Remanescente
5 Capítulo 4 - O primeiro sangue
Notas iniciais
Belinda não gostava de jeito nenhum que as pessoas humilhassem os bastardos. Não gostava quando as pessoas os humilhavam e os tratavam como animais, somente por causa das circunstâncias de seu nascimento. Ela entendia o quão difícil deveria ser para uma lady receber a noticia que seu marido teve um filho com outra mulher. Podia imaginar a dor que elas sentiam, mas ela odiava que descontassem seu desgosto em crianças inocentes. Ninguém deveria carregar a culpa de um erro que não foi seu. Os bastardos eram aqueles que carregavam os erros dos pais. O erro da infidelidade. Por esse motivo Belinda pensava que fosse maltratados daquele jeito.
Entretanto, Jon era diferente dos bastardos que ele conheceu. O pouco tempo que passaram juntos foi o suficiente para Belinda notar o quanto ele era de certa forma, muito especial. Não soube o dizer por que, mas queria que ele fosse feliz e que fosse seu amigo. Por isso quando viu Jaime olhar torto para o mesmo, sentiu ódio. Será que ninguém podia se esquecer dessa história de bastardo nem por um segundo.
Ela saiu a passos duros e apressados pelo corredor. Entrou no quarto de sua mãe, sem preocupar em esconder sua cara de raiva. Sua mãe notando o quanto a mesma estava irritada. Se aproximou da filha e lhe deu um olhar questionador.
— Não é nada mãe! — Belinda diz ao reparar na mãe.
— Você parece estar irritada. Aconteceu alguma coisa? — Ela perguntou.
— Sim, meu tio Jaime olhou torto para o Jon e eu não gostei! — Confessou Belinda.
Sua mãe soltou um suspiro e se preparou para dar o mesmo sermão de sempre na filha.
— Sei que você é bondosa demais para pensar assim Belinda, mas os bastardos não são dignos de tanta proteção de você dá a eles. — Sua mãe tentou colocar essas palavras na cabeça da filha.
— Eu não concordo em expressar tamanho nojo por eles, como você e o tio Jaime fazem. – Belinda cruzou os braços incomodada.
— Belinda quando você se casar vai ter uma nova visão sobre eles, caso seu senhor a traia. — Sua mãe lhe diz com pesar se lembrando da primeira traição do marido.
— Robb não faria isso, parece ser um rapaz de honra. — Belinda diz incomodada.
— Mulheres da vida conseguem enlouquecer mesmo um homem com tanta honra ou bravura. — Sua mãe diz e Belinda faz uma careta.
— Por que me chamou? — Perguntou fugindo o assunto.
— Quero saber se seu sangue já desceu a primeira vez e não minta para mim. — Cersei diz séria.
— Meu sangue? — Perguntou assustada.
— Sim e não tente mentir. — Sua mãe lhe deu um olhar cortante. – Achou mesmo que fosse me enganar mandando as criadas lavarem os panos com o sangue?
— Então a senhora sabia. – Concluiu Belinda. – Por que não foi falar com o papai?
— Não queria que lhe punisse por mentir e acho que está perto de seu sangue descer novamente, então assim que isso acontecer diremos a todos que foi a primeira vez. — Cersei fez uma pausa e encarou a filha magoada. – Não deveria esconder isso de mim!
— Eu sei mamãe e estou muito arrependida, mas não sei se quero me casar tão nova. — Belinda reclamou.
— Quanto mais nova, mas chances de ter herdeiros. – Sua mãe lhe respondeu. — Tenho certeza que Robb cuidará de você. – Cersei diz com um certo incomodo.
— Algum problema mãe? — Perguntou desconfiada.
— Nada, meu amor. Somente ainda não me acostumei a ver você crescer cada vez mais. – Cersei respondeu com uma meia verdade.
— Era só isso que tinha para me falar?
—Sim, querida pode ir! — Ela se esforçou para sorrir para filha e Belinda saiu dali tão rápido quanto entrou.
Era duro ver sua filha amada indo conviver em breve em meio aos lobos.
(...)
Robb estava novamente passeando com Belinda, coisa que ultimamente mais gostava de fazer. Sua beleza estonteante era diferente das mulheres nortenhas que viveu cercado. Robb estava se apaixonando por todas as coisas presentes em sua bela futura noiva. Ele gostava da cor diferente de seus cabelos. Ele gostava dos olhos castanhos e expressivos da mesma. Gostava de como seus vestidos destacam suas curvas que para o mesmo foram feitas com muito zelo. Gostava da maneira que ela sorria e da risada que Belinda sempre dizia ser estranha ,mas para ele era uma doce melodia.
Às vezes ele se perguntava se era possível se apaixonar por alguém com tamanha rapidez. A velha ama contava a ele que o amor era um sentimento que não possuía idade ou medida. Era um sentimentos intenso que pode surgir da noite para o dia, mas ás vezes nós demoramos para descobri-lo. Contundo, Robb sabia o que sentia quando estava com ela. Ele sentia seu coração se descompassar e suas mãos suarem de nervoso. Quando ela lhe beijou foi como se Robb pudesse sentir o gosto do paraíso.
De fato o jovem estava encantado, pela bela princesa. Já Belinda ainda não sentia o mesmo. Ou pelo menos não na intensidade que Robb queria. Belinda gostava da companhia de Robb e podia se dizer que gostava do rapaz. Mas ela não sentia o mesmo sentimento avassalador que sentia pelo tio.
Belinda se perguntou se poderia apaixonar-se por Robb nessa mesma intensidade e acreditou que se o conhece-se melhor isso poderia acontecer.
Então, se passaram alguns dias e todos já sabiam que Belinda havia sangrado. Robb estava feliz por enfim o casamento estar agora sendo planejado. Belinda se sentia confusa sobre isso. Uma parte da mesma estava feliz e outra triste. Era um fato que a mesma estava em conflito consigo mesma. Mas, seu destino já estava selado. Casar-se com Robb e um dia ser a senhora de Winterfell.
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