Remember

12 Capítulo 12


*=*=* Capítulo 12 *=*=*

Mikey: Alô?

Gerard: MICHAEL!!!!

Mikey: Outch... Agora fiquei surdo.

Gerard: Você tem que me ajudar.

Mikey: Quem morreu?

Gerard: Oi?

Mikey: Esquece... Você é muito lento pra piadas.

Gerard: Não é hora de fazer piadas.

Mikey: Tá... Deixa quieto... Você quer minha ajuda pra que?

Gerard: PRECISO encontrar a Amanda.

Mikey: Como assim "encontrar"? Eu já não tinha te dado o endereço do trabalho dela?

Gerard: Sim... Eu fui lá.

Mikey: E?

Gerard: E falei com ela.

Mikey: E?

Gerard: E... Bom. Conversei com ela.

Mikey: E?

Gerard: E voltei lá de noite e sai com ela.

Mikey: E?

Gerard: Aí você já pode imaginar...

Mikey: Wow, você é rápido.

Gerard: Então?

Mikey: Então o que?

Gerard: E agora?

Mikey: Como assim "e agora"? Você não pegou o telefone dela?

Gerard: Ehr... Não.

Mikey: E porque não?

Gerard: Bom... Quando eu acordei de manhã ela não tava mais lá.

Mikey: Hummm... Isso não é bom...

Gerard: Hã? Co-Como assim??

Mikey: Ah... Não é um bom sinal ué. Porque ela iria sair assim, sem dizer nada?

Gerard: Talvez ela estivesse confusa... Ou nervosa... Ou...

Mikey: Arrependida?

Gerard: NÃO! Eu sei que não Mikey, foi tudo tão... Bom. Eu sei que ela não se arrependeu.

Mikey: Bom... Só tem um jeito de você descobrir.

Gerard: Que seria?

Mikey: Você não tem o endereço da casa dela e nem o telefone, o que você acha?

Gerard: Vou ter que ir no trabalho dela né?

Mikey: Viu? Com um empurrãozinho seu cérebro funciona!

Gerard: Não tripudia também.

Mikey: Tá esperando o que? Vai logo falar com ela, pelo menos assim você para de me encher o saco.

Gerard: Mas você e o Frank hein... Com amigos assim quem precisa de inimigos?

Mikey: Não sou seu amigo, sou seu irmão. Eu não tenho escolha.

Gerard: Nossa, comovente esse amor todo que você demonstra por mim!

Mikey: Eu sei... Tô quase chorando aqui, de tanta emoção.

Gerard: Mesmo assim, obrigado pela ajuda!

Mikey: Tá, tá bom... Vai logo lá. E se der tudo certo, NÃO ESQUEÇA de pegar o telefone dela dessa vez.

Gerard: Certo... Eu... Vou lá!

Mikey: Vai!

Gerard: Tô indo!

Mikey: Então tá!

Gerard: Fui!

Mikey: Desliga o telefone primeiro, cabeça de vento!

Gerard: Certo!

Depois de desligar, Gerard permaneceu alguns minutos fitando o teto. O que aquela garota tinha feito com ele? Sempre tinha sido um tanto distraido, mas ela conseguia deixar ele totalmente aéreo. E sua confiança então? Ao longo dos anos tinha aprendido a ficar mais forte e mais confiante de si mesmo, e agora parecia uma criança indefesa buscando por atenção. Ela acabava com todas as suas defesas e fazia sua auto-estima cair vertiginosamente. Já tinha tido romances antes, já tinha se apaixonado. Então porque daquela vez tudo parecia maior? Como se fosse a primeira vez? Era clichê dizer que "nunca tinha se sentido assim por ninguém", mas era essa a mais pura verdade. E ao contrário do que pudessem pensar, não estava se sentindo nem um pouco bem com aquele sentimento. Odiava aquela sensação de estar a beira de um abismo. Odiava as incertezas e os medos que tomavam conta de seu corpo toda vez que pensava em Amanda. E mesmo assim, nem sequer passava por sua cabeça desistir daquilo. Sofreria o quanto fosse preciso, brigaria e sangraria por dentro. Enquanto não tivesse ela em seus braços, não iria parar. Suspirou longamente antes de levantar e seguir para porta. Iria falar com ela, nem que tivesse que a carregar para fora do escritório. Pegou as chaves em cima da mesa de centro e abriu a porta, dando de cara com Amanda. Ela o encarou sem expressão pelo que pareceram horas, e então abriu um sorriso, que na opinião de Gerard, era o mais encantador e belo do mundo.

Amanda: Hey! Está de saída? Eu posso voltar depois e...

Gerard: Não, não... Pode entrar!

Amanda: Ok...

Amanda parecia mais desconfortável que de costume. Sim, porque aparentemente, ela sempre parecia estar desconfortável e insegura perto de Gerard. Ele se perguntava sempre qual era o verdadeiro motivo para esse comportamento dela. Ela se sentou no sofá e colocou as mãos em seus joelhos, encarando seus olhos. Ok, isso foi estranho. Gerard sentiu que não iria conseguir permanecer em pé por mais de cinco segundos se ela continuasse encarando daquela forma. Preferiu sentar na poltrona que havia atrás de si, numa distância "segura" de Amanda.

Gerard: Então, você... Queria falar comigo?

Amanda: Você deve tá bravo comigo né?

Gerard: Bravo? Porque eu estaria... Ah... É...

Amanda: Eu acho que te devo uma explicação.

Gerard: Hum.

Gerard\'s POV

"Hum"? Foi o melhor que você conseguiu Gerard? Tenha santa paciência. Você deveria estar dando uma bronca nela, por ter sumido e deixado você a tarde inteira com o coração na mão. Se você ficar perdendo a ação toda vez que ela se aproximar, o que ela vai pensar de você? No mínimo que você é uma droga de autista. Se concentra imbecil, ela tá olhando pra você.

Amanda: Gerard, tá tudo bem? Você tá tão... Pálido.

Porque ela deu essa risada? Que foi que... Ah sim, eu sou sempre pálido. Bela piadinha Amanda, arranca logo meu coração pela garganta e pisa em cima. E... Desde quando eu fiquei tão dramático?

Amanda: Olha só, se você prefere que eu volte depois, a gente pode conversar outra hora sabe? Com mais calma.

Gerard: NÃO!

Idiota, idiota, idiota. Agora você assustou ela. Agora além de autista ela vai pensar que eu sou psicótico. Certo, eu só preciso respirar fundo. Mandar oxigênio pro cérebro e me acalmar. Isso, calma e concentração. É disso que eu preciso.

Gerard: Ehr... Quero dizer, tudo bem a gente conversar agora. Na verdade... Eu preciso que seja agora. Antes que eu fique louco.

Amanda: Ah... Ok!

Quando eu disse "conversar", eu quis dizer: você implora pelo meu perdão, eu faço um pouco de doce, depois te perdôo e a gente vai fazer as pazes com ações não ortodoxas. Porque você tá me encarando esperando que eu fale? Quem tem que falar é VOCÊ oras.

Gerard: Então?

Amanda: Oh, sim... Desculpe! Eu começo né?

Gerard: Acho que sim né? Afinal você que veio até aqui pra gente conversar.

Isso foi horrível. Se fosse eu no lugar dela, me levantaria e sairia correndo. Eu fui muito sinistro agora. Até eu fiquei com medo de mim. Seu grosso, vai acabar morrendo sozinho.

Amanda: É... Você tá mesmo bravo não é?

Gerard: Não estou bravo Amanda. Só que você ter saido de manhã sem nem mesmo dar um tchau não foi exatamente justo da sua parte não é?

Amanda: Eu sei... Só que eu estava...

Por favor, não diz arrependida.

Amanda: Estava...

Diz qualquer coisa, menos que tava arrependida.

Amanda: ... Sei lá. Confusa... Insegura.

Gerard: Arrependida?

Amanda: Não, claro que não. Eu não me arrependi de nada que aconteceu ontem a noite Gerard.

Gerard: Então qual é o problema?

Amanda: Bom, eu... O Gabriel...

Gerard: O Gabriel, Amanda??? Como? Porque?

Amanda: EU NÃO SEI! Eu só... Precisa acabar com tudo de uma vez.

Gerard: E acabou?

Eu não podia ver seu rosto, porque ela estava de cabeça baixa, mas tinha certeza que ela chorava. Como eu poderia não me sensibilizar com aquilo? Ela estava ali, se dissolvendo na minha frente, e eu mantinha distância com medo do que a proximidade poderia me fazer sentir. Estava sendo tão... egoísta. Me ajoelhei na frente dela e segurei suas mãos.

Gerard: Acabou Amanda?

Amanda: Eu juro que sim Gerard, juro.

Segurei seu rosto e a encarei. As lágrimas estavam molhando toda sua face, mas ela estava linda. Linda como eu nunca tinha visto antes. Ela estava leve, radiante, livre. E era minha. Quando eu encarei seus olhos, eu pude ver. Ela era inteiramente minha e nada mudaria isso. Sequei suas lágrimas com meus dedos e aproximei meu rosto do seu. Quando ela fechou seus olhos eu pude ter certeza. Nada mais poderia tirá-la de mim.