Remember Me
11 Capítulo 10 Bônus - My little sunshine
Notas iniciais
"You are my sunshine
My only sunshine
You make me happy when skies are grey"
Johnny Cash
Meu pequeno Baby Bear,
estou aqui agora nessa tarde fresca de primavera lhe escrevendo esta carta enquanto desfruto dos seus encantos a cada nova descoberta. Você agora está nos seus deliciosos 10 meses e o mundo é uma grande aventura a sua volta. Já está arriscando seus passos sem ajuda, algumas palavrinhas já podem ser compreendidas, atende quando o chamamos pelo seu nome e sabe reconhecer a mamãe, o papai (que você chama de "Déda" por vontade própria), seus avós e a tia Santana, porque aquela lá vive agarrada à você. Ela meio que amoleceu depois que você nasceu, eu até já peguei ela sorrindo amorosamente uma vez, o que ela jurou até a morte que não havia feito. Mas okay, é simplesmente a Santana.
Você deve estar lendo essa carta agora achando um pouco estranho, afinal somente seu Déda escreve para você, mas eu achei que seria legal contar um pouco da minha experiência até agora como encarregada da função mais apaixonante do mundo, então apenas peguei um papel e caneta e estou aqui colocando meus sinceros sentimento para você.
Ninguém no mundo nasce preparado para ser mãe um dia. Pode até existir uma ou outra que esteja por aí falando "nossa, acho que vim ao mundo somente para isso". Não. Não até você ter aquele pedaço de gente no seu colo e toda uma responsabilidade nos ombros. É maravilhoso, mas muito preocupante também. A gente tem os nove meses para se preparar para o cargo, eles parecem o bastante na teoria, mas quando você tem um bebê nos braços tudo o que você aprendeu parece se esvair, você se sente a pessoa mais incapacitada, não sabe como agir, o que fazer. Aí vem as temerosas perguntas: e se ele chorar? Eu vou saber o que fazer? E se eu fizer errado? E se não tiver leite o suficiente para sustentá-lo? E se eu não conseguir suprir todas as necessidades? Tantos "e se" que a gente fica perdida, com medo e vulnerável a qualquer falha que venha a ter. Bebês não vêm com manual de instruções, cabe à nós pais aprendermos a lidar com eles. E vou te dizer que não há escola melhor do que vocês mesmos. A gente aprende tudo com vocês. Hoje eu sei reconhecer choro de dor, de fome, de fralda suja. Choro de manha, de carência, de tristeza, de medo. É aquele famoso "mãe sabe tudo".
Quando descobri que te carregava, minha primeira reação foi o susto. Eu era tão nova, não tinha nem terminado a faculdade e tinha toda uma carreira pela frente. Minha maior preocupação era a reação dos seus avós, mesmo que eu já não morasse mais debaixo do mesmo teto que eles, a rejeição ainda podia acontecer e isso era tão ruim quanto ser expulsa de casa. Mas qual não foi a minha surpresa ao contá-los, por Skype já que estavam em Miami, que seriam avós e eles brigarem comigo por estarem tão longe e não poderem me abraçar? Foi louco, eu aqui morrendo de medo e eles com lágrimas no olhos pela webcam. Houve um choque inicial em seus rostos, mas pude ver as feições mudarem rapidamente. Depois disso meu pai praticamente me obrigou a chamar Finn, e ele, que havia acabado de voltar da casa dos pais dele, ficou bastante nervoso diante dos sogros, mas suspirou aliviado quando percebeu os sorrisos apesar de meu pai tentar parecer bravo. Seu Déda prometeu cuidar de mim e de você como a vida dele, que agora éramos prioridade e que nunca nos abandonaria, não enquanto o quiséssemos por perto. Que bobinho, ele ainda duvidava que eu havia escolhido o melhor pai para você.
Os meses de gravidez foram bastante intensos. Meu humor variava muito e acabava sobrando tudo para o Déda. Coitadinho, ele se esforçava tanto para me agradar e na época eu não percebia, mas agora eu reconheço que eu fui cruel com ele em alguns momentos. Mas não digo isso à ele diretamente porque ele vai jogar na minha cara que é verdade e vai se achar pro resto da vida. Enfim, eu só sei que foram tempos complicados. Então você nasceu e tudo mudou. Você trouxe tanta alegria, transformou nossa casa em um verdadeiro lar, nós éramos uma família de verdade agora. O medo ainda existia, afinal o novo sempre assusta, mas a gente vivia um momento de cada vez, um dia após o outro e tentava não deixar o medo prevalecer, deixando o amanhã sempre por conta do destino.
Ser mãe até então se tornou algo maravilhoso, mas ser mãe de menino é maravilhoso em dobro. Quando descobrimos seu sexo, eu me peguei imaginando um futuro onde eu corria atrás de você chutando uma bola, sentados no chão com carrinhos ao nosso redor, seu Déda te levando à jogos de futebol ou basebol com bonés e camisas iguais, comigo ao redor tirando fotos e babando mais que tudo, é claro. Brincando de peão, soltando pipa, lutinhas, conhecendo todos os super-heróis existentes na face da Terra, tipos de carros, aviões, motos, caminhões e dinossauros. Eu seria pirata, vilão, lobo ou monstros, tudo o que você quisesse. Eu teria um príncipe para me proteger dos monstros, mas sabia também que teria um pequeno guerreiro correndo para os meus braços por causa do barulho dos trovões. Eu sabia também que teria mais um ciumento em casa, o verdadeiro Complexo de Édipo, em sumas palavras, o menininho da mamãe. Seria a mais linda de todas, a mais perfeita e correta do mundo. Mãe de menino, para eles, não tem defeitos. Eu teria um protetor, um admirador, um parceiro. Eu teria meu pequeno grande companheiro para o resto da vida.
Com amor,
mamãe.
Fechei a carta e sorri, eu não esperava mesmo achar uma carta da mamãe em meio à tantas do Déda. Minha mãe era mesmo a melhor mãe do mundo, sempre comigo, mesmo dando bronca às vezes, mas sempre ao meu lado.
Olhei para o relógio em formato de espaçonave em meu criado-mudo, eram 11:56 p.m. e todos já estavam dormindo. Eu deveria estar também, mas estava com insônia. Estava chovendo bem forte, o barulho das gotas na janela não me assustavam mais, eu não corria mais para a cama dos meus pais no meio da noite, Bella eu sabia que fazia às vezes, mas eu não. Mas eu tinha outra missão.
Levantei da cama, calcei minhas pantufas, vesti meu robe de algodão e abri a porta do quarto devagar, olhando pelo corredor antes de caminhar até o quarto dos meus pais. Claro que antes de tocar a maçaneta eu tentei escutar alguma coisa com o ouvido na porta, sei lá né vai que eu sou surpreendido. Estava muito silencioso, então devagar abri e entrei no quarto escuro. Me aproximei da cama na ponta dos pés e parei ao lado da mamãe, que dormia serenamente com as mãos embaixo da cabeça. Estava frio e sua coberta estava só até a cintura, a puxei devagar e cobri seu corpo até o pescoço, me abaixei e dei um beijo em sua bochecha. Se tinha uma coisa que minha mãe tinha, era sono leve. Levantei e vi seus olhos se abrirem e ela tomar um leve susto.
— Nate? O que houve? — ela sussurrou com a voz rouca — Está passando mal?
Mães, sempre preocupadas.
— Não, mãe. — balancei a cabeça negativamente também sussurrando. Déda praticamente roncava ao lado dela.
— Então por que está fora da cama? Quer alguma coisa?
Balancei a cabeça outra vez: — Eu só precisava ver se estava bem. Vi que estava com frio e lhe cobri.
Ela sorriu e acariciou meu rosto.
— Oh, querido. Obrigada. Mas não precisava ter saído da sua cama, eu estou ótima.
— Tudo bem. Eu precisava confirmar. — sorri minimamente — Afinal, tenho sempre que te proteger.
— Oh meu Deus. — ela riu baixo — Obrigada, meu amor. Eu sei que tenho um corajoso super-herói pra me proteger sempre.
— Sempre, mamãe. — acariciei sua bochecha e dei um beijo em sua testa — Agora eu vou voltar para o meu quarto. Boa noite, mamãe.
— Boa noite, meu anjo. Durma bem e tenha sonhos bonitos.
— Você também. Até amanhã.
Voltei para a minha cama e fechei os olhos com sono. Era apenas aquilo que estava faltando, afinal, eu era seu super-herói.
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