Remember
9 Finally...Remember
Notas iniciais
2 semanas depois
–Essa casa ficou tão vazia sem ela, não é?-Papai disse, flagrando o momento que eu encarava o retrato de mamãe.
–É-concordei, mesmo não lembrando de como a casa ficou sem ela, mal lembrava de quem eu era.
–Então, querida, você ainda não contou o motivo de sua vinda.- Ele arqueou uma sobrancelha e me olhou de soslaio, o típico olhar que ele lança quando quer vasculhar sua alma- Você e Austin brigaram?
–Não, eu só... É tudo tão díficil sabe? Quer dizer, há pouco tempo atrás eu ti o porque me contaram.-Pus as mãos no rosto.
–Ninguém disse que iria ser fácil-sentou do meu lado no sofá-. Mas você continua tendo tudo isso, continua tendo esse talento maravilhoso de compôr como ninguém, continua tendo um namorado que ama você e, quanto ao recíproco, tenho certeza que está aí em algum lugar. Só precisa achá-lo. Na verdade, todas suas memórias e sua felicidade está em algum lugar aí dentro-Apontou para meu peito-Só precisa deixá-lo sair.
Sorri. Papai sempre sabia o que dizer.
–Obrigada, papai. Se importa de eu ir para o meu quarto?
–Não, estou bem.
Então subi as escadas e abri a gaveta procurando meu diário. Mas achei folhas de calendário, fotos minhas, com papai e mamãe, Austin e milhares de outras coisas. Peguei as folhas de calendário, então eu tinha a mania de guardar folhas de calendário de meses e anos passados? Meneei a cabeça, rindo com o pensamento.
Folheei-as. Todos os dias 29 de abril, desde 2010, estavam cheios de corações e um círculo irregular feito de caneta vermelha em volta. 29 de abril, 29 de abril...
–Alisson Marie Dawson, você poderia me dar a honra de ser a minha namorada-compositora?-Ouvi a voz de clarim de Austin, ele estava apoiado em um joelho, no meio do pátio da escola, na frente de todos os alunos. E a resposta, bem, já deve ser meio óbvia.
Claro! É o meu aniversário de namoro! Olhei para o resto do quarto, cheio de notas musicais espalhadas pela parede verde pintadas em branco. Está tudo aí dentro. Só precisa deixá-lo sair. Então entendi o que papai quis dizer. Depende de mim. Eu quero lembrar. Eu quero lembrar. Eu vou lembrar. Eu consigo lembrar. Fecho os olhos e os aperto com força.
–Eu posso. Eu posso-Sussurrei para mim mesma.Várias lembranças vieram à minha mente A primeira vez que toquei em um piano, que compus uma música-Sobre uma borboletinha-,a primeira vez que Austin e eu tocamos piano juntos, nossa primeira composição juntos...
Flashes de memória. De todas elas. De todos os 19 anos que viraram um monte de páginas em branco na minha mente nessas últimas semanas. Agora todas as páginas estavam escritas. Estava tudo claro novamente. Lembro da noite do acidente, minha última memória. Eu lembro de conseguir ouvir os Será que estão mortos? Alguém já chamou a ambulância? Olhe o estado do carro! mas de não poder fazer nada.
–Papai!-Gritei e desci escada á baixo tão rápido que eu me perguntei como consegui aquilo-EU LEMBREI! EU LEMBREI, PAI! MINHA MEMÓRIA VOLTOU!-Berrei para ele, ele olhou para mim e veio me abraçar.
–Querida, isso é maravilhoso!
–Eu sei! Obrigada, pai, muito obrigada!
–Pelo quê, Alls?
–Por me fazer lembrar!-Ele deu uma risadinha.
–Oh, eu não fiz isso! Quem fez foi você! Eu só deixei mais óbvio. E,Ally-Ele chama e segura meus ombros-Não acha que está na hora de voltar?
–Eu não sei.
–O motivo de ter vindo para cá não era relaxar para lembrar?
–Era, mas... Espera aí, como você sabe?
–Intuição masculina-Dá uma piscadela e ri-Mas sério, já que você se lembra do amor que você e Austin tem um pelo outro, não acha que está na hora de voltar?-Sorrio.
–Você está certo. Eu vou arrumar as malas.
~*~
Toco a campainha do apartamento onde moro. Austin abre a porta e franze o cenho.
–Ally?-Ele pergunta incrédulo.
–É. Agora eu tenho certeza.
–Hã?-Ele continua confuso. Reviro os olhos e o puxo pela gola da camiseta.
–Você é meio lerdo às vezes.-E o beijo. Ele parece meio aturdido no início, mas depois colocou seus braços ao redor da minha cintura. O beijo dura quase 2 minutos, cheio de saudade e tudo mais que um beijo de volta pode ter. Eu o solto, e ele me olha, nossos rostos á milímetros de distância.
–Você lembrou?-Ele sussura.
–Talvez. 29 de abril de 2010, estou certa?-Dei um sorrisinho. O sorriso dele ficou maior ainda.
–Certíssima.-E voltou a me beijar.
E papai estava certo, como sempre, estava tudo em mim. Só precisava encontrar.
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