Remember
13 Visitas a noite e uma ameaça
Notas iniciais
Ja era noite quando eu voltei para o apartamento da Lucy. Quer dizer meu apartamento (usando uma escada).
– Ar... Tadaima – falei tristemente.
Larguei-me em cima da cama, onde eu pensava melhor. Fazia dois dias que a falsa-Lucy chegará.
– Parando para pensar – murmurei – a Falsa-Lucy nunca veio no apartamento. Se a falsa-Lucy fosse à verdadeira Lucy, que não é o caso, ela viria ao apartamento.
Levantei-me e comecei a andar pelo apartamento, pensando e falando alto.
– Se a Falsa-Lucy fosse a Lucy as chaves que são da Lucy pertenceria a ela e não a mim. Mas ja que a Virgo disse que são minhas, então ela não deveria pertencer a Falsa-Lucy e sim a mim. Arf, o que eu to pensando? A Falsa-Lucy é a Falsa-Lucy. Isso faz sentido?
– Faz, faz sim – disse uma voz atrás de mim – A Lucy é realmente estranha.
Virei-me e deparei com o Natsu sorrindo para mim.
– KYAH! – gritei.
– O que foi?
– O-O que você está fazendo aqui? – Perguntei assustada.
– Que pergunta idiota.
– Ora, então responda. Além do mais eu não te dei autorização para invadir o meu apartamento!
– Seu apartamento? – Natsu arqueou as sobrancelhas.
– É!
Ele sorriu e começou a se aproximar de mim enquanto eu me afastava.
– Eh? Então você está me dizendo que depois de negar tanto, você é a Lucy? Está me dizendo que aquela Lucy que apareceu na guilda não é a verdadeira Lucy? E que ela, seja lá quem for, está enganando a todos?
Parei para pensar.
– Bom... é você que está sugerindo e não eu! – exclamei nervosa.
Natsu riu.
– Ah, pare com isso. Eu ouvi tudo.
– O que? Que feio, ouvir conversas dos outros.
– He, então você confirma tudo que eu ouvi é verdade? – aproximou-se.
Agora eu estava completamente encostada na parede. Estávamos tão próximos, que nossas pernas estavam se tocando. Natsu colocou as duas mãos, uma de cada lado da minha cabeça.
– Onde está o seu namorado? – sussurrou no meu ouvindo, seu hálito quente fazendo cocegas na minha orelha.
– Ele não é mais meu namorado – murmurei.
– Você não o amava?
– Eu percebi que o amor que eu sinto por ele é amor de irmãos, agora somos só bons amigos.
Ele riu.
– Éh? E então ele e aquela agora foram embora e só você ficou? – Natsu tornou a rir – Isso é muita coincidência.
– Sabia que você está muito perto?
– E sabia que você é muito irritadinha?
– Você é muito chato.
– E você é muito estranha.
Olhei para ele que me olhava com zombaria. Então ele estava achando muito engraçado tudo isso. Pensei em um modo de sair daquela situação e acabei pisando no pé dele. Ele me soltou na hora.
– Ai! Por que você fez isso, Lucy? – reclamou
Comecei a rir.
– Ha! Quem está rindo agora?
– Você vai ver!
Natsu começou a correr atrás de mim pela casa enquanto eu ria. Bom, ele era mais rápido e logo me alcançou. Natsu agarrou meu braço, mas eu tropecei em algo no quarto e acabei caindo levando Natsu junto.
E olha que ironia do destino! Adivinha aonde caímos? Em cima da cama e olha outra ironia do destino. Natsu caiu por cima de mim. Nós praticamente caímos deitados na cama inteira.
Corei imediatamente percebendo a situação.
– Sa-sai de cima de mim Natsu!
– Não antes de você me dizer – falou sério.
– Dizer o que?
– A verdade – disse.
– Sobre o que?
– Sobre o que eu ouvi. Sobre você ser a Lucy, e sobre você...
– Você deve ter ouvido errado – interrompi.
– Eu sei o que eu ouvi!
– Se você ouviu então eu não preciso dizer mais nada.
– Você é mesmo estranha.
– Agora sai de cima de mim – falei-me mexendo na cama.
– Sabia que se alguém aparecer aqui e nos ver assim vão pensar outra coisa – disse maliciosamente.
– Argh! Você é sempre tão chato? – falei.
– E você é sempre tão estressada? – riu.
Natsu me encarava com aqueles olhos brilhantes que me deixavam em transe. E ele exalava cheiro de floresta e chuva. De certo modo era um cheiro bom.
Respirei fundo inalando o cheiro dele. Sorri. O meu subconsciente brotou o desejo de quer beijá-lo. Mais e mais. E piorava cada vez mais quando ele começou a se aproximar.
Eu travava uma batalha na minha mente. Deixava ser beijada por ele ou não? Natsu estava perigosamente mais perto. Mordi o lábio inferior. Ele levou a mão aos meus cabelos e acariciou. Ah! Isso é ruim, isso é muito ruim! Quando nossos lábios estavam a centímetros de distância me decidi. Coloquei minha mão sobre seus lábios e o afastei.
Se eu fui idiota? Fui sim. Eu não podia me envolver com ele. Não agora, tinha que me focar em descobrir a verdade. Eu não podia me distrair agora. Se eu me arrependi? Sim.
Eu não me entendo mais! Eu gosto dele! Mas eu ainda não tinha dito isso a ele. E nem ele a mim. Suspirei.
– É melhor você ir, Natsu – murmurei.
Ele fez biquinho. Sua expressão era muito fofinha.
– Não – falei sabendo o que ele queria.
– Só dessa vez – pediu.
– Levanta logo, Natsu! – falei o empurrando.
Natsu olhou para mim e sua expressão mudou. Seus lábios formaram um sorriso malicioso e seus olhos também tinham um brilho diferente. Temi aquela expressão zombatera que se formará.
– Se você quer que eu saia em cima de você, Lucy vai ter que me dar um beijo antes.
– Vai sonhando.
– Uma hora ou outro você vai ter que ceder – sussurrou no meu ouvido me fazendo tremer.
– E uma hora ou outra você vai cansar dessa posição – devolvi.
Natsu deu uma risada debochada.
– Você que pensa.
– E você que pensa que eu vou te beijar.
O sorriso dele se alargou.
– Ah é? Então, por que você disse aquela garota que gosta de mim?
Fui pega de surpresa e acabei corando até ficar da cor dos cabelos da Erza.
– N-não sei do que você está falando – menti desviando do olhar acusadora que ele estava me lançando.
Natsu riu.
– Como você pode negar isso na minha cara?
– Negando, oras.
Ele arqueou as sobrancelhas.
– Bom, ja que Lucy não quer dar o meu beijo – ele pressionou o seu corpo sobre o meu e se largou em cima de mim – Eu vou dormir aqui.
Como ele era chato e insistente! E muito, mais muito pesado.
– N-Natsu... não consigo... respirar – arfei.
Ele riu.
– De o meu beijo ou...
Engoli em seco.
– Ou?
– As coisas vão ficar piores – sussurrou rindo descaradamente.
O que ele queria dizer com que vão ficar piores? Eu receava perguntar o que ele queria dizer.
Respirei fundo e encarei Natsu, que voltara a sua posição inicial antes de se jogar em cima de mim. Seu semblante era meio safada.
– Não me olhe assim – murmurei.
– Assim como?
– Como se fosse me comer pelos olhos.
Ele riu.
– Olhar não tira pedaço.
– O que você quer dizer com “as coisas vão ficar piores”? – soltei
– Esperava que você fizesse essa pergunta – disse e logo me arrependi amargamente de tê-la feito.
Natsu inclinou a cabeça até mim, mas não me beijou. Ao em vez disso, ele levou seus lábios ao meu pescoço dando beijinhos no local. Arfei. Seus lábios desciam e subiam sugando a minha pele onde tocava. Em meios desses beijos, senti a ponta da sua língua quente fazer contato com a minha pele e não pude evitar o gemido que saiu dos meus lábios. Pude o sentir dar uma risada e então ele levantou a cabeça e me encarou sorrindo.
– Satisfeita? – perguntou.
– Eu não sabia que você era um pervertido – falei respirando fundo, tentando normalizar as batidas do meu coração.
Natsu soltou uma gargalhada.
– Agora você vai dar o meu beijo?
Cruzei os braços.
– Não!
– Você é muito teimosa.
– E você é um pervertido.
– Isso não é nem a metade do que eu pensei – falou.
Arregalei os olhos.
– Você...! Sai de cima de mim agora, seu pervertido ou eu começo a gritar – falei elevando a voz.
– Você já está gritando.
– Só vou contar uma vez! 1...
– Você é muito chata.
– 2...
– Está bem, está bem – falou se levantando.
Respirei aliviada e me levantei também.
– Agora vai embora Natsu! – falei.
Ele suspirou e virou-se para mim. Em um movimento rápido ele me puxou pela cintura e colou seus lábios nos meus forçando meus lábios se moverem de acordo com os seus.
Natsu se afastou e me encarou.
– Eu não ia sair daqui sem conseguir o meu beijo – falou e então saiu pela janela.
Tornei a me jogar na cama e refleti sobre o que acabará de acontecer. O que será que ele pensava em fazer? Será que ele queria fazer... aquilo?
Balancei a cabeça para reprimir aquela ideia. Então eu ouvi um barulho. Levantei a cabeça. Será que era o Natsu?
Levantei-me e fui até a cozinha.
– Natsu? – chamei, mas não obtive resposta.
A luz do apartamento se desligou e fui pega em uma total escuridão. Ouvi passos no banheiro. Alguém invadirá o meu apartamento. O que eu faria agora? Iria ao banheiro? Seria uma loucura.
Respirei fundo e de repente senti um frio na espinha. Virei-me e não vi nada por causa da escuridão. Andei um passo e tropecei em algo, me fazendo cair no chão. Ótimo! Tateei a procura de algo para me apoiar para eu poder me levantar. Arrastei-me, tateando até achar algo para me levantar. Olhei para frente e de repente as luzes se acenderam me assustando fazendo dar um grito aterrorizado.
Eu me encontrava no banheiro. O que me assustou foi que logo que as luzes de acenderam eu estava de frente para o espelho e ela tinha uma mensagem escrita com algo vermelho (temia pensar que era sangue) que escorrerá.
“Dou-te apenas um aviso. Se afaste da cidade, vá embora ou você se arrependerá de ter voltado”.
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