Relíquias Perdidas
69 Capitulo 69 – A Espada de Ares
Notas iniciais
O dia seguinte amanheceu chuvoso e nublado, como se estivesse refletindo as emoções e pensamentos de todos.
Clove já ameaçara começar uma grande guerra contra Flyre. Tudo estava perdido. Zoë e Asafe não sabiam o que fazer. Asafe estava de cama por causa do pé, ele também teve muita febre durante toda a noite. Bianca e Theo tentavam conversar com Clove, mas ela simplesmente não escutava.
Susana chorou a noite inteira arrependida do que tinha feito. Lúcia também chorou a noite inteira, mas foi consolada por Alícia, Susana não teve a mesma sorte de ter alguém para consola-la, a não ser Caspian.
Susana bateu na porta de Lúcia. Alícia escancarou.
– Susana, ela ainda não está pronta – pediu Alícia.
– Deixe-a entrar! – disse Lúcia com raiva.
Alícia abriu a porta e Susana entrou de mansinho.
Lúcia estava sentada em sua cama, o rosto inchado, com grandes olheras e a xicara perto da cabeceira indicava que ela tinha tomado chá.
– Como pôde? – perguntou Lúcia.
Lágrimas pesadas desceram dos olhos de Susana.
– Lúcia, me desculpe... – disse Susana engasgando em lágrimas. – Eu tentei te impedir... Me desculpa por favor... Você não me ouvia!
– Você, é uma megera desgraçada! A partir de hoje, você não é mais minha irmã! – gritou Lúcia.
Susana explodiu em prantos e saiu atordoada do quarto. Ela sabia que tinha errado, ela sabia que tinha que deixar Lúcia viver o seu amor em paz, e as coisas seriam o que tivessem de ser, mas seu instinto protetor falou mais alto. Agora já era tarde, ela tinha que fazer algo para consertar o que fez, não só por causa de Lúcia, mas por causa de Flyre, milhares de pessoas iriam morrer naquela guerra.
Desesperada, ela lembrou-se da Pulseira de Afrodite. A Pulseira tinha o poder de fazer duas pessoas se apaixonaram, mas só poderia ser usada uma vez na vida por cada pessoa. Lilliandil poderia ter usado para conquistar Caspian, mas seria muito suspeito se do nada Caspian começasse a amá-la, já que ela tinha feito essa burrada, tinha que consertar.
Susana pegou a Pulseira e apertou-a. Mentalizou Clove se apaixonando pelo rei Roran, ele foi a primeira pessoa que ela imaginou e seria bom para o bondoso homem encontrar o amor. Além do mais ela notou certo interesse dele em Clove, ela não estaria interferindo totalmente no livre arbítrio dos dois, mas mesmo assim ela sabia que a aquilo era errado.
O pingente rosa em forma de coração começou a brilhar. Susana manteve os olhos fechados e viu o rei Roran em sentado em seu gabinete em seu escritório, ele estava chorando aos prantos e escrevia uma carta. Susana ficou horrorizada ao perceber que aquilo era uma carta de suicídio. De repente, os olhos do rei começaram a brilhar num tom rosado, da mesma cor do pingente. Ele rasgou o papel e sorriu.
A sua visão voltou ao normal e ela viu Clove afiando suas facas com raiva, o seu olhar indicava que ela estava pronta pra lutar na infantaria numa guerra. Clove de repente largou a faca e seus olhos brilhavam num tom rosado, da mesma cor do pingente e ela começou a sorrir.
Susana abriu os olhos e o pingente parou de piscar. Estava feito.
Clove e Roran se encontraram no salão principal dos Jardins de Água e se beijaram, lá estavam Zoë, Bianca, Mimí e Theo discutindo o que fazer, mas de repente tudo parecia ter se resolvido.
– Finalmente eu conheci alguém que realmente me valoriza, adeus Caçadores de Relíquias! – disse Clove.
Os quatro ficaram boquiabertos, mas naquele mesmo dia o rei Roran anunciou seu noivado com Clove. Asafe e Lúcia puderam andar de mãos dadas livremente, tudo estava bem. Mas eles ainda tinham uma tarefa pela frente, encontrar a Espada de Ares.
No jantar de comemoração ao noivado do rei, Susana teve uma brilhante ideia e tinha que compartilhar com Lilliandil. No meio da festa ela chamou Lilliandil para conversarem em seu quarto.
– Você deve estar feliz por Clove – disse Susana, a verdade era que ela não sabia como dizer aquilo a Lilliandil.
– Sim, ela é minha melhor amiga – disse Lilliandil. – Mas não foi pra isso que você me chamou aqui!
– Bom, eu pensei... E se você ficasse aqui? – palpitou Susana.
– Como é? – disse Lilliandil pasma. – Meu lugar é Nárnia junto com meu filho e como homem que amo!
– Ele não te ama! – gritou Susana furiosa. – E seu lugar não é Nárnia! Lilliandil, eu estou dizendo isso para o seu bem... Fique aqui, você arranjará um bom pretendente, casará e terá filhos, ninguém em Nárnia vai querer casar com uma mãe solteira!
– Isso está fora de cogitação! – ofendeu-se Lilliandil. – E quanto a Rillian?
– Caspian é um ótimo pai, você sabe disso! – disse Susana.
– Eu nunca viveria longe do meu filho! Nunca! Ele vai ser criado comigo e com o pai no reino que ele governará! – disse Lilliandil.
– Ele não governará nada em Nárnia! Seu filho não passa de um bastardo! – berrou Susana.
– Meu filho não é bastardo sua vadia! – disse Lilliandil e deu uma tapa na cara de Susana. Susana deu outro forte tapa na cara de Lilliandil.
– A minha filha governará Nárnia ao lado de seu futuro marido! Ela será a única e melhor rainha que esse mundo já viu! – disse Susana.
– Faça-me o favor, essa sua filha retardada não sabe nem falar! Apesar de ser a chatice em forma de criança! Mas não a culpo, ela só podia ter saído a você!
Susana queria matar Lilliandil com uma flechada no olho.
– E o seu filho aleijado não sabe nem andar! Ele é fraco e molengo igualzinho á mãe inútil! Minha filha é forte e corajosa! E a proposito não há nada de errado com suas cordas vocais, ela falará quando estiver pronta!
– Também não há nada de errado com meu filho! Você só está com inveja porque ele é lindo e carismático! E Theo já disse que ele andará quando estiver pronto!
– Tenha uma boa noite, Lilliandil! – disse Susana ironicamente e saiu do quarto.
– O mesmo para você, majestade! – retrucou Lilliandil.
***
A comera já estava pronta, e os caçadores de Relíquias também. Todos já estavam com suas armas e armaduras prontas para o combate. Clove iria lutar pela ultima vez, pois após acharem a Espada de Ares ela irá abandonar o grupo.
– Sentiremos muito sua falta Clove – mentiu Zoë.
– Eu sei Zoë, mas eu desejo o melhor para vocês, e principalmente para você minha amiga – disse Clove a Lilliandil.
Asafe e Zoë fizeram um pequeno discurso sobre Clove, sobre como ela lutava bem e era uma boa amiga, sendo essa ultima parte uma mentira, mas parecia que ela tinha mudado desde que ficou noiva do rei Roran.
– Gente, eu queria agradecer a todos vocês, apesar de eu saber que não sou a pessoa mais legal do mundo eu tive bons momentos com vocês, vocês são as melhores pessoas e merecem todo sucesso nessa guerra, podem contar com o apoio de Vigário! E até você Asa, me trocar por essa daí foi um mal gosto intenso! – sorriu Clove. – Adeus a todos! Desejo o melhor a todos vocês!
Todos deram risadas, mas poucos sabiam que ela estava falando sério. Todos deram um abraço em Clove, menos Lúcia. Ela também deixou uns livros de Bramaico para Bianca estudar, poderia ser útil nas viagens.
– Eu desejo que você seja muito infeliz ao lado dele! – sussurrou no ouvido de Lúcia.
Lúcia sorriu mesmo assim e agradeceu. Logo depois ela derramou o liquido da comera no peitoral de Asafe e um mapa se formou. No mapa uma linha em Bramaico ligava os Jardins de Água até a Colina Escarlate.
– O que tem nessa Colina Escarlate, Bianca? – perguntou Lúcia, pois Bianca era a sabe-tudo do grupo.
– É uma Colina abandonada, é o lugar dos mediguerras, objetos mágicos que foram aprisionados lá, são tipo discos de freesbee só que têm pontas de ferro afiadas e soltam faíscas que queimam, além disso o ar na colina é tóxico, teremos que usar máscaras e a pele desenvolve alergia contra o solo, então evitem cair no chão – disse Bianca.
– O.k. Avante Caçadores de Relíquias! – gritou Asafe e todos uniram as mãos e gritaram “Avante Caçadores de Relíquias!”.
Susana e Lilliandil ficaram com seus bebês e aflições assim como o rei Roran.
– Não se preocupe majestade, é durona aquela lá! – sorriu Susana.
Eles demoraram uma hora para chegar na Colina Escarlate, um lugar tenebroso, dava pra ver os mediguerras voando sem parar.
– Muito bem gente, esses bichinhos não vão nos deixar pegar a Espada, temos que destruí-los – disse Asafe.
– Ah, quase me esqueci! Gente eles explodem quando tocam neles, é uma explosão pequena, mas perigosa, se tivermos contato morreremos na hora – lembrou Bianca.
Isabelle colocou a mão na boca como se fosse vomitar, ela estava verde e tonta.
– Está tudo bem Isabelle? – perguntou Zoë. – Você está horrível.
– Só pode ter sido as panquecas com molho de tomate – disse Isabelle. – Não acho que vou conseguir lutar hoje.
Pedro e Edmundo correram até ela e cada um pegou numa mão da princesa.
– Bom, eu já achei que era uma boa ideia nós nos dividirmos.
Todos os garotos junto com Zoë, Mimí, Clove e Alícia foram para as colinas, portanto colocaram as mascaras cobrindo o nariz e aboca, o restante ficou com Isabelle, também para dar assistência ou extração num plano de fuga.
Mas no momento em que Asafe colocou o pé na Colina ele sentiu a dor da facada de Clove, e na mesma hora milhares de mediguerras vieram ataca-los. Os Caçadores de Relíquias entraram mais uma vez em ação.
Pedro criou várias raízes de plantas com o Cetro de Deméter, uma o vez levantar enquanto ele criava mais raízes para deter os mediguerras, as raízes os agarravam e eles explodiam.
Zoë e Alícia atiravam várias flechas certeiras nos mediguerras e eles explodiam. Edmundo, Theo e Asafe enfiavam as espadas nos objetos com muito vigor e agilidade, mas Mimí era a melhor, com sua espada de fogo ela chegou a explodir três de uma vez só. Clove atirava suas facas eficientemente explodindo vários em pouco tempo, ela era a mais rápida.
Em meia hora, eles já tinham derrotado todos os mediguerras, não fora uma tarefa fácil.
– Ótimo, agora por onde a Espada estará? – perguntou Asafe.
– Eu acho que deve estar em alguma pedra, segundo a lenda Ares retirou sua espada de uma pedra – disse Bianca.
Eles começaram a quebrar as pedras no topo da colina, mas de repente algo estranho aconteceu, a terra começou a tremer, era um terremoto, Lúcia subiu na Colina para procurar Asafe já que ouviu gritos de alguém caindo, mas havia algo mais atrás das pedras.
Dois gigantes esqueletos de cachorros se ergueram da terra, os esqueletos tinham uma corrente ligando a coleira de um ao do outro, e no meio dessa corrente, lá estava a Espada de Ares.
Não era fácil lutar com aqueles esqueletos. Pedro criou várias raízes de plantas, mas não conseguiu prendê-los, eles revidaram jogando para fora da colina com o rabo todos os Caçadores de Relíquias, apenas Lúcia e Asafe sobraram.
Lúcia estava com a varinha e Asafe com sua espada. Os dois deram as mãos, poderia ser que morressem lá.
– Eu te amo – disseram um para o outro ao mesmo tempo.
Lúcia criou barreiras mágicas contra os esqueletos e jogou vários feitiços, mas parecia que eles eram imunes aos feitiços, isso deu uma ideia a Lúcia, ela poderia tornar ela mesma imune aos feitiços.
Mas para fazer tal feitiço ela precisaria canalizar algo muito forte, e então pensou no amor que sentia por Asafe.
– Meu amor, preciso que me dê sua mão – disse Lúcia.
Asafe segurou a mão direita de Lúcia com sua mão livre. Lúcia levantou a varinha e um brilho envolveu os dois, eles avançaram para os cachorros, mas eles não podiam ataca-los, juntos eles tiraram a Espada da corrente dos bestantes. Com um só golpe da espada Asafe destroçou os dois esqueletos ao meio.
Todos voltaram para os Jardins de Água feliz da vida, o rei Roran mandou fazer um banquete e eles passaram a noite celebrando. O mapa mostrou a próxima direção que eles deveriam seguir. De repente eles perceberam que era a ultima vez que o mapa fazia aquilo, eles deveriam encontrar o raio de Zeus na Ilha Perdida, a ilha mais perigosa desse mundo inteiro.
Fale com o autor