Remember
21 Uma espiada e um perigo eminente.
Notas iniciais
– E então? – falei impaciente olhando diretamente para Ikari, Rose e Alice, que vierá junto conosco, que estavam sentados a minha frente. – Qual é a nossa situação?
Bom, lá estávamos em uma drogade floresta, montando acampamento, esperando não sei que merda. Sim, eu estava entediada e principalmente, irritada, chateada, cansada, faminta, e tensa. Tudo de uma vez.
Eu queria acabar com aquilo tudo de vez, mas não, tínhamos que montar uma merda de acampamento a espera de algo.
Alice viera juntamente a nós por que ela sem querer ouviu a nossa conversa e disse que queria ajudar, pois ela já tinha vivenciado problemas como esses e tinha experiência, ou seja, ela era uma stalker que não tem o que fazer e a não ser ficar ouvindo a conversa dos outros.
Não posso pensar assim, eu estava jogando tudo o que estava sentindo em cima deles.
Revirei os olhos.
Que seja, eu tinha todo o direito de ficar assim.
Olhei para eles a espera de uma resposta e suspirei quando eles não moveram nem um único musculo do corpo deles.
– Ikari! – o chamei, irritada – O que exatamente estamos fazendo aqui?
Ikari me olhou como se eu fosse uma louca. Oh, legal.
– Gomen Lucy, Alice e eu estivemos mapeando o perímetro da floresta, a procura de algum requisio de magia existente por esta área, por que sentimos um rastro muito pequeno de magia perto daqui.
Suspirei, ajeitando minha posição no chão frio da floresta.
– Sim... continue... – pedi mexendo minhas mãos, indicando ao Ikari que continuasse.
– Mas assim que voltamos lá, o rastro que antes sentimos, sumiu. Evaporou, como se nunca estivesse estado lá. Ou seja, há algo suspeito naquela parte mais profunda e escura da floresta. – concluiu Ikari.
– É como se não quisessem que estivéssemos aqui – murmurei, baixando a cabeça.
– Exatamente. – Alice concordou – Então, se há algum lugar que devemos explorar, esse lugar é aquela parte da floresta.
– Yoshi! Vamos lá! – disse animada.
– Oe, Oe, esperai senhora apressadinha – Rose me interrompeu. – Para podermos adentrar aquela floresta, precisamos de uma estratégia de batalha. Vai que a seu clone do mal tem capangas de dark guilds? Como vamos lidar com eles?
– Posso lutar contra eles – disse não vendo problema nenhum.
Alice balançou a cabeça em negação.
– Não pode Lucy-chan, você é o alvo, se eles vissem você abandonariam suas batalhas correntes e iriam direto cair em você. Aposto que F-Lucy os contratou alegando recompensas altas para qualquer um que te capturasse, o que piora a situação, pois é ai que os inimigos ficam fora de si quando vêm seus alvos bem à frente de si mesmos. E nem vou mencionar no estado que você se encontra... – Ela se interrompeu levando suas mãos lábios.
Arqueei as sobrancelhas. Aquilo já estava muito suspeito para mim. Os três estavam agindo de modo muito, muito estranho desde que sairmos da cidade de Winter até a floresta que nos encontramos perto dos aos redores de Magnólia. Aquela escapada do Natsu não adiantou em nada, do jeito que ele é, tenho a real certeza que em poucas horas ele me encontraria e depois me esfolaria viva por ter fugido. E depois me esfolaria de novo ao ver que eu estou na companhia de Ikari.
Eu não o podia culpa, Ikari e eu já namoramos, e bem... além do fato dele ser... o que diabos eu estou pensando?
Foco Lucy, foco!
– O que está acontecendo com vocês? – dirige-me a eles – Quero dizer, eu estou perfeitamente bem, não é como se eu fosse explodir nem nada, mas eu sei me defender sozinha okay? Tenho meus espíritos comigo! E eu não sou fraca!
Rose olhou para mim e deu um passo em minha direção, como se estivesse se contendo para correr nos meus braços.
– N-Não é isso Lu-nee é só que-
– Que seja – a interrompi cruzando os braços – O que vamos fazer então?
Ikari que até pouco tempo estivera observando a cena, balançou a cabeça como se quisesse reorganizar suas ideias e falou.
– Nós vamos discutir estratégias de batalhas. E quando eu digo “nós”, quero dizer Alice e eu... e isso não inclui você Rose – acrescentou Ikari percebendo que a rosada ja estava começando a ficar animadinha demais.
O caso é que Rose não era realmente boa em estratégias... e bom... nem eu.
– Naze watashi wa dekimasen ka?!* – gritou Rose com a voz manhosa e inflando as bochechas e ficando rosa. Isso mesmo, quando Rose ficava com raiva ela ficava totalmente rosa e não vermelha.
– Por que vamos combinar você não é muito boa em estratégias... – Ikari respondeu e Alice e eu tivemos que concordar.
– Baka! Você não sabe nada de mim! Não sabe nada – tornou a gritar Rose.
– Como não posso saber nada de você?! Eu te conheço a anos Rose! Anos! – Ikari começou a gritar também.
Vish, a coisa ta ficando feia.
– Rose... Ikari... – me prenunciei – Sem brigas por favor...
– Lucy-nee, por favor, não me peça isso! Ele está dizendo que sou incapaz – Rose me olhou com as lágrimas caindo pelo seu rosto que parecia de uma criança – E-Eu posso muito bem ajudar... eu quero ajudar a Lucy-nee.
– Rose...
– Eu não estou dizendo que você é incapaz eu so... – Ikari olhou para baixo.
– Ei, ei vocês, acalmem-se – pedi, mas foi em vão, pois segundos depois, Rose se pois a correr chorando, floresta a dentro.
Alice virou-se rapidamente para Ikari, que continuava com a cabeça abaixada.
– AHO! – gritou Alice pegando o garoto pelo colarinho – Você é muito idiota mesmo, Ikari. Por anos eu nunca pensei que vocês dois fossem brigar! Vá atrás dela antes que algo aconteça. Anda logo! – gritou a morena empurrando o coitado do Ikari para onde Rose havia sumido.
Ikari foi atrás da Rose correndo rapidamente, enquanto eu balançava a cabeça descrente de tudo que estava acontecendo.
– Sério que todos esses anos que eles se conhecem, eles nunca brigaram? – perguntei a Alice.
Ela suspirou e virou-se para mim concordando.
– Os dois são grandes amigos... Em missões geralmente ele que planejava as estratégias e todo o resto e Rose nunca ligou, por isso achei estranha essa briga – disse Alice e tornou a suspirar – Sempre soube que a Rose gostava do Ikari, era bem evidente, mas ele nunca notou, por que em sua mente, ele via a pequena Rose apenas como amiga. Na noite em que Ikari saiu em uma missão solo, Rose conversou comigo e decidiu que iria se confessar assim que ele voltasse, mas as coisas não saíram como planejado...
Alice me encarou avidamente.
– O que aconteceu? – perguntei curiosa.
– Quando Ikari voltou, ele estava carregando uma garota machucada nos braços. Todos começaram a pensar que poderia ser a namorada dele, eu mesma também pensei, até ele correr na minha direção e me fazer um pedido, um tanto desesperado. “Kono shojo o tasukete agete kudasai!”** foi o que ele disse e eu concordei e ele me contou o que aconteceu.
Arqueei as sobrancelhas.
– E quem era essa garota? – perguntei.
Alice riu em descrença.
– Você ainda não se deu conta? Ela era você. Foi na noite que ele te trouxe para nossa guilda. Ele estava tão desemparado que me deixou muito preocupada, por que eu nunca o tinha visto assim antes. – ela deu uma pequena risada – Rose me ajudou também naquela noite. Ela também achou que você fosse namorada dele e ficou realmente triste, mas disse que ajudaria por que queria que o Ikari fosse feliz. Durante aquele mês que você ficou em “coma” ele ficava ao seu lado e Rose também, até que você acordou... E o resto, acho que você ja sabe.
Balancei a cabeça, e olhei para onde os dois haviam sumido.
– Só espero que desta vez eles se acertem. – falei.
– Tomara.
Rose sofrera por não ter sido correspondida, e isso é tudo por minha causa. Sentia-me realmente culpada. Eu gostava do Ikari no inicio, mas percebi que o meu sentimento era apenas fraternal, o considerava um grande amigo e um irmão mais velho e digo o mesmo para Rose. Queria que eles ficassem juntos.
– Yosh, eu vou lá como estão se saindo! – disse decidida.
– Q-Quê? – Alice olhou para mim incrédula – Não pode! Você corre risco!
– Por favor, Alice! – pedi – Só desta vez!
A maga passou as mãos pelos cabelos castanhos e concordou.
– Certo, mas eu vou junto! – falou.
– Okay! – dei um pulo de felicidade.
Peguei o braço de Alice, e corri em direção a floresta, enquanto Alice dizia em protestos, para eu fazer um pouco menos de barulho. Corremos por alguns minutos, até encontra-los em uma pequena clareira. Rose estava sentada embaixo de uma árvore chorando, enquanto Ikari estava em pé a sua frente, parecendo ofegante.
– Vamos aqui – Alice sussurrou e apontou para um arbusto bastante alto, onde podíamos observa-los direito.
Agachei-me atrás do arbusto com cuidado, abri o caminho das folhas no arbusto, para poder vê-los melhor.
Observamos Ikari tentar conversar com Rose, mas a outra apenas fingia que ele não estava ali, até o momento que Ikari ficou irritado e puxou a garota pelo braço a fazendo ficar de pé e encara-lo direito. Eles estavam discutindo algo até que ouvimos Rose gritar em plenos pulmões.
– Eu gosto de você droga! – Rose estava respirando fundo enquanto seguia a fala com as bochechas coradas – Eu sempre gostei de você, mas você nunca me notou! Doía ficar perto de você sabendo que eu não era correspondia! Tinha me decido me declarar pra você na noite em que você saiu naquela missão solo, mas você tinha trazido a Lucy-nee! Quando percebi que você gostava dela, decidir deixar pra lá, e deixa-lo feliz... Mas não consigo mais segurar isso e-eu-
Ela foi interrompida quando Ikari a puxou para perto de si, roubando um beijo apaixonado dela.
– Olha, isso eu não esperava – falei – Achei que ele fosse ficar vermelho e tudo mais...
Alice riu.
– Aquela personalidade ele só tinha quando estava perto de você. No fundo ele é um pervertido mesmo.
Olhei incrédula para o que Alice acabara de dizer.
– Mentira! – sibilei.
– Amor muda as pessoas – Alice falou e concordei.
Quando voltamos a observa-los, a cena havia se transformado em um caos total. De repente surgiram alguns seres encapuzados, e começaram a atacar os dois. Alice e eu nos entreolhamos e concordamos em adentrar a luta.
– Lucy-nee! Alice! – Rose exclamou quando viu nós duas sairmos dos arbustos.
– Vocês estavam nos observando? – Ikari disse enquanto lutava com um dos encapuzados.
– Não é hora para isso! – disse Alice, invocando um arco prateado.
Balancei a cabeça e me virei para um dos encapuzados que vinha em minha direção. Peguei uma das minhas chaves e apontei para ele.
– Não ousa a atacar meus amigos! Abra-te o portão para o Leão! – gritei – Loki!
Uma luz brilhou e o espirito do leão apareceu a minha frente.
– Yo, Lucy – disse Loki – Qual é a situação?
Apontei para um dos encapuzados que atacavam meus amigos e puxei meu chicote.
– Cuide dele. – pedi.
– Entendido. O que você ira fazer? – perguntou.
– Ajudar os meus amigos.
Dizendo isso, corri até um dos capangas que atacavam a Rose. Percebi que apenas sobrara um dos dardos prateados dela. Assim que ela jogos um dos dardos, ele conseguiu desviar facilmente e sorrindo, caminhou em sua direção. Percebi que Rose estava prestes a usar a sua magia, mas não querendo que ela se desgastasse agitei meu chicotei, e ataquei-o.
– Fique longe dela! – gritei.
Meu chicote prendeu no pé dele, então o puxei o fazendo cair. Ele tentou levantar novamente, mas não conseguiu, pois fiz meu chicote lançar uma onda de choque elétrico. Depois tornei a puxar ele, o levantando no ar e o atirei em direção a Loki, que lançou um soco na cara do encapuzado o fazendo cair desmaiado.
– Obrigada, Lucy-nee – agradeceu Rose.
Sorri para ela.
Quando começamos a gritar por vitória, um outro apareceu do nada, como se tivesse brotado das sombras e agarrou os braços da Rose, que gritou.
– IKARI!
Ikari virou-se rapidamente e tentou atacar o cara, mas este foi mais rápido, correndo em direção a floresta. Corremos atrás dele, mas aquele homem não era humano. Ele sumiu em um piscar de olhos.
– Droga, Rose! – Ikari socou uma arvore próxima.
– Não perdemos as esperanças – falei – Alguém consegue rastreá-lo? Alice?
Alice concordou e fechou os olhos por alguns segundos. E depois abriu rapidamente em um pulo e olhou para nós.
– Estão a leste daqui. Parece que tem um tipo de caverna por lá... e Lucy – Alice virou-se rapidamente para mim com um brilho diferente nos olhos – Acho que você vai querer saber... Existem possibilidades de seu clone estar lá.
Arregalei meus olhos.
Então, era aquele momento. Agora ou nunca.
– Certo, estou indo até lá.
– Lucy, espera... – Alice me chamou.
– Por favor, não tente me impedir! Ja é a terceira vez que um dos meus amigos é sequestrado, tudo por minha causa! Eu quero acabar logo com isso! Preciso salvar meus amigos! Então por favor, Alice não tente me impedir! – disse determinada.
Alice concordou.
– Certo Lucy, vamos com você! – disseram Alice e Ikari.
~ quebra de tempo~
Depois de bastante tempo, chegamos em frente a uma pequena entrada bastante escondida entre as árvores e arbustos, que se Alice não tivesse nos guiado até ali, eu nunca iria imaginar que aquela entrada estaria bem ali.
Olhei para os outros.
– Prontos? – perguntei.
Alice e Ikari concordaram comigo e eu me voltei para a entrada. Desvencilhei algumas folhas do caminho e me encolhi na pequena entrada, que parecia mais uma fenda. Com muita dificuldade, adentrei a caverna que estava estranhamente silenciosa. Uma luz fantasmagórica flutuava no teto da caverna, revelando uma pequena passagem estreita.
– Que lugarzinho pequeno – disse Alice se ajeitando ao meu lado, enquanto Ikari terminava de passar pela entrada. – Lucy, está bem?
Balancei a cabeça.
– Só um pouco nervosa. Eu não sei o que irei encontrar lá – falei.
– Não se preocupe, estamos com você – Ikari sorriu para mim, apesar de estar preocupado.
Balancei a cabeça e respirei fundo, começando a andar pelo pequeno caminho, rondeada por Alice e Ikari. Segurei minhas chaves fortemente, sentindo um pouco de medo. Estávamos quase chegando na outra câmara da caverna, quando de repente a luz se apaga, nos deixando no maior breu possivel.
– O-Oe, o que foi isso? – ouvi Alice dizer alguns passos atrás de mim.
– Não sei, mas tomem cuidado – preveniu Ikari.
Senti algo roçar nas minhas pernas, e logo me lembrei daquele pequeno incidente que havia acontecido no meu apartamento, quando a F-Lucy havia colocado aquela ameaça em sangue no espelho.
– Ikari! Alice! – os chamei não obtendo resposta – ALICE! IKARI!
De repente, um silêncio terrível tomou o local, e eu não tive outro caminho se não, seguir a pequena estrada de pedras a frente, me aproximando das paredes do local, para poder tatear até o final do caminho.
Caminhei cuidadosamente pelo local aonde eu pisava, piscando algumas vezes até meus olhos se acostumarem com a escuridão, onde eu agora podia enxergar alguns pontos da caverna, mesmo tudo estando escuro.
Quando cheguei no final do caminho adentrei a câmara, que assim que coloquei meus pés, as luzes se acenderam na qual eu estava presenciando um cenário terrível fazendo meu coração disparar, e lágrimas vierem nos meus olhos
Uma risada metálica soou e eu senti calafrios.
– Você finalmente chegou... Lucy.
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