Remember Me

14 Capítulo 13 - Go Red Sox!


Notas iniciais
O Natal chegou mais cedo!!! Postagem antes da hora porque esse fim de semana vou passar com uns amigos e não quero outro atraso aqui como da última vez, então me adiantei bastante essa semana e tentei escrever um capítulo legal. Espero que gostem e nos vemos nas notas finais :)

Com o fim das festas de final de ano, a parte mais chata estava de volta para nossas vidas. Logo depois do Ano Novo nós tínhamos que voltar para a escola, e mesmo que o recesso fosse um período muito curto de tempo, ele era bem proveitoso e muito bem vindo.

A segunda-feira chegou depressa demais pra mim e logo eu me vi descendo as escadas quase caindo de sono e pronto para cochilar a qualquer momento que tivesse oportunidade. Na cozinha, Déda já estava em seu habitual lugar na mesa tomando uma xícara de café e lendo notícias em seu iPad, como todas as manhãs antes de ir para o trabalho. Bella também já comia seu cereal com leite prestando mais atenção no desenho que passava na pequena TV sobre o balcão do que de fato nas colheradas que levava à boca e mamãe terminava de tirar panquecas da frigideira e as colocava sobre a mesa em um prato. Me aproximei lentamente, me arrastando na verdade, e me sentei ao lado da minha irmã.

— Bom dia, querido. — mamãe passou atrás da minha cadeira e beijou minha cabeça antes de se sentar ao lado do Déda.

— Bom dia. — respondi baixo sem vontade alguma para algo mais.

Coloquei duas panquecas no meu prato e joguei maple syrup por cima quase que entediantemente, agradecendo pelo copo de leite que mamãe depositava na minha frente.

— Isabella. — mamãe lhe chamou a atenção e os olhos da minha irmã antes vidrados no desenho se viraram para ela arregalados — Come primeiro, depois a TV.

Minha irmã teimosa voltou a sua função de alimentar-se, porém eu podia ver que seus olhos relanceavam para a TV.

— Então, macaquinhos. Prontos para a volta às aulas? — Déda perguntou animado, desligando o aparelho em suas mãos e cortando suas panquecas com maple. Como ele conseguia parecer animado às 7 da manhã? Eu só conseguia pensar em minha cama no andar de cima e em como seria maravilhoso voltar a dormir.

— Sim! — Bella disse também empolgada — Sinto saudades da Katie, da Donna e da Victoria. Ah, e da Sra. Berthan também!

Revirei os olhos para aquilo. Bella e suas amigas igualmente faladeiras que só pensavam em cor de rosa.

— E você, Nate?

Levantei os olhos e voltei a baixá-los rapidamente, soltando um suspiro.

— Estou com sono. — murmurei abafadamente deitando sobre um dos meus braços na mesa.

— Foi dormir tarde, querido? — mamãe perguntou.

A verdade era que eu havia ficado até tarde acordado lendo mais uma carta e quando me dei conta, já passava da meia noite. Mas eu não podia contar com isso para minha defesa de estar quase desmaiando sobre o café da manhã, não se eu quisesse ter acesso ainda às relíquias e se tivesse amor à minha própria vida. E agora o sono perdido nas horas da noite cobravam seu preço.

— Não, só não lembrava como era sofrer.

Déda riu antes de comentar baixo, porém audível pelo menos para mim.

— Exagerado como a mãe.

Deixei minha mente viajar pela leitura da última carta. Os acontecimentos narrados ainda tinha as suas nuances em minha memória, porque eu de fato lembrava de alguns momentos daquele dia. De repente tudo a minha volta sumiu e eu voltei no tempo, como se pudesse estar lá assistindo ao vivo os acontecimentos daquela pequena nota.

Querido Baby Bear,

estou tão empolgado escrevendo essa carta e ainda posso sentir a adrenalina do dia maravilhoso que foi hoje. Finalmente chegou a temporada de baseball aqui em Boston e eu não me contive em comprar um par de entradas para o espetáculo em campo. Seria um dia de meninos, só eu e você, e eu estava ansioso para isso como a minha vida. Eu estava levando você para um primeiro jogo como pai e filho, com direito a bonés e camisetas iguais, se posso parar pra pensar esse é um dos desejos de quase todo, senão todo, pai que se preze. Eu iria te apresentar a um dos maiores times de baseball que esse mundo já viu. Os Red Sox!

Você estava tão empolgado quanto eu durante toda a semana até o dia de hoje. Só falava nisso o tempo todo, queria saber tudo sobre os jogadores, as táticas, como era o famoso estádio Fenway Park, nossos maiores rivais, os Yankees, e muitas outras coisas. E assim que o grande dia chegou, você saltou para fora da sua cama malditamente cedo — rá rá inocente eu se pensasse algo diferente — e não parou nem para mastigar seus cereais direito, o tempo todo falando e falando e falando até que sua mãe o teve dentro de seu uniforme igual ao meu, mas em miniatura, com o nome do segunda-base Dustin Pedroia gravado em suas costas. Com bonés iguais, nós finalmente adentramos o estádio e fomos atrás de nossas cadeiras, bem perto do campo porque como sua primeira vez, tinha que ser digna.

Até o jogo de fato começar, você não parava quieto e eu tive que entretê-lo com pequenos subornos — que sua mãe não saiba disso — para que você sentasse seu pequeno traseiro. Foram alguns chocolates em barra, um picolé, meu celular liberado em suas pequenas e furtivas mãos comandando habilmente joguinhos que só o tinham para seu próprio uso, ok de vez em quando eu me pegava naquilo também. E enfim o jogo começou. Normalmente a essa altura eu já tinha sob meu poder alguns copos de cerveja, mas hoje eu estava especialmente responsável e então me contentei em segurar sacos de amendoim doce e manter os olhos presos ao jogo.

Você vibrava ao meu lado a cada run e se entristecia a cada strike dos Yankees. Mas foi maravilhoso ver seus olhinhos brilhando ao acompanhar a bola viva percorrer um longo caminho pelo campo externo em um home run. "Déda, Déda, mais um ponto para nós" você ia para cima e para baixo sobre seus pezinhos aflitos comemorando um run. Na hora do intervalo nos entupimos de enormes cachorros-quentes com direito a muito molho e um super copo de Pepsi para nos manter ligados aos próximos innings. Estava sendo um dia maravilhoso.

Ao final do último inning, com os Yankees campeões por um único strike à favor deles, você, mesmo estando menos animado do que no início, veio à mim implorando para um "olá" ao seu mais novo ídolo Pedroia. Tentei lhe explicar que era quase impossível, mas você insistiu tanto que eu, mero mortal a mercê de pequenos seres encantadores, te pus para cima nos braços e praticamente corri até a saída dos jogadores de campo.

Muitas pessoas gritavam chamando-lhes a atenção, e mesmo cansados e cabisbaixos pela derrota, vieram nos atender.

"Pedroia!" você gritava. "Ei, eu sou o Nate. Sou seu amigo."

E parece que você acabou tocando o coração de um cansado Dustin, que sorriu em sua direção e se aproximou.

"Hey, homenzinho. O que achou do jogo?"

E então suas bochechas tomaram uma tonalidade rosada e um sorriso tímido cobriu seus lábios

"Eu gostei muito. É minha primeira vez. Eu adoro os Red Sox!".

Cara, eu estava me sentindo o pai mais orgulhoso naquele instante. Ah qual é? Eu havia encontrado o melhor tesouro!

"Oh, qual o seu nome?"

"Nathan."

"Então, jovem Nathan, como presente e lembrança de primeiro jogo, quero que fique com minha luva de campo."

Meus olhos se arregalaram juntamente com os seus. Parecíamos um par de jarros.

"É a luva do jogo de hoje?"

"Sim, rapazinho. É sua agora."

Você a agarrou como sua vida e se esticou em meus braços para bater um high-five com Dustin, enquanto eu ainda estava embasbacado com sua sorte de principiante.

"Obrigada, Pedroia. Agora sou seu amigo."

"Obrigado você, amigo."

Dustin então se virou para sair pois sua equipe já o chamava, ele acenou para o público que aplaudiu a sua saída, e uma vez antes dele sumir pelo vestiário, ainda sorriu olhando em sua direção que levantou a mão agora coberta pela luva adquirida.

"Vai, Red Sox!"

A volta para casa foi recheada de alegria de novo. Mesmo tendo sido derrotados, nós havíamos ganhado nosso troféu particular com apenas uma palavra dirigida à nós de Dustin Pedroia. Aquele momento com certeza se tornaria inesquecível, como eu queria que se tornasse.

E agora, você já em seu décimo sono plena madrugada adentro, sorrindo em meio aos seus sonhos enquanto eu estou aqui sentado lhe escrevendo essa nota ao lado da luva de Pedroia. Ela com certeza nos faria, um dia, talvez daqui 5, 10, 30 anos, olhar de volta para o hoje e ter doces e incríveis lembranças de mais um dos momentos que eu prometi à mim mesmo fazer-se tornar realidade, o de ser o melhor pai para você.

Com amor,

Déda.

Ah, só uma coisa: acho que vai ser difícil fazer você estar totalmente fora novamente de seu uniforme oficial dos Red Sox.

— Nate? Nate! — despertei balançando a cabeça com a insistente voz que me chamava. — Termine suas panquecas, filho. Ou vai se atrasar.

Com toda aquela massa redonda coberta com xarope colocada para dentro, rapidamente fui atrás dos livros no andar de cima e os coloquei na mochila. Um vislumbre me ocorreu de repente e me joguei no chão para olhar debaixo da cama, tendo a surpresa de encontrar ali meu tesouro e troféu pessoal. Me estiquei pegando o objeto e o encarei sorrindo tendo vagas lembranças daquele dia com Déda.

A luva de campo usada por Dustin Pedroia naquele jogo em agosto de 2016.

— Nate, estamos saindo. Se quiser uma carona para a escola, é melhor se apressar. — Déda gritou do andar de baixo.

Coloquei a luva junto com as cartas já lidas e fechei meu compartimento secreto. Corri escada abaixo e fui para o carro com minha família.

— Que cara de bobo é essa, Nate? — Bella questionou — Eu sei que você é bobo, mas hoje está diferente.

Sorri ironicamente para minha querida irmãzinha antes de respondê-la:

— Apenas tendo algumas lembranças especiais.

Déda olhou para mim e sorriu de lado, não entendi muito bem mas sorri de volta. Acho que ele estava começando a adquirir o poder de ler pensamentos.

Notas finais
Então, é isso. Não sou uma jogadora de baseball e também não sou de assistir, porém sei alguns termos e os usei no capítulo, se tiver algum errado I'm so sorry! Não estamos ainda na reta final, mas já estamos nos encaminhando para ela. Não vou prever quantos capítulos a fic vai ter porque eu realmente não sei, mas já tenho meio caminho andado para o fim. Hey, alguém aqui tem twitter? Se tiver e quiser que eu siga pra, quem sabe, trocarmos algumas ideias, só deixar o user nas reviews, okay? Amizades novas são sempre bem vindas :D Até o próximo, amores.