Remains
7 Humor negro
- O que você fez com a Mitiko?
-Entre.
Eleanor entrou, furiosa, afinal, ele era cinismo puro e a encarava com aquele olhar compreensivo de quem é acusado injustamente, mas que perdoa o erro do acusador.
- Vamos, me responda!
- Acalme-se Eleanor.
- Escuta aqui, por que?Por que matou a Mitiko? Ela era repórter, não tinha nada a ver com você e suas artimanhas psicóticas! E de pensar que o Fênix estava entre nós todo o tempo, e nem imaginamos. Seu cinismo me surpreende.
- É, eu fiz aula de teatro.
Ele riu um riso cristalino e inocente que gelou a alma de Eleanor. Ela sabia do que ele era capaz.
- Por que Mitiko? E o que você fez com Satoshi?
-A major sabia demais.
-M...Major?
- Não sabia muito sobre sua amiga, não é mesmo?
- É, ela nunca me prendeu por porte “ilegal” de arma. Vou fazer o seu joguinho, se é isso que você quer.
- Ora... Não precisa ser cínica, nem me atacar.
- Quem disse?
- Eu. Só teria esse direito se soubesse quem eu realmente sou.
- Você é um assassino, e isso me basta.Matou muitos inocentes até hoje Fênix.
- Percebe como não me conhece? Não sou o Fênix.
-É só um assassino comum então?
-Eu não disse isso.
Antes que ela pudesse perceber o movimento, ele passou uma corrente por volta de seu pescoço, a asfixiando.
-Já deve ter percebido que esse não é meu método favorito mas... Por hora serve.
Não tinha muito tempo, elevou as mãos, tentando, com uma, soltar a corrente e com a outra se livrar do homem que a prendia.
A porta se abriu com um estrondo e Mime e Alberich, armados, invadiram o local.
- Solte ela imediatamente!
Shun sorriu e a soltou.Ela percebeu a vista escurecer...
- Acho que me pegaram.
- Mãos para cima. Você está preso.
- Fazer o que...
- Ele não é o Fênix.
-O que te faz ter tanta certeza Rich?
- Se fosse, não se exporia dessa forma.
Mime se voltou para Alberich, que confirmou com a cabeça. Não estava blefando, não era mesmo o Fênix. Mas pela linha de raciocínio de Mime, estava intimamente ligado a ele.
-O que vão fazer agora?Os dois responsáveis pelo caso estão acidentalmente mortos, e Eleanor está, machucada...
Isso despertou Mime para Eleanor, que estava estendida no chão, respiração falha.
- Cuide dele Alberich, não queremos dois funerais hoje.
Os olhos de Alberich e Shun se cruzaram e brilharam diante do comentário de Mime.
- Eleanor...
Mas ela estava totalmente desfalecida.
A freqüência cardíaca caindo...
- Alberich, a freqüência cardíaca dela esta diminuindo!Qual é a série?
- Quinze!
Shun aproveitou essa distração deles e correu, mas Alberich foi mais rápido, acertando a nuca dele com a coronha de seu revolver.
Mime repassou a informação, fazendo a massagem cardíaca na mulher de quinze em quinze, com espaços para verificar a respiração.
Recuperou-a em pouco tempo, enquanto Alberich algemava o assassino.
-Ai minha cabeça...
-Não pode se levantar ainda, quase morreu agora pouco.
-Meu herói... –ela sorriu.
-Sua respiração já estabilizou?
Ele se inclinou para verificar e ela o beijou de raspão.
- É, Mime, temos que ir.
Mas ele ainda não se levantou de imediato. Encarou aqueles olhos cuja cor era incrível, rósea como uma turquesa.Ele também não desviou os olhos da mulher tão rapidamente.
-Vamos. –ele se aproximou de Alberich e murmurou- É melhor você ir com ela, eu cuido do outro.
Alberich sorriu. Mime fazia aquilo por que ou estava saindo do controle com relação a Eleanor ou temia que ele fizesse algo contra (ou, mais provável, a favor) o assassino. Ou os dois.
Esse pensamento lhe melhorou muito o humor.
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