Notas iniciais
Desculpem a demora!!

Acho que deveria contar á Alice sobre minha verdadeira opção sexual. Fico meio receoso por que sinceramente eu não a conheço e não faço a mínima ideia de qual seria sua reação ao eu contar que o Logan era muito mais que um amigo. Sinto, toda vez que eu me lembro do Logan, um aperto no meu coração como se algo o pressionasse. A saudade me consome, e a minha trama com a Alice não se sobrepõe a isso. Alice está na minha casa a dois dias e eu não consigo ter nenhuma atração se quer por ela, mesmo que seja de amizade. Talvez seja por que ela dançou a "Parte de Seu Mundo" na minha sala pouco depois do pior atentado da história do mundo. Não sei por que, mas Alice entrou na minha lista do amor e ódio, mesmo eu estando consumido pela saudade de Logan e ódio dos terroristas. Em meio a esta confusão em minha cabeça, eu me vejo encurralado nas quatro paredes de meu quarto, paredes beges com minha escrivaninha velha de madeira que tira um pedaço da minha alma cada vez que me lembro que em cima dela mesma é que Logan deixava sua carteira engraçada na qual eu de surpresa descobri no dia em que nos conhecemos que ele deixava lá fotos de homens sarados totalmente pelados para ter um "material" para se masturbar. Não pude reclamar na época, já que, solteiro e sem sexo, me vi encurralado por imagens pornográficas e imaginar o Brad Pitt pelado, mas isso não vem ao caso. O que vem ao caso é que estas imagens, o mais pornográficas que sejam, me fazem lembrar o Logan. E esta lembrança tira um pedaço de mim a cada memória do seu sorriso, de cada momento nosso, de cada transa, e até mesmo de cada briga.

Tenho que sair daqui. Este lugar não me faz bem, tenho que respirar ar puro. Não consigo ficar no mesmo ambiente de Alice, por que ela me consome também.

Levanto da minha cama e passo pelo pequeno corredor de meu apartamento, no qual dá para ter uma vista de uma das portas abertas e Alice fazendo café da manhã, enquanto me vê indo em direção a porta.

– Adam, o que você está fazendo? — ouço a voz dela, pouco antes de eu chegar na frente da porta.

Não respondo, apenas abro e entro no hall do meu andar, com aquele corredor estreito e portas de madeira bem polidas com carpete já nas últimas.

– Adam! — ouço a voz de Alice atrás de mim, e ouço seus passos até seu rosto bonito aparecer em minha frente, me impedindo de dar mais um passo sequer em direção ao elevador que fica no meio do corredor.

– Alice, me deixe passar. — falo, empurrando seu corpo levemente.

– Não até você me dizer aonde você está indo. — fala ela, e vejo que ela não vai sair dali até eu falar algo.

– Eu estou sufocado, Alice. É isso que você quer saber? Eu simplesmente não consigo ficar mais um segundo sequer naquele apartamento, ele me consome a cada momento que eu passo lá. Não consigo olhar para sua cara, por que no meio das ruínas deste país você simplesmente age como se nada tivesse acontecido, você assiste á "A Pequena Sereia" e dança como se voltássemos para o dia 10 de setembro! Mas eu vou lhe dizer uma coisa, Alice, já é dia 13 de setembro, e nesses três dias, Bin Laden resolveu enfiar três aviões em três prédios lotados e virar a vida de milhares de pessoas de cabeça para baixo, inclusive a minha. E a sua também. Eu preciso de ar, Alice. É isso que você queria ouvir?

Sinto que as lágrimas caíram do meu rosto enquanto falava estas palavras, e vejo as lágrimas caírem do de Alice também. Até que me vejo de joelhos no chão, enquanto Alice se acocora e fica de frente para mim, enquanto ouço a porta dos meus vizinhos se abrirem para ver o que acontece no corredor.

– Adam, isso vai passar. — ela fala para mim. — Eu só estou tentando te deixar melhor, pra poder ver a beleza que tem neste mundo mesmo com isso tudo acontecendo.

– Alice, isto não é Aladdin, e não é "Um Mundo Ideal", este Mundo Ideal está se despedaçando.

– Eu sei. — fala ela — Mas temos que tentar, temos que nos sobrepor.

Ela não me deixa falar, apenas cala minha boca com um beijo, um beijo sem sentido nenhum para mim, mas que para ela e para meus vizinhos também, valeu muito. Consigo ouvi-los batendo palmas ao fundo

Notas finais
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