Relatos de 11 de Setembro
15 Emily - 1
Notas iniciais
Outra pessoa para vcs, espero que gostem.
Não curto muito televisão, para mim, televisão não passa de um retrocesso da humanidade para fazê-la mais burra. Meu apartamento é alugado, em plena área comercial de New York. Ele apareceu com o aluguel muito mais barato do que a maioria dos outros de áreas mais nobres, como, por exemplo, o centro financeiro não só de New York mas como do mundo inteiro, o World Trade Center. Faria mais lógica eu morar perto de lá, já que minha mãe trabalha lá a anos e mais anos como uma contadora. Já visitei a Torre Sul várias vezes, e também já fui ao escritório da minha mãe várias vezes. Não é muito grande, admito, mas se localiza no maior centro da América.
Me lembro de quando minha mãe, no dia em que eu visitei seu escritório pela primeira vez, ela me disse:– Emily, algum dia, isso aqui será seu.Ainda estou esperando por esse dia, mas por enquanto, a única coisa que posso dizer que é minha é a televisão que eu nem gosto de ver, que minha mãe insistiu em comprar para mim. Emily, a garota que minha tão amada mãe vislumbrava um futuro brilhante, hoje não passa de uma pessoa forma da em publicidade em uma faculdade qualquer.Estou tomando meu café da manhã que tomo desde meus cinco anos, de quando ainda morava com minha mãe no apartamento perto do World Trade Center. Um cereal colorido e em formato de rosquinha. Só consigo ouvir gritos vindos da janela de minha rua, gritos de horror e terror que podem ter tantos significados quanto os significados do por que derramei meu cereal no chão para poder ir para a janela ver o que estava acontecendo. Vejo pessoas olhando para o longe, e tento olhar para o mesmo lugar que todos olham pela minha janela. Só consigo ver uma fumaça preta subindo pelo ar, muito alta e muito grande. Um barulho infernal de explosão só chega aos meus ouvidos alguns segundos depois, e penso que foda-se a minha filosofia sobre a televisão.Ligo minha televisão, não preciso mudar de canal. A torre norte do World Trade Center está em chamas, e a Torre Sul intacta. O que está acontecendo? Tento aumentar o volume. Só consigo ouvir a voz do jornalista de fundo.– Testemunhas dizem ter visto um avião colidir contra a Torre Norte, não se sabe ao certo se isso se trata de uma verdade ou não. O que se sabe é que está um caos perto da área do World Trade Center, pessoas estão gritando e desesperadas. Só sei de uma coisa: se foi realmente um avião, nos vemos agora num atentado terrorista, senhoras e senhores....Não ouço as outras palavras do repórter. Preciso saber se minha mãe está bem. Preciso saber se a Torre Sul sofreu algo por conta desse avião.Pego meu telefone, e disco os números tão conhecidos do escritório da minha mãe. Cada tocada é uma facada no meu peito, e quanto mais ela demora, mais perco as esperanças.Mas elas voltam, por que ouço a voz da minha mãe, e percebo o medo na sua voz.– Alô?– Mãe? Ah, graças a Deus.– Emily, não venha para cá. Estamos todos evacuando o prédio, alguns vidros se quebraram, mas ninguém morreu. Estou pegando minhas coisas, e fotos nossas da minha escrivaninha. Fique em casa, entendeu?– Mãe, mas eu não posso ficar só assistindo, eu quero ajudar.– Você ajuda ficando em casa! — percebo que sua voz fica mais agressiva, mas amansa. — Filha, fique em casa, eu te amo.– Te amo, mãe.Ouço os toques do telefone. Não consigo parar de olhar para a TV para ver a torre em chamas. Pessoas estão se jogando, meu Deus.Quinze minutos. Quinze minutos de puro sofrimento na Torre Norte. Quinze minutos antes de eu avistar uma sombra de um avião atingindo a Torre Sul.
Notas finais
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