Relíquias de Guerra- A Adaga de Rubi
1 Agatha
Notas iniciais
Acordo com os olhos fixos no teto, me revirando e gemendo de frustação pensando em como eu odeio segundas-feiras, mas tenho que me levantar, me visto e desço para cozinha.
Minha mãe esta preparando o café da manhã. Todos os dias ela acorda no mesmo horário para preparar meu café. Mas hoje é um dia diferente. É meu aniversário e estou fazendo 16 anos... Só espero não ter uma festa surpresa quando eu voltar da escola. Eu aprecio o esforço dela, mas odeio essas coisas.
—Bom dia!- Falo percebendo que ela não tinha conhecimento da minha presença.
—Bom dia!-Ela olha por cima do ombro e sorri para mim. –Você vai se atrasar para a escola.
Olho para o relógio e me espanto ao notar que falta apenas 15 minutos para a minha primeira aula do dia começar, pego minha mochila e as torradas que minha mãe estava preparando e saio correndo para a porta da frente, me despeço de minha mãe e tento abrir a porta, quando consigo começo a correr para não chegar atrasada à escola.
Não deu certo. Chego à escola atrasada, tenho que entrar pela diretoria já que o portão de entrada está fechado. E o pior: ainda tenho que comer duas torradas, é muito difícil comer e correr ao mesmo tempo. Entro e aparentemente não tem ninguém, muito estranho, sempre tem muita gente aqui. Sigo em frente e quando estou quase saindo um homem de cabelos castanhos, alto e com óculos extremamente brega sai da sala do diretor e faz um sinal para alguém sair de lá, fico parada olhando, curiosa, talvez seja a Helena – uma valentona do terceiro ano, deve ter quase 1,80 de altura — ela sempre arruma encrenca, certa vez me trancou na biblioteca e só me deixou sair da li depois de quase uma hora, mas não é ela e sim Sophie, uma excelente aluna para dizer o mínimo, o que será que estava fazendo ali? Talvez tenha chegado atrasada também, ela me vê e cumprimenta, eu simplesmente aceno com a cabeça e começo a andar em direção ao corredor, torcendo para o suposto novo diretor não me notar.
—Ei você, o que esta fazendo aqui embaixo no horário de aula?
—Acho que ela chegou atrasada diretor- Sophie fala com um tom de escárnio.
Me viro e olho para ela com um olhar de ódio depois direciono o olhar pro diretor, ele esta com um rosto austero. Eu não acredito que ela me entregou, nós nunca fomos amigas, mas já conversamos e, eu acho que já emprestei um lápis para ela.
—Ah é? Isso é verdade?... Aliás qual seu nome?
—Meu nome é Agatha senhor- Gostaria de poder mentir, mas provavelmente Sophie iria me entregar.
—Agatha vou deixar essa passar, mas se você se meter em encrenca de novo estará em sérios problemas.
Sorrio para ele e volto meu olhar que antes era de ódio, mas que agora é de deboche para Sophie, dou um giro e saio apressada dali antes que ele mude de ideia.
Acordo com o barulho do sinal tocando, abro os olhos, a sala de aula está vazia, todos já saíram. Acabei dormindo na aula de geografia, eu estava com dor de cabeça e não aguentava mais ouvir a voz da Sra.Muller. Levanto da cadeira e vou em direção à porta mas antes de eu conseguir sair Helena e suas amigas bloqueiam a saída.
—Ora...ora o que temos aqui? Parece que alguém dormiu na aula de novo, vamos te dar uma lição, afinal você precisa prestar mais atenção nos estudos.
Duas delas partem pra cima de mim e me seguram enquanto Helena pega uma tesoura em um dos estojos, tento gritar, mas uma delas tampa a minha boca, eu já sabia o que ela iria fazer, tento me soltar dos braços das capangas dela, mas elas são fortes demais. Helena começa a mexer lentamente no meu cabelo e meu sangue congela. Cravo as unhas na palma da mão. Repentinamente ela corta um dos meus cachos, digo a mim mesma para não chorar por causa disso mas as lagrimas saem sem eu perceber. Elas começam a rir de mim como seu eu fosse um animal de circo. Ela corta mais um cacho e o choro é substituído pela raiva, eu começo a me debater violentamente, chutando e dando socos no ar, mordo a mão de uma das garotas e a empurro para longe, tento correr mas Helena pega meu pulso, me puxa de volta e me joga no chão, eu bato o joelho em uma das cadeiras mas não sinto dor alguma, mas sim raiva, ódio e até um pouco de adrenalina. Olho para elas, todas as três, desejo que desapareçam, que sumam da minha frente.
As luzes começam a piscar, as janelas se abrem sozinhas, o vento frio entra na sala e sinto um calafrio, ignoro tudo isso e me encolho no chão se preparando para o que vai vir, mas nada acontece, fico confusa, estava esperando um chute ou um puxão de cabelo, mas nada disso aconteceu, olho em volta de mim, tudo está parado e tão quieto, por fim olho para a Helena e suas cúmplices, elas estão imóveis.
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