Notas iniciais
Esse capítulo não é indicado para menores de 16 anos: contém assuntos como alcoolismo.

Aquele dia foi insano, foi louco. Apenas me lembro do vômito e, depois, aquele quarto branco. Prazer, meu nome é Jonas.

Naquele dia, eu acordara mal. Minha cabeça rodava muito devido ao dia anterior. Havia ido a uma festa de um parente meu e, para variar, bebi um pouco além do limite, mas também não bebi demais. Hoje à noite eu teria uma festa de um pessoal da escola da minha irmã, Soraia. Por sorte ela não iria. Eu a amo muito e não gosto quando ela me vê bêbado ou dando PT. Até onde eu sabia, meu cunhado iria. O garoto é gente boa, mas ele me dá uma sensação estranha. Eu gosto dele, mas algo não está certo.

Assim que eu levantei da cama, quase escorreguei nas minhas bagunças. Havia cuecas, meias e camisetas para todos os lados. Minha escrivaninha não era vista devido à quantidade de roupas que eu jogava lá em cima desde a semana passada. Minha mãe vai querer me matar, sem dúvida alguma. Eu fui ao banheiro e fiquei lá por quase uma hora, fiz as minhas necessidades e tomei um longo banho. Quando olhei para o relógio, vi que eram quase três da tarde. Fiquei espantado, havia perdido a aula e a hora do comércio, sorte a minha que eu comprei o que eu levaria para a festa no dia anterior. Eu desci e comi um pedaço final de bolo de cenoura que minha vó mandara. Não havia ninguém em casa, portanto, eu já peguei meu carro e fui até a casa de um amigo meu.

Quando cheguei lá, a casa estava silenciosa. Sorte a minha é que a mãe dele estava lá fora, lavando a calçada. Ela me cumprimentou e abriu a porta para eu entrar. Ela disse que o filho ainda dormia. Eu fui até seu quarto, para acordá-lo pulando sobre ele, porém, assim que abri a porta, senti um forte cheiro estranho. Eu olhei para o chão e vi duas camisinhas usadas. Eu comecei a rir da situação. Lógico, não havia nenhuma garota ali, com certeza havia ido embora antes de ele acordar. Eu, tomando cuidado para não pisar naquilo, peguei o travesseiro e bati com muita força nele, que pulou de susto. Ele estava pelado e não fez questão de se cobrir. Estava numa ressaca horrível. Perto de sua cama havia um criado-mudo, em cuja gaveta tinha alguns remédios.

Eu os peguei e os entreguei com um copo de água para ele, que os tomou e voltou a dormir. Eu fui até a cozinha, onde havia um pequeno freezer. Lá dentro estavam as bebidas. A mãe dele era muito gentil e me deixou ficar em frente à televisão até o momento de irmos ao esquenta.

Iríamos a uma chácara, perto da edícula que íamos em seguida, para bebermos um pouco. Fomos de carro e pagamos um motorista para nos levar, já que sabíamos da nossa possível bebedeira em excesso. Na primeira parada, estávamos na casa de meu amigo Silas. Ali, bebemos horrores de cerveja. Minha visão já rodava e eu não caminhava mais em linha reta. Eu tropeçava em meus próprios pés enquanto ia de um canto a outro. Depois de quase duas horas bebendo e jogando truco, decidimos ir para aquela festa. Entramos no carro que contratamos e fomos. O mais difícil era chegar lá devido à enorme distância, pois era no meio de uma estrada vazia, sozinha e perdida. Mesmo trêbados, conseguimos explicar ao motorista como chegar. A música ajudou um pouco, pois estava muito alta. Assim que ele nos deixou, estacionou o carro e dormiu. Havíamos entregado a ele uma pizza, meia frango com catupiry, meia quatro carnes (lombo, bacon, calabresa e presunto para aqueles mais curiosos), e uma garrafa de refrigerante. Com certeza ele sairia de lá satisfeito.

Quando entrei na festa, dei de cara com o meu cunhado. Ele conversava com uma ex-namorada minha que, sem dúvida, estava falando mal de mim. Nem liguei. Fui até o freezer e coloquei as bebidas lá e já peguei uma. Eu vi a caixa que Carlos levara com as bebidas. Eram muitas, mas não para a festa inteira. Bom, para mim não. Depois de uns minutos, um amigo me apresentou uma garota, com quem fiquei por umas duas horas. Beijos quentes e nada molhados. Ela não estava com bafo de álcool como o meu, provavelmente por não ter ingerido nada. De repente, o celular dela toca e diz que precisa ir embora, pois o pai já estava em frente do lugar.

Apenas me despedi com um abraço e voltei para a roda de meus amigos. Eles iam começar a jogar "Verdade ou Desafio". Eu me sentei em frente a uma garota do terceiro ano. Ela segurava a garrafa pronta para girar e ela o fez.

—Verdade ou Desafio? – Perguntou o garoto para onde o fundo da garrafa parou e ela apontava para mim.

—Verdade. – Respondi com a voz bamba. Houve uma negação coletiva, pois esperavam que eu dissesse "Desafio"

—É verdade que já ficou com um garoto?

—Verdade. – Foi um susto geral. Notei um espanto até em meu cunhado, que parara ali do lado. Ele correu para fora e eu me preocupei, contudo, não corri até ele.

O converseiro cessou e a garrafa rodou novamente e parou em mim, novamente. Dessa vez, pedi desafio. O garoto, um da sala de Carlos, ficou pensativo por certo tempo.

—Eu te desafio a beijar o seu cunhado. – Eu me espantei, mas essas palavras pularam de minha boca.

—Só isso? Pode deixar! – E uma multidão me levava para fora, último lugar onde falaram que ele estava. O portão rangeu e eu saí. Todos que me seguiram, entraram novamente e eu fiquei em busca pelo garoto, chamando seu nome diversas vezes. Ele estava atrás de um carro com uma garrafa de água em mãos. Ele havia vomitado, com certeza.

Conversamos por pouco tempo enquanto eu o arrastava até a parede. Ele aparentou estar assustado e não liguei, apenas lhe beijei. Depois de segundos, me separei e entrei na festa. Peguei uma garrafa de vodka, a mais barata que eu havia levado, e fiquei segurando, bebendo pequenos goles. Eu sentia minha respiração falhar em certos momentos. Ficamos naquele jogo por certo tempo, quase por uma hora, até que eu pedi desafio pela sétima vez. Depois de mandar a foto da minha bunda para minha irmã, beijar meu melhor amigo e mijar em cima de um bêbado, ficar pelado na água gelada da piscina e beber uma mistura que eles montaram, fui desafiado a beber toda aquela garrafa. O problema é que estava quase inteira. Eu, um sem noção, comecei a beber, porém, ela não desceu bem. Essa parte será meu amigo que contará.

Ele começou a vomitar muito e seus olhos começaram a virar. Ele estava tendo uma convulsão. Entramos em desespero e o carregamos, todos tortos e desequilibrados, para o carro. O motorista dormia naquele cheiro de frango e bacon, mas acordou e nos levou rapidamente para o hospital. Lá, ele foi entregue nas mãos dos médicos.

Assim que meus olhos se abriram, eu via um quarto branco e azulado. Ao meu lado estava a minha irmã, com os olhos borrados com a maquiagem da noite anterior, onde fora na festa de uma prima nossa. Um homem, vestido com um jaleco mais branco que dentes clareados recentemente, adentrou a sala e se dirigiu até mim. Ele era seguido por meus pais.

—Graças a Deus! – Minha mãe correu até mim e me abraçou fortemente.

—Agradeça mesmo. – O médico dizia enquanto assinava uns papéis. – Ele quase entrou em coma devido à quantidade de bebida ingerida. Ele vai precisar ficar mais um dia aqui para monitoramento.

Meu pai estava com cara de nervoso, mas eu sabia que não levaria uma bronca pesada, talvez apenas um castigo. Ele já havia feito coisa pior.

Minha irmã me encarava e o celular ao mesmo tempo.

—O Carlos não me responde. O que será que aconteceu?

"Ai não! Acabei com o namoro dela." – Foi a única coisa que eu pensei. Ela saiu junto com a minha mãe. Meu pai conversava com o médico. E eu estava pensativo.

Quase morri e,provavelmente, terminei com o namoro da minha irmã. Eu precisava falar com ela.Por que fui realizar aquele desafio? O que tinha na minha cabeça? O que foi que eu fiz?