Remains
4 Xenofobia
- O corpo sumiu!
-Como o corpo pode ter sumido? Ah, vocês são muito incompetentes! –Satoshi gritava em inglês com os policiais indianos.
- O seu país que criou esse filho de Kali, devia se responsabilizar por ele!
- Nos responsabilizar? Com o corpo desaparecido jamais alcançaremos o assassino! –Satoshi se exasperou- Espere. Como sabem que o assassino é um japonês?
- São todos, todos, filhos de Kali, vem nos trazer má sorte!
Um homem de aparência tresloucada invadiu o local.
- Contenham seus civis, esse local devia estar fechado!
- Não é um civil, é nosso grande líder...
Mas antes que o oficial completasse o que ia dizer o homem caiu, com um filete de sangue escorrendo da têmpora.
- Que nojo... –murmurou Alberich ao ver as roupas imundas do morto- Que tipo de lavagem cerebral que os religiosos daqui praticam?
- É um protestante?
-Um luterano, mais especificamente. –sorriu ele.
- Devia ter mais respeito pelas outras religiões.
- Você é espanhola não é? Católica? –ela assentiu- Vocês respeitam muito a religião alheia, com certeza.
Eleanor o ouviu murmurar algo como inquisição e se sentiu incomodada.
Quis que aquilo passasse, foi examinar o corpo.
A alguns passos, caído, estava um rosário budista, mas em suas amarras havia...
- A FÊNIX! –ela tropeçou ao dar um passo para trás, sendo segurada pelo tenente.
Seu grito atraiu a atenção de Mime, que até então tinha o olhar fixo em uma inscrição no teto do templo hindu, que representava guerreiros monstruosos com cabelos de fogo atacando o povo, sob o comando de Kali.
Isso explicava os gritos do morto.
Era um líder xenófobo, mas os europeus não podiam se gabar de serem receptivos...
Colocou as luvas e pegou o objeto.
- Alberich!
O companheiro veio imediatamente, com o laptop em mãos.
Compararam a imagem.
- Aparentemente idênticas.
-Aparentemente Mitiko. Agora vamos ter certeza. –Disse Eleanor, fotografando a imagem e a passando para o computador.
O processo de análise pixel por pixel havia inicializado quando a tela apagou.
- Merda! Um vírus!
-Ei, aquele cara!
Todos se viraram para onde Mitiko apontou e viram um dos homens jogar fora uma antena de wireless e correr.
- Peguem ele! –berrou Satoshi.
Mas ele tinha uma vantagem significativa.
Mime não saiu do lugar. Atirou, acertando o pé do homem, que caiu.
- O interrogatório é com você. -Se dirigiu a Alberich, que também não se movera nem demonstrava estar surpreso.
- Não faça mais isso detetive. Vai arranjar sérios problemas com os companheiros do atingido, além de atrapalhar o andamento das investigações.
- Bela mira ruivo. –disse Eleanor ofegante, depois de voltar- Vai ter que me ensinar isso.
Ele voltou a encarar o corpo do morto, a ignorando.
oooooooooooooooooOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOoooooooooooooooooooo
- Não faça mais isso Mitiko.
- Mas Satoshi...
- Tenente.
- Até quando vai continuar com isso? Eu ajudei!
- Mas se pôs em risco. Fique de olho nos islandeses por mim e NUNCA mais faça isso. Não até o encontrarmos.
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