Notas iniciais
Oii, aqui vai mais um, espero que gostem!!

Aqui estou eu no quarto de hóspedes do apartamento da minha tia, sentado junto a Diana enquanto tentamos tirar um fio de felicidade no meio das ruínas de um país. Diana não falou comigo desde que chegou aqui, nem com ninguém. Ela apenas se enrolou no cobertor que minha tia deu para ela e fica sentada tomando água. Não sei o que faço, mas também minha cabeça está uma bagunça. Perder meu pai, e me lembrar que a última coisa que eu falei para ele era que ele era um mercenário que só ligava para o próprio umbigo. Agora não tenho como voltar para casa e pedir desculpas, por que ele foi embora, assim como minha mãe. E aqui estou eu, com 16 anos sem mãe nem pai, com uma tia na qual está tão abalada quando eu por ter perdido seu irmão, ao lado de uma menina que eu achei que ia só dar um pulo na minha vida para tirar minha virgindade e ir embora, mas que pelo visto vai ficar mais tempo. Não tenho coragem de falar alguma coisa para Diana, até por que imagino a dor que ela estaria sentindo, que pode ser igual a que eu sinto. Mas, não sei de nada sobre ela. Não sei nem ao certo se ela perdeu alguém no atentado, mas a julgar pelo seu silêncio, acho que todos podem deduzir que ela tinha alguém amado em alguma daquelas torres. Tenho que falar com ela, Diana provavelmente pode estar em estado de choque. Ela pode precisar de um reforço.

– Diana — falo. — Você está com fome?

Patético, eu sei. Mas não consegui pensar em outra coisa para falar.

Ela apenas olha para mim com seus olhos cheios de lágrimas e diz:

– Não, Henry. Obrigada.

Pelo menos ela falou.

– Então, você tinha alguém nas torres?

Por que eu fui falar isso? Caralho, eu sou muito sem noção.

Ela apenas continua a chorar com a cabeça baixa, deixando as lágrimas caírem em sua saia.

– Sim. — fala ela, ainda com a cabeça abaixada. — Minha avó. Ela trabalhava em um dos andares atingidos...

Ela fica aos prantos, chorando e passando a mão no rosto.

Não sei o que fazer. O que eu faço? Nunca pensei que algum dia teria que confortar alguém por que dois aviões explodiram em duas torres. A única coisa que consigo pensar é em me sentar junto dela na cama, e abraçá-la. Talvez se eu falar alguma coisa isso a conforte.

– Diana. — começo a falar. — meu pai também morreu. E minha mãe já se foi faz alguns anos.

– Eu sinto muito, Henry... — fala ela, soluçando, enquanto se encosta em meu corpo.

– Eu também sinto muito, Diana... — falo, enquanto sinto as lágrimas também escorrerem de meu rosto ao lembrar do meu pai.

Meu pai, uma pessoa que eu dizia que odiava mas na verdade era uma das que eu mais amava. Uma pessoa que estava ali para mim, sempre me apoiando, apesar de nossas constantes brigas. Uma pessoa na qual ficou comigo depois que meu mundo caiu após a morte da minha mãe. Quando menos espero, estou aos prantos junto a Diana. Neste momento, minha tia entra no quarto.

– Henry, Diana. — fala ela, e consigo ver que ela está chorando. — O jantar está na mesa.

– Vamos, Diana. — falo, me soltando dela.

Nos levantamos e vamos lentamente até a mesa de jantar da sala. Nunca fui de reclamar da comida da tia Mandy. Realmente, nunca comi um bife como o que ela faz. Mas hoje, percebo que ele está um pouco queimado e o gosto não parece o mesmo. Na verdade, não estou com apetite. E percebo o mesmo ao olhar para minha tia e Diana ao meu lado. Não sou muito de reclamar, e não vou reclamar hoje. Apenas ouço minha tia falar, com a voz rouca:

– Diana, sua mãe sabe onde você está?

Diana para de comer o olha para tia Mandy, falando:

– Minha mãe abriu mão da minha guarda depois que meu pai morreu para morar no Brasil com seu namorado, Roberto. Não nos falamos a anos. Honestamente, dado o fato que ela trabalha no tráfico de maconha na Amazônia, não me surpreenderia que ela estivesse morta.

Vejo que minha tia engole em seco antes de falar:

– Então, você mora com quem?

– Morava com minha avó. — fala ela.

– Diana, então você... — começo a falar, mas sou interrompido pela sua voz.

– Sim. — fala ela. — estou sem guardião. Provavelmente vou para um orfanato. Vai ver era onde eu deveria estar desde que eu nasci.

Não consigo acreditar no que estou ouvindo. Diana vai para um orfanato? Como assim?

– Não. — fala tia Mandy. — Diana, eu sei que pode parecer esquisito, mas, gostaria de morar conosco?

– Sério, tia? — pergunto.

– Sim. — fala ela. — Você quer?

– Eu... Eu... — Diana para de falar para chorar. — Eu quero. Obrigada.

–Obrigada... — fala Diana. — Muito obrigada...

Isto me conforta, saber que pelo menos depois disso tudo, tenho uma família na qual sempre sonhei em ter.

Notas finais
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