Remember?
9 The accident
Notas iniciais
Desabei sobre uma daquelas cadeiras frias que ficavam na cantina do hospital. Havia pedido algo para comer, apesar de que a fome não me faz uma visita há muito tempo. Minha garganta estava seca, passei mais do que uma hora falando com a Ally, não era surpresa eu estar desidratado, não parava de chorar desde o dia em que o acidente ocorreu.
O acidente.
Como pude deixar aquilo acontecer?
Como pude ser tão cafajeste a ponto de fazer aquilo com a Ally? A garota que eu jurei amar e proteger para sempre? Fui imbecil ao deixar que ela saísse daquela festa naquele estado, e mais imbecil ainda por ter deixado aquela vadia me beijar.
– Como eu sou otário! — gritei, assustando a todos que estavam na ala, inclusive a moça que trazia o meu almoço. Ela me olhou assustada e eu murmurei um "desculpa", ela assentiu e deixou um prato e um copo em cima da mesa, enquanto eu sofria com o constrangimento de ter todos me encarando de soslaio e sussurrando coisas. Olhei para aquele sanduíche — que pra falar a verdade estava com a cara ótima — e senti minha barriga roncar. Em menos de um minuto havia tomado toda a água presente no copo e assim que ia dar a primeira mordida no sanduba, alguém senta na cadeira à minha frente.
– E aí, como você tá? — deixei o sanduba de lado.
– Oi Dez. — ele sorriu pra mim. Um sorriso de pura pena. — Sinceramente, com vontade de dar a primeira mordida nessa coisa linda aqui — apontei pro prato — Posso?
– Vá em frente — ele disse, ainda sorrindo. Mordi o sanduíche, sentindo o sabor bom e o prazer de estar finalmente comendo alguma coisa. — Algum progresso?
– Nada — respondi em meio a mordidas — Nem uma reação. Nada.
– Ela vai ficar bem, cara. Vê só, a Ally é forte.
– Mas eu não, Dez. — ele me olhou profundo, querendo mais do que isso — Eu to me sentindo a pior pessoa do universo! Me sinto como se não tivesse mais nada nesse mundo a perder, só a Ally. Não saio mais desse hospital, já to até cheirando a remédio! Esse sanduíche foi a primeira coisa que eu comi em dois dias! Se eu a perder, eu... Eu não sei o que farei com a minha vida.
– O que você tá querendo dizer?
– Prefiro morrer do que passar o resto da minha vida me culpando pela morte da pessoa que eu amo.
– Austin, isso não foi culpa sua.
– Como não, Dez? Como não?
– Você estava bêbado!
Fiquei calado. Sabia que tinha que dizer algo, mas não sabia se o que quer que eu fosse dizer iria mudar a opinião do Dez ou adiantar alguma coisa. Levantei da cadeira e fui até o balcão pagar o meu almoço, mas antes de retornar ao quarto em que a Ally estava eu fui novamente até o ruivo, que não havia parado de me seguir com os olhos desde que eu levantei.
– Isso é o que todo mundo pensa, Dez.
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