Relatos de um Anjo
1 Parte I: sobre o Paraíso e os Anjos.
Notas iniciais
Ok, pode ser que eu acrescente algumas coisas non-canon. Mas assim fica mais divertido, não é? :)
Boa leitura! ^^
Boa leitura! ^^
Na empresa, nós tínhamos um discurso do tipo: não questione a autoridade. Pode-se dizer que por milhares de anos, uma ditadura estava instaurada no paraíso. Como anjos, nosso único propósito de existência era lutar e obedecer. Nessa equação, as emoções não têm espaço. E afinal para quê? Deus nos criou como soldados. A única coisa que um soldado precisa são ordens e poder para cumpri-las. Parando para analisar o que o céu se tornou hoje – por minha culpa, diga-se de passagem – é estranho lembrar o quão estável e organizado eram as coisas há não muito tempo atrás. Um regime de puro medo. Mas voltemos àquela época.
Além de utilizar da tática da nossa programação – nós éramos programados para cumprir ordens – eles também faziam um tipo de lavagem cerebral. Pode parecer exagero da minha parte, mas o discurso de “não desobedeça como Lúcifer fez” era recorrentemente usado pelos superiores para nos coagir. Nossa obediência à Deus vinha mais do medo da punição do que do amor à Ele, ou pelo menos meus irmãos pensavam assim. Estranho imaginar que nenhum Anjo teve contato com Ele, e mesmo assim nós obedecíamos Suas ordens, mesmo não tendo certeza se as ordens vinham mesmo d’Ele. O medo da desobediência era maior, parecíamos até humanos nesse aspecto. Ingênua era a criatura que desobedecia. Uma ordem tão simples como “vá para a direita”, se fosse desobedecida, resultaria em um processo de purificação— um eufemismo para tortura profunda. Em toda a minha existência, fiquei sabendo de apenas três casos de anjos que desobedeceram, eu incluso. Sim, eu desobedecia constantemente ordens e apesar de cobrir meus rastros muito bem, às vezes eu era pego e purificado. Chegou ao meu conhecimento recentemente que eu não fui apenas purificado, como reprogramado também, e não apenas uma vez. Mas isso não posso afirmar com categoria, já que eu não me lembro. Mas então por que eu desobedecia, você deve estar se perguntando. Bem, essa é fácil: por que eu amava meu Pai. No Paraíso, cada alma humana tem um paraíso particular, onde a pessoa revive seus melhores momentos quando viva. Nós éramos estritamente proibidos de interferir ou observar, “para não alterar o equilíbrio das almas” eles diziam, mas no meu ver era apenas para manter os Anjos longes de qualquer interação com humanos. Veja bem, eu demorei apenas alguns meses em contato com a humanidade para me rebelar, então essa preocupação dos superiores era legítima. Mas sinceramente, ninguém questionava essa regra, os Anjos não são lá muito interessados nos humanos. Eles apenas seguem ordens como robôs. Como eu disse, eu amava meu Pai profundamente. Observar a humanidade é o que me fazia sentir mais próximo à Ele – é engraçado imaginar que eu realmente fui um dos poucos Anjos próximos à Deus, mesmo sem saber. Eu não entendia como meus irmãos não tinham a mínima curiosidade ou preocupação para com a humanidade. Eles não se perguntavam porque Deus teve tanto trabalho para fazê-los? E obrigou a curvar-nos perante eles? Pois eu queria saber, entender e amá-los como meu Pai me ordenou. Para isso, eu precisava quebrar as regras. Eu amava meu Pai e era curioso demais para recuar por medo, pelo menos até certo ponto. Mas minha busca para entender a humanidade era infrutífera. Tenho vergonha de admitir que quando o pensamento de descer à Terra me veio à mente eu logo o espantei por medo da punição. Descer à Terra era estritamente proibido, uma das primeiras regras e com a mais grave punição. Apesar de ser levemente desobediente, eu não era louco. Ter contato com paraísos isolados de seres humanos é completamente diferente de estar entre os humanos e interagindo com eles. Era impossível eu me comunicar na minha verdadeira forma, e pegar um corpo humano estava totalmente fora de questão. Então eu apenas observava os paraísos — já fui chamado de esquisito várias vezes por um amigo meu, justamente por essa mania de ficar observando os outros. Sinceramente, no começo foi completamente sem sentido. A realidade de um anjo — um ser eterno — e a de um humano — um ser tão efêmero — é completamente diferente, e não apenas por causa do tempo de vida. Certa vez eu me encontrei no paraíso de um garoto. Era uma paisagem simples: uma praia rodeada de rochas e mato com uma pequena extensão de areia. Só isso. Eu estava prestes a ir para outro, quando as ações dele despertaram a minha curiosidade. Ele estava perto de onde a maré alcançava seu limite construindo algo com a areia. Se utilizava de conchas, pedras e pedaços de madeira para dar detalhes e sustentação na construção. Aquilo realmente me interessou, e de repente foi como se eu ouvisse um click. Se eu tivesse um corpo, provavelmente estaria com borboletas no estômago e com um enorme sorriso no rosto refletindo a empolgação de uma nova descoberta. Então aquilo era ser humano, construir, utilizar os recursos ao seu redor para construir coisas. Usando essa analogia, é assim que se formam civilizações e sociedades com uma enorme variedade de cultura. Quando o castelo estava quase terminado, a maré derrubou tudo, deixando apenas as bases. Sim, isso podia acontecer. Era assim que as sociedades e grandes impérios já caíram: seja pela natureza ou pela intervenção humana. Porém o que o garotinho fez em seguida, foi isso que chamou minha atenção: ele recuou para onde as ondas não o alcançariam, reuniu novos materiais e recomeçou a construir. Novamente, escutei o click de uma nova descoberta. Parecia que eu tinha descoberto a essência da criação de meu Pai, será que foi assim que Deus se sentiu quando fez o homem?
Sim, eu tinha ciência de que humanos são cruéis. Era pra isso que existia Céu e Inferno afinal, para diferenciar os bons dos ruins. Porém o que difere o ser humano de qualquer criatura, é o aprendizado. Aquele simples ato do garoto de reconstruir o castelo me mostrou aquilo. Ele teve a ideia de construir algo, esse algo foi destruído, e ao invés de desistir ele aprendeu que se se afastasse do que destruiu sua construção ele teria êxito. Eles podem aprender e melhorar. Além de tudo, à eles foi concedido o livre arbítrio, coisa que eu invejava. E foi assim que abri uma porta que levava à milhares de outras portas, mas o caminho a seguir era somente um: o da desobediência.
Notas finais
Pois é, as partes serão curtas, mas garanto que serão muitas. Eu pretendo cobrir todo o seriado, desde a aparição do Castiel até atualmente. São OITO temporadas, então acredito que dê muito papel.
Espero que tenham gostado. Sugestões são bem-vindas! :B
Espero que tenham gostado. Sugestões são bem-vindas! :B
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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