficado cansado de me chamar e resolveu colocar em prática mais uma de suas ideias mirabolantes. Aí o pior aconteceu.

Eu juro que posso ter visto estrelas. Quando o silêncio se fez presente e eu pensei que o pequeno "cutucador" havia desistido, eis que uma dor dilacerante percorre minha coluna quando sinto um peso cair em minhas costas. O grito foi inevitável, de dor e de susto. E foi assim que comecei meu aniversário:

"Ai!"

"Acorda, Déda, acorda!"

"Mas que p-"

"Vai, Déda. Acorda."

"Já acordei, pequeno monstro."

Eu estava grogue ainda, me virei de frente e ouvi sua gargalhada ao ser jogado para o lado no colchão. Cocei os olhos fortemente e dei um longo bocejo, para depois você e seu insistente dedinho minúsculo começarem a cutucar minhas pálpebras fechadas para que eu as abrisse. Filho, você era um demoninho.

"Sossega, moleque."

"Déda, você precisa acordar."

"E pra quê eu preciso acordar às..." olhei o relógio na cabeceira "8h12min da madrugada?"

"A mama tá fazendo uma surpresa muito grandona pra você."

Eu observava você gesticular enquanto falava animado. Às vezes eu sentia falta de quando você pronunciava suas palavrinhas de forma errada e fofa, mas desde que você começou no Jardim da Infância, seu vocabulário evoluiu e não havia mais coisas como troca de R's por L's, o que eu adorava, na verdade.

"Uma surpresa muito grandona?"

"É, mas ela disse pra eu que não podia contar." tá, ainda havia certas discordâncias em suas frases, principalmente quando falava de si mesmo. Eu eu nunca que me atreveria a corrigir.

"É mesmo?"

"É. Ela disse assim: 'Nate, não conta pro Déda que vamos fazer uma surpresa de café da manhã pra ele, tá?'. Aí eu não contei pra você, Déda. Mas é uma surpresa super grandona."

Eu gargalhei alto com uma imensa vontade de te agarrar e te engolir. Você era um bebê insuportavelmente fofo. Então, para que você ficasse satisfeito, apenas concordei.

"Tá bom, filho. Prometo não contar pra ninguém também, ok?"

"Tá, Déda. Não conta." você me olhou sério e eu balancei a cabeça igualmente sério "Agora eu vou descer e ajudar a mama a fazer a surpresa, ela prometeu deixar eu misturar as panquecas."

Com um pulo da cama, você desceu para o chão e correu até a porta ainda vestindo seu pijama de ursinhos. Antes de sair, você se virou já com a mão na maçaneta

"Dorme de novo, Déda. É surpresa."

Cara, vou te falar, eu realmente voltei a dormir. Mas não durou muito, já que o que pareceu poucos minutos depois, sussurros podiam ser ouvidos dentro do quarto e eu sorri de olhos fechados.

"Shh, vamos chegar devagarzinho." ouvi a voz da sua mãe.

Esperei ansioso pelo o que viria a seguir enquanto fingia dormir. Senti um peso a mais na cama e logo um corpinho era depositado em cima de mim, mais leve que o anterior.

"Déda." uma vozinha fina de bebê me chamava enquanto espalmava a mãozinha em leves tapas nas minhas costas.

"Acorda, Déda!" você, do seu jeito sutil e cuidadoso, gritou pulando perto de mim.

"Mas o que é isso, hein?" me fingi de desentendido.

"Surpresaaaaa!"

Ergui os olhos para duas figuras sonolentas sobre mim que sorriam empolgadas e para sua mãe que estava de pé ao lado de uma bandeja recheada e bem decorada, colocada sobre o criado-mudo.

"Feliz aniversário, Déda Bear." ela cantarolou sorridente e se aproximou para beijar meus lábios "Preparamos uma surpresa para você."

"Eu fiz as panquecas!"

"É claro que fez, garotão." sorri bagunçando seus cabelos.

A bandeja foi posta em minhas pernas e eu ajeitei você e sua irmã perto de mim para que comêssemos juntos aquele saboroso café da manhã. Rach também se juntou à nós e aquela foi uma manhã super agradável, que resultou em muita farra e no lençol da cama sujo de comida.

"Mama, a gente pode pegar aquele negócio agora?" você falou baixinho perto de sua mãe e ela concordou.

Quando vi, você já saltava para o closet e voltava com um embrulho nas mãos, mostrando seus dentes pequenos e brancos enquanto me estendia o pacote. Agradeci e abri ansioso, dando de cara primeiramente com quatro camisetas, uma preta com as escritas "Déda since 2013" e outra cinza acompanhada de duas infantis: "I make adorable babies" vinha na maior e nas menores cada uma com "Adorable baby". Depois vinha um quadro com os dizeres "Daddy", onde cada letra eram fotos de você e da sua irmã.

"Esses são os presentes das crianças." Rach me explicou e eu a olhei sorrindo abertamente.

"Obrigado, meus amores." agarrei cada um de vocês e recebi beijos babados nas bochechas.

"Agora vem o meu."

Dentro do mesmo embrulho havia um pacote bem fechado e lacrado, de forma retangular, que quando eu abri arregalei os olhos e encarei sua mãe.

"Um notebook?" me espantei "Rach, não precisava... Deve ter custado uma fortuna."

"Se preocupe apenas com o seu dia e nada mais, você merece, meu futuro engenheiro."

"Você é incrível."

E mais uma rodada de abraços grupais se seguiram até sua mãe expulsar todo mundo da cama para fazermos um passeio. No fim da tarde, ainda teve uma reunião familiar aqui em casa e eu ganhei um bolo feito por vocês três, o qual eu amei. E então, o que era para ser um aniversário surpresa, acabou se tornando um dos melhores presentes que já ganhei. Só porque foi especial do jeito que foi.

Com amor,

Déda.

...

— Bella, me ajuda aqui.

— Calma, eu to cortando o chocolate.

— Aqui diz que tem que ser duas xícaras de leite. — li no grande livro de receitas — Como o bolo é de chocolate, você acha que devemos colocar achocolatado?

— Não sei, mas é melhor colocar. Acho que essa barra aqui não vai ser suficiente.

— Claro, ninguém mandou você comprar uma só.

— Ei, eu tirei da minha mesada. E ainda tive que distrair a vovó para que ela não perguntasse.

— Que seja. Termina logo isso aí. — me voltei para a vasilha a minha frente no balcão — Então, colocamos duas xícaras de farinha, uma de açúcar e dois ovos... Bella, me passe os ovos.

— Toma.

Bati um ovo de cada vez na quina do balcão e despejei dentro da vasilha.

— Xiiii, caiu um pedaço de casca.

— Deixa, quando misturar não vai dar pra perceber. — ela disse e eu dei de ombros.

— Ok, agora o açúcar... Aqui diz que tem que colocar sal também. Isso tá certo?

— Nate, respeite a receita.

— E quanto eu coloco?

— Sei lá, você que tá com a receita.

Enchi a xícara até a metade, já que havia sido uma de açúcar e o bolo é mais doce do que salgado, coloquei só metade.

— Onde está o fermento?

— A mamãe coloca no armário da dispensa.

— Deve tá querendo esconder do Déda, ele já cresceu demais. — comentei rindo e ela concordou.

Enchi uma colher de fermento e despejei na vasilha. Depois coloquei as duas xícaras de leite com achocolatado e me voltei para a minha irmã.

— Pronto, agora só falta o chocolate.

— Tá aqui. — ela me entregou o potinho com os pedaços de chocolate e eu despejei sobre a massa.

— Agora a gente liga a batedeira e pronto. Aqui na receita diz que o forno tem que ser pré aquecido.

— A mamãe não deixa a gente mexer no forno, Nate.

— A gente faz no micro-ondas, não tem problema.

Bella deu de ombros e eu liguei a batedeira na tomada, logo encostando na massa e espirrando um pouco para todos os lados.

— Cuidado, Nathan.

— Não é minha culpa.

— Diminui a velocidade.

Quando a mistura virou uma massa marrom escura, despejei na forma e joguei a vasilha na máquina de lavar louças.

— Prontinho. Agora só colocar lá e esperar ficar pronto.

— Quanto tempo a gente põe?

— Não sei, vamos apertar o botão que tem um bolinho desenhado.

— Tudo bem.

Colocamos no forno. Depois era só enfeitar o bolo e e esperarmos nossos pais chegarem. Déda teria uma grande surpresa de aniversário esse ano. Quem sabe uma surpresa muito grandona.

Notas finais
Crianças abençoadas, não? Realmente Déda Finn vai ter uma GRANDE surpresa! Nos vemos nas reviews, meus queridos.