Relicário

1 Relicário — capítulo único


Notas iniciais
[ re ‧ li ‧ cá ‧ rio; noun; medalha com relíquias que algumas pessoas trazem ao pescoço, por devoção ]

— Ally, Ally! Não demora não, todos estão nos esperando!

Worick parecia muito mais animado que o normal. Os dois haviam saído para comprar mais bebidas — já que ele mesmo conseguira acabar com o pequeno estoque que mantinham — enquanto os poucos convidados se reuniam na sede dos faz-tudo para a ceia de natal.

Alex se sentia radiante, não imaginava que chegaria a fazer parte de algo assim tão cedo, não com todos os problemas que vinha enfrentando desde antes de conhecer os faz-tudo. Era refrescante poder ver sorrisos novamente, poder ter seu irmão por perto novamente. Nem se passava pela cabeça dela que chegaria a poder ver e reconhecer Emílio novamente. Ela tinha tanto a agradecer, principalmente aos dois amigos que a ajudaram desde o começo.

Alex se sentia tão feliz.

Assim que subiram as escadas podiam ouvir as conversas animadas de quem estava dentro do pequeno apartamento. Os móveis haviam sido rearranjados para comportar as seis pessoas que ali ficariam. Nina e Nico estavam sentados no único sofá que tinha na sala, e enquanto a pequena enfermeira brigava com o surdo espadachim para não exagerar nas doses de seu remédio, seu superior e até então guardião — doutor Theo — observava as ruas pouco iluminadas de Ergastulum enquanto fumava seu cigarro vendo a fumaça que se diluía em meio a noite.

Todo o som se calou quando a porta fora aberta.

"Vocês demoraram", Nico sinalizou com uma das mãos.

— Desculpa Nick, mas foi difícil decidir o que comprar.

— Ele queria trazer todas as bebidas da venda! Foi sorte nossa a senhora Joel ter aberto para nós e ele ainda queria fazer cena.

E aquilo soava como algo que Worick faria.

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Depois de comerem, todos se reuniram em frente a televisão que Worick conseguira comprar depois de muito tempo sendo acompanhados pelo pequeno rádio de mesa, para assistirem a programação temática. Alex e Emílio estavam aconchegados no pequeno sofá enquanto os demais se sentavam no tapete, Nina cochilava no colo de Nico.

Tudo estava tranquilo, parecia ser um milagre poderem ter uma noite agradável naquele lugar mas, eles conseguiram. Alex admirava o medalhão que Nicolas havia lhe dado de presente — por mais que ele não estivesse habituado a essas tradições, ela admitia o bom gosto dele — enquanto abraçava Emílio que nada dizia, apenas aproveitava o aconchego que a irmã mais velha lhe proporcionava, depois de tantos anos separados aquilo era o melhor pelo que poderia desejar.

— Ei Ally, porque não canta pra gente?

Notas finais
Eu tenho um fraco por momentos felizes não apreciados dos benriya e amigos, e faço questão de exaltá-los sempre que possível. Essa foi uma das minha tentativas, feliz natal!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!