Notas iniciais
Nova pessoa para vocês, espero que gostem.

Se algum dia me perguntassem qual é a vantagem de se trabalhar No Pentágono, eu pensaria por mais ou menos cinco minutos antes de responder que o salário é um pouco maior que a média das copeiras dos EUA. Devo admitir que já estou acostumada com a situação que está acontecendo agora: uma mulher passando a mão em mim para ver se não existem bombas, armas ou algo do tipo escondido. Mas eu já conheço a Margaret bem demais para poder até ficar nua em sua frente. São 09:00. Já está na hora da meu revezamento, já que uma base militar tão grande e conhecida como O Pentágono fica aberta 24 horas todos os dias.

– E aí, Liz, como vai a vida? — pergunta Margaret para mim depois que me revista.

– Ah, Maggie, ser mãe de um filho adolescente não é facil. Mas a vida anda. — falo, e saio rindo andando pelos corredores estreitos da parte dos funcionários internos em direção a copa. Entrando lá, vou ao meu vestiário.

Me vejo no espelho pequeno e redondo na minha frente. Vejo meus cabelos recém esticados. Me vejo melhor com cabelos esticados do que com meus cabelos encaracolados normais. Minha pele negra combina muito mais com esse tipo de cabelo. Nesse meio tempo, prendo meus cabelos num coque e visto a roupa preta que uso todos os dias.

Chega minha colega de trabalho, Linda. E ela faz jus ao seu nome. Loira, de olhos azuis e branca como a neve. O extremo oposto meu.

– Seu turno hoje, não é Liz? — fala ela, e percebo-a toda animada tirando as sapatilhas.

– Sim, Linda. — falo.

– Então vá logo, já são 09:25 e você já devia ter saído do subsolo.

– Meu Deus! — realmente me desespero. — Meu turno é de 09:00!

– É. E vá logo que é para servir o setor 4, no último andar.

– Tô indo.

Corro saindo da copa do setor um. O setor 4 é do extremo oposto. Estou no segundo andar abaixo do solo do Pentágono e estou correndo em direção ao quinto e ultimo andar acima do solo. O elevador de funcionários vazio ajuda muito nisso.

Saio no quinto andar. E vejo a loucura a minha frente.

Nunca vi algo igual, pessoas correndo nos corredores cercados de portas para todos os lados, e não tenho autonomia para perguntar á ninguém o que está acontecendo, já que sou uma simples copeira.

Tento achar meu caminho para a copa do quinto andar, e entro nela vazia. Pego as xícaras brancas lisas na prateleira de cima do balcão, e as encho com o café da garrafa térmica preta imensa acima do balcão. Dez xícaras cheias de café, uma bandeja de prata, um corredor louco com gente correndo para todos os lados. O quão errado isso pode dar?

Saio da copa com as bandejas e andando nos corredores loucos pedindo licença a todos. Olho no relógio do corredor: 09:32. Vou correndo junto com a multidão de terno e gravata Do Pentágono enquanto corro até o Setor 4 para entregar o café. 09:36 e ainda estou no Setor 3, correndo e derramando pequenas gotículas das xícaras de café na bandeja de prata. Num instante, ouço o barulho mais alto que já ouvi. O barulho de uma explosão. Mas não é uma explosão qualquer, ela me fez simplesmente fazer o que nunca fiz no meu trabalho: derrubar a bandeja com os cafés no chão do corredor do Pentágono. Foda-se a autonomia, foda-se que eu sou uma mera funcionária de quinta categoria, eu corro junto. Não sei o que está acontecendo, mas sei que é ruim. Muito ruim. E foda-se que não tenho moral para falar com nenhum gostosão de terno e gravata. Pego um pela mão, e pergunto:

– O que aconteceu? — paro no meio da correria, fazendo-o parar também. Uma pessoa que já vi várias vezes mas nunca me dirigi a palavra.

Ele olha para mim sem entender, mas fala:

– Dois aviões acabaram de atingir o World Trade Center em New York. E provavelmente outro atingiu O Pentágono.

Ele corre. Não acredito no que acabei de ouvir.

Não corro, não me desespero, apenas fico parada no meio do corredor com milhares de pessoas desesperadas correndo, sem sair do lugar.

Notas finais
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