Notas iniciais
espero que vocês tenham gostado do capitulo anterior os capítulos serão mais frequentes agora.

Quando saímos do apartamento de Magnus Bane já era quase duas, não nos arriscamos novamente indo para o metrô preferimos esperar um táxi dessa vez. Caleb me deixou na entrada do prédio dizendo que tinha que ir encontrar a irmã.

– tenho que ir Valentina, minha irmã fica preocupada quando não dou noticias.

– obrigada Caleb – disse sem saber por que eu o estava agradecendo. – por está comigo.

– sem problemas, depois a gente se vê. – antes mesmo que eu pudesse entrar no prédio ele já tinha desaparecido ao virar a esquina.

Laura ainda não tinha chegado o que significava que eu ainda não tinha sido delatada por ninguém. Há essa hora meus pais já estavam na cama, em vez de fazer o mesmo fui tentar relaxar debaixo do chuveiro, passei horas ali, pensando em tudo que tinha acontecido naquela noite principalmente o encontro com o feiticeiro. Quando sai do chuveiro Laura já tinha caído como uma pedra no colchonete, passei mais algumas horas em claro até que não consegui mais aguentar e fui envolvida pelo sono. Acabei sonhando com os olhos em fenda do bruxo Magnus me observando durante todo o sonho.

Dormi durante quase todo o dia, quando acordei Laura já estava de pé me esperando para contar tudo o que tinha acontecido na noite passada.

– quando eu percebi você já tinha ido embora com aquele gato do Caleb. O que aconteceu? –Laura me perguntou com um toque de indecência na voz.

– nada, só não estava me sentindo bem. – menti para ela. –ele me deixou na entrada do prédio e foi embora. –pelo menos essa parte era verdade.

– hurum. – Laura me olhava de forma reprovadora. – pois comigo foi tudo ótimo. –ela se jogou na cama. –conheci um carinha super legal na boate.

– mais um Laura, você não estava ficando com Felipe da escola? – perguntei indignada com ela.

– ele é passado já. – ela me respondeu como se fosse uma coisa obvia.

O resto do dia se passou normal, tinha contado a mesma mentira para os meus pais na hora da jantar. Laura novamente dormiu comigo iriamos juntas para a escola na manha seguinte. Então não tive como falar com Caleb.

Quando chegamos à escola o único assunto era a noite de sábado na nova boate, já estavam marcando para ir lá novamente ao próximo fim de semana, dessa vez eu iria passar não estava preparada para outra noite como aquela. Bruce não estava por perto, pelo que dava para ver ele parecia não ter ido para a escola ou pelo menos não estava com o grupo. Espero que ele tenha se arrependido de como me tratou naquela noite, ele estava fora de si. A menina do terceiro ano continuava me observando durante todo o horário escolar, sempre que dava.

Dois dias depois Caleb tinha combinado de me esperar na saída da escola, para que pudéssemos conversar sem ter os meus pais por perto. Mily estava comigo quando o sinal tocou e Caleb como prometido estava me esperando.

– seu amigo gato está te esperando. –Mily olhou para mim maliciosamente erguendo as sobrancelhas.

– ele é só meu amigo mesmo, antes que você me pergunte – respondi achando graça da cara da Mily.

– se você está falando. – ela me respondeu rindo.

– tenho que ir. – fui em direção a Caleb dando tchau a ela.

Quando estava me aproximando de Caleb, Bruce não tirava os olhos de nós. Caleb estava encostado no muro da escola, todas as meninas nem disfarçavam que estavam olhando para ele, ele nem parecia perceber nenhuma delas. Quando viu que eu estava me aproximando dele abriu um grande sorriso para mim.

– oi! – Caleb falou estendendo a mão para pega os meus cadernos.

– demorei muito? – entreguei os livros a ele.

– já estava ficando com câimbra. –ele falou rindo.

Em nenhum momento Bruce tirou os olhos de nós. Caminhamos em direção ao Java Jones, compramos um café para Caleb e voltamos a caminhar. Não tínhamos conversado muito desde o dia que conhecemos Magnus.

Enquanto caminhávamos Caleb me contava estórias sobre sua infância com uma irmã mais velha e sendo simplesmente eles dois.

– você acredita? Ela fazia tranças em meu cabelo como se eu fosse sua boneca. –ele falava indignado. Não conseguir evitar de rir.– você está rindo de que? Foi uma tortura, ela ficava puxando minha cabeça. – ele levou à mão instintivamente a cabeça.

– você deve ter ficado uma gracinha de tranças. – continuei rindo.

Caleb me olhou feio, engoli a risada em solidariedade a ele.

– foi traumatizante isso sim. –ele tentava se manter firme, mas dava para ver que ele também estava se segurando.

– você foi uma pobre criança maltratada. –mas finalmente não conseguir mais aguenta e explodir em risadas.

Dessa vez ele me acompanhou, ele deve ter tido uma infância cheia de aventuras e bem animada com a irmã.

Estávamos passando pela Avenida Kent, as luzes da ponte já brilhavam a nossas costas, quando de repente eu parei esbarrando em Caleb de frente a uma igreja.

– que foi? –ele me perguntou preocupado.

– olha isso. – e apontei para frente.

– é só uma igreja. – Caleb falou.

E realmente era uma velha catedral, com as janelas quebradas e as portas seladas com fitas amarelas da policia. Mas tinha algo errado. Eu sentia algo me puxando em direção ao portão lacrado da catedral.

– Valentina, o que você esta fazendo? –Caleb foi atrás de mim. — invasão é crime sabia?

– você não sente? –perguntei com os olhos fixos na igreja.

– o que? – Caleb parecia não entender.

– tem algo errado aqui, como algo escondendo a sua verdadeira forma. –olhei para ele, sabia que nada que eu falava estava fazendo sentido, mas era mais forte. – deixe sua mente relaxar Caleb.

Consegui ver a verdadeira visão, brilhando através de um vidro escuro. Eu conseguia ver os pináculos dos elevadores da catedral, o brilho das janelas chumbadas, a parede de pedra coberta por ervas daninha que cresciam ate o alto cobrindo quase tudo e ao lado da porta estava fixada uma placa de bronze com o nome do instituto gravado nela.

– você estava vendo o mesmo que eu? –perguntei a Caleb.

– instituto de Nova York. – Caleb respondeu abrindo o portão.

– será que devemos? – perguntei puxando a maga da camisa dele. — invasão é crime, lembra?

– não estamos invadindo, é nossa herança Valentina, é claro que devemos. – fui caminhando atrás dele.

Paramos de frente a entrada principal, precisamos arrancar algumas ervas e galhos, para que assim pudéssemos abrir as portas. Olhamos mutuamente um para o outro e juntos entramos no instituto. Parecia que esse lugar tinha sido abandonado há muito tempo, não havia interruptores, então andamos as cegas até encontrar o elevador que resplandecia com um brilho próprio mesmo coberto de poeira. Subimos até o primeiro andar onde o elevador parou fazendo barulho. O instituto era enorme, suas paredes eram de pedras, o piso era de madeira plana.

Caleb e eu andávamos um ao lado do outro sem dizer uma palavra, admirando o quão grande o instituto poderia ser por dentro.

Havia inúmeros quartos, mais do que você conseguiria contar e isso só no primeiro andar. Eles eram basicamente idênticos tirando um que tinha as paredes pintadas de preto. Por todo canto havia arcos de pedras esculpidos com pequenas imagens, dava para ver claramente que as imagens ficavam se alternando de anjos e espadas para sóis e rosas.

Ambos nos olhamos quando chegamos a um arco em forma de um conjunto de portas de madeira. Essas portas davam para uma biblioteca. Ela tinha sido criada em forma circular, com um teto que afilava para um ponto, como se tivesse sido construído no interior de uma torre.

Caleb estava de boca aberta quando entramos na biblioteca e continuou com ela aberta enquanto passávamos pelas prateleiras de livros de tão altas que tinham escadas em rodinhas colocadas em intervalos, tudo estava coberto por uma grossa camada de poeira. Havia livros faltando nas prateleiras, mas pelos que ficaram dava para ver que não eram livros comuns. Eram livros de couro e veludo, fechados com dobradiças de bronze e prata. Onde se podia ler o nome do livro eles tinham joias que brilhavam mesmo cobertas por poeira e os nomes eram escritos em ouro.

O piso da biblioteca era de madeira polida, incrustada com pastilhas de vidro e pedaços de mármore e pedra semipreciosa. A incrustação formava um padrão que de onde nós estávamos não dava para ter ideia do que era. No centro da sala havia uma mesa esculpida em uma única placa de madeira, uma grande peça de carvalho. Que estava repleta por papeis engolidos pela sujeira. A tabua da mesa estava colocada sobre as costas de dois anjos, esculpidos a partir da mesma madeira, mesmo por baixo de tanta sujeira dava para ver suas asas douradas.

Ao fundo da sala repousava a estatua do anjo de meus sonhos, vestido de armadura, com o corpo coberto pelo que agora eu sei ser runas e nas mãos um cálice e uma espada. Quase desabei quando percebi que essa era a imagem do meu sonho.

– é o anjo do meu sonho. –falei para Caleb

– é o anjo Raziel. –Caleb falou pela primeira vez desde que entramos no instituto.

– mas que lugar é esse? –perguntei atordoada.

– é onde deveríamos morar se tudo não tivesse acontecido –escutei uma nota de tristeza na voz dele- meus avós dizem que em institutos como esses vários caçadores moravam por isso tantos quartos, era aqui também que os novos caçadores eram treinados e era nesta sala que a conclave se reunia. – ele girou-nos próprios pés.

Continuei olhando para o anjo enquanto Caleb pegava o celular e discava um numero.

– acabei de ligar para minha irmã. –ele olhou para mim. –ela esta vindo para cá.

Voltamos para a entrada do instituto para esperar a irmã de Caleb, para que assim pudéssemos explorar o resto da catedral.

A irmã de Caleb parecia ter uns 18 anos, era tão bonita quanto ele. Seus cabelos negros caiam em cascatas ao redor de seu rosto, seus olhos verdes procuravam curiosos por algo, sua pele era mais clara que a de Caleb. Ela chegou carregando uma mochila nas costas. E parou quando percebeu onde estava seus olhos se arregalaram e sua boa foi aberta.

– isso é impossível. –a escutei dizendo. –moramos aqui desde sempre e nunca vimos isso.

Ela caminhou em direção à porta e parou quando me viu encostada na entrada do instituto. Caleb foi a sua direção já perguntando se ela tinha trazido.

– claro não sou burra. –ela respondeu passando a mochila a ele.

De dentro da mochila Caleb retirou três lanternas e entregou uma a cada um de nós, depois colocou a mochila nas costas.

– você deve ser a Valentina? –ela veio em minha direção, estendendo a mão.

– me desculpe eu não sei o seu nome. –estendi a mão para ela.

– novidade. – ela falou fazendo careta para o irmão. –sei tudo sobre você, mas você não sabe nada sobre mim. Prazer Lucia.

– prazer. –falei mostrando o melhor dos sorrisos.

Depois das apresentações feitas voltamos ao interior do instituto. Tudo era mais bonito agora que a gente conseguia iluminar as coisas, algumas das paredes eram ilustradas com desenhos de anjos guerreiro em outros cômodos era o teto que estava pintado, porém a imagem do anjo Raziel saindo do lago sempre se repetia.

Voltamos à biblioteca, Lucia ficou admirada com todos os livros.

– nossos avós iam ficar loucos, com tudo isso. –Lucia falou enquanto pega um exemplar nas mãos. – o que mais vocês descobriram? –Lucia falou olhando para gente.

– estávamos esperando você. –foi Caleb que respondeu.

Lucia foi a primeira a sair da biblioteca passamos por vários corredores idênticos até encontrarmos uma das salas abertas que decidimos entrar, Caleb e Lucia ficaram chocados quando viram onde estavam.

– a sala de armas! – Caleb exclamou enquanto corria em direção a uma das paredes.

Lucia seguiu o exemplo do irmão e sem se importa com a sujeira pegou uma adaga presa na parede.

A sala de armas parecia exatamente o que queria dizer, paredes de metal escovado onde estava pendurado todo tipo de espada, punhal, lança, bastão, baioneta, açoite, clava, gancho e arcos. Como na biblioteca algumas coisas faltavam aqui também. Sacos de couro macio cheios de flechas balançavam nos ganhos e mesmo debaixo de tanta poeira dava para ver pilhas de botas, couraças para pernas, luvas metálicas para punhos e braços.

O centro da sala estava vazio tirando por uma mesa no fundo da sala. Em cima da mesa estava as laminas que eu tinha visto nos meus sonhos, só que essas não brilhavam. Passei a mão sobre uma delas retirando o máximo de sujeira possível e escrito ao longo da lamina tinha apenas um nome.

– gabriel — sussurrei, a lamina começou a brilhar como no sonho. Seu brilho era incrível, irradiava poder.

Caleb e Lucia olharam para mim assim que a lamina começou a brilhar e vinheram na minha direção juntos.

– o que foi que você fez? –Lucia me perguntou retirando a lamina da minha mão, no mesmo instante ela se apagou.

– não fiz nada. –tentei me defender – só li a palavra que estava escrita nela.

Lucia faz o mesmo que eu tinha feito e a lamina voltou a brilhar. Caleb foi olhar as outras laminas em cima da mesa e fez o mesmo quando ele leu o nome escrito na outra lamina o seu brilho iluminou a sala inteira.

– incrível. –ele falou.

Desligamos as lanternas e ficamos penas com o brilho das laminas. Lucia me devolveu a Gabriel e pegou outra.

– eu conheço essas laminas. –disse Lucia. –vovô me contava sobre elas quando era vivo.

Ela parecia estar tentando se lembrar de algo muito importante, enquanto ela tentava lembrar Caleb pegou o máximo de armas possíveis, também pegou as luvas metálicas e as botas e colocou tudo dentro da bolsa. Enquanto ele pegava duas laminas e as colocou no coes da calça, Lucia gritou.

– claro! Como eu sou burra. –ela gritou

– isso eu já sabia, você descobriu agora irmã? –Caleb falou brincado com a irmã, mas recebeu um tapa na cabeça.

– são as laminas serafins. Esse é o nome que o vovô as chamava. –ela voltou a admirar a lamina que brilhava em suas mãos. – são as únicas coisas que podem matar demônios.

Eu olhei para Caleb esperando ele dizer alguma coisa, mas ele simplesmente abaixou a cabeça.

– devemos continuar olhando por ai.

Saímos os três da sala de armas, Lucia continuava com a sua lamina e eu também. Entramos em alguns quartos, algum deles ainda tinha alguns pertencem de seus antigos donos outros nem isso tinha.

Decidimos por fim a investigação daquela noite, Caleb fez com que Lucia fosse com ele me deixar na entrada do apartamento. Tentei entregar a ele a lamina serafim.

– não, fique com ela. –ele disse me entregando de volta. –assim você sempre vai saber quem você é.

– a gente se vê amanha? –perguntei animada

– vocês não acham que estão andando juntos de mais não? –foi Lucia que respondeu

Fiquei sem saber o que responder a ela, era verdade que desde que nós nos conhecemos, não passamos mais de dois dias sem nos ver.

– desculpa Valentina, a gente se ver sim. –ele olhou de cara feia para a irmã. –agora eu tenho que ensinar boas maneiras a minha irmã.

Ele falou já empurrando a irmã para longe do prédio.

– o que? Eu só falei a verdade. –ainda escutei Lucia reclamando com o irmão.

Quando meus pais estavam dormindo peguei a lamina serafim que eu tinha escondido debaixo do travesseiro e sussurrei seu nome novamente. Fiquei olhando para o seu brilho que iluminava todo o meu quarto e pensando no que Caleb tinha me dito assim você sempre saberá quem é você. Será? Eu não conseguia me ver como as pessoas do meu sonho, mas quando eu estive no instituto me senti em casa pela primeira vez. Eu poderia não saber o que era ser uma caçadora de sombras mais eu iria descobrir.

Notas finais
se quiser deixe um review, ficarei muito grata por ele.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.