Relatos de 11 de Setembro
6 Jones - 6
Notas iniciais
Outro pra vcs, esse foca muito nas emoções do Jones, espero que gostem.
Não acho que fiz algo ruim ao trazer July McPhee para meu apartamento. Ela estava bêbada demais para ir a algum lugar, e meu apartamento tem mais um quarto. Não sei qual será sua reação ao acordar em um lugar estranho, mas eu sei que fiz a coisa certa. Estou escovando meus dentes, pelado, na suíte do meu quarto. Sim, eu durmo pelado. Não sei se isso é um problema ou não, mas eu me sinto muito mais confortável. Saio do banheiro, e abro meu guarda-roupa para me vestir. Entre aqueles ternos e mais ternos, tento achar uma roupa descente para uma pessoa que está desempregada pois seu local de trabalho foi atingido por um avião.
– Meu Deus! — ouço o grito atrás de mim, e me viro, vendo July McPhee com o mesmo vestido que me beijou ontem a noite.Estou pelado, ela ontem estava bêbada, e acordou no meu apartamento. O quanto estranho isso pode parecer, para ela?– July, eu posso explicar. — falo, pegando a cueca que deixei cair no chão com o susto que eu tomei. — Não aconteceu nada, você só estava bêbada demais para fazer qualquer coisa e eu decidi te trazer para meu apartamento e...– Eu já entendi, Jones! — fala ela, cobrindo os olhos com as mãos finas. — Por favor, coloque essa cueca.É mesmo, me esqueci que não coloquei a cueca ainda.– Certo. — coloco a cueca. — Coloquei.Ela tira a mão dos olhos, e diz:– Você dorme pelado?– Sim, eu...– Não. Precisa. Dizer. Mais. Nada. — fala ela, pausadamente.– Certo.– Não aconteceu nada mesmo? — pergunta ela.Acho que devo falar do beijo. Não seria justo, com tudo que ela está passando, ainda ter que lidar com um mentiroso.– Você me beijou — digo.A reação dela não é muito estranha. Eu esperava uma reação do tipo de quem se arrependeu, mais ela até força para esconder um sorriso.– Só isso? — diz ela. — Ainda bem.– Ok, se você diz...– Vem — diz ela — eu preparo um café da manhã. Veste umas roupas.Tento achar em meio a esses ternos algo que seja decente para eu vestir sem compromisso, ainda bem que eu acho a camiseta vermelha-vinho que minha mãe me deu de presente. Coloco uma calça jeans e vou até a sala, onde vejo por trás do balcão da cozinha americana July colocando um ovo na frigideira, acendendo o fogão.– Vai preparar o que? — pergunto para ela, me sentando no balcão e a encarando cozinhar. Ela realmente é muito bonita.– Omelete. — diz ela. — Mas então, como foi me ver bêbada?– Foi bem... Engraçado. — digo, sorrindo.– Imaginei — diz ela, rindo junto.Após ela terminar de preparar o café, ela se sente junto a mim no balcão, comendo o melhor omelete que já comi em toda minha vida, junto com o mesmo suco de laranja de garrafa que tomo toda manhã.Conversamos sobre os assuntos mais variados. É claro que não dá para evitar falar sobre os atentados e sobre as mais novas teorias de que foi o mundialmente famoso terrorista Bin Laden quem liderou tudo o que aconteceu. Mas eu tento me manter o mais compreensível possível. Percebi que não dá para evitar que se fale sobre isso, mas dá para ser o mais compreensível possível. E percebo que ela gosta disso, pelo seu olhar sonhador para mim, e seus incríveis comentários inteligentes. Sim, July McPhee é uma pessoa interessante de se conversar, além de sua beleza que compensaria qualquer burrice.Mesmo com sua cabeça abalada com a morte de sua irmã nesse meio tão terrível que Osama Bin Laden provavelmente atuou, a vejo forte e sem medo do futuro, assim como Ashley era, apesar de todos seus defeitos.Dá para perceber também que ela tenta se sobrepor ao clima desagradável de New York. Ela tenta se manter alegre, tenta se manter feliz, tenta ser compreensível em certos assuntos, e deu para perceber isso no nosso passeio de tarde pelo Central Park quase vazio pelo luto de toda a nação dos Estados Unidos.Ela observa pequenas coisas, vê a beleza até aonde não há. Tenta ver com outros olhos tudo o que aconteceu, se é que isso é possível. Passo apenas duas horas conversando com ela e já ouvi citações de Gandhi, Platão, John Lenon e muitos outros. Uma pessoa totalmente culta, e sem medo de ser feliz.Isso deu para perceber na nossa última saída de noite ao mesmo bar da última vez, desta vez com uma única mulher chorando seus olhos fora na mesa do canto, bebendo, em apenas duas horas, mais de dez garrafas inteiras de cerveja. July quis consolá-la, quis fazê-la tentar ver a beleza da vida, porém, ela deu muitos foras nela e em mim. July é a pessoa mais amável que já conheci, e passar esse dia com ela foi o melhor a ser feito em um momento como esse, onde o mundo está aterrorizado pela falta de segurança nele todo e pelos islâmicos que possivelmente o aterrorizaram.Eu senti sua delicadeza em todas as horas do dia, em cada minuto, e em cada segundo. Até quando a levei de noite para o meu quarto, onde tive uma das melhores noites da minha vida.
Notas finais
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