Relíquias do Submundo: Coroa de Sangue
2 Falsa Identidade
Os brinquedos de Josh e Brad estavam espalhados pelo chão, ambos brincavam de serem caçadores de sombras com espadas de plástico. O pai deles adentrou a sala com um sorriso enigmático no rosto, ele estava sem camisa, dava para perceber as finas linhas desenhadas em seu corpo quase imperceptíveis.
— Não tenha medo meu filho. — Ele falava apenas com Josh.
A criança virou o rosto para o lado, seu irmão não estava mais ali. A sala estava se deteriorando, se tornando um negro gosmento, o chão parecia da mesma forma. Os móveis estavam derretendo, mas quando o garoto voltou o olhar para seu pai ele estava diferente.
Jefferson não estava mais com um jeans surrado e sem camisa, agora usava roupas de pretas e de couro, parecia forte, triunfante, igualmente a um caçador de sombras. Os olhos de Josh se arregalaram ao ver o pai, puro espanto e horror na face da criança. O homem andava em direção ao mesmo, mas não parecia ser ele. A íris que outrora eram azuis estavam em uma coloração dourado brilhante, longos caninos desciam de seu sorriso. Um arrepio percorreu o corpo do pequenino quando ele notou a aura que emanava do pai, algo sombrio e poderoso, mas não conseguiu compreender a energia estranha.
— Está na hora de descansar. — O tom aveludado e perigoso preencheu a sala.
Ele parou em frente a seu filho, parecia um lord das trevas, mas Josh sabia que seu pai não era ruim, nunca fez mal a ninguém. Atrás de Jefferson os móveis derretidos estavam se formando em algo concreto de novo, uma forma estranha, parecia humana. Os seres estavam ajoelhados, trajavam túnicas negras e estavam totalmente cobertos, apenas se escutava o sibilar das criaturas em uníssono.
O garoto voltou a atenção para o pai. O cheiro forte de algo queimando impregnou as narinas da criança, parecia estar sendo sufocado, os olhos lacrimejavam. O homem tocou a cabeça dele e tudo se desfez.
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O corpo se moveu para a direita e o rosto ficou molhado pelo seu próprio suor. Josh se sentou na cama em um salto, colocando a mão na testa sentindo uma dor de cabeça lhe incomodar, uma pontada na testa latejava aonde seu pai lhe tocou no sonho.
O quarto estava com um cheiro de mogno e livros antigos, um aroma agradável. A grande janela que havia a direita iluminava o local, aquela sensação de ter voltado no século passado retornou. Ele olhou ao redor. Havia uma cômoda, um guarda-roupas e uma poltrona.
Se levantou cambaleando um pouco, fisicamente estava se sentindo ótimo, mas psicologicamente ainda estava esgotado. Andou em direção ao guarda-roupas e o abriu sem nenhuma delicadeza. Em uma das porta havia um espelho, seu reflexo não parecia com o garoto de dois dias atrás. O cabelo totalmente bagunçado, o rosto ainda com marcas de cansaço, a blusa rasgada e sangue seco, mas dava para notar a iratze desenhada em seu peito. Voltou a tocá-la com suavidade, temendo que pudesse brilhar e queimar sua pele. Era real. Lembrou como um flash os acontecimentos anteriores, a criatura, os caçadores de sombras, o mundo que seu pai sempre fantasiou. Tudo era real.
A porta do quarto rangeu e Josh de súbito fechou a do guarda-roupas em um segundo, corpo ficou tenso esperando que alguma outra criatura o atacasse. Henrique havia acabado de entrar, parecia mais jovem depois que descansou, havia nas mãos uma muda de roupas. Ele colocou em cima da cômoda e levantou os braços como se dissesse ao outro que não havia nada para machucá-lo. Dava para ver que estava escondendo um sorriso, Josh relaxou visivelmente.
— Me perdoe, não era minha intenção assustá-lo. — Soltou um riso baixinho.
Josh apontou para as roupas com a testa franzida. Por que daquilo tudo? Não entendeu o motivo.
— Ahhh...Pra que isso? — Disse, ainda olhando para Rique.
— Pra você, claro. — Ele esticou a blusa e jogou para o outro. — Eram minhas, mas eu cresci em alguns anos, não me servem. Você é baixo, vai servir.
O garoto agarrou o tecido quando ele arremessou, logo jogou em cima da cama, nada satisfeito.
— Eu não preciso disso, já fizeram muita coisa por mim e pelo meu irmão. —
O sorriso voltou ao rosto de Henrique, agora estava aberto mostrando o dentes. Um bonito sorriso, aliás.
— Então esse é o novo estilo que vai lançar? Blusa rasgada por um demônio? — Riu novamente.
Josh olhou pra a camisa que estava destruída, corou quando o outro parecia se divertir com o caso. Rique estava bem vestido com roupas normais, nada de couro, parecia um mundano.
Dando de ombros ele retirou a camisa em seu corpo e jogou no chão, mas a última palavra que Henrique disse o deixou inquieto, como se tivesse entendido agora.
— Demônio? — Não estava assustado, mas lembrou perfeitamente da criatura que o atacou.
O outro assentiu com a cabeça, o olhar dele pairou sobre o físico de Josh e enrubesceu, focando em um lugar aleatório. Ele era magro, mas os poucos músculos que havia o deixava definido.
— É...Um demônio transmorfo. Não são inteligentes, mas conseguem bem confundir as pessoas. — O sorriso dele se tornou gentil. — Você não foi o primeiro a ser enganado, também não será o último.
A lembrança da mulher entrando no beco com a criança demônio retornou nos pensamentos dele. Ele Se arrepiou por completo, balançando a cabeça lentamente tentando se esquecer disso, mas poderia imaginar o corpo dela cheio de cortes profundos, toda ensanguentada.
'É, realmente não fui o último.' — Pensou.
— Tudo bem eu...Acho que preciso tomar um banho. — Avaliou o próprio corpo imundo.
Henrique lutou contra a vontade de olhar o físico do outro novamente. Engolindo em seco e mordendo lábio inferior ele entregou o restante das roupas para o garoto.
— Aqui, eu vou esperar você. — Fito os olhos dele. — Seu irmão já acordou, estão te esperando na cozinha. — Esclareceu.
Após pegar as roupas ele sorriu para Rique e abriu uma porta no quarto que levava a um pequeno banheiro. Não era o banheiro mais luxuoso que havia visto, mas o suficiente para acalmar a mente.
Sentindo a água morna lhe escorrer pelo corpo despido ele respirou fundo, estava tranquilo e relaxado, mas lembrou do seu sonho vagamente. Não fazia o menor sentido, seu pai que parecia com o mesmo mas não era, as criaturas encapuzadas que sibilavam e a sensação de estar sendo sufocado. Franziu a testa. Permaneceu confuso, ainda tinha mil perguntas e quase nenhuma resposta. Se perguntou quem era Jefferson, seu pai, o homem que o criou e o mentiu boa parte de sua vida. Parecia um desconhecido dessa maneira, alguém que não pudesse confiar.
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— Então...Tudo é real mesmo? — Perguntou Brad, com a boca cheia de pão.
Ele estava na cozinha sentado junto aos outros, enchia o prato de comida que havia em cima da mesa. Lyssander o olhou com total reprovação, o garoto parecia um porco ou alguém que não comia a semanas. Todos já haviam contado ao mesmo dos acontecimentos anteriores.
— Sim, tudinho...Então, está numa boa com isso? — Shelly perguntou dessa vez.
Brad estava relaxado até demais, pois conhecia todo aquele mundo, todas as histórias e os mitos ainda estavam vivos nas lembranças dos gêmeos. Pouco se importando ele pegou um iogurte e em segundos enfiou na boca. Rose que sentava a sua frente o olhava curiosa, como se estivesse avaliando uma pedra preciosa, os olhos azuis brilhantes pareciam querer penetrar as roupas dele.
— Na verdade estou, quem pira mais é Josh. — Ele bateu as duas mãos na mesa. — E ai, não vai aparecer nenhum demônio?
Todos ficaram com os olhos arregalados em surpresa. Nenhum caçador de sombras ficaria não animado a enfrentar um demônio, não dessa maneira ridícula de mundano achando ser invencível.
— Demônios não podem entrar no instituto. — Falou Diaspro — Mas apareceu um ontem quando você estava em coma alcoólico, até atacou seu irmão.
Brad ficou tenso e inquieto, ele nem sequer havia lembrado de seu irmão até aquele momento. Sentindo uma pequena pontada de culpa e se ajeitou desconfortável na cadeira com a feição mais próxima de alguém que acabou de pecar.
— Ele está bem? — Perguntou, mas algo veio a sua mente no mesmo momento. — Se eu estava desmaiado...Quem me trouxe?
O garoto olhou para Lyssander intimidado, o outro suportaria carregar os gêmeos um em cada braço sem reclamar. Lys não percebeu o olhar de dúvida que estava estampado no rosto de Brad, mas Rose deu uma risada baixinha, o fazendo olhar para o belo e delicado rosto da loira.
— Eu que carreguei você. — Disse Henrique, entrando na cozinha com o outro gêmeo ao seu lado.
Eles andavam bem próximos ao entrar, fazendo olhares curiosos passar no rosto de cada um. Ambos perceberam. Henrique ficou entretido com um pequeno sorriso no rosto, mas Josh corou bastante.
— Estou ótimo, Brad. — Ele sorriu pro irmão que voltou a relaxar, notou que também estava com roupas novas.
Após se juntarem ao restante eles se entreolharam silenciosamente. Josh pegou um prato e colocou umas frutas. Estava frustrado com o silêncio, mas sabia que todos o olhavam por que na noite passada foi o único irmão que estava consciente.
— Querem começar as perguntas ou pode ser eu? — Encolheu os ombros. — Se quiserem variar também, aceito.
Lyssander puxou sua cadeira mais junto a mesa e respirou fundo, averiguando o garoto atentamente, como se fosse um espécime raro de animal. Se a situação não estivesse tensa o garoto podia imaginar todos que estavam sentados em outro lugar, talvez um campo aberto. Estavam tão normais, de fato pareciam jovens que não faziam parte de um mundo sobrenatural.
— Me conte mais como sabem do mundo das sombras. — Enfim, Lys disse quebrando o silêncio.
Os irmão pareciam relutantes e nervosos, mas foi Josh quem deu o primeiro passo.
— Desde criança nosso pai nos ensinou sobre o mundo das sombras. Ele sempre nos falou dos Nephilim, das raças sumbundanas, dos instrumentos mortais. Até falou sobre um lugar chamado Idris. Dizia que lá os caçadores viviam em segurança, demônios não podiam entrar nessa cidade.
Dessa vez foram todos os caçadores que se mexeram preocupados e pouco à vontade. Os gêmeos sabiam demais, muito mais do que eles imaginavam. Era proibido os mundanos terem tantas informações, pois saberiam a verdade e veriam o mundo da maneira real. Obviamente o pai deles foi um caçador e de uma maneira diferente preparava os filhos fantasiando o mundo das sombras.
— Qual o nome do seu pai? — Shelly perguntou curiosa, parecia ansiar por mais como todos ali.
— Jefferson. — Balançou a cabeça sem entender. — Jefferson Ferreira.
Uma risada escapou de Diaspro e ele colocou a mão na boca para reprimir. Lyssander o olhou com severidade e o andrógino voltou a ficar sério em segundos. Os gêmeos franziram a testa, se estavam confusos antes a risada não melhorou o clima.
— Me perdoe, mas isso é impossível. — Ele continuou para que não fosse interrompido. — Não, é sério. Caçadores de sombras tem sobrenomes antigos do nosso mundo, não do mundo mundano. É bem difícil um sobrenome novo ser feito.
Josh voltou a encarar o irmão, ele tinha a mesma expressão de desgosto no rosto, a expressão de alguém que foi enganado de novo.
— Dias tem razão. — Rique encontrou o olhar de Josh. — Ferreira é um sobrenome comum e mundano, não está na lista dos de caçadores de sombras. A minha teoria é que o sobrenome de vocês é falso.
— Podemos mostrar a lista de sobrenome de caçadores de sombras, membros que ficaram no instituto do Rio, sempre registramos outros que passaram por aqui. — Shelly sugeriu. — Mas antes vocês precisam falar com Ramona e Mario.
Os gêmeos continuaram a fitar a menina por segundos sem entender absolutamente nada. Shelly falava como se os dois conhecessem o local por anos, mas a verdade era que esse evento era o mais empolgante depois de tanto tempo. Nunca tiveram que resgatar jovens caçadores e junto a eles vir enigmas e mistérios, era algo novo para todos eles.
— Quem? — Brad perguntou. — Tem mais? Achei que fossem só vocês.
Rose balançou a cabeça negativamente.
— Todo o instituto é vigiado por integrantes mais experientes, eles tem contato diretamente com a Clave. — Fez uma breve pausa. — Não podemos ficar sozinhos, somos novos. Apenas Lys pode, pois ele já é maior de idade, por isso precisamos de tutores.
Josh se curvou em direção a mesa tentando colocar as informações em ordem, mas quanto mais respostas tinha, mais perguntas surgiam.
— Quero falar com eles. — Olhou para o irmão que parecia concordar. — Queremos.
Lyssander respirou fundo e cruzou os braços em frente ao peito. Ele parecia ser o único que ficava sério a todo momento mesmo depois de descansar.
— Comam primeiro, vão poder falar com eles depois. — Tentou propor a eles.
— Não, estamos bem. Gostaríamos de falar com eles agora, por favor. — Falou Brad com a voz aflita e confusa.
Henrique se levantou, o cabelo estava bagunçando por onde a mão passou anteriormente passou, também parecia confuso
— Levo vocês a eles. -
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Ficavam maravilhados a todo momento que descobriam o verdadeiro tamanho do Instituto. Caminharam por corredores bem iluminados com retratos nas paredes. Portas de mogno escondendo salas que Josh ficava tentado a abrir e descobrir o que havia do outro lado. Se perder nesse local era extremamente fácil.
Henrique continuou andando e entraram em um corredor sem saída. No final tinha outra porta de mogno com flor-de-lis em alto relevo e algumas runas nos cantos. Eles pararam em frente e Rique olhou para os dois.
— Não vou entrar com vocês, provavelmente vai ser uma conversa particular. — Advertiu. — Ficarei esperando aqui até saírem.
O ruivo abriu a porta para os gêmeos que adentraram o local com calma.
Ao contrário de todo o instituto ter paredes em tom de vermelho escuro e amarelo pergaminho, esse era bastante diferente. A parede havia uma textura curiosa, a cor era de um azul gelo bem claro. O cômodo todo era frio, fazendo Josh se arrepiar. As paredes tinham altas estantes que iam até o teto lotadas de livros, dava para se mover em uma escada deslizante sobre ela. Ao fim da sala bem no centro havia uma lareira que parecia ter sido usada recentemente, mas estava apagada. A sala também era cheia de poltronas, mas ao centro se encontrava uma enorme mesa de madeira clara, em cima dela alguns livros estavam abertos, folhas com desenhos bem detalhados, canetas e outros materiais.
Os garotos se aproximaram da mesa rapidamente e avaliaram tudo bem devagar. Josh passou a mão em cima da madeira que estava gelada, ele sentia um forte cheiro adocicado. Brad olhou para o teto, ele era totalmente pintado. Anjos gorduchos e rosados com asas douradas sobrevoavam o teto. Alguns se escondiam atrás de nuvens, outros tocavam lira, mas todos pareciam seguir os visitantes com o olhar curioso
— Olá, bem-vindos ao meu escritório. — Uma mulher apareceu saindo de uma sala ao lado esquerdo do cômodo. — Me chamo Ramona Nightstorm.
Ela sorriu para eles, mas era forçado, dava para notar que estava mais surpresa do que contende por vê-los ali. Diaspro havia razão, sobrenomes mundanos eram bem diferente dos caçadores.
— Devem ser Josh e Brad. — Ramona sentou educadamente em cima da mesa cruzando as pernas.
A roupa que a mulher vestia era um vestido azul celeste que ficava colado ao corpo acentuando as curvas delicadas, dava para notar também as runas na sua pele. O cabelo caía um pouco abaixo do ombro, usava um óculos por cima de olhos castanhos médios e era muito branca para alguém que moravam no Brasil, talvez não saia muito do instituto. O rosto apresentava finas rugas apesar da idade, ela ainda era linda e de boa silhueta.
— Somos, sim senhora. — Brad ficou encantado com a moça, mas Josh não se levou pelo rosto, não gostou dela.
— Shelly disse que vocês já sabiam sobre nós, caçadores. Poderiam me contar? — Ela disse, seu tom de voz era rígido e forte, foi direto ao ponto sem rodeios.
Josh explicou novamente para a mulher como sabia sobre o mundo das sombras. Ramona escutou tudo atentamente em cada detalhe, seu olhar estava distante como se estivesse montando um quebra cabeça mental. Algumas vezes a testa da mulher franzia e voltava ao normal acentuando ainda mais sua idade.
— Bem, acho que a melhor solução seria termos uma conversa com seu pai e perguntar por que ele mentiu. — Novamente, ela pareceu decidida nas palavras.
Os garotos pareceram murchar na frente dela, ficaram ligeiramente tristes se lembrando da última vez que viu o pai.
— Qual o problema? — Ela perguntou notando a situação, os olhos escuros pareciam pedras.
— Nosso pai desapareceu faz dois anos e meio. — Brad falou, com a voz um pouco baixo. — Saiu a noite e nunca mais voltou. Não conhecemos nossa mãe, ela morreu no nosso parto.
Ramona arqueou as sobrancelhas e com um impulso saiu de cima da mesa. Contornou o móvel e se sentou em uma cadeira, pegando um papel e caneta que estavam próximo a mesma. Os garotos observaram a mulher escrever no papel. Depois que Ramona terminou pegou uma estela que estava em cima da mesa escondida em alguns livros, fez uma runa por cima e a carta se incendiou. As cinzas voaram sobre a cabeça da dama desaparecendo no ar.
— Eu lamento sobre a morte de sua mãe, embora não esteja surpresa sobre o desaparecimento do pai de vocês. — Ela voltou a olhá-los. — Enviei uma carta para Clave a respeito dos dois, espero ajudá-los.
Ramona voltou a sorrir, só que dessa vez parecia por pena dos dois. Depois disso pegou um livro e abriu, ignorando os gêmeos que estavam perplexo a sua frente.
Ambos saíram sem agradecer, não sabiam o por que de Ramona ter sido tão fria com ambos, talvez não gostassem de novos jovens caçadores de sombras ou simplesmente o fato de terem sido enganados e criados como mundanos não é bom ao ver dela. No fim, nada adiantou terem aquela conversa.
Henrique continuava esperando eles do lado de fora da sala, estava um tanto ansioso sentado ao chão. Quando viu eles saindo estava prestes a fazer perguntas, mas a feição de desapontado na cara de Josh fez ele se calar, sabia que os garotos não conseguiram respostas.
— Vem. — Sorriu tentando animá-los, e logo os três voltaram a andar.
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Todos os jovens fizeram um tour pelo Instituto mostrando aos novos caçadores cada local, afinal ali era o lar deles agora, não poderia voltar a morar na antiga casa do pai, embora quisessem alguns pertences novamente. Josh estava mais empolgado do que seu irmão, ele sempre teve o estilo de apreciar coisas antigas, livros e pinturas. Ao contrário de Brad que sempre gostou do moderno e da tecnologia, enquanto um era o quieto e outro era o esportivo, sempre vivia atrás de adrenalina.
Depois de um longo tempo entrando em salas de estudo, sala de treinamento, sala de música e outras muitas salas, eles voltaram para seus dormitórios. Era o fim da tarde, o tempo para eles passava mais rápido do que antes. Toda a informação que tinham e as surpresas das horas anteriores o deixavam esgotados, tanto os gêmeos quanto os outros. Ramona não saiu do escritório todo esse tempo e Mario nem havia dado as caras.
Josh voltou a dormir, mas não sonhou com nada. Foi uma daquelas vezes que parecia colocar a cabeça no travesseiro e parecer ter dormido, como se apenas tivesse piscado os olhos. Ele mudou de posição para ver se o sono voltava mas não voltou. Se levantando decidiu que ficar dentro de um quarto não lhe agradaria nenhum pouco. Olhou pela janela, as ruas estavam brilhando com os carros na estrada, a noite acima dele estava em seu auge.
'Deve ser bem tarde.' — Pensou.
Dava para ver a igreja da Candelária, ela parecia muito escura, um tanto assombrosa.
Dando pouca importância, pegou o casado que Henrique havia deixado para ele mais cedo. O tecido era macio e havia um cheiro doce de livros. Josh sorriu e colocou o casaco, abriu a porta do quarto e saiu.
A noite o instituto era tão bonito quanto de manhã, era iluminado, forçando o clima gótico a ficar mais belo. De uma maneira estranha era bem gelado, talvez por que o instituto fosse grande. Ele apertou mais o casaco contra si e continuou a caminhar. Seu quarto ficava no segundo andar do lado direito, então precisou descer as escadas levando para a divisão, onde mostrava o retrato de Raziel saindo da água com os instrumentos mortais nas mãos.
A sala de entrada estava totalmente vazia e silenciosa. Josh olhou para a escadaria direita e subiu logo em seguida, fazia esforço para não fazer barulho.
Desse lado tinha os mesmos corredores iluminados, mas o primeiro corredor era os quartos, sabia disso pois a tática da ala esquerda era a mesma. Enquanto caminhava som de batidas o interrompeu. Josh se aproximou mais de uma porta colocando o ouvido e inclinou a cabeça. Escutou socos, pareciam bater em um saco de areia, imaginou que fosse o quarto de Lyssander.
Não havia nada para ver, era praticamente as mesmas coisas, mudando apenas umas portas e algumas pinturas penduradas. Ainda caminhando ele viu um filete de luz sair por uma portas, estava quase fechada. Se aproximou com mais cautela e tentou escutar vozes. Nada. Apenas o som de um livro sendo folheado. Empurrando ele conseguiu ver lá dentro Shelly. Ela o olhava com a testa franzida, mas logo sorriu relaxando a feição.
— Oi Josh, entra. — Convidou com gentileza se voltando para o livro.
O garoto entrou fechando a porta atrás de si. Ficou inquieto e espremeu o olhos, Shelly naquela posição lhe lembrava alguém. Sentada com a cabeça inclinada, lendo atentamente as palavras impressas. Josh se aproximou e sentou em frente a ela, aquele cômodo estava mais quente. A garota o olhou e ele conseguiu perceber aquele formato de olhos, os mesmo que viu em Ramona.
— O que está lendo? — Ele ergueu o pescoço tentando espiar.
O livro fechou e ela ergueu a capa. 'Percy Jackson e a Maldição do Titã'. Ele sorriu abertamente, era um livro juvenil que já havia lido.
— Achei que só lesse coisas sombrias sobre demônios e anjos. — Soou divertido.
Shelly sorriu igualmente, um sorriso verdadeiro e engraçado. Se ele a tivesse visto em qualquer lugar nunca imaginaria que fosse uma caçadoras de sombras. Tão baixinha e delicada, não conseguia imaginá-la matando um demônio.
— Lemos esses livros, eles nos entretêm. — Se levantou. — Mas já que está aqui, quero lhe mostrar algo.
Os passos dela faziam um barulho abafado no chão de madeira. Ela passou a mão em uma estante e retirou um livro com capa dourada, era bem antigo, na capa dianteira havia um símbolo. Voltando se sentou ao lado do garoto e apoiou o livro na mesa.
— Esse é o livro da árvore genealógica dos caçadores de sombras, pelo menos os que moravam aqui ou ficaram por um tempo. — Falou Shelly.
O dedo indicador do garoto passou por cima do símbolo na capa, contornando ele. Shel parecia analisar os movimentos dele curiosa, o livro deveria ser mais antigo do que imaginou. Retirando o dedo decidiu não tocar novamente até que ela deixasse.
— É a runa angelical, linda e poderosa. — Falou baixinho antes de abrir.
Havia um índice, muitos sobrenomes estavam nele e ao lado os números de sua página. Ela folheou o livro sem se certificar no índice.
— Nobleway. — Disse ao lado dela, que a mesma pareceu se mexer desconfortável.
Os olhos dele começaram a ler os nomes na árvore, mas um nome o chamou atenção. ''Ramona Nobleway''.
— Achei que ela era Ramona Nightstorm — O tom dele abaixou mais ainda, depois notou que embaixo do nome da mulher havia outro nome, sua filha, ''Shelly Nobleway'', confirmando a dúvida de Josh sobre o parentesco.
— Era, até ela casar. — Shelly mantinha o mesmo tom baixo. Sabia que o garoto descobriu a ligação entre as duas, notou a expressão dele. — Não tenho muita íntima a minha mãe, nem compartilhamos o mesmo sobrenome.
Ela voltou a mexer nas páginas e pulando de sobrenome por sobrenome, e lá apareciam o sobrenome do restante dos caçadores no instituto. Lyssander e Rose Goldtree. Henrique Aspendove. Diaspro Whitefox. Todos eles eram os últimos de sua linhagem.
Mordendo o lábio inferior o garoto respirou fundo, piscando diversas vezes.
— O que foi? — Ela notou a expressão dele.
— Ahh, nada. — Forçou um sorriso gentil. — Só me perguntei se meu sobrenome estaria ai.
Shelly pareceu ligeiramente triste.
— Ferreira não está aqui, sinto muito. — Falou pousando a mão no ombro dele.
Josh balançou a cabeça negativamente.
— Não esse, não estou falando da minha falsa identidade. — Suspirou. — Estou falando da verdadeira.
Shel fechou o livro e se levantou, Josh se levantou junto a ela. Ambos pareciam mais cansados agora depois de uma curta leitura.
— Josh, se quiser posso procurar a respeito. — O sorriso dela abriu novamente, como se fosse uma amiga que o conhecia a tempo.
O olhar do garoto pairou do rosto dela e ele sorriu animado, queria saber quem era no mundo das sombras, pois seu antigo mundo não o pertencia mais e nem ao irmão. A garota pareceu descontraída, feliz por ele ter ficado animado.
— Obrigado Shelly. — Puxou ela para um braço. — Obrigado mesmo.
A menina ficou surpresa com o ato, mas depois de um momento retribui o abraço como uma velha amiga. Ele a soltou, estava ansioso e animado, queria contar para o irmão sobre o livro, sobre a tentativa de saber descobrir quem eram.
Josh passou a mão no cabelo, estava com sono novamente e não queria perder a oportunidade de ir dormir. Shel também parecia mentalmente cansada.
— Eu vou para o meu quarto. — Ele disse andando em direção a porta com um imenso sorriso. — Vai dormir também?
A cabeça dela se virou para a mesa que continha diversos livros espalhados em uma bagunça. Ela começou a balançar a bater os pés como se estivesse fazendo birra.
— Bem que eu queria, mas preciso terminar umas leituras e depois ajeitar tudo. — Sorriu, voltando a mesa e se sentando. — Boa noite, Josh.
Ao voltar para para o corredor ele fechou os olhos, ainda estava sorrindo, parecia uma criança que ganhou o presente desejado dos pais. Seu corpo se chocou com outro e a bochecha tocou na clavícula de alguém. Ele andou uns passos distanciando secando o rosto úmido com o casaco, olhou em susto para a pessoa.
Henrique estava na frente dele com uma calça de moletom cinza que caia na cintura, exibindo um pouco da cueca que usava, mas ele estava sem blusa, mostrando o físico magro e um pouco musculoso bem definido, recentes marcas de runas eram visíveis no peitoral.
— Que droga. — Disse Josh com o rosto rubro e inclinou a cabeça para não olhá-lo.
O outro não pareceu se incomodar muito, apenas cruzou os braços na altura do peito e encarou com uma ar sarcástico no rosto e as sobrancelhas arqueadas.
— Sabia que um garoto andar sem camisa não é pecado? Uma pessoa ver também não é. — Se aproximou mais um passo dele. Tudo para ele fez sentido, os socos que escutou no quarto enquanto andava pelo corredor não eram de Lyssander, eram dele.
O corredor não estava mais frio, estava quente, bem quente. Josh conseguia sentir o calor corpóreo dele, o cheiro do suor misturado com doce no ar.
— Não sou muito fã de exibição vulgar. — Voltou a olhar o maior.
Ele gargalhou se fingindo de ofendido.
— Vulgar? Achei que já estivesse acostumado com isso. — Continuava o avaliando.
— Nunca irei me acostumar com isso. — O outro retrucou de imediato.
Um som de porta se abrindo atrás de Henrique chamou a atenção dos dois a olharem na direção. Diaspro estava com a porta do seu quarto semi aberta, ele olhava para os dois com um pequeno sorrisinho estampado no rosto.
— Aonde acha que vai a essa hora? — Rique se virou para o andrógino, a voz firme de quem o impediria.
Diaspro estava deslumbrante. As roupas eram muito mais justas e sexy do que Josh havia visto. Seu longo cabelo ainda caía até suas costas, um preto brilhante e ondulado. Nos olhos havia índice de lápis de olho.
— A pergunta seria: 'De onde está voltando?' — Ele piscou para os dois e entrou no quarto, mas antes de fechar a porta falou para ambos ouvirem. — Vão logo pro quarto. — Havia um certo tom de malícia na voz.
Josh ficou com o rosto ainda mais corado e voltou a andar em direção ao seu dormitório.
— Boa noite, Henrique. — Falou rápido, sem olhar para trás.
— Tenha bons sonhos, beato. — Escutou ele dizer antes de escutar os passos do mesmo se distanciar.
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Os gêmeos seguiram Lyssander e Henrique pelo instituto, estavam apressador e ansiosos, não conseguiam esconder o sorriso no rosto. Ambos quase não tomara o café da manhã pois os outros dois apressaram os gêmeos.
— Pra onde estamos indo mesmo? — Perguntou Brad, bocejando em seguida.
Ambos permaneceram quietos e trocaram olhares curiosos em meio a risadinhas. Josh estava morto de sono e fome, apenas os seguia pela animação matinal. Os quatro atravessaram a sala de entrada indo em direção a sala ao lado esquerdo. O garoto havia visto aquela sala a primeira vez que entrou no instituto, lembrou ter visto armas e uma mesa, mas dessa vez ele só via a mesa.
— Por que estamos indo para a sala de treinamento? — Falou Josh, nada contente.
Lyssander olhou para o garoto por cima dos ombros.
— Ramona falou que era melhor começar a treiná-los. Precisam de técnica para matar demônios. — A voz de Lys desmascarava a ansiedade em si.
Os olhos de Brad brilharam de excitação, falou em violência e aventura ele já aprovava, mas Josh revirou os olhos, briga não era o que ele gostava, muito menos com armas mortais.
A sala também era enorme, as paredes no tom de pergaminho velho bem amarelado. Altas cômodas com portas deslizantes. Um tatami grande tinha no final da sala, a runa angelical desenhada nele. Mais a frente encontrava-se a mesa que outrora havia visto, em cima tinham estranhos compartimentos, pareciam cabos de espadas de ferro com runas em relevo. O mesmo cabo que Lyssander usou e fez surgir a lâmina que derrotou o demônio transmorfo. Também estelas estavam a mesa.
Ao lado esquerdo manequins em bases ficavam espalhados, ao lado direito dois alvo de arco e flecha encontravam-se na parede ao fundo.
— Quando vamos começar? — Brad parecia em um parque de diversões.
— Calma. Primeiro, me sigam. — Henrique chamou os dois, andando para uma das cômodas.
Josh mantinha os braços cruzados em frente ao peito, não estava gostando nada da ideia de ser treinado, sabia que iria apanhar. Rique abriu a cômoda da porta de madeira que deslizou para o lado direito. O interior era revestido de tecido aveludado em um tom vinho escuro, tinham suportes prata nele. As três prateleiras de cima continham os cabos de espadas prateados com runas, as três prateleira debaixo tinham estelas, uma diferente da outra. Os objetos estavam em cima dos suportes pratas.
— Todo caçador de sombras tem sua espada celestial e uma estela. — Explicou Henrique.
Josh arqueou a sobrancelha surpreso e se moveu lentamente para o lado, agora começava a se interessar.
— Está pedindo pra gente escolher? — Foi Brad quem disse com a mesma expressão interessada do irmão.
Henrique confirmou com a cabeça.
— Uma estela e uma espada. — Advertiu.
Henrique saiu de perto da cômoda para eles verem melhor. Ambos se aproximaram lentamente e com calma. Brad começou escolhendo a espada, mas Josh avaliava as estelas. Tinham muitas delas em cores, algumas um pouco maiores que outras. Estelas em uma única pedra, algumas com ferro, outras prateadas e douradas, todas cheias de detalhes.
O garoto pegou uma estela com cuidado, ela parecia totalmente ser feita de vidro, mas sabia que deveria ser uma longa pedra branca. Uma linha prata rodeava ela por uma boa parte, parecia uma mola e no centro havia uma runa também prateada. Foi a primeira runa que ele recebeu no corpo. Uma iratze. Ele a escolheu e fez uma breve avaliação, colocando no bolso traseiro em seguida.
Seu irmão havia rapidamente escolhido uma espada, ele pesou o cabo na mão com um sorriso no rosto, depois se voltou as estelas. Brad escolheu uma com o cabo de ferro, tinha uma cor azul escuro e detalhes finos, linhas que formava as runas em um brilho prateado, com a ponta de pedra branca, parecia um cristal de tanto reluzir. Colocou a estela no bolso depois de mostrar qual foi a escolhida.
— Muito bem. Josh, escolhe uma espada. — Lys apontou para os cabos prateados no suporte.
O garoto franziu a testa e olhou para os objetos, ele não viu nenhuma diferença entre um e outro, não estava tão empolgado para isso. Pegou um, estava gelado. Respirou fundo antes de olhar melhor.
— Agora é a parte que invoca as lâminas, sempre... — Lys falou, mas ele foi interrompido pelos gêmeos.
Ambos colocaram as espadas em frente ao corpo.
— Jofiel — Disse Josh.
— Samuel – Falou Brad.
As lâminas apareceram com um impulso, os gêmeos sentiram uma energia, como se fosse um empurrão quando as lâminas resplandeceram. Os outros dois estavam com as bocas abertas, pareciam ter levado um tapa em cada bochecha. Lyssander se moveu, mas não sabiam se era de desconforto ou surpresa.
— Como sabiam? — Rique perguntou, coçando o queixo.
Brad olhou para seu irmão que tinha o mesmo sorriso brincalhão.
— Já tivemos esse treinamento. — Brad soou sarcástico, mas os outros dois não notaram.
— JÁ? — Lyssander estava apavorado.
Josh andou e parou ao lado de Lys e deu uns tapinhas no ombro do mesmo com um sorriso.
— Ahh, é claro que sim. — Imitou o tom sarcástico do irmão. — Na sala quanto tínhamos dez anos. Usávamos espadas de plástico, o efeito era sempre o mesmo.
Depois de uma curta pausa os dois ainda pareciam confusos.
— Misericórdia... — Brad revirou os olhos — Nosso pai ensinou pra gente essas coisas, não sei o por que ainda não entenderam.
Lys e Rique se olharam e arquearam as sobrancelhas. Josh já sabia que o viria a seguir.
— Então...Vamos começar o treinamento. — Começaram a andar em direção ao tatami.
Algo não estava certo. Josh permaneceu parado e ergueu um pouco a lâmina. Não gostava do comprimento, as vezes parecia bem pesada e outra leve até demais. Franziu as sobrancelha confuso e bufou perdendo a paciência. Ele não conseguiria lutar com aquilo.
— Não dá. — Falou aborrecido. — Eu mal consigo levantar, ela parece ter vida própria. Não gosto do comprimento.
Os três pararam para olhar Josh, o garoto balançava a arma desengonçado. Henrique averiguou a situação, logo se perdeu nos pensamentos e seu rosto pareceu de que teve uma ideia. Em silêncio ele andou até outra cômoda e deslizou a porta, pegou algo lá dentro e voltou a fechar. Na mão dele haviam dois cabos mais finos, uns dois centímetros menor do que o da espada, também tinham runas gravadas.
— Segura. — Tirou a espada da mão dele e colocou os dois cabos. — São adagas celestiais, lâminas gêmeas. O método pra invocá-las é o mesmo.
Ele se distanciou e Josh colocou um cabo em cada mão. Dessa vez ele pensou em um nome, um anjo que ele gostasse.
— Uriel. — O nome do anjo saiu alto e ecoou pela sala.
As duas lâminas apareceram brilhando. Eram do tamanho perfeito, precisas. Josh sentia como se fossem parte de seu corpo. Ele olhou para Henrique, o olhar em aprovação. Rique piscou para ele.
— De nada. Agora vem. — Finalizou.
Eles andaram até ficarem no contorno do tatami. Lyssander e Henrique se viraram para os dois com os braço cruzados, novamente com aquele sorriso enigmático no rosto.
— Podem escolher quem será seus tutores. — Lys disse.
— Tutores? — Perguntou Josh.
Rique balançou a cabeça positivamente com aquele sorriso estranho.
— Vamos treinar vocês, mas antes precisam escolher um de nós. — Disse fitando os olhos de Josh, aqueles lindos olhos castanhos claros misteriosos.
Brad não perdeu tempo. Passou para o lado de Lyssander com ar de desafio, ele sempre escolhia o qual parecia mais forte.
— Eu fico com o Lys. — Disse passando para o lado do novo tutor.
Josh fechou os olhos respirando fundo, sabia o que havia significado, que seu tutor seria Henrique. Quando ele voltou a olhar pro ruivo o mesmo sorria triunfante.
— Devo admitir que estou muito feliz com isso, beato. — Ele se dirigiu para o outro.
Os olhos do garoto se incendiaram ao escutar o apelido, não havia gostado nada daquilo.
— Beato? — Brad pareceu entretido.
Rique voltou sua atenção para o outro irmão.
— Sim, mas só eu posso chamar ele dessa maneira. —
Brad ficou espantado e as sobrancelhas arqueadas em surpresa, como se alguém pudesse limitar ele a não zoar o irmão.
— Posso usar o tatami primeiro? — Lys já estava se posicionando e guiando o outro.
— Claro. Vou deixar Josh se acostumar com as armas primeiro, treinaremos depois. — Disse Rique voltando atenção pra o outro que ainda o encarava.
O ruivo chegou mais perto do seu pupilo e inclinou o corpo, ficando com a boca perto do ouvido dele. Josh sentiu as batidas cardíacas acelerarem e o rosto enrubescer. Os outros dois já haviam começado um treinamento com réplicas de lâminas celestiais que não eram afiadas. Lyssander dava dicas de posicionamento em uma luta.
Josh sentiu o calor que emanava de Rique e a respiração dele que batia em seu pescoço, o garoto se arrepiou por inteiro.
— Me encontre no salão de entrada a meia-noite. — Sussurrou ao ouvido do outro. — Não me faça esperar e não conte a ninguém.
Ele se distanciou do garoto e andou para a saída da sala.
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